The Engagement
7 Brincos
Derek parou ao lado do castanho do lado de fora da mansão Hale, encarando a escadaria da mansão e um pouco do território do bando, vendo algumas pessoas encararem os dois ao longe. Elas pararam o que faziam para ver o casal de noivos que saia da mansão junto pela primeira vez. O moreno de olhos verdes se viu nervoso. Ele podia sentir o Conde lhe encarando, a espera de alguma manifestação sua, mas o Hale se encontrava travado de nervosismo. Derek sentia a sua garganta se fechar, impedindo a deglutição de sua saliva. Ele lambeu os lábios, nervoso, antes de olhar na direção do grande jardim do bando Hale. E então Derek se lembrou das palavras de seu pai.
“Dê uma chance...”
Se o seu pai disse que ele devia dar uma chance para a situação, então ele daria essa chance. Ele só não prometia insistir nela. O moreno de olhos verdes voltou o olhar para os próprios pés, tomando coragem para seguir em frente com aquilo. Ele coçou a garganta, tentando encontrar a voz, que pareceu se esconder naquele momento. Quando ergueu o olhar, notou alguns olhares curiosos os fitando confusos. Foi então que Derek notou que estavam quietos havia tempo demais. Ele olhou para o conde que usava uma camisa branca e uma calça negra, com suspensório vermelhos escuros, vendo o mesmo olhar o horizonte curioso, antes de desviar o olhar para si.
— eu... gostaria de lhe apresentar o território – falou o moreno de olhos verdes encarando o Conde sorrir minimamente, antes de apontar para a escada com a bengala.
— eu adoraria que você assim o fizesse – ditou o castanho vendo o moreno sorrir constrangido, antes de apontar para frente com a mão e começar a caminhar lentamente, sendo acompanhado pelo Conde ao seu lado.
Quando finalizaram a descida da escada, Derek apontou para a direita com a mão, para que seguissem por aquele caminho. Eles passaram a caminhar em silêncio pelas ruas do território Hale, sempre cumprimentando alguém que os cumprimentava e agradecendo sempre que alguém os parabenizava. Eles sorriam gentis e acenavam para aqueles que acenavam para eles. Derek não sabia se agradecia ou amaldiçoava aquele silêncio mortal que parecia sempre predominar entre eles. Ele sabia que aquele silêncio se devia a sua condição de peixe pequeno naquele acordo. Ele não era um alfa, e o seu bando era o favorecido daquela união, logo Derek sabia que não podia exigir nada. E essa situação lhe deixava nervoso. Ele tinha receio de acabar exibindo a sua insatisfação com aquele noivado e/ou findar ofendendo o Conde de alguma forma. Mas ele sabia que devia fazer como o seu pai havia lhe aconselhado.
“Tente ser mais ativo. Converse com ele...”
As palavras de seu velho ecoaram por sua mente. Ele coçou a garganta, nervoso, antes de tentar se pronunciar. Mas, novamente, o silêncio predominou. Derek tinha, em mente, um questionamento que surgiu no exato momento em que ele iria ser mais ativo e puxar conversa com Stiles: o que falar?
Ele simplesmente não sabia o que falar. O que ele tinha para falar com um Conde que nunca havia visto na vida e com o qual teria de conviver por um tempo? Ele não sabia o que falar. Do que será que Stiles gostava? O que ele fazia nos tempos livres do trabalho? Com o que trabalhava?
Nada.
O moreno de olhos verdes simplesmente não sabia nada sobre o castanho de olhos claros ao seu lado. Ele sabia a idade do Stilinski, sabia que o outro era um Conde, que o rapaz era órfão e que rosas o agradavam. Isso não o ajudava em nada a puxar um assunto. Como ser mais ativo se Derek não conseguia nada para sair daquela situação estranha?
— Derek! – os dois ouviram um chamado próximo e se viraram a tempo de verem um loiro se aproximar correndo. Derek sorriu minimamente ao reconhecer o amigo.
— ah, Garret! Como vai? – questionou o moreno de olhos verdes vendo o loiro se aproximar.
— eu vou bem, e você? Acabei de saber que está noivo. Quem é o carinha dos suspensórios? É algum parente de sua noiva? – questionou o loiro vendo o castanho apoiar as duas mãos na bengala elegante que tinha uma pedra vermelha no topo. Derek encarou o loiro confuso, mas logo um estalo veio em sua mente.
— quando chegou de viagem? – questionou o moreno de olhos verdes vendo o amigo sorrir.
— acabei de chegar. Eu e Mason chegamos agora a pouco, ele acabou de ir para casa e eu estava indo para a minha – respondeu o loiro encarando o amigo menear surpreso.
— entendi. Mais tarde eu passo lá para falar com ele – falou o Hale vendo o amigo loiro voltar a encarar o castanho ao seu lado.
— me deixe adivinhar... Suspensórios, baixinho e risonho. Ele deve ser o irmão caçula chato de sua noiva. Sabe aquele cunhado mais novo que vive aparecendo para quebrar aquele clima romântico? Então, esse homem é ele – falou Garret risonho, vendo o castanho erguer uma sobrancelha para si, antes de olhar para trás por cima dos ombros, lamber os lábios e voltar a lhe encarar.
— eu creio que você esteja falando de si mesmo. Já que vejo apenas você com estes hábitos, aqui – disse o castanho encarando o loiro com um sorriso ladino e um olhar desafiador.
— oh tampinha, você já viu o meu tamanho e o teu? – questionou o loiro encarando o Stilinski com seriedade, o qual tomou um olhar rigoroso.
No mesmo instante Derek deu um passo a frente, afastando Garret minimamente. Por mais que ele quisesse ver até onde aquilo poderia dar, imaginando a possibilidade de o castanho demonstrar como deixara os seus pais tão preocupados, o moreno de olhos verdes sabia que, como um membro do bando Hale e pretendente do Conde, ele deveria intervir pelo bem da aliança. Isso sem contar que ninguém de seu bando deveria afrontar o seu noivo. E principalmente, ele não deveria ficar parado vendo alguém confrontar o seu noivo.
— Garret, por favor, mais respeito. Olha como fala com o meu noivo – repreendeu Derek com seriedade, vendo o loiro lhe fitar surpreso. Só então o rapaz de cabelos dourados olhou para o braço esquerdo do Hale, vendo a braçadeira alí exposta, indicando o compromisso do lobo por aquele noivado e o tipo de relacionamento.
— v-você vai se casar com um homem? – questionou o loiro surpreso desviando o olhar do moreno para o castanho e do castanho para o moreno.
— eu quero lhe apresentar o alfa do bando Stilinski, o Conde Stiles Stilinski – falou o moreno de olhos verdes apontando para o castanho ao seu lado.
— um alfa?! Mas ele é humano – questionou o loiro, confuso. Derek simplesmente não sabia como responder a pergunta do companheiro de bando.
— é uma história um pouco longa – respondeu Stiles vendo o loiro lhe fitar surpreso.
— mas ele não tem nenhum símbolo de compromisso – argumentou o loiro vendo o castanho lhe fitar confuso.
— deve fazer parte das tradições do bando dele, Garret. Bem, se nos der licença, eu estava levando o Stiles para conhecer o território – ditou Derek vendo o loiro, um tanto encabulado dar de ombros.
— claro, claro. Eu... peço desculpas por minhas palavras para com o seu noivo – disse o loiro ao moreno, reverenciando o mesmo, antes de encarar o castanho de soslaio. Derek encarou o castanho, vendo o mesmo negar com a cabeça.
— está tudo bem. Você não é o primeiro nem o último que não me leva a sério a primeira vista – disse o castanho erguendo a bengala e a colocando atrás das costas, junto das mãos, em uma pose séria.
— bom... Até mais ver – falou o moreno apontando para o caminho feito de pedras e logo eles voltaram a caminhar.
E lá estava o silêncio novamente. Derek já estava ficando irritado com todo aquele silêncio. Ele sabia que, provavelmente, o castanho estava em silêncio por sua causa. Stiles vinha sendo muito compreensivo consigo, já que, obviamente, o seu nervosismo e incômodo com o noivado deveria ser evidente devido ao seu comportamento. Durante o silêncio anterior, Derek vinha remoendo as palavras de seu pai em sua mente e ele notou que realmente não estava fazendo nada para que aquela aliança desse certo. O moreno de olhos verdes encarou o outro pelo canto dos olhos, vendo o rapaz mais baixo olhar um tanto admirado para o ambiente.
“Será que no território dele não é assim?”
Se perguntou o Hale, vendo o Stilinski passear com os olhos pelo ambiente. E, como num estalo, a mente de Derek passou a trabalhar. Ali estava um bom jeito de começar um diálogo com o Conde. Como ele estava visitando o seu bando pela primeira vez e, obviamente, não possuíam os mesmos costumes, Derek poderia questionar sobre os costumes do bando do castanho, não poderia? É, ele pensava, com toda certeza, que sim.
— no... Huhum, digo, é muito diferente do seu território? – questionou o moreno de olhos verdes vendo o Conde lhe fitar atentamente, antes de sorrir e voltar o olhar para o ambiente, enquanto caminhavam.
— sim, sim. O meu bando não é muito populoso, não que eu esteja reclamando. Não me vejo no comando de um pack volumoso. Então não temos muitas construções, nem muitos trabalhadores – respondeu o castanho e os dois acenaram com um erguer de mãos para alguns homens que pararam de carregar uma enorme tora de madeira para os cumprimentar.
— por que não se vê no comando de um pack volumoso? – questionou Derek vendo o castanho sorrir contido.
— eu sou um humano, Derek. Tudo bem que sou um humano que atraí seres não humanos, mas ainda sou um humano. Não sei se conseguiria controlar um pack grande assim – respondeu o castanho vendo o moreno lhe fitar surpreso e questionador.
— mas você consegue comandar um bando de ômegas. Comandar um bando de betas comuns deve ser fácil para você – argumentou o Hale, vendo o Stilinski sorrir nasalado.
— eu comando um bando de ômegas porque eles me escolheram. Não creio que aconteça o mesmo com vocês betas – disse o castanho vendo o moreno de olhos verdes menear positivamente.
— acho que entendi – soltou o moreno, num murmúrio, enquanto encarava o caminho que seguiam.
— bom, acho que lá para frente tiraremos a prova disso – ditou o castanho antes de sorrir docemente.
Derek tentou não se incomodar com a menção do futuro de ambos, quando uma trupe de crianças, que brincavam de pega-pega passou ao seu lado. As crianças corriam, gritavam e sorriam. Elas fizeram a volta no casal duas vezes, antes de o garotinho que era o pega alcançar um outro garoto, gritando para todos que conseguiu pegar alguém. Todos pararam, sorrindo para o amigo, mas logo os sorrisos divertidos se tornaram um tanto envergonhados por ouvirem o gargalhar de alguém. Derek fitou um pouco surpreso o castanho ao seu lado finalizar o gargalhar.
— quem é você? – questionou um garoto ao não reconhecer o cheiro do desconhecido.
— ah, eu sou um visitante – respondeu Stiles vendo o garoto estreitar o olhar antes de tapar os ouvidos pelo grito agudo de uma das garotas com quem brincava.
— DEREK! VOCÊ SE CASOU?! – gritou a garotinha apontando para a braçadeira no braço do lobo mais velho. Stiles encarou aquilo, um tanto confuso, enquanto Derek corava minimamente.
— ainda não, Mindy. Eu estou noivo. – respondeu o moreno vendo as garotinhas começarem a saltitar no mesmo lugar, animadas, e os garotos o fitarem surpresos.
— você vai se casar? – inquiriu o garoto, surpreso.
— eu vou, sim – respondeu Hale vendo as garotas se aproximarem com olhinhos brilhantes.
— qual é o nome dela? – questionou uma moreninha.
— ela é bonita? – indagou uma castanha com as mãos juntas diante do queixo.
— ela é uma princesa? Você ama ela? – perguntou uma loira com os olhinhos curiosos e sonhadores.
— ah... – Derek coçou a cabeça, encabulado, enquanto via todas aquelas crianças lhe fitarem curiosas.
Deus! Derek não sabia o que fazer. Ele não sabia se respondia as perguntas com sinceridade ou se deveria se esquivar das perguntas dos pequenos curiosos a sua frente. Ele temia responder sinceramente, pois poderia acabar por ofender o seu pretendente, mas se ele se esquivasse temia ser desmascarado pelos pequenos curiosos a sua frente. Derek se encontrava tão dividido que nem percebeu que acabou ficando pensativo em silêncio por tempo demais. Stiles sorriu divertido, minimamente antes de se abaixar na altura das crianças.
— não, ele não ama ela. O casamento deles foi arranjado – respondeu chamando a atenção para si, surpreendendo o moreno ao seu lado e causando um bico nos lábios pequenos a sua frente.
— ela não é uma princesa, mas é uma condessa – respondeu vendo a garota tomar uma expressão tristonha antes de lhe fitar animada.
— mas casados não se beijam e fazem essas coisas de papai e mamãe? Então você vai ter que beijar uma garota? – questionou m dos garotos estreitando o olhar para o moreno de olhos verdes, que meneou positivamente, corando com a possibilidade de ter que beijar o outro futuramente.
— é, vou fazer, sim – respondeu o Hale desviando o olhar para o castanho, perdendo o momento exato em que os garotos faziam caretas.
— eca! Isso é nojento! – exclamou um dos garotos vendo as garotas lhe fitarem furiosas.
— não é, não. É romântico. Você vai casar também um dia – argumentou a garota vendo o garoto fazer careta novamente.
— quando vocês crescerem vão querer fazer tudo isso – falou Stiles se levantando e encarando as crianças lhe fitarem curiosas
— qual é o seu nome, visitante? – questionou um dos garotos impressionado com a enorme pedra preciosa no topo da bengala do castanho.
— eu me... – Stiles iria se apresentar formalmente, mas fora cortado pelo Hale, que se aproximou e tocou o seu ombro um tanto receoso, surpreendendo o conde.
— este é o conde Stiles Stilinski. Ele que é o meu noivo – Derek apresentou o castanho devidamente para as crianças, vendo as mesmas os fitarem surpresos.
— e a garota? – questionou um dos garotos perdidos.
— não existe garota, Charles. Ele falou aquilo pensando que falar a verdade poderia confundir a cabeça de vocês. Mas vocês sabem que nossos lobos não escolhem pelo corpo, certo? – questionou vendo as crianças menearem compreensivas.
— ah, então o casamento assim deve ser mais legal. Vocês não tem que beijar garota nenhuma. – alfinetou Charles já começando a correr, sendo acompanhado por outros garotos na corrida e nos risos.
— EU VOU BATER EM VOCÊ! – gritou Mindy e logo as garotas começaram a correr atrás dos meninos.
— eu não esperava encontrar tantas crianças em um bando – confessou o castanho vendo os pequenos sumirem de sua vista.
— já deve estar perto do almoço. Eles voltam da escola por esse horário – disse o moreno de olhos verdes encarando o castanho sorrir para o caminho seguido pelos pequenos.
— deve ser bom ver essa inocência todos os dias – ditou o rapaz vendo o homem sorrir minimamente, olhando as crianças de longe com os seus olhos aguçados de lobo.
— gosta de crianças? – questionou o lobo vendo o humano menear positivamente.
— a única coisa que gosto mais do que crianças são flores – respondeu o conde vendo o Hale sorrir minimamente em sua direção.
— eu... Posso lhe mostrar um lugar? Tenho certeza de que você vai gostar – perguntou o moreno de olhos verdes vendo o castanho de olhos claros menear positivamente de novo.
— mas é claro! – respondeu o conde vendo o moreno de olhos verdes começar a caminhar em uma determinada direção, o guiando.
Stiles não conseguiu esconder a surpresa ao ver um enorme jardim a sua frente. Era um cercado feito de varias plantas, que protegiam uma área que consistia em um labirinto feito de várias flores, incluindo rosas. O castanho encarou o local boquiaberto, enquanto se aproximava cada vez mais. Haviam vários tipos de flores, mas as que predominavam eram as rosas vermelhas. O rapaz se aproximou da entrada e se virou para o moreno que lhe fitava com seriedade.
— eu posso? – questionou Stiles apontando para o interior do local.
— é claro – respondeu Derek vendo o castanho caminhar para o interior do jardim.
O Hale encarou o Stilinski se perder por entre os caminhos de flores, encantado, sempre parando para apreciar as cores ora vibrantes ora suaves, sempre tocando as pétalas e cheirando as mesmas.
— esse lugar é lindo – soltou o castanho encarando as rosas.
Stiles deslizou o polegar em um carinho suave na pétala vermelha, antes de se curvar para cheirar a flor que era o símbolo de sua família. O adolescente tinha um certo fascínio por aquela flor. Isso Derek conseguia ver, mas não conseguia compreender. Ele achava o símbolo do seu clã bonito, sim, e tinha orgulho do mesmo. Mas Derek não tinha o fascínio que Stiles tinha. Era quase palpável o quanto aquela flor era importante para o rapaz.
“Você me disse que sabia cortejar. Então o faça”
A voz de seu pai ecoou novamente em sua mente e Derek tratou de achar algo para falar. Ele não sabia como cortejar um homem, então ele pensou em fazer o mesmo que fazia com as mulheres . Porque nem morto que ele faria o mesmo que elas faziam para cortejar a si. Ele pensou em algo que pudesse falar e logo lembrou-se da fala que o castanho usara agora a pouco e engoliu em seco, nervoso.
— gostou? – questionou Derek vendo o adolescente menear positivamente.
— sim. É um jardim muito bonito – respondeu o conde ainda apreciando as flores e o seu aroma.
— assim como você – soltou Derek encabulado e nervoso.
O moreno de olhos verdes viu o castanho abrir os olhos, antes fechados para apreciar o aroma das rosas, surpreso, para encarar a si, que se aproximou ainda receoso da reação do conde não ser a esperada por si. O que de fato ocorreu. Stiles sorriu, soltando uma lufada de ar pelas narinas, antes de acabar gargalhando, fazendo o lobo a sua frente ser submerso em confusão e vergonha. É, Derek não havia nascido para se casar com um homem. Ele estava começando a ter certeza disso.
— me desculpe – o conde tentou dizer, enquanto se erguia e cobria o riso com uma das mãos, abafando o mesmo.
— o quê? Eu disse algo engraçado? – questionou Derek tentando, ao máximo, não parecer emburrado – eu sabia que não ia saber fazer isso – murmurou o moreno estapeando a própria testa, cobrindo o rosto envergonhado com as mãos. Derek corou mais ainda ao sentir as mãos do conde nas suas, as retirando de seu rosto.
— não, não, não. O que você disse foi... Bonito e perfeito. O seu tom de voz ficou perfeito para a sua fala. É só que... – o castanho disse soltando as mãos do lobo, que parecia incomodado com o seu toque.
O que de fato ocorria. Derek não queria ser tocado por aquele homem, mas ele sabia que deveria aceitar. Eles eram noivos, e o seu noivado era algo importante para a segurança do seu bando. O moreno de olhos verdes encarou o castanho, confuso. Ele de fato estava perdido. Se ele fez tudo certo naquele cortejo curto e fácil, então por que o conde havia rido de si? Ele estava confuso. Afinal, o problema era ele ou o rapaz a sua frente?
— se eu fiz tudo certo, então qual o motivo da risada? – questionou o Hale vendo o Stilinski respirar fundo, contendo o riso em seu interior.
— me desculpe, é que a poucos instantes você estava tão... receoso da minha presença que nem sabia como agir, aí então, do nada, você me vem com essa de me chamar de bonito. Isso meio que me pegou de surpresa – respondeu o castanho abanando a mão na frente do rosto.
— Derek, nós já nos podemos nos considerarmos noivos, certo? – questionou o castanho encarando o Hale, agora com seriedade.
— c-certo – respondeu Derek, nervoso com os rumos que aquela conversa poderia levar.
Derek temia que Stiles voltasse atrás com aquele ato de ser compreensível consigo e dar passos lentos naquele noivado e decidir apressar as coisas, novamente. Quer dizer, Derek não estava preparado, sabe? Ele não estava pronto para tocar aquele rapaz a sua frente como ele tocava Braeden, para beijar o castanho como ele beijava a loba. Ele não estava pronto psicologicamente para nada disso. O lobo sentiu o seu corpo tremer quando o castanho tocou o seu ombro com a mão e deu um passo a frente, aproximando os dois corpos. Derek corou fortemente e prendeu a respiração quando sentiu o cheiro do conde ficar forte.
Forte demais.
— então, como o seu noivo, eu quero que você seja demasiado sincero comigo – ditou Stiles vendo Derek lhe fitar receoso e menear positivamente.
— tudo bem – disse o moreno de olhos verdes vendo o castanho suspirar antes de morder o lábio inferior, causando mais nervosismo ainda em Derek.
— você está sendo obrigado a me cortejar, certo? – questionou o castanho e Derek congelou.
O moreno de olhos verdes prenderia a respiração, se a mesma já não estivesse presa, devido ao cheiro um tanto másculo do castanho que se encontrava um pouco próximo demais, na humilde opinião do moreno. Ele não sabia o que responder. Ele disse que seria sincero, mas temia que a sua sinceridade fosse um pouco sincera demais. O lobo engoliu em seco, antes de olhar para os próprios pés. Para o conde estar perguntando aquilo, só poderia estar muito na cara que ele não queria nada disso.
— está tão óbvio assim? – questionou o Hale, erguendo o braço e coçando a nuca, desconfortável.
— não. Eu apenas observei o seu comportamento desde que cheguei. Você é sério demais para ser maleável naturalmente e mudar de atitude tão rápido – disse o castanho se virando e caminhando pelo jardim, enquanto admirava a beleza das flores ao seu redor.
— m-me desculpe se isso lhe ofendeu de alguma forma — desculpou-se Derek, envergonhado pela situação.
— não se acanhe. Pare de me ver como um superior que pode lhe castigar por tudo. Eu sou seu noivo, não o seu carrasco – dirou o castanho parando para pegar uma das rosas e a arrancar do jardim.
— me desculpe por isso – pediu o moreno de olhos verdes e o adolescente suspirou cansado – oh, certo. Entendi – ditou o lobo vendo o conde negar com a cabeça e sorrir se aproximando.
— tome. Para você – falou entregando a rosa para o moreno que a aceitou, constrangido
— obrigado – agradeceu Derek, corado e incomodado. Agora ele que estava sendo cortejado.
— o que você faria se fosse outro homem lhe entregando essa flor? No passado, antes de sua mão ser oferecida a mim? – questionou o conde vendo o lobo fitar a flor pensativo.
— eu amassaria ela – respondeu, receoso.
— então faça – ordenou Stiles e Derek o fitou confuso – vamos, faça – disse o castanho pegando a outra mão do Hale e a colocando sobre a flor. Derek amaçou a rosa, confuso.
— mas foi você quem me deu – argumentou Derek perdido.
— eu sei. Eu quero que você seja você. Não quero que a nossa interação seja forçada. Sei que está perdido, receoso e furioso com esse noivado. Sei que foi pego de surpresa. Seus tios me explicaram sua reação. Por isso eu quero que você seja você até que assimile essa ideia de se casar comigo. Não aja forçado nem nada do tipo. Seja como você era antes de ser meu noivo. Só venha interagir comigo quando sentir vontade de fazer, não porque seus alfas mandaram você fazer – ditou o castanho vendo o lobo lhe fitar surpreso.
— m-mas nós somos noivos. Temos de interagir como noivos fazem – argumentou o Hale, preocupado com o rumo daquela conversa.
— sei que está preocupado com o seu bando. Mas eu peço para que não se preocupe. Caso ocorra uma situação em que nós precisemos fazer o nosso papel de aliados enquanto você estiver assimilando a ideia desse noivado, o meu bando fará o que diz o acordo. Não precisamos apressar as coisas. – falou castanho colocando a mão no bolso da calça e retirando uma caixa preta com o símbolo de uma flor dourada.
— aqui. Eu iria te dar isso ontem, mas acabei esquecendo. Use isso apenas quando estiver confortável com essa coisa de noivado, para que eu saiba que você está agindo por vontade própria e não por pressão – falou Stiles entregando a caixinha preta para o Hale. No mesmo instante Derek abriu a mesma vendo dois ornamentos dourados na forma de dois lobos que pareciam saltar, correndo em círculos ao redor um do outro.
— o que é isso? – perguntou Derek vendo os objetos dourados que continham duas pedrinhas vermelhas no lugar dos olhos dos lobos.
— isso são brincos de pressão. Como vocês lobos não conseguem ter as orelhas permanentemente furadas, eu mandei fazer um par que ficasse preso pressionando a orelha – respondeu o conde e o lobo pegou um dos brincos encarando o objeto surpreso.
— e como eu coloco isso? – questionou o moreno de olhos verdes vendo o castanho pegar um dos objetos e o levar à própria orelha.
— primeiro você o encaixa, e depois coloca o lóbulo no ponto de pressão – disse o castanho colocando o objeto na própria orelha sem problema algum, antes de retirar o mesmo e o colocar de volta na caixinha.
— certo. Só devo usar quando aceitar a ideia do noivado. Entendi – disse Derek fechando a caixinha e encarando o conde.
— obrigado... pelo presente... E pela compreensão também – agradeceu Derek, encabulado.
— de nada. Agora, eu posso perguntar o que é isso? – questionou Stiles apontando para a braçadeira no braço esquerdo de Derek. O lobo encarou o objeto em seu braço antes de sorrir minimamente.
— é um símbolo de compromisso. Quando um membro de nosso bando se torna noivo, ele usa uma braçadeira, se for homem, e um colar se for mulher. A braçadeira fica no braço esquerdo se o parceiro for um homem e no direito se for uma mulher. No caso das mulheres, o colar fica na altura do peito se o parceiro for um homem e na altura da garganta se for uma mulher. Esse símbolo afasta possíveis pretendentes indicando um relacionamento firme que deve ser respeitado – explicou o lobo vendo o humano menear positivamente, surpreso
— interessante... De fato, fascinante. Bom, acho que já está na hora de voltarmos – falou o conde vendo o lobo menear positivamente, guardando a caixinha de veludo no bolso e logo os dois começaram a caminhar na mesma direção em que vieram.
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