The Enchanted Violet Vanilla Opera

2 The Nostalgia is a Kind of Love


Notas iniciais
Chap meio choroso, primeiro chap, PrusAus, já tem um beijinho básico e algum choro^^ Mas fica muito melhor... MUITO MELHOR!

Roderich chegou, ofegante e encabulado por ter se atrasado assim pra um encontro com os amigos, ainda mais ele, que era tão pontual com os ensaios do seu grupo de teatro. Ele se sentou enquanto Tino sorria saboreando a sua taça de baunilha e Ludwig finalmente parou de ler o seu livro, mas seu celular já tinha parado de tocar faz tempo, e ele não fez nada senão guardar o livro junto ao notebook na pasta ao seu lado e afrouxar um mínimo a gravata da sua empresa.

-Perdão, eu acabei me atrasando, eu cheguei em casa, desmaiei no sofá e quando percebi que estava atrasado quase não consegui tempo pra tomar banho e me arrumar. –Falou, se sentando na terceira cadeira do lugar.

Espaçoso e todo decorado de branco, com até mesmo um palco do outro lado, o salão do outro lado seria usado pra uma festa muito exclusiva. Os 3 decidiram se reencontrar pela ascensão de Roderich como ator principal na próxima peça que faria. Era difícil dizer quantas vezes ele foi escalado pra isso, se não fosse tão talentoso, talvez o seu apartamento com vista pra toda cidade não fosse realmente de seu merecimento ou as grandiosas apresentações em teatros famosos. Roderich era um dos atores mais conceituados da Alemanha.

-Não creio que seja bom pra você ficar tanto tempo sem descansar. –Falou o loiro, olhando pro menu, finalmente decidido a escolher algo pela chegada do amigo.

-Eu também. –Tino sorriu, se olhasse pro lado naquela hora, provavelmente, veria Berwald corar um pouco com aquele sorriso doce com uma mancha de baunilha no canto dos lábios rosados. –E isso é na opinião profissional.

-Eu sei, apenas não quero perder o pique. –Falou, pedindo um pouco de café ao garçom mais próximo. –Mas e então, Ludwig, eu não te contei sobre a peça, contei?

-Não, você geralmente não conta e nos descobrimos quando assistimos. –Falou, curioso dessa vez. –Existe algo em especial dessa vez?

-Sim, a peça é Tevvo. –Sorriu, prevendo o brilho no olhar do outro que logo apareceu.

Tevvo era um dos livros mais vendidos de Feliciano Vargas. Ele ainda estava vendendo, na verdade. Tevvo foi um dos mais vendidos livros com tema homossexual do mundo. Ludwig nunca admitia o quanto gostava desse livro pra ninguém, apenas para Roderich e Tino. Era um livro na verdade muito bonito sobre um homem, que, se achando sem destino, tenta se suicidar, mas é salvo por um misterioso estudante alguns anos mais jovem, chamado Tevvo, e lentamente, os dois vão se apaixonando e encontrando um motivo pra viver em si próprios e criando metas pro futuro. O personagem principal, que seria interpretado por Roderich, se chamava Orleans, e tudo indicava ser uma grande peça.

-S-Sério? –Ludwig estava animadíssimo em saber que uma peça escrita por seu escritor favorito estaria ali, talvez tivesse até chance de conhece-lo. Era uma oportunidade tão única e marcante que não queria passar perto da chance de prendê-la. –Vo-vocês vão conhece-lo?

-Amanhã. Quer ir? –Perguntou, sorridente, sabendo que a resposta seria sim. A resposta logo veio e Tino riu.

-Mas e você Tino, faz tempo que você se dedicou muito no hospital, me impressionou quando veio aqui. Achei que não tinha mais vida social. Parecia até O Diabo Veste Prada. –Ludwig falou, tentando esconder o quanto tinha se tornado fã de Feliciano.

-Desculpem, eu realmente acabei me ocupando demais no hospital, porque alguns pacientes foram pra área psiquiátrica agora e eu fiquei muito mais ocupado. –Berwald tinha ouvido aquilo, mesmo distante, ele imaginava como aquele conhecimento ainda seria lhe útil. –Mesmo conseguindo alta pra maioria bem rápido, sem mais problemas, logo depois aparecem mais, e eu fico ocupado de novo. –Ele terminou seu sorvete e deixou a taça vazia de lado. –Só vim hoje por que era um dia especial.

Tino sorriu pra Roderich, era impossível não perceber uma aura de certa forma ciumenta em Berwald, mas ele se envergonhava disso, como estava com tanto ciúmes por alguém que encontrará poucas vezes e nunca conversara diretamente na vida?

-Assim você me constrange. –Roderich foi rápido, enquanto olhava pro outro lado corado.

-Aliás, Tevvo é um romance homossexual, se você é o personagem principal, já te contaram que cara você vai beijar? –Tino riu, mas Roderich na verdade não pareceu constrangido, riu também, seguido de Ludwig.

-Não, parece que o outro ator veio de outra parte do país, ele vai vir aqui e ser apresentado amanhã, junto com o autor. –Roderich parecia bem conformado com essa ideia, estava seguro de sua heterossexualidade, e não era um reles beijo ou papel que o mudaria tão drasticamente.

-Outra parte do país? Isso me lembra alguma coisa… -Ludwig coçou o queixo, de repente, interessado em saber o que acontecia com seu irmão. –Tenho certeza de não ser nada muito importante.

-Ok então. –O austríaco concordou, suspirando e finalmente decidindo escolher o prato.

Com o tempo, a conversa foi saltando de assunto em assunto, pensamento em pensamento, Ludwig sempre esquecendo das ligações do irmão, que se xingasse mais alto, talvez fosse ouvido do restaurante. Enquanto os três amigos contavam histórias acumuladas, ali embaixo, Matthew estava terminando com as flores e finalmente, se despedindo de todos pra poder ir pra casa, estava frio e ele realmente sentia que precisava de um taxi, mas foi convencido a ficar por um imprevisto com as flores, mas deixemos essa história pra outro capitulo.

Ludwig finalmente tinha terminado sua refeição, e Tino idem, Roderich, que comia tudo lentamente, pediu para os dois irem antes, ele mesmo pagaria a conta para se redimir pela sua demora e então, terminaria sozinho. Os dois agradeceram e foram antes, até porque, Tino ainda faria plantão naquela noite e Ludwig teria uma reunião cedo, enquanto que o ensaio de Roderich era apenas de tarde.

Roderich, lentamente, terminou sua refeição, pagou, e saiu sozinho, justo quando outras duas pessoas entravam ali. Um deles, era um loiro com óculos e casaco da aeronáutica americana, que passou direto por ele, mas a outra pessoa, com aqueles olhos vermelho-escuro era impossível não saber quem era. Gilbert Weillschmidt, o irmão de Ludwig, Roderich não queria encontra-lo, era a ultima pessoa no mundo que queria encontrar. Por que agora? Por que não terminou de comer antes e saiu como todos? Ele se arrependeu de seus hábitos e começou a caminhar em passos rápidos pra fora dali enquanto Gilbert conversava com o recepcionista pra saber se alguém como seu irmão tinha passado por lá.

Com sorte, Roderich sairia de lá, um sorriso foi plantado perfeitamente em seu rosto. E desmanchado tão rapidamente quanto feito ao ouvir o tom de voz do outro se referindo a si.

-Roderich? –Questionou o outro, se aproximando. Roderich quase cogitou a ideia de fugir dali, mas sua etiqueta o impediria de fazer isso. –Roderich, é você mesmo?

-Gilbert, há quanto tempo. –Falou, seu talento como ator era muito bem perceptível a todos que soubessem que ele odiava Gilbert. –Como anda?

-Bem, na verdade, faz um tempo que eu cheguei do aeroporto, mas o Ludwig não atendeu minhas mensagens e ai, eu fiquei sem opção, se não vir até aqui, onde ele janta com vocês e ver se ele não estava aqui. –Gilbert falava, coçando a cabeça.

Cinco anos. Durante cinco maravilhosos anos, enquanto Roderich chegava ao ápice de sua carreira de ator, Gilbert tinha encontrado um emprego no outro lado do país, e ido pra lá e Roderich realmente esperava nunca mais ver o outro, mas a sorte não tinha sorrido pra ele.

-Pode me levar até a casa dele? Faz tempo e eu esqueci onde fica. –Gilbert sorriu.

-Claro. –“Que não!”

A maldita etiqueta de Roderich o impedia de não ser cortês mesmo com Gilbert, ainda mais em publico, temia que Gilbert tivesse um dos seus famosos ataques e chamasse atenção, e pior ainda se revelasse alguma coisa sobre a experiência deles quando estavam estudando juntos. Isso seria realmente humilhante, e se somado ao seu papel na peça Tevvo, sua reputação seria jogada fora.

-Ok. Vamos. –Falou, saindo do restaurante e indo até o estacionamento dali, perto de um belo canteiro de flores, seu carro estava bem estacionado. Por um instante, enquanto Gilbert pegava sua bagagem no taxi em que veio, ponderou se não poderia correr e deixa-lo lá.

Logo que estavam os dois bem instalados, Roderich começou a impulsionar o carro. A casa de Ludwig era distante do restaurante e ele nãoqueria passar mais tempo que o necessário perto de Gilbert.

-Ei, Roderich. –Chamou, meio distraído. –Enquanto eu estava fora, nesses cinco anos, você sentiu minha falta?

“Quando você correu pra bem longe? Deixou seu primeiro namorado sozinho depois de ter feito sexo comigo tantas vezes e dito que me amava ainda mais vezes e deixando um buraco no meu coração? Imagina.” Obvio, Roderich não ia dizer isso. O passado estava no passado, o que foi, foi e com sorte, nunca mais será.

-Não, na verdade, nem tanta. –Falou, tentando se proteger de qualquer ataque dele. –Me distrai muito com o trabalho, vi outras pessoas.

-Entendo. –Ele falou, ainda meio distraído. –Mas você nunca conseguiu me esquecer, né?

“Não, seu idiota, é claro que não consegui, você surge do nada, transa comigo de umas duzentas formas trezentas vezes e em cem lugares diferentes e fica dizendo que me ama o tempo todo pra desaparecer! É claro que não dava pra te esquecer depois de ter me marcado tanto.”

-Um pouco, de vez em quando eu me ocupava tanto com um projeto que esquecia até de comer. –Falava, batendo os dedos no volante.

-Eu tenho que te dizer que sempre sentia saudade da cidade. Voltar pra cá, rever o Tino, o Ludwig, a Elizaveta... –Falou, querendo dizer mais alguma coisa. –Mas tenho que te dizer que a sua lembrança era bem mais nostálgica que a de todos os outros.

Roderich engoliu em seco com aquela afirmação. Não sabia direito o que fazer naquela situação. Ele poderia dar-lhe um beijo e encerrar o assunto. Ele não podia terminar com aquilo de vez. Depois de cinco anos acabou com medo de se relacionar com outras pessoas por Gilbert ter lhe deixado uma marca muito forte. Aliás, varias marcas, em várias partes. Se lembrava que ainda tinha uma marca de chupão tão forte na coxa esquerda que depois de 5 anos ficou lá, gravada, como se fosse uma cicatriz. Cicatriz de amor, Gilbert dizia.

-Você saberia dizer, se te perguntassem, a diferença ente nostalgia e saudades? –Gilbert perguntou, mas Roderich decidiu manter o pé atrás naquilo, temendo o que ele iria dizer.

No carro ao lado, um italiano mal encarado discutia com o espanhol que dirigia, e no banco de trás, um outro italiano, desencanado com a vida e totalmente calmo olhava pela janela, viajando, enquanto com um notebook, digitava várias e várias paginas com incrível facilidade.

-A diferença principal entre saudade e nostalgia, que muitas pessoas confundem é que a nostalgia é mais forte que a saudade. A nostalgia pode deixar uma pessoa depressiva, apesar de na verdade, ser retratada de um jeito muito romântico. –Gilbert falou. Se tivesse se concentrado em outra coisa que não a vista da cidade, veria a força exagerada com que Roderich pegava no volante, do jeito que estava corado e como sua atuação inteira de bom amigo e ex-amante estava indo pelo buraco conforme mais sentia o cheiro de Gilbert e percebia o quanto ele tinha ficado ainda mais bonito depois de cinco anos. –A nostalgia é geralmente a saudade não de um objeto ou lugar, mas sim de uma época da vida a qual não se pode voltar, porque o tempo passou e nada é mais como já foi. A saudade é um tipo de paixão, porque se degrada ao longo do tempo, e com o tempo, você tem pequenos ataques de saudade de montes de coisas que você pode fazer de novo, diferente da nostalgia, que só faz crescer, de épocas que você não pode mais repetir, e ai, você fica se sentindo meio pra baixo, e isso resulta em uma depressão às vezes, a nostalgia pode levar uma pessoa a ficar doente, não é impressionante? É por isso que eu acho que a nostalgia é um tipo de amor.

Roderich engoliu em seco, fazendo certa comparação, ele sabia exatamente o que queria perguntar pra Gilbert depois daquela afirmação. –Então... quando você diz que sentiu saudade de mim durante todos esses cinco anos, o que você quer dizer?

Roderich se encolheu depois daquela pergunta, cuja resposta não existiu, eles ficaram calados, cada um em seu canto, mas Roderich, obviamente queria apenas uma oportunidade pra desabar, bem distante de todos, onde pudesse chorar sozinho, assistindo algo bem triste, algo como... O Menino do Pijama Listrado, ou então A Cor Purpura e Escritores da Liberdade, ou algo com um nome realmente triste como Um Amor pra Recordar ou A Vida não É um Conto de Fadas, Em Busca da Felicidade e A Procura da Felicidade... Ou ainda o filme que mais retrataria sua situação: O Segredo de Brokeback Mountain. Nossa, como ele odiava aquele filme, mas era ótimo pra chorar alguns rios, na verdade, ele odiava filmes de drama, mas de vez em quando, quando ia chorar, preferia chorar assistindo um daqueles filmes, sempre que assistia algo assim, chorava todas as suas magoas de vez, muitas vezes, incluía Gilbert, e mesmo dedicando a vida a assistir Réquiem para um Sonho, talvez não chorasse o suficiente por toda a magoa que Gilbert o havia feito sentir.

Logo, chegaram ao prédio que Ludwig morava, os dois ficaram parados alguns momentos, até Gilbert descer e deixar as malas ali. Roderich não sabia explicar porque demorava tanto pra acelerar, talvez esperasse que Gilbert abrisse aquela porta e o beijasse e dissesse que nunca conseguiu parar de pensar nele e que o amava e que queria reconstruir tudo que destruiu quando foi embora sem se despedir ou dizer onde ia e só ser avisado alguns dias depois, por Ludwig.

A porta do passageiro foi aberta e Gilbert apareceu, a fechando e deixando suas malas do lado de fora. Roderich foi prensado contra o assento e seus lábios foram vorazmente possuídos pelos de Gilbert. Gilbert segurou as bochechas coradas de Roderich e o vez se aprofundar mais no beijo, coisa essa que Roderich permitiu sem nem calcular nada.

Naquela noite fria, Roderich estava com o corpo frio, e ao mesmo tempo, quente pela presença de Gilbert. Os lábios deles se separaram e, enquanto o albino tocava a testa do outro com a sua, e o outro derramava algumas poucas lágrimas teimosas ele recitou:

-A outra diferença entre nostalgia e saudade é que a nostalgia cresce e não some quando se encontra com o objeto da saudade. E o fato de eu te reencontrar, só me faz querer fazer mais coisas com você. –E mais um beijo, deixando os lábios de Roderich vermelhos de tanto que Gilbert exigia deles. –Eu nunca deixei de pensar em você, e muito menos de te amar. E ainda mais, pensava nas coisas que faríamos quando nos reencontrássemos. –Logo depois, dessa frase, ele saiu de cima de Roderich, se distanciando um pouco e abrindo a porta. –Até logo, eu te amo.

No momento seguinte, Gilbert já tinha levado suas malas para dentro do prédio, e já estava distante. Talvez tantos nãos em peças e alguns filmes, deixaram Roderich meio romântico, porque, quanto mais tinha sentido de Gilbert naquela noite, mais queria sentir no dia seguinte, e depois no próximo, e no próximo, e no próximo...

Não. Ele não se permitiria se apaixonar de novo, pela mesma pessoa que o abandonou durante cinco anos. Não iria dar-se ao luxo, de sofrer de novo do mesmo jeito que jurou nunca sofrer durante anos.

Notas finais
Nossa, eu chorei^^
Caso queiram saber mais sobre qualquer um dos filmes citados, podem me perguntar, mas a maioria é bem choroso. Acreditem ou não, eu chorei lendo a sinopse de Réquiem para um sonho. O próprio nome, réquiem, caso não saibam, é uma missa rezada pela alma de um morto.