Notas iniciais
Música do capítulo: "Ordinary World - Duran Duran" Aproveitem o capítulo e a música. Link no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=dDLiVwpv89s

— Emaline? O que tem ela?

— Ela é estranha, Kate.

— Ela não é estranha! — talvez eu tenha gritado um pouco, mas não vou deixar ele falar mal dela.

— Calma ai. Eu só não consigo entender como você aceitou ser amiga dela.

— Ela é legal, tá bom? Ela faz piadas sem graça? Sim, mas ela tenta me fazer rir, e ela consegue. E sabe quantas pessoas já conseguiram isso? Duas, Luke. Em toda a minha vida, duas pessoas.

— E quem são essas pessoas?

— Emaline e... a minha mãe. — eu estava brava por ter que falar dela em uma conversa idiota.

Luke ficou quieto por um instante, talvez dessa vez ele entendeu o que eu disse.

— Foi mal, Kate. Eu não queria te chatear.

— Não importa, pode ir embora, por favor? — abaixei a cabeça, pois eu sabia que as lágrimas iriam vir a qualquer momento.

— Kate... Só mais uma coisa.

— Que foi?

— Eu ouvi falar que a Emaline é lésbica.

As lágrimas ainda não vieram, mas um sorriso involuntário surgiu. Será mesmo? Será que é por isso que ela me trata tão bem? Não sei, talvez ela seja só uma garota legal que é agradável com algumas pessoas, se bem que ela meio que discutiu com o Luke, e por minha causa. Eu realmente não sei de nada.

— E daí? Qual o problema disso? — eu iria defender ela de qualquer coisa, principalmente de preconceito.

— Nenhum problema, Kate. Não pra mim, talvez pra você.

— Por que isso seria um problema pra mim? — eu estava ficando com raiva agora, ele parecia querer insinuar que eu era preconceituosa?? Me poupe, Luke.

— Não sei, mas achei que você gostaria de saber, aliás, ela poderia até dar em cima de você.

— Mas eu aposto que se ela recebesse um "não" ela iria desistir e me deixar em paz, diferente de certas pessoas.

Sei que não deveria ter dito isso, não assim, pelo menos acho que finalmente o Luke entendeu que eu não gosto dele igual ele gosta de mim, o pesadelo acabou. Graças à Emaline, novamente.

Subi pro meu quarto logo depois que o Luke foi embora. Ele não deveria ter vindo aqui pra isso, eu não merecia ter uma conversa assim essa noite.

A hora chegou. As lágrimas chegaram, junto com pensamentos sobre tudo que aconteceu, principalmente sobre ter que mencionar a minha mãe numa conversa.

Eu estava bem lembrando dela às vezes, porque eu nunca iria esquecê-la, isso é óbvio. Hoje foi um dia ótimo, e eu não tinha intenção de lembrar de algo que eu sinto falta, porque eu fico mal, e eu estou mal agora. E então eu deitei na cama e chorei até dormir.

*Play na música *

Acordei com batidas na porta. Estranho, meu pai nunca bate, ele entra sem avisar ou grita de algum lugar da casa.

— Entra. — falei com a voz baixa, não tinha uma garganta boa pra falar normal logo após acordar, e ainda por cima depois de uma longa noite que eu queria esquecer.

A porta abriu e eu ouvi passos se aproximando da cama, não eram os passos do meu pai, mas não quis ver quem era porque ficar embaixo da coberta estava bem melhor.

— Bom dia flor do dia.

Aquela voz. Aquela maldita e maravilhosa voz. PUTA MERDA. Eu devo estar sonhando.

Tirei a coberta da cabeça e abri os olhos devagar, imaginando que seria realmente meu pai ali e que eu estava tendo alucinações.

— Emaline? O-oi, bom dia pra você também. — eu estava morrendo de sono mas consegui deixar meu olhos bem abertos para poder olhar pra ela.

— Você dormiu bem? Seu pai disse que ontem foi uma noite estranha. — ela perguntou e logo sentou na cama.

— Meu pai e sua boca grande. E eu dormi bem. — e acordei melhor ainda.

— O que houve? — Emaline perguntou toda preocupada. Foi uma gracinha ver ela assim que eu nem consegui conter o riso.

— O que foi? — ela estava confusa agora.

— Nada. Só achei que você fica uma gracinha quando fica preocupada, nem parece ser uma guitarrista louca que toca músicas muito cedo.

— Gracinha? Eu, Emaline Addario? Você está louca, querida. — Ela cruzou os braços, parecia séria, só parecia.

— Exatamente.

— Sabe o que realmente é uma gracinha?

— O quê?

— Isso. — e então ela começou a fazer cócegas na minha barriga.

— EMALINE! NÃO, POR FAVOR! — eu estava implorando pra ela.

— Só paro quando você dizer que eu sou a pessoa mais maravilhosa do mundo e a melhor guitarrista que você já ouviu tocar. — ela parou de fazer cócegas para falar.

— Isso já é demais, Emaline. — eu ainda estava rindo por causa das cócegas.

— Tem certeza? — então ela começou novamente com as cócegas.

—TA BOM, TA BOM. Eu falo.

— Sou toda ouvidos. — ela sentou mais perto, e eu quase paralisei.

— V-você, hã... é a pessoa mais maravilhosa desse mundo e a melhor guitarrista que eu já ouvi tocar. Você é incrível, Emaline Addario.

Acho que meu cérebro travou e eu falei mais do que deveria.

— Tenho a impressão que essa última parte não estava no acordo. — ela disse, e estava se aproximando de mim.

DROGA. Ela tava chegando perto. Perto demais.

— Podemos fazer outro acordo? — Emaline perguntou sorrindo.

— Que tipo de acordo? — eu estava nervosa, ela estava cada vez mais perto.

— Apenas feche os olhos e espere.

— Por quê? — o nervosismo estava 100% presente na minha voz.

— Será uma surpresa. Você confia em mim?

— C-confio, eu acho. — tentei sorrir pra disfarçar a insegurança.

— Então feche esses olhinhos, Kate Messner.

E então eu fechei os meus olhos e esperei pelo que iria vir. Eu estava nervosa e a bendita surpresa estava demorando.

E então aconteceu.

Emaline Addario me beijou.