The Daughter Of The Sun
4 Raphaella
Notas iniciais
Camp Half-Blood; Parede de escalada; Quarta-feira; 5:43 da tarde;
Gleeson: VAMOS, HARMON! VOCÊ CONSEGUE FAZER ISSO DIREITO! CHAMA ISSO DE ESCALADA?
Gleeson Hedge é um sátiro do Acampamento. Ele tem de encorajar os campistas a fazer as coisas direito. Ou seja, ele tem que nos chamar de “fracassados” até deixarmos de ser fracassados. Eu estava escalando a parede de escalada com lava, e confesso, gosto do quente, mas aquele quente estava me machucando, e deixaria marcas de queimado na minha pele.
Eu: GLEESON, POR QUE VOCÊ NÃO VEM AQUI E FAZ MELHOR?
Gleeson: DUVIDA DE MIM, HARMON?
Gleeson era engraçado. Bom, eu acho. Mas aquilo estava começando a me irritar um pouco. Coloquei minhas botas de escalada em cima da lava, e minhas luvas também. Já não conseguia mais achar as pedras. Fui chegando ao topo, e quando eu estava quase tocando o sino, senti minha pele queimar. Minha luva estava derretendo. Subi mais rápido, toquei o sino, e desci em uma velocidade impressionante: muito mais devagar do que se pode imaginar. Quando cheguei em baixo, me joguei no chão. Estava quase morta.
Xx: Cansada, Cabelo de Miojo?
Percy estava lá, me observando. Meu coração fez um pequeno número de sapateado, involuntariamente.
Eu: Vai ficar parado aí, ou me ajudar a levantar?
Percy: Primeiro, tire a luva e as botas chamuscadas.
Fiz o que ele pediu. Ele estendeu a mão para mim, eu me segurei e me levantei.
Percy: Gostou da sua primeira escalada?
Eu: Com Gleeson falando como eu sou ruim? Não. Sou uma arqueira, não escaladora.
Percy: No começo é assim mesmo, mas você se acostuma. Alguém já te apresentou a Grover?
Eu: Quem?
Percy: Já vi que não. Um sátiro, aqui do acampamento. É meu melhor amigo. Venha, vou te apresentar a ele.
Eu: Quem teria me apresentado? Só conheço você, Annabeth, Connor, Travis, Lee, Will, os meninos do chalé 11, do chalé de A...
Percy: Bastante gente já poderia ter apresentado vocês.
Eu: É, tem razão. Enfim, mostre-me Grover.
Ele estendeu a mão para mim.
Percy: Se importa de correr um pouco?
Eu: Não, claro que não. Adoro correr.
Peguei a mão dele.
Percy me puxou e foi correndo comigo na direção da floresta. Parecia que não acabava mais, mas acabou. Quando chegamos ao junípero, vi um sátiro de cabelos encaracolados e camisa laranja do Acampamento beijando uma dríade, com um aspecto verde na pele e orelhas pontudas, típicas de uma dríade.
Percy: Hã, Grover?
O sátiro se afastou da dríade.
Grover: Diga, Percy.
Percy: Grover, esta é Raphaella Harmon, minha amiga, filha de Apolo. – Ele apontou para mim com a mão esquerda, o que me fez lembrar que ainda estávamos de mãos dadas.
Grover: Esta é a famosa Raphaella?
Eu: Sim, mas pode me chamar de Rapha.
Grover: Rapha, claro. Adorável. Enchanté. – Ele beijou minha mão que Percy não estava segurando.
A dríade pigarreou.
Grover: Hã? Desculpe, meu amor. Rapha, esta é Juníper, minha namorada, ninfa das árvores.
Eu: Prazer em conhece-la, Juníper. – Sorri e estendi a mão.
Juníper: Prazer em conhece-la também. – Ela apertou a minha mão e sorriu simpática.
Grover: Cara, você não sabe como Percy fala de você. Quer dizer, falou, porque desde ontem, quando você chegou, só nos vimos uma vez.
Eu: Você me viu chegando ontem?
Grover: Sim, eu estava nos campos de morango e vi você chegar com George.
Eu: E o que Percy disse de mim?
Grover: Disse que você era simpática, bonita, tinha cabelos cacheados sensacionais que caíam sobre seus ombros e encaixavam perfeitamente no seu rosto...
Percy: Grover!
Percy estava corado e com uma cara de raiva. Não pude evitar um sorriso que se formou em meu rosto.
Grover: E tenho que dizer que você é exatamente como ele descreveu.
Eu: Ah, sou?
Grover: Claro, incluindo a parte de que os seus cabelos parecem ruivos a luz do sol.
Vi que o sol passava por entre algumas frestas entre as folhas, iluminando o meu cabelo.
Eu: Já tinha reparado nisso. Engraçado, não é, Percy?
Percy: É bonitinho, também.
Eu: É engraçado e bonitinho.
Grover riu.
Grover: Alguém aí tem horas?
Olhei para o meu relógio.
Eu: 5:47.
Percy: Droga!
Eu: O que foi, Cabeça de Alga?
Percy: O jogo de captura a bandeira. Hoje, Quíron decidiu começar mais cedo. Tenho que ir colocar minha armadura.
Eu: À que horas vai ser? Vou me trocar também.
Percy: Às 6:00 em ponto. Eu te encontro lá?
Eu: Claro.
Ele deu um beijo na minha testa e saiu correndo.
Grover: Amiga, hein?
Eu olhei meio torto para Grover e dei uma risadinha.
Eu: Posso te tratar como se já nos conhecêssemos há anos?
Grover: Claro.
Eu: Nesse caso, silêncio, Garoto-Bode.
Grover riu e deu um tapinha leve na minha cabeça.
Juníper: Então, Percy é bom namorado?
Franzi o cenho.
Eu: Como assim namorado?
Juníper: Você não estava brincando?
Eu: Claro que não!
Grover sorriu.
Grover: Sabe, vocês ficam fofos juntos. Eu apoio.
Eu: Gente! Percy e eu não namoramos!
Juníper: Deveriam.
Eu: Ok. Isso está ficando chato. Vou me trocar. Até mais, Grover. Tchau, Juníper.
Juníper: Tchau, Rapha.
Grover: Tchau!
Corri de volta para o meu chalé onde estavam as minhas coisas. Coloquei minha armadura por cima da minha roupa, e o meu coturno que eu normalmente uso quando preciso correr. Fica meio estranho uma armadura grega com short jeans e coturnos, mas eu achei legal.
Will: Está feia.
Eu: Silêncio, palhaço.
Ele riu.
Will: Vamos para o pavilhão.
Nosso chalé foi para o pavilhão. Sentamos em nossa mesa e esperamos os outros chalés. Quando todos estavam lá, Quíron tocou a trombeta de concha para chamar a nossa atenção.
Quíron: Campistas, vocês já conhecem as regras, exceto pela adorável Raphaella.
Eu: Todos aqui me chamam de adorável. Por quê? – Cochichei para Jenna Alexander, minha irmã.
Jenna: Você é fofa, Rapha. Tem um rosto fofo, olhos fofos, e seu cabelo cacheado te deixa ainda mais fofa. Mas esse sorriso arrogante que todos nós, filhos de Apolo, temos, fica perfeito em você. É como combinar uma orquestra com uma banda de rock. Fica o máximo. Você é toda fofa e tem um sorriso arrogante, isso faz você ficar adorável. E seu apelido, Rapha, também é adorável.
Eu ri.
Eu: Que adorável eu sou.
Minha irmã riu também.
Jenna: É mesmo.
Quíron explicou as regras.
Quíron: Bom, os times serão os seguintes: time Azul: Chalés 4, 5, 8, 10 e 11. Time Vermelho: Chalés 3, 6, 7, 9 e 12. O jogo começará em 30 minutos. Aprontem-se, campistas!
Os chalés do meu time começaram a se reunir na mesa de Atena.
Lee: Vamos, arqueiros!
Nos levantamos e fomos até a mesa do chalé 6.
Annabeth: ... então, acho que deveríamos deixar a bandeira no Punho de Zeus, e deixar um campista de cada chalé para proteger a bandeira.
Beckendorf não parecia muito convencido.
Beckendorf: Você acha que é suficiente? Apenas cinco na defesa?
Annabeth: Lembra-se do primeiro jogo de Percy? Ele ficou sozinho na patrulha da fronteira. Acho que cinco campistas na defesa é suficiente.
Beckendorf ainda não parecia muito convencido, mas aceitou a ideia.
Annabeth: Percy, Malcolm, Rapha, Jake e Pólux, na defesa. Assim está bom?
Percy: Acho que Jake é melhor no ataque. Ele é bom de estratégias, Annabeth. E também é bom lutador. Acho que Beckendorf deveria ficar na defesa.
Beckendorf: Percy tem razão. Tenho um escudo. Escudos são melhores para a defesa. Jake fica no ataque e eu na defesa.
Annabeth: Ok. Beckendorf na defesa e Jake, eu, e quem não foi mencionado na defesa, ficam comigo no ataque. Malcolm? Rapha? Pólux? Tudo bem para vocês ficarem na defesa?
Eu: Acho que os arqueiros deveriam ficar todos no ataque. Não que eu tenha problemas em ficar na defesa, mas o arco e a flecha são instrumentos de ataque.
Annabeth: Acho que pelo menos um arqueiro deveria ficar na defesa. Minha mãe diz que a melhor defesa é o ataque. Isso foi mentira, eu nunca ouvi ela dizer isso, mas eu acho que é verdade.
Eu: É, faz sentido.
Annabeth: Além do mais, você é a arqueira em quem eu mais confio. Sem ofensa para os outros arqueiros. Só tenho mais afinidade com ela.
Will: Entendemos.
Annabeth: Então, peguem a bandeira. Vamos até o Punho de Zeus.
Os campistas de Atena pegaram a bandeira e nos levantamos, prontos para marchar.
Annabeth: QUEM SOMOS?
Campistas: O TIME VERMELHO!
Annabeth: E O QUE VAMOS FAZER?
Campistas: GANHAR!
Então, fomos marchando até a floreste e deixamos a bandeira acima do Punho de Zeus. Eu levei uma garrafa d’água, pois sabia que a água dava mais resistência a Percy, caso ele ficasse fraco, e eu gostava de ficar pronta para qualquer situação.
Annabeth: O mais importante: não deixem seus postos! Uma defesa forte é sinônimo de vitória.
E Annabeth e os outros campistas de ataque foram em direção a fronteira do nosso time. A trombeta de concha soou anunciando que o jogo havia começado.
Percy, Malcolm, filho de Atena, Beckendorf, Pólux, filho de Dionísio e eu ficamos ao redor do Punho de Zeus, esperando qualquer oponente que tentasse cruzar a nossa fronteira.
Percy: Curtindo a defesa, Cabelo de Miojo?
Eu: Sim, Cabeça de Alga. Aliás, eu trouxe uma garrafa d’água, caso você se sinta fraco, ou se machuque.
Percy: Bom mesmo seria se você fizesse uma massagem em mim.
Dei um soquinho leve nele.
Lembrei-me de meu colar que virava Ópera, meu arco. Arranquei o colar do pescoço e joguei o para o alto. Dei uma cambalhota para frente, me apoiei em meus braços e joguei meu corpo para cima, ficando de pé. Levantei meu braço e peguei Ópera assim que ele caiu. Percy assoviou em aprovação.
Eu: Totalmente pronta para a defesa.
Percy: É, parece.
Ouvimos um ruído na floresta. Armei Ópera. Percy brandiu Contracorrente. Beckendorf ergueu seu escudo e sua espada de bronze celestial. Malcolm e Pólux também ergueram suas armas. Clarisse La Rue, filha de Ares, a dois de seus irmãos feiosos apareceram. Olhei para trás e conferi se a garrafa d’água ainda estava lá, para o caso de Percy se machucar.
Clarisse: 5 contra 3? Fácil.
Ah, um detalhe importante: Clarisse tem uma lança elétrica. Outro detalhe: como ela é filha do deus da guerra, lutar é fácil para ela.
Clarisse foi em direção a Percy. Acho que eles deveriam ter uma raiva antiga de brigas antigas, mas eu já havia percebido que eles não se gostavam. Clarisse levantou a lança e soltou um rugido que tremeu as árvores. Ela atacou Percy com a lança, que se defendeu com Contracorrente. A guerra havia começado. Um dos filhos de Ares foi em direção a Pólux, que fez videiras crescerem do chão, enrolando seus pés, mas imediatamente, ele cortou as videiras. Malcolm tentava defender a bandeira. Outro filho de Ares veio na minha direção. Mirei nele. Pensei que se atirasse mataria o coitado. Não poderia fazer isso com ele. Espetei a flecha no chão e acertei o arco no tórax dele. Ele recuou com a força da pancada e quando voltou correndo na minha direção, tentou me dar uma rasteira. Pulei por cima dos pés dele, e me abaixei ao ver que ele tentou me acertar com um soco. Dei um chute em seu peito afastando-o. Tirei minha flecha do chão. Dei um salto mortal invertido por cima dele, e quando cheguei do outro lado, armei Ópera e espetei a ponta da flecha nele. Dei um chute em suas costas, fazendo-o cair. Quando ele estava deitado, pisei em suas costas.
Eu: Mais alguma tentativa fracassada de me derrubar?
Ele balançou a cabeça como um cachorro tentando se secar.
Eu: Ótimo.
Tirei meu pé e ele saiu correndo pela floresta, de volta para a base de seu time.
Vi que Beckendorf ainda estava na frente do Punho esperando qualquer oponente que ousasse chegar perto da bandeira vermelha.
Eu: Beckendorf!
Ele olhou para mim. Apontei com a cabeça para Percy.
Eu: Ajude Pólux! Me dê seu escudo. Tenho um plano!
Ele assentiu e lançou o escudo para mim. Olhei para Percy, que olhou de volta para mim. Apontei com os olhos para o escudo, e ele assentiu, mostrando que entendeu meu plano.
Percy: Me rendo!
Ele lançou Contracorrente para cima, e eu peguei. Joguei o escudo na direção de Percy. Quando Clarisse atacou com tudo em sua direção, o escudo caiu nas mãos dele. Passei Contracorrente para o outro lado dela, posicionando-a em seu pescoço.
Eu: Renda-se, Clarisse, ou morra!
Clarisse: Nunca!
Eu: Percy, afaste-se.
Ele fez o que mandei. Chutei as costas de Clarisse, fazendo-a cair no chão, pela força de meu coturno. Deve doer.
Clarisse: Isso não vai ficar assim, Harmon!
Eu: Por quê? Você vai continuar tentando me derrotar, La Rue?
Ela se arrastou para onde meu coturno não ficasse nas costas dela e saiu correndo. Quando olhei para a situação de Pólux, ele, Beckendorf e o outro filho de Ares estavam me olhando com o queixo caído.
Eu: Vai tentar mais alguma coisa, ou vai voltar logo para a sua base?
Ele saiu correndo.
Percy olhou para mim de boca aberta.
Percy: Cara, você é sensacional. Como fez isso?
Dei de ombros.
Eu: Quando eu era pequena, fiz aula de ginástica, daí veio o mortal. O resto foi apenas o que eu aprendi vendo filmes violentos a minha vida toda. Claro, já fiz aula de luta.
Ele fez uma cara de “not bad” e eu dei uma risadinha tímida. Outro ruído veio da floresta, em nossa direção. Armei Ópera e Percy sacou Contracorrente, ficando costas nas costas comigo. Acabou que era apenas o vento.
Eu: Nada de inimigos.
Percy: Nada.
Annabeth e seus companheiros do ataque chegaram correndo com a bandeira do time azul, seguida por uns 3 campistas do outros time.
Annabeth: Rapha, faça-nos as honras, por favor.
Ela ergueu a bandeira na minha direção. Peguei-a e andei na direção do Punho de Zeus. Os campistas do time azul avançaram na minha direção, tentando impedir, mas alguns campistas de Hefesto os barraram. Coloquei a bandeira do time azul ao lado da nossa.
Eu: VITÓRIA PARA O TIME VERMEHLO!
Campistas: VITÓRIA!
E todos vibraram. Eu não pude evitar um sorriso se formar em meu rosto. Minha primeira vitória na captura a bandeira... Que coisa maravilhosa! Annabeth andou até onde eu estava e me deu um abraço para comemorar. Percy e Beckendorf bateram os tórax, e Percy acariciou seu tórax, mostrando que havia se machucado, fazendo com que eu e Annabeth ríssemos. A trombeta de concha soou e Quíron anunciou:
Quíron: A VITÓRIA É DO TIME VERMELHO!
E a galera foi ao delírio! Annabeth e eu nos abraçamos novamente. Todos gritavam, comemoravam, batiam as mãos, se abraçavam. Eu assoviei chamando a atenção de todos.
Eu: Eu acho que quem merece toda essa comemoração, foi quem criou a estratégia do time. A menina mais sábia que já conheci, melhor estrategista do mundo: Annabeth Chase, filha de Atena!
E todos aplaudiram minha amiga e logo estavam gritando “Annabeth! Annabeth!”, e começaram a carrega-la nos ombros. Fui até Percy, ver a reação dele.
Percy: Ela é uma ótima estrategista, não é?
Eu: Sem duvida. Nunca ganharei dela no War.
Percy: Eu nunca ganhei.
Eu: E por que razão você fez a tolice de jogar War com uma filha da deusa da sabedoria e da estratégia de guerra?
Percy: Ah, sei lá.
Revirei os olhos.
Eu: Venha, Cabeça de Alga. Vamos jantar.
O jantar foi como tosas as outras refeições do dia. Ser servido, “Apolo” na fogueira, me sentei um pouco com meus irmãos, e depois fui me sentar com Percy. Quíron ficava meio que me olhando torto. Acho que não gostava que eu me sentasse com Percy. Sei, isto é contra as regras, mas eu não ligo para regras. Será que eu seria proibida ou castigada?
Percy: Não acho que eles te castigariam. E se castigassem o pior que poderiam fazer é mandar você lavar a louça com lava pelo resto da sua vida.
Eu: Isso é tão animador! Obrigado pela ajuda, Percy. Me sinto reconfortada.
Ele revirou os olhos.
Percy: Ai, Cabelo de Miojo, não é assim tão ruim. Lembre-se, eles poderiam de obrigar a limpar o cocô das harpias, sem luvas. Poderiam fazer isso com
qualquer campista, mas o pior castigo que há aqui, é esse. Lavar a louça.
Eu: Vamos mudar de assunto? Isso está ficando chato
Percy: Ok. Sobre o que você quer falar?
Eu: Tem uma coisa que fica martelando na minha cabeça.
Percy: Conte.
Eu: Antes de eu vir para cá, a Fú... Benevolvente Alectó, se escondeu na minha escola e fingiu ser minha professora.
Percy: Sra. Dodds?
Eu: Como sabe?
Percy: Sra. Dodds também já foi minha professora. Foi assim que vim parar aqui.
Eu: Ah. Enfim, Alectó me segurou e ficou me perguntando “onde estava”.
Percy: Onde estava o quê?
Eu: É isso que quero saber! Do que estou sendo acusada?
E tudo escureceu. Mas, tipo, não que eu tenha apagado, ou desmaiado, ou sei lá. As luzes se apagaram. Logo, uma imagem surgiu na minha frente: uma mensagem de Íris onde um homem usando um terno preto com o que pareciam almas tentando sair do terno e camisa cinza estava sentado em um trono feito de caveiras, em um lugar sombrio, com guardas esqueleto e alguns espíritos. No susto, meus olhos se arregalaram.
Eu: Lorde Hades. – Deduzi.
Ele sorriu.
Hades: Bom você ter me reconhecido, filha de Apolo. Agora, diga logo. Onde está?
Eu: Alectó me perguntou a mesma coisa, e eu vou lhe dizer a mesma coisa que disse a ela: não... sei... do que... você... está... falando!
E bati meus joelhos na mesa.
Hades: Chega de joguinhos, Raphaella Harmon. Diga logo onde está!
Eu: Onde está o que?!
Hades: MEU ELMO, HARMON! MEU ELMO!
Percy: O Elmo das Trevas de Hades – Percy me sussurrou.
O deus olhou para trás pelo canto dos olhos.
Hades: Obrigada, Percy Jackson. Diga, Harmon. Onde está meu Elmo?
Eu: Não sei, Hades! Não sei!
Hades: TRATE-ME COM RESPEITO, GAROTA!
Ele respirou fundo.
Hades: Eu sei que está com você.
Eu: E por que você acha que fui eu quem roubou?
Hades: Porque você é a única que sabe onde está!
Eu: Eu?
Olhei para os olhos escuros de Hades e tudo escureceu, dessa vez, como se eu tivesse apagado, de verdade.
Vi folhas. Muitas folhas. Acho que estava dentro de uma árvore. Em meio as folhas, vi um elmo. O elmo tinha chifres e poucos, pequenos e longos buracos. Me perguntei como alguém poderia ver usando aquilo. Depois de mais alguns segundos observando o elmo, percebi do que se tratava: era o Elmo das Trevas, de Hades. Ótimo, pensei. Sei que está dentro de uma árvore. Mostre-me onde essa maldita árvore está!
E logo, uma mão entrou dentro da árvore e retirou o elmo. Saí de dentro da árvore. Parecia uma simples árvore em um jardim. Minha visão se virou e me mostrou onde se localizava. Havia um prédio com cerca de... 3 andares? Acho que sim. Haviam janelas de vidro no prédio e o térreo era cinza, os dois primeiros andares eram laranja e o último era bege. Avistei uma placa que dizia: BOB WRIGHT CENTRE OCEAN, EARTH AND ATMOSPHERIC SCIENCES. Não sabia onde ficava isso, mas iria descobrir, pois era lá onde estava o Elmo de Hades.
E tudo ficou branco. E eu nem cheguei a ver quem havia pego o Elmo.
Eu estava de volta ao Acampamento Meio-Sangue. As luzes haviam se acendido novamente. A mensagem de Íris de Hades havia sumido. Ao meu redor, apenas Quíron, Percy, Annabeth, Grover e Lee. Todos estavam me olhando, e todos pareciam mortos de cansaço. Tinha bolsas debaixo dos olhos.
Percy: Você está bem?
Abri a boca para falar e senti como se um enorme peso estivesse em cima de minha cabeça. Levei a mão a minha testa.
Eu: Estou. Eu... eu só... tive uma visão. Eu vi. Só isso.
Grover: É verdade o que Hades disse? Sobre você saber onde está o Elmo das Trevas?
Respirei fundo e olhei para baixo.
Eu: Sim, eu sei. Foi isso o que eu acabei de ver. Juro, antes disso, não sabia onde estava.
Quíron: Nós acreditamos, minha querida.
Eu: Graças aos deuses. Depois que eu fiquei fora do ar, o que aconteceu?
Annabeth: Você ficou assim por umas quatro horas. Após Hades dizer que você é a única que sabe a localização do Elmo...
Percy: Seus olhos ficaram pretos. Cem por cento pretos. Tudo escureceu em você. Foi assustador. Ficamos preocupados.
Annabeth: Sim. Não me interrompa! Enfim, Hades disse que você tem seis dias para devolver seu Elmo, senão, ele irá atrás de você e te manterá como prisioneira dele pelo resto da vida dele.
Que droga de situação. Eu mal sabia onde ficava o Bob Wright Centre, e teria de ir até lá.
Eu: E depois?
Percy: A ligação acabou e você continuou fora do ar. Após uma hora, os campistas se cansaram e Quíron os mandou de volta para seus chalés. Apenas ele iria ficar aqui. Mas nós quisemos ficar.
Eu: Vocês parecem muito cansados. Vão dormir, gente.
Quíron: Isso exigirá uma missão, mas agora está muito tarde para discutir sobre isso. Amanhã falaremos sobre o assunto. Você vai ficar bem, minha querida?
Eu: Claro! Eu estou perfeitamente bem, foi só uma visão.
Lee: Já vimos que você foi um dos sortudos que nasceu com o dom da profecia.
Eu: É. Parece.
Quíron: Boa noite, querida.
Grover: Boa noite, Rapha.
Annabeth: Boa noite, amiga.
Eu: Boa noite, meus amores.
Os três se levantaram e se foram. Lee olhou para os lados, como se fosse contar um segredo federal e quisesse garantir que ninguém iria ouvir.
Lee: Bom, acho que vocês querem conversar mais um pouco. Vou indo. Quíron logo vai soltar as harpias, então, sejam rápidos. E você – Ele apontou para Percy. – Cuidado com a minha irmã.
Ele se foi.
Percy: Fiquei preocupado, sabia?
Eu: Sabia. Você já disse. Foi tão estranho assim me ver tendo uma visão?
Percy: Está de brincadeira? Seus olhos ficaram pretos. Sue pele, ficou muito gelada. Você ficou reta. Seu corpo todo praticamente se endireitou e congelou. Você... você nem piscou, Rapha.
Eu: Ok, isso é estranho.
Percy: Muito, muito estranho. Me perguntei inúmeras vezes se você voltaria para o mundo real.
Eu: Qual é o problema, Cabeça de Alga? Ficou com medo de me perder?
Percy: Claro! Se, do nada, meus olhos escurecessem, meu corpo ficasse reto e parado, minha pele congelasse e eu parasse de piscar, você não ficaria com medo?
Eu ri.
Eu: Tem razão, eu teria ficado com medo de te perder.
Ele deu um sorriso.
Percy: Por favor, evite me preocupar desse jeito de novo.
Eu: Prometo tentar.
Nós dois levantamos. Percy me abraçou e deu um beijo na minha testa. Eu acariciei o braço dele.
Percy: Boa noite, Cabelo de Miojo.
Eu: Boa noite, Cabeça de Alga.
E fomos para os nossos chalés. Quando cheguei no meu chalé, todos me perguntaram se eu estava bem, se havia me machucado e o que havia acontecido, e me criticando por ter preocupado eles a ponto de eles não dormirem por tanto tempo.
Eu: Calma, irmãos, foi apenas uma visão.
E todos ficaram com o queixo caído.
Jenna: Você nasceu com o dom da profecia?
Eu: Sim, nasci. Eu... eu achei melhor não contar. Sabe? Para não causar ciúmes e vocês não ficarem pensando “meu Pai gosta mais da Rapha, por isso deu esse poder à ela”, entendem?
Jenna: É, entendo.
Tommy Sanders, outro dos meus irmãos (que tinha 6 anos), veio me questionar sobre como eu me senti durante a visão.
Tommy: E, tipo, você não sentiu nada? Não sentiu dor nenhuma? Nem uma cócega?
Eu: Nada. Não pude sentir nada, Tommy. Percy me disse que meus olhos ficaram pretos.
Tommy: Eu vi.
Eu: Então, nem isso eu percebi. Quer dizer, tudo escureceu sim, mas sem dor nenhuma. Não senti nada.
Tommy: Isso é incrível. Algum dia eu vou ter uma visão, também?
Eu: Não sei, Tommy. Isso é uma coisa que eu não sei te falar.
Tommy: Você pode ter uma visão sobre isso?
Eu ri e baguncei os cabelos de Tommy.
Eu: Posso sim, Tommy, mas eu não controlo as visões. Elas aparecem na hora que quiserem e mostram apenas o que quiserem. Agora vá dormir, irmãozinho. Já está muito tarde e você parece estar muito cansado.
Ele fez um bico, cruzou os braços e foi para a cama dele. Eu ri da cena. Tirei minha armadura, para ficar mais confortável, mas estava com preguiça de trocar de roupa, então fiquei com aquela mesma.
Me deitei e logo dormi.
Sonhei com Joanne. Ela estava sentada a margem de um rio, à noite. Aparentava estar brava. Seu cenho estava tão franzido que quase juntava as sobrancelhas. Um menino de, no máximo, uns 13 anos, estava sentado ao lado dela. Parecia estar preocupado com ela.
Xx: Você tem certeza disso?
Joanne: Tenho! Você não confia em mim, mas isso vai dar certo.
Ele olhou para o rio e jogou um papel de bala lá.
Xx: Me diga de novo, por que, exatamente, você está fazendo isso com ela?
Joanne: Porque sim. Eu quero me vingar dela. Nasci para isso. E eu a culpo por tudo de ruim que já aconteceu comigo.
Meu sonho tremeluziu e a cena mudou.
Eu estava em um café. Uma mulher de cabelos castanhos cacheados (minha mãe, deduzi) saía do caixa, com um café para viagem na mão. Quando ela ia abrir a porta do lugar, o moço do caixa a chamou e a porta foi aberta, derrubando todo o café sobre a blusa branca dela. Um moço alto, bonito, com cabelos cor-de-areia e um sorriso arrogante entrou no lugar. Seu sorriso desapareceu quando ele viu o que havia feito.
Xx: Ah, deuses, me desculpe. Não acredito que eu fiz isso! Como sou desastrado! – Ele bateu a mão na testa. – Me perdoe, moça. Olhe, vou comprar uma blusa nova para você.
Mãe: Calma! Está tudo bem. Eu nem gosto dessa blusa. Muito obrigado pela boa vontade, moço, mas não há nenhum problema.
Xx: Ah, há muitos problemas. Me sinto tão culpado! Quero te recompensar por isso. Volte aqui amanhã, nesse mesmo horário, e eu vou te dar um presente. Uma blusa nova. Não... já tive uma ideia. Algo muito melhor do que uma blusa nova.
Mãe: De jeito nenhum! Não posso aceitar um presente seu. Seria abuso da culpa. Nem se preocupe com isso.
Xx: Ah, me preocuparei o resto da vida se você não aceitar. Por favor, moça.
Minha mãe revirou os olhos e deu um sorriso. Percebi que fazia isso igualzinho a mim.
Mãe: Está bem. Pelo menos, me diga seu nome.
Ele estendeu a mão.
Xx: Apolo.
Minha mãe apertou a mão dele.
Mãe: Patricia Harmon. Prazer em conhece-lo, Apolo.
Apolo: O prazer é todo meu.
O deus beijou a mão da minha mãe.
Apolo: Agora, deixe-me pagar-lhe um café.
Mãe: Não. Você já irá me comprar uma blusa, não posso permitir que gaste mais dinheiro comigo.
Apolo: Eu insisto.
Mãe: Apolo...
Ele olhou para ela com uma cara de cachorrinho pidão. Ele também fazia isso igualzinho a mim. Puxei muitas coisas dos meus pais.
Mãe: Só dessa vez. Nunca mais você gastará um centavo comigo, entendeu, Apolo?
Apolo: Sim.
Outra coisa que puxei de meu Pai: quando sinto culpa por uma coisa, faço de tudo para recompensar em dobro.
O deus pediu um café duplo para minha mãe, que se sentiu arrependida por ter permitido que ele gastasse dinheiro com ela. Assim que eles pegaram o café, os dois sentaram e conversaram. Meu sonho tremeluziu e tudo escureceu.
Abri os meus olhos e me vi deitada na beliche do meu chalé que foi escalada para mim. Me sentei e olhei para a janela. O sol estava nascendo. Meus irmãos estavam dormindo. Lembrei-me do dia anterior quando Percy foi me ver do chalé de Hera. Decidi ir vê-lo. Coloquei meus coturnos e andei até a porta. É difícil andar sem fazer barulho quando se está usando coturnos, mas eu gostava de usar. Abri a porta sem fazer barulho e a fechei, no mesmo estado. Fui me arrastando pelas paredes para não ser pega. Apolo... Ares... Poseidon. Abri a porta e a mesma coisa de alguns dias antes. Papeis de bala, pacotes de salgadinho, roupas no chão. O mesmo cheiro de mar. A única diferença era que dessa vez, Percy estava dormindo na beliche. Não entendi o porquê ele estar coberto. Estava um calor absurdo. Ele estava encolhidinho na parede, então, eu me sentei do lado dele. Coloquei a mão na testa dele, sentindo sua temperatura. Normal. Não havia razão para ele estar coberto, então, eu o descobri. Seu travesseiro estava molhado e ele estava de boca aberta, babando. Ás vezes ele é tão idiota... Fiquei ali, apenas observando ele, me perguntando o que será que se passa naquela cabecinha. Me perguntei se ele pensava em mim. Não sei porquê, mas esse pensamento surgiu na minha cabeça. Afinal, eu pensava nele. Penso em todos que vivem ao meu redor. É uma coisa que eu tenho. Percy murmurou algo como “Rapha...” e eu não pude deixar de rir. Mas o que saiu foi uma risada louca. Coloquei a mão na boca para não acordá-lo. Não deu certo. Ele começou a piscar e se virou para mim.
Percy: Rapha...?
Eu: Você fala e baba enquanto dorme.
Percy: Annabeth me disse isso quando nos conhecemos.
Eu: Isso é bem a cara dela.
Percy: É mesmo. Mas o que você está fazendo aqui?
Eu: Ah, acordei ao nascer do sol, como faço todo dia, aí eu quis vir te ver. Ontem você foi me ver e hoje eu vim.
Percy: É, faz sentido. E hoje Quíron lhe dará uma missão para resgatar o Elmo das Trevas de Hades.
Eu: Nem me lembre disso. Hades, o Senhor dos Mortos, me odeia. Sabe quanto isso é ruim, Perseu Jackson?
Percy: Sei. Já estive em uma luta com Ares, o deus da guerra.
Eu: Ai, que duro.
Percy: Eu sei! Mas, então, você já sabe quem você vai levar na missão?
Eu: Eu tenho direito a companheiros?
Percy: Ah, tem. Você vai poder levar duas pessoas.
Eu: Já me decidi.
Percy: E quem vai ser?
Eu: Você vai descobrir quando Quíron autorizar.
Percy: Ah.......
Eu: B......
Ele riu.
Percy: E o que você pretende fazer até a hora do café da manhã?
Eu: Ah, sei lá. Pensei em ir com você para a praia, mas se as harpias nos pegassem...
Percy: Nós nos esconderíamos no mar.
Eu: Não tinha pensado nisso.
Ele se sentou e deu um sorriso travesso.
Percy: Por que ao invés de ficarmos só na praia, não damos uma volta pelo oceano?
Franzi o cenho.
Eu: Como? Eu morreria afogada.
Percy: Posso criar uma bolha de oxigênio ao nosso redor. Além de fazer você respirar, nos faria boiar.
Eu: Genial! Isso é o máximo, Cabeça de Alga! Só precisamos voltar, tipo, antes das 7:00. Agora são... – Olhei para o meu relógio — ... 5:03. Então, temos umas duas horas. Troque de roupa. Vamos!
Ele levantou, pegou uma camiseta do Acampamento, um jeans e foi para o banheiro. Quando saiu de lá, estava trocado. Ele abriu a porta do chalé, saiu e olhou para mim.
Percy: Pronta para um passeio subaquático? – Ele estendeu a mão.
Eu: Pronta! – Peguei a mão dele.
Para chegar a praia foi uma aventura. Fomos correndo do chalé de Poseidon para a lateral do chalé de Deméter. Ficamos de costas com a parede, recuperando o fôlego. Corremos para a trás dos banheiros e quando fomos para a frente, vimos harpias. Corremos para dentro do banheiro para que as harpias não nos vissem. Entramos em um box e fechamos a porta.
Percy: Quando será que elas vão?
Eu: Não sei. Você olha.
Percy: Por que eu?
Eu: Você é o homem! Me proteja!
Ele bufou e abriu a porta. Saiu do box ,fechou a porta e eu mantive meus olhos acima dela, para ver o que se passava. Percy colocou um pequeno pedaço da cabeça para fora do banheiro, o suficiente para ver tudo. Ele se virou de volta rápido e encostou na parede. Movi meus lábios perguntando E aí?, ele moveu os dele dizendo Calma!, e fez um gesto com a mão como se empurrasse alguma coisa na minha direção. Assenti. Ele olhou para fora e gesticulou para que eu saísse de dentro do box e o acompanhasse. Eu fiz o que ele pediu. Ele olhou para fora novamente, agarrou minha mão e saiu correndo, me levando junto. Corremos em direção ao pavilhão do refeitório, onde nos escondemos de baixo da primeira mesa que vimos (do chalé de Zeus), devido ao aparecimento de uma harpia. Ela foi até a mesa do chalé de Atena, bicou a mesa, foi até a do chalé de Hefesto, bicou também, bicou os bancos e depois veio andando na direção da mesa do chalé 1. Bicou um pouco a mesa, e começou a abaixar. Percy e eu entramos em pânico silencioso. Mordi o lábio inferior. Percy franziu os lábios. Não sabíamos o que fazer. A harpia se levantou a saiu voando. Suspirei de alívio. Percy deu um sorriso.
Percy: Vamos?
Eu: Antes que qualquer outra harpia apareça.
Ele agarrou minha mão e saímos correndo novamente. Chegamos na praia.
Percy: Finalmente.
Eu: Já estava na hora. Pensei que não chegaríamos mais. Agora, vamos logo com isso, antes que outra harpia apareça.
Percy: É. Claro. Primeiro: tire os coturnos.
Eu: Por quê?
Percy: Vamos precisar entrar na água. Se você quiser molhar os sapatos, tudo bem, mas eu não recomendo isso.
Bufei e tirei meus coturnos.
Eu: E agora?
Percy: Nós entramos na água.
Eu: Quanto?
Percy: Acho que até a cintura é suficiente.
Percy tirou os tênis dele. Eu entrei na água e fui submergindo aos poucos. Olhei para trás e Percy ainda estava na areia, apenas olhando para mim.
Eu: Você vem ou não, Cabeça de Alga?
Percy: Hã? Ah, claro.
Eu ri. Ele entrou na água e andou até onde eu estava: com a água na altura dos joelhos. Andamos um pouco mais para frente, até a cintura estar debaixo d’água. Percy se submergiu e eu fiz o mesmo. Fomos nadando um pouco mais para o fundo. Percy nadou até onde eu estava. Ele fechou os olhos e se concentrou. Um turbilhão de bolhas apareceu ao nosso redor e quando minha visão ficou clara, estávamos dentro de uma bolha de oxigênio. Eu estava respirando. Sorri encantada com a situação.
Eu: Isso é muito legal. Onde aprendeu a fazer isso, Percy?
Percy: Uma vez, Annabeth seguiu o canto de sereias. Eu a coloquei para debaixo d’água, onde ela não ouvia. Para sair do encanto teria que ficar mais tempo submergida, então, eu criei uma bolha dessas para mantê-la viva.
Eu: Ai, que heroico.
Ele abaixou a cabeça como se estivesse constrangido.
Percy: Fazer o quê, né?
Eu ri. Virei para trás e observei o fundo do oceano. Vi peixes nadando. Vi pedras e plantas estranhas. Vi... Cavalos? Não cavalos-marinhos. Quer dizer, eram sim cavalos-marinhos. Mas, tipo, cavalos-marinhos mesmo. Literais. Corpo de cavalo e rabo de peixe.
Eu: Percy, aquilo são...
Percy: Sim, são reais. Hipocampos. Ou “peixes-pônei” como diz o meu irmão, Tyson.
Eu ri.
Eu: Tyson deve ser bem legal.
Percy: Ele é.
Eu: Mal posso esperar pra conhece-lo.
Percy: É, ele ia gostar de você.
Eu: Assim espero.
Percy: E aí? Gostou do fundo do oceano?
Eu: É o máximo. Olha lá, sua cabeça!
Percy olhou para a alga que eu estava apontando e me mostrou a língua fazendo-me rir. Me encostei na bolha e relaxei os músculos.
Percy: Uma dracma para saber o quê se passa nessa cabecinha.
Eu sorri.
Eu: Percy, você me acha bonita mesmo? Tipo, eu sou bonitinha ou sou bonita de verdade?
Ele se deitou do meu lado.
Percy: Há um certo tempo, eu conheci Afrodite. Ela era linda. Tipo, imagine a atriz de cinema mais bonita que se poderia imaginar. Ela era assim.
Eu: Isso não ajuda nem responde a minha pergunta.
Percy: O que eu ia dizer, é que Afrodite teria inveja de você.
Aquilo foi tão fofo! Percy é o mestre de falar coisas fofas.
Percy: Mas eu acho que você fica mais bonita à luz do sol do que da lua. Deve ser porque você é filha de Apolo, e o sol é meio que dele. Seu Pai deve fazer o trabalho dele te deixando mais bonita.
Eu dei uma risadinha tímida.
Eu: Você está falando besteiras.
Percy: Você está sendo modesta. Eu estou falando apenas a verdade.
Sorri.
Percy: E eu? Quão bonito eu sou?
Ri.
Eu: Você é bonitinho, Cabeça de Alga. Bonitinho o suficiente.
Ele sorriu.
Percy: Obrigado, Cabelo de Miojo.
Ele dobrou os braços e colocou as mãos em baixo da cabeça, e eu coloquei a cabeça no braço que estava do meu lado.
Percy: E então? Onde está o Elmo de Hades?
Eu: Em algum lugar chamado Bob Wright Centre.
Percy: E onde fica isso?
Eu: Não tenho a menor ideia. Só sei que eu e meus dois companheiros vamos até lá.
Percy: Quem?
Eu: Eu... Ah, não vou cair nessa. Você vai descobrir junto com todo mundo.
Percy: Não custava tentar.
Tomei coragem para fazer uma pergunta que martelava na minha cabeça. Me sentei à toda velocidade.
Eu: Percy, você gosta de Annabeth?
Ele franziu o cenho e se levantou.
Percy: O quê?
Eu: Você gosta de Annabeth? Tipo, vocês são namorados ou coisa assim? Você quer namorá-la?
Ele parecia confuso.
Percy: Se você me perguntasse isso semana passada, eu teria me recusado a responder, pois a resposta seria sim.
Eu: E...
Percy: Mas agora não. Percebi que há outro alguém para mim.
Ele se deitou de novo, ficando na mesma posição que estava antes.
Eu meio que me magoei com aquilo. Percy pode ter notado, pois senti minha cara se puxando para baixo.
Eu: E você se diria apaixonado por ela?
Ele riu.
Percy: Não tenho certeza. Só sei que tenho sentimentos fortes por ela. Mas fortes bom.
Atormentada... Magoada... Assustada... Enciumada. Essa era a palavra certa para me descrever naquele momento. Me deitei de novo no braço de Percy.
Eu: Ela têm sorte.
Percy: Sorte tenho eu de gostar dela. E, sabe? Eu acho que ela também têm uma quedinha por mim.
Ótimo. Além de Annabeth agora eu tinha mais essa daí em meu caminho. Preferia quando Percy tinha apenas Annabeth.
Percy: Ah, que horas são?
Olhei para o meu relógio e levantei assustada.
Eu: Caramba! Já são 6:57.
Percy também se levantou e olhou para o meu relógio, certificando-se de que eu não estava louca.
Percy: Cara, como o tempo passou tão rápido?
Eu: Não sei, mas nós temos que voltar. Cara, parece que não faz nem cinco minutos que nós estamos aqui! Você sabe como voltar?
Percy: Não me lembro. Acho que vamos ter que estourar. Eu... Eu posso ordenar à uma corrente que nos leve de volta rápido, mas você vai ter de prender a respiração.
Eu: Claro. Como se estoura essa coisa?
Percy: Não sei. Eu...
Ele chutou a bolha com força.
Percy: Tente também! Com os coturnos!
Calcei meus coturnos e chutei a bolha. Chutei mais forte. Chutei mais uma vez com toda a minha força e a bolha estourou. Só então percebi o quanto estávamos fundo. Meu corpo inteiro ficou de baixo d’água. Procurei por Percy, mas não o vi. Lógico, esse maldito cabelão atrapalhou a minha visão. Algo me puxou pela cintura e foi me levando para fora d’água. Emergi.
Percy: Você está bem?
Eu: Sim, sim. Vamos!
Submergimos. Uma fortíssima corrente surgiu e começou a nos levar em direção à praia. Quando percebi, já estávamos deitados na areia .
Eu: Você está seco!
Percy: Sim, é uma das coisas que eu faço. Não me molho debaixo d’água, nem nada que eu toco. Pode ver que você também está.
Olhei para minhas roupas. Realmente, eu estava seca.
Percy: Vá para o seu chalé.
Assenti e saí correndo. Olhei para meu relógio. 7:59. Será que daria tempo de trocar de roupa? Provavelmente não. Cheguei em meu chalé. Quando abri a porta, Lee, Jenna e meus outros irmãos estavam lá, de braços cruzados, todos olhando para mim.
Lee: Foi dar uma volta?
Eu: Explico depois. Não dá tempo de trocar a roupa, dá?
Will: Não dessa vez.
Jenna: Hoje você não vai se sentar com Percy, entendeu?
Eu: Esse é meu castigo? Sério? Vocês parecem minha mãe. – Revirei os olhos e balancei a cabeça em reprovação. – Vamos comer. Estou com fome.
Fomos para o pavilhão. Sentamos em nossa mesa. Olhei para a mesa de Percy. Lá estava ele, sozinho, como sempre. Pensei sobre o que ele disse na bolha sobre gostar de outra menina. Duas em meu caminho. Nada disso, Raphaella Harmon, pensei. Você não precisa de um namorado.
Jenna: Nem pense nisso.
Me virei.
Eu: Eu... Eu estava apenas pensando em uma coisa que ele me disse.
Jenna: O quê?
Eu: Nada demais.
Minha irmã sorriu aquele sorriso arrogante de filha de Apolo.
Jenna: Você gosta dele?
Eu: Claro! Ele é um ótimo amigo.
Ela revirou os olhos.
Jenna: Como mais do que amigo, Rapha! – Ela falou com um sorriso enorme no rosto como se o amor da vida dela acabasse de tê-la pedido em casamento – Você gosta de Percy Jackson, tipo, você quer namorar com ele?
Franzi o cenho.
Eu: Claro que não, Jenna Alexander! De onde você tirou isso?
Ela riu.
Jenna: Ai, Rapha, o jeito como você olha para ele. O jeito como você fica animada quando vai sentar com ele, o jeito como seus olhos brilham quando está com ele... É só prestar atenção. Se ele pensasse direito, já teria percebido. Você pode ainda não ter se tocado disso, mas você, Rapha, está afim de Percy Jackson.
Revirei os olhos, furiosa.
Eu: Não viaje, Jenna! Olhe, e-eu gosto de Percy, mas não como namorado! Eu... eu quero simplesmente ser amiga dele. Nada mais! Ah, Jenna, você é uma péssima irmã mais velha.
Jenna riu.
Jenna: Quando vocês assumirem esse amor, vou te cobrar duas dracmas.
Não fechei negócio. Tive uma visão de meu futuro com Percy.
Eu: Silêncio, Jenna.
Me endireitei brava. Ok, pensei, eu posso ter uma quedinha pelo Percy, mas... NÃO! NÃO, RAPHAELLA HARMON, NÃO! NADA DE QUEDAS POR PERCY JACKSON!
O café da manhã foi servido. Jogamos nossa melhor comida na fogueira, como sempre. “Apolo”. Nada demais. Fui proibida de me sentar com Percy, então fiquei o tempo todo com meus irmãos. Eles começaram a tocar instrumentos e eu fiquei com os bongôs. Foi bem divertido tocar com eles. Após o café da manhã, Quíron convocou uma reunião na sala de recreação. Lá, estávamos eu, Percy, Annabeth, Lee, Will, Jenna e Grover sentados ao redor da mesa de ping-pong.
Quíron: Bom, vocês já devem imaginar a razão dessa reunião.
Eu: O Elmo de Hades foi roubado, eu estou sendo acusada, tive uma visão de onde está, blá, blá, blá, blá, blá, blá...
Quíron: Sim. Devemos iniciar uma missão assim que possível. Rapha, essa missão deve ser sua. Hades quer que você devolva seu Elmo. Bom, acho que Percy já deve tê-la explicado como funcionam as missões por aqui.
Eu: Sim, Percy já me explicou. Deixe-me ver se entendi: eu tenho cinco dias para ir até onde está o Elmo, ir até o Mundo Inferior que eu não sei onde fica...
Percy: Eu sei.
Eu: Ótimo. E devolvê-lo para Hades?
Quíron: Sim, e você tem direito a dois companheiros. E, claro, poderá falar com o Oráculo de Delfos.
Eu: Sou filha do deus das profecias. Preciso mesmo falar com o Oráculo?
Quíron: Suas visões ainda não estão tão boas. São visões de iniciante. Quando se aperfeiçoarem, e você precisar sair em uma missão, acho que, provavelmente, não terá necessidade.
Eu: Legal. Vou precisar falar com o Oráculo.
Quíron: E poderá levar dois acompanhantes.
Will: Eu sugiro que você leve alguém que pense bem, que crie boas estratégias, como um filho de Atena, por exemplo, ou alguém que tenha facilidade em lutas, como algum filho de Ares...
Grover: Ou alguém confiável.
Jenna: Sim, alguém confiável é importantíssimo. Alguém com quem você tenha afinidade. Percebi que você e os filhos de Ares não tem muita afinidade, então deveria sugerir alguém que têm os elementos da natureza à seu favor, como um filho de Deméter ou de Dioniso, que fazem plantas crescerem e podem matar ou sufocar qualquer alguém...
Percy: Com quem ela não tem nenhuma afinidade.
Grover: Você deveria levar um sátiro. Sátiros são protetores.
Eu: Gente, chega! Eu já me decidi! Vou levar Percy e Annabeth e pronto!
Percy e Annabeth se entreolharam e sorriram. Todos estavam com a boca aberta para falar, mas todas as bocas se fecharam.
Quíron: Bom, a decisão foi tomada. Vá até o sótão da Casa Grande. O Oráculo está lá. Fale com ele e depois nos diga a profecia.
Assenti. Me levantei, saí correndo da sala de recreação para a Casa Grande, onde teria o meu primeiro encontro com o Oráculo. Entrei no lugar, subi as escadas até o sótão, e quando cheguei lá, me virei e me dei de cara com uma múmia. Não exatamente uma múmia. Um ser morto usando um vestido multicolorido estilo anos 70 com cabelos pretos e um cheiro de defunto sentado em um banquinho. Morto. Não sabia o que falar. Então, tentei começar bem.
Eu: Hã, oi. Eu, hã, queria saber a profecia em relação a minha missão de Hades.
O Oráculo abriu a boca e de lá saiu uma fumaça verde. A fumaça foi criando formato, e logo, estava no formato de minha mãe. A Mãe de Névoa abriu a boca e começou a falar. Mas a voz que saia, não era dela. Ah, não era mesmo. Era como a voz de... aquela voz estranha grossa que você tem quando engole gás. O que ela disse foi mais ou menos assim:
“O Sol, o Mar e a Sabedoria buscarão ao noroeste
O Elmo desaparecido pela mão da que perdeste.
A criança de Atena lhes mostrará o caminho
À árvore procurada no país vizinho.
Filha do Oráculo, cuidado com os tardios trabalhadores
Àquele que controla o mar, eles podem causar muitas dores.
Na escuridão, usarás o secreto poder
Que apenas em um beijo irá ceder.”
Bem estranho. Quando a Mãe de Névoa terminou a profecia, eu mal conseguia me mexer de tão assustada que eu estava. Meu coração batia muito rápido. Achei que ele ia pular de meu peito. Estava tremendo. Apenas balancei a cabeça freneticamente, assentindo, para aquela coisa sumir da minha frente. A névoa se desfez e foi voltando para a boca da Múmia-Oráculo. Dei meia volta, desci as escadas e voltei correndo para a reunião. No caminho, olhei para trás e juro que vi Hades olhando para mim, com uma foice na mão. Meu coração parou. Entrei em pânico. Corri o mais rápido que pude de volta para a reunião. Quando entrei na sala de recreação, todos estavam agitados, me esperando. Todos os olhos se voltaram para mim.
Percy: E aí?
Em cerca de um milésimo de segundo, parei de sentir meu corpo. Não conseguia mais me mexer. Não sentia minhas pernas. Comecei a tremer ainda mais forte do que estava antes. Estava fazendo um esforço enorme para manter meus olhos abertos. Logo, perdi as minhas forças e desabei.
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