Notas iniciais
Primeira fic. Perdoem erros, acentos, gramática, concordância e etc. Não tenho beta.
Eu sei que alguns devem estar se perguntando "o que o Slender Man tem haver com o Kuroshitsuji?" e eu respondo: Nada! Mas como a mente psicótica de uma escritora não conhece fronteiras, eu dei um jeito de enfiar ele na história do anime. Minha imaginação, misturada com muita pesquisa e noites em claro deu nisso. E quando digo pesquisa é de Marble Hornets até lendas alemãs (valeu até sair por ai com uma lanterna procurando o Slender) Então é isso, chega de papo u.u boa leitura!


Fora mais um dia normal na mansão Phantomhive. Nada de casos complicados da rainha para resolver somente alguns papéis para assinar e contratos para checar. O dia havia chegado ao fim e o sol ja estava se pondo, retirando toda a luz que ainda sobrava na mansão. Ciel havia acabado de sair de seu escritório e andava meio perdido nos corredores da mansão. Estava exausto, não só por ter que assinar e checar tantos papéis inúteis, mas por que há dois dias não conseguia dormir. Motivo? Pesadelos. Mas não eram aqueles pesadelos que ele custumava ter quando havia feito o contrato com seu mordomo. Esses eram diferentes. Ele andava em uma floresta a noite e estava sem nenhuma fonte de luz. Por mais que andasse não chegava a lugar nenhum, cada árvore parecia uma cópia da outra. Menos uma...

— Bocchan. — Sebastian o tirou de seu devaneio — O que faz aqui?

— Estou indo para o meu quarto — Ciel passou por Sebastian sem sequer olha-lo.

— Bocchan, o senhor está bem? — Ciel o ignorou e continuou andando. Sebastian não havia entendido o por que de tanta discrição, mas teria tempo para decobrir. No momento teria que reunir os papéis que Ciel havia checado e assinado a enviá-los para seus respectivos donos.

Ciel parecia perdido nos corredores da mansão. Quando ia para um lugar acabava saindo em outro ou voltava para o mesmo lugar de antes. O que diabos estava acontecendo? Ele teria que se apressar, o sol ja havia sumido no horizonte e a pouca luz que sobrara estava indo embora. Que ótimo, um conde perdido nos corredores da própria mansão. Talvez estivesse cansado. Eram os efeitos das duas noites em claro? Com certeza seria isso...

Andou mais um pouco e se lembrou de seu pesadelo. Cada arvore parecia uma cópia da outra, menos uma... Ela tinha o tronco negro e seus galhos também eram negros. Ciel não sabia dizer se era ou não uma arvore, pois sempre que chegava mais perto ele acordava. Sempre com dor de cabeça e tossindo.

Talvez não fosse um pesadelo...

Talvez fosse real...

— Bobagem... — continuou andando com destreza e finalmente chegou em seu quarto. Abriu a porta e entrou. Estava tudo igual tirando pela janela que se encontrava aberta. Ele se aproximou da janela sentindo o vento noturno e olhou para a floresta que cercava a mansão. Estava realmente escuro. Que horas serião agora?

Ciel se virou e caminhou até sua cama e então se sentou. Não queria dormir. Iria ter aquele pesadelo novamente e não queria isso. Lentamente se deitou, tirou o tapa olho e colocou o braço em cima dos olhos. Por garantia, colocou a mão em seu peito sentindo seu coração. Eram sonhos oras, ninguém lhe faria mal e se tentassem ele tinha Sebastian. Não que ele precisasse de Sebastian, não era isso...

De repente Ciel ouviu um barulho vindo do banheiro, como se algo houvesse sido derrubado. Ele se levantou e olhou ao redor. Bem, ele havia entrado sozinho então era óbvio que estava sozinho... Não é...?

Ciel andou até o banheiro devagar tomando cuidado para não tropeçar nos próprios pés. Estava bem perto da porta, mas não arriscaria mais nenhum passo. O banheiro estava realmente escuro. Ouviu o barulho novamente desta vez mais alto.

— Olá? — nenhuma resposta — Tem alguém ai? — Ciel voltou para perto da cama e pegou uma das velas do candelabro sobre o criado mudo, e então voltou até o banheiro e entrou devagar. A vela iluminou parcialmente o banheiro criando sombras estranhas, mas reconhecíveis. Menos uma...

Essa sombra era esguia. Não era a sombra de um objeto, Ciel concluiu, ela tinha mãos. Talvez fosse sua própria sombra. Ele mexeu a mão, mas a sombra continuou imóvel.

— Mas oque...

— Bocchan? — Ciel pulou e se virou rapidamente. Sebastian riu baixinho. Ele parecia um gatinho assustado... E Sebastian adorava gatos...

— Que merda Sebastian! Não apareça atrás dos outros assim!

— Perdoe-me bocchan. — Sebastian sorriu e então olhou sério para Ciel. — Está tendo problemas para dormir? — Ciel corou. Não iria contar para Sebastian. Certamente o demônio o zombaria.

— Não diga coisas sem sentido. — disse bravo. Sebastian continuou impassível encarando o conde que ainda se recuperava do susto. — Além do mais se eu estivesse com problemas não acordaria todas as manhãs. — Ciel pôs as mãos na cintura e olhou para a janela — Foi você?

— Perdão?

— A janela, foi você quem a abriu? — Ciel andou até a janela, sendo seguido por Sebastian, e olhou para fora novamente.

— Não, bocchan. Não entrei em seu quarto o dia todo. — isso deixou Ciel inquieto. Se Sebastian não havia aberto a janela quem fora? Ele mesmo disse que não havia entrado em seu quarto o dia todo e nem o próprio Ciel havia entrado. Talvez algum daqueles quatro... Pouco provável.

— Se não foi você, quem foi? — murmurou o garoto.

— Isso não importa bocchan — Sebastian fechou a janela e foi até o banheiro preparar o banho do conde. Ciel voltou para a cama e se deitou novamente respirando fundo. Olhou para o banheiro e viu a silueta de Sebastian. Por qual motivo ele tinha ido no banheiro aquela hora mesmo? Ah sim o barulho... Sebastian voltou até o garoto e o encarou. Ciel fez o mesmo ainda deitado.

— Bocchan, se continuar deitado não vou conseguir tirar sua roupa. — Ciel fechou os olhos e Sebastian suspirou se inclinando em cima do conde e pegando a camisa deste. — Vamos bocchan levante-se.

— Fique quieto Sebastian... — Sebastian fez uma careta entortando os lábios e pegou o garoto no colo. O banho correu silêncioso como sempre, até a hora de vestir o conde.

Sebastian estava ajoelhado na frente de Ciel terminando de fechar sua camisa quando o garoto chamou sua atenção.

— Sebastian... — o modomo o encarou e ele hesitou — Você... Você conhece alguma história sobre árvores? — Sebastian pressionou os lábios segurando o riso. Ciel se arrependeu por um momento por ter perguntado — Não árvores, florestas!.

— Acho que conheço algumas... — ele sorriu e levantou ficando em pé de frente para Ciel.

— Me conte. — Sebastian ficou sério novamente.

— Há algo que queira me dizer antes que eu comece a falar bocchan? — "Sim! Estou tendo pesadelos e eles não são normais!!". Ciel negou com a cabeça. Sebastian não engoliu, mas era melhor não pressionar o garoto. — Há uma lenda que ouvi na Alemanha sobre um ser que vagava pelas florestas. Os alemães o culpavam pelo desaparecimentos de crianças que entravam na floresta para brincar. Eles o chamavam de Der Ritter ou Der Grossman e também era usado pelos pais das crianças para fazê-las obedecerem suas ordens. Segundo a lenda, quem deixasse a janela aberta a noite, fosse dormir na hora errada ou não se comportasse seria visitado pelo ser e levado para floresta.

— Você viu algo parecido acontecer?

— Sim bocchan. Eu morava em uma hospedaria, tinha um contrato com o dono, e uma noite vi sua filha saindo escondida. Ela devia ter sete ou oito anos. Eu a segui até a floresta onde mais alguns garotos estavam esperando por ela. Todos diziam para não entrarem naquele lugar, mas para eles era algum tipo de desafio. Todos entraram e eu os segui mantendo uma distância consideravel até que os perdi. Procurei pela floresta toda, mas não achei nenhum deles. Quando sai da floresta encontrei a filha do dono da hospedaria no meio da neve. Ela parecia bem assustada. Fui até ela, mas ela me repeliu. Perguntei onde estavam seus amigos, mas ela não respondeu. Não tive escolha a não ser leva-la para casa.

— E então? — Sebastian suspirou e coçou a nuca.

— No outro dia ela... — ele fez uma pausa e respirou fundo — Ela foi encontrada morta em seu quarto. — Ciel ficou em silêncio. — Por que o interesse repentino nesse tipo de coisa?

— Por nada... Você pode ir. — disse com sua frieza inquebravel. O mordomo se curvou formalmente e então saiu levando o candelabro e toda luz do quarto, deixando Ciel sozinho no escuro. O mesmo escuro que o envolveu durante tantas noites como se fossem velhos amigos, agora era seu maior inimigo. Seus olhos se acostumaram com a escuridão e pela janela pode ver uma luz prateada entrar. A lua.

Ciel suspirou virando na cama para o lado contrário da janela, a história de Sebastian ainda estava em sua mente. Der Ritter, Der Grossman, o que significava isso? Bem era uma lenda então deveria estar nos livros... Não é? Jurava que havia algum livro de lendas alemãs na biblioteca, mas a essa hora como ele iria até lá? Ainda mais sem uma fonte de luz.

"Humph, o conde Phantomhive com medo do escuro. Essa é boa! Já enfrentei coisas demais para ter medo de uma simples escuridão! Essa história de Der Ri... Der Ritt... Seja lá como se chama, tem que ser tirada a limpo!" — Determinado, Ciel se levantou da cama empurrando os cobertores para bem longe de sí e andou até a porta com o peito estufado e coluna reta. Abriu a porta e saiu a fechando em seguida. Olhou para ambos os lados do corredor e teve certeza de ouvir passos. Mesmo assim respirou fundo e seguiu em direção a biblioteca sem enxergar nada naquele breu.

Passou por vários corredores até chegar nas escadas. Ouviu um barulho vindo da cozinha e viu uma luz vindo da mesma. Sebastian devia estar preparando seus pratos magnificos e perfeitos como sempre, era melhor deixa-lo ou ele podia mandar o conde voltar para cama e estragar sua chance de pesquisar sobre aquela coisa. Como se chamava mesmo? Der...

— Ah dane-se! — murmurou já no corredor da biblioteca. Abriu a porta e entrou olhando para o comôdo. As janelas estavam abertas e tanto a luz da lua, quanto a brisa noturna entravam por elas fazendo as cortinas dançarem suavemente sua valsa noturna. Havia um candelabro aceso em cima de uma das mesas de leitura.

-"Pelo menos uma fonte de luz..." — pensou aliviado. Olhou para as prateleiras cheias de livros. Em alguns minutos já estava com vários livros sobre a mesa e lia um deles que falava sobre lendas inglesas, alemãs e holandesas, porém não achou nada relacionado com o que Sebastian falara. Ciel suspirou, achou algo que o deixava cansado e com sono, (além daqueles documentos chatos) pesquisas que não existiam. De onde Sebastian tirara aquela história...?

Ciel foleou o livro e algo caiu de uma de suas páginas em seu colo. Ele olhou para a folha de papel pegando-a lentamente e a segurando perto da luz.

"Help Me"

Ciel deu sorriso torto para o papel. Estava escrito com uma tinta vermelha, uma caligrafia estranha e parecia extremamente velho. Mas o que significava? E melhor, quem escrevera? E por que estava neste livro? Ciel pensou um pouco.

— Sebastian... — era óbvio que o mordomo inventara aquela história. Ele sabia que o conde iria procurar por ele nos livros, então para aterroriza-lo colocou esse papel no meio do livro. Resolvido e, como sempre, era culpa do mordomo. Ciel não ia deixar assim, rapidamente se levantou e andou para fora da biblioteca indo em direção a cozinha a fim de obter respostas. Respostas, era isso o que a humanidade sempre procurou...

Avistou a luz da cozinha acesa e andou com o peito estufado novamente. Antes de entrar, Sebastian pôs a cabeça para fora da porta a fim de ver quem se aproximava. Reflexos demôniacos?

— Bocchan? — ele saiu da cozinha e pôs as mãos na cintura. Estava sem o fraque, mangas dobradas e um avental amarrado na cintura. — O que faz fora da cama a essa hora? — Ciel sorriu maléfico.

— Sebastian... — Ciel rodiou o mordomo analisando sua fisionomia. Sebastian ficou parado esperando. O que diabos Ciel estava fazendo? — Você conhece isso? — disse o jovem calmamente entregando o papel para o mordomo. Sebastian o pegou e analisou, então olhou para o conde com uma cara de desentendido.

— Desculpe bocchan, mas o que é isso? — Ciel sorriu novamente. O demônio sabia mesmo como mentir.

— Você escreveu não foi? Contou aquela história sem nexo e então colocou isso no meio...

— Sinto muito bocchan, mas não sei do que está falando. — Sebastian disse sério — Esta caligrafia não me pertence, e mesmo se eu tentasse não conseguiria reproduzi-la.

— Mentira! — exclamou Ciel — Você contou aquela mentira e sabia que eu iria procurar por algo nos livros, então escondeu isso ai em um deles! Está fazendo tudo isso para me deixar com medo! — o conde tapou a boca com as próprias mãos, mas viu pelo sorriso debochado de Sebastian que era tarde demais. Ele havia revelado, havia se entregado de bandeja as zombarias do demônio que certamente não o pouparia.

— Então quer dizer que está com medo? — disse o mordomo, ainda sorrindo, se inclinando até o jovem. — Eu o assustei? Sinto muito... — Sebastian colocou a mão na boca fingindo indiginação..

— Calado! Não estou com medo e não mude de assunto maldito! — Ciel empurrou o rosto do mordomo que soltou uma risada grave e divertida. — Foi você não foi?! Não minta para mim Sebastian! — Sebastian riu novamente e levou uma de suas mãos aos cabelos do conde esfregando-os como se ele fosse seu irmãozinho mais novo.

— Não bocchan, eu não escrevi isso e o que eu lhe contei era verdade. Isso deve ser só alguma eventualidade. Venha — o mordomo o pegou no colo de repente — para o quarto, hora de dormir! Sem desculpas de que histórias de terror não estão lhe deixando dormir.

— Você acha que isso é culpa de quem?! — disse Ciel empurrando o rosto do homem que ria. Quando chegaram ao quarto de Ciel, Sebastian o sentou na cama e acendeu o candelabro ao lado de sua cama recebendo um olhar raivoso de Ciel. — Para o caso de ficar com medo do escuro... — disse segurando uma risada. Ciel o ignorou e olhou para a janela.

— Ei, quem abriu isso? — o conde se levantou e foi até ela. Antes de fecha-la olhou para o jardim e viu algo estranho. Parado no meio do gramado estava um homem, alto vestido em um terno e de cabeça raspada. Ele olhava para o nada e nem sequer se mexia.

— Bocchan? — Ciel olhou para Sebastian se assustando com seu chamado e quando voltou a olhar para fora o homem havia sumido.

— Mas que po...? — Sebastian se aproximou do conde e olhou para fora da janela também, mas não viu nada. Sem mais delongas, o mordomo fechou a janela e o conde voltou até sua cama. Ele se sentou e ficou olhando para o chão pensativo. Talvez fosse só uma ilusão. Estava cansado não dormia a dois dias então...

— Bocchan consegue dormir sozinho? — Ciel corou, se deitou e se cobriu até o pescoço. Sebastian sorriu, arrancou o avental e se deitou na cama também. — Caia fora Sebastian! — desta vez Ciel estava vermelho igual a um pimentão. Ele se virou na cama e o mordomo aproveitou a brecha e o agarrou pela cintura puxando-o para perto de sí. — Me solta Sebastian!

— Só feche os olhos e tente relaxar bocchan. — disse o homem ao aconchegar Ciel em seu corpo. O conde ficou em silêncio ouvindo a respiração do outro e sentindo-a em seu pescoço. Era relaxante senti-lo perto, Ciel até poderia se acostumar com isso, mesmo sabendo que aquilo era errado. Fechou os olhos e respirou fundo esperando o tal sono chegar. Sem nem ao menos perceber ja havia adormecido pensando como o cheiro de Sebastian era bom.

O mordomo se levantou e apagou as velas indo até a porta e saindo devagar. Sebastian não sabia, mas lá fora a pessoa que Ciel havia visto andava pelo jardim a procura de uma porta para entrar. Viu que a luz da cozinha estava acesa e viu a janela aberta também, era a sua deixa. Assim que entrou ouviu passos vindos em direção do cômodo em que se encontrava. Resolveu desaparecer e deixar a diversão para a noite seguinte. Ah, e como seria divertido...

End of The First Night.

Notas finais
Obrigado a quem leu! Agradeço a minha mãe que me ajudou um pouco nesse capítulo (sim ela me ajudou u.u). A historinha que o Sebby contou é verdade, na Alemanha há uma lenda que os pais contavam para os filhos a fim de fazê-los dormir na hora certa e obedecer suas ordens. Resumo dessa opera: O "Der Ritter" ou Slender Man é "real".
Obrigado por lerem e não esperem o próximo capítulo tão rápido ok.
Bloody