Muitos acontecimentos que acontecem entre o plano e a procura e possível execução da besta passam despercebidos aos olhos de Raiser, já que o mesmo está concentrado em derrota-la. Mas esse vale ressaltar já que num futuro não muito distante, será de grande importância.
Raiser depois de sair do apartamento de Chester, caminhou em direção ao local onde possivelmente estaria a segunda besta, Stinger. Apesar de ele estar bem concentrado na missão, a menina de cabelos pretos ainda estava deixando-o pensativo. Quanto mais tentava pensar no rosto da menina, mais não conseguia enxergar como ela era, e assim, com essa menina em sua cabeça, sem ver por onde andava.
Depois de atravessar a rua, continuou a caminhar em direção ao parque, mas com a cabeça nas nuvens. Por isso, não viu uma menina correndo em sua direção com a cabeça baixa, e parecia estar chorando. De repente, a menina tromba com Raiser, e os dois caem ao chão. Bravo, Raiser de olhos fechados, por causa do impacto, grita:
– Ei menina qual é o seu problema?
– Desculpe, eu estava distraída...
– Tudo bem, tudo bem... Só tenha mais cuidado...
Raiser olha para a menina. Era uma menina de cabelos pretos curtos com mechas longas. Tinha um rosto lindo, com sardas, olhos claros e cativantes.
– Cabelos pretos...
Raiser olha fixamente para a menina, pensando que havia encontrado a menina da sua infância. Ansioso, pergunta:
– Ei, qual é o seu nome?
– Alice... E o seu?
– Ah, meu nome é Raiser, prazer em conhecê-la.
– Raiser... Esse nome não me é estranho...
– Pelo que eu sei, é o nome que meu pai me deu...
– Talvez eu esteja te confundindo com outra pessoa...
– É... Talvez. Deixe-me ajuda-la, sim?
– Ah... Obrigado... Você é muito gentil.
E Raiser se levantou e ajudou Alice a se levantar. Viu que ela usava um colar de prata, e o pingente em forma de um coração. Curioso, pergunta:
– Bonito colar... De quem ganhou?
– De um antigo amigo meu, que quando me mudei do lugar onde nasci ele me deu esse colar e prometeu que um dia iriamos nos reencontrar...
De repente, a cabeça de Raiser começa a latejar. Com a dor, ele se ajoelha no chão, e imagens começam a passar em sua cabeça. A imagem dele entregando um colar semelhante à menina de cabelos pretos e dizia que eles se iriam reencontrar um dia. Alice começa a chamar por seu nome, e ele volta a sua consciência:
– Raiser! Você está bem?
– Ah... Estou... Melhor eu ir, tenho uma coisa para fazer.
– Ok... A gente se vê por aí.
– Até.
Raiser virou-se, e continuou a caminhar em direção ao seu destino inicial. Depois de um tempo, não tão longe dali, ouviu um grito. Pensou que fosse a Alice, deu meia-volta e voltou para o lugar aonde se encontraram. Quando virou a esquina, viu que ela estava cercada por um monte de pessoas nada agradáveis.
– Me deixem em paz! Eu não fiz nada para vocês! Gritou Alice.
– Acha que vai se diferenciar corte de cabelo? Você é não é nada! Gritou uma menina.
O coração de Raiser apertou e ele correu em direção àquela multidão e gritou:
– A deixem em paz!
Todos tiraram a atenção em Alice e focaram em Raiser, que estava ofegante por ter corrido tanto.
– E quem é você? O namorado dela? Suma daqui seu moleque! Disse um garoto.
– Não, não sou. Mas se você encostar um dedo nela eu juro que você vai se arrepender disso. Retrucou Raiser.
– Ora seu...! Gritou o garoto, indo em direção a Raiser.
O garoto tentou soca-lo, mas Raiser conseguiu desviar e desferiu um soco no estômago. Fazendo o garoto desmaiar.
– Alguém mais quer vir?! Perguntou Raiser, de cabeça baixa.
– Seu moleque desgraçado! Você vai pagar! Gritou outro garoto, que estava segurando Alice. Ele a soltou e foi com uma faca em direção a Raiser. O mesmo se movimentou rápido, desviou da faca, pegou a cabeça do outro garoto e jogou contra o chão, rachando o solo. Ofegante e de cabeça baixa, ele grita:
– Alguém mais quer brigar?! – E quando Raiser levantou, seus olhos estão vermelhos, com uma expressão furiosa no rosto e algo estava crescendo nele.
– É melhor a gente sair daqui! Gritou uma menina, que estava começando a chorar.
Todos saíram correndo, deixando Alice para trás. Raiser então desmaia, e vai ao chão. Alice vai correndo em sua direção, e tenta reanima-lo:
– Raiser! Raiser! Acorde!
Raiser então começa abrir os olhos lentamente, e vê que está no colo de Alice. Vê também o colar da mesma. Então ele pega no pingente e diz:
– Eu me lembro disso... Fui eu que dei a você...
– Como pode ter tanta certeza? Indagou Alice.
– Seus pais chamavam Henk e Claire? Perguntou Raiser.
– Sim... Chamavam.
– Então, Alice, sou eu, o Raiser... Aquele menino que você brincava há treze anos...
Os olhos de Alice se encheram de lágrimas:
– Raiser... É você? Eu achei que você tinha morrido no massacre!
Raiser se levantou e disse:
– Eu sobrevivi, não sei como, mas sobrevivi. E eu tinha prometido que a gente se reencontraria, não prometi? E cumpri a minha promessa.
– É... Você cumpriu... – logo em seguida Alice abraça Raiser – é tão bom te sentir de novo...
Raiser riu. Colocou a mão na cabeça dela, e disse, olhando fixamente em seus olhos:
– Lembre-se que a partir de hoje eu vou te proteger, tá bem?
O rosto de Alice ficou corado. E se enrolando com as palavras disse:
– Você não tinha que ir pra outro lugar?
– É mesmo! Preciso ir! Até mais, Alice! Prometo que nos veremos novamente! – E Raiser saiu correndo.
– É... Pode ter certeza que sim.
E Raiser, correndo, voltou ao seu trajeto inicial, que era matar a besta demoníaca. E com um sorriso do rosto por reencontrar a primeira menina que mexeu com o seu coração.
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