The Daughter Of The Sun
6 Raphaella
Notas iniciais
Armei meu arco. Soltei a primeira flecha, fazendo com que o gigante But que estava na minha frente virar pó.
Bud: Meu irmão. Você morre hoje, Raphaella Harmon.
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Ele puxou meu braço, agarrou meu arco e me lançou longe, fazendo-me voar. Bati com a cabeça em um dos pilares do posto e caí no chão. A força com que bati foi absurda. Não estava mais vendo direito.
Eu: Aargh... – Gemi. Nada que fizesse sentido saiu da minha boca.
Percy aparentou estar com raiva do lestrigão que me lançara.
Percy: Ninguém lança Raphaella Harmon na direção de um pilar, a não ser eu.
Eu: Você também não pode! – Gritei.
Percy deu uma rasteira no monstro e veio correndo na minha direção.
Percy: Você está bem?
Eu: Claro. Estou ótima. Voei, bati forte com a cabeça e caí no chão. Nem estou vendo 3 Percys.
Percy: Então, pelo menos com amnésia você não está.
Eu: Claro que não. Sou forte feito um dragão.
Percy: “Obrigada por se preocupar comigo, Percy”. – Ele falou com a voz afetada.
Revirei os olhos.
Eu: Obrigada por se preocupar comigo, Percy.
O monstro que já se levantava veio em nossa direção.
Eu: Ei, feioso! – gritei – Exijo meu arco de volta! Sou uma arqueira!
Bud: Você, filha de Apolo, vai virar omelete!
Percy: Passe por cima de mim, primeiro.
Eu: Percy, não!
O gigante Bud o atacou. Tentava acertar minha flecha em Percy. Estava a usando como espada.
Eu: É uma flecha, não uma espada, sua anta!
O insulto apenas serviu para mim deixar o gigante mais nervoso. Ele atacava Percy com toda a força.
Bud: Cansei de você!
Ele pegou Percy e o ergueu no alto, deixando Contracorrente cair. Peguei a espada. Bud girou Percy no alto a o jogou com toda força possível contra a parede da loja de conveniência.
Eu: Percy! – Gritei.
O rosto de Percy caiu para o outro lado e eu vi uma ferida do tamanho de uma pera em cima de sua sobrancelha.
Eu: Agora, meu querido, eu estou com raiva.
Soltei um rugido que balançou as árvores. Dei uma rasteira no gigante Bud e o derrubei no chão. Tentei enfiar Contracorrente nele, mas ele se defendeu com a flecha de Ópera. Ah, se aquele monte de cocô de alce de dois metros de meio quebrasse a minha flecha de bronze celestial, eu faria outra com as suas costelas. Depois de tentar diversas vezes, falhando, mata-lo com a espada, me enjoei do gigante. Fingi que iria penetrar a espada no seu coração, e quando ele foi se defender, eu cortei sua mão.
Bud: Ah, sua nojenta!
Penetrei a espada no coração dele e cortei sua cabeça. Ao pegar Ópera, ele já havia me irritado, mas agora, arremessando Percy? Ah, não. Aí a coisa fica séria. Vi ele se desfazendo em pó. Observei a luta de Annabeth com o gigante Butch. Quando seus olhos se encontram com os meus abaixei a cabeça, como se dissesse deixe comigo. Ela continuou se defendendo, até que eu cheguei por trás do gigante, gritei “APOLO!” e cortei sua cabeça. Ele também começou a virar pó.
Annabeth: Obrigada, amiga.
Eu: Sem problemas.
Me lembrei de Percy. Me virei e corri em sua direção. Me ajoelhei ao seu lado e Annabeth fez o mesmo.
Eu: E agora?
Annabeth: Ah... sei lá. Você tem quase todos os poderes de filha de Apolo. Não consegue curá-lo?
Me concentrei. Fiz uma reza silenciosa a meu pai, pedindo sua ajuda. Fui até o carro, peguei minha mochila, abri e tirei o cantil de néctar que havia dentro dela. Voltei até Percy. Despejei um pouco de néctar sobe a ferida na sua testa e cantei um hino em grego a Apolo. Em questão de segundos, a ferida começou a se fechar.
Annabeth: E agora?
Eu: Colocamos ele no carro e esperamos ele acordar. É tudo o que podemos fazer, acho.
Annabeth: Ele vai no banco de trás.
Revirei os olhos e dei uma risadinha.
Eu: Está bem.
Respirei fundo e acariciei os cabelos de Percy.
Eu: Agora seria a vez dele de dirigir.
Annabeth: Se eu soubesse, carregaria esse fardo por você. Mas como não sei, se eu dirigir, vamos morrer. Não acha melhor nós descansarmos?
Só quando Annabeth disse a palavra descansarmos, percebi que estava prestes a dormir ali mesmo, no chão do posto. Olhei para o meu relógio. 03:19.
Eu: Que tal entrarmos e dormirmos aí dentro?
Annabeth olhou para a loja de conveniência, como se decidisse se o lugar era seguro ou não.
Annabeth: Acho que é uma boa ideia.
Entramos lá, tentando arrastar Percy. Passei meus braços por baixo das axilas dele e Annabeth ficou com os pés. O objetivo inicial era levantá-lo, mas ele era pesado. Fomos meio que arrastando ele. Deixamos ele em um ponto que deduzimos ser confortável. Me ajeitei em um canto perto de Annabeth para planejarmos nosso monumento mesmo que não tivesse forças para isso.
Annabeth: Durma. Você não tem energia o suficiente para mais nada. Deixe que eu faço a primeira vigia.
Eu: Você disse isso ontem. Mas não me acordou.
Annabeth: Hoje, prometo que vou te acordar. Sério.
Abri a boca para protestar, mas não tive forças o suficiente. Desabei no colo de Annabeth, e dormi ali mesmo. Annabeth fez cafuné em meus cabelos, e eu gostei, então deixei quieto. Em menos de dois segundos estava dormindo.
Sonhei com Joanne, novamente. Ela estava no apartamento de seu pai, sentada no sofá, enrolando os cabelos louros, como sempre fazia quando estava impaciente. Paredes brancas, sofá de couro cinza, balcão da cozinha cheio de tigelas vazias e sujas de cereais matinais. O menininho de 13 anos de meu último sonho com ela estava sentado ao seu lado, tomando chocolate quente.
Xx: Você acha que ela vai encontrar?
Joanne: Eu duvido. Escondi perfeitamente bem, John. Ela jamais vai acha-lo.
John: Tem certeza? E se ela for filha de Apolo e tiver uma visão?
Joanne: Ela me parece mais ser filha de Ares. Ela é meio... vingativa. Sabe?
John: Não acho ela vingativa. Só justiceira. É diferente.
Joanne: Não para mim. É o seguinte, John, ela me fez sofrer. Sofri uma dor absurda, e agora, finalmente ela está pagando. Está pagando o preço que merece.
John: E se mamãe não achar que esse é o preço que ela merece? Sabe que ela vai fazer você pagar um preço igualmente doloroso, não sabe?
Não entendi aquilo. A mãe de Joanne a havia deixado com o pai, quando ela era pequena. E esse John, ele falou da mãe dela como se fosse mãe dele também. Seriam eles irmãos?
Joanne: Sei, seu imbecil! Sei de tudo! Agora, cale a boca.
John: Ok.
Meu sonho tremeluziu e mudou.
Eu estava em uma rua escura. Era tarde. Katherine Barton estava lá, mas parecia uns 5 ou 6 anos mais nova. Seus amigos imbecis do time de basquete estavam lá. Suas amigas estúpidas e nojentas estavam lá. E havia uma outra pessoa lá. Eu a conhecia. Tinha cabelos cacheados na altura do ombro. Olhos castanhos envoltos em uma circunferência preta. Ela era bonita. Ela era... eu? Sim. Era eu com dez anos. Lembro-me que quando tinha dez anos, tentei me juntar à turma de Katherine Barton. Como Joanne ainda não estudava na minha escola, eu não tinha amigos, e queria ser popular, então, tentei me juntar à ela. Ela me obrigou a fazer um monte de testes, como por exemplo, se eu tinha o andar ousado de uma modelo ou se meus dentes eram perfeitos o suficiente para andar com ela. Como eu era burra... sim, fiz todos os testes. O pior foi o último: eu teria de enterrar uma aluna viva. A aluna era loura, usava trancinhas e aparelho no estilo “capacete”. A coitada era uma nerd. Katherine a odiava. Não sabia, não sei e jamais saberei o porquê. Como na época eu era uma imbecil, aceitei o desafio. Bati na porta da casa de Johnny. Sim, a coitada se chamava Johnny. Isso só piorava o bullyng. Johnny abriu a porta e estranhou quando me viu.
Johnny: Raphaella Harmon?
Eu: Oi, Johnny. Como vai?
Johnny: Hã, eu vou bem. O que você quer comigo? Veio me torturar?
Eu: Claro que não, Johnny! Vim te chamar para dar uma volta comigo! – Cara, eu minto muito mal.
Johnny: Hã, ok. Onde nós vamos?
Eu: Ah, pensei no parque. Gosto de ir lá.
Johnny gritou “PAI, VOU SAIR COM UMA MENINA!” e fechou a porta de sua casa. Saímos andando na direção do parque. Quando chegamos lá, fui levando-a na direção do playground, onde eu a enterraria. Estava morrendo de pena de Johnny por ter de fazer isso com a coitada, mas não tinha mais volta. Katherine estava vendo. Se não fizesse isso, nunca teria amigos populares. Como eu era imbecil.
Johnny: Então, por que você me trouxe aqui?
Eu: Ah, queria companhia.
Johnny: Você anda com Katherine Barton. Ninguém que anda com Katherine Barton quer minha companhia.
Eu: Mas eu sou diferente deles. Gosto da companhia de qualquer um.
Johnny parecia desconfiada.
Eu: Olhe, vou te lançar um desafio. Quero que você pule de uma ponta da caixa de areia até a outra.
Johnny: E o que eu ganho se conseguir?
Eu: Te dou U$2,00.
Johnny: Ok...
Ela pegou o embalo e saiu correndo. Meu coração se apertava mais a cada passo que ela dava. Quando pulou da ponta da caixa de areia, viu a besteira que tinha feito. Eu havia cavado um buraco enorme, especialmente para ela. Ela caiu dentro do buraco.
Johnny: Ei! Me tire daqui, Harmon!
Eu: Me desculpe, Johnny.
Katherine Barton e seus assistentes irritantes chegaram. Andei até a caixa de areia. Peguei a pá e comecei a enterrar Johnny. O plano era deixar apenas a cabeça dela para fora, e assim eu fiz. Enquanto enterrava a menina, Katherine e seus amigos riam, tiravam fotos e mandavam beijinhos para ela. Minhas mãos estavam trêmulas. Me doía muito fazer aquilo. Lágrimas se formaram em meus olhos, e eu deixei apenas uma cair.
Eu: Perdão, Johnny. – Falei sem fazer barulho.
Saímos de lá e deixamos a menina enterrada. Eu queria chorar muito, voltar e desenterrar Johnny, deixar ela me enterrar, mas eu não fiz isso. Então, tudo escureceu.
Percy: Rapha! Rapha... acorde. É sua vez de fazer a vigia.
Abri os olhos lentamente. Quando olhei para fora, ainda era de madrugada. Olhei para meu relógio. 5:02.
Eu: Percy... você está melhor?
Percy: Sim, bastante. Tomei um pouco do seu néctar. Espero que não se importe.
Eu: Ah, não há problema. Pode dormir. Eu vou fazer a vigia.
Percy: Ah, não quero dormir. Já dormi demais.
Eu: Então por que me acordou, palhaço?
Percy: Annabeth me disse que prometeu que acordaria você. Então, eu precisei te acordar. Mas não quero dormir. Vamos fazer a vigia juntos.
Eu: Temos apenas três dias. Minha recomendação seria acordarmos Annabeth e sairmos logo daqui.
Percy: Acho que você tem razão. Seria melhor. Mas, não vamos acordá-la. Apenas carrega-la pro carro e deixa-la dormindo.
Eu: É, assim é melhor. Mas dessa vez, você dirige.
Percy: Claro!
Pegamos Annabeth com todo o cuidado do mundo para não acordá-la e deixamos no banco de trás do carro. Até que foi fácil. Depois, eu iria cobrar para esses dois me carregarem, pois eu já havia carregado os dois. Como esperado, Percy foi dirigindo e eu fui no banco do passageiro.
Percy: Annabeth me contou que você me curou.
Eu: Ah, também não foi assim. Seria melhor se você estivesse acordado na hora, para tomar o néctar na hora e comer a ambrosia na hora.
Percy: Sei.
Eu: Bom, pelo menos, quando você acordou, você tomou o néctar. Isso deve ter ajudado na sua cura.
Percy: É assim que funciona. E aliás, você tem outro poder de filha de Apolo.
Eu: Acho que eu devo ser especial. Sei lá. Tipo, até agora, eu tenho todos os poderes que os filhos de Apolo tem. Sou curandeira, vejo o futuro, me dou bem com a música, quando eu estou exposta ao sol, sei coisas que eu nem sabia que eu sei.
Percy: Faça uma poesia.
Franzi o cenho.
Eu: O quê?
Percy: Faça uma poesia. Seu pai é o deus da poesia, também. Ainda não testamos isso.
Eu: Ah, não. Isso vai sair horrível.
Percy: Tente!
Ri, tímida, e respirei fundo tentando encontrar o meu “poeta interior”. O que saiu estava assim:
“Quando eu era garotinha, vivia à procurar.
Amigos eu não tinha, tentei os encontrar.
Mudei as minhas roupas, penteei o meu cabelo à mil
E só após meses, vi que eu era uma imbecil.”
Percy: Sério? Você penteou o cabelo mesmo?
Revirei os olhos.
Percy: Cara, isso foi um momento histórico! Você filmou?
Eu: Está me chamando de descabelada, Jackson?
Percy: É, você entendeu certo.
Dei um tapa na cabeça dele.
Eu: Às vezes, você é tão imbecil...
Percy: Você não acabou de falar que a imbecil é você?
Eu: Eu ERA imbecil, droga! Pare de me insultar!
Ele riu.
Percy: Desculpe. Não sabia que você é sentimental.
Eu: Não sou sentimental. Só não gosto de ser insultada.
Percy: Sei.
Eu: É bom que você saiba mesmo.
Percy: Mudando de assunto, e voltando para o outro, antes de você fazer a sua poesia, qual é o tal poder secreto seu?
Eu: É secreto.
Percy: Por favor! Me conte!
Eu: Vou pensar no seu caso. Mas por que você quer tanto saber?
Percy: Ah, sei lá. Porque eu gosto de saber, acho.
Eu: Você? Saber? Gosta? Há.
Percy: Ah, você não acredita que eu gosto de saber?
Eu: Não. Nadinha.
Percy: Bom, eu realmente não gosto, mas eu preciso. Algumas coisas são essenciais.
Eu: Ah é? Tipo o quê?
Percy: Tipo o ponto fraco dos monstros, tipo que devemos tratar os deuses com respeito, senão eles nos explodem, tipo que meu Tio, Zeus, não me deixa andar no céu, porque é território dele, essas coisas básicas.
Eu: Você não acha que algum dos deuses poderia, tipo, aparecer e nos ajudar nessa missão?
Percy: Geralmente, tipo, os deuses não aparecem nas missões, tipo.
Eu: Por que você está falando tanto “tipo”?
Percy: Sei lá. Você começou. Achei que fosse a brincadeira.
Eu ri.
Eu: Que besta.
Percy: Nós somos bestas.
Eu: Somos a dupla de bestas.
Percy: O casal de bestas.
Eu: O par de bestas.
Nós dois rimos.
Olhei para fora. Estreitei meus olhos para ver o que estava escrito. À primeira vista, parecia EMB INDVO A LAEGRBED, TNOAMAN. Depois de analisar bem, BEM VINDO A BELGRADE, MONTANA.
Eu: Acabamos de sair de Bozeman.
Percy: Bem que poderíamos arrumar um mapa para saber a distância ou pelo quê vamos ter que passar.
Eu: É, seria bom.
Olhei para fora procurando alguma loja de conveniência. Depois de minutos de frustração, achei o que eu queria.
Eu: Percy, ali!
Ele olhou para onde eu estava apontando e fez a manobra indo para lá. Olhei para o meu relógio. 06:52. Cara, o tempo voa. Percy parou o carro. Eu saí do carro e entrei dentro da loja de conveniência.
Eu: Olá, por acaso, vocês teriam...
Fui interrompida por um estrondo enorme. Um barulho absurdo de vidros quebrados se fez atrás de mim. Algo forte me atingiu na cabeça, e logo tudo havia escurecido e meu corpo perdeu a força. Apenas alguns segundos depois, senti meu corpo leve, como se eu tivesse sendo carregada, e o vento no meu rosto. Senti também algo me agarrando pelo braço. Acho que eram... garras?
Abri meus olhos e vi que estava deitada. Olhei para o meu relógio. 10:36. Cara, dormi por muito tempo. Então, eu notei onde estava deitada. Não era qualquer lugar. Eu estava deitada em um ninho. Um ninho de ouro. Cara, es-tra-nho. Haviam ovos de ouro lá. Grifos, pensei. Me levantei rapidamente e joguei Ópera para cima. Meu arco é mágico, então, ele sempre volta para o meu pescoço. Como estava sem minha aljava, tinha apenas uma flecha, ou seja, se tivesse mais de um grifo, eu estaria em total e completa desvantagem. Armei meu arco esperando por qualquer coisa. Ouvi uma voz conhecida me chamar.
Xx: RAPHA!!!!
Olhei para baixo e vi Percy e Annabeth olhando para cima, cerca de 8 ou 9 metros abaixo de mim. Percy estava com Contracorrente na mão e Annabeth estava com sua faca.
Eu: COMO VOCÊS ME ACHARAM?
Percy: HÃ, DÃ! UM NINHO DE OURO! EU VI O GRIFO QUE TE PEGOU!
Eu: ME TIREM DAQUI!
Percy: CALMA! NÓS VAMOS DAR UM JEITO!
Uma criatura preta, com uma cabeça de águia, corpo de pantera, asas e garras de falcão pousou no ninho. Felizmente, era apenas um. Coloquei a ponta de minha flecha em um dos ovos.
Eu: Se você tentar alguma besteira, eu atiro.
O monstro rosnou para mim, raivoso.
Eu: Agora, você vai me pegar, com cuidado e vai me deixar no chão. O ovo é meu agora. Eu só vou devolvê-lo quando estiver em terra firme.
Peguei o ovo. Pesava feito uma abóbora. A julgar pelo tamanho, eu já devia ter imaginado isso. O grifo me pegou pelos braços e fez o que eu mandei. Ele espetou uma de suas garras em mim.
Eu: Cuidado com as besteiras, ou o ovo cai.
Ele grasnou, furioso. Me colocou no chão, ao lado de Percy e Annabeth. Só então, eu vi que ele estava com minha aljava. Ele me entregou e eu enrosquei meu braço na alça. Coloquei o ovo no chão.
Eu: Pegue e vá.
O grifo fez um barulho com a boca, ensurdecedor, que parecia uma mistura de microfonia com o grito de guerra de um falcão. Mais 3 grifos apareceram. Nós três preparamos nossas armas.
Eu: Droga!
Annabeth: Você ameaçou o grifo?
Eu: Foi o único jeito que eu pensei na hora de fazer ele me trazer de volta para baixo!
Annabeth: Os grifos são loucos pelos ovos! Agora, eles te odiarão eternamente!
Eu: Me desculpe! Foi o pânico! Eu não pensei muito na hora!
Annabeth: Ah, posso ver.
Percy: Meninas, podem discutir depois?
Um grifo pulou em cima de mim, me imobilizando. Tentei soltar minha flecha nele, mas ele era forte. Prendeu meus braços e eu não conseguia me soltar. Outro grifo atacava Annabeth, que se defendia bem. Claro, Atena também é a deusa da guerra. Annabeth têm de ser boa nisso. Os outros dois atacavam Percy, que, mesmo em desvantagem, estava se defendendo muito melhor que Annabeth. Ele luta feito um demônio. É ótimo em tudo o que faz. Chutei o grifo que estava em cima de mim. Ele acabou se afastando, à força. Peguei uma flecha em minha aljava e mirei nele. No momento em que eu ia soltar a flecha, ele voltou com tudo para cima de mim, e bateu na minha mão, desarmando o meu arco. Bati o arco com força em sua cabeça, e penetrei a flecha nele, apenas com as mãos. O monstro começou a se desfazer em pó. Observei a situação de meus amigos. Annabeth se virava bem com o monstro dela. Queria dar um fim na situação de Percy, mas ele ficava tão lindo lutando, que eu quase não o fiz. Peguei uma flecha e disparei contra um dos grifos que atacavam Percy. O monstro começou a se dissolver. Percy penetrou Contracorrente no outro. Peguei outra flecha e disparei conta o monstro que atacava Annabeth. Esse mesmo virou pó.
Annabeth: Obrigada! Eu estava precisando de uma ajudinha.
Encolhi os ombros.
Eu: Quê isso!
Peguei as 3 flechas que estavam caídas no chão e as guardei na aljava assim, restavam 7 flechas. Teria de usá-las bem. Toquei as pontas de Ópera e ele voltou a ser um colar. Prendi-o no meu pescoço.
Eu: Onde vocês deixaram o carro?
Percy apontou para o oeste.
Percy: Não está muito longe.
Annabeth: Está há um quilômetro daqui.
Percy: Ok, está bem longe. Vamos ter de andar. Mas – Ele tirou um papel do bolso. – Tenho um mapa dos Estados Unidos e do Canadá. Vamos ter de pegar uma balsa.
Eu: Ahh...
Olhei para cima, pedindo paciência aos deuses.
Eu: Vamos logo para o carro. Depois de pegar o Elmo, teremos de ir até Hollywood. O caminho é longo!
Fomos andando. Annabeth tinha razão. O carro estava à um quilômetro do ninho do grifo. Por que tão longe? Percy quis ir dirigindo. Eu deixei. Dirigi por muito tempo, ontem. Conferi as horas. 11: 17. Estávamos quietos há algum tempo. Eu apenas acompanhava o caminho. Houve um momento, em que eu olhei para uma nuvem no céu, que parecia uma coroa, e então tudo escureceu. Eu iria ter uma visão.
Em minha visão, eu estava sentada em um trono de caveiras, exatamente como o de Hades, no palácio dele. Usava uma coroa bem sombria, feita com ossos e um hobbie preto de veludo, com algumas feições fantasmagóricas nele que se mexiam e tentavam sair de lá. Meu rosto estava apoiado em minha mão esquerda, e eu parecia entediada. Haviam dois gigantes na minha frente. Ambos tinham uns três metros e meio, eu acho. Sou péssima quando se trata de estimativas de altura. Sou péssima para um monte de coisas. Um estava sentado nos ombros do outro, que estava tentando se equilibrar em um monociclo. O de cima fazia malabarismo. O outro parecia que estava tentando voar de tanto que dançava com os braços. O de cima tinha cabelos roxos trançados em dreadlocks e presos em um rabo de cavalo entremeado com moedas de ouro e prata. Ele usava um smoking branco com uma enorme cauda e sapatos sociais também brancos, o que ficava horrível, especialmente se eu considerar que os sapatos tinham uma ponta longa e curva, como os de um duende ou um bobo da corte. O gigante debaixo tinha exatamente o mesmo rosto, mas o cabelo era verde e tinha cobras ao invés de moedas. Ele usava um macacão verde justo que eu gostaria que não fosse tão justo assim em algumas áreas (em todas as áreas, na verdade), e sapatilhas cujas pontas estavam cortadas e serpentes rebeldes sibilavam no lugar dos pés. Ele tinha uma tiara de diamantes na cabeça. Parecia estar muito magoado e muito desconfortável. Eu não o culpava. Eu assistia ao show totalmente desanimada.
Eu: Por que mesmo eu me casei com vocês? – minha voz soava como se estivesse sendo mixada para parecer a de um monstro feminino com uma voz supergrave. Fora da visão, senti uma baita ânsia de vomito. Porque raios eu me casei com eles?
De cima: Porque nós somos um espetáculo de maridos.
Eu: Vocês dois não tem nada de espetáculo.
Cortei o ar a minha frente com a mão e o monociclo desapareceu, fazendo os dois gigantes caírem no chão.
De baixo: Você não precisa ser tão cruel.
Eu: “Você não precisa ser tão cruel” – imitei com uma voz afetada.
Ambos os gigantes pareciam frustrados.
De baixo: Efi, faz ela parar?
De cima: Já disse para não me chamar de Efi. Me chama de Efialtes ou pelo meu nome artístico: O GRANDE F!
Eu: Desista dessa droga de nome artístico! Nunca vai dar certo!
Efialtes: Que nada! É perfeito. Você está muito mal-humorada hoje, meu amor.
Eu: NÃO ME CHAME DE MEU AMOR!
Fiz o gesto que havia feito um minuto atrás e um rubi que tinha mais ou menos um metro e meio de comprimento e deveria pesar umas duas toneladas caiu bem a milímetros do gigante Efialtes.
Efialtes: Ok. Oto, ela não está feliz com o nosso casamento.
O gigante chamado Oto se levantou e limpou a poeira do macacão.
Oto: Não vejo o porquê. Essa é uma ótima casa.
Eu: Eu amo a minha casa. Eu odeio vocês dois.
Eles pareceram ofendidos.
Efialtes: Também não vejo o porquê. Odiar Oto eu até compreendo, ele não tem o menor senso de estilo.
Oto: Ei!
Efialtes: Mas me odiar? Não faz nenhum sentido. Deve ser esse palácio velho que está fazendo mal ao seu cérebro de mortal.
Eu: Meu cérebro deixou de ser mortal éons atrás. Pare de repetir isso. Eu estou enjoada de vocês dois. Deveria ter me casado com Alcioneu.
E tudo ficou branco.
Eu estava novamente no nosso carro. Acho que ninguém havia notado que eu havia tido uma visão e eu resolvi deixar quieto. Percy olhou para mim e depois de volta para a estrada.
Percy: Nós notamos que você estava ocupada com o futuro. O que você viu?
Eu: Nada de importante.
Me esforçaria ao máximo para esquecer daquela visão assustadora. Annabeth ficou, novamente, o dia inteiro lendo aquele livro. Aquilo não termina?
Eu: Annabeth, Quantas páginas tem o seu livro?
Annabeth: 647.
Eu: E em qual você está?
Annabeth: 312. Por quê?
Eu: Nada. Pura curiosidade. Quanto tempo falta para nós chegarmos?
Annabeth: No mesmo esquema, umas 13 horas.
Bufei.
Eu: Cara, isso demora demais. Será que um trem não iria mais rápido?
Percy: Só se voltássemos a Janesville. Teríamos de devolver o carro, lembra?
Eu: Claro. – Falei, sombria. – Não há como me esquecer.
Percy sorriu e se endireitou. Velho, ele parece o meu avô dirigindo. Isso é engraçado. Eu ri da lembrança.
Percy: O que foi?
Eu: Você parece o meu avô dirigindo.
Ele novamente fez aquela cara de quem pensava pela primeira vez em éons.
Percy: Zeus?
Bati na minha testa, em frustração.
Eu: Não, Cabeça de Alga. Eu nunca vi Zeus dirigindo. Paolo Harmon, pai de minha mãe.
Percy: Ah. Vocês se viam muito?
Eu: Quando eu tinha cinco anos, minha mãe me disse que cansou de esperar pelo meu Pai, e se mudou para perto do meu avô, em Littleton, New Hampshire. Eu lembro que ele me chamava de Liz.
Ele franziu o cenho.
Percy: Liz?
Eu: Sim, apelido do meu nome do meio. Elizabeth. Raphaella Elizabeth Harmon. O nome dele era Paolo.
Percy: Você já disse isso.
Eu: Não me interrompa! Enfim, meu avô era carpinteiro. Todas as tardes, quando ele voltava da carpintaria, ele perguntava para minha mãe se eu tinha sido uma boa menina. Eu sempre tentava ser. Quando eu era, no dia seguinte, meu avô me levava para a carpintaria, e lá, nos construíamos casinhas de madeira, para os passarinhos. Minha mãe sempre amou a carpintaria. Por isso, eu também suspeitava que era filha de Hefesto. Eu amava a carpintaria. Minha mãe também.
Percy: E como era em Littleton?
Eu: Muito legal, cara! Eu estudava em uma escola para crianças “especiais” – Fiz aspas com os dedos. – Ou seja, disléxicos e hiperativos. Todos me compreendiam. Acho que todos eram semideuses. Eu tinha muitos amigos. Pelo que me lembro, cada aluno tinha um professor particular para ajudar as crianças a lerem.
Percy: Mas você tinha cinco anos. Por que precisaria de um professor de leitura, se nem sabia ler?
Eu: Na minha família, as pessoas costumavam aprender a ler com três ou quatro anos. Eu sou uma vergonha para eles. Não que eles se envergonhem de mim, mas deveriam.
Percy: Minha mãe é escritora. Eu te entendo.
Eu: É, não tá fácil pra ninguém.
Percy assentiu. Peguei minha mochila no chão. Estava com fome. Peguei um dos sanduíches de peito de peru e comecei a comer.
Eu: Alguém quer?
Annabeth: Eu comi no caminho para o ninho.
Percy: Eu quero!
Peguei outro e entreguei para o Percy. Fui comendo o meu. A cada 2 minutos, mais ou menos, ele dava uma mordida.
Percy: Quem fez?
Eu: Eu e Jenna. Por quê?
Percy: Está bom. Vocês deveriam trabalhar na cozinha do acampamento.
Eu: Não invente. É só peito de peru entre pão e maionese. Você teria feito igual.
Ele fez uma cara como se dissesse É, bem que você tem razão. Olhei para fora e vi uma placa que dizia BEM VINDO A LOGAN, MONTANA.
Eu: Cara, Montana não acaba mais!
Percy riu da minha impaciência.
Percy: Calma. Já estamos quase em Idaho. Vamos pegar só um pouco desse estado. Aí, atravessamos Washington e pegamos a balsa para Victoria.
Eu: É, Percy?
Percy: Diga.
Eu: Será que na balsa, você não podia, sei lá, usar seus poderes marítimos para acelerar o caminho?
Percy: Acho que sim. Não tinha pensado nisso.
Eu: Porque, senão, vai levar uma eternidade para a gente chegar em Victoria.
Percy: Sem contar que depois de chegar em Victoria, ainda vamos ter de ir para Hollywood, o que vai levar mais um dia.
Eu: Pois é.
Annabeth: Gente, vocês não acham que parar para se trocar seria uma boa ideia? Não nos trocamos desde...
Eu: Ontem, no Buffalo Wings and Rings?
Annabeth: Uau. Parece que faz tanto tempo...
Eu: Parece mesmo. É, acho que parar para trocar de roupa seria uma boa. Será que aqui tem um banheiro público em algum lugar?
Annabeth: Procure do seu lado que eu procuro do outro. Qualquer coisa com banheiro vale.
Passamos um tempo procurando por banheiros ou coisa parecida. Finalmente, eu achei alguma coisa.
Eu: Ali!
Havia um restaurante. Parecia mais uma cabana do medo. Após estreitar os olhos e estudar a placa, cheguei a conclusão de que ela dizia LAND OF MAGIC SUPER CLUB CASINO LOUNGE. Sabe aquelas unidades da guarda florestal que a gente acha no meio de qualquer floresta? Então, parecia isso.
Percy: Tem certeza? É um lugar assustador.
Eu: É, ter certeza, certeza, eu não tenho de nada. Também achei assustador. Mas é a opção.
Relutante, Percy manobrou e parou o carro na frente do lugar. Pegamos nossas coisas e entramos lá. Peguei minha aljava também. Parecia um lugar onde se pode encontrar monstros. Entramos lá e o lugar era mais assustador por dentro do que por fora. As paredes eram feitas com madeira. Você ainda não entendeu. Os troncos. Literalmente. As paredes eram troncos de árvores. Em uma das paredes, havia um painel cheio de acessórios de montaria. Desde chapéus de vaqueiro até as selas dos cavalos. Havia uma pequena mesa com um vaso de madeira e flores que aparentavam estar estragadas. Havia uma placa em frente a uma porta de madeira que dizia SALÃO DE JANTAR. Quando entramos lá, era tão assustador quanto achei que seria. Um salão escuro com mesas de madeira à luz de velas nos abrigava. Aquela típica cozinha da casa dos filmes de terror quando a dona de olhos esbugalhados e avental entra com uma faca na mão, pronta para matar. Sentada à uma das mesas, havia uma menina com um sorriso maquiavélico usando um avental florido descascando uma batata, iluminada apenas por uma vela. Ela era muito bonita. Os cabelos loiros ondulados lhes caíam pelos ombros e o rosto parecia ter sido modelado à mão por um escultor experiente. Por um segundo, me senti inferior. A minha vida inteira eu achei que era bonita o suficiente para fazer qualquer coisa que eu precisasse, conquistar qualquer homem que eu quisesse, mas naquele momento, me senti feia. Felizmente, foi coisa de um segundo. Agora, Percy estava completamente impressionado com aquela mulher. Sua boca estava meio aberta e seus olhos estavam vidrados. Senti uma pontada de ciúmes. Não gostava de ver Percy olhando para outras mulheres. Mal aguentava vê-lo olhando para Annabeth.
Xx: Olá. Bem vindos ao Land of Magic Dinner Club. Eu sou Carrey.
Percy acenou, ainda hipnotizado.
Percy: Olá Carrey.
Dei uma cotovelada nele, reprovando a atitude. Eu estava reprovando mesmo era todo aquele gosto por ela.
Eu: Carrey, gostaríamos de usar o seu banheiro. Podemos?
Carrey: Ah, claro! Fica logo ali. – Ela apontou para duas portas de madeira. Cara, àquela altura, não me surpreenderia se a privada do banheiro fosse de madeira.
Carrey: Mas, vocês terão de ficar para comer.
Eu: Ah, que isso, Carrey. Não podemos. Estamos sem dinheiro e com muita pressa.
Carrey: Eu insisto. Fica por conta da casa.
Percy: Por favor, Rapha, por favoooor.
Alternei meu olhar entre Percy e Carrey. Aquilo não estava me cheirando bem. Tanto simbólica quanto literalmente.
Eu: Só um pouco. Não podemos abusar da sua hospitalidade.
Carrey: Vocês não estão abusando de nada! Fiquem o tempo que precisar.
Percy sorria como uma criança que acabou de ganhar um doce da mãe.
Eu: Vão. Se troquem.
Percy entrou no banheiro masculino e Annabeth e eu no feminino.
Annabeth: Eu não sei você, mas eu não fui lá muito com a cara dessa Carrey.
Eu: Ela não me cheira bem. Entenda do jeito que você quiser entender, está certo.
Annabeth: Sabe, Rapha, alguns monstros podem se disfarçar.
Eu: Sei disso. Você acha que ela pode...
Annabeth assentiu com a cabeça.
Annabeth: Ela me parece uma empousa.
Eu: E Percy está totalmente hipnotizado.
Ela assentiu.
Annabeth: Bom, mas ela pode ser simplesmente uma pessoa bonita querendo arrumar um namorado.
Eu: Duvido.
Annabeth: O caso é, vamos ficar de olho aberto nela.
Assenti.
Nós trocamos de roupa. Cara, por que mesmo eu disse a Jenna que usaria isso? Ah, sim. Ela quer que eu fique com Percy. O que me lembra que há um demônio na sala de jantar esperando para nos devorar. E está seduzindo Percy. Eu havia ouvido lendas sobre empousai. Uma mistura de mulher com burro que seduz os homens para os devorar. Já vejo Percy dentro do estômago. Voltando ao mundo de agora, Annabeth colocou um short jeans e uma camiseta da Hollister. Ela também pegou o boné dos Yankees dela. Ainda não falei sobre ele, falei? Bom, pelo que ela me contou, foi um presente da mãe, Atena, pelo aniversário de doze anos, e quando ela coloca na cabeça, ela fica invisível. Bem legal, né? Bom, nós saímos do banheiro, e assim que viu o que eu estava vestindo, Percy começou a rir.
Eu: Jenna escolheu as minhas roupas. Eu não tenho culpa de estar ridícula.
Ele parou de rir.
Percy: Não, está bonita. Só... só não parece uma roupa que você usaria.
Carrey estava maravilhada com minhas roupas.
Carrey: Você está fantástica! Linda. Agora, sentem-se. Vamos comer.
Nos sentamos e imediatamente fomos servidos. Carré de cordeiro com salpicão de frango e suco de uva para mim (cara, como eles sabem que esse é o meu prato preferido?), para Percy veio um cheeseburger com refrigerante azul (vai entender), e para Annabeth veio purê de batatas. Eu comi o mais rápido possível pois queria sair de lá antes de ser devorada. Percy não parecia com pressa. Annabeth comeu na mesma velocidade que eu.
Eu: Percy, estamos com pressa, lembra? Coma rápido.
Carrey: Pressa para quê? Vocês ainda tem dias.
Eu: Dias não. Acho... acho que temos três ou dois dias.
Espere, como ela sabia?
Depois de um tempo enrolando, Percy finalmente terminou o cheeseburger.
Eu: Podemos ir ou você ainda vai querer uma porção extra de batata frita?
Percy: Posso?
Eu: NÃO!
Carrey: Meninas, antes de vocês irem eu posso ter uma conversa particular com Percy?
Annabeth e eu nos entreolhamos.
Eu: Que seja rápido. Muito rápido. Qualquer coisa, grite.
Carrey: Claro, Raphaella. Qualquer coisa eu grito.
Eu: Falei com Percy.
Carrey pareceu ofendida. Ela pegou Percy pelo braço e o levou para a cozinha.
Eu: Annabeth, nós falamos nossos nomes?
Annabeth: Não que eu me lembre.
Nossa pior suspeita havia sido confirmada.
Eu e Annie: Empousa.
Embaixo da porta da cozinha, havia uma pequena abertura, onde dava para ver o que se passava por lá. Annabeth e eu nos abaixamos e ficamos vendo/ouvindo a conversa.
Carrey: ... e eu queria saber se posso te dar um beijo.
Por um segundo, Percy pareceu não gostar da ideia. Deve ter se lembrado da menina que ele gosta. Mas acho que ele voltou ao transe.
Percy: Quer saber? Claro!
Percy se inclinou na direção dela, pronto para receber um beijo e ela fez a mesma coisa, pronta para beijar. Eu não podia deixar aquilo acontecer. Enfiei meu pé por debaixo da porta e dei uma rasteira em Percy. Ele bateu a cabeça na parede.
Percy: Ai... – Ele gemeu.
Me levantei, abri a porta e entrei lá.
Eu: O que você é?
Carrey deu um sorrido sarcástico.
Carrey: Sou só uma menina apaixonada por Percy. Não te culpo por estar com ciúmes. Ele é lindo.
Eu: Não estou com ciúmes. E não vou deixar você devorar, matar, fazer seja lá o que você quer com meu amigo.
Ela franziu o cenho, furiosa.
Carrey: Esta é minha área, e eu vou devorar quem eu quiser, Raphaella Harmon.
Eu: Só por cima do meu cadáver.
Carrey: Assim seja.
Então, ela começou a ficar diferente. A cor se esvaiu de seu rosto e de seus braços. A pele se tornou branca, como giz, os olhos completamente vermelhos. Os dentes cresceram e viraram presas. A perna esquerda ficou marrom e peluda, e a direita tinha o formato de uma perna normal, só que de bronze.
Carrey: Bom, já que você quer acompanhar o seu namorado, vocês três vão morrer. Tirem no par ou ímpar quem será a primeira.
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