O café da manhã fora estranho na visão do bando Hale, já que os membros do bando Stilinski já não esperavam mais o seu alfa despertar no corredor e sim no andar de baixo. Para completar, Derek, estranhamente, estava um pouco mais comunicativo com o conde. Ele simplesmente puxava assunto com o humano, o que fazia todos lhe fitarem como se a sua cabeça flutuasse sobre o seu corpo, sem estar presa ao mesmo pelo pescoço. Os membros de ambos os bandos respiravam aliviados.

“Talvez as coisas deem certo assim”

Pensaram eles, encarando o casal de noivos conversarem como se já fossem íntimos. Derek até mesmo sorria, para o completo espanto dos alfas, Malia e Cora, que lhe fitavam boquiabertos. O moreno de olhos verdes simplesmente ignorava os parentes, focando-se apenas no castanho ao seu lado. Ele já imaginava que eles iriam reagir daquela maneira para a sua sorte, eles evitariam tirar alguma piada com a sua cara desde que se mantivessem na frente do conde e do bando aliado. A sua família estava desesperada para que aquela aliança desse certo, então tentariam, ao máximo não interromper a interação entre os noivos, muito menos fazer Derek retornar ao seu casulo de constrangimento e inércia.

— o que vai fazer hoje? – perguntou o Hale, bebendo o restante do leite em seu copo.

— eu vou à cidade, resolver alguns negócios pendentes. No entanto, eu estarei retornando pela tarde– disse o castanho, desviando o olhar para encarar Talia e Alexander, que, no mesmo instante entenderam o que o humano queria dizer.

— bom, eu vou treinar com os meus amigos agora pela manhã. Quando você voltar nós poderíamos dar uma volta, o que acha? – questionou o moreno dos olhos verdes encarando o conde ficar pensativo.

— por mim tudo bem – respondeu o castanho vendo o moreno de olhos verdes menear positivamente antes de se levantar e seguir para o lado de fora da mansão.

— quando terminarem, estarei esperando – disse castanho se levantando vendo Ethan e Aiden menearem positivamente.

Assim que o conde Stilinski se retirou do cômodo, ambos os bandos respiraram aliviados. O bando Hale encarou, surpreso, o bando do conde Stilinski suspirar tão aliviado quanto eles. Aquilo fora surpreendente. Eles temiam que os ômegas tivessem uma certa aversão a ideia do noivado continuar. Entretanto, parecia que a preocupação fora desnecessária. Liam até mesmo ergueu as mãos para cima, como se agradecesse a alguma força superior.

— acho que não sou a única aliviada com essa aproximação repentina – soltou Cláudia vendo os ômegas sorrirem desconfortáveis.

— não, não é. Temos estado muito preocupados com o Stiles desde o incêndio. E, mesmo não conhecendo bem o território ou vocês, nós sentimos que aqui é mais seguro para ele – soltou Kira, encarando os alfas a fitarem atentamente.

— aqui temos vocês para nos ajudar a o proteger – disse Allison vendo os alfas os fitarem surpresos.

— do que tanto temem para com ele? – questionou Peter vendo os ômegas se entreolharem, antes de Liam encarar Jhon, para em seguida abaixar o seu olhar.

— o seu parceiro deve saber. Já que ele também é um Stilinski – respondeu Aiden e os olhares dos membros da família Hale caíram sobre o homem de cabelos castanhos.

— vocês vão me desculpar, mas... Eu não faço a menor ideia do que estão falando a minha família tem algo de perigoso? – argumentou o homem vendo os ômegas se entreolharem confusos.

— A ordem Jorgina? Herácletos? Não sabe de nada? – indagou Corey surpreso vendo o homem negar com a cabeça.

— não sei do que falas, garoto. No tempo em que eu ainda estava na família, nunca ouvi falar desses termos – comentou John ainda negando com a cabeça.

— ele já não está na família Stilinski há algum tempo. Não se lembram? Stiles disse que John fugiu de casa quando jovem. Isso tudo ocorreu depois que o Stiles nasceu – ditou Kira chamando a atenção para si.

Antes que qualquer pergunta, tanto por parte de Jhon, quanto por parte dos outros Hale's, fosse proferida, os ômegas se ergueram e se retiraram do local uniformemente. Ethan e Aiden trataram de se prepararem para sair, já que Stiles já os esperava. Os gêmeos se encontraram com o castanho do lado de fora e juntos seguiram para o estábulo, onde Aiden preparou a carruagem e logo Ethan abria a porta da mesma para o conde.

Aiden subiu ao lado do irmão na carruagem e passou a guiar os cavalos rumo a cidade. O Conde Stilinski procurou por suas fontes, conseguindo poucas informações das mesmas sobre um lobisomem novo na cidade, muito menos um lobisomem feiticeiro. Aquilo frustrou o conde, embora também o aliviasse. A guarda real, por mais que fosse eficiente, ela era totalmente despreparada pare encarar o mundo que insistiam em esconder dos humanos. Por mais que soubessem identificar um ser ou outro, eles não eram exatamente eficientes contra eles. A guarda real, no fim, era apenas isso, uma guarda de humanos para humanos. Não tinha uma boa experiência com seres especiais e quase sempre se fechavam para o mundo se focando apenas na existência humana. Quase cem por cento da guarda real era humana, incluindo a setor que era responsável pelo “sobrenatural” como eles gostavam de chamar.

Stiles odiava tanto essa expressão.

Era um modo de preconceito com aqueles que nasceram com habilidades superiores a dos humanos. Os humanos não eram ninguém para definirem o que era natural ou não. E se eles existiam, faziam parte daquele mundo, viviam em harmonia com a natureza, eles surgiram junto dela e para ela. Não para serem usados para definir o que era natural ou não. Os humanos eram muito prepotentes e aquilo lhe enojava. A maioria se dizia extremamente inteligente, mas era apenas um kanima ou lobisomem aparecer que eles simplesmente pegavam suas armas e seus candeeiros para que pudessem caçar os mesmos noite a fora, furiosos pela simples existência dos outros. E ali, agora, Stiles se sentia em uma caçada inútil. Sentia que estava apenas gastando o seu precioso tempo naquela busca.

“Talvez tenham se confundido mais uma vez”

O Conde pensou consigo mesmo enquanto brincava com a sua bengala em seus dedos. Não seria a primeira vez que aquilo ocorreria, e muito menos seria a última. Quantas e quantas vezes ele não já fora mobilizado pela guarda real na busca de algum ser da noite? Quando, na verdade, eram apenas boatos de humanos desocupados que simplesmente se viram entediados e decidiram aterrorizar suas cidades com lendas e histórias para boi dormir. O conde encarava o lado de fora da carruagem enquanto Ethan pilotava a mesma, guiando os cavalos calmamente. Foi quando o castanho suspirou derrotado que ele notou uma movimentação em um beco mal limpo, enquanto passavam pelo mesmo. Era um pequeno corpo coberto por pelos listrados. O castanho de olhos da cor de âmbar fitou o pequeno corpo surpreso, antes de sorrir ladino e fechar os olhos, envolvendo a pedra vermelha de sua bengala com a mão.

— Aiden. Corpo listrado no beco a esquerda. Eu quero ele para mim – o castanho ditou calmamente.

Em questão de segundos o castanho pôde ouvir o lobo aterrissar no chão bem na entrada do beco. Ele abriu os olhos apenas para ver o seu beta se posicionar ereto e em alerta a qualquer movimento no beco. Aiden ainda pôde escutar o humano falar algo para o seu irmão antes de ver o seu alvo se erguer de trás de uma lata de lixo. O coração do ômega de cabelos castanhos se apertou ao ver do que se tratava a sua caçada. Ele saltou da carruagem com voracidade e uma sede de, violentamente, saciar os desejos do seu alfa humano, mas toda a sua violência se esvaiu ao se reconhecer no seu alvo.

Era uma garota coberta com uma pelugem imunda devido a sua transformação incompleta e pelo claro estilo de vida que levava. Os seus pelos listrados denunciavam a sua espécie rara na região. Mas o reconhecimento não fora pela espécie rara ou apenas o fato de ser uma criança, mas também o que ela fazia ali. A garota usava trapos rasgados em vários locais e sua higiene não era das melhores. Ela segurava um pão mofado entre os lábios enquanto encarava Aiden com fúria e medo. Era óbvio o que ela sentia e o que pensava. Estava se sentindo ameaçada não apenas por ver um homem desconhecido a sua frente. Um homem que ela sabia que não era humano, mas que, pelo modo impecável em que estava, com certeza não a compreendia em sua necessidade de alimentar-se seja lá como for. Ela se sentia ameaçada por haver a mínima possibilidade de alguém querer lhe tirar aquele pão mofado para o jogar no lixo e lhe expulsar dali, alegando querer vagabundos longe do seu estabelecimento, ou de sua rua, tratando de jogar paus, pedras e até mesmo lixo enquanto gritava consigo.

— eu não quero lhe ma... – o homem tentou falar, mas a garota jogou a primeira garrafa que viu na lixeira no mais velho, antes de começar a correr desesperadamente pelo beco.

O lobisomem murmurou um “merda”, antes de começar a correr atrás da garota. A pequena sem teto com o pão mofado na boca era incrivelmente rápida para uma criança. A garotinha revirava lixeiras, jogando as mesmas para trás de si, bloqueando o caminho ao máximo. Aiden a seguia do jeito que podia, saltando os obstáculos com perfeição a quase todos. Ele precisava alcançar a garota. Precisava capturar a sua caça em nome do seu alfa. O humano que ele escolhera como líder lhe ordenara pessoalmente a captura do pequeno ser de pelagem listrada. Então o mínimo que ele poderia fazer era entregar o pedido do seu alfa com excelência.

A garotinha virou a direita no beco e olhou brevemente para trás, apenas para constatar que havia, de fato, conseguido adquirir uma certa distância do seu perseguidor. Quando ela voltou a olhar para a frente, foi completamente surpreendida pela imagem de um castanho de boina e colete vermelhos e um cordão com um entalho de rosas em madeira como pingente. A garota freou bruscamente, encarando, perplexa, o castanho lhe fitar com seriedade. O homem lhe lançou um sorriso de canto, com os olhos gentis e aura que indicava completa paz e serenidade. No mesmo instante, as suas pernas tremeram.

As pupilas da menina se dilataram com a imagem do ser a sua frente. O pão mofado caiu de sua boca quando ela a relaxou deixando um suspiro escapar, acabando por permitir que o peso do pão o levasse ao chão. Aquele homem era tão perfeito. Os olhos levemente claros, a pele igualmente clara, o que acabava por entrar em contraste com o vermelho intenso de suas roupas. O seu olhar era doce e gentil, enquanto o seu sorriso sustentava um carisma naturalmente sem igual. Ele era tão lindo, majestoso, que a garota se viu desejada a ficar com ele. Seguir ele. Proteger ele. Fazer com que ele fosse o ser mais feliz e pleno que pudesse existir naquele mundo. Pois ela sentia que isso a tornaria igualmente feliz e plena. Ela estava tão hipnotizada com a presença quase divina a sua frente, que se quer se lembrava de que há exatos segundos atrás estava sendo perseguida por um lobisomem.

No mesmo instante, a garota se virou para trás, pois ela ouvira os passos do estranho lobisomem se aproximando. Estranhamente, ele não corria mais. O homem de cabelos castanhos penteados para trás caminhava calmamente. Era como se, há pouco tempo atrás, ele não estivesse caçando a garota. Das pequenas mãos judiadas pelo estilo de vida que levava garras recurvas surgiram. A criança de pelugem imunda se curvou para a frente e seu pelos listrados se eriçaram como os de um gato ao brigar com um cão. A pequena abriu a boca, exibindo as presas finas e soltando um rosnado engraçado ao ver de Aiden. Ela realmente parecia um filhote de felino. E como o esperado pelo lobo, a garota estava a proteger Stiles como uma mãe que protegia o seu filhote de qualquer ameaça.

— não se preocupe, criança. Ele não vai fazer nada contra mim. – disse o castanho de boina tocando o ombro da garota. Ela olhou para si um tanto receosa em abaixar a guarda.

— veja, eles são meus betas – falou o conde apontando para Ethan, que estava sobre a carruagem, parada há pouco metros de si. A criança ergueu o olhar par ao topo da carruagem, vendo um homem idêntico ao seu perseguidor acenar para si docemente.

— eles não vão lhe fazer mal, moço? – perguntou a garotinha vendo o homem negar com a cabeça.

— eles fazem como você fez. Me protegem, mesmo com medo do adversário. Mesmo que saibam que não vão vencer, eles me defendem de tudo e de todos – ditou o homem orgulhoso da garota, bagunçando-lhe os fios imundos de cabelo e pelo da garota, que aos poucos retornava a forma completamente humana.

— o-o senhor não precisa me tocar. E-eu estou completamente suja e o senhor está tão limpo. Não deve se sujar com alguém tão imundo e insignificante quanto eu – murmurou a garota, envergonhada.

— eu não me incomodo com isso. Você é uma beta minha agora, tem que receber carinho independente do como esteja. Sem contar que o mundo é bem complicado para que eu me perca o meu tempo me importando com isso – disse o castanho levando a mão a face da garota a erguendo e a acariciando.

— uma beta sua? Mas eu sou uma ômega e o senhor é um humano – argumentou a garota e Ethan se aproximou com a carruagem.

— o meu bando é composto por ômegas, pequena. E não se importe com o fato de eu ser humano. Mesmo tendo esse corpo de lagarta, ainda assim posso ser mais forte do que muitos alfas – falou o conde vendo a garota menear positivamente, em compreensão, mesmo que ela não estivesse compreendendo nada.

Como diabos podia um humano ser mais forte do que um ser da noite, como ela? Como poderia um simples humanos ser mais forte, então, do que algas? Aquelas perguntas rondavam a mente da pequena enquanto ela permanecia a admirar a beleza do homem a sua frente.

— e então, o que me diz? Quer fazer parte do meu bando ou não? – questionou o Stilinski vendo os olhos da garotinha brilharem.

— e-eu quero – respondeu a menina, sentindo que não conseguiria dizer não para a possibilidade de seguir aquele homem para onde quer que ele fosse.

— então suba, vamos para um território amigo onde você irá passar um tempo conosco – disse o humano abrindo a porta para a garota que subiu um pouco envergonhada pela atenção que recebia.

Para ela, era estranho ser tratada como gente depois da morte de seus pais. Ela sempre fora vista como um tipo de demônio, ou como um mero animal, ou então uma mera sem teto. Nunca fora cumprimentada, nem acariciada, muito menos acolhida em um bando. Mas agora parecia que tudo havia mudado para si.

— qual é o seu nome, pequena? – perguntou o castanho, sentado de um lado da carruagem, encarando, no outro lado, a garota olhar tudo pelo que a carruagem passava, animada e um tanto tímida.

— e-eu me chamo Heather, senhor – respondeu a garota vendo o castanho sorrir em sua direção.

— é um belo nome. Eu me chamo Mieczyslaw, mas me chame de Stiles – disse o homem vendo a garota menear positivamente.

— senhor Stiles, certo – murmurou a garota, tentando decorar o nome do outro.

— quantos anos você têm? – perguntou o Conde vendo a garota lhe encarar concentrada, ignorando totalmente o percurso que faziam.

— eu tenho doze anos – respondeu Heather vendo o homem menear, pensativo.

— certo. Você é órfã, não é? Tem jeito de quem foi educada por uma mãe – indagou o conde vendo a garota menear, tristonha.

— meus pais morreram e ninguém cuidou de mim, nem meus parentes, então eu virei uma sem teto – murmurou Heather enquanto passava a brincar com as mãos, nervosa.

— eu sinto muito, mas não precisa mais se preocupar com isso. Agora você é minha protegida. Quando chegarmos você irá tomar um banho, enquanto isso eu vou ordenar que Ethan volte a cidade para buscar o meu alfaiate – ditou o conde e a garota pôde ouvir um dos lobos acima da carruagem soltar um “certo” audível o suficiente para o castanho ouvir.

— po-posso perguntar algo? – inquiriu a jovem vendo, acanhada, o mais velho menear em concordância.

— por que usas um pingente de madeira? – inquiriu Heather vendo o homem a sua frente desviar o olhar para o próprio peito, vendo o cordão dado a si por um dos seus ômegas como presente de noivado.

— ah! Isso. É um presente de noivado. Um costume do meu bando. Nós usamos flores como símbolo. O pingente de madeira é para atrair bons presságios e afastar maus espíritos – explicou vendo o olhar da garota tomar um certo fascínio.

— flores? Eu gosto de flores – comentou a criança e o Stilinski sorriu.

— que bom. Pois em minha casa o que não falta são flores – comentou o Conde vendo a garota sorrir, esperançosa.

Eles não tardaram a chegar no território Hale. Heather ficou impressionada com a quantidade de lobos que existia naquele vilarejo. O conde apenas sorria para o encanto nos olhos da criança para tudo o que via do lado de fora da carruagem. Heather estava maravilhada. Ela nunca vira um bando tão grande. Os gêmeos pararam a carruagem em frente a mansão Hale. Stiles desceu e segurou a mão da garotinha na sua, enquanto a outra continha a sua bengala de pedra vermelha. Ethan tratou de voltar para a cidade para buscar o alfaiate para que este pudesse fazer roupas para a pequena ômega. Assim que Stiles, Aiden e Heather adentraram a mansão, foram alvo dos olhares de todos os presentes na sala.

— quem é essa garota? – perguntou Peter, confuso, tentando ao máximo não cobrir o nariz para o cheiro da pequena de cabelos loiros ao lado do sobrinho do seu marido.

— esta é Heather. Ela é uma recém chegada em meu bando – disse o castanho vendo o olhar surpreso de Cláudia para si.

— esta garotinha é uma ômega?! – questionou a mulher, surpresa.

— sim. Ela irá morar comigo e com os meus ômegas – respondeu o conde usando de sua bengala para se abaixar ao lado da garota.

— agora se lembre que deve tratar todos com respeito e não deve atacar ninguém sem a minha permissão, a não ser que essa pessoa me ameace de morte – falou Stiles e a pequena ao seu lado meneou positivamente.

— e-eu vou me controlar – disse a menina sentindo o peito acelerar com o carinho que o homem lhe fizera na cabeça como recompensa.

— Kira, Erica, levem-na para tomar um banho e usem uma camisa minha para ela vestir até o alfaiate chegar – ordenou o conde vendo as duas citadas se levantarem.

— venha conosco. Vamos deixar você limpinha – disse Erica vendo a garota caminhar tímida em sua direção.

— não se preocupe, somos todos irmãos nesse bando. Não temos a menor intensão de lhe machucar ou lhe afastar do nosso alfa – ditou Kira vendo a garota relaxar e andar um pouco mais apressada em sua direção. As três subiram em direção ao banheiro, desaparecendo do campo de visão de todos rapidamente.

— adotou mesmo uma ômega sem teto em uma ida a cidade?! – questionou Jhon, surpreso.

— sim. Ela é uma ômega disposta a me seguir, então é claro que vou aceitá-la em meu bando – ditou o conde vendo os adultos lhe encararem um tanto surpresos.

Cláudia superava todos, encarando o rapaz a sua frente com um certo brilho nos olhos úmidos. A castanha estava emocionada com aquilo. O conde havia adotado uma criança sem teto na primeira vez em que a viu. Aquilo derretia o seu coração de mãe manteiga com facilidade. A mulher não resistiu em ir até o Stilinski e o tomar em um abraço apertado, enquanto dizia o quanto ele era gentil e bondoso ao tomar aquela atitude.

— já retornou? – perguntou Liam surgindo das escadas, correndo para o Conde e envolvendo o braço do mesmo em um abraço.

— sim. Acabou sendo mais rápido do que qualquer um poderia imaginar – respondeu Stiles vendo o loirinho lhe fitar com olhos pedintes.

— você disse que me ajudaria com isso – disse o baixinho vendo o conde lhe encarar por um tempo, antes de suspirar.

— tudo bem. Apenas vá procurar um lugar para fazermos isso no templo, que eu vou trocar de roupa – falou o castanho passando o braço por cima dos ombros do ômega, que saltitava, animado.

Stiles puxou Liam mais para perto, beijando-lhe o topo da cabeça e lhe bagunçando os cabelos do mais novo, o sentindo relaxar com a carícia.


Derek socou o torso de Theo, vendo o loiro cambalear para trás. O baixinho avançou contra si, mas Derek desviou do soco do mesmo, no entanto não conseguiu ver a perna do loiro se erguendo e lhe acertar o joelho. O moreno de olhos verdes caiu de joelhos ao ser pego de surpresa pelo ataque. Theo aproveitou para chutar o torso do lobo mais alto, porém o Hale rolou para a frente, desviando do golpe do loiro.

Eles já estavam treinando ali há um bom tempo.

O Raeken saltou sobre o Hale, conseguindo o derrubar no chão, e o imobilizando.

— tudo bem, tudo bem. Vamos fazer uma pausa – falou Theo saindo de cima de Derek, enquanto Lance saía de cima de Jackson e Mason libertava Garret.

— eu vou tomar uma água – murmurou Derek, cansado, indo até saída da sala em que treinavam, no templo.

Ele agradeceu a Deus por ninguém querer o seguir nisso. O moreno de olhos verdes estava a refletir sobre o que fazer. Tudo bem que Derek havia decidido que ficaria totalmente focado em fazer aquela aliança com o bando de ômegas dar certo, mas ele ainda estava nervoso, e não era pouco.

O filho do meio doa Hale não se sentia preparado para fazer aquilo. Por mais que tivesse dito que se via conseguindo seguir em frente com aquilo, e de fato ele conseguia imaginar sua vida daqui há alguns anos ao lado do Stilinski, ele não conseguia se ver o tocando de forma tão íntima como via seus tios e seu pai e seu padrasto fazendo. O moreno já havia se acostumado com o seu pai e sua mãe se envolvendo com o seu amigo, que tinha a mesma idade que ele. Fora um pouco difícil, no começo, aceitar que um dos seus amigos estava começando a se envolver amorosamente com os seus pais, mas Derek acabou se acostumando.

Mas aquele não era o ponto

O ponto era que ele realmente tentou, várias vezes, imaginar-se beijando o conde, ou o amando sobre uma cama, mas ele simplesmente não conseguia. Derek não conseguia enxergar o conde de cabelos castanhos e cheiro de rosas como alguém por quem nutrir sentimentos. Entretanto, ele conseguia ver o adolescente de cabelos castanhos e pele clara como alguém que ele deveria respeitar. E seria isso que ele faria. Ele aguentaria, certo? Encontrar outra pessoa, se apaixonar por ela, mas não conseguir se envolver com a mesma, por respeitar o seu noivo? Derek esperava conseguir, pois seria isso o que ele teria que fazer.

Derek realmente não queria pensar muito no caso de ele acabar encontrando outra pessoa. Ele temia acabar pensando demais nas probabilidades e acabar por desistir de seguir em frente com aquilo. Ou então permanecer decidido a continuar, mas o seu medo acabar estragando tudo e a sua relação com o seu noivo não se tornar tão boa, assim.

O moreno sentiu o lobo em seu interior ficar inquieto quando um aroma fortemente doce lhe atingiu as suas narinas. Ele reconhecia aquele cheiro e o seu lobo também. Aquele era o cheiro com o qual ele acordou tantas vezes. O cheiro que sentiu misturado ao de sexo e excitação por tantas noites. O homem de olhos verdes fora surpreendido quando aquele cheiro lhe atingiu a face daquele jeito, mas fora mais surpreendido ainda quando ele sentiu uma mão agarrar o seu braço e o puxar para uma das salas vazias.

O moreno de olhos verdes estava preparado para reclamar com quem quer que fosse pelo modo como lhe puxara, mas a sua mente parou de funcionar assim que sentiu lábios pressionarem os seus e uma língua atrevida, a qual ele conhecia o gosto muito bem, invadir a sua boca. O Hale não teve como resistir a aquele beijo surpresa. A sua língua dançava com a da mulher a sua frente, enquanto ele erguia as mãos para acariciar os braços dela, ao mesmo tempo em que a sentia apertar o seu corpo contra a parede. O ar se fez necessário e os dois separaram os lábios, tratando de cessar o beijo. Derek apertou os dedos ao redor da cintura de Braeden, enquanto respirava fundo, sentindo o cheiro da loba tão forte como quando eles transavam escondidos. A mulher não lhe dera muito tempo, pois logo voltou a atacar os seus lábios, enquanto explorava o seu corpo com as mãos.

Ah, Derek sentia falta daquilo. E como ele sentia. O moreno de olhos verdes começou a se entregar ao momento. E foi quando ele suspirou, assim que Braeden sugou o seu lábio inferior com força, o mordendo antes de sussurrar o seu nome, que Derek se lembrou de Stiles. Ele era noivo, não podia se envolver com a mulher daquele jeito.

— Braeden... hm, espera... – Derek murmurava entre beijos, enquanto tentava pedir para que a mulher parasse.

— não, Derek. Vamos ser rápidos. Não vão nem notar a sua ausência – disse a loba, rapidamente, antes de voltar a beijar o lobo a sua frente.

— Braeden, para, por favor – pediu Derek, assim que a mulher passou a atacar o seu pescoço com beijos e mordidas. Ele arfava com as presas da loba raspando a pele em seu pescoço.

— para quê, Derek? Eu sei que você quer tanto quanto eu – argumentou Braeden levando a sua mão para a virilha do lobo, apertando o membro do mesmo, o sentindo tomar forma.

— não faz assim, Braeden. E-eu sou noivo. Eu não posso fazer isso com o Stiles – murmurou Derek, segurando a mão da mulher, impedindo que a mesma lhe masturbasse por sobre a roupa.

— me diga, Derek. Me diga que prefere a mão dele lhe tocando do que a minha. Me diga que prefere a boca dele do que a minha. Eu sei que você não gosta dele. Se quer o beijou ainda, que eu sei – ditou a loba com convicção, voltando a apertar o falo do Hale em sua mão.

Derek ficou mudo. Ele sabia que preferia Braeden. Ele não tinha dúvida alguma quanto a isso. Mas se havia algo que o Hale também sabia, era que ele não deveria aceitar os toques de Braeden, não deveria aceitar o beijo da loba. Aquilo não estava sendo apenas desrespeitoso com o Conde Stilinski, como também com o seu bando e o bando dele. Mas, acima de tudo, estava sendo desrespeitoso consigo mesmo. Aquele ato era completamente desonroso em sua opinião. Mas o pior de tudo, era saber que, por mais desonroso que fosse, o seu corpo correspondia positivamente.

— oh merda – Derek murmurou prazeroso enquanto sentia a língua da mulher deslizar por sua glande.

Ele se quer sentiu a mulher retirar o seu falo de dentro de sua calça. O moreno abriu e fechou a boca várias vezes, tentando formular algum argumento, enquanto sentia todo o seu corpo aceitar o toque da mulher e gritar “sim” para a proposta de sexo feita por ela.

— Braeden, não... – murmurou Derek.

O moreno de olhos verdes levou suas mãos para a cabeça da mulher, tentando fazer a mesma parar. Mas ele não tinha coragem para usar de força bruta para com ela, e para completar, o seu corpo desejava tanto aquilo. Mas Derek ainda dizia não e forçava a mulher a se afastar de si. Quando enfim ele conseguiu afastar Braeden o suficiente para a sua glande escapar por entre os lábios da loba, fazendo o seu corpo bater contra a parede atrás de si no processo, a porta da sala fora aberta.

Derek olhou para o lado surpreso e o seu peito apertou. O seu corpo gelou e todos os seus músculos se tornaram trêmulos, moles, embora ele se sentisse mais duro do que o uma estátua. Não conseguia se mover corretamente nem mesmo para dar um passo na direção da porta. O cheiro de medo praticamente explodiu do corpo de Derek, dominando a sala em questão de poucos segundos. Braeden sorriu contida, em um sorriso travesso, enquanto limpava os cantos da boca e encarava a expressão surpresa do humano se desfazer em uma expressão séria, quase entediada. Como se esperasse algo do tipo, ou simplesmente fingisse costume.

— me desculpem, eu achei que fosse o Liam nessa sala – o castanho ditou normalmente, mas os dois lobos podiam sentir o cheiro de irritação do humano.

Aquele cheiro fazia Derek engolir em seco, enquanto Braeden só conseguia apreciar aquele aroma. Chegava a ser quase afrodisíaco ao seu ver. Ela sorria predatória para o humano, ao mesmo tempo em que o Hale o olhava com completo pânico. Derek viu o humano cerrar os dedos ao redor do corpo da bengala de pedra vermelha. Aquilo lhe deixou mais receoso ainda.

— S-Sti... – o moreno tentou falar algo, enquanto ajustava suas roupas, recolhendo o seu membro para sua calça, mas fora prontamente cortado pelo conde.

— eu vou deixar vocês a sós – ditou o conde já se preparando para sair dali.
— Stiles! – Derek chamou pelo castanho, mas fora em vão, pois o conde já havia fechado a porta rapidamente, não contendo a força no processo.

O som da porta de madeira batendo contra a batente de madeira ecoou pela sala, antes de Braeden soltar risos. Derek a fitou furioso. Ele estava perdido e a mulher ainda ria? O que ela era? Louca? Não parecia ter a menor ideia do que havia acontecido ali.

— você tem ideia do que acabou de fazer? – questionou Derek furioso, encarando a mulher se aproximar de si.

— eu consegui você só para mim – respondeu a loba, sensualmente, enquanto sorria vitoriosa na direção do Hale.

— você acabou de destruir a nossa chance de aliança, Braeden. O bando inteiro pode morrer por sua causa – rosnou o moreno de olhos verdes afastando a mulher de si, agora com brutalidade.

— eu não estou nem aí para o bando, Derek. Eu só quero você. A gente pode fugir, eu não sei. Nós só precisamos ficar juntos que tudo vai dar certo – falou a loba, esperançosa, encarando o moreno de olhos verdes lhe fitar indignado.

— você é louca? Não vou abandonar o bando – rosnou o moreno a largando e se virando para seguir o conde, mas fora parado por Braeden quando a mulher agarrou o seu braço com força.

— não vai me deixar duas vezes por aquele garoto! – exclamou a loba fitando o homem com fúria – se você for atrás dele eu não vou responder por mim, Derek! – rosnou vendo o homem negar com a cabeça aterrorizado com o que presenciava.

— eu não estou nem aí para você, Braeden. Eu só quero o meu bando – disse o lobo abrindo a porta e correndo pelos corredores do templo, seguindo o cheiro forte de raiva que o conde exalava.

Braeden encarou a porta se fechar lentamente, enquanto mordia o lábio inferior, tentando conter a fúria que sentia. Mas ela não resistiu por muito tempo. A loba começou a rosnar e gritar de ódio, enquanto usava as garras contra a madeira da parede e do chão, marcando o local. Qualquer um que entrasse naquela sala saberia que um lobo perdera o controle ali

Derek usou de toda a sua velocidade para avançar em direção ao conde Stilinski. Ele precisava concertar tudo aquilo. Tinha que reverter a merda que Braeden havia feito. Ele precisava salvar toda a honra ali envolvida.. Do contrário, as consequências serão terríveis. Mas Stiles parecia correr muito rápido no momento. Pois Derek demorava para o encontrar, mesmo usando toda a sua velocidade. Ele até mesmo ignorou o chamado de Jackson e Theo, quando os mesmos lhe viram assim que o moreno passou pela sala correndo.

— Stiles! – o Hale chamou pelo castanho assim que o encontrou, caminhando por um dos corredores do segundo andar do templo.

No mesmo instante o castanho adentrou uma das salas, se quer parando para olhar para o lobo ou pensar em algo. Derek correu até a porta da sala em que o conde entrara, mas assim que abriu a mesma, ele se viu perdido. O moreno parou, confuso, no mesmo instante em que seus olhos varreram a sala e não encontraram mais o conde lá.

Ele havia sumido.