The Engagement
8 Feito
A porta da mansão se abriu rapidamente, assustando a todos que se encontravam na sala. Passos rápidos eram ouvidos, deixando a família Hale e os melhores amigos de Derek confusos e curiosos. Assim que as portas se fecharam, as imagens de Erica, Corey e Liam surgiram quando o moreninho largou as mãos dos dois loiros. Corey respirava com um pouco de dificuldade. Para ele era um tanto trabalhoso manter tantos corpos invisíveis. O bando Stilinski encarou com curiosidade os três membros mais novos, vendo os três sorrirem um tanto abobalhados.
— ele não nos descobriu – comemorou Erica em pequenos saltos, enquanto se jogava em um dos sofás.
— eles estão vindo aí – falou Liam se jogando ao lado da loira, enquanto Corey se aproximava da caçadora do bando e a abraçava, enquanto tentava disfarçar o cansaço.
— e aí? O que aconteceu? – perguntou Peter, curioso, vendo os três adolescentes lhe fitarem receosos.
— parece que o noivado vai ser demorado – respondeu Erica vendo o alfa loiro lhe fitar confuso e receoso.
— como assim? — questionou Cláudia.
Quando a resposta iria ser proferida pela loira, a mesma fora impedida de se manifestar quando as portas da mansão se abriram e todos encararam a entrada da mansão, vendo o casal de noivos adentrar o recinto. Stiles caminhou para o centro da sala, se sentando ao lado de John, enquanto Derek caminhava para perto de seus amigos, ao mesmo tempo em que era encarado seriamente por seus pais. O lobo de cabelos negro e olhos verdes segurava uma caixinha negra de veludo com uma flor dourada em uma das mãos, enquanto encarava a mesma pensativo. O moreno tentava ignorar os olhares questionadores de seus amigos e os acusadores de seus parentes. Ele já não aguentava mais toda aquela pressão. Seus parentes faziam pressão de um lado, a sua consciência e os seus amigos faziam de outro, enquanto o seu noivo lhe deixava confuso, receoso e indeciso ao tentar amenizar a pressão feita pelo seu bando.
— se me derem licença, eu vou me retirar, agora. Talvez eu não desça para o almoço – falou Derek vendo o olhar indignado brotar nos rostos de seus parentes.
Caramba! Até mesmo Malia e Cora estavam jugando a sua atitude. As duas garotas eram novas mas sabiam que não era assim que o rapaz deveria agir se estivesse mesmo levando essa coisa de noivado a sério. Elas estavam com expectativas para o noivado do parente, assim como a mãe e tia do mesmo. As duas queriam ver aquela coisa romântica que viam em livros e ouviam dos pais, não aquilo que estavam vendo a sua frente. Quando Talia e Alexander iriam questionar a atitude do filho, o conde Stilinski os cortou, sorrindo docemente para o seu pretendente.
— fique a vontade – disse castanho vendo o moreno de olhos verdes lhe fitar receoso, mas com um brilho de gratidão no olhar.
— eu... Vou aproveitar para pensar no que você me disse – falou o Hale ainda encabulado, encarando o castanho envergonhado.
Derek pediu licença novamente e se retirou do local, subindo as escadas apressado e seguindo para o quarto logo em seguida. Talia e Alexander se entreolharam confusos com a atitude do alfa do bando aliado, antes de encararem John, Peter, Cláudia e Laura em busca de respostas, mas os mesmos se encontravam tão confusos quanto eles dois.
— eu posso falar com vocês dois? A sós? – questionou Stiles encarando os dois alfas, vendo ambos menearem positivamente, um tanto confusos e receosos.
— é claro! Vamos para o escritório – ditou Talia se erguendo ao lado do marido e ambos passaram a guiar o castanho para a saída da sala.
Eles caminhavam nervosos, tentando controlar a força de cada passo dado por si. Eles ainda se mostravam... Intimidados com a presença do castanho, mesmo com o humano não mais causando aquela sensação de insegurança e ameaça nos dois alfas. Quando chegaram ao escritório, Talia e Alexander apontaram para uma das cadeiras para que o rapaz se sentasse. O castanho assim fez e cruzou as pernas, naquela mesma pose elegante que o casal de alfas presenciou na mansão Stilinski: Stiles encarava a janela aberta, enquanto brincava com uma mecha de cabelo entre os dedos, o que confirmava que aquele rapaz era o mesmo com o qual falaram na mansão e o qual tanto os ameaçara apenas com a sua presença.
— o que quer falar? Nosso filho o destratou de alguma forma? – questionou Alexander se sentando do outro lado da mesa, enquanto Talia se mantinha em pé ao seu lado.
— está incomodado com algo? Se for o modo como o meu filho vem agindo, ele apenas está nervoso com o noivado. Dê-lhe um tempo e verá que ele irá se acostumar a ideia – ditou a mulher nervosa. O casal tentava a todo custo amenizar seja lá o que Derek houvesse feito para incomodar o conde.
— não, não. Derek não me destratou de forma alguma e muito menos está me incomodando de alguma forma. Eu compreendo que ele está nervoso. É uma situação delicada e revoltante para ele. Ele teve a sua mão oferecida sem saber e acabou não tendo tempo para assimilar a ideia. Foi por isso que eu não escolhi um dos meus betas para fazer parte desse noivado. Eles podem acabar querendo um outro alguém e eu jamais me perdoaria por impedir que eles tenham algum tipo de envolvimento com esse alguém – ditou o castanho ainda encarando a janela, vendo, ao longe, alguns membros daquele grande bando trabalharem.
— então o que lhe incomoda? – questionou Talia vendo o castanho finalmente os encarar.
— eu não quero me envolver no seu bando de forma rude, sabe? Não quero chegar mandando quando a nossa aliança nem foi oficialmente firmada ainda. Mas, como pretendente do seu filho eu acho que é um direito meu pedir isso – disse castanho vendo a confusão tomar os rostos dos alfas a sua frente.
— e o que seria esse pedido? – questionou Alexander vendo o Stilinski suspirar.
— parem de pressionar o beta de vocês – pediu o castanho em um tom suave vendo os dois alfas lhe encararem confusos.
— como? – questionou Talia um pouco perdida.
— você estão fazendo muita pressão para que Derek faça esse noivado dar certo rapidamente. Tanta, mas tanta pressão, que ele não está conseguindo assimilar a ideia de o seu parceiro ser determinado por um casamento arranjado. E isso pode criar uma relação chata entre nós e acreditem, assim como vocês eu quero que esse casamento dê certo. Mas para isso ele tem que ocorrer naturalmente. Eu e seu filho devemos interagir um com o outro por vontade própria, não por pressão. Então, por favor, deixem o Derek agir sozinho. Quando ele achar que está pronto para isso, ele irá interagir comigo. Se esse noivado tiver que dar certo ele vai dar – ditou Stiles vendo os dois alfas menearem positivamente, pensativos.
— tudo bem, falaremos com ele sobre isso. Acho que ficamos tão desesperados por essa aliança que acabamos fazendo pressão demais sobre ele – falou Alexander, envergonhado por admitir desespero na frente de um alfa aliado, ainda mais um humano e ainda tão jovem.
— quanto a isso, não se preocupem. Eu já conversei com ele a respeito. E sobre a aliança, também peço que não se preocupem. Vocês nos deram abrigo quando precisamos. Agiram como verdadeiros aliados. Já considero essa aliança como firmada. Se eu e meu bando precisarmos fazer o nosso papel como aliados antes dessa aliança ser firmada formalmente, nós assim o faremos, fiquem tranquilos – ditou o castanho encarando os dois alfas menearem positivamente, antes de o reverenciarem em agradecimento.
— ficamos gratos por sua compreensão e sentimos muito se prejudicamos o seu noivado de alguma forma – disse Talia ouvindo o adolescente sorrir nasalado.
— que nada. Agora, se não for incomodar, eu gostaria de pedir um local para que eu e meu bando possamos treinar – pediu o castanho se erguendo e encarando os dois alfas lhe fitarem surpresos.
— ah... Claro. Podem usar um dos salões do templo – disse Talia vendo o marido se levantar.
— se não for incômodo, eu gostaria de começar a incluir o seu bando aos nossos treinos o mais rápido possível – falou moreno de olhos verdes vendo o castanho de olhos claros lhe fitar surpreso.
— o que acha? Nossos treinos são intercalados em dias e horários de acordo com o nível do membro – questionou Talia vendo o castanho coçar a nuca, um tanto pensativo e receoso. Primeira vez que eles viam o humano alfa demonstrar receio.
— eu diria que é uma boa ideia. Mas eu gostaria de pedir um tempo para que possamos nos instalar melhor em seu território e nos acostumar com a presença uns dos outros. Sabe? Os meus betas são ômegas, o que já os torna um pouco violentos. Um treino conjunto logo de primeira assim pode acabar rendendo alguns ferimentos e ressentimentos – respondeu o castanho vendo os dois lobos alfas a sua frente menearem positivamente.
— claro, claro. Me passei completamente quanto a essa possibilidade – falou Alexander vendo o castanho lhe lançar um sorriso de contentamento.
— em alguns dias, duas semanas, talvez, poderemos colocar essa ideia em prática – falou o castanho vendo os dois alfas sorrirem minimamente em sua direção.
— venha, vou levar vocês para o templo, onde lhe mostrarei uma sala que vocês possam usar para treinar – falou a loba de canelos negros apontando para a porta com as mãos. Não demorou para que os três alcançassem a sala, encontrando um clima tenso entre os dois bandos. Jackson, Vernon e Theo já não se encontravam mais na sala, provavelmente tinham subido para se encontrarem com o amigo dos olhos verdes no quarto do mesmo.
— levantem-se! Vamos treinar! – ordenou o castanho em um tom normal na visão dos membros da família Hale, o que acabou assustando os mesmos quando todos os membros do bando Stilinski se levantaram imediatamente, quase num salto.
— eu vou trocar de roupa – falou a ruiva caminhando na direção do andar de cima.
— vão todos trocar suas roupas! Quero vocês aqui em cinco minutos – ordenou o castanho e os membros de seu bando correram para o andar se cima.
— seria algum incomodo ter expectadores em seu treino? – questionou Peter, vendo o castanho lhe fitar com seriedade.
— de maneira alguma. Eu apenas peço que não interfiram de forma alguma no treino – ditou o castanho vendo o loiro menear positivamente.
— entendido – disse o mais velho encarando o parente de seu marido com um sorriso ladino.
A verdade era que tanto Peter, quanto John, Cláudia, Laura, Talia e Alexander queriam avaliar o nível dos membros do bando aliado durante esse treino. Não que ele ou qualquer outro ali duvidasse da força dos membros do bando aliado, já que Allan Deaton havia dito que aquele minúsculo bando era quase tão forte quanto o seu enorme. E se havia alguém em quem aquele grupo de alfas confiava cegamente, esse alguém era o druida. O homem sabia das coisas, e se ele dizia que algo era de um jeito, era porque realmente era desse jeito. Não demorou muito para que os betas do castanho descessem as escadas, se colocando em fileira. Os rapazes vestiam apenas calças, enquanto que Allison, Kira, Lydia e Erica usavam vestidos vermelhos colados ao corpo, que possuíam cortes nas pernas, deixando-as livres. A ruiva carregava consigo uma pequena bolsa vermelha escura, o que causava questionamento nos lobos do bando Hale.
— ótimo, podemos ir – disse o castanho se virando para os alfas do bando Hale, os quais menearam positivamente antes de se retirarem da mansão.
Dizer que o caminho até o templo fora algo discreto seria uma grande mentira visto que todos paravam para encarar os ômegas, um tanto acanhados com a presença dos mesmos. Somente o cheiro dos ômegas já era o suficiente para incomodar os betas, a presença dos mesmos nas ruas daquele vilarejo era mais do que o necessário para fazer olhares tortos serem direcionados para os jovens lobos daquele bando. Quando chegaram ao templo, todos puderam ouvir o som de outros lobos treinando em algumas salas do templo. Os treinos pararam quando o cheiro dos ômegas impregnou os corredores do templo. Eles paravam para encarar as portas, vendo sombras passarem pelas frestas, indicando um grupo passava por ali.
— aqui, podem usar esta sala – falou Talia abrindo as portas de uma determinada sala e logo a imagem de uma sala vazia com chão de madeira alcançou os olhos de Stiles.
— essa está ótima. Se aqueçam – disse o castanho dando espaço para que os seus betas passassem e adentrassem o local.
— o que treinaremos hoje? – perguntou Scott encarando o alfa adentrar o local por último, antes de os Hales adentrarem o local e se aproximarem de uma das paredes.
— corpo a corpo. Formem pares e depois de trinta minutos, vocês vão trocar de par – ditou o castanho, parando um pouco antes dos Hale's e em questão de segundos o treino havia começado. Eles se aqueceram rapidamente, antes de todos entrarem em posição de batalha.
Peter teve que admitir que ficou para lá de surpreso quando viu Lydia, que ele jurava ser uma humana frágil, atacar a caçadora com uma série de golpes com as palmas das mãos e os dedos em uma velocidade e sincronia surpreendente. A caçadora revidou a altura, ora se esquivando, ora bloqueando os golpes, antes de retribuir na mesma moeda, vendo a ruiva bloquear ou se esquivar dos seus. John encarava Scott e Isaac disputarem com certa raiva e excitação, como se fossem rivais. Os dois lobisomens arranhavam um ao outro, socavam e espancavam com força, assustando um pouco o lobo pela voracidade.
Laura se assustou um pouco quando vira Corey ser jogado no ar, rodopiar no mesmo com velocidade e cair de cara no chão, antes de erguer um pouco o rosto, encarar Liam com fúria e rosnar, um rosnado parecido com o de um réptil, antes de se erguer num salto e desaparecer. O moreninho reapareceu atrás do loirinho e socou o mesmo, fazendo Liam rodopiar e acabar trombando com Erica. A loira saltou e chutou as costas do loirinho, aproveitando o impulso e se jogando sobre Kira, que a segurou pelos pulsos e a desceu com força, jogando a loira no chão.
Talia e Cláudia encaravam, chocadas, um gêmeo se jogar sobre o outro, sentando sobre o peito do irmão e passar a socar do mesmo repetidas vezes. O gêmeo que estava embaixo ergueu as pernas, enlaçando o pescoço do irmão com os pés, antes de descer as pernas, puxando o irmão para trás. Alexander encarou Kira puxar a espada das costas e a loira que era parceira da mesma rosnar, fazendo veias surgirem em suas mãos, que soltavam o som de ossos se quebrando. Um estrondo fora ouvido e todos olharam assustados para Stiles, que exalava um odor característico de raiva.
— eu disse “corpo a corpo”. E controlem-se. Eu quero que treinem, não que se matem – o castanho ditou com certa fúria na voz, enquanto pressionava a bengala contra o chão, após ter golpeado o mesmo com ela.
— d-desculpe – disseram todos em uníssono, enquanto abaixavam a cabeça e se erguiam, voltando para a posição inicial, recomeçando o treino.
— por um momento, eu achei que essa voracidade toda fosse parte do treino – falou John vendo o castanho voltar para a sua pose de superioridade enquanto supervisionava o treino.
— não. O único treino em que deixo eles se soltarem é no de simulação – ditou castanho vendo os seus betas treinarem normalmente.
— então existe um treino em que eles lutam daquele jeito? – questionou Talia vendo Scott e Isaac enxugarem o sangue um do outro das mãos nas calças, antes de retornarem ao treino.
— é claro. Eles não vão se sair bem em uma luta de verdade se todos os treinos forem controlados – respondeu o Conde vendo a alfa lhe fitar surpresa.
— e você? Não vai treinar? – questionou Alexander vendo o castanho negar com a cabeça.
— não – respondeu o Stilinski antes de se focar em supervisionar o treino de seus betas.
— então ele disse para você se afastar enquanto pensa em tudo? – questionou Vernon vendo o amigo jogado sobre a cama, encarando o teto.
— sim. E disse que quando eu analisasse tudo e começasse a agir sem ser por pressão dos meus pais, eu usasse o presente que ele me deu – respondeu Derek, ainda encarando o teto.
— presente?! Que presente? – questionou Theo vendo o moreno jogar uma caixinha preta de veludo em sua direção.
— o que é isso? – questionou o loiro mais baixo vendo o moreno ainda a encarar o teto.
— brincos de pressão – respondeu o Hale vendo os outros dois se aproximarem de Theo para olhar o presente.
— nossa, usar isso deve ser estranho – comentou o loiro mais baixo acariciando as próprias orelhas.
— eu acho que ele está achando que você vai ser a mulher da relação – brincou Jackson e Derek lhe fitou pasmo.
— mas nem fodendo! – exclamou o Hale se erguendo num salto e vendo os dois amigos loiros rirem.
— não confundam ainda mais a cabeça dele – ralhou o Boyd, golpeando as duas cabeças loiras uma na outra, ouvindo os dois rapazes gemerem de dor em seguida.
— para um alfa de ômegas, que eu creio que tenha que ser bem rigoroso, o seu noivo é bem paciente e compreensivo – falou o lobo negro vendo o moreno de olhos verdes suspirar e fechar o semblante.
— eu não sei o porquê, mas ele tem sido, sim – comentou o Hale encarando os amigos lhe fitarem curiosos.
— acha que ele está tramando alguma coisa? – questionou o Raeken encarando o moreno de olhos verdes coçar a barba e se sentar pensativo.
— eu não sei. Mas eu sinto que ele esconde algo, sabe? Ele é muito compreensivo para alguém que deve ter pulso firme, como um alfa – respondeu Derek vendo os amigos ficarem pensativos.
— eu tenho quase certeza que esse cara não é do bem. Ele sorri demais. Ninguém sorri tanto quanto ele. Nem em aniversário! – argumentou o Whittemore, cruzando os braços e o Raeken estalou os dedos apontando para o loiro mais alto.
— isso! Esse cara é sorridente demais para o meu gosto – ditou Theo vendo Jackson menear positivamente.
— acham mesmo que o cara ofereceria a própria mão só para boicotar o nosso bando por dentro? – questionou Vernon vendo os loiro menearem positivamente.
— eu não sei se você percebeu. Mas nenhum membro daquele bando é casado. Então por que raios o alfa vai se oferecer, tendo betas para isso? – questionou Theo cruzando os braços enquanto encarava o Boyd ficar pensativo.
— eu não sei. Eu acho que estamos nos precipitando – argumentou negro vendo os loiros negarem com a cabeça para si.
— as vezes você pensa tanto que não enxerga o que está na sua cara. Esse Conde não é do bem e está tramando alguma – ditou Jackson vendo Derek lhe fitar pensativo.
O Hale se perguntava se realmente havia a possibilidade de o seu bando estar sofrendo uma ameaça silenciosa por parte do bando Stilinski. Ele se encontrava bem dividido. Um lado seu gargalhava com a hipótese. O rapaz tinha apenas dezessete anos e era um humano, o que ele poderia fazer contra um bando com mais ou menos duzentos membros? Mas aí Derek lembrava que o castanho podia ser um humano, mas era um humano que comandava um bando de ômegas. Era aí que o seu outro lado entrava. Havia um outro lado de Derek que ficava remoendo as palavras de seus pais: “Nosso bando pode ser atacado a qualquer momento”; “Ele não é um humano qualquer”; “Ele me assusta”.
— você devia dar um presente para ele – falou o Boyd, quebrando a linha de raciocínio dos três amigos.
O negro estava, a todo custo, tentando afastar aquelas ideias das cabeças vazias dos loiros e da mente confusa de Derek. Ele sabia que os seus amigos loiros eram a representação perfeita do ditado “Cabeça vazia é a oficina do diabo”. E aquelas duas oficinas poderiam render produtos o suficiente para bagunçarem a mente confusa de Derek por completo, podendo colocar em risco a aliança em formação.
O moreno de olhos verdes desviou o olhar de Theo e Jackson para a caixinha negra de veludo que estava sobre a palma da mão de Vernon, que lhe encarava com seriedade. Ele se perguntava se deveria retribuir o ato do castanho. Quer dizer, Stiles havia lhe dado um presente de noivo para noivo. Noivos trocam presentes, certo? Derek não iria se prejudicar, sendo educado e minimamente carinhoso ao dar um presente ao seu noivo.
— você enlouqueceu?! – questionou Theo indignado, encarando Boyd como se o mesmo tivesse acabado de sugerir que eles renegassem o bando e se tornassem ômegas.
— acabamos de dizer que o cara é um traidor e você quer que o Derek troque presentes com o traidor do seu bando?! – questionou Jackson irritado encarando o negro que os fitou furioso.
— vocês dois querem parar com isso?! Se alguém do bando Stilinski escuta vocês chamando o alfa deles de traidor, a aliança entre os dois bandos já era e o nome do nosso vai ficar sujo, seus idiotas! – o Boyd repreendeu os amigos, já irritado com a atitude dos dois. Os quais lhe fitaram entediados.
— ah, Vernon, você pensa demais nas consequências. Eu, hein – argumentou Theo chateado.
— vamos parar de falar nesse maldito noivado? Eu quero um tempo disso tudo. Vamos sair – falou o moreno de olhos verdes vendo os dois loiros sorrirem animados enquanto o Boyd passava a exalar receio.
— vamos. Deve ser bom para você pegar um ar disso tudo – disse Vernon se levantando e os quatro saíram da mansão Hale, se dirigindo para a saída do território do pack.
— ah, eu vou chamar o Mason e o Garret e nos encontramos com vocês no extremo do território – disse Theo se separando do grupo, correndo por entre as casas.
Quando o treino acabou, os membros do bando Hale presentes ficaram surpresos quando o alfa humano ordenou que Erica, Liam e Corey, os três mais novos que o seguiram, passassem vinte minutos com os corpos em pé apoiados nas mãos, no centro da sala. O conde disse ser a recompensa por o desobedecer mais uma vez quanto a o seguir. O resto do bando Stilinski riu, enquanto os três mais novos gemiam desgostosos, se posicionando no centro da sala e fazendo como o lhe ordenado. A surpresa para os alfas do bando Hale era que o castanho havia percebido a presença dos três, mesmo eles estando invisíveis.
Eles retornaram para a mansão Hale após o termino do castigo dos três mais novos. O resto do dia fora de conversa entre os dois bandos. Os alfas do bando Hale haviam tirado o fim de semana de folga para poderem acolher corretamente os aliados. Somente no jantar Talia e Alexander deram falta do filho, quando o mesmo não desceu para comer. Ao perguntarem do mesmo para Cora e Malia, as duas disseram que o mesmo saíra com os amigos.
Aquilo preocupou os dois alfas. Sempre que o rapaz de olhos verdes saía, ele retornava cheirando a álcool e mulher. E eles temiam que nessa noite na o fosse diferente, já que o conde dera um tempo do noivado ao seu filho. Eles temiam tanto que Derek, bêbado, colocasse tudo a perder, que nem se quer conseguiam disfarçar a tensão na frente de seus visitantes. Para completar o medo dos principais alfas daquele enorme bando de lobisomens, todos foram dormir e nada do seu filho chegar. Deu uma hora da manhã e a alfa não conseguia sentir a presença do filho em casa. A loba pensou em descer as escadas e esperar o filho na sala, para que pudessem ter uma boa conversa. Ela não iria pressionar o rapaz a aceitar de bom grado o noivado e fingir que tudo estava as mil maravilhas de novo, mas, mesmo estando isento de interagir com o castanho por um tempo, Derek ainda deveria manter o compromisso com o conde, o respeitando enquanto utilizasse aquela braçadeira.
Porém, quando chegou ao final da escada, a mulher sentiu o aroma de rosas que o conde exalava e se assustou. Ela cogitou a possibilidade de o próprio conde estar revoltado com a atitude do seu filho e estar esperando ele mesmo o noivo chegar. A mulher ficou indecisa se conversava com o rapaz, dizendo que ela mesma iria repreender o filho, ou se voltava para o quarto, e esperasse o dia chegar para descobrir o resultado do encontro entre os noivos. Foi quando a porta da mansão se abriu e a mulher recuou sorrateiramente, se escondendo no andar de cima para ver no que resultava. Se a coisa ficasse um ruim para o seu bando ela interviria e tentaria mudar as coisas.
A mulher viu o filho, um tanto acanhado adentrar a mansão. Tentando ao máximo não fazer barulho. Um vento adentrou a mansão pela porta e ela pôde sentir o cheiro de álcool que impregnava a presença do seu único filho homem.
Derek estava bastante receoso. Ele não esperava que a sua saída com os amigos fosse durar tanto tempo. Ele olhou ao redor atentamente, não notando a presença de sua mãe no topo da escada, escondida atrás da parede do corredor. O Hale estava alterado demais para notar qualquer ser que não entrasse em seu campo de visão. Ele pôde ver uma luz acesa na cozinha e sorriu. Talvez fosse Lance. O loiro tinha o costume de comer durante a madrugada quando dormia em sua casa. O moreno de olhos verdes sinalizou para a porta e logo todos os cinco adentraram a mansão atrás de si. Derek sinalizou para fazerem silêncio, mas o seu apelo fora em vão, já que Garret esqueceu-se de fechar as portas e as mesmas bateram com o vento. Todos congelaram fazendo caretas, encarando o andar de cima, vendo se não haviam acordado ninguém.
— porra, Garret! – sussurrou Derek vendo o loiro suplicar por desculpas em sussurros.
— quem está na cozinha? – perguntou Vernon, até ele estava alterado demais para identificar quem estivesse no outro cômodo.
— deve ser o Lance. Vamos lá conversar e quem sabe beber mais um pouco – falou Derek sorrindo antes de se encaminhar para a cozinha a passos leves.
Todos seguiram o moreno de olhos verdes rindo travessos. Lance era primo de Jackson e pertencia ao círculo de amigos deles. Fora um choque e tanto quando o rapaz disse estar se envolvendo com os alfas do bando e pais do amigo de olhos verdes. Demorou um pouco, mas logo Derek conseguiu processar e aceitar a ideia de seus pais estarem se envolvendo com um rapaz de sua idade. Eles chegaram na cozinha e viram, atrás da mesa, um corpo abaixado no chão, tentando alcançar algo embaixo da mesa. Jackson fez sinal de silencio para todos e caminhou na ponta dos pés até o corpo do primo. O loiro ergueu a mão e desferiu um golpe bastante forte nas nádegas redondas do corpo abaixado. Todos soltaram risos ao ouvirem um grunhido de dor ser liberado e Jackson gargalhar ao ver o corpo dar um leve sobressalto.
Quando o corpo se levantou revelando ser o conde, com um o lábio inferior pressionado entre os dentes e um odor de irritação sendo exalado de seu corpo, Derek engoliu em seco. Ele viu o seu noivo encarar os seis com uma sobrancelha erguida em questionamento. Vernon praticamente teve um infarto, Theo se engasgou com a própria saliva e quase colocou tudo para fora ao tentar desengasgar. Garret fazia a careta mais cômica de medo que alguém poderia fazer na vida, enquanto Mason fitava tudo sem entender as reações dos amigos. Já Jackson... O loiro já tinha ido para o céu e retornado. O coração praticamente parou de bater com o susto, que fora tão grande que fizera o mesmo voltar a bater. Uma única palavra rondava a mente deles, com exceção de Mason: “Fodeu”.
— eu... Espero muito que aja uma boa explicação para isso – disse o castanho encarando o loiro ao seu lado quase cair de costas no chão enquanto se afastava do alfa humano.
— q-queira nos perdoar, por favor. Nós o confundimos com o Lance. Ele tem o costume de comer de madrugada – o Boyd tentou explicar e aquela fora uma das poucas vezes em que viram Vernon Boyd gaguejar. O negro sempre fazia questão de abrir a boca apenas quando tinha algo definido para falar.
— e é assim que vocês tratam o pretendente de seus alfas? – questionou castanho colocando um anel no dedo mindinho da mão direita. O anel era o motivo de o castanho estar abaixado no chão de cozinha.
— n-não. É que o Lance é meu primo e e-ele também é do nosso circulo de amigos – respondeu Jackson vendo o castanho estreitar os olhos em sua direção, antes de aliviar a expressão, que quase mata o loiro a sua frente de vez.
— vamos fingir que isso nunca aconteceu – disse o castanho e Jackson respirou aliviado, agradecendo antes de se virar para os amigos, se afastando do conde a medida em que fazia uma careta de desespero.
— não me diga que está aqui a minha espera – disse Derek encarando o castanho lhe encarar. O conde mal abrira a boca para responder e já fora grossamente cortado pelo lobo.
— olha, eu sei que somos noivos. Legal. Mas se acha que eu vou mudar a minha rotina e deixar de sair a noite com os meus amigos por sua causa, está muito enganado. Isso não faz parte do acordo! – argumentou Derek, irritado, apontando com o dedo para o castanho.
— ah, esse é o seu noivo? – questionou Mason vendo o castanho encarar o Hale com uma sobrancelha erguida.
O clima ficou tenso após a fala do Hale. Os dois noivos se encaravam. Stiles com uma expressão séria, largando o ar questionador após processar a fala do moreno de olhos verdes. Os lobos que acompanhavam Derek não sabiam se encaravam o amigo, o conde ou qualquer outro ponto, fingindo não estar ali. Os lobos engoliram em seco, até mesmo Derek, quando um odor de indignação e raiva começar a ser exalado pelo humano castanho parado ao lado da mesa. Stiles se curvou, abaixando-se novamente e, quando se ergueu, o fez com um prato contendo uma fatia do doce feito por Braeden e outro doce que eles já haviam provado em mãos.
— eu vou subir com o meu doce e o meu chá, os quais foram os únicos motivos para a minha presença na cozinha a este horário. Tenham um bom resto de noite – disse o castanho passando por todos os lobos com sutileza, a qual disfarçava para qualquer humano a sua raiva e indignação.
— uh – soltou Garret, vendo o castanho parar ao lado da porta, de costas para os lobos e girar um pouco a cabeça para o lado, mas sem os fitar.
— sugiro que vão dormir, também. Amanhã vocês terão um treinamento intenso, pelo que seus alfas me explicaram – falou o castanho, antes de seguir caminho para o seu quarto.
Assim que o castanho alcançou a escada, Talia tratou de seguir com velocidade para o quarto. Não demorou para que ela ouvisse a porta do quarto do castanho se fechar sutilmente. Ela abriu a porta do quarto, ignorando o pedido dos dois corpos deitados sobre a cama para que ela retornasse a mesma. A mulher ficou ali, encarando o corredor escuro, até ver os corpos dos seis lobos atingirem o andar. A mulher nada falou, apenas fez os seus olhos brilharem em escarlate e todos engoliram em seco antes de se virarem para encarar as duas orbes vermelhas brilhando no escuro, antes de a porta do quarto se fechar, as escondendo.
— a gente está morto – murmurou Theo se despindo, antes de se transformar e deitar no chão do quarto do amigo de olhos verdes.
— mas o que merda a gente foi fazer? – murmurou Boyd imitando Theo, antes de se deitar de costas para o lobo amarelo.
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