Derek caminhava pelo vilarejo, pensativo. Ele ainda remoía o que havia escutado da boca de Braeden. Não era possível que a loba pudesse se rebaixar tanto ao ponto de tentar lhe convencer com tal abordagem. Ele não imaginava que Braeden pudesse ir tão longe por si. Por que a Onew não podia, simplesmente, aceitar que tinha que ser assim? Por que ela não podia aceitar que não lhe teria mais?

Aquilo o magoava.

Ele sabia que poderia ser julgado se alguém descobrisse que ele ainda mantinha sentimentos pela ex-namorada. Era compreensível para si. Ele até chegava a pensar que merecia ser julgado, linchado. Mas ele não conseguia evitar. Derek realmente era apaixonado pela mulher que a Onew fora no passado nada distante. Há algumas semanas, ela era como um exemplo de parceira, hoje, era um exemplo a não ser seguido.

Derek não sabia o que diabos havia dado na mulher. Como ele havia confessado para o noivo, não sabia se a ex-namorada havia ficado daquele jeito, ou se ele apenas não a conhecia quando começaram o namoro. Tudo o que ele sabia era que ele queria distância. Braeden não lhe fazia bem e isso ficava mais óbvio a cada dia. Não apenas óbvio como também pior. A mulher começava a lhe magoar cada vez mais. Lhe doía o peito ver alguém por quem nutria uma paixão intensa se portar daquela maneira, rastejar por ele sem que nenhum dos dois tivesse opção nenhuma, criar intrigas, difamar alguém de boa índole como o seu noivo e até mesmo colocar vidas em jogo. Isso lhe magoava tanto.

Mas ele não podia e nem devia pensar nisso. Ele tinha que apagar aqueles sentimentos de si. Ele tinha Stiles. Ele estava noivo. O lobo tinha que esquecer Braeden, esquecer o que sentia por ela. Era para o seu bem e de todos. O Hale estava tão pensativo que nem notou quando chegou a mansão em que morava. O moreno de olhos verdes só percebeu que havia chegado em casa quando recebeu um golpe da palma de uma mão em sua nuca. Surpreso, o homem olhou para trás, vendo a irmã mais velha e o companheiro da mesma ali. Laura sorria travessa enquanto Jordan tentava conter o riso.

— estou falando com você. Estás com a cabeça nas nuvens, meu irmão? – Laura parecia tão satisfeita com a oportunidade de bater no irmão do meio que ela agarrou sem pensar duas vezes.

— algo assim. Me desculpe – Derek soou um tanto absorto ainda, quase incomodado.

— já pensando na lua de mel? – indagou a loba, provocativa.

Eles adoravam aqueles momentos entre eles. Tirando a discussão no escritório sobre o noivado de Derek, antes de Stiles chegar com o seu bando, os dois sempre discutiam como um modo de interagir um com o outro. Eles sempre procuravam medir a paciência um do outro em uma espécie de competição amistosa. Quem tirasse a paciência do outro primeiro vencia. Era assim desde a adolescência de ambos. Era o jeito dos dois de se entenderem. Derek corou brevemente, se lembrando de quando viu o corpo nu do Conde, antes de rosnar para a irmã. Laura sorriu ladina quando viu as presas do irmão crescerem enquanto o mesmo rosnava para si.

— você ao menos sabe para que serve uma lua de mel? Está há tanto tempo noiva que eu pensei que você só soubesse até essa parte de um relacionamento – argumentou o moreno e a morena perdeu o sorriso, brevemente, pois logo o mesmo voltou a enfeitar seu rosto.

— diga-me, irmão, já se imaginou com o seu humano? Ele é um alfa orgulhoso. Duvido que queira ficar por baixo no coito – ditou a mais velha vendo o lobo de olhos verdes corar violentamente.

— calada! – ralhou o moreno dando as costas para a irmã, que gargalhou alto.

— eu estou amando esse noivado! – exclamou a mulher segurando na mão do próprio noivo antes de começar a subir as escadas, seguindo o irmão mais novo para o interior da mansão.

Derek procurou se recompor enquanto subia a escadaria de sua casa. Ele precisava parecer normal na frente de Stiles. Transparecer, era tudo o que ele precisava fazer. Pois em seu interior a confusão reinava. Ele não queria acreditar em Braeden. No entanto, a imagem de Stiles ajoelhado no centro da clareira com cabelos roxos e liberando neblina da boca não o ajudava a ignorar a ex-namorada. Aquilo já estava começando a lhe dar dor de cabeça. Ele queria esquecer que aquela conversa com Braeden aconteceu, mas a sua mente não conseguia parar de pensar naquilo.

E o pior de tudo era que fazia sentido.

As palavras de Braeden tinham lógica.

Era esse o motivo de a mente do Hale não parar de trabalhar sobre aquele assunto. Fazia muito sentido. A voz grossa, a força, que era o suficiente para jogar um lobo longe apenas com um golpe, os olhos da cor vermelha. Stiles, naquele momento na clareira, realmente se parecia com um demônio. Aquilo fazia Derek querer bater com a própria cabeça na parede. O conde era o seu noivo! Ele não deveria pensar naquilo. Pelo menos não da forma negativa que Braeden implantou em sua mente. O seu noivo era um rapaz carismático, no final das contas. Ele tinha, sim, aquela aura que transmitia poder e controle, a sua presença era pesada, muitas vezes levando olhares para si, mas isso não queria dizer que ele fosse um monstro pronto para devorar as almas de todos ao seu redor.

Stiles era um bom rapaz, educado, como um conde deveria ser, engraçado e que não lhe aparentava risco nenhum. O moreno sabia disso. Já havia conversado com o noivo, já havia ficado em sua presença por tempo o suficiente para saber daquilo. Então, por que raios a mente de Derek estava tão dividida? Por que raios ele queria correr do conde, mas ao mesmo tempo queria estapear a si mesmo por pensar em tantos absurdos? Maldita hora que se permitiu ouvir Braeden. Maldita seja a hora em que ele atendeu o apelo dos pais da loba.

O moreno adentrou a mansão, tentando transmitir calmaria, mas não teve muito sucesso ao tentar esconder o seu nervosismo de sua mãe e do seu tio quando o seu corpo congelou ao ver ambos lhe encarando. Naquele exato momento, Talia e Peter franziram o cenho para o mais novo, que olhou ao redor, não apenas para desviar o olhar, momentaneamente, como também para procurar por qualquer sinal do noivo no local.

— sabem onde o Stiles está? – indagou calmo, mas o seu plano já havia ido por agua abaixo.

— eu o vi indo na direção da biblioteca, agora a pouco – respondeu Peter apontando na direção do corredor.

— obrigado – agradeceu Derek já caminhando na direção do corredor.

Mal atingiu a escada e o Hale percebeu que haviam vários lobos no corredor. Franzindo o cenho, o moreno de olhos verdes viu os lobos menearem uma vez em sua direção, em um cumprimento mudo. Ele olhou para a mãe e o tio, vendo os mesmos suspirarem. Ele ergueu uma sobrancelha em questionamento para os mais velhos. Talia lhe chamou com a mão, indicando que queria falar com o filho em particular. Quando Derek se aproximou e a morena pediu que ele se sentasse a sua frente.

— por que o nosso corredor está repleto de gente? – indagou o mais novo, em um sussurro, vendo a mãe repuxar o lábio, indicando não gostar da situação tanto quanto ele.

— você deve ter sentido também. Mais cedo, os ômegas acabaram por vacilar no autocontrole e deixaram a sua sede de sangue sair. Isso acordou o instinto protetor de nossos betas. Desde então eles estão ali, parados entre os ômegas e nós. – Talia explicou servindo o filho com uma xícara de chá.

— preparados para nos defender de qualquer ataque. – concluiu Peter, sorrindo orgulhoso de seus betas.

— tentando, ao menos – corrigiu Talia e Peter lembrou-se o treino dos ômegas, enquanto a irmã se lembrava da primeira vez em que ficou na presença do noivo do seu filho.

— Qualquer movimentação na biblioteca é motivo para alerta entre eles – disse a mulher ao ver os dois últimos lobos no corredor mudarem de posição para uma mais preparada.

— então eles estão, novamente, gerando intrigas com o bando Stilinski? – questionou Derek já sabendo a resposta, que veio anunciada por um suspiro de sua mãe.

— sim, mas, por mais que eu queira os repreender, eu sinto que devo permitir esse pequeno ato de afronta, sabe? – respondeu a morena, encarando a xícara de chá que tinha em mãos, perdendo o momento em que o filho lhe fitou indignado.

— permitir?! – questionou Derek surpreso, quase usando um tom indignado. – você mesma estava para matar aquele que ofendesse o bando do conde, mas na primeira afronta você apenas deixa que eles façam o que querem? – o moreno realmente estava confuso e um tanto irritado.

— não me entenda mal, meu filho. Mas eles estão fazendo o que seus instintos imploram para que eles façam. Eles estão nos protegendo. Se fosse por birra ou coisa do tipo, eu já teria avançado em seus pescoços com fúria. Mas eu sei como é sentir que o seu alfa está em perigo. Eu não nasci sendo uma alfa. Sei como eles se sentem. Como é horrível sentir o perigo perto e saber que você sozinho não é o suficiente para proteger qualquer um dele – explicou a mulher vendo o moreno de olhos verdes suspirar contra a xícara que mantinha em mãos.

— entendo, mas ainda assim não pode deixar que cerquem os ômegas assim. Eles podem se ofender com isso – alertou o Hale mais novo vendo os dois mais velhos menearem positivamente.

— poderia fazer isso para nós? Será aceito de forma mais fácil se você os repreender por nós – pediu Talia vendo o filho do meio menear positivamente e se dirigir ao corredor.

— eu posso falar com vocês? – chamou Derek parando no centro do corredor que levava a biblioteca e ao escritório do seu pai.

— pode, sim – respondeu um dos betas e logo todos se viraram na direção do Hale.

— escutem, eu sei que a intenção de vocês é boa e que é natural. Eu também corri para ver o que era aquilo. Mas, agora, está tudo sob controle, vocês podem parar de os cercar – o moreno tentou soar compreensivo.

— nós não temos certeza – proferiu um dos betas, cruzando os braços.

— a única certeza que temos é a de que eles são perigosos – concluiu outro se apoiando na parede.

— pessoal, por favor. Eles podem se ofender se vocês ficarem os cercando assim. Eles estão sob controle. Por favor, vamos os deixar em paz – pediu Derek, quase implorando.

— você confia demais neles, Derek. Você e seus pais. Vocês têm que abrir os olhos – o beta de braços cruzados soou desapontado, o que causou um certo cansaço repentino no lobo de olhos verdes.

— escuta, Josefh, eu... – o moreno de olhos verdes fora interrompido pela porta da biblioteca, que se abriu, chamando a atenção de todos os betas.

O maior temor de Derek ocorreu. Quando pés adultos tocaram o chão do corredor, a respiração do Hale já fora presa. Quando cachos louros foram vistos, então, o lobo de olhos verdes sentiu o coração perder o ritmo. O olhar de Isaac era de puro tédio enquanto o mesmo carregava um livro na mão esquerda. O rapaz de gravata borboleta lançou um olhar frio para o corredor, antes de soltar o ar pelas narinas uma única vez, negandocom a cabeça. Trocando a perna de apoio, o ômega parou no meio do corredor, permitindo que a porta se fechasse sozinha ao seu lado.

— estão dando alguma festa ou coisa do tipo? Não me lembro de ter sido avisado – ironizou o louro vendo os betas lhe fitarem com seriedade demasiada.

Isaac não era idiota. Ele sabia o que significava aquele tumulto no corredor. Todos lá dentro sabiam. Eles podiam sentir cada um dos betas que se encontravam no corredor. Kira e Lydia, as mais sensíveis quanto a presença, sabiam as exatas localizações e poses. Como a banshee, a Kitsune, Kira, podia sentir as auras de cada um ali. Isso distraía a todos do bando em seus estudos, o que já estava começando a irritar os ômegas.

— o que houve com o humor de vocês? Até parece que viram alguém com quem não podem – indagou o louro antes de forçar uma expressão de surpresa.

— oh! Esperem! Vocês estão vendo – alfinetou o Lahey vendo todos os betas segurarem um rosnado enquanto cerravam os punhos.

O ômega sorriu vitorioso.

— poderiam se afastar do corredor? Estão atrapalhando os nossos estudos – pediu o louro vendo os betas darem um passo para trás.

— mas as paredes são a prova de som, graças ao druida – argumentou Josefh vendo o ômega bufar em desdém.

— somos ômegas. Nossos sentidos são mais aguçados do que os seus. O feitiço do druida não faz tanto efeito em nós. Mas isso já está sendo providenciado. Agora, por favor, poderiam se afastar? – Isaac soou entediado enquanto via os betas recuarem, novamente, um passo.

— mais? – pediu como se fosse óbvio para qualquer um.

Os betas recuaram mais um passo, para a indignação de Derek que já estava para intervir quando o rosnado baixo de Isaac alcançou os seus ouvidos. Vendo o ômega revirar os olhos, o Hale engoliu em seco. Aquilo não era um bom sinal. Ele tinha certeza. O louro revirou os olhos, lançando um olhar entediado para os lobos a sua frente, que lhe fitavam em alerta.

— vocês querem um motivo para ficarem alerta, não é? Então que tal isso? – inquiriu o louro se abaixando e soltando o livro no chão com cuidado.

Quando se ergueu, o coração dos lobos gelou e falhou inúmeras batidas devido ao aperto que a presença do louro gerava no órgão. O suor escorria pelas peles frias de suas nucas. As garras das mãos saltaram para fora, preparadas para defender qualquer ataque do louro de cachos. Isaac abriu os olhos, os revelando azuis em um tom quase prateado. A sede de sangue liberada pelo ômega fez com que até Derek se curvasse levemente para a frente, enquanto dobrava, também levemente, os joelhos, entrando em pose de defesa. O ômega de idade inferior a do Hale sorriu vitorioso enquanto cruzava os braços diante do peito.

— eeeeh! Então conseguem manter as pernas paradas com isso?! Muito bem. Devo admitir que é um feito muito bom. – declarou com certo espanto.

— Mas e que tal agora? – o homem de cachos liberou mais de sua sede de sangue, fazendo o ritmo descompassado do peito dos betas acelerar, os fazendo tremer.

— aí está o limite de vocês! – exclamou o Lahey, divertido, vendo as pernas dos betas tremerem, assim como os punhos dos mesmo que estavam erguidos em sua direção.

Derek engoliu em seco vendo as próprias mãos tremerem levemente. Era incrível como aquele ômega tinha uma presença assustadora quando ele queria. Isso sem contar nas palavras do mesmo. “O limite de vocês”. Aquilo queria dizer que ainda tinha mais? Isaac poderia ter uma presença mais assassina do que aquela? Derek se perguntava se aquilo era possível. Josefh, ao seu lado, tremia sem controle algum, assim como o resto dos betas. Ele era o que mais suportava a pressão de Isaac. Isto é, até Peter chegar ao corredor com um sorriso ladino, parecido com o que moldava os lábios de Isaac. O louro de cachos ergueu o queixo, olhando para o bando Hale por cima do mesmo, desdenhando dos betas ali presentes.

— e então? Vão se afastar ou – o ômega fora impedido de continuar quando a porta da biblioteca se abriu.

— Isaac! – a voz de Stiles soou repreensiva, para o alívio de Talia e Derek, prazer dos betas e lamento de Peter.

— sim? – questionou o mais velho se fazendo de desentendido.

— dentro de casa não – o castanho disse antes de adentrar a biblioteca novamente.

— me desculpe, mestre – pediu o louro se curvando para o conde, e aproveitando para recolher o livro que havia deixado no chão, no centro do corredor, diante da porta da biblioteca.

Para o choque dos betas e dos alfas no corredor, aquelas foram as únicas palavras de repreensão direcionadas ao louro de cachos. Até mesmo Peter, que não sabia se sorria ou deixava o queixo cair, estava chocado. Era como se o Stilinski estivesse permitindo que o lobo que pertencia ao seu bando liberasse o desejo de sangue sobre o bando Hale para os manipular com o medo.

— ah, e, por favor, poderiam se retirar do corredor? Não é, exatamente, fácil ensinar francês durante um baile de rosnados ocorrendo no corredor. Eles se quer estão no corredor. Então poderiam fazer o favor de se retirarem, por hora? – pediu o conde vendo os betas do bando Hale franzirem o cenho em sua direção, ainda de queixos levemente caídos.

— agora mesmo – disse Derek se recuperando do choque inicial causado pela atitude do alfa de ômegas.

Stiles sorriu em sua direção, minimamente, e meneou positivamente.

— agradecido –

E então a porta da biblioteca se fechou novamente. Demorou dois segundos para que Isaac confirmasse a saída de seu alfa e erguesse o torso, voltando a ostentar um sorriso vitorioso nos lábios que convidava qualquer um para um confronto caso desejasse. Peter sorriu ladino, assim como o ômega, que olhou em sua direção, sorrindo ainda mais largo. O louro deu de ombros, antes de puxar um de seus cachos, o estirando.

— da próxima vez, começaremos a brincadeira mais cedo – falou começando a caminhar na direção da sala.

Como Talia e Peter se encontravam no caminho entre o ômega e a sala, todos os betas trataram de flexionar os dedos, preparando as garras. Isaac sorriu e Talia engoliu em seco. Cada passo dado pelo ômega era respondido com três passos recuados dos betas na direção da alfa. A situação estava tensa. A atmosfera gerada pelo confronto de gênios dos seus betas com o Lahey era tão densa que Derek jurava que poderia cortar a mesma com uma faca e servir uma fatia em um pão. Qualquer movimento brusco poderia alavancar um ataque por parte dos betas. E, pelo que Talia se lembrava do treinamento dos ômegas que ela havia presenciado, era bom que seus betas soubessem se defender bem o suficiente para poderem ao menos não se ferirem gravemente em um confronto contra o louro. Por outro lado, ela sentia que, por mais quando o corredor estreito deixasse os seus betas receosos, o mesmo também poderia ser uma vantagem. Como estavam em maior número em um ambiente fechado e pequeno, relativamente, talvez Isaac não tivesse tanta facilidade de movimentação quanto teria em um ambiente aberto, como a clareira.

— não se aproxime! – repreendeu um dos betas se colocando na frente de Talia.

— Arnold! – repreendeu a alfa.

— então se afaste – rebateu o ômega permanecendo em sua caminhada calma.

— nós vamos atacar! – alertou Arnold, novamente.

Isaac riu baixinho.

— é mesmo? – indagou enquanto olhava fixamente para o beta que se colocou na frente da alfa.

— mais um passo e eu... – o beta fora calado por um grunhido aterrorizado quando o louro de cabelos cacheados avançou em sua direção com velocidade.

Desesperado, o beta golpeou o outro, tentando o cortar com suas garras, mas tudo o que conseguiu cortar fora o ar, enquanto Isaac saltava na direção da parede. Com os pés na parede, o ômega saltou novamente, se impulsionando contra a parede paralela, passando por dois betas no processo, que também tentaram lhe golpear, movidos pelo impulso. O ômega era seguido pelos olhos atentos e treinados de Talia e Peter, que conseguiam perceber melhor os movimentos do rapaz.

— parem com isso! – ordenou Talia com os olhos brilhando em vermelho, enquanto via o beta do noivo do seu filho saltar de parede em parede, passando por todos.

E é claro que a alfa fora quase ignorada. Os betas tentavam se conter, devido a ordem da mulher, mas o medo que tinham do louro de cachos era de mesma intensidade, os fazendo se prepararem para golpear o mesmo, mas se contendo assim que notavam que o mesmo já havia desaparecido de sua frente. Isaac aterrissou em pé, na frente de Derek, calmamente, como se apenas tivesse dado um passo um pouco mais longo do que o normal.

— desculpe os betas de meus pais. Eles... Estão... – Derek tentou amenizar a situação com o ômega, rezando para que o mesmo não usasse aquele ocorrido para gerar mais intrigas entre os bandos.

Para a completa surpresa de todos no corredor, o louro apenas se curvou para o moreno de olhos verdes, como se o reverenciasse. A atitude do ômega acabou fazendo o Hale se perder em meio a sua busca por uma explicação que amenizasse a burrice de seus companheiros de bando. Se antes o moreno não sabia o que dizer, agora ele se quer procurava. Ele estava surpreso com o ômega a sua frente, que se ergueu novamente.

— não se preocupe com isso. Não é como se eles pudessem fazer algo contra a minha pessoa – disse o louro antes de dar as costas para o moreno de olhos verdes e sair do corredor, alcançando a sala.

— eu quero todos fora desse corredor, agora! – ordenou a mulher, um tanto impaciente, enquanto apontava para a sala com o indicador rígido.

— e em silêncio – ditou o louro de cabelos penteados para trás, liderando o caminho, enquanto passava um dos braços por sobre os ombros do sobrinho.

— parece que eles já lhe respeitam antes mesmo do casamento – comentou Peter dando dois tapinhas leves no peito de Derek, que apenas sorriu sem jeito, não sabendo o que dizer.

— eu espero que seja isso – confessou o moreno, preocupado.

Na sala, Talia deu um grande sermão nos betas. Claro que ela confessou os compreender um pouco devido ao desejo assassino que assustou a todo o bando de lobisomens mais cedo, no entanto, ela se via no dever de repreender a todos pelo mal comportamento com os aliados. A fúria subiu por seus nervos quando ela mencionou a série de ataques para o ômega, que segundos depois desceu as escadas como se nada tivesse acontecido e seguiu para o canto da sala, passando a encarar o lado de fora da mansão, com o mesmo olhar triste de um cão que está acorrentado para não sair correndo por aí.

Aquilo chamou a atenção de Derek. O Lahey não parecia em nada com o lado que revelou no corredor, o verdadeiro lado de um ômega. Ele não aparentava ser violento, muito menos um louco sanguinário. Tanto que Laura quase não o notou ao adentrar a mansão, acompanhada do noivo. A morena passou direto pelo louro se cachos, o notando apenas quando se virou para o noivo, com o intuito de questionar algo, mas parou assim que viu o ômega, parado, ao lado da janela.

— o almoço já está pronto – anunciou Cláudia chamando a atenção de todos os que se encontravam na sala.

Ao se virar, o pequeno grupo que estava na sala se deparou com o bando de ômegas inteiro adentrando a sala, seguindo o castanho de olhos claros. No mesmo instante, os betas engoliram em seco, se tornando tensos, os membros do bando Stilinski, simplesmente, ignoraram toda a tensão e olhares receosos dos betas do bando Hale e começaram a subir as escadas a passos rápidos. Derek achou um tanto estranho quando Stiles, sorrindo minimamente, ergueu o dedo indicador em sua direção e passou a chamar-lhe com o mesmo. Eles haviam dado alguns passos rumo a uma relação melhor, mas não esperava algo assim logo no começo.

Ele não estava reclamando. Muito pelo contrário. Aquilo era um bom sinal. Se Stiles estava lhe chamando daquela forma, queria dizer que estava tudo bem entre eles, mesmo com o ocorrido no corredor recentemente. A passos calmos, diferente de seu interior, que se encontrava meio receoso e meio contente, o moreno de olhos verdes se aproximou até ficar ao lado de Stiles. Quando se virou, tratando de pegar a mão do castanho na sua e entrelaçar os seus dedos, sendo correspondido imediatamente no ato, foi que Derek notou Isaac, que estava atrás de si, de frente para o conde.

O Hale estranhou a presença do outro ali, tão perto deles, quando Stiles lhe chamou. E foi então que ele percebeu que não era a si que o noivo chamava com aquele ato, mas sim o seu beta. O louro se ajoelhou, na frente do alfa, deixando não só Derek, como também todos os presentes confusos. Stiles o encarava com seriedade, antes de sorrir minimamente, levando a mão livre para os cabelos cacheados do rapaz a sua frente e passando a fazer uma leve carícia ali. Isaac sorriu, antes de acolher a mão do alfa nas suas com delicadeza e a levar aos lábios, selando um beijo na pele clara da mesma.

— diga aos outros que é para descer, imediatamente, já que o almoço já está pronto – disse o conde e o Lahey meneou positivamente.

— sim, meu senhor – fora tudo o que o louro disse antes de subir as escadas apressado, quase correndo.