The Daughter Of The Sun
8 Raphaella
Notas iniciais
Enquanto eu espetava os telquines um deles, que estava atrás de mim, começou a falar algumas palavras em grego antigo. As únicas palavras que eu entendi foram sol, lua e trevas. Logo, uma escuridão absurda atingiu a balsa. Não dava para ver nada, além da luz com aspecto esverdeado que saia dos olhos dos telquines. Os mortais começaram a entrar em pânico. Os únicos que estavam controlados éramos Percy, Annabeth e eu. Todos os outros corriam gritando para todos os lados, mas não havia para onde fugir nem do quê fugir. Se jogar no mar? Se matar?
Annabeth: Hã, Rapha? Se importa? Agora seria uma boa hora.
Eu sabia do que ela estava falando. Do meu poder secreto. Eu, sinceramente, não sabia como ativá-lo. Uma ideia surgiu em minha cabeça, mas eu não sabia se daria certo. Fechei os olhos e me concentrei. Coloquei Ópera nas minhas costas. Comecei a minha reza. Apenas mexi os lábios, mas disse:
Eu: Pai, me ajude!
Em questão de milésimos de um segundo, uma voz em minha cabeça disse as palavras Deixe sair. Nossa, que claro. Agora, eu não sei mesmo fazer isso. Felizmente, a minha cabecinha lerda começou a raciocinar e eu entendi o que isso queria dizer. Comecei a colocar minha energia para fora. Meus poros abriram. Senti uma enorme força e energia entrando no meu corpo. Abri meus braços para recebe-la. Mesmo com meus olhos fechados, percebi uma certa iluminação. Quando abri meus olhos, tinha dado certo. Meu poder secreto havia sido ativado. Eu estava brilhando, incandescente, como o sol. Agora, tudo estava iluminado. Eu me sentia mais forte.
Eu: Estão olhando o quê? Nunca viram uma menina brilhante? Ação!
E a luta voltou. Percy tentava afastar dois ou três telquines que estavam tentando comer os mortais, e se defendiam quando eles tentavam comê-lo. Annabeth e eu estávamos impedindo que eles subissem no barco, mas alguns conseguiram. Os outros, ou tinham desistido e voltado para o mar, ou tinham virado pó. Então, estávamos apenas impedindo-os de ir mais adentro. Eu só tinha mais quatro flechas, e, no barco tinham cinco telquines. Três para Percy, um para mim e um para Annabeth. Legal. Você deve pensar que é fácil derrota-los. É apenas penetrar a flecha/faca/espada neles. Sim, baseado nisso é fácil. O único problema era que cada vez que eles viam o bronze celestial, eles desviavam e tentavam chegar em nós por outro caminho. Depois de um tempo, eu me cansei daquilo. Peguei Ópera, armei e atirei nos três telquines que estavam tentando devorar Percy. Ele olhou grato para mim.
Percy: Obrigado, Miojo Brilhante.
Fiz uma careta e mostrei a língua para ele.
O bom de ser uma semideusa era que assim que os seus olhos encontravam os de outro semideus, ele entendia o seu plano, automaticamente. Apontei com a cabeça para Annabeth, e quase que imediatamente, Percy foi correndo ajuda-la. Eu só tinha mais uma flechas. Teria de saber usá-las certo. Decidi acabar com a situação de Annabeth e Percy, mesmo que ele já estivesse indo ajuda-la. Peguei uma flecha e fechei o olho esquerdo, para mirar melhor no telquine que os atacava. No segundo em que eu ia soltar a flecha, Percy olhou para mim e arregalou os olhos. Ele veio correndo na minha direção e eu comecei a mexer a cabeça freneticamente, apontando para Annabeth, mandando-o voltar para lá. Ele não me obedeceu. Quando ele estava quase em cima de mim, deu um pulo, que eu julguei o possível pulo mais alto da vida dele, e eu me abaixei. Quando me encostei na grade para vê-lo caindo no mar, vi que ele estava se atracando com um telquine. Claro. O telquine que estava atrás de mim. Como fui me esquecer dele? Olhei para Annabeth que tinha acabado de matar o demônio marinho dela. Ela olhou apavorada para mim e veio correndo na minha direção. Se encostou na grade junto comigo e ficamos olhando a luta de Percy com aquele telquine que estava no mar. Ai, pensei, droga, Percy! Por que você fez isso, seu idiota? Logo, outros telquines surgiram e ajudaram o primeiro monstro a lutar com Percy. Em alguns minutos, eles submergiram e levaram Percy junto. Meu Percy. Se foi. Não seria problema ele se afogar. Percy respira debaixo d’água. Mas os telquines queriam nos comer. CO-MER. Logo iriam desmembrá-lo e devorá-lo. E tudo porque eu quis atirar no maldito telquine que estava atacando Annabeth. Meu brilho aumentou. Acho que ele cresce de acordo com a força dos meus sentimentos. É isso, pensei. Ele se foi. Lágrimas já borravam minha visão. Mas, naquele mesmo segundo, houve um pequeno movimento na água. Achei que os telquines voltariam para pegar as outras semideusas que restaram para a segunda rodada, mas não foi isso o que aconteceu. Percy saiu de dentro da água, sem a jaqueta que estava usando, e com alguns ferimentos no rosto. Sorri, de alívio. Ele foi nadando na direção da balsa escalou a grade para voltar para cima do barco. Eu o ajudei.
Percy: Você deixou isso cair – disse ele me entregando de volta a primeira flecha que eu havia atirado nos telquines. A minha vontate foi dar um abraço nele, mas achei que não seria adequado.
Quando ele estava de volta conosco, Annabeth foi pegar uma toalha para ele. Eu fiquei apenas catando minhas flechas finais e guardando-as de volta em minha aljava.
Eu: Você me preocupou muito. Eu estava quase chorando.
Meu brilho aumentou. Ele sorriu, malicioso.
Percy: Você fica linda, brilhando, com raiva de mim.
Eu: Ai, Jackson, cale a boca e me beije, seu imbecil!
Puxei o colarinho da camiseta de Percy na minha direção, selando nossos lábios. Percy tinha gosto de mar. Os lábios dele eram salgados. Mas também eram macios. Por um segundo, fiquei com medo de ele não gostar e nos separar, ou me humilhar ou coisa do tipo, mas isso não aconteceu. Na verdade, ele correspondeu meu beijo. Abraçou a minha cintura, nos juntando ainda mais, e me molhando, claro. Eu soltei o colarinho dele, abracei seu pescoço e acariciei seus cabelos. Percebi a minha luminosidade baixando. Os versos da profecia ecoavam em minha cabeça. Na escuridão, usarás o secreto poder, que apenas em um beijo irá ceder. Quando nos separamos, dei um beijo rápido final dele, só para não me esquecer do sal daqueles lábios. Eu já estava apagada. Me virei para trás e lá estava Annabeth, nos olhando com um sorriso no rosto. O mesmo sorriso que a gente fica quando vê um filhote de labrador correndo atrás do próprio rabo.
Annabeth: O amor é tão fofo!!!
Eu fiquei meio intrigada com aquilo. Annabeth gostava de Percy e isso era totalmente perceptível. Eu apenas dei um sorriso tímido, confusa.
Eu: Hã... é, eu acho.
Ela revirou os olhos.
Annabeth: Sequem-se, seus molhados. – Ela jogou duas toalhas para nós.
Percy e eu nos secamos. Mas eu ainda tinha um recado final a dar. Dei uma rasteira invertida em Percy, fazendo-o cair de cara no chão. Virei-o com meu tênis e posicionei meu pé em seu pescoço.
Eu: Se você me preocupar assim de novo, ou se colocar em um perigo assim mais uma vez, na sua vida, eu juro, Perseu Jackson, por todos os deuses, desde os mais conhecidos até os que eu nunca ouvi falar que eu vou...
O imbecil teve a coragem de rir.
Percy: Considere-me avisado.
Tirei meu pé de seu pescoço e ajudei-o a levantar.
Estávamos voltando para o carro, quando eu decidi tirar uma dúvida com Annabeth. Puxei-a pelo braço, após Percy entrar.
Eu: Mas, Annabeth, você não gosta de Percy?
Ela me fuzilou com os olhos, como se estivesse tentando fazer raios laser saírem deles e me matarem por ter descoberto o segredo dela. Eu até me encolhi. Mas ao invés disso ela riu. Riu bastante o que me fez rir de nervoso, aliviada.
Annabeth: Sabe, Rapha, eu já gostei de Percy. Há muito tempo. Já superei. Até chegamos a namorar, mas foi coisa de uma semana. Terminamos. Admito, quando vi vocês dois juntos, senti um certo ciúme, mas foram apenas resquícios do passado. Olhe, vou te contar um segredo, mas é SEGREDO. Não conte pra ninguém, senão eu juro que te esgano. – Ela olhou para os lados, garantindo que ninguém ouviria. – Eu estou namorando um menino. Um campista.
Levei as mãos ao rosto, surpresa.
Eu: Annabeth, isso é muito legal! Qual é o nome dele?
Annabeth levou o dedo ao lábio, e disse “Shhh”.
Annabeth: Segredo universal. Jamais saberemos.
Fiz aquele mesmo bico de criança mimada que não conseguiu o que queria e ela riu.
Annabeth: Além do mais, ele nem é mais um campista. Têm uma longa história à ser contada. Venha, vamos entrar no carro.
Eu: Tá. Percy, eu você já dirigiu muito! Saia desse banco.
Percy: Só até a gente chegar lá. Assim que sairmos da balsa, você pega o volante.
Revirei os olhos.
Eu: Tá bom.
Entrei no carro. Adivinhe o que Annabeth fez? Ficou lendo. Percy e eu estávamos envergonhados com o beijo, então não falamos nada. Quando a balsa parou no porto, eu insisti muito, mas Percy não me deixou dirigir. A primeira pessoa que vence uma discussão comigo. Incrível. Ele dirigiu até um certo ponto onde eu o obriguei a parar. Essa discussão ele não ganhou. Ainda tínhamos bastante tempo. Poderíamos descansar. Mesmo que faltasse só um pouco para chegarmos a Universidade de Victoria e recuperássemos o Elmo. Estava muito tarde. Eram 01:23. Percy precisava descansar. Enfim, paramos o carro no estacionamento de uma loja de conveniência de um posto de gasolina e decidimos dormir lá dentro mesmo.
Percy: Deixe que eu faço a primeira vigia.
Eu: De jeito nenhum. Eu já dormi bastante. Eu faço a primeira vigia. Durmam, vocês dois.
Percy: Rapha...
Ele me olhou com aqueles olhos verde-mar, parecendo uma foca bebê, pedindo alguma coisa... eu quase fiz o que ele pediu.
Eu: Durma, Percy. Você já dirigiu mais do que deveria. Agora, feche esses olhos e durma.
Ele bufou e fechou os olhos. Deve ter visto que não chegaria a lugar nenhum discutindo e eu sorri, triunfante. Apalpou um pouco meu banco, e parou quando achou a minha mão. Ele a pegou e encaixou nossos dedos. Sinceramente, pareciam um quebra cabeça. As peças certas, quando encaixadas, combinavam perfeitamente, formando uma linda imagem. Deixei-o dormir. Annabeth também dormiu. Eu fiquei fazendo uma coisa que normalmente fazia quando não tinha ninguém para conversar: fiquei fazendo ligações de parentesco. Ligava quem tinha parentesco divino com quem e descobria as relações das pessoas. Percy e eu somos primos de 2º grau. Annabeth é minha prima de 1º grau. Quíron é meu tio-avô. Hera é minha avó-madrasta, e tia-avó também. É, é uma coisa bem estranha, mas era divertido de fazer. Fiquei fazendo isso por horas e horas. Quando cheguei aos primos de quarto grau dos meus primos por parte de pai, percebi que estava cansada. Acho que já havia dado minha hora. Conferi as horas. 03:37. Decidi acordar Annabeth primeiro. Percy, definitivamente, precisava descansar. Me virei para trás e, com a mão que Percy não estava segurando, comecei a passar a mão leve e freneticamente nela.
Eu: Annabeth! Annabeth! Acorde!
Ela começou a se espreguiçar e abriu os olhos.
Annabeth: O que foi?
Eu: Sua vez de fazer a vigia.
Annabeth: Está bem. Pode dormir.
Segui o conselho dela. Me virei de volta para frente e me deitei no ombro de Percy. Ele fez afagou meus cabelos, com a mão que eu não estava segurando. Em questão de segundos, eu dormi. Só não queria sonhar.
Em meu sonho, eu estava de volta ao Acampamento Meio-Sangue. Estava no chalé de Apolo. Jenna, Lee e Will estavam conversando à luz de uma vela.
Jenna: Eu... eu não sei. Estou com um pressentimento ruim. Todas as vezes em que penso em Rapha... uma sensação ruim me invade. Isso está relacionado ao passado dela. A algo que ela já fez. Só não sei o quê é.
Lee: Areia.
Meus irmãos olharam para Lee, com o cenho franzido.
Will: Areia?
Lee: Sim. Areia. No segundo em que Jenna falou “algo relacionado ao passado dela”, a palavra areia invadiu minha mente. Isso relacionado ao passado dela têm areia. Eu tenho certeza.
Will: Eu... eu tenho tido sonhos. Sonhos com a missão deles. Vejo algumas coisas que se passam lá. Agora há pouco vi eles lutando com telquines. Eles enfrentaram lestrigões e aquele Jackson desgraçado deu em cima da minha irmã.
Lee: Ah, se eu pego ele...
Jenna: Gente, vamos nos concentrar no que é importante. Se ela estivesse aqui, poderia ter uma visão sobre isso... sei lá. Mas ela saberia.
Will: Hã, dã. É sobre o passado dela. O mais óbvio possível é que ela saberia.
Jenna mostrou a língua para Will. Lee balançou a cabeça em reprovação.
Lee: A vá?
Will ergueu as mãos.
Will: Só estou falando.
Jenna: Você fala demais.
Lee: Will, vá dormir.
Will: Eu não vou. Não enquanto estiver preocupado com minha irmã.
Jenna: Vocês acham que deveríamos contar a Quíron?
Lee: Sem dúvida, mas não hoje. Agora está muito tarde. Durmam. Amanhã falaremos com Quíron.
Eles assentiram e voltaram para suas camas. Lee apagou a vela. Meu sonho tremeluziu e a cena mudou.
Eu estava no apartamento de minha mãe, no Upper Manhattan. Ela estava mais jovem. Apolo estava sentado no sofá e ela estava na cozinha, tirando um cupcake do forno.
Mãe: Pronto! Aqui está meu primeiro cupcake! Você acha que agora eles vão me aceitar?
O deus se levantou do sofá e andou até onde minha mãe estava, ficando cara a cara com ela.
Apolo: Se eles não te aceitarem, é porque são uns idiotas. Você é perfeita em tudo o que faz, Pattie. E é por essa e outras razões que eu te amo.
Ele puxou minha mãe pela cintura e a beijou. Minha mãe abraçou o pescoço dele, mas não encostou os dedos sujos de farinha nele. Aquilo era meio nojento, admito. Nunca esteve em meus planos ver meus pais se beijando. Sim, eu gostaria de vê-los namorando, ou casados, mas não se agarrando no meio da minha cozinha. Eles se separaram, acho que por falta de ar.
Mãe: Você me ama, é?
Apolo: Mais do que todas as minhas ex-namoradas.
Minha mãe franziu o cenho.
Mãe: Não fale para mim de suas ex-namoradas.
O deus sorriu, malicioso.
Apolo: Ciúmes?
Mãe: Sim. Muito. Não me fale delas.
Apolo: Pode deixar.
E eles se beijaram novamente. A cena tremeluziu e mudou.
Joanne e aquele garoto, John, estavam sentados no sofá da casa dela, discutindo.
John: Eu juro! Eu vi isso, Jo...
Joanne: ... Anne! Joanne! Esse é meu nome!
John: Eu juro que eu vi isso, Joanne. Juro por todos os deuses que nós conhecemos!
Joanne: Você nunca gostou desse plano. Nunca gostou da ideia de eu fazer o que esperei anos para fazer. Por que devo acreditar nisso?
John: Porque nossa mãe me mandou te ajudar!
Joanne bufou e se encostou no sofá.
Joanne: Nesse caso, vamos ter de ir até lá. Mas se ela não for, eu juro pelo Rio Estige que te mato.
Meu sonho tremeluziu e a cena mudou.
Vi Hades, sentando em seu trono no Mundo Inferior.
Hades: Você está indo bem, Raphaella Harmon. Tudo está dando certo para você. Nesse caso, vou diminuir seu prazo. Você têm até as 11:00 de hoje para devolver meu Elmo, senão, você será minha prisioneira até o dia em que as pessoas pararem de morrer.
E tudo escureceu.
Percy: Rapha! Rapha, acorde!
Abri os olhos e estava de volta no carro. Percy e Annabeth estavam acordados.
Percy: A Universidade de Victoria fica há uns seis minutos daqui. Tem uma entrada bem perto do Bob Wright Centre. Coma um pouco para irmos.
Assenti. Abri minha mochila e peguei um dos meus sanduíches. Comi-o, rapidamente. Estava em pânico. Hades diminuíra meu prazo.
Percy: Nossa! Você está com fome mesmo.
Eu: Não é isso. Tive um sonho com Hades. Em meu sonho, ele dizia que, como eu estava indo bem na missão, iria diminuir meu prazo. Agora, só temos mais... – Olhei para o meu relógio. – 6 horas e uns 50 e poucos minutos para devolver o maldito Elmo das Trevas. Percy, você não tem mesmo como viajar pelo ar?
Percy: Não. Por que você me escolheu para esta porcaria de missão? Por minha culpa estamos atrasados.
Eu: Te escolhi porque gosto de você e te quero por perto.
Percy: Eu não terminei. Lembra que eu te disse que poderia deixar essa parte de irmos até Hollywood comigo?
Eu: Lembro.
Percy: Então, ainda está valendo.
Sorri.
Eu: Confio totalmente no seu plano. Não vá falhar comigo.
Percy: Pode deixar.
Eu: O que estamos esperando? Vamos logo para essa universidade!
Percy: Você vai dirigir.
Abri a boca para falar, mas fechei. Apenas saí do carro e dei a volta. Quando cheguei do outro lado, lá estava Percy apoiado na porta, sorrindo, confiante.
Eu: Não vai me deixar passar? – Falei, inocentemente.
Percy: Não. Quero um beijo.
Olhei para cima pedindo paciência aos deuses.
Eu: Percy, não temos tempo para isso.
Percy: Nesse caso, acho que eu vou dirigir...
Eu: Percy!
Percy: Você só vai passar depois que me der um beijo.
Revirei os olhos.
Abracei o pescoço de Percy e selei nossos lábios. Ele ainda tinha gosto de maresia. Eu ainda gostava dos lábios dele. Ele abraçou minha cintura e eu afaguei seus cabelos, daquele mesmo jeito que havíamos feito no dia anterior e o beijo foi ficando mais intenso e...
Annabeth: Gente! Deixem isso para a lua de mel! Agora não!
Nos separamos do beijo. Eu andei para frente, e Percy ainda estava lá, andei pelo outro lado, mas ele foi na mesma direção, enfim, somos o Casal Enrolação. Depois de tudo isso, ele saiu da frente da porta e gesticulou para que eu entrasse. Eu entrei. Percy entrou do outro lado e fechou a porta. Agora estávamos prontos para partir. Coloquei o cinto e liguei o carro. Annabeth me mostrou o caminho para a Universidade. Quando chegamos lá, paramos o carro e entramos sem problema. Annabeth sabia onde ficava o Bob Wright Centre, então, nos guiou até lá. O prédio era exatamente como eu me lembrava. O jardinzinho estava igual na minha visão. Quem sabe, eu tinha me visto pegando o Elmo. Fui até a primeira árvore e comecei a escalá-la. Subi pelos galhos até encontrar o Elmo. Sim, ele estava lá. Suspirei e sorri com tamanho alívio que senti. Estiquei a mão e peguei o Elmo. Fui descendo pelos mesmos galhos por onde subi. Em um deles, errei o pé e acabei caindo. Felizmente, havia um Percy bem macio e forte lá para me segurar. Caí bem no colo dele.
Eu: Oi!
Percy: Oi!
Eu: Tudo bem?
Percy: Sim, e você?
Eu: Estou bem, obrigada.
Annabeth: Se importam?
Percy me colocou no chão.
Eu: E agora?
Ele gesticulou para que eu esperasse e sorriu. Percy soltou um assovio tão alto, que eu acho que foi ouvido pela Europa inteira.
Eu: Quer me deixar surda, Cabeça de Alga? Acho que te ouviram no Acampamento Meio-Sangue!
Percy: Esse é o objetivo.
Eu: Percy...
Percy: Espere só mais alguns segundos.
Fiquei esperando, como ele pediu. Em questão de segundos, um pégaso negro e bonito apareceu no céu. Percy sorriu.
Percy: Blackjack.
Eu havia conhecido Blackjack no Acampamento Meio-Sangue. Ele era divertido. O pégaso pousou na nossa frente.
Percy: Precisamos ir até Hollywood, e rápido. Consegue?
Blackjack relinchou. É oficial, eu não tinha a menor ideia do que ele estava falando.
Percy: Nesse caso, eu e Rapha vamos. Eu não me chame de Chefe.
Annabeth: E eu?
Eu: Você fica, mas nós voltamos para te buscar. Não se preocupe.
Annabeth: E se um monstro me atacar?
Eu: Você mata.
Annabeth: E se uma legião de monstros me atacar?
Eu: Você mata todos.
Annabeth: E se todos os monstros do mundo me atacarem?
Eu: Desculpe, quem é sua mãe mesmo?
Ela bufou.
Annabeth: Atena.
Assenti, sorrindo.
Eu: Voltaremos rápido. Fique no carro. Não dirija. Pegue minha aljava.
Ela entrou no carro e pegou minha aljava.
Eu: Boa menina! Não saia do carro e não fale com estranhos. A chave vai comigo. Não faça ligação direta.
Percy: Rapha...
Eu: Vamos.
Percy subiu em Blackjack e me ajudou a montar no pégaso, também. Me segurei na cintura dele.
Percy: Eia!
E Blackjack levantou voo. Logo, já estávamos no alto, voando em direção ao sudoeste. Blackjack era rápido. Muito rápido. Estaríamos lá em minutos.
Eu: Onde você arrumou esse bad boy?
Percy: Salvei ele em um barco, há alguns anos atrás. Ele ficou eternamente grato por isso, então, agora é o meu animal de estimação.
Eu ri.
Eu: Você é fofo, Percy. Como consegue?
Percy: Consigo o quê?
Eu: Ser tão fofo.
Ele sorriu.
Percy: Não sei. Só nasci fofo.
Apertei mais a cintura dele, em um abraço.
Eu: Ah, você não respondeu minha pergunta.
Percy: A pergunta...
Eu: A empousa, Percy! Você se sentiu atraído por Carrey?
Percy: Ah, essa pergunta.
Silêncio.
Eu: E então? Você se sentiu ou não?
Percy: Por que você tem tantas dúvidas em relação a minha vida amorosa?
Eu: Porque eu gosto de você! Daquele jeito!
Ah, meus deuses. O que eu acabei de falar?
Percy: Gosta? Daquele jeito?
Eu: Hã, não. Claro que não. Só... curiosidade.
Percy: Não foi isso o que você disse.
Eu: Mas foi isso o que eu quis dizer!
Percy: Você gosta de miim! – Cantarolou ele.
Eu: Não gosto, droga! Por que raios todo mundo fala isso?
Percy: Quem falou isso?
Eu: Jenna, Beckendorf, Carrey e agora você!
Percy: Uau. Bastante gente.
Eu: É. Bastante gente iludida. Agora, responda a minha pergunta!
Percy: Aliás, por que você me beijou ontem, e hoje, se você não gosta de mim?
Eu: Ontem: tumor da preocupação. Foi o medo de te perder. Hoje: você não ia me deixar dirigir. Por que raios você não quer responder?
Ele respirou fundo.
Percy: Sim, ela me seduziu. Quando ela me pediu para beijá-la, pensei naquela menina de quem eu gosto. Ela... ela meio que me deu um fora, e aquilo me magoou. Eu pensei “se eu beijar Carrey agora, quem sabe eu me esqueço dela”. Por isso eu aceitei.
Era o que eu temia.
Eu: E quem é essa menina tão especial de quem você gosta, a ponto de recusar um beijo da menina que te seduziu, que te deu um fora?
Ele sorriu.
Percy: Você a conhece melhor do que ninguém.
Meu queixo caiu. Por um segundo, acho que uma lágrima visitou meu olho. Me lembrei da minha primeira visão com Percy.
Eu: Sou... sou eu?
Ele fez que sim com a cabeça.
Não pude evitar que um sorriso se formasse em meu rosto. Percy gostava de mim. Percy gostava mesmo de mim. Mas eu não podia... eu não podia gostar dele. Ah, não. Quer saber?, pensei, quem eu quero enganar? Eu estou total, completa e perdidamente apaixonada por Percy Jackson.
Percy: Agora, que eu admiti, você admite que gosta de mim?
Eu ri.
Eu: Percy Jackson, eu gosto de você. Daquele jeito.
Ele sorriu satisfeito.
Percy: Era isso o que eu queria ouvir. Você ouviu, Blackjack?
Blackjack relinchou e fez que sim com a cabeça.
Percy: Você é minha testemunha, viu? Ah, Rapha – Ele apontou para um letreiro –, chegamos.
Blackjack pousou e ficou nos esperando. Percy me guiou pelo lugar. Felizmente, ainda tínhamos algumas dracmas, para subornar o tal do Caronte. O caminho até o Palácio de Hades foi assustador. O elevador, e todas aquelas pessoas sem globo ocular, e o passeio de barco pelo Rio Estige (no qual eu não soltei a mão de Percy, em nenhum segundo), e todas aquelas almas tentando me puxar... Argh. Tudo repugnante. Bom, Percy sabia o caminho e foi me levando até lá. E nós não soltamos nossas mãos. Houve um ponto em que uma algo conhecido chamou minha atenção.
Eu: Espere.
Andei até uma pedra, onde a pulseira que eu dera para Joanne há dois anos estava lá.
Eu: Dei essa pulseira para Joanne. Há dois anos. O que será que isso está fazendo aqui?
Uma fumaça surgiu da porta para onde estávamos indo. Procurei a mão de Percy. Não achei, mas ele pegou a minha.
Xx: Ora, ora, ora. Parece que John estava certo. Você realmente achou o Elmo das Trevas.
Joanne e John saíram daquela fumaça.
Eu: Joanne? O que você está fazendo aqui?
Joanne: Quando John me disse que teve um sonho, um sonho onde você encontrava o Elmo das Trevas, eu tive que impedir o mais rápido possível.
Eu: Por que impedir? Você quer que eu vire prisioneira de Hades?
Joanne: Lerda, como sempre. Rapha, querida, fui eu quem planejou isso tudo. Eu roubei o Elmo das Trevas e escondi no Canadá. Eu disse a Hades que você sabia onde estava.
Minha mão esquerda se acendeu. Estava muito quente.
Eu: Você, Joanne? Você fez isso comigo?
Eu não sabia se ficava magoada ou com raiva, então, lágrimas invadiram meus olhos.
Joanne: Ah, sim. Fui eu mesma. Finalmente, minha esperada vingança chegou. Sou filha de Nêmesis, minha amiga. Nasci para a vingança.
Eu: Não acredito nisso. Por quê? Por que você fez isso comigo?
Percy: Hã, Rapha? Temos de ir rápido. Resolvam seus problemas pessoais do passado depois.
Eu: Já vou. Eu só... nada. Saia da minha frente, numa boa, antes que eu tenha que te tirar.
Percy: Calma. Tudo vai ficar bem.
Joanne: Oh, não. Eu não posso deixar vocês passarem. Infelizmente, essa missão terá de fracassar. Digo, infelizmente do lado de vocês.
Eu: Por que você fez isso comigo? Do que está se vingando? O que eu te fiz?
Joanne: Você não me reconhece, não é? Lembra-se da Johnny? De seis anos atrás?
Eu: Lembro, claro... Mas você não conheceu ela. Ela saiu da escola dois anos antes de você entrar.
Joanne: Ah, eu a conheci. Melhor do que ninguém. Eu sou a Johnny.
Meu queixo caiu.
Eu: Mas... Mas...
Joanne: Ah, sim. Sou eu mesma. Só que sem aquele maldito aparelho e com aquele cabelo desgraçado dez vezes melhorado.
Eu: Então, é disso que você está se vingando. De seis anos atrás, quando eu te enterrei.
Percy: Você enterrou ela?
Eu: Enterrei! Enterrei! Não se meta na história. Depois eu te explico. Joanne, eu chorei dias e dias por ter feito aquilo. Eu quase entrei em estado de depressão. Você soube do que fiz com Katherine Barton depois daquilo?
Joanne: Ah, fiquei sabendo. Hilário. Ainda assim. Eu passei dias enterrada. As crianças apareciam lá e riam de mim. Os pais não faziam nada, até que alguém com bom senso decidiu me tirar de lá. Planejei a minha vingança durante anos. Mas você quase conseguiu. Agora, eu e meu irmão, John, vamos ter de te impedir, pelo menos até as 11:00. Mas se for preciso, eu vou te matar, amiga.
Arranquei Ópera do meu pescoço e o joguei para cima. Como sempre, meu arco já estava armado. Fiquei apenas segurando o arco e a flecha.
John: Eu te falei que ela era filha de Apolo.
Joanne: CALE A BOCA, JOHN!
Minha amiga desembainhou uma faca de bronze celestial. John fez a mesma coisa, com uma faca idêntica.
Eu: Joanne, eu não quero atirar em você. Essa flecha mata. Não me obrigue a fazer isso.
Joanne: Atire. Eu não teria piedade de você, se estivesse no seu lugar.
Dei o Elmo para Percy. Preparei meu arco.
Eu: A decisão foi sua.
Soltei a flecha na direção dela.
O problema foi que ela deu um mortal invertido e desviou. Eu tinha mais quatro flechas.
Joanne: Só mais quatro flechas, Harmon. Vamos lá! Você acerta!
Preparei meu arco, novamente, mas ela desviou, quando eu atirei. Joanne veio correndo em minha direção e quando estava quase em cima de mim, ela pulou e chutou Ópera para longe. Ou seja, eu estava desarmada. Para garantir que aquele não seria o momento da minha morte, eu chutei a mão dela, lançando sua faca para longe.
Joanne: Você me desarmou.
Eu: Você sempre falou apenas o óbvio.
Joanne tentou dar uma rasteira em mim, mas eu pulei por cima dos pés dela. Ela levou o punho fechado na direção de meu rosto, mas eu bati em sua mão, impedindo. Dei uma rasteira nela, mas imediatamente ela se apoiou nos braços e se levantou. Peguei uma flecha em minha aljava e, no segundo em que eu ia penetrar nela, dolorosamente, machucando mais a mim do que a ela, ela chutou minha mão, fazendo minha flecha voar, e a pegou. Ela levou a flecha na minha direção, mas, no mesmo segundo, eu peguei outra e me defendi.
Eu: Percy! Leve o Elmo! Fale que eu vim!
Percy assentiu e saiu correndo na direção para onde estávamos indo.
Joanne: John, impeça-o, seu idiota!
John foi correndo na direção de Percy e empunhou sua faca. No mesmo segundo, Percy tirou Contracorrente do bolso, já em sua forma de espada. Joanne deu um chute em minha garganta, que me machucou profundamente. Me virei para trás a avistei Ópera.
Se eu conseguisse alcançar, pensei.
Joanne aproveitou a distração e me deu uma rasteira. No mesmo instante em que caí, ela colocou aquele pezão nojento dela em meu pescoço, dificultando a minha respiração.
Joanne: Bonitinho esse Percy. Quem sabe, depois que a gente terminar aqui, eu não faço uma visitinha a ele.
Senti minhas orelhas esquentando. Não suportei ouvir aquelas palavras saindo da boca de Joanne. Não suportaria ouvindo de qualquer boca. Não quero que as pessoas façam visitinhas ao meu Percy.
Eu: Não... fale... assim... de Percy. – Engasguei.
Joguei meus pés o máximo para cima que eu consegui. Pensei até que daria uma cambalhota invertida com Joanne, mas isso não aconteceu. Eu apenas fiz o que queria. Chutei sua cabeça, deixando-a meio grogue. Ela tirou o pé de meu pescoço e caiu ao meu lado. Eu aproveitei a deixa para normalizar minha respiração. Parece que no mesmo tempo, ela voltou ao normal. Decidi torrá-la. Coloquei minhas emoções para fora de minha pele e comecei a brilhar. Já havia aprendido o truque. Como estava com uma raiva absurda, brilhei quase tanto quanto o sol de verdade.
Joanne: Você... brilha?
Eu: Não sou nada mais do que a filha de Apolo mais poderosa que já existiu.
Ela veio correndo na minha direção, mas a luz atrapalhou a visão dela. Quando ela pulou, acho que para me chutar [novamente], eu aproveitei a cegues dela e dei um chute em seu peito que a jogou para longe e fez ela bater com a cabeça na parede e cair no chão. Com a força da pancada, ela desmaiou. Então, eu peguei a minha flecha e, relutante, penetrei no coração dela, matando-a. Meu olho se encheu de lágrimas. Limpei-as. Quando me levantei, lá estavam John e Percy, me olhando.
Eu: Vai querer ir com ela, John?
Ele balançou a cabeça, freneticamente, recusando.
Eu: Então, corre.
Ele assentiu e saiu correndo. Percy veio andando na minha direção e me abraçou e eu deitei minha cabeça no peito dele. Eu precisava daquilo. Levantei minha cabeça, quando ouvi um ruído que parecia um mini-helicóptero. As três Fúrias apareceram. Elas ficaram voando ao nosso redor e pousaram a uns 3 metros de distância. Peguei o Elmo e joguei para elas. A Fúria do meio, Alectó, pegou.
Eu: Diga ao seu Senhor, que eu vou pra casa. E que Joanne Jenkins roubou o Elmo dele. E você era uma péssima professora de história.
A Fúria rosnou para mim e eu fiz a mesma cara para ela e rosnei também. Elas saíram voando para o lugar de onde vieram.
Percy: Vamos?
Eu: Deixe-me ficar abraçada com você, só mais um pouquinho.
Ele afagou meus cabelos e sorriu.
Percy: Claro.
Deitei minha cabeça sobre o peito dele, novamente. Ficamos lá, abraçados, por uns 10 minutos, e para mim, estava perfeito assim. Durante esse tempo, eu me apaguei. Quando decidimos ir embora, uma mensagem de Íris apareceu na nossa frente. Era Hades.
Eu: Seu Elmo já está com você. Está na sua mão direita. Eu estou vendo.
Hades: Eu posso ver. E sentir também. Estou feliz por tê-lo de volta.
Eu: Ótimo. Estou... indo... para... casa. Quer mais um chá ou um cafezinho?
Hades: Há-há. Como você é engraçada. Me trate com respeito. Você têm sorte de hoje eu ter acordado de bom-humor.
Eu: Uau. Nem quero ver o mau humor.
Hades: Em razão do meu bom-humor, decidi que como você e seus amigos já passaram por muita coisa para chegar aqui, eu vou ser piedoso, só uma vez, e te ajudar a chegar mais rápido naquele seu acampamento.
Eu: Ah. Legal. Vai fazer o quê?
Hades: Adeus, Raphaella Harmon.
E de repente, o mundo virou de cabeça para baixo, e eu tive a sensação de que ia vomitar e desmaiar ao mesmo tempo.
Camp Half-Blood; Pavilhão do Refeitório; Domingo; 07:03 da manhã;
Quando abri meus olhos, estava de volta no Acampamento Meio-Sangue, deitada na mesa de Ares. Percy estava do meu lado. Annabeth estava na mesa de Deméter.
Eu: O que... o que aconteceu?
Percy: Acho que Hades nos ajudou a chegar aqui.
Eu: Ah. Vocês estão bem?
Percy: Sim.
Annabeth: Sim.
Quando me virei, vi que Quíron estava sentado à mesa de Zeus.
Quíron: Vocês... devolveram o Elmo?
Eu: Sim, e Hades ficou tão grato, que quase me fez desmaiar.
Vi que Percy reprimiu um sorriso. Conferi meu bolso. Um recibo de devolução da City Carstar Inc. estava lá.
Eu: Mas eu agradeço.
Quíron: Bom, vocês devem estar com fome. Com sede ou algo do tipo.
Eu: Com saudade. Onde estão meus irmãos?
Quíron: Cada um em suas atividades.
Eu: Onde está Jenna?
Quíron: No lago de canoagem.
Eu: E Beckendorf?
Quíron: Na forja, como sempre.
Pisquei para Quíron e desci da mesa. Clarisse não iria gostar de saber que eu estive lá em cima, onde fica a comida dela. Ah, falando nela, Clarisse é minha prima de 1º grau. Fui correndo até o lago de canoagem e vi Jenna sentada à margem.
Eu: Jenna!
Ela se virou.
Jenna: Rapha!
Ela veio correndo e me abraçou.
Jenna: E aí? Como foi?
Eu: Ah, foi muito legal. Fomos atacados por até poucos monstros, eu diria, mas nós conseguimos. Esse é o melhor de tudo!
Minha irmã olhou para os lados. Meu sorriso automaticamente se desfez. Eu já sabia o que ela ia falar.
Jenna: E com Percy?
Revirei os olhos.
Eu: Suas roupas não serviram para nada. Eu nem usei seus vestidos e seus tops. Eu NÃO tentei seduzi-lo, Jenna.
Jenna: Ahhh...
Um sorrisinho tímido se fez em meu rosto.
Eu: Mas Percy e eu nos beijamos. – Falei baixinho.
O queixo dela caiu. Ela tampou a boca com as mãos. Eu ri e abaixei minha cabeça.
Jenna: Ai, Rapha, isso é muito bom! Ah, deuses... Estão namorando?
Eu: Não! Foi só um... digo, dois beijos.
Ela sorriu, satisfeita.
Jenna: Acho que escolhi as roupas certas. Elas fizeram um ótimo trabalho. Pode me devolvê-las.
Uma ideia se passou pela minha cabeça. Sorri, maliciosa, com a ideia.
Eu: Claro. Só vou precisar de mais uma.
Camp Half-Blood; Chalé 7; Domingo; 20:42 da noite;
Bom, o resto do dia foi bem normal, para um dia no Acampamento Meio-Sangue. Revi meus irmãos, todos nos perguntaram “como foi a missão?”, “cara, você brilha mesmo?”, “a Annabeth não teve nem um pouquinho de ciúmes? Ela não cortou sua cabeça, nem nada do tipo?”, tive algumas aulas de arco e flecha, até de esgrima, almoçamos, jantamos e todas essas bagaças. Depois, à noite, eu me lembrei de algo que queria fazer. Pedi para Annabeth entregar a Percy um bilhete escrito por mim dizendo:
“Encontre-me na praia, às 20:45.”
Não assinei. Acaba com toda a graça. Conforme o meu plano, eu precisei usar minhas habilidades de estilista e maquiadora, que eu aprendi em uma festa do pijama de Katherine Barton, aos dez anos, porque eu nunca me importei muito em ser fashion, nunca usei maquiagem, nunca fiz meu cabelo. Apenas, uma vez, em uma festa de Katherine Barton eu vi umas meninas fazendo penteados e maquiagens umas nas outras e tive que me lembrar daquilo. Ouvi falar que a cor preferida de Percy é azul, então, tive que investir nisso. Bem, o resultado foi esse. Eu sei, eu sei. Nada muito grandioso, nada que fosse glamuroso, não era muito sedutor, mas foi o que eu soube fazer. E te digo, andar de salto é uma porcaria. Odeio isso. Por que estava fazendo aquilo mesmo? Bom, eu fui. Atravessei a floresta e cheguei na praia. Lá estava ele, com os cabelos despenteados, descalço, com aqueles jeans com as barras dobradas e a camiseta laranja do Acampamento Meio-Sangue, jogando pedrinhas no mar. Andei até ficar do lado de onde ele estava sentado.
Eu: Espero que você goste, porque o meu salto está afundando e eu odeio calçar essas desgraças. Do mesmo jeito que odeio usar vestido.
Ele olhou para cima e sua boca meio que abriu quando viu meu rosto. Eu ri.
Percy: Uau. Eu, sinceramente, pensei que você nunca fosse usar um vestido.
Me preocupei. Meu sorriso desapareceu.
Eu: Então, está feio??
Percy: Não! Claro que não. – Ele se levantou, e ficou um pouquinho menor que eu, por causa do salto alto. – Está linda. Só... – Ele apontou para o salto.
Eu: Ah, claro. – Tirei os sapatos. – Odeio usar isso.
Percy: E para quê isso tudo?
Passei meus braços em torno do pescoço dele, nos aproximando.
Eu: Pra um carinha aí, de quem eu estou gostando.
Ele abraçou minha cintura.
Percy: Ele têm sorte.
Eu: Sorte tenho eu de gostar dele.
Dei um beijo embaixo da orelha dele e cochichei:
Eu: E eu acho que ele também está afim de mim, sabe?
Voltei minha cabeça para o lugar.
Percy: Não sei. Que tal você me dar um beijo para a gente recuperar a minha memória?
Eu: Você é péssimo nisso. Só cale a boca e me beije.
Percy: Ok.
Ele me puxou, selando nossos lábios, novamente. Quando nos separamos, apenas ficamos rindo, no mar, jogando água um no outro. É horrível nadar de vestido. Nunca mais eu usaria aquela porcaria novamente. Tudo o que eu sei, é que não há nada como beijar o menino que você gosta, dentro de uma bolha de oxigênio no meio do oceano.
Camp Half-Blood; Colina; 24/08; 10:34 da manhã;
Aquele era o meu último dia no Acampamento. Calma, nesse verão. Eu, provavelmente, voltaria no ano que vem. Bem, eu gostei bastante do tempo em que vivi lá. Conheci meus irmãos. Descobri quem era o babaca do meu pai. Virei uma arqueira profissional. Passei a falar grego. Aprendi a brilhar. Conheci um menino lindo chamado Perseu que é filho do deus do mar. Fiz uma amiga sensacional chamada Annabeth que é filha da deusa da sabedoria. Conheci primos e tios meus e todo tipo de parente que se pode imaginar. Ganhar meu colar de contas com a primeira conta com um elmo desenhado (representando o Elmo das Trevas), me fantasiar de punk no aniversário de Percy junto com meus irmãos e amigos e sair na estrada gritando com tochas acesas, respirar no fundo do oceano... E beijar Percy nos fogos de artifício do 4 de Julho... ah, tudo perfeito. Era oficial: eu amava aquele lugar. Ainda naquele mesmo verão, tive várias visões da minha vida futura. E não era muito agradável. Era meio sombrio. Acredite, algumas coisas tem de ficar ocultas. Subi a colina, já com a mochila pronta. Estava indo para casa. Minha mãe iria me buscar no Acampamento. Percy estava lá, usando jaqueta, jeans, uma camiseta azul e mochila nas costas. Nós tínhamos firmado namoro. Quer dizer, não tinha rolado “ai, você quer ser minha/meu namorada/o?” “ai, sim!”, mas nós estávamos namorando. Já havíamos nos declarado namorados. Quando ele me viu, deu um sorriso leve e esticou a mão para mim. Peguei a mão dele, como normalmente fazia. Dei um beijo rápido e leve nele, de bom dia.
Eu: Bom dia, Cabeça de Alga.
Percy: Bom dia, Cabelo de Miojo. Dormiu bem?
Eu: Sim. Sonhei com Apolo.
Percy: Ah, é? Ele veio falar com você?
Fiz que sim com a cabeça.
Percy: E o que ele disse?
Eu: Ele me disse que me deu todos esses poderes porque sabia que eu faria bom uso deles. Disse que ninguém os merecia mais do que eu. Disse também que me ama, e que ainda ama a minha mãe, e que adoraria poder se casar com ela.
Percy: Algo mais?
Olhei para os lados, garantindo que nenhum de meus irmãos ou Quíron estava lá. Mesmo filho de Cronos, Quíron foi criado por meu pai, Apolo. Essa mensagem final poderia deixa-los com ciúmes. Mas, ainda assim, eu sorri com a lembrança.
Eu: Disse que eu sou a filha favorita dele. E que, assim que puder, tentará se casar com a minha mãe e formar uma família conosco. Acho que ele não é tão babaca assim.
Percy: É, Apolo parece ser uma boa pessoa. Então, o que pretende fazer durante o ano?
Eu: Ah, sei lá. Praticar arco e flecha, fazer novos amigos, planejar alguns monumentos...
Percy: Afê. Nem imagino quanto tempo você e Annabeth vão ficar trancafiadas em um quarto desenhando prédios, ano que vem.
Eu ri.
Eu: Não se preocupe. Ano que vem, eu não vou desenhar nada aqui. Meu tempo aqui será todo dedicado ao treino, e a você.
Dei um beijinho rápido nele.
Eu: Mas você precisa me prometer uma coisa.
Percy: O quê?
Eu: Não vá namorar nenhuma loura, alta, maquiada, empousa ou não empousa mais bonita do que eu ano que vem, ouviu?
Percy: Claro. E eu prometo. Desde que você me prometa que não vai namorar nenhum nadador alto, musculoso, de ombros largos, Narciso da vida.
Eu: Prometo.
Percy: Querida, vamos selar esse acordo com um beijo.
Eu: É sério. Pare com essas piadinhas pré-beijo. Só me beije.
Ele me deitou em seus braços e me segurou, e nós demos nosso primeiro beijo selvagem. Daqueles de novela brasileira, sabe? Nosso beijo foi interrompido por uma buzina que assustou a nós dois.
Eu: É a minha mãe.
Percy: Como você pode ter certeza?
Eu: É a buzina do carro dela.
Percy nos levantou.
Eu: Não queria que esse momento chegasse.
Percy: Nem eu. Bem, ano que vem...
Suas palavras foram interrompidas. Pressionei meus lábios bem forte contra os dele. Queria que aquilo não acabasse. Fiquei assim por uns dois minutos, até que a buzina soou de novo, me lembrando de que eu não poderia ficar ali, beijando-o para sempre.
Eu: Não sou boa com despedidas, então, eu vou sair correndo, antes que eu comece a chorar.
A partir da palavra “correndo”, minha voz já saiu embragada. Eu saí correndo para o carro de minha mãe, limpando as lágrimas. Quando entrei no carro, lá estava ela com seu atual corte de cabelo ruivo e curtinho: minha mãe. Abracei ela. Lágrimas escorreram do meu rosto.
Mãe: Você estava com tanta saudade assim de mim?
Eu: É mais saudade dele. – Apontei para Percy, no topo da Colina.
Mãe: Ah. Ele é bonito. Vocês estão namorando?
Eu: É, acho que sim. Mãe, vamos logo, antes que eu comece a chorar mais.
Ela logo fez a manobra e voltou para a estrada, e foi dirigindo na direção de nossa casa. Pensando bem, eu estava com saudade de lá também. Foi naquele momento que eu me toquei que não tinha dado nenhuma informação minha a Percy. Endereço, telefone, nada. Só havia contado a escola em que eu estudava. Carnegie Hill, no Upper East Side. Que burra eu sou! Ele morava em Nova York, eu poderia vê-lo o ano todo! Bati em minha própria testa e no vidro do carro várias vezes até chegarmos em nosso apartamento. Quando entramos, o lugar tinha o mesmo cheiro de pão e bolo de sempre. Eu mal poderia esperar para ficar na escola de manhã, e passar a tarde fazendo cupcake, podendo desenhar meus edifícios apenas à noite. Eu odiava aquela rotina. Pelo menos, agora eu tinha uma razão para passar por cima de tudo isso. No ano seguinte, eu reveria Percy, Annabeth, Will, Lee, Jenna e todos os meus outros irmãos e amigos do Acampamento Meio-Sangue.
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