Notas iniciais
Ouçam Slender man Song - Kaai Yuki
Enjoy


Ciel acordou de repente com a respiração pesada. De novo o pesadelo. Ele olhou ao redor devagar percebendo que ainda estava escuro, mas por causa das cortinas. Olhou para o lado da porta e viu um vulto negro sentado na cama de costas para sí. Ciel arregalou os olhos e cobriu o rosto. Era ele, e agora o que faria?! Sebastian disse para não olhar não é? Ouviu a pessoa se levantar e logo depois passos. Não sabia em que direção ele estava indo, mas sabia que não estava distante.

- Bocchan, já está acordado? — a voz conhecida de Sebastian ecoou pelo quarto e Ciel suspirou, aliviado e irritado ao mesmo tempo. As cortinas foram abertas deixando a luz entrar e, logo em seguida, Sebastian puxou o cobertor que cobria seu mestre. — Já que está acordado vamos levantar. Ainda tem trabalho a fazer. — Ciel não respondeu e nem sequer olhou para seu mordomo — Está tudo bem bocchan?

- Humph... — Sebastian se ajoelhou para trocar o garoto.

- Dormiu bem?

- Humph... — o mordomo arqueou uma sobrancelha e continuou a vestir o garoto.

- Ainda está bravo comigo por causa da noite passada?

- Humph... — Sebastian não era um completo idiota pelo menos, pensou Ciel.

— Então... — o mais velho se levantou — Vai ficar bufando o dia todo ao invés de falar? — o conde ficou quieto. Sim não falaria com o mordomo por uma questão de orgulho. — É isso mesmo bocchan?

- Humph... — Ciel se levantou a passou por Sebastian com o nariz empinado. Ambos sairam do quarto juntos e o conde tomou o caminho para o seu escritório. Ainda chovia lá fora, mas não tão forte quanto na noite passada. Ciel ouviu os passos de Sebastian em seu encalço e começou a andar mais rápido. Já estava querendo gritar com o mordomo para parar de segui-lo, mas se lembrou que não podia falar com ele. Parou no meio do corredor e ouvir Sebastian parar também. Deu mais um passo e o mordomo fez o mesmo. Isso já estava ficando ridículo...

Em seu escritório, Ciel encarava seu mordomo impassível em um canto. Ele estava parecendo o sem rosto, só observando. O conde pegou uma folha de papel e escreveu nela então olhou para o mordomo de uma forma que fez o mesmo se aproximar. Ciel mostrou o papel a ele.

"Saia!"

— Bocchan eu acho melhor... — Ciel escreveu novamente.

"Saia agora!!"

Sebastian suspirou. Ah, mas ele não ia deixar barato.
— Muito bem bocchan. — ele se virou e caminhou até a porta e parou segurando a maçaneta — Vai ficar mesmo sem falar comigo? — Ciel virou a poltrona ficando de frente para a janela — Uhum... Quero ver quanto tempo mais vai ficar sem falar quando aquela coisa aparecer. — dizendo isso Sebastian saiu. O garoto suspirou e se virou de volta para mesa. Havia uma pilha de papéis sobre ela. Isso iria levar muito tempo. Onde estava o sem rosto quando Ciel precisava de alguma diversão?

— O último... — Ciel suspirou aliviado. Acabara com todos os papéis. Ele olhou para o relógio que marcava quatro e meia da tarde. Resolveu que sairia para andar um pouco, pois não aguentava mais ficar sentado. Se levantou e caminhou até a porta, mas parou no meio do caminho se lembrando das "regras" que Sebastian e ele estabeleceram na noite passada. Não andar sozinho nos corredores.

Voltou suspirando para a mesa. Não podia andar sozinho nos corredores mesmo. Nem se quisesse conseguiria. Olhou pela janela e viu que a chuva havia aumentado um pouco. Agora estava realmente chovendo. Ciel pensou um pouco e foi até a janela abrindo-a. Um vento um tanto quanto forte entrou por ela jogando alguns papéis no chão. Sebastian teria trabalho a fazer, pois Ciel não pegaria aquilo. Ele se sentou novamente em sua poltrona e fechou os olhos por um momento.

"Sebastian era um belo imbecil. A desculpa de aquela coisa não aparecer na presença de adultos não era válida. E para piorar a situação minha cabeça está doendo por causa desses... Espera ai, minha cabeça...?"

- De novo não... — Ciel sentiu algo o prendendo na poltrona, como se fossem cordas e antes que pudesse fazer qualquer coisa, algo bateu em sua cabeça e ele apagou.

"Hum... Minha cabeça..." Ciel finalmente abriu os olhos. Estava se sentindo molhado e não por acaso, afinal estava fora da mansão. Ele massageou a cabeça e olhou ao redor. Árvores? Floresta! Merda de novo não!

Ciel se levantou. E agora, o que faria? Pra onde ficava a mansão? E aquela coisa, estaria atrás dele? Mas se ele estava ali, com certeza fora o sem rosto que o trouxera, não é? "Acalme-se Ciel! Você tem que pensar com clareza." Mas como pensar com clareza no meio de uma floresta fechada e com algum tipo de assombração te perseguindo? E por que o sem rosto o deixara vivo se já o tinha pego?

- Diversão... — Ciel se lembrou das regras e as foi recitando enquanto andava para um lado qualquer da floresta — 1, não faça barulho. 2, não ande sozinho — o conde soltou um impropério qualquer para essa regra — 3, nunca olhe para trás... Ok, vamos lá. — a chuva havia parado, mas uma grossa neblina surgiu em seu lugar. — Essa merda com certeza veio do inferno só para me deixar mais nervoso... — resmungou o conde quando não podia ver mais nada. Olhou para uma árvore e lá estava um pedaço de papel. Foi até ela e pegou o papel

"Don't Look Behind You!"

O guardou em seu bolso. Talvez ele fosse útil para algo no futuro. Ouviu algo se mover atrás de sí e ignorando o papel e última regra, olhou para trás mais por reflexo do que por medo. Deu de cara com o sem rosto atrás de uma árvore o observando. Desta vez Ciel notou algo que não havia notado antes. Haviam braços saindo das costas do sem rosto e eles se mexiam como tentáculos.

Sem pensar duas vezes, Ciel começou a correr na direção contrária do monstro, mas logo parou com algo agarrando seu tornozelo e o fazendo cair no chão. O garoto foi puxado para trás e, mesmo tentando evitar, foi suspenso no ar de cabeça para baixo. Ele fechou os olhos com força e pode sentir o rosto do outro muito próximo do seu.

- Ah, pequeno Phantomhive... — Ciel ouviu uma voz cavernosa ecoar em sua mente. — Abra os olhos, eu não vou te machucar... Bem, ainda não... Tudo depende... — o conde se recusou a abrir os olhos. Sua cabeça começando a explodir. — Não vai abrir? — o monstro riu. — Você cresceu não?

- O que?

- Não se lembra de mim... Mas eu me lembro de você... Ah, e como me lembro... — Ciel não estava entendendo. Como assim se lembrar dele? E como ele se lembrava de Ciel? — Era um garotinho adorável. Mas, infelizmente, as coisas mudam e você está andando com aquele demônio maldito. O que ele faria se você se machucasse? — Ciel riu.

- Ele com certeza te mataria. — desta vez foi a vez do outro rir.

- Ele não me matou ainda. Na verdade, acho que ele está mais fraco do que quando eu o conheci. Será que sua alma vale tanto sacrifício? Para um demônio não se alimentar por dois anos... — o conde se irritou. Finalmente abriu os olhos e disparou um soco no "rosto" do homem com toda sua força. O anel que Ciel usava fez um corte na bochecha do mesmo que voltou a encarar o garoto. — Já chega.

Ciel foi jogado para o alto e pego novamente pelo pescoço. Viu os dedos pontudos do sem rosto abrirem sua camisa e depois arranharem todo seu peito como se fossem facas afiadas. O conde tentou reprimir um grito de agônia, mas foi em vão.

- Como posso matá-lo? Quebrando seu pescoço? Não seria rápido demais... — um dos tentáculos segurou a mão de Ciel — Que tal essa veia? Não, demorado demais... — dois tentáculos se enrrolaram no corpo do conde liberando seu pescoço. — Ouvi alguns médicos dizerem que se cortarem esta parte do pescoço — Slender deslizou um dedo no pescoço de Ciel — A pessoa começa a ficar sem ar e pode morrer por falta de sangue ou de ar. O que você acha? — o garoto sorriu.

- Por que não corta o seu pescoço e depois me conta o acontece? — Slender desferiu um tapa no rosto do garoto deixando cortes em sua bochecha e o apertou mais tirando todo o ar que ainda restava em seus pulmões.

- Você é bastante abusado conde. Acho que vou quebrar suas costelas primeiro. Vamos ver o que aquele demônio vai achar disso... — Ciel gemeu. Levou uma das mãos até seu tapa olho e o tirou.

- Sebas...! — Slender apertou mais o impedindo de proferir qualquer coisa.

- Bocchan! — facas foram atiradas nas costas de Slender que balançou a cabeça. Jogou Ciel com força contra o chão e então se virou para encarar Sebastian. — Desgraçado...

- Falando no diabo... O seu conde é bastante abusado hã... Sebastian... — o mordomo olhou para Ciel no chão respirando com dificuldade. — Você ainda não o contou? — Slender se virou para Ciel — Isso é tudo culpa dele pequeno Ciel. — o sem rosto se aproximou do garoto e o segurou pelos cabelos. — Vocês podem conversar depois que eu mandar ambos de volta para o inferno...

- Sebastian! Me tire daqui agora! É uma ordem! — Sebastian sorriu surpreso.

- Yes, my lord! — Slender jogou Ciel no chão novamente e foi surpreendido por mais facas atiradas em sua direção. Cinco acertaram seu peito, tempo suficiente para Sebastian pegar Ciel e correr dali. Mas há uma lei de que tudo que vai volta. As facas voltaram em direção ao dois e acertaram as costas do demônio que soltou um gemido de dor. O monstro apareceu em sua frente e usou seu braços para agarrar ambos de uma vez só.

- Ora, vamos. Está cedo demais para ir embora. Eu insisto que fiquem mais um pouco. — o mordomo sorriu.

- Muito obrigado... Mas eu e meu mestre temos assuntos para tratar! — Sebastian usou sua força e, com os dedos, atirou uma faca bem no meio do rosto do homem que os soltou. O mordomo tentou correr, mas algo agarrou seu tornozelo o derrubando.

- Tudo bem bonitão, mas você fica. — Sebastian soltou Ciel.

- Corra bocchan! Saia daqui agora! — o garoto ficou em dúvida. Corria ou ficava? Ele olhou para o mordomo que sorriu. — Não se preocupe comigo...

- Não me dê ordens Sebastian! — Ciel tirou uma arma do cinto e atirou no braço do homem sem rosto que soltou o mordomo. Sebastian não esperou muito, pegou seu mestre e correu o mais rápido possível deixando o monstro para trás. O mesmo apenas observou ambos irem embora. As coisas estavam ficando bem interessantes...

Ambos estavam no quarto de Ciel desta vez com as portas e janelas muito bem trancadas. Estavam sentados no chão encostados na porta e Ciel descansava nos braços de seu mordomo.

- Bocchan... — Sebastian chamou, mas sem resposta. Seria possível que Ciel ainda estivesse bravo? — Ainda está bravo...? — o conde balançou a cabeça dizendo que sim e sentiu o peito de Sebastian se encher de ar. — O que posso fazer para isso acabar?

- Comece com o por que daquela coisa estar nos perseguindo. — disse Ciel.

- Ele está nos perseguindo por que quer nos matar.

- Sim, e por que? — Sebastian suspirou.

- Por que... Eu o atrai... — Ciel ergueu a cabeça para encarar o homem. — Lembra da história que eu lhe contei? Da garota? — o garoto assentiu — No dia em que a acharam morta, eu vi mais crianças entrarem na floresta e resolvi segui-las, mas bem de perto. Eram quatro garotos, de dez ou onze anos. Eles pararam em uma clareira e começaram a chamar o Der Ritter. Um deles caiu no chão reclamando de dor de cabeça e um outro começou a tossir sangue como você fez. E então um homem de terno apareceu atrás deles. Eu não podia deixa-los ali para morrer assim, então acabei me envolvendo em uma briga com o homem e, claro, consegui sair vitorioso. Mas no outro dia eu fiquei sabendo que os quatro estavam mortos e que a pessoa com quem eu tinha um contrato também fora morta. Fiquei com tanta raiva que resolvi voltar naquela floresta e procurar aquele maldito. Eu o achei e ele me disse que iria me perseguir e matar qualquer pessoa próxima a mim por tê-lo privado de sua fonte de energia. E foi assim desde então. Ele está sempre me perseguindo e matando todos ao meu redor. Desde que te encontrei bocchan ele, por algum motivo, parou por dois anos, mas agora está de volta.

Ciel ficou em silêncio. Então o sem rosto tinha razão, tudo isso era culpa de Sebastian. Mas por que o sem rosto havia parado? E como ele conhecia Ciel? Estava tudo conectado, mas o conde não sabia como ligar os pontos.

- Bocchan, vamos cuidar desses ferimentos. — Sebastian levou o conde até a cama e o deixou sentado, mas antes que pudesse se afastar Ciel segurou a ponta de seu fraque.

- Sebastian... — o conde hesitou. — Você... Esqueça...

- O que foi bocchan? — Ciel balançou a cabeça. Sebastian tentou ir até o banheiro, mas o conde ainda segurava seu fraque. — Bocchan?

- Você está fraco?! — a pergunta saiu de repente pegando o mordomo de surpresa. Fraco? Desde quando? Sebastian riu da pergunta de Ciel. — Não ria! Eu estou perguntando!

- Você me acha fraco bocchan? — o mordomo se aproximou sugestivamente do garoto. Um ar de malícia tomou conta do local.

- Eu não disse isso! — o demônio fechou o garoto na cama o impossibilitando de escapar. — Aquele sem rosto disse isso! —

- Se me acha fraco — os olhos de Sebastian brilharam — Por que não esquecemos os curativos e você me deixa lamber seu sangue? — Ciel corou. Que diabos era aquele pedido?! — Vamos bocchan, saiba que a saliva de demônios tem propriedades curativas. — o garoto ficou em silêncio. O mordomo tomou isso como um consentimento mudo, abaixou a cabeça e começou a lamber os arranhões do garoto. Ciel gemeu ao sentir a língua do demônio em contato com sua pele. — Seu sangue é muito bom bocchan... — sussurrou o mordomo deixando Ciel mais vermelho ainda.

- Pare... De dizer bobagens... — os ferimentos de Ciel começaram a se fechar a medida que Sebastian os lambia e logo todos estavam fechados. O mordomo lambeu o pouco do sangue que ainda estava em seus dedos então olhou para Ciel ofegante na cama e sorriu.

- Bem melhor do que ataduras não acha bocchan?

- Cale a boca! — Ciel tentou empurrar-lo, mas o mordomo o segurou contra a cama.

- Bocchan, pode me perdoar agora? — o garoto corou e desviou o rosto.

- Quem sabe... — Sebastian sorriu.

- O que preciso fazer?

- Me dê um banho e fique aqui... — o mais velho pegou o garoto em seu colo e o levou para o banheiro. O banho correu normalmente e depois ambos ficaram na cama conversando sobre coisas irrelevantes até que o conde ficasse com sono.

- Bocchan, vou me retirar. — Ciel agarrou a camisa do homem.

- Você não vai a lugar nenhum. Fique aqui, até amanhã de manhã. Não ouse me deixar sozinho novamente... — Sebastian se assustou um pouco, mas cedeu. Apagou as velas e abraçou o garoto anulando qualquer espaço entre ambos.

- Yes, my lord... — Ciel adormeceu pensando que não queria estar em nenhum outro lugar além dali.

Na janela, alguém observava. Qual era o laço daquele demônio com aquele garoto? Com certeza era algo mais profundo do que o contrato. Ótimo, seria bem mais divertido assim...

End of The Third Night

Notas finais
Sorry! Demorei? Eu não estava me sentindo muito bem depois do segundo capítulo :s Não sei o que houve. E também fiquei sem inspiração. Espero que esse capítulo tenha agradado. Não vou falar muito okay xD
Thanks for reading!
Bloody o/