The Engagement
24 Ameaça
No esgoto de Londres, um encapuzado de sobretudo verde corria pela água suja com velocidade. Tudo o que ele mais queria era sair daquela água imunda e poder lavar os seus pés. Aquilo lhe dava nojo. Ele sentia o corpo tremer e uma vontade imensa de chorar vinha do seu peito apenas em sentir algumas coisas naquela água imunda e podre se agarrarem a sua perna. Ele virou uma vez para a esquerda em uma bifurcação, antes de saltar para um túnel grande que estava acima da água. Caminhando desengonçadamente, enquanto jogava a perna no ar de um lado para o outro para se livrar da sujeira que havia se agarrado a sua calça, ele alcançou uma sala profunda.
— por que diabos a gente tem que ficar aqui embaixo se temos poder para conseguir um lugar melhor? – perguntou abaixando o capuz e revelando-se uma bela mulher de cabelos castanhos.
— porque não podemos nos dar o luxo de os exibir ao mundo... ainda – respondeu o de sobretudo marrom, ainda com o rosto coberto por seu capuz. Quase nenhum deles os abaixava quando estavam juntos e isso a deixava um tanto receosa. Eles pareciam não se aturar.
— e daí? Eles não podem voltar sem que alguém que não esteja na mesma situação os liberte – argumentou a de sobretudo verde observando o de sobretudo roxo acariciar uma das faces das sete estátuas de pedra ao seu redor.
— você não sabe os poderes que o mais novo deles tem, não é? – perguntou o de cor branca, encostado em uma das paredes, encarando a mulher de verde dar de ombros.
— temos a árvore branca, o lagarto azul, o puma roxo, o búfalo marrom, a borboleta verde, o escorpião amarelo e o pavão vermelho. Agora só nos resta a rosa negra. Não é como se ela pudesse fazer muita coisa sozinha. Nenhum deles pôde – argumentou a mulher de verde se encaminhando a um tipo de banheira improvisada, onde ela retirou um baldo com água e passou a jogar as próprias pernas.
— a árvore já era velha. Os outros são secundários. O escorpião amarelo quase acaba comigo. Para o caso de você não se lembrar, me permita lhe trazer recordações – disse o homem de branco se desencostando da parede.
A mulher engoliu em seco ao ver o homem de branco retirando o sobretudo da lateral esquerda de seu corpo, revelando o seu torso nu, bem como a cicatriz em seu ombro, consequência da perda do seu braço, além de uma cicatriz em seu torso na forma de marcas de dentes potentes. O seu corpo tremeu ao se lembrar da cena de um rapaz de mais ou menos dezessete anos golpear o seu parceiro no braço arrancando o membro do mesmo fora, como se fosse um galho um pouco poder de uma árvore, ao mesmo tempo em que um mero lobo mordia o torso do homem, passando a o chacoalhar de um lado para o outro como um cão a estraçalhar um boneco de pano.
— mas ainda assim o vencemos e agora ele está bem ao seu lado, parado, como uma estátua criada por um mero mortal – argumentou a mulher de verde vendo o homem sorrir e levar o, agora, único braço a cabeça da estátua ao seu lado.
— Garret! Cuidado! Você sabe que, se você quebrar qualquer um deles, todo o nosso esforço vai ter sido em vão – repreendeu o encapuzado de sobretudo roxo vendo o de sobretudo branco bufar irritado, antes de se afastar da estátua.
— tanto faz. Eu só quero que vocês saibam que quem matar esse aqui vai morrer pelas minhas mãos. A árvore branca é minha! – ditou com seriedade vendo todos os outros encapuzados e as duas pessoas sem os mesmos lhe fitarem com seriedade.
— eu não estou nem aí. Eu só quero o que me prometeram – ditou a mulher de negro, saltando do cano enferrujado em que se encontrava e aterrissando ao lado da mulher de sobretudo verde, antes de se afastar da mesma indo até a mesa onde haviam algumas frutas.
— eu quero o escorpião amarelo. Quero só ver quanto do meu poder vai precisar para que ele morra – disse o de sobretudo amarelo, retirando a mão de dentro do sobretudo e por entre os seus dedos correntes elétricas amarelas eram exibidas, chiando baixo.
— nem todo o seu poder vai matar ele, Lighting Blond. Você é fraco. Quase morreu nas mãos desse garoto – comentou a de sobretudo negro mordendo uma maçã com voracidade, vendo as marcas de suas presas desenhadas na carne da fruta de forma assustadora, na visão dos humanos.
— eu queria ter visto você ir contra o puma roxo. Embora todo mundo saiba que qualquer homem consegue ser melhor do que uma mulher – ditou o homem de sobretudo amarelo tentando provocar a mulher de negro, mas, pelo sorriso ladino que a mesma soltara, todos souberam que ele havia falhado miseravelmente.
— falou o cavaleiro de raio que iria morrendo com uma simples chama de uma mulher – zombou a mulher de negro abaixando o capuz para poder olhar diretamente para os olhos do rapaz de sobretudo amarelo, que repetiu o seu ato.
— quer ver quem é o melhor? – questionou sorrindo o de sobretudo amarelo, vendo a mulher sorrir ladina.
— eu já sei que sou eu – respondeu a mulher sorrindo vitoriosa e erguendo a mão, onde uma pequena caveira roxa se formou.
— eu mereço. Será que as crianças podem parar? – perguntou o encapuzado de sobretudo marrom, cruzando os braços.
— vocês deveriam estar procurando por ele. E não brigando ente vocês mesmos – falou uma voz infantil e todos direcionaram o olhar para uma criança de sobretudo azul que balançava os pés sentada em um cano logo acima de uma banheira. O seu sobretudo azul pequeno balançava junto com os seus pés, assim como a água da banheira logo abaixo de si.
— eu tenho uma dúvida. Agora que Fênix está morto, com quem fica a parte dele? – perguntou a mulher de sobretudo negro e todos desviaram os olhos para o de sobretudo roxo, que admirava todas aquelas sete estátuas em diferentes poses: algumas em poses e expressões de desespero, outras pareciam plenas como se tivessem consciência da condição em que se encontravam.
— eu tenho uma ideia de como incentivar vocês, bando de vagabundos, a procurarem pelo Conde Stilinski – ditou o encapuzado de roxo, se virando para as estátuas de pedra presas a blocos enormes também de pedra, como se eles fossem fósseis que há muito tempo estivessem unidos daquela forma.
— e como você pretende fazer isso? Cada um aqui já tem a sua outra metade. O único que... – o de sobretudo marrom fora cortado pelo de roxo.
— aquele que trazer o Conde Stilinski para mim vai ficar com a parte de Fênix – disse o homem se sentando ao pé de uma das estátuas
— então, aquele que capturar o garoto fica com a parte do Fênix? – perguntou o rapaz de amarelo, sorrindo vitorioso.
— você é idiota? Não ouviu ele? – questionou a de sobretudo negro se encaminhando para a saída.
— nem vem, Death. Ele é meu – ditou Lighting Blond estalando os dedos e uma esfera elétrica surgiu na frente da mulher, liberando pequenos raios em várias direções. No entanto, antes que atingisse a mulher de preto, a mesma lançou um crânio negro na direção da esfera de energia, anulando o golpe.
— eu te mato antes de sair desses tuneis – rosnou a mulher abrindo as mãos e duas caveiras surgiram nas mesmas.
— eu vou ser o primeiro a chegar nele – ditou o de amarelo cerrando os punhos e vários raios finos começavam a emanar de seu corpo
— pois estão todos atrasados. Shark fora a primeira a sair do esgoto – ditou Garret, parado, encarando todos direcionarem o olhar para o cano onde antes estava uma garotinha de capuz azul, vendo que a mesma não se encontrava mais lá.
— aquela vadiazinha – rosnou Death lançando um dos crânios que se encontrava em suas mãos no chão, vendo o mesmo explodir liberando ossos roxos para todos os lados, que se desfizeram em energia roxa, antes de a mesma desaparecer no ar.
— sinceramente falando, Shark é quem tem mais chances contra ele do que vocês – soltou Garret ouvindo o líder do grupo rir pelas narinas, concordando consigo em silêncio.
— e por que uma garota de treze anos séria mais propensa a o vencer do que eu? – perguntou Death, irritada.
— ela não se distrai como vocês. Ela realmente tem a personalidade de uma serpente. Ela é calma, calculista e sabe até onde pode ir – respondeu o homem de branco colocando a mão no bolso, antes de dar as costas para os encapuzados que ainda se encontravam no local.
— hunf. Eu vou fazer aquela garota de lula frita se ela tentar se aproximar do conde – ditou o de sobretudo amarelo, vendo o de roxo gargalhar.
— então sugiro que vá logo, Lighting Blond. Se Shark encontrar o conde primeiro, vocês vão ter que dar muito duro para o tirar dela – disse o de sobretudo roxo ouvindo Garret rir divertido com a ideia.
— por que vocês me parecem desinteressados na parte de Fênix? – indagou a de sobretudo verde encarando os dois homens sorrirem vitoriosos.
— vocês são secundários. Eu e Dark somos primários. O único jeito de um de vocês se tornar tão forte quanto nós dois, é tendo o controle de três partes. Ou seja, dois de vocês podem se tornar tão forte quanto nós dois, mas apenas se adquirirem mais duas partes. Shark quer ficar acima de vocês tendo duas partes. E ela vai conseguir – explicou Garret antes de se jogar sentado no chão, vendo os outros darem as costas para si e se direcionarem para a saída do esgoto.
— eles vão demorar um pouco – ditou o de sobretudo roxo vendo o de sobretudo branco dar de ombros.
— nem mesmo você sabe onde se encontra a Rosa Negra. É normal que eles demorem dias para isso — argumentou o homem de sobretudo branco vendo o outro se jogar deitado, ao lado da estátua de pedra de um homem, velho, com óculos de leitura, em uma pose autoritária, com uma bengala na frente do corpo, com as duas mãos apoiadas nela.
Derek estava um tanto preocupado. Stiles costumava se levantar cedo. Bom, tecnicamente cedo. Ele, até aquele momento, nunca havia visto o conde permanecer na cama por tanto tempo. O moreno de olhos verdes bebericou um pouco do seu café, encarando a cadeira vazia ao seu lado. Aquilo estava estranho demais. Os ômegas já estavam comendo, sem se quer esperar o alfa humano, enquanto encaravam, discretamente, o visitante que receberam na noite anterior, que comia educadamente ao lado de Lydia. Derek não sabia o que era, mas algo parecia estar estranho ali. Ele encarou os pais, vendo os mesmos olharem dos ômegas para o beta visitante, procurando algum sinal em ambos os lados.
— então... Ennis, de onde você veio? – perguntou Laura, encarando homem alto e musculoso lhe direcionar o olhar.
— eu vim do fora do pais. Eu estava próximo a fronteira da Espanha com Protugal, junto com o meu alfa humano – respondeu o homem observando todos a mesa que não fossem ômegas lhe fitarem surpresos.
— há outro humano alfa?! – perguntou John, surpreso.
— havia. Ele foi morto. Todos foram – respondeu Ennis vendo os membros do bando Hale lhe fitarem surpresos.
— e eu posso perguntar como? – questionou Peter vendo o outro homem suspirar e menear positivamente.
— um grupo de homens da ordem nos atacou. Eles não tiveram dificuldade alguma em matar a todos e se dirigirem para o nosso alfa. Era como se todo o poder que tivéssemos não fosse nada perto do deles. Como se todo o nosso treinamento não valesse de nada. Eu consegui ajudar o meu alfa atacando um dos homens deles. No entanto... Uma garota... Uma simples criança me golpeou e eu fiquei completamente impotente – explicava Ennis, olhando para a mesa, cerrando os punhos em fúria tanto dirigida aos homens que lhe atacaram, quanto a ele mesmo por não ter sido forte o suficiente.
— foi aí que eles pegaram o Matt? – inquiriu Scott vendo o homem menear positivamente.
— depois que o meu alfa arrancou o braço de um dos homens, ambos perderam a noção. O outro eu do Matt tomou o controle, o ajudando a enfrentar aqueles homens de igual para igual. Mas eles conseguiram o vencer. Foi quando ele se aproximou. Aquela pessoa de roxo. Ele colocou alguma coisa dentro do meu alfa. Eu não consegui ver o que era. Mas quando ele se afastou, o meu alfa, o Matt, começou a virar pedra – respondeu Ennis erguendo o olhar para os lobos a sua frente.
— e por que acha que eles estão vindo atrás do Stiles? – perguntou Derek encarando homem lhe fitar com um certo temor no olhar.
— porque o alfa de Ennis e todos os outros que eles transformaram em pedra são meus irmãos – a voz de Stiles ecoou pelo local, chamando a atenção de todos, que se viraram surpresos para observarem o humano apoiado pelo ombro a portada da entrada da sala de jantar.
— seus irmãos? – perguntou John encarando o castanho, surpreso.
— achei que fosse filho único – comentou Peter, confuso.
— e eu sou. Mas apenas por parte dos Stilinski. No entanto, eu tenho sete irmãos adotivos – respondeu o castanho encarando a mesa com tédio. Os lobos conseguiam sentir o aroma de tristeza vir do castanho de olhos claros.
— eu não entendi, me desculpe – ditou Lance vendo o conde se colocar de lado, passando a se apoiar de costas a parede.
— como vocês bem sabem, graças ao ocorrido de ontem, eu tenho um outro eu dentro de mim. Acontece que esse meu outro eu possuí sete irmãos gêmeos. E a presença deles em nossos corpos acaba me tornando meio irmão de sangue de todos os outros eus dos irmãos dele, pois passamos a ser os únicos de nossa espécie – ditou o conde com suavidade na voz, enquanto erguia a pedra vermelha para a encarar atentamente com um brilho tristonho no olhar.
— então esse grupo religioso está atrás do outro eu de vocês, é isso? – perguntou Talia encarando o castanho menear positivamente.
— e qual é o objetivo deles nisso tudo? – perguntou Peter vendo o Stilinski suspirar baixo, antes de dar as costas a mesa.
— o objetivo deles é destruir tudo usando os nossos outros eu – respondeu Stiles cerrando os punhos, antes de os relaxar após respirar fundo e voltar a se virar, ficando de frente para a mesa.
— eu espero que não se importem em acomodar Ennis conosco. Eu... me sinto responsável por ele, agora. Uma vez que o meu irmão não está mais aqui para ser o seu alfa – disse o castanho reverenciando o casal, que se apressou em negar com as cabeças.
— mas é claro que não, querido! Você é um membro da família. Se ele faz parte do seu bando, vai ser mais do que bem-vindo em nossa casa – disse Talia vendo a montanha de músculos que era Ennis se erguer e se aproximar do humano, o abraçando por trás.
— eu sinto pelo jeito que fomos obrigados a nos encontrar, mas estou tão feliz por estar com você de novo – falou o homem levando os lábios ao pescoço do castanho, os estalando no local em um beijo.
— Ennis, comporte-se – ditou o conde sorrindo minimamente, levando uma de suas mãos ao braço do homem.
— eu pretendo. Mas fica difícil com você por perto – sorriu o careca tentando, novamente, beijar o castanho, dessa vez no rosto, mas fora impedido quando Stiles encaixou a pedra vermelha em seu queixo, o impedindo de se aproximar.
Stiles desviou o olhar para os próprios ômegas, que se controlavam para não rosnarem para o homem que abraçava o seu alfa. Eles não gostavam muito de Ennia e isso Stiles conseguia ver muito bem. O castanho ignorou prontamente os olhares dos membros do bando Hale, que possuíam uma sobrancelha erguida em questionamento, para estalar os dedos. No mesmo instante os braços do beta atrás de si começaram a tremer, enquanto o mesmo ria nasalado, com um sorriso ladino sustentado na direção da nuca do humano, que lhe fitava pelo canto dos olhos. Os braços de Ennis começaram a se afastar, trêmulos, enquanto o homem mordia o lábio inferior, ainda sorrindo, ao mesmo tempo em que o conde sorria vitorioso. Derek observou, confuso, o castanho se afastar do homem assim que o caminho se encontrava livre para que ele pudesse caminhar sem que os braços do beta lhe tocassem.
— isso não é justo – resmungou o mais alto quando os seus braços pararam de tremer e caíram para os lados do corpo, agora relaxados.
— é claro que é. Você é um lobo, eu sou apenas um humano – argumentou o castanho, ajustando a sua roupa, agora um tanto amassada, ao corpo.
— apenas um humano, claro. Por que não toma café comigo, humano? – perguntou o homem, galanteador, observando o conde lhe fitar por sobre os ombros. Ennis sentiu o seu sorriso galanteador diminuir quando viu o olhar um tanto opaco do conde ser direcionado a mesa.
— estou sem fome. No entanto, eu agradeço o convite – disse o humano dando as costas a mesa após pedir licença e se retirar do local, deixando um Ennis desanimado para trás, assim como um Derek curioso.
— ele... está mesmo para baixo – murmurou Ennis ouvindo a porta da mansão se mover.
— é. Ele está, sim – ditou Liam, encarando o homem ainda irritado.
— Ennis, você já conhece o Derek? – perguntou Lydia, discretamente venenosa, vendo o lobo mais alto encarar o moreno de olhos verdes para quem a mulher apontava delicadamente.
— o homem que conseguiu abraçar a Rosa Negra sem que a mesma reclamasse por estar se sentindo inferior no ato? Não. Gostaria muito de saber como ele conseguiu abraçar o Stiles em uma situação daquelas – falou Ennis vendo o moreno de olhos verdes se levantar, lhe encarando com seriedade.
— Prazer, sou Derek Hale – ditou o moreno com um tom sério que fez os ômegas sorrirem vitoriosos.
— Prazer, eu me chamo Ennis Bishop. Mas o meu sobrenome não interessa, já que pretendo mudá-lo futuramente – disse o homem erguendo a sobrancelha para a grosseria pouco disfarçada do outro.
— podemos saber para qual? – perguntou Peter observando o careca sorrir ladino.
— Stilinski – respondeu Ennis vendo o moreno a sua frente tomar uma rápida expressão de surpresa, que logo se tornou em uma carranca fechada.
— não, não vai – Derek tratou de falar rapidamente.
— e eu posso saber quem é você para dizer que não posso? – indagou o beta mais alto vendo o beta de olhos verdes controlar um rosnado para si.
— deixa que eu respondo essa – disse Corey aparecendo, do nada, ao lado de Derek, enquanto apontava para a braçadeira do moreno com um sorriso nos lábios.
— esse lobo de olhos verdes é o noivo do Stiles – disse Corey e dessa vez fora Ennis que tomara uma expressão de surpresa.
— vocês estão brincando comigo – ditou o homem cruzando os braços enquanto encarava os dois morenos com um ar de superioridade.
— não está sentindo? Olhe para as orelhas dele – disse Liam sorrindo ladino para Ennis que no mesmo instante olhou as orelhas cobertas pelos adereços dourados.
— mas isso é... – Ennis cambaleou para trás um tanto surpreso enquanto os Hales o encaravam confusos.
— é isso mesmo. O nosso alfa não daria isso a alguém se não fosse para essa pessoa se tornar o nosso outro alfa – disse Ethan encarando o homem controlar um rosnado para o moreno a sua frente.
— lhes dê uma ordem – ditou Ennis entre dentes, deixando Derek confuso.
— perdão? – indagou o Hale vendo o beta a sua frente cerrar os punhos enquanto tentava sorrir ladino.
— vamos! Lhes dê uma ordem. Se você for mesmo o noivo do Stiles, eles serão obrigados a atender – desafiou Ennis vendo Derek estreitar o olhar, confuso, em sua direção.
— eu ainda não sou um alfa – argumentou Derek, cruzando os braços, um tanto nervoso por sua própria resposta.
— hunf! Você não entende onde está se metendo, certo? Pois você não precisa ser um alfa para ordenar o bando do Stiles. Eles são ômegas. Só obedecem a um tipo de alfa que não seja o Stiles – ditou Ennis sorrindo vitorioso enquanto recobrava a pose.
— eu não estou entendendo – falou Laura vendo o homem relaxar aos poucos.
— essas pedras vermelhas em seus brincos. Elas lhe dão o poder de controlar os ômegas de Stiles como um alfa secundário, como o verdadeiro parceiro do alfa deles – explicou Corey ainda sorrindo ladino.
— além, de conseguirem acalmar o outro eu do Stiles – complementou Isaac vendo Derek lhe fitar surpreso, assim como os outros Hales.
— Essas pedras são do mesmo tipo da pedra que está na bengala do Stiles. Você tem quase o mesmo poder que ele sobre nós. Mas é claro, que as suas tem um porém, assim como a do Stiles. A do nosso alfa só tem o poder que ela tem quando está com ele. Já as suas, só vão funcionar se você já tiver beijado o Stiles usando eles pelo menos uma vez, com ele lhe considerando o seu parceiro. Por tanto um beijo roubado ou forçado não libera o poder nelas contido – explicou Lydia sorrindo para o moreno que lhe fitou receoso.
— vamos, é só nos dar uma ordem qualquer que nós vamos fazer – incentivou Allison, confiante, vendo Derek engolir em seco.
— acontece que... Stiles e eu ainda não nos beijamos nenhuma vez – argumentou Derek, envergonhado, abaixando o olhar.
No mesmo instante Ennis sorriu largo, encarando o moreno a sua frente com superioridade. Ele sentia que o moreno a sua frente ainda não era um segundo alfa, como todos estavam alegando ser. Ele já havia presenciado um segundo alfa com o poder das pedras vermelhas a sua frente. No entanto, ele não sentia nada vindo do moreno de olhos verdes. Isso o aliviava. Enquanto Ennis sorria vitorioso, todos os outros encaravam Derek confusos e questionadores. Como assim eles ainda não haviam se beijado nenhuma vez?! Eles se viam confusos e perturbados. Derek estava mentindo. Não havia outra explicação. E aquelas duas vezes na clareira? Eles haviam se beijado. Todos viram eles se beijando. Primeiro Stiles o fez para irritar Braeden, para depois Derek o fazer quando o castanho não conseguia respirar.
— como não? E aqueles dois beijos na clareira?! – perguntou Talia, indignada, observando o próprio filho abaixar a cabeça um tanto envergonhado.
— é! Nós vimos ele lhe beijar para deixar a Braeden furiosa durante o duelo sagrado. – argumentou Liam vendo o moreno negar com a cabeça.
— Duelo sagrado? – perguntou Ennis, confuso.
— Stiles e uma beta estavam disputando pelo Derek – respondeu Laura, rapidamente, antes de voltar a se focar no irmão mais novo.
— espera! Você está me dizendo que Stiles enfrentou uma beta por esse aqui? – perguntou Ennis, indignado, apontando para o Hale a sua frente.
— mais respeito pela família que lhe deu um teto – repreendeu Kira vendo o homem rir nasalado, ainda indignado.
— nossos lábios não se tocaram quando ele me beijou. Ele...
— ele usou o truque do polegar, certo? – inquiriu Ennis, sorrindo vitorioso.
— truque do polegar? – perguntou Alexander, confuso.
— é. Você coloca a mão no rosto da pessoa, com o polegar perto da boca por pura encenação – disse o homem levando as mãos ao rosto de Derek, mesmo que o seu rosto expressasse o quanto não estava suportando a existência dele. No entanto, diferente do que Stiles fizera na clareira, ele não levou as duas mãos ao rosto do Hale. Ele levou apenas a mão direita, já que todos estavam sentados a sua esquerda.
— aí quando você vai beijar a pessoa, assim que estiver bem perto, você cobre os lábios com o polegar e recolhe os seus – explicou Ennis, antes, aproximar os lábios encolhidos do próprio polegar, que se encontrava sobre os lábios de Derek, mas fora impedido de continuar quando o Hale lhe afastou com certa força, lhe fazendo rir.
— entendo – murmurou Lydia, pensativa.
— eu fiz a mesma coisa com ele quando ele não conseguia respirar – explicou Derek vendo os familiares suspirarem. Cora ergueu as mãos para cima, enquanto Malia estapeava a própria testa.
— eu mereço! – exclamou a filha mais nova de Talia e Alexander.
— então significa que Stiles ainda não lhe aceitou como parceiro – falou Ennis, sorrindo vitorioso na direção do moreno de olhos verdes, que abaixou o olhar.
— o que implica que eu posso muito bem tentar tomar o seu lugar – ditou o beta visitante, com confiança, vendo o moreno de olhos verdes lhe fitar furioso.
— eu não vou permitir nem que você tente – rosnou o beta do bando Hale, vendo o novo membro do bando Stilinski cruzar os braços diante do peito.
— é bom que você reconheça que eu posso muito bem conquistar o Stiles, pois vai ser exatamente isso que vai acontecer – disse encarando o Hale lhe fitar com fúria.
— você não é uma ameaça para mim. É apenas um contratempo irritante – rosnou Derek observando o outro lobo rosnar para si em resposta.
Derek se retirou da cozinha a passos pesados. Perdendo o sorriso vitorioso de todo o bando ômegas, com exceção de Heather.
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