The Devil Has A Name.
9 The first secret.
Notas iniciais
A noite passada parecia um sonho. Eu queria que tivesse sido um. Minha cabeça estava explodindo e eu me perguntava que merda Pierre fez para não ter atendido o celular mais tarde naquela noite. Será que ele tinha gravado? Será que ao menos ele tinha ouvido?!
— Bom-dia meu amor — me deu um selinho, sonolenta. — O que quer para o café hoje?
— Nada. Eu preciso mesmo ir para o escritório — respondi, me espreguiçando.
— Espera — ela sussurrou, levantando-se. — Olha, eu sinto que não temos mais tempo como marido e mulher. — suspirou.
— O que você está dizendo, querida? Você sabe que nada mudou... — apertei minhas têmporas com os dedos, cansado.
— E você sabe que não é verdade! — gritou, agora alterada, estalando os dedos. — Essa semana eu não te vi. Está voltando tarde do trabalho e acho que não quer mais se casar.
— Claro que eu quero me casar. — respondi, hesitante. — É que tem muita coisa acontecendo no escritório agora. Tenho dois casos para cobrir e não estou tendo tempo para nada! Me entende. Quando você aceitou casar-se comigo, sabia no que estava se metendo. Isso não é fácil não — soltei uma risada.
— Tudo bem, me perdoa. — pediu, sentando-se ao meu lado na cama. — Só, por favor, arrume algum tempo para sua noiva — sorriu.
— Tudo bem — beijei sua testa, e me levantei. — Preciso ir. — tomei um banho rápido, sempre lembrando da noite passada. Afinal, porque estou pensando na noite passada? Por que estou pensando em Charlotte?!
~x~
— Bom-dia — Pierre sorriu pra mim de meu divã assim que entrei em meu escritório.
— O que você fez noite passada? — disse, sério. — Eu te liguei, você ao menos atendeu a merda do seu celular?
— Cara, você viu o que eu estava fazendo — estalou a língua, cruzando os braços — Não ia parar para atender uma ligação sua...
— Bem, eu quase fui morto por aquela psicopata da Charlotte. — suspirei, sentando em minha cadeira e jogando minha pasta na mesa.
— Entretanto, você está vivinho da silva aqui na minha frente. — riu. — Afinal, como saiu dessa?
— Ela tentou me asfixiar...
— Sério?! — arregalou os olhos. — Poxa, então você diminuiu bem os padrões dela, realmente. Ela só mata com facões, serras, ou... — riu.
— Isso não é engraçado! — gritei, fechei meu punho na mesa.
— Eu sei, eu sei, desculpe — Pierre abafava o riso. — Mas enfim, o que aconteceu?
— Nós transamos — sussurrei.
— O que?! Vocês transaram? — gritou. — Você perdeu a cabeça?
— O que eu poderia fazer? — disse. — Olha, ela quis transar. Eu não podia dizer não, já que você não estava na espreita, não é, Pierre?
— Sim, mas, por essa lógica, ela iria te matar de qualquer maneira, você transando com ela ou não... — disse ele, olhando pra mim. — Pelo menos você seria um morto honrado. A não ser que você queria transar com ela... — abriu um sorriso malicioso para mim.
— Não fale besteiras, Pierre — murmurei. Uma mensagem. Era Charlotte.
— Olhe, pelo menos tenho boas notícias. — Pierre disse, levantando-se e me entregando um papel. Era um documento. Uma foto de uma senhora, cabelos brancos e olhos cansados, cheio de rugas e a pele de seu rosto, bem flácida. Apesar de sua aparência, chutava uns 50 anos para aquela senhora sem nome. Na outra folha, haviam alguns dados:
Laura Finn Watson. Divorciada. 07/03/1957.
Era a mãe de Charlotte.
— Aonde ela está? — perguntei, voltando meus olhos para Pierre.
— Numa clínica... quero dizer... um sanatório.
— O que?!
— Parece que Charlotte alegou que a mãe falava sozinha e sobre a morte do marido após dez anos de separação. E, sim, bem, o pai de Charlotte está morto. Já chequei. Paulo morreu em... Setembro de 1994. — checou alguns papéis. — Sim, Setembro de 1994.
— Causa?
— Ninguém sabe ao certo. — disse ele. — Não encontraram nenhum indício de assassinato, ou suicídio.
— Pode ter sido causas naturais...
— Bem, vamos ver, não é. — essa era a primeira vez em minha vida que guardava segredos de minha ‘quase-mulher’. E isso estava acabando comigo. A traição, a transa, a Charlotte... prometi a mim mesmo que isso nunca mais aconteceria.
Fale com o autor