The Destination
8 My Fear
Estou sentada na cama que era de Tobias, não sei o que fazer agora. Vou morrer, é isso que vou fazer, mas eu não quero! Não quero que minha vida acabe tão cedo, tenho 17 anos, tem tanta coisa que queria fazer ainda. Pelo menos vou me juntar aos meus pais, seja lá onde é que eles estejam, tenho certeza de que é um lugar bem melhor.
Algumas horas depois, quando estou quase pegando no sono por não ter nada parar fazer, quando escuto o barulho da senha de meu “quarto” ser digitada, sei que é Jeanine ou alguém que vai me levar até ela. Diante da porta aparece um guarda quase maior que a porta. Acho que eles querem ter certeza que não vou tentar fugir.
– Venha, Jeanine quer te ver! – Ele fala arrogante
Eu o acompanho, mas dessa vez não é para a mesma sala que fui da primeira vez, tentei guardar o caminho da outra sala, e não reconheço nada por onde estou passando. Por onde passo todos no corredor me olham, não sei se sabem quem eu sou, ou o que eu fiz, mas deve chamar a atenção o fato de ter um guarda de metros me acompanhando. Chego diante de uma sala, ela não tem porta nem nada, as paredes são de vidro e de fora a várias pessoas com jalecos e cadernos fazendo anotações. Sinto que estou sendo observada a cada passo. Jeanine está no centro da sala, do lado de uma cadeira com vários fios ligados a um monitor, e parece que aquele vai ser o meu lugar.
– Beatrice, parece meio abatida – Jeanine fala – Soube que ajudou seu amiguinho traidor a fugir, esperava mais de você, Beatrice pensei que fosse mais esperta, que não andava com as pessoas erradas.
– A única pessoa errada que conheço é você Jeanine! –Cuspo as palavras
– Se é assim que pensa... – Jeanine fala de maneira suave – bom, hoje vamos começar os testes com você Beatrice, pode se sentar – Ela aponta para a cadeira ao seu lado.
Eu me sento, dois ajudantes aparecem no mesmo estante e conectam os fios da maquina em minha cabeça, tento esquecer de tudo enquanto eles arrumam os aparelhos que estão ligados em mim, me concentro nas pessoas do lado de fora do vidro me observando, são tantas, e parecem tão atentas, anotando cada respiração minha, então vejo meu irmão no meio deles, com um caderno, uma caneta e um olhar sínico, nossos olhares se encontram e ele desvia, eu não sei como ele tem coragem de fazer tudo isso e ainda vim assistir fazerem experimentos comigo, nunca consegui ver o quanto cruel e sem sentimentos ele era, eu tenho nojo dele. Eles terminam de arrumar as coisas e Jeanine começa uma explicação para todos:
– O que vocês vão ver agora, é uma mutação do gene divergente, essa menina em seu teste de aptidão, conseguiu alcançar o que mais ninguém conseguiu, ela possui aptidão para três facções, nós vamos ver agora como ela reagira com o soro do medo.
Soro do medo ? O que será que isso vai fazer comigo ? Acho que é a mesma coisa do soro do meu teste de aptidão, não tenho certeza, mas vou descobrir agora. Jeanine pega uma seringa enorme, se aproxima de mim, tento não ter reação nenhuma enquanto sinto a agulha atravessando meu pescoço, ela aperta o embolo, e depois de 2 minutos não estou mais consciente.
...
Acordo na Abnegação, é em minha casa, todas as casas da abnegação costumam ser iguais, mas é claro que sei a diferença entra a casa que passei minha vida toda, mas ela esta difente de como costumava ser, tem um ar triste, estou no meu quarto, estou com medo de descer as escadas, não sinto as minhas pernas, mas sei que preciso, começo a descer as escadas, e onde costumava ficar a sala, só há corpos empilhados, um encima do outro, marcas de sangue e de tiro em todos eles, rostos deformados, e no topo, esta o corpo dos meus pais. Eles estão com os olhos abertos, mas coo se fossem de vidro, sem olhar acolhedor de minha mãe, e o olhar serio de meu pai, apenas olhares sem vida, vejo a marca de tiro e a roupa cinza cheia de sangue, minha mãe foi atingida no peito, e meu pai na cabeça. Parece ironia, minha mãe, agia pela emoção, um tiro no peito, meu pai que agia pela razão, um tiro na cabeça. Desabo no chão a dor me consome. Preciso sair daqui, isso não é real, é real apenas em parte por todos eles estarem mortos mesmo, mas isso é apenas uma ilusão, eu estou sendo manipulada pelo soro do medo. Eu penso, o que preciso fazer pra sair daqui, o que eu queria fazer pra que essa sensação acabe? Preciso pensar. Eu já sei! Me levanto e caminho me aproximando do corpo de meus pais, agacho no meio dos dois, e fecho seus olhos, primeiro os de minha mãe, depois os de meu pai, então susurro:
– Eu amo vocês, descansem em paz!
Acordo na sala de vidros, estou de volta a realidade.
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