The Enchanted Violet Vanilla Opera

3 I Am Enchanted to Meet the Love of my Life


Notas iniciais
Atualmente, a proporção de reviews por chap dessa história é de 6 r/Chap, sabiam q isso é metade do meu recorde em Hipoteticamente. Essa história é uma one-shot com 12 reviews, portanto, 12 r/Chap, meu recorde^^
Bom, o primeiro Chap Gerita promete, mas eu quero a opinião de vcs^^

Os dedos de Feliciano estavam, diante do laptop tão congelados que pareciam mergulhados em água. No quarto, de noite, apenas a luz do laptop iluminava o quarto e apenas o farfalhar das folhas faziam qualquer som.

Doces, massas, assistir TV, nada mais o havia inspirado, ele releu sua última obra e a anterior e a anterior, mas nenhuma ideia lhe vinha à mente. Tinha que saber algo, tinha que ter uma ideia pra continuar escrevendo, ele releu o ultimo trecho, talvez recomeçar o fizesse ter alguma ideia:

“-Qual o seu nome? –Perguntou ao loiro, com o livro em mãos. Ele sorriu, seus olhos como cristais encararam o menor.

-Meu nome é ”

-Seu nome é... –Feliciano cochichou para si mesmo, mas não houve nenhuma resposta.

Ludwig não tinha erros ou imprevistos na sua rotina. Cada passo era calculado com tanta facilidade e casualidade que ele parecia um robô em rotina. Em anos, a única exceção seria aquela. Não ficar apenas em casa ou ir até a empresa antecipar o trabalho de segunda durante um sábado de manhã e ir com Roderich ao teatro conhecer um de seus grandes ídolos.

Deu-se o luxo de demorar um pouco mais pra se arrumar propriamente, e ainda assim, tinha medo do que vestir.

Era como se estivesse indo almoçar com Deus. Você não sabe que roupa usar.

Enquanto empilhava todas as roupas que tinha e usava apenas uma toalha em volta da cintura, ele ligava pra Roderich e deixava no viva voz, ao lado da cama.

-Alô? –Era a voz de uma garota, mais precisamente, Elizaveta.

-Oh, Elizaveta, bom dia. –Ludwig saudou, corado por um instante por falar com uma garota vestindo tão pouco, mas se lembrou que era só por telefone. –Onde está Roderich?

-Ludwig, eu dormi aqui, o Roderich teve algo ontem e por algum motivo, assistimos O Segredo de Brokeback Mountain umas três vezes e ele chorou muito até conseguir dormir. –Ela falou, parecia preocupada. –Não sei o que aconteceu ontem, mas traumatizou-o, sabe de algo que pode ter feito isso com ele?

-Pode esperar um segundo? –Falou, abrindo a porta por um instante e indo até o quarto de hospedes, onde seu irmão estava esparramado na cama. –Gilbert, ontem a noite quando você veio aqui, algo aconteceu com Roderich?

Talvez fosse um código estranho. Uma senha especial misteriosa que fez Gilbert levantar na mesma hora e sair de lá corado, correndo em direção ao banheiro do corredor. –Não tenho ideia!! –Berrou, já dentro do banheiro.

-Roderich me falou que deixou Gilbert na sua casa e depois voltou, mas não sei de mais nada. –A húngara suspirou. –Vou deixar ele dormir mais um pouco e preparar algo pra ele. Vocês tinham marcado algo pra hoje, né?

-Sim, mas se ele não pode ir então acho que tudo bem. –Talvez fosse bom aprender como disfarçar a tonalidade depressiva em sua voz.

-Não! –Ela gritou. –Ele vai sim! Hoje é um dia importante na peça, eles vão conhecer o escritor Feliciano Vargas, eu vou fazer ele acordar e vamos lá, eu também quero conhecer ele! Adorei ler Tevvo!

Seria um ótimo momento pra um encontro de fãs de Feliciano, ela parecia tão ou até mais determinada que o próprio alemão.

-Em todo caso, se apronte e vá pra lá, me ligue quando chegar e eu avisarei como está Roderich, mas se Feliciano aparecer, me ligue na hora e eu saberei que devo acelerar o passo. –Ela falou. Elizaveta pode ser uma das melhores e mais cuidadosas empresárias que qualquer ator podia ter. –E diga pra Gilbert ir logo também, ele não pode se atrasar pro primeiro ensaio que vai fazer aqui.

Obvio que Ludwig sabia que seu irmão estava na peça Tevvo, o havia contado faz tempo, e devia ter o pego no aeroporto para que ele tivesse uma boa noite de sono e então, poder ir para o seu primeiro dia na peça bem. Ele também pediu pra não contar nada pra Roderich, mas ele sabia que acabariam se encontrando e que poderia ser uma surpresa pro austríaco. Eles eram amigos antes de Gilbert se mudar, lembrava-se que raramente conversavam muito e que discutiam muito fácil, mas que estavam constantemente no mesmo lugar.

Alguns achavam que eles tinham um caso, mas ambos tinham mulheres ao seu redor, e isso não teria como. Afinal, quem namoraria outro homem? Não que Ludwig fosse homofóbico ou coisa do gênero, mas… não sabia dizer como a ideia de dois homens juntos se encaixava em sua cabeça. A única vez que se encaixou, foi lendo Tevvo, mas fora daquele livro, a homossexualidade era algo estranho pra ele.

Suspirou, por fim, escolheu uma camisa branca e calças pretas, tudo social, incluindo os sapatos pretos. Colocou por fim, uma gravata vermelha e ajeitou-a no pescoço, sentia-se confortável assim.

-West, eu to pronto, vamos? –O albino gritou, aparecendo lá com um jeans, tênis all-star pretos, uma camiseta preta embaixo de um moletom vermelho, com os cabelos ainda um tanto desgrenhados.

-Você vai assim!?! –Ludwig berrou, comparando as vestes dos dois.

-Você vai assim!?! –Replicou o outro. –É sério cara, não é como se você fosse jantar com uma celebridade, vai só conhecer algumas, mas só pelo fato de estar ao meu lado, isso deve te dar confiança pra ir adiante.

-Eu devo me trocar? –Ludwig questionou, baixinho.

-Quem dera tivéssemos tempo pra isso. –Gilbert retrucou, fazendo o outro se sentir um tanto culpado. –Vamos logo, você vai ter que me levar, eu ainda não tenho carro aqui.

Feliciano encarava a janela do carro enquanto os dois no banco da frente brigavam. Seu irmão conseguia transformar tudo que Antônio dizia em um grande debate politico, cientifico ou social, mas nada saia impune de uma grande briga entre os dois.

O italiano estava triste apesar de tudo. Por mais que pensasse, não conseguia dar um nome ao personagem principal de seu livro. O misterioso loiro de olhos azuis era misterioso até mesmo para seu criador. O garoto se recostou, era uma das raras vezes que ficava quieto e até triste, queria continuar escrevendo. A Opera Encantada Violeta de Baunilha tinha tudo pra ser um de seus grandes sucessos. Antônio e Lovino, como seus editores, estavam ansiosos pra ver o livro completo, mas ele não conseguia sair nem do inicio da história.

Feliciano olhou pros lados, como se a inspiração pudesse aparecer do nada, talvez de alguma forma, ela estivesse por perto, apenas não sabia onde procurar direito. Ele devaneou pelo resto de toda a viagem, se concentrando em todas as coisas que podia, mas nenhuma misera ideia que fosse passava pela sua cabeça.

Logo, Feliciano chegava ao teatro onde conheceria o grupo que encenaria Tevvo. Ele de longe, já conhecia o grande teatro belo e espaçoso que era aquele, mas sempre esteve curioso de conhecer os camarins.

Ludwig e Gilbert chegaram, lá, um homem russo os esperava. Sorriu ao ver Gilbert e Ludwig, e só então, percebeu que uma garota estranha andava ao lado dele, anotando tudo, mas tinha uma cara que na verdade, dava medo a eles. Talvez, se conhecesse melhor o homem com quem falavam, teriam medo dos dois.

-Você é Gilbert Weillschmidt, não é? –Ele perguntou, esperando a resposta positiva que logo veio. –Que bom! Estávamos esperando por você. E você deve ser Ludwig, Roderich avisou que viria, pode entrar, Elizaveta disse que eles estavam a caminho.

-Ivan, meu amor, o senhor Vargas chegou. –“Meu amor”? Aquilo podia ter sido um pouco impróprio, mas o próprio homem parecia ter medo de corrigir a garota.

-Pode ir na frente, Natalya, eu já estou indo lá, deixe eu apenas mostrar onde Gilbert e Ludwig ficarão. –O garoto sorriu, ele na verdade, parecia ser bem forte, mas a garota devia ter algo de superior, tipo aquela aura aterradora.

-Na verdade, Ludwig veio aqui justamente pra conhecer Feliciano, então, será que ela poderia o dizer onde ir? –Gilbert falou, dando alguns tapinhas amigáveis nas costas do irmão, de certa forma, estava tentando deixa-lo com aquela garota assustadora pra se vingar por ter esquecido dele.

Amor de irmãos era uma coisa linda.

Com uma pasta pra seu laptop como bolsa, Feliciano esperava calmamente, ao lado de seus companheiros, Antônio e Lovino. Ambos ainda estavam discutindo algo sobre como usar tomates bem em alguma receita. Antônio e Lovino ficavam bonitinhos juntos, alguns achavam que namoravam quando não os conheciam. Feliciano nunca pensou nos dois assim, pra ele, seu irmão e seu amigo eram apenas seus mais queridos amigos e editores.

A atmosfera do teatro era inspiradora por si só, bonita, poderia conquistar facilmente até mesmo quem não gostasse daqueles lugares antigos. A cabeça de Feliciano, entretanto, viajava com uma passagem só de ida pra um mundo distante, em algum lugar distante até mesmo de seus próprios pensamentos. Algum lugar onde aquele homem de cabelos azuis tinha um nome. Mas era um mistério, pra Feliciano algo faltava, mesmo Antônio e Lovino concordavam, que diferente de suas outras obras, mesmo que só no começo, estava faltando sentimento naquilo, faltava paixão. E essa paixão era algo que nunca faltava em Feliciano, ele era italiano, pelos deuses! Como Paixão era o que lhe faltava!?! Ele devia ter paixão vazando pelas orelhas!

-Feli? –Antônio perguntou, ao perceber o outro calado demais. –Algo errado?

-Não! –Sorriu, recuperando o bom humor italiano. –Apenas pensando em algumas coisas!

-Ok então. –Antônio recuou, achando que talvez, ele só precisasse de algum tempo mesmo.

-Com licença. –Logo, uma garota e um garoto apareceram. Ela era extremamente bonita, com cabelos castanhos ondulados e o outro usava óculos e parecia um pouco desconfortável enquanto a garota o puxava. Ela parou e olhou pra Antônio. –Vocês sabem se o ensaio já começou?

-Não. Você é uma das atrizes? –Lovino questionou, olhando pra ela com um de seus olhares irritados.

-Não, sou a empresária desse daqui. –Ela falou, apontando pro garoto. –Sou Elizaveta e esse é Roderich, ele está fazendo o papel principal, mas ele ta meio atrasado. Sabem se o Feliciano Vargas chegou, eu estava doida pra conseguir um autografo dele.

-Ele ta bem atrás de você. –Antônio sorriu, apontando pro garoto italiano que parecia divagar em pensamentos.

Elizaveta começou a formar um sorriso no rosto, não sabia o que fazer, dizer, como se portar, o que falar, apenas pode corar na frente de seu ídolo. Ela saltou na direção dele, apertando a mão dele e o garoto sorriu, apreciando a hospitalidade de uma garota bonita. Eles conversaram durante algum tempo, ela soltava várias exclamações de adorações e Roderich apenas se atrasava mais e mais. Lovino estava emburrado pelo atraso que aquela garota gerava e Antônio imaginava se ela se curvaria e reverenciaria Feliciano, porquê indiretamente, era o que ela fazia.

-Com licença, Feliciano Vargas? –Perguntou outra garota, com uma prancheta na mão, anotando tudo. –Prazer, sou Natalya Arlovskaya, sou a assistente do diretor da peça, pode nos acompanhar.

Logo depois, um home loiro chegou e pregou os olhos na hora no italiano que se aproximava da garota.

Aquele era seu ídolo.

Um garoto jovem, sorridente e de cabelos castanhos, com um corpo magro e muito pouco bronzeado, seus olhos lembravam as folhas de árvore no outono, românticas e encantadoras. O sentimento era reciproco enquanto o italiano pregava os olhos no homem alemão de estatura alta. O corpo forte parecia uma versão alemã dos heróis gregos, fosse pela pele branca linda, fosse pelos belos e elegantemente arrumados fios de ouro em sua cabeça, fosse pelos olhos azuis como cristais, ele era exatamente como descrevia o misterioso protagonista de sua história. Não, talvez fosse mais ou menos assim que ele descreveria um anjo.

Alguns segundos se passavam enquanto os dois encaravam um ao outro com tamanha exaltação que pareciam estar olhando pra belíssimas obras de arte no Museu do Louvre. Estavam extasiados com a mera existência dos dois no mesmo plano.

Natalya olhou pra ambos, procurando algo em que os dois prendiam a atenção, Lovino estava incomodado, Elizaveta e Antônio estavam curiosos e Roderich pegou o seu relógio pra checar as horas. Cinco minutos, eles tinham perdido mais cinco minutos só com os dois se encarando.

Ludwig estava querendo saber o que nele o deixava tão fora de si que o encararia por séculos. Talvez fosse pelo fato de achar que ele poderia ser perfeito. Nenhum único defeito na pele aparentemente macia e delicada, o cheiro dele que atingia suas narinas naquela distância parecia uma fragrância nostálgica, que o lembrava do cheiro da grama molhada pelo orvalho e ao mesmo tempo, o cheiro de café quente e doce. Se tivesse qualquer chance de visitar o céu, queria que o céu tivesse aquele cheiro e aquela aparência igualmente.

Feliciano imaginava que tinha encontrado seu coração batendo como não batia em muito tempo. Com uma simples visão de alguém podia deixa-lo tão extasiado que não conseguia nem encontrar o chão abaixo de seus pés, como se o mundo inteiro estivesse sendo devastado e só eles sobrassem.

-Oi? Ludwig? –Roderich perguntou, se aproximando e estalando os dedos em frente ao loiro, que se recompôs, corando bruscamente logo depois. O outro deu um sorriso e se aproximou do outro. –Estamos esperando a quase 10 minutos.

-Esse é seu nome, Ludwig? –Perguntou, sorridente e com alguns tons leves de rubro no rosto.

-Sim. –O outro corou, sem saber o que fazer perto de Feliciano.

-É um nome muito bonito. –Sorriu, estendendo a mão em direção ao loiro. –Prazer, Ludwig, sou Feliciano Vargas. Encantado em conhecer.

-Prazer, Feliciano, sou Ludwig Weillschmidt. –Sorriu, enquanto apertava a mão do outro. Aquele contato que devia ter durado apenas alguns segundos durou mais alguns minutos e agora, ainda mais próximos, Ludwig ficava entorpecido pelo cheiro vivido e nostálgico que Feliciano emitia e o outro estava impressionado pela perfeição dos traços do outro.

Só então, eles perceberam que foram deixados pra trás pelos grupo.

-Acho que eles cansaram de nos esperar. –Feliciano estava totalmente corado ao olhar pro maior e percebê-lo corado também. -Acho melhor irmos também.

-É. –Sorriu, se aproximando do italiano, os dois demoraram algum tempo andando.

-Me recuso a contracenar com ele, Ivan. –Roderich disse, com Gilbert ao seu lado.

Natalya anotou aquilo e olhou pros dois a sua frente. Gilbert logo depois avançou um pouco. –Sinceramente, Roderich, você estará atuando comigo, que problema vai ter nisso?

-Justamente esse. –Falou, retrucando.

Ivan suspirou, sentado na sua cadeira e com um pouco de café(com vodka) na mão, ele esperava ter alguma paz e assistir aos treinos de seus atores bem o suficiente pra ter um bom sábado e dizer que valeu a pena.

-Ivan, meu amor, me permite? –Natalya perguntou, apontando pros dois, que discutiam e gritavam a plenos pulmões e o russo suspirava, concordando. Ela se aproximou dos dois e avançou o rosto na direção deles, quanto mais perto ela estava, mais assustadora parecia, os dois recuaram um pouco. As luzes do teatro pareceram ficar assombradas e falharam algumas vezes, enquanto ela andava. –Vocês… -Ela chamou, levantando o dedo que parecia um graveto de uma árvore pálida naquela luz estranha. –Vão… -A voz dela era cavernosa como a de uma bruxa amaldiçoando os moradores de Salem. –Contracenar… -E então, ela lentamente levantou a cabeça que fez um barulho horrendo de ossos quebrando e estalando no pescoço, enquanto o rosto estava quase totalmente coberto por cabelo, exceto um olho, um horrendo olho com pupila dilatada que parecia estar possuído pelo próprio Lúcifer. –Juntos! –Ela terminou, com as luzes apagando todas em um flash e então, acendendo, revelando uma Natalya parada ao lado de Ivan como se nem tivesse se mexido, anotando algo como “problema resolvido”.

-Tudo bem? –Ivan questionou, os dois estavam abraçados e paralisados de medo.

-Ok… -Eles só puderam dizer aquilo, antes de se separar e esperar a respiração normalizar.

-As vezes eu acho que seria legal se você parasse de assistir tantos filmes de terror japoneses. –Ivan sorriu pra garota que apenas concordou e anotou isso também. –Aliás, como vai o seu cosplay de Samara Morgan?

-Bem, mas acho que ainda não consigo me adaptar à personalidade dela. –Natalya finalizou, suspirando.

Ludwig e Feliciano logo apareceram, se sentando em duas cadeiras, juntas, uma ao lado da outra, enquanto Elizaveta também estava na plateia, assistindo aos ensaios do primeiro ato. Lovino e Antônio também estavam lá, mas distantes e provavelmente discutindo.

Durante os ensaios, Natalya escreveu tudo o que precisava ser melhorado nos atores e as ideias deles e de Ivan. O russo, por sua vez, foi um ótimo estrutor ao criticar tudo que podia ser melhorado, ele tinha renome como diretor de peças e era contra isso acabar. Na plateia, além dos que já foram citados, havia outro convidado, vestindo um terno e sapatos sociais, como se ainda fosse trabalhar depois dali, mas tinha um motivo especial ali, ele estava observando Ivan, sorrindo.

O russo, quando percebia isso, corava um pouco e recuava, mas continuava seu trabalho.

Ludwig e Feliciano ficaram conversando durante horas e horas, nem percebendo o tempo passar. O italiano conseguia encantar o outro sem nenhum problema e talvez, até mesmo inconscientemente.

Com o tempo passando, os ensaios tiveram uma pausa assim que aconteceu o almoço e depois, perto das seis, com o sol no crepúsculo, os ensaios terminaram, a maioria dos atores estava cansado, mas aquele homem de terno, deu apenas algumas ligações durante o ensaio e se manteve lá o tempo todo. Ele estava indo encontrar Ivan, assim que os ensaios terminaram.

Roderich conseguiu esconder perfeitamente a mágoa que tinha com Gilbert, mas Gilbert teve algumas dificuldades em manter a relação dos dois em nível profissional. Pra Ludwig, algumas vezes, realmente se questionou se aqueles boatos do colégio não podiam ser verdade, mas logo se lembrou que eram ambos grandes atores contracenando.

-Feliciano! –Lovino berrou, se aproximando do outro ao lado de Antônio. –Antônio e eu temos que ir pra editora. Parece que algum filho da puta fez merda e agora temos que ir ajeitar aquela porcaria de lugar antes que foda tudo. E só pra alegrar o meu dia, pode ser que passemos a noite toda lá!

Sujeito agradável pra se conversar, não?

-Em todo caso, não tem como te levarmos pra casa agora. –Falou o espanhol. –Vai pegar um taxi ou vai com a gente?

-Bem… -Feliciano ficou pensativo por um instante, olhando pros lados.

-Anda! –Lovino gritou, fazendo o seu gêmeo recuar e bater contra o alemão, que o segurou pelos ombros.

-Eu posso te levar pra casa, se quiser. –Ludwig falou, sorrindo pro seu novo amigo.

-Verdade? –Os olhos castanhos do garoto próximo a si pareceram reluzir.

-Não! –Lovino berrou, puxando o irmão. –Com ele você não vai.

-Porque? O Ludwig é muito legal comigo. –Feliciano sorriu, fazendo Ludwig corar um pouco.

-Porque eu não fui com a cara desse dai! –Falou, segurando o irmão assustado pela gola. –Olha só, ele parece uma batata!

Uma... batata?

-Mas ele é legal comigo. –Feliciano retrucou, mas seu irmão parecia bem influente no que desrespeito a vontade do outro.

Antônio apareceu logo depois, colocando a mão diante da boca de Lovino e o puxando pra perto de si com um sorriso. –Obrigado pela carona, Ludwig, ele sabe o endereço, vai te guiar. Lembrando, Feli, é provável que cheguemos bem tarde, então vamos dormir na minha casa pra não te atrapalhar o sono. Durma bem.

E então, arrastando o italiano briguento consigo, deixando o alemão e o outro a sós. Se demorassem mais um tempo, talvez assistissem a um pouco da briga de Gilbert contra Roderich e os métodos nada ortodoxos de fazerem as pazes enquanto estavam a sós no camarim, mas isso é outra história.

Assim, Ludwig, pode ficar ainda mais tempo com seu ídolo e escritor favorito.

Com o tempo passando, o céu ficava escuro e os postes eram acesos. Lentamente, a cidade tomava um clima um tanto romântico e, quando perto do prédio de Feliciano, Ludwig percebeu que o outro estava dormindo bem aconchegado no recosto do banco do passageiro. Seu próprio irmão disse que voltaria com Roderich pra casa então estava despreocupado sobre isso.

-Feliciano, acorda, chegamos. –Ele chamou, e lentamente, os olhos castanhos piscaram, e encararam a imagem do outro.

-Obrigado, Ludwig. –Ele se levantou, abrindo a porta.

Talvez a palavra que descrevesse o que enchia o corpo do outro fosse paixão. E era justamente aquela paixão que lhe faltava nas palavras dos livros escritos por suas mãos delicadas.

Ludwig era um nome bonito. O nome perfeito para o seu personagem principal.

Feliciano saiu do carro sorridente, entrando rapidamente no condomínio em sua frente, animado e talvez, até mesmo apaixonado. Ludwig ficou hipnotizado de novo pelo rosto do italiano sorridente enquanto ele entrava no prédio. O loiro então, ao ver que o outro entrou em segurança, desfrouxou a gravata e desabotoou os primeiros botões da camisa, olhando pros lados e se recostando na cadeira, era em parte, vontade de ser mais ou menos como Feliciano, no sentido de se sentir relaxado e confortável como ele.

Só então, percebeu que o outro havia esquecido sua pasta com o laptop e a pegou, puxou a gravata e abotoou a camisa, disposto a ir lá entrega-la. Atravessou os portões e descobriu o apartamento do outro com o porteiro. Além de si mesmo no elevador, havia também um homem alto e com cabelos loiros, de óculos e expressão séria e usando terno, qualquer um que visse os dois ali, acharia que estavam fazendo a segurança de alguém importante, mas o outro desceu do elevador 2 andares antes, no 5° andar. Logo, Ludwig também chegou ao seu destino e chegou ao final do corredor, apartamento 78, ele suspirou e apertou a campainha, que tocou uma estranha musica italiana.

-Quem é? –Feliciano cantarolou, pelo interfone na porta.

-Feliciano, sou eu, Ludwig, você esqueceu o seu laptop no carro. –Comentou.

-Ok, espera um segundo. –E então, outra campainha anunciou o final da comunicação.

Logo, Feliciano abriu a porta. A camisa que usava tinha sido desabotoada, e ele estava com uma calça moletom, a pele branca e delicada do seu peito era perfeitamente exposta pro alemão como se fosse um banquete esperando pra ser devorado, se assim me permite dizer, por completo.

-A-Aqui está. –Ludwig estendeu a pasta, e Feliciano sorriu, estendendo sua própria mão. Ele segurou e mão do maior, sem querer.

Outro contato que durou mais do que o imaginado. Talvez alguns minutos que o italiano levou, sentindo a textura máscula e musculosa do outro. As mãos deslizaram uma pela outra até finalmente, Feliciano pegar a pasta em suas mãos.

Eles ficaram hipnotizados um pelo outro de novo, até finalmente, dessa vez, ser quebrado aquela tensão com mais facilidade pelo alemão, que se mantinha ainda mais corado que o normal, talvez por ver o italiano quase sem camisa daquele jeito, ou ainda mais por estar excitado com isso.

-Feliciano, conhecer você foi… -Que palavra poderia descrever a sensação magnifica de estar na presença de Feliciano, a única palavra que passou pela sua cabeça foi: -Encantador.

-Esse sentimento é reciproco, Ludwig. –Quando pode finalmente mirar nas orbes castanhas que eram os olhos de Feliciano, este tinha pego suas mãos e as apertado forte com as suas.

Eles ficaram assim por algum tempo, se se beijassem, o que era provável, não estariam fazendo nada que não vieram protelando desde que se conheceram. Feliciano estava louco para escrever, e decidiu que aquele nome era mais que perfeito. Ludwig.

-Ludwig. –Feliciano chamou, tão corado quanto o outro. –Você ouviu, eu vou ficar sozinho durante a noite e eu realmente odeio isso. Agora, mesmo que eu chame alguém, devem estar jantando com a família, ou saindo com alguém em especial. E se eu cozinhar qualquer coisa agora, vou acabar cozinhando pra dois. –Ele então, começou a brincar com aquele fiozinho travesso de seu cabelo, brincando, girando-o e puxando-o.

O alemão engoliu em seco, prevendo algumas coisas enquanto o outro falava e desviava o olhar algumas vezes, mas estavam ambos corados.

-E eu acabei de comprar uma ótima garrafa de vinho nova e você sabe, é melhor a dois, então… Quer me fazer companhia hoje a noite?

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Notas finais
Jeito maravilhoso de acabar um chap, né? P.S.: Se vc olhar com atenção, a calça do Feliciano ta desabotoada^^
Bom, deixei um suspense pro PrusAus sobre os metodos pacificadores^^ E quanto ao Gerita, vamos, o que acham? E ai, o que acham que vai acontecer com o Ludwig e Feliciano^^