Derek encarava o castanho com enorme nervosismo. O humano não parecia nem um pouco incomodado pelo fato de estar cercado por lobisomens, enquanto que ele não conseguia se quer socar um sem quebrar a própria mão. O moreno de olhos verdes decidiu parar de encarar o rapaz vestido de terno vermelho e decidiu analisar os lobos que vieram com o mesmo. Ele sentia que nem todos ali eram lobos, mas todos eram ômegas.

Agora, sim, Derek entendia o nervosismo por parte de seus pais. Um humano comandar um bando de ômegas? Aquilo não era algo que se via todo dia. Aliás, era algo tão raro, que Derek nunca, se quer, ouviu falar ou leu em algum diário de seus ancestrais.

Ômegas são lobos que são expulsos de bandos, ou até mesmo os que se recusam a fazer parte de um bando. Ômegas são conhecidos por sua força e por sua falta de sanidade. Todo lobo solitário acaba se tornando poderoso, embora também perca a sanidade no processo. Eles atacam qualquer coisa que tenha vontade de matar ou ferir, o que se resumia a quase tudo. Mas aqueles ômegas ali a sua frente? Todos pareciam tão... civilizados. Não aparentavam ser ômegas psicóticos que matariam até a própria sombra se pudesse.

Todos viram uma figura ruiva, usando um vestido elegante, cobrindo a si mesma com uma sombrinha e sendo seguida pelos dois choferes das outras duas carruagens, os quais eram idênticos, se aproximar dos ômegas logo atrás dos mesmos. A ruiva parou bem atrás do castanho, no espaço vago entre os ômegas, enquanto os dois rapazes atrás de si se dirigiam as pontas da fileira de “betas” do castanho vestido de vermelho.

— eu fico bastante feliz que tenha decidido seguir em frente com o noivado – falou Talia, se aproximando e estendendo a mão para o humano, o qual agarrou a mesma com delicadeza, o que era coisa rara até mesmo em alfas fêmeas. Característica que Derek só tinha visto em sua mãe.

— não se preocupe, Senhora Hale. Se eu perceber que tudo está como descrito no acordo, poderemos adiantar o casamento, se quiser – falou o castanho, se curvando minimamente e beijando a mão da morena a sua frente, vendo a mesma sorrir para o seu ato.

— por favor, não seja tão cortês, estamos em família, agora – falou a mulher e logo Alexander se aproximou para cumprimentar o castanho.

— sejam bem vindos à nossa casa. Espero que seja do seu agrado a sua estadia antes do casamento – falou o segundo alfa, estendendo a mão e vendo o castanho repetir o mesmo ato que fizera com a mão de sua mulher.

— eu queria ter feito essa primeira visita sozinho, mas devido as circunstâncias, espero que não se ofendam ou se incomodem com a presença do meu bando – falou o castanho vendo o Hale repetir o seu ato, beijando-lhe as costas de sua mão, com certa brutalidade, algo já esperado pelo castanho.

— imagine. Seremos um bando só muito em breve. Será bom para que se acostumem com tudo – falou o homem largando a mão do castanho e puxando o filho pelos ombros, que se encontrava estático, nervoso com a presença do humano próximo a si.

Derek encarava o homem como se o mesmo fosse algum tipo de ameaça da qual ele não pudesse se defender. Ele encarava o castanho interagir com os seus pais, ouvindo o coração calmo do outro se quer acelerar com a presença de seus pais, ato que ocorria com os alfas do bando Hale, que se encontravam um pouco nervosos e confusos. O castanho, para eles, não apresentava a mesma aura que eles presenciaram no dia em que foram fazer a proposta de aliança ao alfa humano.

Derek ainda se perguntava como um humano conseguia ser um alfa de um bando. Ainda mais um bando de ômegas. Os ômegas eram famosos por não obedecerem a alfa algum, mas aqueles ali presentes nem se quer moveram um músculo desde que chegaram. Parecia temer fazer algo que ofendessem ao seu alfa. Nem mesmo lobos betas comum obedeciam a um humano, então por que diabos aqueles ômegas se curvavam para o castanho.

— me permita apresentar. Esse é o nosso filho, Derek, o seu noivo – falou Alexander apontando para o moreno de olhos verdes, que engoliu em seco ao ver as írises da cor âmbar serem direcionadas para si e u sorriso moldou os lábios do humano a frente de seu pai. Derek quase teve um infarto fulminante ao ver o castanho vestido de vermelho dar um passo para o lado, se colocando a sua frente.

— filho, este é o Conde Stilinski, Stiles, o seu noivo – falou a alfa de cabelos negros que batiam nos ombros.

O castanho estendeu a mão para o moreno de olhos verdes, que prendeu a respiração ao ver a movimentação do homem a sua frente. Peter lutava com todas as suas forças para segurar o seu riso em seu interior. Ele estava achando muito engraçado todo o nervosismo de Derek. O loiro sentia que soltaria uma gargalhada alta a qualquer momento quando viu a pele morena de seu sobrinho se tornar mais pálida do que a do seu pretendente quando o mesmo estendeu a mão para si. Peter estava lutando com todas as suas forças para não envergonhar a si e ao seu bando rindo na cara do bando aliado.

John jamais admitiria, mas ele mesmo estava lutando para segurar o riso. Era muito mais do que cômico ver o filho mais birrento e cara amarrada de sua cunhada, a alfa do bando Hale, ficando pasmo somente com um erguer de mão do seu parente, o qual nunca havia visto. Cláudia também achava cômica a cena, mas ela era a que mais se portava diante da situação. Nem mesmo Laura, que era um poço de calmaria, estava conseguindo manter a expressão séria diante da cena. Os três espremiam os lábios, tentando manter suas risadas dentro deles mesmos.

— espero que possamos nos dar bem – falou o castanho e Derek sorriu minimamente.

O sorriso mais nervoso e desconfortável que dera na vida. Ele sabia disso. O Hale, desfez o punho cerrado que sua mão se encontrava e a deslizou em sua calça negra, tentando enxugar o suor da mesma, antes de erguer a mão na direção da mão do castanho, não conseguindo controlar o tremor da mesma. Derek sentiu as suas mãos se encaixarem, sentindo o quão fria e macia era a mão do outro, antes de o castanho apertar a sua mão sutilmente.

Derek fechou os dedos, tentando apertar a mão do outro na mesma proporção, mas descobriu que falhara miseravelmente quando ouviu o Conde grunhir baixinho, tremendo o próprio braço levemente, indicando sentir uma pontada de dor. Os ômegas atrás do castanho derma um passo a frente, rosnando e encarando o moreno de olhos verdes com fúria. Derek suavizou o aperto, desesperado.

— M-me desculpe! E-eu perdi o controle da força. M-me perdoe. Eu... eu estou um pouco nervoso, me desculpe – se explicou o moreno de olhos verdes mais novo, desesperado e receoso, vendo o castanho lhe fitar com um sorriso ladino.

O outro, certamente, estava achando aquela situação muito engraçada. O castanho ergueu um pouco as duas mãos unidas, antes de se inclinar minimamente e selar os lábios na pele morena e um tanto áspera da mão e coberta de pelos do seu pretendente. Derek viu o castanho se erguer, ainda com a mão envolvendo a sua com sutileza, antes de encarar o pai, que os encarava um tanto receoso.

— é um beta mas já tem a brutalidade de alfa do pai. Gostei – disse o Conde vendo os alfas do Bando Hale finalmente soltarem a respiração, relaxando, depois de seu grunhido de dor. Talia sorriu simpática, antes de erguer os braços e o bando Hale inteiro se curvar.

— eu peço a atenção de todos. Esse bando diante de si é, não apenas um bando aliado, como também o bando do noivo do filho de seus alfas. Então eu quero que o tratem como membros da família. Em poucas horas abriremos as portas de nossa mansão para aqueles que esperaram os noivos estarem reunidos para entregarem as suas oferendas – anunciou a morena, com os seus olhos escarlates, antes de abaixar os braços e os membros de seu bando se erguerem novamente e alguns começarem a se retirar do local.

— agora nós convidamos você e o seu bando a nos acompanharem para que possamos nos apresentar e conhecermos melhor em nossa casa – falou Alexander, antes de Peter, John, Cláudia, Laura, Malia, Cora e Lance começarem a subir as escadas, rumando em direção a mansão.

O castanho apenas encarou os dez ômegas parados atrás de si e todos menearam positivamente, antes de começarem a seguir o seu alfa, que era acompanhado pelos dois alfas do bando Hale e Derek. Todos adentraram a sala da mansão Hale e

— este é um dos nossos comandantes, Peter. O meu irmão mais novo, que também é um alfa – falou Talia apontando para o loiro, que se aproximou e apertou a mão do castanho, antes de o mesmo se curvar e beijar a sua mão.

— é um prazer te conhecer – disse o castanho, vendo o loiro repetir o seu ato.

— o prazer é todo meu! Espero que possa deixar o meu sobrinho desconcertado durante um bom tempo. Estou adorando isso – disse o loiro, recebendo olhares repreendedores de seus parceiros e sua irmã.

— infelizmente, embora tenha o achado fofo desconcertado, creio que isso não será bom para o relacionamento e a aliança – respondeu o castanho não notando o moreno de olhos verdes ao seu lado corar um pouco mais com a sua fala.

— então peço que faça o seu melhor por enquanto – ditou o loiro se afastando minimamente e apontando para Jhon e Cláudia.

— estes são meus parceiros, Jhon, que também é um Stilinski, e Cláudia. Ambos também são comandantes – falou o loiro, vendo os dois castanhos se aproximarem.

— um Stilinski, hein? Seria alguma ofensa eu questionar sobre os seus pais? – questionou o castanho, apertando a mão do homem e selando os lábios na mesma.

— Noah e Samanta Stilinski. O meu pai era geografo e vivia viajando. Já a minha mãe herdou algumas fazendas do meu avô, assim como suas irmãs e irmãos – disse o mais velho, se curvando e beijando a mão do mais novo.

— entendo. Você é John Edward Stilinski, o rapaz dado como morto depois de um misterioso ataque de animais a sua cidade natal. O seu irmão gêmeo, Johnatan foi morto baleado em um confronto entre donos de escravos – disse o castanho vendo o castanho menear positivamente, enquanto estreitava os olhos em sua direção.

— como sabe? – questionou vendo o mais novo sorrir antes de cumprimentar a sua parceira.

— eu gosto de saber sobre a minha árvore genealógica. Ainda temos uma foto sua na parede da biblioteca – disse o castanho vendo o homem lhe fitar surpreso.

— ainda tem? Achei que meu pai queimaria minha foto quando eu fugisse com Peter – disse o castanho, vendo a mulher e o marido apertarem seus ombros, sorrindo.

— Noah nem ouso. Depois que você foi “dado como desaparecido”, ele se apoiou em seu irmão. Mas depois que o Johnatan foi morto, ele passou o resto dos dias chorando pela perda dos dois filhos. Até colocou detetives atrás de você, mas como eles moravam muito longe, nunca lhe encontraram aqui – disse o castanho de vermelho, vendo o homem tomar uma expressão pensativa e os olhos úmidos.

— esta é a minha filha mais velha, Laura, que também é uma comandante – disse Talia apontando para a filha, que se aproximou e cumprimentou o castanho.

— a mulher que encontrou o companheiro de alma. Meus parabéns – disse o castanho cumprimentando a mulher do mesmo jeito que cumprimentava a todos.

— espero muito que, por alguma ironia, o meu irmão seja o seu companheiro e você seja o dele – disse a mulher repetindo o cumprimento do castanho.

— eu agradeço e também espero que eu e seu irmão possamos ser felizes juntos – disse o castanho sorrindo simpático para a morena, que se sentou em seu lugar no sofá, novamente.

— estas são Cora e Malia. Cora é a minha filha mais nova e Malia é a filha de Peter – disse Alexander apontando para as duas garotas que se aproximaram um tanto tímidas.

— hm... acho que me arrependi de ter aceitado o casamento tão rápido. Você ia dar uma esposa linda – disse o castanho, puxando a mão de Cora e beijando a mesma, vendo a garota corar fortemente.

— e nem vou falar de você. Me sinto indignado por não lhe citarem no acordo – disse o castanho beijando a mão de Malia, a qual sorriu de orelha a orelha.

— e quem é o rapaz loiro ali? Achei que vocês só tivessem três filhos – questionou o castanh encarando o loiro se aproximar um tanto nervoso.

— este é Lance. Em breve ele vai ser mais um alfa no bando – falou Alexander abraçando o loiro pelos ombros.

— é um pouco recente, mas eu e Alexander encontramos mais um parceiro – disse Talia abraçando o loiro pela cintura.

— olha só! Parece que teremos mais um casamento em breve – falou o castanho cumprimentando o loiro, que lhe sorriu tímido.

— é um prazer – falou o loiro e logo os dois alfas beijaram-lhe a face, antes de se afastarem e se aproximarem do filho, enquanto o castanho se aproximava do próprio bando.

— eu vou começar pelos meus comandantes – falou o castanho e cinco membros de seu bando deram um passo a frente.

— esse são todo os membros de seu bando? – questionou Derek encarando o castanho menear positivamente. Talia, discretamente, apertou o ombro de seu filho pela indiscrição do mesmo, mas ela mesma se encontrava curiosa quanto a isso. As portas da mansão se abriram e todos encararam um negro com bengala adentrar o local

— não se deixe levar pelo número, Derek – falou Alan Deaton, caminhando lentamente até os alfas do bando Hale.

— Alan? – questionou o moreno de olhos verdes, vendo o negro se virar para o castanho.

— é um prazer finalmente conhecer O homem de vermelho, mais conhecido como o Conde Stilinski – disse o negro estendendo a mão para o castanho. Stiles sorriu, apertando a mão do negro, sentindo um frio percorrer a sua espinha. Os dois retraíram as suas mãos rapidamente.

— você é um druida, não é? – questionou o castanho vendo o negro menear positivamente.

— o bando Stilinski pode ter poucos membros, mas pode ser quase tão forte quanto bandos que tenham até mesmo vinte vinte vezes mais membros, como o nosso Bando – falou o negro vendo os ômegas sorrirem ladino em sua direção.

— sério? – questionou o moreno de olhos verdes, surpreso, sendo novamente alvo do aperto da mão de sua mãe.

— o bando Stilinski, também conhecido como o Bando da rosa negra é um bando muito interessante de se ter como alidado, ao meu ver – disse o negro caminhando para se sentar em um dos sofás da sala.

— eu peço desculpas pela interrupção. Podem continuar – ditou o negro encarando o castanho vestido de vermelho sorrir e se virar para os próprios betas.

— este é Scott, o membro mais velho do bando – falou apontando para o moreno de queixo torto que guiava a carruagem que trouxera o castanho. Os alfas e Derek cumprimentaram o moreno de queixo torto, que apenas apertou a mão de cada um.

— Isaac, o segundo mais velho – disse o castanho apontando para um loiro de cabelos cacheados que se apressou a cumprimentar os alfas e o pretendente de seu alfa, sorrindo gentil para todos.

— Aiden e Ethan, os gêmeos – falou vendo os gêmeos reverenciarem os três membros do bando Hale a sua frente.

— e por último, Lydia – falou apontando para a ruiva vestida elegantemente e usando uma sombrinha. A ruiva se curvou em um comprimento elegante, sendo correspondida por todos.

— os outros são divididos pelo comandante a qual respondem – disse o castanho vendo os cinco que já foram apresentados recuarem um passo e os outros darem um passo a frente.

— Erica, Corey e Liam são os mais novos – disse o castanho apontando para a loira e dois baixinhos.

— esta é Kira – disse apontando para a morena de aparência asiática que possuía uma katana em mãos.

— e esta é Allison Argent – falou o castanho e todos os lobos presentes na sala prenderam a respiração.

— uma Argent? – questionou Talia, vendo a morena estender a mão para si. A alfa encarou a mão da garota, vendo a mesma sorrir simpática.

— não se deixem levar pelo nome. Ela é uma Argent, mas não caça seres sobrenaturais – falou o castanho vendo a mulher estender a mão para a Argent lentamente.

— não sem que eu ordene – disse o castanho vendo a Argent lhe fitar sorridente e os lobos lhe fitarem surpresos.

— você tem uma caçadora em seu bando – murmurou Derek vendo o castanho lhe fitar sorridente.

— espero que isso não seja um empecilho para a nossa aliança. Allison é alguém importante para mim, assim como cada membro do meu bando – disse o castanho vendo o moreno de olhos verdes engolir em seco, antes de negar com a cabeça.

— d-de modo algum... eu espero – respondeu Derek vendo o castanho estender o sorriso antes de se virar para os alfas.

Eles ficaram a conversar por um tempo, apenas apresentando as famílias umas as outras, antes de Alexander decidir que já era hora de abrir as portas da mansão para que aos noivos pudessem receber as oferendas. Peter e John colocaram as poltronas no centro da sala, lado a lado para que Derek e Stiles se sentassem, de frente para as portas da mansão. Para a surpresa da família Hale, o bando do castanho se uniu a fila das pessoas que traziam oferendas aos noivos. Derek se surpreendeu um pouco ao ver os gêmeos se aproximarem, trazendo com eles algumas flores. Um trazia flores rosadas e o outro trazia flores roxas.

— em nosso bando, as flores tem significados de acordo com a sua cor. As de cor rosa representam carinho e as roxas representam o desejo – falou um dos gêmeos, explicando ao moreno de olhos verdes o significado das cores.

— oh... hm, obrigado – disse o moreno de olhos verdes ao pegar as flores rosadas das mãos de um dos gêmeos, que o reverenciou, enquanto o outro entregava as roxas ao castanho, antes de o reverenciar, ficar de frente para Derek, o reverenciar e sair, se posicionando ao lado da família Hale.

— o amarelo significa fartura – falou Stiles, vendo Scott se aproximar e entregar as flores ao moreno de olhos verdes, que agradeceu ao moreno. Uma mulher trouxe algumas flores ao castanho e entregou-as ao mesmo, sorrindo tímida e o reverenciando.

— o que as flores representam aqui? – questionou o castanho a mulher, vendo a mesma sorrir em sua direção ao se erguer.

— representam bons presságios – respondeu a mulher vendo o castanho lhe fitar surpreso.

— eu lhe agradeço – disse se virando para passar as flores para Cora, que estava ao seu lado a espera da oferenda para guardar a mesma.

— em nosso bando, flores azuis representam força – disse Isaac, se aproximando e entregando um buque ao moreno de olhos verdes.

Derek agradeceu e passou as flores para Malia. O moreno de olhos verdes se virou e pôde ver Jackson parado a sua frente, com uma lebre com as pernas amarradas. O Hale se aproximou do amigo, pegando a caça das mãos do mesmo e agradecendo, se virando para Malia que pegou o animal cuidadosamente e o levou para o quarto onde as oferendas estavam sendo guardadas.

— a caça representa fartura – falou Cora, vendo a expressão confusa do castanho, que meneou positivamente.

Derek viu Theo se aproximar do castanho com outra lebre, vendo o castanho agradecer e sorrir para o loiro, que sorriu um tanto encabulado, que se virou para encarar o amigo, lançando um aceno de cabeça para o mesmo. Após muitas oferendas serem recebidas, Derek se viu sendo encarado por uma loira de cabelos cacheados, segurando um grande buque de rosas vermelhas e brancas.

— as rosas vermelhas representam amor e as brancas significam calmaria – explicou a loba vendo o moreno de olhos verdes lhe sorrir tímido e agradecer, enquanto via a ruiva entregar um buque idêntico ao castanho. Logo um loirinho baixinho surgiu a sua frente, segurando um cordão entre as mãos e se esticando para colocar o mesmo em seu pescoço, enquanto Corey fazia o mesmo no castanho.

— isso representa proteção. O pingente de rosas afasta os maus espíritos e atrai bons presságios – disse o loirinho antes de reverenciar o moreno e se retirar para se aproximar dos gêmeos.

Corey parou a frente de Derek e o reverenciou, antes de seguir o loirinho Derek olhou para a próxima pessoa a fazer a oferenda e prendeu a respiração ao ver Braeden parada com um prato em mãos, vendo algo verde da cor limão encarando fixamente o seu pretendente, que a fitava simpático. O moreno sentiu a vontade de intervir quando a mulher se aproximou, mas ele sabia que não poderia. Interromper a oferenda era como desejar não recebê-la e isso era mal visto por entre os membros do bando

— o sabor doce representa o amor – falou a mulher vendo o castanho fitar o doce surpreso.

— nossa. Obrigado – o castanho agradeceu pegando o doce em mãos. Logo Talia e Cláudia se aproximaram com talheres para os noivos e Derek se aproximou receoso.

— quando o doce é entregue na presença dos dois noivos, eles devem provar um pedaço imediatamente – explicou a alfa oferecendo o talher ao castanho, enquanto Cora se prontificava a segurar o doce.

Derek engoliu em seco, enquanto as lobas encaravam Braeden com um olhar de poucos amigos. O doce dado como oferenda deve ser gostoso e realmente doce, mas aquele prato nas mãos de Cora exalava a limão puro, como se não houvesse doce algum ali. Derek, retirou um pequeno pedaço daquele bolo coberto por uma cauda verde clara, vendo o castanho lhe acompanhar no movimento. Ele encarou Braeden lhe fitar furiosa, enquanto levava o pedaço a boca.

Derek teve que se esforçar muito para não fazer uma careta enquanto sentia a acidez dominar as suas papilas gustativas. Ele tinha que mostrar que estava gostando, pois poderia ser que o castanho não se ofendesse tanto com a afronta da mulher a sua frente. Mas, para a sua surpresa, o castanho não fazia careta alguma, até ousou pegar outro pedaço.

— está bom – falou o castanho levando o novo pedaço a boca, surpreendendo até a própria Braeden.

— não está azedo? – questionou a mulher vendo o castanho menear positivamente.

— é um doce com limão. Tem que estar azedo. Não é? – questionou o castanho levando o talher a boca, retirando resquícios da calda.

— sem contar que eu achei muito interessante. Recebemos muitos doces, pelo que Cora e Malia me disseram. E um doce azedo é uma boa oferenda. Amor demais cega – disse o castanho se virando para a mulher e sorrindo docemente para a mesma.

— obrigado pela oferenda, Braeden, já pode ir. Temos mais oferendas para receber – falou o moreno e Cláudia tratou de acompanhar a mulher para fora.


Após as oferendas, Tália e Cláudia trataram de chamar todos para jantar. O jantar fora um tanto desconfortável para Derek. Ele não sabia o que fazer ou falar com o castanho. Já Talia e Alexander, não paravam de falar com o Conde. Após o jantar, todos se prepararam para dormir. Talia e Alexander passaram a distribuir os quartos para os dez membros do bando Stilinski, enquanto que Derek fora encarregado de levar o castanho para o quarto onde ele ficaria enquanto estivesse ali.

Assim que apresentou tudo ao quarto para o castanho, Derek ficou parado, ao lado da porta, vendo o castanho analisar cada canto do quarto minuciosamente. O castanho meneou positivamente, ao observar a vista da varanda antes de adentrar o quarto novamente e se aproximar da porta, enquanto Derek se retirava do quarto.

— eu gostei. É bem confortável – disse o castanho encarando o moreno de olhos verdes coçar o ombro em que se encontrava a sua braçadeira de compromisso, antes de encarar o castanho com certo desconforto.

— que bom que gostou. Qualquer coisa é só chamar. Eu estou quinto quarto a direita – falou o moreno de olhos verdes vendo o castanho sorri.

— tudo bem. Não hesitarei em te chamar – disse o castanho vendo o moreno de olhos verdes coçar a nuca suavemente. – algum problema? – questionou o castanho retirando o paletó vermelho que usava e o jogando sobre a cama, vendo o mesmo pousar suavemente sobre a cabeceira.

— n-não, p-por que? – questionou o Hale vendo o castanho afrouxar a gravata e desabotoar os dois primeiros botões da camisa que usava, enquanto jogava os suspensórios para o lado.

— você me parece desconfortável desde que eu cheguei – disse o castanho, vendo o moreno de olhos verdes um tanto corado e olhando para as paredes.

— é que... eu nunca fui noivo e estou um pouco receoso – disse o moreno vendo o castanho sorrir nasalado.

— respire, Derek. Fique calmo. Também nunca fui noivo. Mas não estou prestes a explodir – falou o castanho vendo o moreno de olhos verdes coçar a nuca novamente

— então a gente... tem que se despedir, agora? – questionou tímido, vendo o castanho estreitar o olhar.

— bom. Não dormimos no mesmo quarto, então, sim – respondeu o castanho encarando o moreno empalidecer antes de negar com a cabeça.

— e-eu quis dizer com um beijo ou coisa do tipo... já que somos noivos, agora – disse o moreno vendo o castanho lhe fitar sério, antes de sorrir minimamente e negar com a cabeça.

— você está desconfortável só com a minha presença, Derek. É melhor usarmos apenas um Boa noite — disse o Conde vendo o moreno de olhos verdes respirar um pouco aliviado.

— Boa noite – falou começando a fechar a porta.

— Boa noite – falou o moreno vendo o castanho acenar para si antes de a porta se fechar.

Derek respirou fundo, aliviado. Ele soltou a gravata em seu pescoço, parando de puxar a mesma quando os dedos atingiram o cordão em seu pescoço, para que pudesse respirar mais livremente. Ele ainda não gostava nada daquela ideia de se casar com aquele cara. Ao se virar para se dirigir ao próprio quarto, ele deu de cara com seus pais e tios lhe encarando no fim do corredor. O moreno de olhos verdes corou, antes de dar de ombros e os mais velhos negarem com a cabeça e se retirarem do corredor.