Notas iniciais
O terceiro capítulo está entregue. Detalhe: para quem não entendeu, o título do capítulo é o nome do narrador do capítulo. Ainda vai demorar um pouco para o outro narrador aparecer, mas a Rapha/eu (eu sou a Rapha XD) não vai ser a única a narrar. Leiam, e espero que gostem da minha humilde obra!!

Olhei para cima e vi que havia um holograma em formato de sol com a letra grega alfa sobre minha cabeça. Alfa é A, no nosso alfabeto. Todos se ajoelharam e Quíron fez um anúncio.

Quíron: Salve Raphaella Harmon, filha de Apolo, deus do oráculo, da música e da poesia, Senhor do Sol.

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Raphaella

Camp Half-Blood; Praia; Quarta-feira; 8:32 da manhã;

Hoje, Percy me levaria para o arsenal para escolhermos uma arma para mim, mas Apolo me reclamou como sua filha, então, automaticamente eu me tornei uma arqueira de Apolo. Isso explica o colar que virava um arco e uma flecha e como eu acertei Alectó sem nunca ter visto um arco de verdade. Um pouco depois de que fui reclamada, Lee Fletcher, conselheiro-chefe do chalé de Apolo, e eu pegamos minhas coisas no chalé de Hermes e levamos para o chalé 7. Percy me disse que queria testar uma coisa na praia, e que era para mim encontra-lo na praia às 8:30, e eu fui. Quando cheguei lá, ele estava sentado, pertinho do mar, com um violão e uma cesta ao seu lado, coberta por uma toalha. Andei até ele e dei um abraço no pescoço dele. Sei lá... Só quis fazer isso e... fiz. Ele acariciou o meu braço e eu me sentei ao lado dele.

Eu: E para quê é isso tudo?

Percy: Vou fazer uns testes com você.

Fiz uma careta.

Eu: Que tipo de teste?

Ele deu uma risadinha.

Percy: Calma, você não vai se machucar ou ter que responder qualquer pergunta.

Eu: Ufa.

Percy: Quero fazer uns testes para comprovar que você é filha de Apolo.

Eu: Claro, comece.

Percy: Ok.

Ele tirou a toalha e vi um óculos de sol, uma lira, uma partitura e um arco com uma flecha.

Eu: Se for fazer um teste para ver se eu realmente me dou bem com um arco e uma flecha, eu já tenho os meus.

Levantei, arranquei o colar do meu pescoço, o joguei para cima e quando eles caíram na minha mão, assumiram sua verdadeira forma: um arco grego de 1,35m e uma flecha de bronze celestial.

Percy: Está vendo aquela árvore, com uma folha... digamos, estranha?

Eu olhei para onde ele estava apontando e vi o que ele quis dizer. A não é que a folha era estranha, ela era apenas torta e... roxa. É, estranha.

Eu: Continue.

Percy: Acerte a folha.

Estreitei os olhos, me foquei na folha, levantei os cotovelos, relaxei os ombros. Inspirei fundo, e soltei a flecha. Expirei. Quando olhei para Percy, ele estava de queixo caído. Olhei de volta para a árvore e vi que havia acertado a flecha bem no centro da folha. Mas percebi, então, que a árvore tinha 7 metros de altura. E a folha, estava bem no topo. Meu queixo caiu também.

Eu: Bom. Arqueira eu sou.

Percy: Aliás, por que você não me contou que já tinha um arco, quando eu te falei que deveria te levar para escolher uma arma?

Eu: É como eu disse, tenho uma queda por lanças. Mas me dei bem com esse arco. Vou chama-lo de Ópera.

Ele franziu o cenho e deu uma risadinha.

Percy: Ópera? Por quê?

Eu: Sei lá. Porque... é um estilo de música bom, e interessante...

Percy: Que você nunca ouviu na vida e “Ópera” foi o primeiro nome bonitinho que surgiu na sua mente.

Eu: É, exatamente isso.

Rimos.

Eu: E então, outros testes?

Percy: Ah, claro.

Ele se esticou e pegou o violão.

Percy: Apolo é o deus da música. Geralmente ele é representado com uma lira. Hoje de manhã, você demonstrou o seu talento com liras, tocando com seus irmãos. Agora, quero que você prove que toca violão, tocando essa música. – Ele me entregou a lira e pegou a partitura. Toquei na ponta de Ópera fazendo ele voltar a sua forma de colar e a flecha na folha desaparecer, voltando a ser colar. O colar voltou para o meu pescoço.

Eu observei a partitura. Não sabia ler notas. Não sabia ler partituras. Não sabia o que estava escrito lá. Mal conseguia ler o nome em razão da minha dislexia. Estreitei os olhos e consegui identificar o que estava escrito: Everything Has Changed. Me sentei, peguei o violão e comecei a dedilha-lo. Eu conhecia a música, achava fofinha. Gosto de músicas fofinhas. Quando prestei atenção no que estava fazendo, percebi que estava dedilhando a música, sem nenhum problema. Nunca havia tocado violão na minha vida (acho que já deu pra notar que eu nunca suspeitaria de ser filha de Apolo, afinal, nada de arcos, nada de liras, nada de violões). Parei antes de fazer uma besteira, pois a qualquer momento, eu faria uma besteira e acabaria com a magia do momento.

Percy: Incrível.

Eu: Juro, nunca toquei um violão na vida.

Percy: É, você parece meio burrinha, mesmo.

Revirei os olhos e dei um tapa nele.

Percy: Você gosta de me bater, né?

Eu: É bem legal.

Percy: Deve ser. Eu vou tentar um dia desses.

Eu ri.

Eu: Mais algum teste?

Percy: Só mais um. Você se lembra de quando me falou que se estivesse em uma praia, em um dia de sol, de boa, seus pensamentos ficavam mais claros?

Eu: Sim. Você me disse que isso também acontece com você.

Percy: Sim, acontece. Mas comigo acontece porque eu estou perto do mar, e meu pai é o deus do mar. Com você, deve acontecer porque a praia é um território do sol. Quando você está exposta ao sol, fica assim. Eu só não entendo porquê é branca desse jeito, você deveria ser bronzeada.

Eu: Deve ser por causa da minha mãe. Ela é bem branquela.

Percy: Faz sentido. Enfim, coloque esses óculos.

Eu peguei os óculos da cesta e coloquei.

Eu: E aí? Fiquei bonita?

Percy: Claro. Linda. Agora, eu vou te cobrir com essa toalha, fazendo sombra.

E assim ele fez.

Eu: Mas, se eu já estou coberta com a toalha, pra quê o óculos?

Percy: Para garantir que você está totalmente protegida do sol. Agora, o que é pi?

Eu: Sei lá, Percy. Nunca fui boa em matemática. Nunca fui boa em matéria nenhuma!

Ele tirou a toalha e o óculos do meu rosto.

Percy: Repito, o que é pi?

Eu: Na matemática, é uma proporção numérica que tem origem na relação entre o perímetro de uma circunferência e seu diâmetro. É representado pela letra grega π. A letra grega π, foi adotada para o número a partir da palavra grega para perímetro, "περίμετρος" (lê-se perímetros), provavelmente por William Jones em 1706, e popularizada por Leonhard Euler alguns anos mais tarde. Pi é igual à: 3.14159265359, e etecetera. Um engenheiro japonês e um estudante americano de ciências da computação calcularam, usando um computador com doze núcleos físicos, cinco trilhões de dígitos, o equivalente a 6 terabytes de dados.

Percy: Obrigado.

Eu: Nem acredito que eu falei isso. O que você fez comigo, seu idiota? Olha as coisas que eu estou falando! Credo! Eu sou filha de Apolo, não de Atena, nem uma nerd. Vamos ver se eu te jogar nessa água desse mar aí você repete tudo o que eu falei.

Levantei e empurrei ele.

Percy: Ei!

Eu: Vamos lá, Percy. “O que é pi?” – Eu disse com voz afetada.

Ele riu e se levantou.

Percy: “Pi é uma porção de chatice matemática que eu acabei de falar que tem números infinitos” – Ele falou com voz afetada.

Eu ri.

Eu: Ei, eu não falo assim!

Rimos juntos. Eu empurrei ele de novo.

Percy: Ah, não vai ficar assim não!

Ele me agarrou por trás e começou a me girar no alto enquanto eu gritava coisas como “NÃO, ME PONHA NO CHÃO, SEU IDIOTA! ME LARGUE!” e ria.

Percy: Quer saber? Cansei de você. Vou te jogar no mar!

Ele ameaçava me jogar no mar enquanto eu gritava e ria histericamente. Algumas ameaças depois, ele entrou no mar até a água ficar na altura de seus joelhos e pareceu que ia me jogar de verdade. Eu o puxei comigo, e nós dois caímos na água. Quando eu saí debaixo d’água, Percy saiu também, mas ele parecia estar perfeitamente bem, porque ao contrário de mim, ele respira embaixo d’água.

Eu: Eu fui, mas você veio comigo.

Percy: Ótimo, a água do oceano só me deixa mais forte, mesmo, e eu posso controla-la para ela te afogar.

Eu: Não ouse!

Ele riu.

Percy: Não, seria muito cruel com você.

Eu: Seria mesmo. Além do mais, eu aumentaria as forças do sol sobre você, para que você morresse torrado.

Percy: Ah é? Então não vou mais ter pena de você não.

E ele jogou água no meu rosto.

Eu: Ei! – Joguei água no rosto dele também.

Iniciamos uma guerra de água, mas parecia mais com uma guerra de “Quem Ri Mais Alto”. E lá estávamos nós. Dois bobões parecendo crianças jogando água um no rosto do outro. Após cerca de 20 minutos jogando água, eu decidi ir embora e largar o Percy lá mesmo, abaixado, mas eu acabei escorregando e caí. Mas Percy me segurou. Me segurou pela cintura, fazendo com que seu rosto ficasse próximo ao meu. Nariz com nariz, olhos nos olhos. Uma boca na mesma reta que a outra. Percy abaixou os olhos para a minha boca, e acho que ele não percebeu que eu fiz o mesmo. Pigarreei tentando evitar que a situação ficasse mais estranha, fazendo o Percy me soltar e nós dois levantamos.

Eu: Eu, hã, obrigado, Cabeça de Alga.

Percy: Érr, de nada, Cabelo de Miojo.

Eu: Mas... Para quê exatamente você queria fazer esses testes?

Percy: Só para ter certeza dos poderes dos filhos de Apolo. Eu sempre quis saber, mas, nunca tive proximidade suficiente a um de vocês para tentar. Quando você e eu ficamos amigos, eu vi a oportunidade.

Eu: Ah!

Saímos da água e fomos andando até os banheiros onde Annabeth encontrou conosco.

Annabeth: Ei, vocês dois, onde estavam? E por que você está molhada, Raphaella?

Nos entreolhamos.

Eu: Começou com alguns testes...

Percy: ... E terminou com uma guerra de água.

Annabeth abriu a boca para falar, mas acho que se arrependeu.

Annabeth: Melhor eu nem perguntar.

Eu ri. Me lembrei de que tinha um assunto importante a tratar com Annabeth.

Eu: Hã, Annabeth?

Annabeth: Sim?

Eu: Será que mais tarde... Nós duas poderíamos conversar? Á sós?

Ela olhou para Percy.

Annabeth: Claro.

Eu: Você me encontra às 3:00? No arsenal?

Annabeth: Ok. Às 3:00.

Eu: Às 3:00.

O resto do dia foi diferente para mim, mas eu acho que normal para o Acampamento Meio-Sangue. Conheci o estábulo de pégasos, a parede de escalada com lava de verdade, os campos de morangos que eu já havia visto, o lago da canoagem, o anfiteatro, a arena, essas coisas. Meus guias foram meus irmãos, Lee Fletcher e Will Solace. Quando olhei para o meu relógio, ainda eram 11:56. Logo, teríamos o almoço, e eu já estava faminta. Mas aquele seria O Almoço: meu primeiro almoço com o chalé de Apolo, meus irmãos. Lee, Will e eu fomos andando juntos até o pavilhão do refeitório, onde nossos outros irmãos nos esperavam. Eu adoro falar que eles são meus irmãos. Sei, tenho ciúmes do nosso Pai, mas eu continuo gostando de meus irmãos. Lee, Will e eu fomos conversando.

Will: Então, somos oficialmente irmãos.

Eu: Pois é. E aí? Quais são os poderes dos filhos de Apolo?

Lee: Música, poesia, somos bons arqueiros. Alguns de nós nascemos com o dom da profecia, mas isso é raro. Entende? Alguns sortudos podem ver o futuro, porém, só os mais poderosos.

Eu: E brilhar?

Ambos franziram o cenho.

Will: Brilhar?

Eu: É! Apolo é o encarregado do sol, ou seja, ele é o Senhor do sol. Pelo menos um entre todos os filhos de Apolo que já nasceram deve ter nascido com o dom de brilhar.

Will: Sabe, isso faz sentido.

Eu: É, eu sei!

Lee: Bom, eu nunca conheci nenhum filho de Apolo que brilhasse, tampouco Quíron já me falou sobre isso. Mas eu vou perguntar à ele, ou tentar fazer isso. Vai que eu nasci com isso.

Eu ri.

Eu: É, é uma ideia.

Lee: Você está duvidando de mim?

Eu: Não, só estou implicando com meu mais novo irmão.

Lee: Ok, né? Implicância de irmã faz parte.

Rimos.

Will: Então, nos fale um pouco sobre a sua vida antes de vir para cá.

Eu: Ah, nada de mais. Eu era perseguida por monstros, tinha dislexia, TDAH, só sabia que meu pai havia deixado a mim e a minha mãe por causa do trabalho. Ela me dissera que ele me amava, mas que também amava aos outros filhos.

Will: E como você descobriu que era semideusa?

Eu: Foi ontem, na verdade. Eu estava na escola. Há alguns meses, nosso professor de história não aparecia, então ficamos com uma velha de uns 50 anos chamada Sra. Dodds.

Will: Eu não acho que o primeiro nome dela fosse senhora.

Eu: É porque não era – Ri – Mas eu nunca ouvi o nome dela. Ontem, ela liberou os alunos 5 minutos antes do horário, e me pediu para ficar. Eu achei que levaria uma suspensão. Mas ela se transformou em uma Fúria e...

Will: Por favor, não use o nome Fúr... Você já sabe o resto. Isso atrai elas. Nós usamos o termo Benevolventes.

Eu: Ok. Ela se transformou em uma Benevolvente e me atacou, e me perguntava “aonde está? Aonde está?” e eu mal sabia do que ela estava falando. Então, eu me lembrei deste colar que a minha mãe me disse que nosso Pai deixou para mim, e ela disse para mim jogá-lo para o alto caso estivesse em algum perigo “estranho”, e joguei, como ela disse para fazer. O colar virou um arco e uma flecha, que eu mirei na Benevolvente e atirei nela, sem nem olhar. Estava com medo de ver o meu erro, mas eu acertei e ela virou pó. Logo, o meu antigo professor de história, Sr. Edwards, entrou na sala, sem as calças, se revelando um sátiro. Ele me explicou que eu era uma semideusa e me trouxe para cá. E... Aqui estou, não?

Will: Ah, sim. Dá para saber pelo zumbido que fica falando, e falando, e falando...

Eu: Ei! – Ri e dei um soquinho nele.

Will: Implicância de irmão.

Eu: Tá pegando o jeito, hein?

Rimos.

Lee: E amigos? Você tinha amigos?

Eu: Eu tinha uma... Joanne. Vivemos juntas há 4 anos, desde os 12. Aposto que ela adoraria isso aqui e ficaria falando na minha orelha sobre “Você sabe o que é isso, Raphs? É o início de uma nova era! Espere só até Katherine Barton saber que você é filha de um deus grego!”

Meus irmãos riu.

Will: Quem sabe, quando as férias terminarem, não vamos visita-la.

Eu: É, quem sabe.

Lee: Katherine Barton era a chata da escola que pegava no pé da menina disléxica e da amiga estranha dela?

Eu: Ela mesma.

Quando olhei para o caminho, já estávamos quase no pavilhão. Nossos irmãos já estavam lá, sentados nos esperando. Andamos mais rápido até chegarmos lá. Nos sentamos e todos me cumprimentaram. Acho que me aceitaram como “sua nova irmã”. Até que nós nos demos bem. Todos eram simpáticos, bonitos, tinham sorrisos arrogantes, como o meu, e mostravam que as aparências enganam, deixando claro que não são arrogantes como o sorriso. Deve ser coisa do nosso Pai. Na hora de fazer a oferenda, eu sabia de qual deus deveria dizer o nome. Peguei a melhor carne de meu prato e joguei-a na fogueira.

Eu: Apolo, obrigada.

Voltei a mesa de meu chalé e me sentei com eles. Não queria mais ficar longe deles, mas Percy estava sozinho. E eu gostava de Percy. Gostava de me sentar com ele. Gostava de fazer coisas perigosas como sentar em outra mesa que não é a do meu chalé e dormir no chalé de Hera.

Eu: Gente, eu sei que não devo fazer isso porque é errado e tal... Mas vocês se importam se eu me sentar com Percy? Tipo, isso iria causar algum problema para vocês?

Will: Bom, isso, no máximo, só iria causar problemas à você, não para nós, e, não nos importamos, não. Pode ir.

Lee: E não tenha pressa para voltar.

Sorri e mostrei a língua para Lee. Gostei daqueles caras. Fiquei feliz de sermos irmãos. Me levantei e fui até a mesa de Percy.

Percy: Você já foi reclamada. Já pode ficar com seu chalé. Não precisa mais ficar comigo só para fugir dos filhos de Hermes.

Eu: Nunca fiquei com você só para fugir dos filhos de Hermes. Fico com você porque gosto.

Percy: Também gosto de ter companhia. Meu irmão, Tyson, está trabalhando, no reino de meu Pai, então eu fico sozinho.

Eu: Você tem um irmão?

Percy: Sim! Tyson! Ele é um ciclope, mas faz um estágio nas forjas do fundo do oceano.

Eu: Entendo.

Percy: Então, está se dando bem com seus colegas de chalé?

Eu: Sim! Eles são muito legais, Percy! Will, Lee e eu já estamos nos tratando como irmãos.

Percy: Legal.

Percy pareceu meio desanimado. Não entendi bem a razão, mas parecia.

Eu: O que foi, Cabeça de Alga? Está com ciúmes dos meus irmãos?

Percy: Claro que não! Eu estou feliz por você! – Ele falou, mas parecia mais que estava tentando convencer a si mesmo do que a mim. – Só me diga uma coisa, pretende continuar dormindo no chalé de Hera?

Eu: Foi divertido, sabe? Acho que vou fazer um rodízio. Noite no chalé de Hera, noite no de Apolo. Hera, provavelmente, vai me odiar por isso.

Percy: Hera odeia à todos os semideuses.

Eu: Eu já sabia.

Percy: Mudando de assunto, o que você quer com Annabeth no arsenal?

Eu: Nós duas, como sendo as suas garotas, vamos falar dos seus defeitos e rir da sua cara.

Percy: Sério?

Eu: Claro que não, Cabeça de Alga! Se eu quisesse que você soubesse, teria falado ali mesmo, na frente do banheiro. Eu não quero que você ouça. Quero ter uma conversa particular com Annabeth.

Percy: Mas por que eu não posso ouvir? Diz respeito à mim?

Eu: Não, Percy. Mas eu já imagino a sua resposta.

Ele ficou me olhando por alguns segundos enquanto eu comia. Depois, deu umas piscadas como se estivesse acordando de um transe. Dei uma risadinha.

Eu: Como eu fico à luz do sol?

Percy: Linda. Mais bonita do que à luz da lua.

Revirei os olhos, mas dessa vez, com um sorriso.

Eu: Já imaginava. Você é meio doidinho, sabia? Tipo, você fala coisas que não tem nada a ver com o assunto!

Percy: Tenho culpa se você é bonita?

Eu: Não. A culpa é toda de Apolo! E claro, da minha mãe.

Percy: Pensando bem, é por isso que você recebia uns avisos de como iria ser o futuro! Porque você é filha de Apolo.

Balancei a cabeça em reprovação.

Eu: Descobriu tudo isso sozinho, Cabeça de Alga?

Percy: Você não está entendendo. Você nasceu com o dom raro dos filhos de Apolo de ver o futuro! Apenas não teve visões claras ainda!

Eu: Pode crer! Não tinha pensado nisso antes. Quando estava vindo para cá, o Sr. Edwards...

Percy: George?

Eu: Sim! Esse aí! Ele me disse que sentiu um forte cheiro de semideus em mim. Devo ter uma aura poderosa.

Percy: Tenho tanto orgulho de ser seu amigo....

Ele acariciou o meu rosto.

Eu: Tenho tanto orgulho de ser eu...

E acariciei a mão dele, enquanto nós ríamos.

Ouvi um pequeno “psss” vindo da mesa do chalé de Atena. Olhei para Annabeth que fez um movimento passando os indicadores um ao redor do outro dizendo Nosso compromisso ainda está de pé?, e eu assenti com a cabeça.

Durante o almoço, Percy e eu conversamos sobre pégasos. É, o assunto surgiu, nós começamos a falar, e quando vimos, já tinha acabado. Depois ele me levou para conhecer os pégasos. Ele me apresentou um pégaso negro, bonito, alto e engraçado chamado Blackjack. Me mostrou os amigos de Blackjack. Guido, Porkpie, e um pégaso marrom chamado Pepsy. Eu me apaixonei por Pepsy. Percy disse que Pepsy também gostou de mim. Percy fala com cavalos e pégasos. Olhei para o meu relógio e eram 14:32. Não sei, senti uma vontade de ir me encontrar com Charles Beckendorf, filho de Hefesto, conselheiro-chefe de seu chalé. Decidi fazer isso.

Eu: Tenho de ir, Percy.

Percy: Vai se encontrar com Annabeth, certo?

Eu: Na verdade não.

Dei um beijinho na bochecha dele, ele afagou meus cabelos e eu fui.

O estábulo dos pégasos e a forja são perto um do outro, então a caminhada foi bem rápida. Lá dentro, os filhos de Hefesto trabalhavam em suas coisas. Charles Beckendorf, um garoto alto, moreno, musculoso e atraente, porém que não me atraía, trabalhava na primeira mesa a frente da porta. Percy me disse que as pessoas o chamavam só de Beckendorf. Não Charles. Não Charlie. Beckendorf. Ele também me disse que Beckendorf e Silena Beuregard, filha de Afrodite, se gostavam desde, tipo, sempre, mas nunca assumiram. Me sentei no banquinho que ficava do lado oposto ao dele na mesa.

Beckendorf: Harmon.

Eu: Só Rapha, por favor.

Beckendorf: O que está fazendo aqui?

Eu: Nada. Em um momento, senti uma vontade de vir te ver trabalhar, então foi o que eu fiz.

Bekendorf: Seu namorado sabe que você está aqui?

Franzi o cenho.

Eu: Que namorado?

Beckendor: Percy.

Eu: Percy não é meu namorado. Cheguei aqui ontem.

Beckendorf: Sim, mas pelo que ouvi, vocês já passaram bastante tempo juntos.

Eu: Isso não faz dele meu namorado. Sua namorada sabe que você está aqui?

Beckendorf: Que namorada?

Eu: Silena.

Beckendorf: Silena não é minha namorada.

Eu: Mas, pelo que ouvi falar, ela gosta de você.

Beckendorf: Quem te disse isso? Seu namorado?

Mostrei a língua e fiquei vesga, mostrando que a piada não era engraçada. Ele riu.

Beckendorf: Falando sério, vocês ficariam bonitinhos juntos. O único problema é que Annabeth não gostaria muito disso.

Eu: Ah, você acha?

Beckendorf: Hã, não. Tenho certeza.

Fiz uma cara como se dissesse É, amigo, não tá fácil para ninguém. Ele riu.

Beckendorf: O caso é, quando vocês começarem a namorar, eu quero ser o primeiro a saber.

Eu: Nós... nós não vamos namorar.

Beckendorf: Por que não? Ele gosta de você, você não parece ser uma namorada ruim... vocês têm tudo para serem o casal perfeito.

Eu: Como assim ele gosta de mim?

Beckendorf: Hã, dã! Está escrito na cara dele com tinta permanente “eu gosto da Raphaella Harmon”. Sério que você ainda não percebeu?

Eu: Não é isso. É só que... Agora deve estar fazendo vinte e quatro horas que cheguei aqui. Ainda não teve tempo para ele gostar de mim. Ainda não teve tempo nem mesmo para mim saber que seu nome é Charles Beckendorf e para você saber que o meu é Raphaella Harmon!

Beckendorf: O caso é o seguinte: quando ele assumir esse amor platônico, que você diz que é platônico, me conte. Eu quero ser o primeiro a saber.

Eu: Claro. No mesmo dia em que você assumir à Silena que gosta dela.

Ele sorriu, tímido.

Beckendorf: Ela é filha de Afrodite. Devo gostar dela simplesmente por isso.

Eu: Hã, dã! Ela gosta de você! Como você não percebeu ainda? É como se estivesse escrito na cara dela, com tinta permanente, “eu gosto do Charles Beckendorf”.

Ele ficou vesgo e me mostrou a língua, como eu fiz alguns minutos atrás. Eu ri.

Beckendorf: Ok. Vem cá, prima. Estou vendo que você está sofrendo uma tentação enorme de me pedir para te ensinar alguma coisa.

Eu: Obrigada. Já estava mordendo as minhas tripas para não falar.

Ele riu.

Me levantei do banco e dei a volta na mesa, ficando do lado dele. Ele me ensinou a fazer algumas flechas. Havíamos feito umas quatro flechas quando conferi o meu relógio e vi que já eram 14:59.

Eu: Tenho de ir. Obrigado pela aula de metalúrgica.

Beckendorf: De nada.

Batemos continência, nos despedindo, e eu saí da forja e fui em direção ao arsenal. O caminho também era curto. Entrei lá, e lá estava Annabeth. Sentada no chão, polindo uma faca de bronze. Imaginei que deveria ser dela.

Eu: Annabeth?

Ela se virou, como se quisesse ter certeza de que era eu, e se levantou.

Annabeth: Pode falar. Do que você precisa?

Olhei para os lados, para garantir que ninguém estava lá.

Eu: Eu precisava falar com a minha mãe. Quíron me disse que já avisou de que estou aqui, mas eu preciso ouvir que ela está bem, da boca dela. Quero que ela me conte a minha história, e como se apaixonou por Apolo, e se eu tenho algum poder especial, ou sei lá!

Annabeth: Eu entendo.

Eu: Sabe como posso me comunicar com ela? Há algum celular ou coisa do tipo aqui?

Annabeth: Celulares são ímãs de monstros. É como segurar uma placa luminosa sobre a sua cabeça dizendo “ei, monstros, eu estou aqui! Me comam, por favor!”. Bem, eu tenho um, e a fronteira mágica do acampamento impediriam a entrada dos monstros aqui, mas eu acho melhor não. E você disse que quer ouvir da boca dela, então eu recomendo que você mande uma mensagem de Íris para ela.

Eu: Mensagem de Íris?

Annabeth: Isso mesmo. Quando você ver um arco-íris, atire uma dracma de ouro nele e peça para a deusa Íris mostrar quem você quiser ver, no caso, sua mãe.

Eu: Acho que eu entendi. Onde eu posso mandar essa mensagem?

Annabeth: Venha comigo. Eu vou te mostrar. Mas antes, só me diga uma coisa.

Eu: O que?

Annabeth: Por que você chamou a mim para te ajudar? Percy tem muito mais contato com você.

Eu: Com aquele raciocínio? Já imagino a resposta dele. “Hã, não que eu saiba. Talvez, Quíron possa conhecer algum jeito, ou Annabeth. Pergunte à eles”. Sabe, é por isso que as pessoas bebem água doce. Percy, como filho do deus dos mares, tem água salgada no cérebro. Por isso ele não funciona. As pessoas bebem água doce para raciocinar direito.

Nós duas rimos.

Eu: E tem outra razão: você é mulher, como eu. Você entende as minhas necessidades.

Annabeth: É, tem razão. E digo mais, nós somos parecidas, Raphaella. Somos bem parecidas.

Eu: Sim, mas, por favor, só Rapha. Raphaella fica muito... “não somos amigos”. Sei lá. Mas, apenas Rapha está bom. Aliás, posso te chamar de Annie?

Annabeth: Annabeth está bom.

Eu: Ok. Annabeth.

Annabeth: Vem comigo.

Ela estendeu a mão e eu peguei.

Cruzamos o arsenal e fomos até os campos de morango.

Eu: Campos de morango? Como eu vou mandar uma mensagem de Íris pelos campos de morango?

Annabeth foi até o outro lado do campo e pegou uma mangueira.

Annabeth: Venha!

Eu fui até ela. Ela me entregou a mangueira e foi até a torneira que a ligava. Ligou a mangueira e voltou até onde eu estava.

Annabeth: Coloque o dedo na saída da água.

E eu fiz o que ela mandou. Logo, se formou um arco-íris. Ela pegou uma dracma do bolso de seu jeans.

Annabeth: Ó, Íris, deusa do arco-íris, aceite nossa oferenda. Mostre-nos...

Ela olhou para mim e gesticulou para que eu falasse.

Eu: Mostre-nos Patricia Harmon, Upper Manhattan.

Annabeth jogou a dracma no arco-íris. A imagem tremeluziu e eu vi minha mãe fazendo pão, trabalhando. Minha mãe é padeira e confeiteira. Ela faz pão caseiro, bolos, tortas, doces, e isso me sustenta.

Eu: Mãe!

Minha mãe se virou para o arco-íris.

Mãe: Filha! Como você está?

Eu: Estou bem, mãe. Esta é Annabeth.

Annabeth: Olá, Sra. Harmon.

Mãe: Olá, Annabeth. O que foi, filha?

Eu: Preciso falar com você. Mãe, por que você nunca me disse que meu pai é um deus?

Ela olhou para baixo, como se estivesse arrependida.

Mãe: Sabia que essa conversa chegaria. Só não estava pronta.

Ela abriu a torneira e lavou a farinha das mãos.

Mãe: Eu tinha 21 anos. Estava na faculdade. Você sabe que eu fiz faculdade jornalismo.

Fiz que sim com a cabeça.

Eu: Você já me contou essa história.

Ela assentiu.

Mãe: Um dia, durante o intervalo, saí do campus para tomar café. Comprei um café para viagem e um homem bonito com cabelos cor-de-areia bem cortados e um sorriso arrogante esbarrou em mim, derrubando o café na minha roupa. Ele ficou muito arrependido e decidiu comprar uma blusa nova para mim. Disse para mim encontra-lo naquele café, no dia seguinte, e eu fui. Ele me mostrou um vestido lindo, parecido com uma toga grega, pelo qual eu me apaixonei. Eu e esse homem passamos a nos encontrar todo dia no café, e com o tempo, nos apaixonamos e começamos a namorar. Quando eu o contei que estava grávida de você, ele me disse que na verdade era um deus grego, Apolo, e que teria de me deixar. Ele viu como eu fiquei triste com isso, e ficou comigo por mais algum tempo. Até completar seis meses de gravidez. Depois, ele foi embora. Eu comecei a trabalhar no tal café, e terminei a faculdade. Depois de um tempo, percebi que não poderia ser jornalista. Comprei alguns ingredientes para pão e doces, e comecei a fazer a comida eu mesma. Fui despedida do café, e abri minha própria confeitaria caseira. Apolo, nunca mais voltou para me ver. Mas ele já foi te ver. Quando você era bebê, ele te visitou no seu berço. Eu apenas descobri porque ele deixou um bilhete, na porta de seu quarto dizendo: “Eu a vi, Pattie. Ela é linda, como você. Deixo este colar que é um arco, para ela, e uma flecha de bronze celestial. Mata monstros, não mortais. É só jogá-lo para cima que ele assume sua verdadeira forma. Lembre-se: amo você e minha futura ‘Arqueira de Apolo’. Com amor, Apolo”, e deixou seu colar, junto com o bilhete. Achei que mantendo tudo em segredo, estaria te protegendo. Veja, poucos monstros apareceram na sua vida. Apenas um ciclope, uma harpia, dois lestrigões e uma Benevolvente.

Olhei para baixo tentando raciocinar tudo. Era informação demais.

Eu: Você está ciente de que eu estou em boas mãos no Acampamento Meio-Sangue?

Mãe: Sim. Já falei com Quíron.

Eu: Fora música, e arco e flecha, Apolo nunca mencionou algum poder meu para você?

Mãe: Ele disse que você nasceria com o raro dom da profecia, e um poder que nem ele sabia que algum de seus filhos poderia ter, mas que era óbvio, e que você seria a primeira a pensar nisso. Ele não me contou o que era.

Eu: Ok. Busque-me um dia antes das aulas voltarem. Adeus, mãe.

Mãe: Tchau, minha filha.

Passei a mão na imagem de minha mãe, e ela sumiu.

Annabeth: Você está bem?

Eu: Claro. Só preciso encaixar as peças. Apolo disse para minha mãe que eu teria um poder que ele nunca pensou que um de seus filhos teria, mas que era óbvio, e que eu seria a primeira a pensar sobre isso. Que poder será esse?

Annabeth: Realmente, não sei. Você seria a primeira a pensar. Já pensou em algum poder que um filho de Apolo pode ter, mas que ninguém teve informação da existência?

Uma luz invadiu minha mente.

Eu: Ah, sei.

Annabeth: E qual é?

Eu: Você não vai acreditar.

Notas finais
Continuem acompanhando a história e não se esqueçam de comentar o que acharam ;D