The Engagement
23 Morte
Stiles sentiu uma indescritível dor atingir o seu corpo quando ele golpeou o rosto de Braeden. O rapaz levou a mão aos olhos, cobrindo os mesmos enquanto via tudo ficar turvo. A sua vista se tornou escura, não lhe permitindo enxergar mais nada. Ele apenas sentia uma dor intensa em sua cabeça e no seu peito. Uma dor que ele nunca havia sentido em toda a sua vida.
Algo estava errado, ele sentia isso.
Foi então que a dor parou. Ela não havia sumido. Havia apenas parado de latejar em seu corpo, como se fosse um órgão pulsante. O rapaz retirou as mãos dos seus olhos e abriu os mesmos, vendo não a clareira onde enfrentava Braeden, mas sim um jardim repleto de rosas, uma grande árvore e alguns animais que pareciam estar dormindo ou descansando. O conde se viu confuso. Ele olhou de um lado para o outro, se vendo cercado por um círculo de rosas negras. O círculo de rodas negras era cercado por rosas vermelhas e brancas.
— onde estou? – perguntou o castanho de olhos claros, perdido, enquanto olhava de um lado para o outro.
— não reconhece mais esse lugar? – indagou uma voz masculina lhe chamando a atenção.
— você anda se esquecendo muito das coisas, Stiles? – outra voz lhe alcançou os ouvidos, desta vez uma feminina, fazendo o rapaz olhar para os lados confuso
— quem está... – a voz do Stilinski morreu quando ele se viu formando um círculo junto de uma árvore e dos animais que ali se encontravam.
— não vai dizer que você já se esqueceu de nós? – questionou uma voz feminina soando divertida.
— então são vocês – murmurou pensativo vendo a árvore, o escorpião, o búfalo, o pavão, a borboleta, o puma e o lagarto se moverem de modo que lhe encarassem.
— o que estamos fazendo aqui? – perguntou o humano de cabelos castanhos vendo todos eles começarem a tomar uma forma humana, ao mesmo tempo em que, dentro do círculo que eles formavam, um corpo estranho e comprido surgia, aparecendo e mergulhando no chão logo em seguida, sem nunca revelar o seu rosto.
— já começou, Stiles – disse a figura que havia se formado a partir do escorpião e logo tudo ao redor deles se tornou escuro, enquanto uma vela flutuante surgia diante de cada um.
— como assim? Já começou? Começou o quê? – inquiriu o rapaz, antes de seus olhos se arregalarem ao ver uma a uma as velas se apagarem.
— não me diga que... – Stiles tentou falar, desesperado, enquanto via o corpo humano que havia se formado da árvore menear positivamente, antes de sua vela se apagar, deixando apenas Stiles e a pessoa que havia surgido do escorpião ali, no círculo.
O humano voltou o seu olhar para Stiles, antes de sua vela se apagar, deixando apenas o Stilinski ali. A vela de Stiles se apagou, fazendo tudo se tornar escuro. A luz aos poucos começou a retornar, junto de gargalhadas e um conhecido cheiro de flores que ele passou a sentir falta quando o reconheceu.
— vamos, vocês dois – disse um homem que Stiles reconheceu imediatamente.
— por que estou me lembrando disso? – se perguntou o castanho em um sussurro antes de ouvir a própria voz, quando menor, somada a de outro garoto.
— esqueça os seus objetivos... esqueça as suas vontades... você tem apenas que nos servir – ditaram em uníssono e imagens relacionadas a aquela frase começaram a surgir em sua cabeça.
— eles são crianças mas são bons – ele pôde ouvir uma voz feminina e uma outra riu.
— é claro que são. Somos um só – uma terceira garota falou.
— também não é assim. Somos como irmãos. Temos sangues diferentes, mas de certo mordo temos um sangue em comum – disse uma quarta garota.
— Ainda assim, de certa forma, isso nos torna um só. Viemos do mesmo lugar e, independente do caminho que tomemos, vamos acabar em um único lugar, juntos – ditou um rapaz, com seriedade em sua voz.
Stiles sorriu. Ele sentia falta daquelas vozes, daquelas pessoas, daquele cheiro. O conde Stilinski sentia falta de ter todos juntos novamente. Foram bons tempos, ele não podia negar. Estar junto de todas aquelas pessoas foi uma boa experiência. Foi como ter uma família de novo. Mas ele não estava gostando de se lembrar daquilo. Não daquele jeito.
O escuro voltou a reinar, antes de Stiles sentir o chão lhe abandonar os pés. O rapaz olhou de um lado para o outro, tentando saber onde se encontrava. Ele pôde ouvir um rosnado baixo, e em seguida viu uma neblina negra e densa tomar o ambiente, enquanto o mesmo se tornava, de certa forma, mais claro. Ele viu aquele mesmo corpo longo surgir e voltar a desaparecer em vários locais ao mesmo tempo. Sempre surgindo do chão como um peixe pula na água, para em seguida mergulhar no chão novamente. Abaixo de si Stiles pôde ver dois brilhos vermelhos se formarem antes de uma certa ondulação ocorrer ali, como se fosse água. Logo o reflexo de Stiles surgiu entre os dois brilhos vermelhos, mas o seu reflexo também tinha brilhos vermelhos no lugar dos olhos. O conde viu o próprio reflexo apontar para si com seriedade no rosto.
— agora somos só nós dois – ditou o reflexo, com uma voz gutural antes de desaparecer, sendo puxado para o fundo da escuridão como uma marionete que é puxada pelo marionetista ao término do show, deixando a dor retornar ao humano.
Stiles voltou a sentir aquela dor extrema novamente e voltou a cobrir os olhos, dessa vez com ambas as mãos. O castanho voltou a urrar de dor, ao mesmo tempo em que se contorcia, ainda no ar, vagando no escuro. O humano levou as mãos aos cabelos, desejando intensamente que aquela dor fosse embora. Aquilo era demais para si. O seu corpo queimava de dentro para fora, como se houvesse algo que o incendiasse por dentro.
E foi então que ela surgiu. Uma pequena estrela vermelha, pairou sobre si, amenizando a sua dor e a ardência em seu corpo. O Stilinski suspirou aliviado, encarando aquela luz vermelha iluminar a si enquanto amenizava a sua dor. Ela era tão brilhante, tão bonita, tão perfeita. Aquilo o fazia querer aquela estrela vermelha para si. Ela amenizava a sua dor. O seu desejo era de a pegar na mão e nunca mais a deixar ir. A estrela aumentou de tamanho, como se estivesse se aproximando e Stiles sorriu feliz, erguendo as mãos na direção do brilho vermelho. O brilho foi ficando mais, e mais forte, a medida em que a estrela ficava maior, e maior. Mas Stiles não a temia. Ela lhe retirava toda aquela dor insuportável. O rapaz sentia que não deveria a temer. Mas então ela foi se aproximando mais, e rapidamente. A estrela não parava nunca. Estava sempre ficando mais perto, mais perto e mais, e mais perto. Até que o seu brilho cegou o humano o forçando a fechar os olhos.
Stiles se sentiu confuso e perdido novamente. Ele não sabia onde estava, agora. O humano de cabelos castanhos apenas sabia que estava deitado sobre um gramado, pois as folhas de grama pinicavam a sua nuca e seus braços. Ele gemeu desgostoso quando sentiu uma forte dor lhe tomar o corpo, principalmente na face, onde sua bochecha latejava. O rapaz de pele clara abriu os olhos lentamente, sentindo os mesmos arderem com a claridade intensa que os afligia. O humano levou uma mão ao rosto, cobrindo a origem de toda aquela claridade em relação aos seus olhos.
— onde eu estou, agora? – se perguntou em um sussurro e logo ele viu a imagem de um homem de cabelos negros, barba por fazer e olhos verdes surgir próxima a si, lhe assustando de certa forma.
— você está na clareira do território Hale, lembra? – indagou Derek, vendo o castanho estreitar os olhos, pensativo.
— lembro – respondeu Stiles, suspirando cansado.
O humano gemeu dolorido antes de levar a mão esquerda ao rosto, tateando o mesmo com cuidado, antes de parar ao sentir os dedos se molharem em algo. Assim que trouxe os dedos para o seu campo de visão, Stiles se viu surpreso ao ver os mesmos molhados de sangue. Ele se viu em choque, sem palavras, permanecendo apenas a encarar os próprios dedos sujos de sangue. Ele já não entendia. Ele jurava ter desviado das garras de Braeden em seu ultimo golpe. Ele viu muito bem a loba erguer as garras para si e por isso ele diminuiu a força do próprio golpe para que pudesse desviar das garras da Onew.
— estranho. Eu pensei que tinha desviado do ataque dela – murmurou o humano, pensativo. Derek sorriu minimamente, antes de ajudar o rapaz a se sentar.
— e desviou. Você ganhou, Stiles. O que lhe causou esse corte fora a sua bengala – falou Derek, ainda abaixado ao lado do rapaz, vendo o mesmo lhe fitar confuso.
— minha bengala? – perguntou Stiles, perdido, antes de finalmente sentir falta do objeto.
— é. Você... Meio que ficou estranho, rosnando e urrando de dor... – Derek tentou explicar, mas parou assim que viu a expressão confusa do humano.
— quando você golpeou Braeden, o seu outro eu tentou tomar conta do seu corpo – disse Issac e aquilo pareceu ser o suficiente para Stiles lhe entender.
— compreendo. Então a bengala reagiu a ele... Eu só não entendo como isso me feriu – disse o humano vendo Talia se aproximar com o objeto em mãos.
— isso eu lhe explico – ditou Allan se aproximando logo após a alfa.
— para selar o seu outro eu, a sua bengala teve que se posicionar acima de você. Quando você voltou a ser o eu dominante, ela parou de reagir ao seu outro eu, e então ela despencou, acertando o seu rosto com a pedra vermelha, lhe dando esse machucado – explicou o Druida vendo a alfa entregar a bengala ao humano, que agarrou o objeto, o encarando com seriedade, antes de fechar os olhos e tentar se levantar.
O rapaz gemeu de dor, novamente, antes de se jogar deitado no chão, arfando com dificuldade, enquanto sentia uma incrível dor no peito. Stiles arfava, sem conseguir respirar direito, ao mesmo tempo em que aquela dor apertava todo o seu peito. O castanho levou a mão o peito, enquanto que a outra se apertava ao redor da bengala.
Os lobos que se encontravam próximos se assustaram com o humano, que soltava sons esganiçados ao mesmo tempo em que tentava puxar o ar para os pulmões. Os ômegas se aproximaram e Scott e Isaac, assim como Talia, Alexander e John, tentaram sugar a dor do castanho para tentar descobrir o que se passava com ele, descobrir o que havia de errado.
Mas, no mesmo instante em que as veias negras surgiram em suas peles, eles olharam confusos uns para os outros, antes de retirarem as mãos do corpo do rapaz. John ergueu uma mão aos outros lobos, chamando a atenção dos mesmos, para em seguida apenas ele tentar sugar a dor do humano.
— o que ele têm? – perguntou Heather, preocupada, vendo o humano se debater antes de largar a bengala e passar a arranhar o próprio peito.
— eu não sei. Ele não está sentindo dor nenhuma – disse John vendo o castanho continuar a se debater.
— façam ele parar – ordenou o Deaton, calmamente, atrás de Talia, vendo todos lhe fitarem apreensivos.
— o que a gente faz? – inquiriu Laura vendo o druida se aproximar e tocar com o cajado no peito do castanho.
— ele está perdido. Ele não se lembra como respira e também não sabe como se acalmar, já que ele não tem ar para ficar perdendo tempo – respondeu o homem vendo o castanho levar as mãos ao rosto, passando a puxar o mesmo, em agonia.
— e o que a gente faz? – perguntou Theo observando o homem dar de ombros.
— ele está nervoso e sem conseguir respirar. Tentem o acalmar – respondeu Allan vendo o castanho aos seus pés acabar agravando o ferimento em seu rosto ao puxar o mesmo, aumentando o corte e fazendo mais sangue surgir do seu rosto.
No mesmo instante as mãos de Derek alcançaram as do castanho, as retirando do rosto do mesmo, impedindo que Stiles aumentasse o corte em seu rosto em meio a sua agonia. O Hale encarou o humano, pensativo, enquanto o mesmo chorava mudo, ao mesmo tempo em que ainda esganiçava ao tentar puxar o ar para os pulmões. Ele respirou fundo, antes de levar os braços de Stiles ao chão, os estirando, acabando por se aproximar do rapaz no ato.
— segurem os braços dele – ordenou o moreno de olhos verdes, vendo a mãe e o pai segurarem um dos braços do rapaz, enquanto Scott e Aiden seguravam o outro.
— o que vai fazer? – perguntou Theo vendo o amigo respirar fundo, antes inclinar o corpo, se debruçando sobre o castanho de olhos claros. Stiles balançava o rosto de um lado para o outro, enquanto se debatia tentando se livrar daquela agonia causada por aquele aperto em seu peito.
— olha para mim – pediu Derek vendo o castanho permanecer a se debater.
— olha para mim! – ordenou com seriedade levando as mãos ao rosto do humano, fazendo o mesmo parar de balançar a cabeça de um lado para o outro, o forçando a lhe encarar.
— você é melhor do que isso. Então para, se acalma e respira – ditou Derek, vendo o humano permanecer a produzir os sons esganiçados, mas parando de se debater.
— está funcionando – murmurou Laura vendo o humano parar de se debater.
Mas não durou muito, o castanho passou a tomar uma coloração vermelha, enquanto negava com a cabeça olhando fundo nos olhos de Derek, que entendeu aquilo como um “Eu não consigo”. Derek suspirou nervoso. Ele não sabia bem o que fazer. Ele só estava tentando fazer o humano parar a qualquer custo.
— vamos lá. Você não provou para todo mundo do que é capaz para poder morrer tendo um troço logo depois – argumentou o moreno de olhos verdes encarando o castanho engolir em seco, ainda tentando trazer o ar para si.
— nã-ão d-dá – sibilou o castanho, com dificuldade, antes de fechar os olhos, fazendo mais lágrimas rolarem por seu rosto.
— dá, sim. Você é melhor do que isso – ditou Derek ainda segurando o rosto do castanho.
— se tivesse um jeito de fazer ele parar de tentar respirar, para ele voltar a respirar normalmente – murmurou Liam, pensativo.
Com o nervosismo, a mente de Derek trabalhou rapidamente procurando algo relacionado a fala do loiro baixinho. Ele realmente via sentido nas palavras do loirinho. Talvez funcionasse. E foi pensando nisso que Derek começou a puxar em sua mente algum momento em que ele parou de respirar, antes de voltar a o fazer, normalmente. O Hale mordeu o lábio inferior, encarando as mãos ao lado do rosto do conde Stilinski.
— escuta. Se isso não der certo, eu não sei mais o que fazer. Então você tem que parar, me entendeu? – disse Derek vendo o humano lhe encarar, desesperado.
O Hale não esperou por alguma resposta do rapaz deitado no gramado. Afinal, Stiles mal conseguia respirar, quem dirá lhe responder algo. Ele apenas fez um pouco de força nas mãos, mantendo o rosto do noivo parado, antes de, com certa velocidade, levar o rosto ao do castanho, surpreendendo a todos ao beijar o castanho de olhos claros. Foi impossível para os Hales não sorrirem orgulhosos do moreno em tomar a iniciativa, ainda mais pelo ato feito, no entanto, a preocupação com o castanho impossibilitava que o sorriso se estendesse por mais do que alguns poucos segundos. Derek pôde sentir Stiles travar, parando tudo o que fazia, lhe encarando surpreso. O castanho passou a respirar calmamente, enquanto encarava os olhos verdes tão próximos dos seus. Assim que o conde passou a respirar normalmente, Derek se afastou aliviado por ver que o humano conseguia respirar normalmente. Stiles, aos poucos, foi recobrando a cor normal, enquanto respirava cada vez mais fundo, também aliviado por sair daquela situação.
— você aprende rápido – soltou o humano, arfante, sentindo os seus braços serem soltos.
— não foi difícil aprender depois que você fez comigo – falou Derek encarando o humano negar com a cabeça, enquanto tentava aos poucos se levantar.
— você nos deu um susto e tanto, rapaz – soltou John vendo o conde sorrir simples e voltar a agarrar o objeto que continha uma pedra vermelha com a mão direita.
— me desculpem por isso. Eu... Não sei o que deu em mim – se desculpou o conde levando a mão ao próprio rosto, sentindo o próprio sangue banhando a sua face.
— temos que cuidar dos seus ferimentos – disse Claudia ao constatar que o sangue do rapaz não parava de sair do corpo do mesmo.
— é bom – murmurou o castanho se levantando. Mas, assim que se colocou de pé, o rapaz de sobretudo vermelho cambaleou para a frente, quase caindo no chão, mas Lance e John conseguiram amparar o rapaz
— você perdeu muito sangue. Está fraco – ditou o druída vendo o castanho menear positivamente.
— não é só isso. Algo está errado comigo – comentou o humano vendo os lobos lhe fitarem confusos.
— e o que seria? – perguntou Alexander vendo o Stilinski negar com a cabeça.
— eu não sei – murmurou pensativo encarando o chão.
— venham. Primeiro temos que cuidar de você. Depois pensamos no resto – falou Cláudia vendo o rapaz menear positivamente, antes de tentar caminhar, com a ajuda dos dois lobos, mas falhou miseravelmente quando os próprios pés começaram a falhar.
— merda... – murmurou Stiles, antes de morder o lábio inferior, tentando mover o pé novamente.
— deixa comigo – disse Derek apertando o ombro de Lance, começando a trocar de lugar com o mesmo, que, lentamente colocava o braço do conde sobre os ombros do amigo.
— Erica, eu preciso que você me carre... – o humano foi cortado quando Derek se abaixou, passando o braço direito por trás das pernas do humano, o erguendo nos braços logo em seguida.
— eu levo você – ditou Derek, um tanto corado com os olhares do bando para eles. E a sua coloração avermelhada apenas aumentou quando o humano abraçou o seu pescoço com os braços na tentativa de se segurar.
— sou só eu, ou mais alguém está achando isso meio repentino? – perguntou Laura, observando o irmão mais novo se afastar enquanto carregava o humano nos braços.
— isso se chama medo, Laura. Quando o medo bate, a gente engole qualquer sapo – explicou Benjamin, parando ao lado da loba, antes de começar a caminhar na direção do vilarejo.
— você pode evitar uma cicatriz usando algumas ervas que podem ser colhidas em nosso território – explicou o druida, finalizando o curativo no rosto do conde, vendo o mesmo menear positivamente.
— e como eu devo usar elas? – perguntou o humano vendo o homem de bengala de madeira, que mais se parecia com um cajado, se levantar, tomando o objeto de madeira em mãos.
— você deve lavar elas e as colocar, ainda molhadas, entre o curativo e a pele. Mas só deve usar isso quando o ferimento se fechar por completo – respondeu Allan, vendo Stiles menear positivamente.
— tudo bem. Entendi. Obrigado – disse o humano vendo o Deaton menear positivamente antes de se retirar do local.
Stiles ficou sozinho no quarto, com os ômegas, por um tempo, antes de o mesmo ser invadido por Cora e Malia, que se aproximaram do grupo de ômegas, antes de sibilarem algo para Heather e puxarem a mesma pelas mãos, saindo do local logo em seguida. Stiles sorriu com o jeito acolhedor das duas garotas para com ele e seu bando.
— seria mais fácil se todos fossem assim, não é? – argumentou Lydia se aproximando e se sentando na cama, ao lado do corpo do humano que se encontrava sentado na cama, com as costas apoiadas na cabeceira.
— é. Seria, sim. Mas não podemos exigir muito. Se eles estiverem cumprindo com a parte deles do acordo, já está bom. Do resto nós cuidamos depois – disse o humano vendo a banshee e os outros ômegas menearem positivamente.
Batidas foram ouvidas na porta e todos olharam para a mesma, vendo um Derek, ainda com os brincos dourados, um tanto envergonhado, adentrar o quarto em um passo. O Hale coçou a garganta, envergonhado com toda a atenção que recebia daquele bando.
— com licença. Me desculpe atrapalhar vocês, mas tem uma visita para você – disse o moreno de olhos verdes encarando o noivo fazer um pouco de esforço para se levantar, nada demais, já que fazia um bom tempo que o seu corpo parara de doer e voltara a lhe obedecer. Mas quando ouviram o rapaz gemer baixinho, todos avançaram para ajudar, mas o mesmo já se encontrava de pé.
— vocês querem parar com isso? Não é como se eu estivesse debilitado – questionou o humano, vestindo apenas o sobretudo e fechando três botões do mesmo diante do seu torso.
— você sabe que não conseguimos controlar – ditou Isaac se aproximando do Stilinski assim que o mesmo se dirigiu para a porta do quarto, onde Derek passou a o guiar até o andar de baixo.
— vocês sabem como eu odeio que me achem frágil – comentou o castanho, descendo as escadas enquanto encarava os ômegas por sobre os ombros.
— não te achamos frágil. Nós apenas não queremos ver você com qualquer tipo de dor – explicou Scott ao mesmo tempo em que eles finalizavam as escadas.
Os ômegas pararam ao ver um homem alto, musculoso e com ausência de cabelos observando Stiles com um sorriso ladino e um brilho nos olhos que causou uma expressão de tédio e irritação em todos eles, enquanto Derek olhava, confuso, o homem avançar em seu noivo e o apertar nos braços.
— Ennis, Ennis, Ennis... controla a força – o castanho gemeu baixinho enquanto era apertado pelos braços do mais alto.
— sabe o quanto eu fiquei preocupado quando me disseram que a sua casa havia sido incendiada? – perguntou o homem largando o castanho antes de tentar roubar os lábios dele nos seus, mas Stiles se abaixou, saindo dos braços do lobo e se afastando do mesmo.
— o que faz aqui? Pensei que o Matt estivesse do outro lado do país – indagou o castanho observando o homem tomar uma expressão tristonha.
— e estava – respondeu Ennis, baixinho, olhando para o carpete azul escuro da mansão Hale.
— o quê? Por que está assim? – inquiriu Stiles, sério, vendo o lobo morder o lábio inferior e ficar de frente para si.
— eu estou aqui porque eu achei que fosse isso o que devesse fazer – ditou Ennis com um tom de voz fraco.
— Ennis, o que foi? Aconteceu alguma coisa? – perguntou Stiles, vendo o homem se aproximar de si e lhe segurar pelos os ombros.
— você não está seguro, Stiles. Tem homens atrás de você. Homens fortes – alertou o homem chamando a atenção de todos para si.
— eu sei que tem gente atrás de mim, Ennis. Isso ocorre já há muito tempo – disse o castanho dando a volta no lobo e se aproximando dos ômegas.
— eles mataram o Matt – soltou Ennis, de costas para o humano, perdendo o momento em que o mesmo parou imediatamente, arregalando os olhos.
— eu acho que eu não ouvi direito – falou o conde, se virando para Ennis e vendo o homem também se virar. Derek olhou confuso para o humano e para o homem, antes de olhar para os ômegas, vendo os mesmos tão em choque quanto o alfa.
— o Matt foi morto já tem um tempo. Desde então eu venho atravessando o país para procurar por você antes que eles lhe encontrassem — disse o lobo vendo o conde negar com a cabeça, descrente.
— eu não acredito. Matt tinha kanimas no bando dele. São mais eficientes do que betas, devido ao veneno, ainda mais Kanimas treinados como os dele. Vocês eram tão bons quanto os meus ômegas – ditou o humano vendo o homem, tristonho, cerrar o punho.
— eles são algum tipo de grupo religioso, Stiles. Eles querem todos vocês. Pelo o que eu ouvi, eles pegaram todos. Só falta você. Você é o último – disse Ennis vendo o humano negar com a cabeça várias vezes, antes de começar a andar de um lado para o outro.
— mas isso é impossível! Eles não podem nos matar separadamente. Não faz o menor sentido. Se eles são um grupo religioso, eles têm que nos matar ao mesmo tempo – disse o castanho ainda caminhando de um lado para o outro.
— Stiles, você tem que fugir – falou Ennis, voltando a se aproximar, mas Stiles ergueu a mão para si, o parando.
— eu preciso respirar – ditou o humano caminhando para a porta da mansão.
— Stiles, você tem que fugir agora. É só uma questão de tempo para eles chegarem até você – argumentou o beta agarrando o braço do castanho.
Stiles apenas agarrou o pulso do lobo e girou o mesmo para o lado de fora, fazendo Ennis acompanhar o movimento com o braço, inclinando um pouco o torso para o lado. O castanho bateu com a pedra vermelha no peito do lobo, fazendo o mesmo gemer seco antes de cair de costas no chão.
— eu disse que eu preciso respirar – rosnou Stiles, entre dentes antes de abrir a porta da mansão com força desnecessária.
O conde passou o resto do dia ali, sentado na porta da mansão. Ele não se alimentou, não tomou banho, não trocou o curativo. Se quer se moveu. O humano de olhos castanhos claros passou horas sentado na escada da mansão Hale, cabisbaixo, apenas deixando lágrimas mudas rolarem por seus olhos, enquanto refletia sobre tudo o que Ennis lhe dissera naquela manhã. Quando alguém se aproximava para falar consigo, o rapaz apenas o mandava embora, com um aceno de mão ou, para os insistentes, um tom de voz ameaçador.
Pela noite, Derek não suportou ver o conde daquela maneira o dia inteiro. Ele se sentia culpado, de certa forma. Muita coisa andava acontecendo para o humano naquele período em que o mesmo se instalara em sua casa e ele se sentia culpado pela maioria delas.
Se ele tivesse aceitado mais cedo aquele casamento, talvez Stiles não tivesse surtado daquelas duas maneiras na campina, talvez o conde não tivesse sido desrespeitado por seu bando, talvez até mesmo Ennis não tivesse aparecido para dar aquela notícia ruim ao humano. E foi por isso que Derek se aproximou, trazendo algo para o humano dos olhos claros comer. Stiles precisava se alimentar. Ele havia sangrado muito e comido muito pouco, pois só tomara café da manhã naquele dia. Derek tentou melhorar o ânimo do castanho, conversando com o mesmo, mas nada pareceu surtir efeito.
— você nem tomou banho ou trocou o curativo – Derek voltou a argumentar, tentando arrancar alguma reação do humano que não fosse um olhar depressivo para o chão.
— eu não tenho mais motivos para isso, Derek. Eu não vejo motivo para fazer nada disso – falou o conde Stilinski ainda com a voz fraca devido aos urros que dera naquela tarde e a garganta seca.
— deixe disso. Você é forte demais para ficar assim, Stiles – o moreno de olhos verdes ditou com suavidade, ouvindo o humano sorrir debochado.
— do que me adiantou a força, Derek. Eu perdi. Estou sozinho de novo – murmurou o adolescente de olhos castanhos claros.
— não é bem assim, Stiles – murmurou Derek encarando o castanho finalmente erguer o olhar e encarar o céu escuro.
— tem razão – disse o castanho e Derek se aliviou por ter conseguido alguma avanço.
— estou mais sozinho do que antes – falou o Stilinski fazendo o moreno de olhos verdes suspirar, sem saber o que fazer.
Derek se sentiu um pouco mais para baixo quando ouviu as palavras do conde. Ele se lembrava de Stiles ter dito ter passado por uma infância complicada, onde metade dela ele havia passado como órfão abusado por adultos gananciosos. Aquilo lhe apertou o peito. Para um adolescente, Stiles parecia ter passado por mais situações difíceis do que ele, que já era um adulto.
— eu perdi todos eles – murmurou Stiles, voltando a encarar o chão com tristeza no olhar.
— você tem a mim... você tem ao seu bando, você tem ao bando dos meus pais. Você não está só, Stiles – ditou o lobo de olhos verdes, vendo o castanho olhar para o céu estrelado, com seriedade, antes de esboçar um sorriso mínimo.
— não é a mesma coisa, mas já é alguma coisa – murmurou o castanho, batendo com o ombro no braço do maior, antes de voltar a se afastar.
— eu... posso abraçar você? – pediu o moreno de olhos verdes vendo o castanho olhar para si pelo canto dos olhos, para em seguida de dar de ombros.
— por mim, tudo bem – respondeu o castanho vendo o moreno de olhos verdes se aproximar, um tanto sem jeito, antes de, timidamente, passar o braço por sobre os seus ombros.
Stiles sorriu minimamente, por um segundo, negando com a cabeça, antes de se aproximar mais do mais velho, deitando a cabeça no peito do mesmo, enquanto Derek passava a acariciar o ombro do rapaz com a mão, suavemente. O moreno de olhos verdes corou quando Stiles passou o braço direito por trás do seu torso, ao mesmo tempo em que escondia o rosto em seu peito, passando a respirar contra a sua camisa.
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