The Engagement
31 Estranho
Hector encarava o filho trabalhando ao seu lado com curiosidade. O rapaz estava mais perdido em pensamentos do que trabalhando. O louro, característica herdada da mãe, passava a maior parte do tempo com o saco de batatas em mãos, do que o colocando sobre a carroça. O bando Hale, por mais que recebesse muito dinheiro para servir a rainha, possuía membros demais para ser sustentado apenas pelo dinheiro real. Eles produziam o próprio alimento quando se tratava de vegetais, e até mesmo carne. Embora a produção da última não fosse intensa o suficiente para suprir as necessidades daqueles lobos por si só, sendo necessário que o bando comprasse carnes de outros produtores. No entanto, a produção dos outros alimentos era grande o suficiente para gerar lucros. A criação de animais também rendia lucros, com a venda da lã e da pele.
— pretende ficar com esse? – brincou Hector vendo o filho lhe fitar confuso, antes de sorrir tímido devido a brincadeira.
— me desculpe. Eu estava pensando – respondeu o mais novo jogando o saco sobre os outros que estavam empilhados no veículo de tração animal.
— você está bem pensativo hoje. Aconteceu alguma coisa, filho? – perguntou o homem de cabelos castanhos vendo o filho negar com a cabeça, ainda pensativo.
— nada demais. É o último que ela pode aguentar – respondeu antes de atirar mais um saco sobre a pilha na carroça.
— tem certeza de que está tudo bem, Theo? Você não é de se distrair muito pensando – indagou o mais velho vendo o filho menear positivamente
— está, pai. Vai logo levar isso! – respondeu o louro apertando o ombro do mais velho, enquanto se aproximava da saída do celeiro.
Hector nada mais disse, apenas subiu na carroça e jogou as rédeas para cima e para baixo, fazendo as mesmas acertarem as costas do animal. No mesmo instante, o cavalo começou a trotar com uma certa velocidade para o lado de fora do celeiro. O homem soltou um “juízo” antes de finalmente ultrapassar o filho e seguir o seu caminho. Theo suspirou brevemente. Sabia que seus pais estavam preocupados consigo devido a presença dos ômegas no território. Eles se lembravam muito bem de a reapper do bando Stilinski ter perdido a cabeça por causa do comentário do seu filho e tinham medo que ele fizesse algo do tipo novamente e sofresse as consequências pelas garras dos ômegas, principalmente nas da loira de cabelos cacheados.
O Raeken fechou o celeiro, enquanto mordia o lábio inferior, pensando. Ele ainda se perguntava como Liam havia saído caminhando normalmente de uma queda da qual qualquer lobo adulto sairia mancando com pelo menos uma perna quebrada. O templo era alto como a torre de uma igreja, ou a torre de um castelo. Fora construído pelos antepassados do bando Hale para que eles pudessem treinar sem serem vistos pelos humanos. Lobisomens eram resistentes e incrivelmente aptos a atividades físicas extremas, como pular de lugares altos e cair em pé sem sofrer danos. Mas até mesmo eles tinham um limite. Eles suportavam saltar da metade do templo. Liam saltou do último andar e saiu como se tivesse pulado do dez para o céu na amarelinha.
— então essa é a força de um ômega – murmurou o louro olhando para as próprias pernas.
Graças a ajuda de sua visão sobre humana, Theo pôde ver, durante a queda de Liam, os músculos do baixinho crescerem ao ponto de serem marcados na roupa. Ele não sabia se Liam era um lobo, ou alguma outra criatura, como Erica, Corey, Lydia e Kira. O louro também não se lembrava de nenhuma criatura que pudesse saltar tanto, sem sofrer dano. O rapaz riu quando, por um segundo, cogitou a ideia de a fera interior do baixinho ser um grilo ou um louva-a-deus. Chegava a ser ridícula a sua ideia. Mas o seu riso cessou rapidamente quando um desejo assassino alcançou os seus sentidos, ativando os seus instintos de sobrevivência. Era uma presença assassina forte. Forte demais para se encontrar longe. Libertando mais do seu animal interior, o louro vasculhou o horizonte em busca da direção daquela presença violenta. Não demorou para ele a encontrar vindo da direção da mansão dos líderes do seu bando.
— os alfas – murmurou antes de correr na direção da mansão.
No caminho, Theo não se surpreendeu ao ver outros betas correndo na mesma direção. O instinto protetor para com os seus líderes foram liberados involuntariamente, os fazendo correr na direção do perigo com o intuito de impedir que algo os machuque. Um beta de cabelos negros ao seu lado perguntou o que estava acontecendo. Theo não soube responder. Ele também estava longe da mansão e não fazia ideia do que poderia ter gerado aquilo. Quando eles chegaram na mansão, a presença sangrenta fora embora, mas os seus instintos não. No entanto, para o alívio de todos, os alfas estavam do lado de fora da grande residência, apenas observando a mesma com certa admiração e concentração.
— o que está acontecendo? – indagou Theo parando ao lado de Talia e Cláudia, também observando a mansão com atenção
— parou – murmurou Alexander sentindo que, finalmente, a intenção assassina havia ido embora por completo.
— o que foi isso? – perguntou o senhor Whittemore parando ao lado de Theo.
— eu também não sei – respondeu o Raeken vendo o pai do amigo olhar para os líderes em busca de uma resposta.
— algo parece ter os irritado profundamente – comentou Laura, parada ao lado do noivo, que fitava tudo confuso.
— irritado quem? Por que está todo mundo aqui com essa cara de desespero? – perguntou Jordan, perdido.
— os... – Cláudia não teve tempo de responder.
— o que está acontecendo? – indagou Ennis, chamando a atenção do bando Hale para si.
— cadê o alfa? – perguntou Heather, que se encontrava sentada nos ombros do calvo, com o pescoço do mesmo entre sua pernas.
— eu senti um desejo estranho de sangue vindo daqui – ditou o Bishop se sentindo tão preocupado quanto a garota em seus ombros.
— os seus companheiros de bando. Foram eles que liberaram esse desejo assassino – explicou Cláudia vendo o homem franzir o cenho, confuso.
— estranho... Vocês fizeram algo para Stiles? – perguntou o beta alto, descendo a garota de seus ombros.
— por que acha que fizemos alguma coisa para os irritar? – questionou Talia, indignada. Ennis deu de ombros, cruzando os braços.
— bom, eu posso ter me unido ao bando recentemente, mas conheço eles. Nos vimos apenas uma vez, mas foi o suficiente para que eu entendesse que eles funcionam exatamente como o meu falecido bando. Eles se tornam violentos quando algo ameaça o seu alfa. E também sei o que se passou por aqui antes de minha chegada. Sei que o seu bando já frustrou o meu alfa e seus betas – respondeu o calvo vendo a alfa líder lhe fitar com seriedade, quase raiva.
— você ousa... – Laura começou, mas logo fora calada pelo pai, que ergueu a mão e a fechou em um punho
Talia lutou para engolir um rosnado que faria os seus betas se ajoelharem imediatamente. Por mais que lhe custasse a paciência e a honra, ela engoliu o desaforo do homem calvo. Ennis estava certo. Nem ela, nem ninguém com o título de alfa naquele bando poderia negar. Os seus betas e até mesmo o seu filho, que era o noivo, desrespeitaram o bando aliado. Ela e seus alfas eram reconhecidos pelo seu alto senso de justiça. A mulher jamais poderia repreender Ennis naquele momento, ainda mais com o argumento usado pelo lobo.
— o alfa está bem? – perguntou Heather segurando na mão de Ennis.
— está, baixinha. O que nós dois sentimos foram os outros de nós – disse o homem vendo a menina correr para o interior da mansão Hale.
— outros de nós? Você é um beta – argumentou o senhor Whittemore vendo o calvo lhe direcionar a atenção.
— por enquanto. O meu alfa primário, o que me transformou, morreu protegendo o nosso alfa humano. Meu novo alfa é Stiles. Para continuar como beta, eu preciso de um alfa lobisomem. Não vai demorar muito para eu começar a perder a minha sanidade e me tornar um ômega – respondeu cruzando os braços na frente do peito.
— sabe que irá virar um ômega e está tranquilo quanto a isso? – questionou Theo, surpreso.
Aquilo era espantoso para muitos betas e alfas. O maior medo de todo lobo é se tornar um ômega. Se tornar aquilo que os caçadores tanto diziam que eles eram. Mas o Bishop estava tão tranquilo. Era como se ser ômega fosse se mudar de uma casa para outra na mesma rua, para ele. Aquilo era de surpreender qualquer lobo. Ennis os observava com naturalidade, antes de começar a se virar para adentrar a mansão. Alexander se sentia mal em ver um beta tão dedicado a um alfa aceitando um destino tão trágico para um lobo. Ele se sentia no dever de fazer algo, de tentar ajudar.
— sabe... Se o Conde permitir, você pode ser nosso beta, apenas para manter a sua classificação, mas ainda servir a ele por completo – sugeriu o moreno de olhos verdes vendo o mais alto parar com um pé no primeiro andar.
— eu agradeço a oferta. Mas continuar como um beta não vai ajudar em nada. Eu preciso virar um ômega o mais rápido possível – disse Ennis continuando a subir as escadas, deixando lobos curiosos e confusos atrás de si.
— o que ele quis dizer com precisar virar um ômega? – indagou Theo, perdido.
— eu também não sei – respondeu o senhor Whittemore, confuso.
— então... quando chegarmos... o que vai fazer? – perguntou Derek, ainda um tanto envergonhado por estar de mãos dadas com o castanho.
Ele se sentia bem fazendo aquilo, não havia como negar. Mas ainda era muito novo para ele. O lobo nunca havia andado de mãos dadas antes. Nem mesmo com Braeden, que fora o seu relacionamento mais... intenso, digamos assim. Ele gostava da sensação de ter aquela mão macia acariciando a sua áspera. Os dedos de Stiles se encaixavam tão bem entre os seus que parecia até que suas mãos foram feitas para estarem juntas. O moreno de olhos verdes sentia um calor estranho lhe tomar o peito, mas não demorava para esse calor estranho subir para o seu rosto sempre que alguém lhe encarava com um semblante questionador. Derek ficava envergonhado? Sim. Abaixava a cabeça? Não.
Ele sabia que eles não o estavam julgando por estar de mãos dadas com outro homem. Eles estavam lhe julgando por estar de mãos dadas com um alfa de ômegas. O alfa que havia levado ômegas para o seu tão querido e seguro território. Mesmo sendo um humano, os membros do bando Hale viam o conde como uma ameaça, já que ele havia introduzido os ômegas em seu território pacífico. Quanto mais olhavam para suas mãos juntas, mais Derek os encarava de volta, com seriedade. Ele estava tentando os lembrar de que o bando Stilinski, agora, eram aliados do bando Hale. Eles deveriam respeitar todos como iguais, independente de sua classificação e, principalmente, do tamanho do bando de ômegas. Ele se lembrava muito bem de Allan o repreender, alertando a todos os membros da família principal do bando, que o outro bando da Rosa Negea poderia ser pequeno, minúsculo comparado ao deles, mas que no quesito força era igualmente forte.
— acho que ensinar ao meu bando, ou treiná-lo – respondeu Stiles sem olhar para o noivo, apenas caminhando ao lado do mesmo, observando o ambiente ao seu redor, discretamente.
Chegava a ser engraçado, para o conde, como tantos betas adultos conseguiam ser tão ingênuos como betas juvenis, talvez até mais. Eles todos encaravam a si e ao moreno ao seu lado, lançando olhares questionadores para o último, como se cobrassem alguma lealdade que não existia no ato de dar as mãos para si. Ele apenas observava cada olhar ao seu noivo direcionado, em silêncio, lembrando-se do motivo pelo qual sua residência era tão afastada da cidade e do vilarejo. As pessoas não tinham jeito. Elas insistiam em procurar intrigas, algo que pudessem afastar umas as outras. Os humanos tem a religião, a cor, a sexualidade e a nacionalidade. Os não-humanos, como os lobos, tinham as espécies e as classificações.
— e você, o que irá fazer? – indagou o castanho desviando o olhar para o noivo, que o acompanhou no ato.
— eu não tenho nada programado – respondeu vendo o mais novo menear positivamente.
— mas... Eu poderia lhe acompanhar... Com o seu bando – sugeriu o Hale vendo o castanho rir nasalado, antes e negar com a cabeça.
— é melhor não – falou o Conde entortando os lábios para a ideia de o beta acompanhar o treino de seu bando.
— tudo bem se você não quiser que eu vá – ditou o lobo vendo o humano menear positivamente.
— obrigado pela compreensão – agradeceu o mais baixo, encarando o solo sobre o qual caminhavam.
— mas... Posso saber por quê não quer? – indagou Derek vendo o Stilinski suspirar e erguer o olhar para a esquerda.
No mesmo instante o Conde Stilinski soltou a mão do noivo e seguiu naquela direção. Derek, confuso, varreu a direção com o olhar, vendo Charles, um garotinho do bando, abaixado na sombra de um beco entre as casas do vilarejo, enquanto chorava mudo. O lobo seguiu o humano, curioso. Primeiro, ele queria saber o que fizera Charles chorar; Segundo, ele queria saber o que Stiles pretendia fazer ali. Assim que se aproximaram do garoto, Stiles se abaixou, colocando as nádegas sobre os calcanhares, enquanto Derek se colocava atrás de si, em pé, observando.
— Ei, o que houve? – perguntou o castanh, vendo o garoto suspirar, chateado, antes de lhe encarar. Stiles o reconheceu imediatamente.
— você é o Charles, não é? – indagou o conde vendo a criança menear positivamente.
— eu estou triste – respondeu o garoto voltando a encarar o solo.
— eu percebi. Você está com esse biquinho de lobo mau – brincou Stiles, batendo nos lábios do garoto com a ponta do indicador, fazendo os mesmos soltarem um pequeno “pop” quando o lábio inferior bateu contra o superior. O garoto riu minimamente, mas logo a sua tristeza retornou.
— o que lhe deixou assim, Charles? – perguntou o Stilinski vendo o garoto, puxar de trás do corpo um pequeno bastão quebrado. Um dos lados do bastão possuía um copo com uma bola amarrada nele por uma corda.
— o meu brinquedo... — o menino choramingou erguendo as duas metades dos bastões, olhando tristonho para ambas.
O garoto só precisou dizer aquilo para que os dois mais velhos compreendessem o que estava ocorrendo. Charles havia quebrado o seu brinquedo favorito, e, agora, se encontrava extremamente desolado. Derek suspirou. Sentia pena do garoto. Stiles sorriu para o pequeno lobo a sua frente. Ele sabia, exatamente, como resolver o problema do garoto. Não seria difícil, para si, resolver aquela situação. Ele só precisava de um tempinho. E foi pensando nisso que ele pegou o objeto com as mãos e fingiu o analisar. O menino, curioso, apenas observou o mais velho, enquanto fungava.
— é só isso? – perguntou o humano vendo o menino menear positivamente, um tanto receoso, enquanto Derek observava o humano com certa curiosidade.
— você me empresta ele? – questionou o humano vendo o garoto lhe fitar curioso.
— o que vai fazer, moço? – indagou o pequeno vendo o mais alto sorrir em sua direção
— eu vou consertar o seu brinquedo – respondeu o conde vendo o garoto tomar um brilho animado no olhar.
— é sério? – questionou o menino, animado. Aquele era o seu brinquedo favorito. Presente de seu pai, que vive um tanto ausente devido ao trabalho que tinha na cidade de Beacon.
— sim, é sério. Agora coloque um sorriso no rosto e vá brincar – disse o castanho vendo o garoto sorrir e pular em si, lhe envolvendo o pescoço com os braços, em umnumraço apertado.
— quando ele vai ficar pronto? – questionou o menino vendo o humano olhar para cima, fingindo pensar.
— acho que amanhã, pela parte da noite, eu já estarei com ele novinho em folha – respondeu o conde observando como o pequeno ficou ainda mais animado com a sua resposta.
— muito obrigado, senhor – agradeceu antes de começar a correr, procurando pelos amigos.
— consegue mesmo fazer isso? – perguntou Derek vendo o noivo se erguer, com o brinquedo em mãos.
— sim, eu posso – respondeu o conde se virando para ficar de frente para o noivo, que corou ao sentir a respiração do humano bater em seu rosto.
Stiles sorriu quando viu as bochechas do lobisomem a sua frente se tornarem um pouco rosadas. Era engraçado como o Hale se envergonhava com coisas simples tão facilmente. Quer dizer, ele apenas se virou para o homem, ato simplório, mas mesmo assim fez o outro enrubescer fortemente. Derek notou o sorriso do mais baixo e tratou de se consertar, enquanto se colocava ao lado do outro, ao invés de na frente. Ele precisava se mostrar um noivo a altura para o conde. Stiles se mostrara ser um parceiro digno de sua mão no dielo sagrado que tivera com Braeden. Então Derek tinha que se mostrar ser o homem perfeito para um alfa de ômegas.
— não precisa – disse o humano vendo o lobo segurar o brinquedo que ele havia pego de Charles, se oferecendo para carregar o mesmo.
— você já está carregando a sua bengala, Stiles – argumentou o moreno vendo o castanho sorrir minimamente.
— ela não, pesa, Derek. E eu tenho duas mãos – contra-argumentou o humano e logo sentiu o mais velho pegar em sua mão, entrelaçando os seus dedos novamente.
— uma delas está com a sua bengala e a outra está segurando a minha – falou o Hale observando o castanho olhar para si com uma sobrancelha erguida, antes de tomar um sorriso maroto, negando com a cabeça.
— sendo assim, eu lhe agradeço – disse o maia novo apertando levemente os dedos na mão do lobo, antes de os retornar ao normal.
Derek gostou daquilo. Aquela pequena carícia do castanho havia sido tão boa, que Derek relaxou. Ele já não se importava mais com os olhares alheios. Não se importava com o julgamento do bando para com o seu noivo. Ele estava calmo. O Hale estava voltando a cogitar a ideia de estar casado com o outro talvez não fosse o que ele tanto temia. Stiles não parecia o tipo marrento, como ele, muito menos ser do tipo que se beneficiária de sua posição no acordo para se impor sobre si. Stiles parecia ser um bom partido, no final das contas. Os dois retornaram a caminhar de mãos dadas na direção da mansão Hale. Até que Derek parou, de súbito, com o corpo enrijecido.
— o que houve? – indagou o mais novo, olhando para o noivo, que havia parado um passo atrás de si.
— eu estou sentindo uma... presença assassina, alguém está com um desejo de sangue muito grande – respondeu o moreno olhando nervoso ao redor.
— e de onde vêm? – perguntou o humano olhando para a pedra vermelha em sua bengala.
— vem... da mansão! – exclamou o lobo dando alguns passos na direção da mansão, enquanto alguns lobos ao seu redor começavam a correr, largando o que estivessem fazendo para correrem na direção dos alfas.
— aqueles irresponsáveis – murmurou Stiles, olhando para a pedra em sua bengala com seriedade.
— o quê? – perguntou Derek, confuso – vamos andar mais rápido – disse já apertando o passo, ainda de mãos dadas com o outro.
Stiles suspirou, meneando positivamente, enquanto apertava o passo. Logo os dois estavam começando a correr. Derek não se surpreendeu com o humano lhe acompanhando. Ele se lembrava da velocidade do outro no duelo sagrado. Stiles, com toda a certeza do mundo, era o humano mais rápido que ele conhecia. Assim que correram por alguns segundos, o desejo intenso de sangue se foi, assim como a presença assassina. O moreno de olhos verdes parou, confuso, forçando o humano a parar alguns passos a sua frente.
— o que houve? – perguntou o castanho, curioso.
— sumiu – respondeu Derek, também confuso. Stiles suspirou cansado.
— o que eles estão fazendo? – murmurou o adolescente olhando para baixo.
— preciso ver os meus pais – ditou o lobo já voltando a caminhar com certa pressa, mas fora parado quando sentiu o braço do humano em seu peito.
— acalme-se – pediu o humano olhando nos olhos do lupino, que lhe fitou indignado
— me desculpe, Stiles. Mas não consigo ficar calmo. Minha família está na mansão – argumentou o lobo afastando a mão do humano de si.
— Derek, eu sei de quem foi essa presença assassina – disse o conde vendo o noivo parar e lhe fitar curioso.
— você sabe?! Como?! – indagou o Hale, surpreso.
— é só ignorar os seus instintos, por um momento, e pensar, Derek. Como alguém com desejo de sangue iria alcançar a mansão no meio do território sem ser percebido? – perguntou o humano, tentando fazer o noivo pensar.
Derek, fitou o noivo com seriedade, tentando ignorar a sua vontade absurda de correr até a sua família para confirmar que estavam todos bem. O Hale se questionava onde o noivo queria chegar com isso. Era difícil pensar quando se estava nervoso com a possível morte de um parente seu. O moreno de olhos verdes pensou por um tempo, sempre olhando na direção em que ficava a sua casa. Em uma das vezes em que Derek levou o olhar para a direção da mansão, ele pôde ver o brilho do Sol ser refletido na pedra vermelha na bengala de seu noivo. E foi nesse momento em que sua mente trabalhou. Stiles estava calmo demais, parecia até habituado.
— o único jeito é já estando dentro do território. Eram... – o lobo se sentiu acanhado em perguntar se eram os betas do castanho.
— sim, eram eles – Stiles compreendeu o questionamento do moreno com poucas palavras.
— por que eles... – o moreno fora interrompido por um uivo de seu pai, alertando ao bando que tudo estava bem, que fora apenas um mal entendido, fazendo os betas ao seu redor pararem de correr na direção da mansão.
— eu não sei o motivo de eles terem ficado agitados, mas pretendo descobrir assim que chegarmos lá – respondeu o conde com seriedade, lançando um olhar reprovador na direção da mansão.
— isso... Acontece sempre? – perguntou o mais alto vendo o mais baixo suspirar, ficando de frente para si.
— não é comum, mas também não é raro. Às vezes, enquanto conversam entre si, eles se exaltam e acabam liberando esse desejo de sangue – respondeu o humano vendo o lupino engolir em seco.
— e eles sempre... Se controlam sozinhos quando isso acontece, ou você tem que fazer alguma coisa? — questionou o Hale, nervoso com a resposta que receberia. Se Stiles dissesse que tinha de fazer algo, Derek voltaria a correr para a mansão no mesmo instante.
— bem, na maioria das vezes, eles se controlam sozinhos. Mas, ainda assim, há vezes em que eu tenho que os colocar na linha – respondeu o humano, voltando a caminhar na direção da mansão Hale lentamente. E o temor de Derek se concretizou. Ele sentia vontade de correr para a mansão, mas o modo calmo como o conde caminhava lhe dizia que seria muita falta de educação abandonar o mais novo ali. Ele, silenciosamente, agradeceu por o outro ter tomado a iniciativa de voltar a andar
— Derek – uma voz máscula chamou pelo mais velho, despertando a curiosidade de ambos.
O casal de noivos se virou para olhar um homem alto, calvo e de pele morena os observando. Os noivos franziram a testa para o homem. Derek, por saber de quem se tratava, assim como também pelo modo como o homem mudava o olhar de receoso, enquanto lhe olhava, e ressentido, quando olhava para Stiles. O conde Stilinski não entendia o motivo do olhar do homem para si carregar tanto ressentimento. Ele não se lembrava de ter feito mal para ninguém daquele bando, mesmo quando ficou irritado com os membros do bando aliado. Ele não havia tocado em um fio de cabelo, se quer, de qualquer lobo do bando Hale, exceto...
— Senhor Onew – cumprimentou o Hale, estranhando o modo como o homem se encontrava. Stiles sorriu ladino. Agora ele entendia o motivo do olhar estranho do beta para si.
— nós podemos... Conversar? – indagou o homem engolindo em seco ao ver o sorriso do conde.
Fale com o autor