The Engagement
22 Concentração
Derek encarou o humano sentado a escadaria da mansão Hale. Ele se sentia mal em ver o humano daquele jeito. Stiles, desde que chegara ali, sempre teve uma pose, sempre sorria, sempre estava com a cabeça para cima, com um brilho no olhar que indicava determinação ou alegria. Mas ali... Derek via o mesmo humano de cabelos castanhos e pele clara, mas não tinha pose, não possuía nenhum tipo de sorriso e encarava apenas o chão. Ele não estava gostando de ver o conde daquele jeito. Ninguém de sua família estava.
Ele temia o rapaz daquele jeito. Stiles era alguém forte e se ele estava daquele jeito era porque realmente aquilo o perturbava. O ocorrido no final do duelo realmente deixou aquele humano perturbado e para baixo. Desde que voltaram da clareira, Stiles não fala nada, não sorri para nada e muito menos sai daquela escada para alguma coisa.
Derek realmente estava preocupado com o humano. Ele se sentia culpado pelo que estava acontecendo. O Hale se aproximou, lentamente, com uma bandeja em mãos contendo alguns biscoitos, chá e frutas. Ele se parou atrás do castanho, observando as costas curvadas do mesmo. Nem a pose Stiles mantinha mais. E aquilo preocupava os ômegas de um jeito que os mesmos não conseguiam parar de encarar o castanho pela janela, já que Stiles pedira um tempo deles.
— você... deve estar com fome – murmurou Derek se esforçando um pouco para não gaguejar na frente do humano.
— não, obrigado – murmurou o Stilinski em um fio de voz.
Ele não tinha vontade de sair dali, de fazer mais nada além de observar o chão. Ele não queria fazer nada, só... ficar ali, encarando o chão. Derek engoliu em seco quando a sua desculpa para se aproximar do conde fora falha. Ele suspirou, cansado e nervoso, antes de seguir até o lado do castanho e, com um pouco de esforço, se sentou ali, colocando a bandeja ao seu lado, longe de Stiles.
— você não pode ficar assim o dia todo, Stiles – argumentou o lobo, vendo o castanho dar de ombros.
O moreno de olhos verdes suspirou, cansado com o jeito frágil que o adolescente se comportava. O Hale encarou com certa culpa o curativo na face do rapaz. As bandagens brancas faziam a volta no rosto do castanho, protegendo o machucado que se encontrava do outro lado da face do conde de cabelos castanhos. Derek se lembrava perfeitamente de como aquele ferimento surgiu e se sentia mais culpado ainda por causa disso.
— você nem tomou banho ou trocou o curativo – Derek voltou a argumentar, tentando arrancar alguma reação do humano que não fosse um olhar depressivo para o chão.
— eu não tenho mais motivos para isso, Derek. Eu não vejo motivo para fazer nada disso – falou o conde Stilinski ainda com a voz fraca devido aos urros que dera naquela tarde e a garganta seca.
— deixe disso. Você é forte demais para ficar assim, Stiles – o moreno de olhos verdes ditou com suavidade, ouvindo o humano sorrir nasalado.
— do que me adiantou a força, Derek. Eu perdi. Estou sozinho de novo – murmurou o adolescente de olhos castanhos claros.
— não é bem assim, Stiles – murmurou Derek encarando o castanho finalmente erguer o olhar e encarar o céu escuro.
— tem razão – disse o castanho e Derek se aliviou por ter conseguido algum avanço.
— estou mais sozinho do que antes – falou o Stilinski fazendo o moreno de olhos verdes suspirar, sem saber o que fazer.
Derek encarou, esperançoso e nervoso, o conde de cabelos castanhos avançar contra a loba, mirando com a pedra no rosto da morena. Assim que o corpo de Stiles alcançou o de Braeden, Derek prendeu a respiração e fechou os olhos, não podendo mais encarar aquela tortura que o humano fazia com Braeden. E foi assim que Derek não viu quando o humano fora surpreendido, assim como todos, quando a mulher ergueu a mão com as garras a mostra, apontando a mesma para si. Ambos os corpos se encontraram, antes de se afastarem bruscamente para trás, com ambos erguendo a cabeça para cima e urrando de dor, levando as mãos aos próprios rostos.
E foi nesse momento em que Derek abriu os olhos, confuso. O homem engoliu em seco assim que viu Stiles, com uma das mãos no rosto, enquanto urrava de dor. O rapaz largou a bengala no chão enquanto levava a outra mão ao rosto. Braeden parou de urrar ao mesmo tempo em que caía no chão, de costas, desacordada. Já Stiles, se jogou de joelhos no chão, com as mãos ainda no rosto, antes de levar as duas aos cabelos, passando a puxar os mesmos, enquanto mordia o lábio inferior e se debatia.
— ela ganhou? – perguntou Garret, esperançoso.
Os Hales nem se importaram com o loiro, o ignorando prontamente. No momento, eles estavam mais preocupados em saber o que estava acontecendo. Stiles se colocou de quatro, com a cabeça apoiada entre os braços, passando a bater com o punho contra o chão. Algo parecia estar demasiadamente errado, ali. O castanho continuava a se debater ao mesmo tempo em que batia com o punho contra o chão da clareira.
— tem algo errado – murmurou Lydia, pensativa, chamando a atenção de Laura.
— ele não me parece normal – ditou Liam, confuso, encarando o humano erguer o torso, jogando o mesmo de um lado para o outro, enquanto os braços cobriam o rosto
— devemos ir lá? – perguntou Ethan vendo o irmão gêmeo dar de ombros.
— eu não sei. É permitido? – indagou Aiden vendo Laura negar com a cabeça.
— enquanto o Druida não decretar alguém como vencedor, estamos impossibilitados de nos aproximarmos – respondeu Laura cruzando os braços e voltando a encarar o castanho, que jogou a cabeça para cima, antes de urrar mais uma vez, jogando os braços para os lados.
O urro do castanho assustou a todos, que deram um passo para trás, com exceção dos ômegas, que se ergueram, preparados para se aproximarem do castanho de olhos claros, caso fosse necessário. A voz do garoto de dezessete anos saíra grossa demais para ser a de um humano. Mas o que mais causou espanto, não fora o urro grave e extremamente alto. A pele de Stiles tomou uma coloração escura ao mesmo tempo em que os cabelos do rapaz se tornavam roxos.
— mas o que diabos está acontecendo? — perguntou Theo, confuso, vendo o castanho rugir para o alto, enquanto balançava a cabeça de um lado para o outro.
— ele está mudando de forma – murmurou Isaac observando os cabelos do conde crescerem um pouco, se assemelhando a espinhos roxos.
— ele não é um humano? Humanos não mudam de forma – indagou o Raeken confuso e assustado, encarando os ômegas assim como Laura o fazia.
— nunca dissemos que ele era um humano normal – disse Scott se levantando e começando a andar na direção de Stiles.
— Não pode se aproximar – ditou o Daeton encarando o moreno de queixo torto lhe fitar com seriedade.
— a loba está apagada. Está óbvio quem ganhou – ditou o ômega ignorando completamente o Druida.
Allan golpeou o chão com a sua bengala de madeira e uma pequena faísca saiu da mesma. Scott tentou se mover, mas tropeçou nos próprios pés e caiu. Ao olhar para trás, ele viu a grama que antes era pisoteada por si se enroscar em seus pés, os segurando. O ômega olhou para o Druida a tempo de o ver com os olhos brilhando em verde na sua direção.
— Scott! Volte. Não se pode julgar esse duelo assim. Stiles fez uma aposta com Braeden. Se ela conseguiu o ferir nesse último momento, ela pode ter vencido – disse Lydia, de braços cruzados, com um leque em cada uma de suas mãos.
— não pode decretar logo quem ganhou? – perguntou Talia vendo o druida negar com a cabeça.
— uma vez que um desafio como o que o conde fez é pronunciado para um duelo sagrado, o duelo só pode ser dado como encerrado quando uma das condições do desafio é satisfeita — respondeu o negro de cajado de madeira enquanto apoiava as duas mãos sobre o objeto e encarava a cena atentamente.
— por favor... por favor... – murmurava Derek vendo o humano voltar a se contorcer, ao mesmo tempo em que segurava os fios, antes castanhos, agora roxos, os puxando para os lados.
Derek rezava para o humano estar intacto, sem nem uma única gota de sangue sendo derramada por outro ferimento. Ele até poderia estar ferido, mas sangrando não. Se mais uma gota de sangue de Stiles tivesse sido derramada, mesmo com Braeden desmaiada, ela vai ter vencido o conde Stilinski.
— já chega. Eu vou lá ver o que está acontecendo – ditou Peter se preparando para avançar na direção do humano.
— não pode se aproximar – ditou o Deaton com os olhos já completamente verdes vendo o loiro erguer as mãos em rendição.
— então vá você. Só acabe logo com isso. Eu não aguento mais apenas assistir aqui, parado. Eu preciso bater em alguém Allan – falou o loiro de punhos cerrados.
— Allison, se prepare – ordenou a fada ruiva e no mesmo instante a caçadora de cabelos negros já puxava uma flecha, mirando no próprio alfa, surpreendendo os membros do bando Hale.
— ela vai atirar no próprio alfa?! – inquiriu um membro do bando Hale, em choque.
— já estou pronta – disse a Argent e a ruiva se aproximou de si, colocando a mão sobre a ponta afiada da flecha.
— não se pode confiar em caçadores. Nem mesmo os humanos podem – cochichou uma loba em resposta para a pergunta do companheiro.
— o que vocês estão fazendo? – perguntou Heather, confusa e assustada com a flecha apontada para o humano.
— fazendo o nosso trabalho – respondeu Liam, retirando as próprias roupas e as deixando jogadas ao lado das roupas de Erica e dos gêmeos.
Os quatro se colocaram abaixados, encarando o humano de cabelos roxos atentamente. Scott e Isaac também se despiram, se colocando ao lado de Ethan e Aiden, enquanto Erica e Liam estavam na frente dos gêmeos. Kira se colocou na frente de Corey, que olhou bem ao redor, antes de desaparecer por completo.
— vá – a voz da Kitsune soou autoritária e logo a mulher sentiu um aperto em seu ombro, mas sem ver não alguma.
O rapaz se moveu pela clareira olhando atentamente ao seu redor para ver se a turbidez criada por seu corpo não era notada por ninguém. No instante em que ele se aproximou do conde, o humano jogou a cabeça para trás, em sua direção, olhando fixamente nos olhos do moreno, mesmo com o kanima estando invisível. Corey engoliu em seco ao ver os olhos negros avermelhados de seu alfa.
— meu senhor – Corey murmurou, tentando arrancar alguma reação de Stiles, mas tudo o que conseguiu como resposta fora uma neblina escura sendo exalada do nariz do mesmo
Antes que pudesse se aproximar do outro lado do humano que lhe comandava como alfa, para analisar o corpo do rapaz por completo, Stiles girou o torso, com uma das mãos cobrindo o rosto, enquanto a outra acertava o peito do ômega, o jogando para longe. Todos ficaram confusos com o ato do castanho, mas ficaram mais surpresos ainda quando Lance caiu no chão e o corpo de Corey surgiu sobre o dele.
— está ficando pior – murmurou o ômega, pensativo, ao mesmo tempo em que se erguia e via o humano e alfa voltar a se contorcer.
— o que estava fazendo lá? – perguntou Deaton indignado com a atitude do kanima.
— o que os olhos não veem o coração não sente, Druida – respondeu o ômega terminando de se levantar e estendendo a mão para o loiro que levou ao chão quando o seu corpo o atingiu.
— o duelo sagrado só pode ser interrompido pelos deuses! – exclamou o negro, vendo o ômega dar de ombros.
— o que eu disse serve para os deuses também. Agora você tem que parar com isso e acabar com esse duelo – disse Corey vendo o negro negar com a cabeça.
— eu não posso sem saber se ele também foi ferido – falou Allan voltando a encarar o humano se debatendo, jogando o torso de um lado para o outro enquanto rosnava
— como ele estava, Corey? — questionou a Yukimura, se aproximando, já com a mão na espada.
— eu não consegui ver se ele estava ferido ou não. Mas eu sei que está ficando pior. Os olhos deles estão daquela cor e os cabelos estão ficando duros como pedra, não estão só mudando de cor e forma – respondeu o rapaz, se aproximando da Kitsune, que rosnou para o centro da clareira, onde o humano permanecia a se contorcer.
— o que está havendo com ele? – perguntou Derek vendo a Yukimura lhe olhar com seriedade, antes de suspirar e voltar a encarar o Stiles.
— não sabemos o que provocou, mas isso é o poder do Stiles. Algo o está trazendo para fora – explicou a morena encarando o humano voltar a se jogar no chão, golpeando o mesmo.
— precisamos que encerre esse duelo para prendermos ele novamente. Se a metade dominante do Stiles trocar de lugar com o outro eu dele, isso pode estragar tudo – ditou Corey encarando o humano voltar a erguer o torso, urrando para os céus.
Nesse momento, um brilho surgiu dos olhos do Stilinski e a pedra vermelha em sua bengala brilhou, antes de a mesma começar a flutuar e se posicionar acima do rapaz. A bengala virou, ficando com a pedra vermelha apontada para o castanho. O brilho vermelho pareceu hipnotizar Stiles, que parou de urrar, ao mesmo tempo em que a sua pele voltava ao tom claro e seus cabelos voltavam a ser castanhos, no entanto, os seus olhos permaneciam negros com um tom avermelhado.
A bengala permaneceu flutuando sobre o humano por um tempo, enquanto o jovem castanho permanecia naquela mesma posição, hipnotizado pelo brilho vermelho da pedra octogonal que estava apontada para si. Os olhos do rapaz começaram a voltar para a cor original. Assim que os olhos do conde Stilinski finalmente voltaram a ter a cor âmbar, a pedra em sua bengala parou de brilhar em vermelho e a mesma caiu.
Por entre as casas da grande Londres, um sobretudo roxo voava em meio ao vento forte daquele fim de tarde. As pessoas observavam, surpresas, por pouco tempo, o tecido da cor púrpura voar por sobre suas cabeças, sendo carregado pelo vento, ao mesmo tempo em que elas lutavam para que seus chapéus não fossem junto com o mesmo. Aquele tecido parecia ser novo demais para alguém o perder assim, o que causava um certo ressentimento nas pessoas por não conseguirem o alcançar.
O tecido dançava ao vento, passando por cima das ruas, fazendo curvas junto ao ar que se movia, antes de começar a tomar altitude, se afastando cada vez mais do público que lhe dava atenção com um pouco de decepção. O tecido púrpuro fora tomando mais e mais altitude até que ele alcançou a torre mais alta de uma catedral. O sobretudo passou ao lado da estrutura pontiaguda do topo da catedral, antes de parar ali.
Fora algo completamente estranho. O sobretudo parou no ar, mesmo ainda balançando ao vento, como se tivesse esbarrado em algo. Os extremos do sobretudo permaneciam balançando ao vento, ao mesmo tempo em que o mesmo soprava de forma intensa, sem conseguir mais mover o tecido da cor púrpura. Uma mão com unhas pintadas em roxo surgiu de dentro do sobretudo, envolvendo um dos extremos do mesmo, antes de o puxar, o girando.
Quando o sobretudo finalizou o giro, uma pessoa surgiu dentro do mesmo, o vestindo. A pessoa de unhas pintadas no mesmo tom púrpuro do tecido do sobretudo se abaixou, ao mesmo tempo em que levava uma das mãos para segurar o capuz roxo com o intuito de que o mesmo não saísse da posição e revelasse o seu rosto.
— hm... onde será que você deve estar? – perguntou o encapuzado, calmamente, enquanto vasculhava as ruas abaixo com os olhos.
Ele procurava um lugar que fosse a cara do seu alvo. O garoto tinha um gosto refinado, assim como todos os outros. Nenhum deles escolheria um lugar qualquer para se esconder de si. Mas ali era Londres, havia vários lugares que se encaixavam no gosto do seu alvo e que ele poderia usar muito bem ao seu favor.
— nunca se passou pela minha cabeça de o mais novo deles me dar mais trabalho – murmurou, pensativo, ainda vasculhando as ruas da cidade com o olhar.
O encapuzado ainda se perguntava como diabos o rapaz conseguira sair do incêndio provocado por um de seus capangas, que por sinal, ainda não dera nenhum sinal de vida. A mansão Stilinski estava em chamas, então era óbvio que o seu homem havia alcançado a mansão, que era o objetivo primário para conseguir deixar aquele pequeno bando vulnerável. Mas o fato de o homem ainda não dar sinal de vida, sem contar que o encapuzado também não conseguia mais sentir o outro, em outras palavras, aquilo significava que o Conde Stilinski havia escapado da mansão e matado o seu lacaio.
— então você tem um dos meus – murmurou se virando para encarar o castelo da rainha – mas eu tenho sete dos seus – finalizou, pensativo, encarando a grande estrutura ao longe.
— Ele não está lá. Seria óbvio demais – ditou dando as costas ao palácio e voltando a encarar as ruas da cidade.
— não tem outro jeito – falou voltando a se erguer e segurando o lado direito do seu sobretudo com a mão direita.
No mesmo instante em que a mão do encapuzado atingiu a altura do ombro do mesmo, encapuzados começaram a escalar a torre da catedral por todos os lados, antes de saltarem e aterrissarem ao redor do encapuzado de roxo. Todos estavam abaixados, ao redor do homem, com sobretudos coloridos e capuzes que lhes cobriam os rostos. Eram seis, no total. Um branco, um verde, um azul, um preto, um marrom e um amarelo.
— vão! Procurem pelo conde Stilinski – ordenou o homem e, quase que de forma instantânea, a pessoa de capuz marrom se colocou de quatro, antes de erguer o torso e uivar alto.
Em questão de segundos, um grupo de oito lobos começou a correr pelas ruas de Londres, assustando as pessoas. Alguns guardas reais até tentavam atacar os animais, mas os lobos eram rápidos e os derrubavam em questão de segundos. O encapuzado do tecido da cor verde se aproximou da ponta da torre e se inclinou para a frente, passando a cair e a correr pela lateral da torre. Assim que julgou estar em uma boa velocidade, a pessoa com capuz abriu os braços e, surpreendentemente, passou a planar no ar, se dirigindo para o telhado mais próximo, antes de aterrissar no mesmo e voltar a correr.
Um a um, os seis encapuzados começaram a saltar e a correr pelos telhados e ruas, assustando as pessoas em quem esbarravam ou por quem passavam. A pessoa com capuz de tecido da cor preta esbarrou em um homem que reclamou por sua falta de educação, mas o homem parou de reclamar instantaneamente e correu dali, quando o encapuzado rosnou de forma gutural em sua direção, lhe ignorando logo em seguida.
— mas o que diabos está acontecendo aqui? — perguntou um dos guardas reais ao ver o encapuzado de amarelo saltar de um telhado e aterrissar sobre os seus ombros, lhe levando ao chão.
— onde ele está? – perguntou o homem puxando o braço para trás do corpo e tirando de suas costas uma adaga de lâmina torta que lembrava uma serpente correndo.
— ele quem? Quem é você? – perguntou o guarda real, confuso e um tanto assustado
— onde está o conde? – indagou visivelmente furioso, puxando o homem pela gola de seu fardamento.
— t-t-t-t-tem um conde s-se... Se hospedando há cinco quadras a frente – respondeu, nervoso, encarando o brilho afiado da adaga que se aproximava cada vez mais de seu pescoço.
— bom garoto – murmurou o encapuzado, sorrindo ladino, antes de enfiar a adaga no pescoço do guarda real, fazendo o mesmo gemer de dor, ao mesmo tempo em que sentia o próprio sangue jorrar do ferimento, aquecendo o seu corpo ao banhar o mesmo.
O encapuzado se ergueu, sorrindo vitorioso e assoviou para o alto. Logo um lobo surgiu de uma esquina atrás de si, correndo rapidamente. O lobo passou ao seu lado e o encapuzado saltou, girando o corpo deitado no ar, antes de cair sobre o lobo, com o corpo do mesmo entre as suas pernas. Ele agarrou o pelo do lobo entre os dedos, permanecendo deitado sobre o mesmo.
— siga em frente e pare na quinta quadra – ordenou o homem de capuz amarelo vendo o lobo acelerar os passos.
Assim que alcançou a quinta quadra, o lobo parou bruscamente, saltando no processo. Todas as pessoas deram as costas aos dois, saindo correndo o mais rápido que podiam. O encapuzado saltou do lobo, dando giros no ar, ao mesmo tempo em que o animal se transformava em um humano desnudo. O homem de capuz amarelado procurou pelo edifício mais ornamentado do local e saltou pela primeira janela que viu do mesmo, quebrando o vidro em vários pedaços, sendo seguido pelo lobo desnudo.
As pessoas correram, desesperadas para o lado de fora, ao mesmo tempo em que o homem de sobretudo amarelo e o lobisomem nu subiam as escadas procurando pelo conde em todos os cantos. O lobo parou, assim como o encapuzado, quando um uivo ecoou pela cidade. No mesmo instante todos os lobos começaram a se dirigir para o lado de fora da cidade o mais rápido que podiam.
— você tem certeza disso? – indagou a pessoa de capuz com tecido marrom, encarando o encapuzado de tecido roxo assim que alcançou o topo da catedral.
— mas é claro que sim! — respondeu o encapuzado de tecido roxo vendo todos os lobos se dirigirem para o lado de fora da cidade, correndo o máximo que podiam, ao mesmo tempo em que os encapuzados retornavam para aquela torre da catedral.
— eu não sei, não. A guarda real pode ser um tanto ruim no quesito sabedoria sobre o mundo, mas ela ainda pode ser eficiente contra nós – disse o encapuzado de tecido verde.
— por que parou o ataque? – perguntou o homem de capuz com tecido na cor amarela vendo a pessoa com capuz de tecido roxo se quer lhe direcionar um olhar.
— já temos parte do que queremos, Lighting Blond – respondeu o encapuzado de tecido negro, cruzando os braços, de costas para o grupo.
— e o que seria, Death? – perguntou o encapuzado de amarelo, abaixado, ao lado do encapuzado de roxo.
— concentração – respondeu o encapuzado de roxo, antes de saltar e desaparecer no tecido de cor púrpura, que voltou a ser levado pelo vento.
Fale com o autor