Notas iniciais
Segundo capítulo! I hope you enjoy!!!

Notas do último capítulo:


Olhei para aqueles olhos verde-mar e vi algo... digamos, diferenciado.


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Vi Percy. Mas ele estava adulto. Estava maior, mais musculoso, mais definido, cabelos mais compridos. Adulto, né? E tinha duas criancinhas com ele. Uma menininha de cabelos cacheados castanhos um pouco abaixo do ombro, que lembravam os meus, e olhos verdes, e um menininho um pouco maior do que a menininha que tinha cabelos compridinhos e despenteados, que me lembravam os do Percy, e olhos castanhos, circulados por uma circunferência preta, como os meus. Os três estavam brincando na grama, no jardim de uma casa. A porta se abriu e saiu uma mulher de lá. Ela estava segurando uma bandeja com limonada. Era bonita. Um corpo bem definido, morena, com uma pele bem branca. Os cabelos cacheados caiam pelos ombros. Cachos grandes. Ela colocou a bandeja de limonada em uma mesa e se sentou em um banco ao lado do Percy e cochichou alguma coisa no ouvido dele. Ele sorriu, falou alguma coisa, ela balançou a cabeça e ele deu um beijo nela. Quando olhei pro rosto dela, eu a reconheci. Ela era... Eu? Sim, ela era eu. E aquelas crianças, quando observei direito, pareciam comigo e com o Percy.

Deuses, Percy e eu fizemos uma família na minha imaginação. Cara, isso é, tipo, estranho level harpia! Vocês sabem como harpias são estranhas. Mas, velho, eu conheci o Percy hoje! Isso deve ser uma ilusão... sei lá. A única coisa que eu sei, é que meu pescoço perdeu a força, e eu bati o rosto.


Levantei a minha cabeça e senti molho de carne no meu rosto. Passei a mão e limpei o molho. Percy parecia preocupado.

Percy: Rapha, você está bem?

Eu: Estou sim, Percy. Eu só... – Pensei que seria melhor não falar. O que o Percy ia pensar? Que eu estou apaixonada por ele? – Sei lá. Quanto tempo eu fiquei fora do ar?

Percy: Como assim fora do ar? Você só olhou pra mim e imediatamente caiu e bateu o rosto na comida. Você tem certeza de que está bem? Deve estar com sono.

Eu: Não, Percy, eu estou bem. Sério. Foi só... Eu não sei o que foi, mas não foi nada.

Percy: Se você diz...

Eu: Sério. Bom, vamos mudar de assunto antes que você fique me enchendo o saco o tempo todo.

Percy: Ok. Então, já planejou como você vai dormir no chalé de Hera?

Eu: Connor e Travis me arrumaram um saco de dormir. Quando todos estiverem dormindo, eu saio de lá, e vou pro chalé de Hera.

Percy: Só tome cuidado com as harpias.

Eu: Que harpias?

Percy: Depois da hora de recolher, harpias ficam rodeando o acampamento procurando o que comer. Qualquer campista encontrado fora do chalé é devorado.

Eu: Ótimo, isso me tranquiliza muito. Obrigado, Percy.

Percy: É só a verdade. Desculpe se a verdade te assusta.

Eu: Nada me assusta.

Percy: Ah é?

Eu: Duvida?

Percy: Duvido.

Eu: Quer apostar?

Percy: Claro!

Eu: Então, se eu der um grito de susto nos próximos três dias, eu... sei lá. Eu vou fazer uma coisa que você pedir.

Percy: Qualquer coisa?

Eu: Qualquer coisa. E se eu ganhar?

Percy: Mesma dívida. Eu faço uma coisa que você pedir. Independente do pedido.

Eu: Então, tá apostado – Estendi a mão.

Percy: Apostado – Ele apertou a minha mão.

O resto do jantar foi bem legal. Percy e eu conversamos sobre o que faziam no acampamento. Sobre como funcionavam os chalés, as atividades e os jogos de guerra. Parecia tudo tão legal... Ele me explicou o porquê dos campos de morango e porque “Deplhi Strawberry Service”. Também me explicou que os mortais não veem os monstros e essas coisas porque uma força invisível chamada Névoa, disfarça todas essas coisas estranhas para parecer algo que o cérebro humano tenha conhecimento. E, me mostrou alguns campistas dos quais me falou os nomes. Bom, entendi quase tudo do esquema. Eu também contei um pouco da minha vida para ele. Achei que ele merecia saber, afinal, passava pelas mesmas coisas que eu. Acho que nos conhecemos bem naquela noite. Uma trombeta de concha soou e Percy me disse que aquilo era a hora de ir para o anfiteatro, onde cantaríamos canções ao redor da fogueira. Voltei para a mesa do meu chalé e meio que recebi uma bronca por ter ido sentar com Percy. Acho que, definitivamente, eles não gostavam disso. Ok, né? Mas antes de ir para a fogueira, eu precisava falar com Quíron. Agora, ele estava na sua verdadeira forma de centauro.

Eu: Quíron, quando eu vou poder falar com a minha mãe?

Quíron: Não se preocupe, criança. Eu já avisei a ela que você está aqui.

Eu: Então, ela sabe que o meu pai é um deus?

Quíron: Sabe. Ela sempre soube.

Eu: E eu não posso me sentar com Percy na hora do jantar. Provavelmente, nem no café da manhã.

Quíron: Bom, não. Você deve se sentar com o chalé de Hermes.

Eu: Mas Percy já me fez perguntas. Ele me fez muitas perguntas e chegamos a conclusão de que eu não sou filha de Hermes. Veja, não sou persuasiva, não gosto de roubos, nunca me dei bem com trancas, odeio viagens, não gosto desse negócio de ficar passando mensagens, nunca gostei do Correio! Para mim, tudo é culpa do Correio! Não posso ser filha de Hermes! Por favor, me deixe ficar fora do chalé 11.

Quíron: Sinto muito, querida, mas eu não faço as regras.

Eu: Mas você é o diretor do Acampamento! Por favor! Poderia ficar no chalé de Hera! Ninguém mora lá!

Quíron: Isso é verdade, e você realmente não tem nenhuma característica de filha de Hermes.

Eu: Então, por favor! Aquele chalé 11... Argh! É uma nojeira! Meninos suados e estranhos se jogando um em cima do outro enquanto tentam roubar as próprias coisas, Quíron, é horrível! Por favor, me deixe ficar no chalé de Hera!

Quíron: Sinto muito, não posso permitir isso. Os outros campistas indeterminados iriam todos pedir para ficar no chalé 2, além do fato de que seria um desrespeito à Hera.

Bufei e fiz uma cara de criança mimada que não consegue o que quer.

Eu: Posso pelo menos me sentar com Percy nas refeições?

Quíron: Claro, mas você não teve minha autorização.

Eu: Entendi.

Voltei pisando forte para o chalé 11. Não queria ir a fogueira nenhuma. Não iria ficar naquela baderna de jeito nenhum! Quando cheguei lá, vi o meu saco de dormir em um canto, junto com uma mochila, algumas roupas totalmente típicas de mim (camisetas longas, blusas de bandas, shorts, jeans) e uma armadura grega novinha em folha. Eu meio que fiquei feliz com aquilo. Me senti em casa. Pelo menos, já tinha uma armadura. Aquilo era bem legal. Ok, pensei, pelo menos isso. Não é tão ruim. Mas ainda vou pro chalé de Hera. Quando todos voltaram e estavam dormindo, guardei as minhas coisas na mochila, fui pisando o mais leve possível na sala tentando não pisar em nenhuma pessoa que dormia em colchões no chão e não acordar ninguém com o barulho. Quando finalmente cheguei na porta, a abri com o máximo de cuidado possível para evitar fazer barulho. Felizmente, nada. Fechei a porta com o dobro de cuidado que abri. Saí correndo de lá, me arrastando nas portas dos outro chalés, no máximo de silêncio possível. Hefesto, Apolo, Ares, Poseidon, e finalmente, Zeus. Quando cheguei no chalé de Hera, abri a porta e entrei antes que qualquer harpia ou campista fugitivo pudesse ter me visto. Observei o lugar. Lá estava frio. Eu odeio o frio. Odeio muito o frio. Que inferno, pensei. No centro, havia uma estátua de Hera sentada em seu trono, vestindo uma longa toga dourada e com os cabelos pretos trançados. Ela estava sorrindo, mas um sorriso frio. A estátua estava cercada por colunas brancas. Havia um falcão de pedra pousado no ombro da deusa e ela segurava um bastão com uma flor de lótus na ponta. Aos seus pés, havia um braseiro de bronze onde o fogo queimava. Nada de móveis, ou banheiros, ou cozinha, ou janelas, ou nada. Eu teria que acordar cedo para voltar ao meu chalé, antes que todos acordassem, o que não seria problema para mim, porque a minha vida toda, eu acordo ao nascer do sol. Não sei explicar, apenas sempre gostei do sol e meu corpo cooperava, então, com esse detalhe, eu não me preocupava. Estava feliz por ter levado o meu saco de dormir para lá, porque também não havia nenhuma cama. Posicionei o meu saco de dormir um pouco perto do braseiro, coloquei as minhas roupas na cabeça, como travesseiro e fechei os olhos. Não conseguia dormir. Me virei, me virei de novo, me deitei de bruços, me deitei de barriga para cima e nada. Depois de um tempo pensando, entendi porque não conseguia dormir. Ficava pensando em quem era meu pai. Se algum dia ele ia me reclamar e eu poderia me juntar aos meus irmãos. Sempre tive ciúmes de meus irmãos. Mas queria conhecê-los, saber se eles pensam como eu, se eles são “a minha cara” e essas coisas de famílias que acabam de se conhecer. Me ajoelhei em frente ao braseiro e comecei a minha reza.

Eu: Pai – Disse – , eu não sei quem é você. Por favor, me reclame. Preciso saber quem é você, quem são os meus irmãos, quais são os meus poderes. Se eu aprender a dominá-los, poderei usá-los quando estiver em perigo real. Suspeito de que você seja Hefesto, por causa da minha queda por carpintaria e pelo quente. Pode ver que eu estou aqui, em frente ao fogo, pois achei que seria mais confortável. Suspeito também de que você seja Ares, por causa da minha pequena queda por guerras e por justiça. Também há uma suspeita de que você seja Apolo. A arma que me apareceu quando eu estava com a Fúria era um arco e uma flecha. Isso é tão Apolo. E claro, o colar de sol, as pequenas previsões do futuro, a paixão por poesia e por música... Essas coisas. E também acho que você pode ser Dionísio. Amo uvas. Todos sabem disso. Sempre que posso, bebo vinho escondida. O caso é, por favor, Pai, me reclame.

Quando terminei a reza, percebi que estava exausta. Caí de volta no saco de dormir e imediatamente caí em outra coisa; no sono.


Sonhei com aquela visão de Percy. Lá estava ele novamente no jardim de uma casa brincando com meus filhos. A menina parecia bastante comigo, só que com os olhos verdes de Percy e o menino parecia com uma mistura de nós dois. Os três brincavam felizes no jardim. Não havia reparado na minha primeira visão, mas havia um lago lá. Percy “era um cavalo” enquanto o menininho era um cavaleiro e a menininha era a princesa.

Menininha: Papai, Timothy está me cutucando de novo!

Percy: Filho! Quantas vezes eu já te disse pra não cutucar a sua irmã, hoje?

Timothy começou a fazer uma conta nos dedos, como se Percy já tivesse dito bilhões de vezes, naquele dia.

Timothy: Hoje, foram oito, pai.

Percy: Então, você vai parar?

Timothy fez um bico engraçado. Lembrei-me de quando Quíron me disse que teria de ficar no chalé 11 e eu fiz um bico, igualzinho àquele.

Timothy: Tá bom, papai.

Percy sorriu.

Percy: Annabeth, se ele fizer de novo, me avise, ok?

Annabeth: Sim, pai!

Percy relinchou e se curvou para trás, como um cavalo faz. Timothy se segurou nos ombros de Percy e Annabeth se segurou na cintura de Timothy. A porta se abriu e vi um par de pernas longas e recém-raspadas terminadas por um par de pés com meias curtas. Subi a vista e a moça estava usando um short jeans curto e uma camisa um pouco mais longa na frente, branca, de mangas arregaçadas e cabelos castanhos longos e cacheados, segurando uma bandeja com uma jarra de limonada. Eu, claro. Pés só de meia, mangas arregaçadas e cabelos longos e bagunçados daquele jeito, só posso ser eu.

Eu: Quem quer limonada?

Coloquei a bandeja em cima da mesinha de centro que deveria estar na sala e me sentei na cadeira que estava atrás da mesinha. Timothy e Annabeth desceram das costas de Percy, colocaram a limonada no copo e começaram a bebê-la. Percy se sentou ao meu lado, mas na grama. Desci o meu rosto, cochichei no ouvido dele algo que eu ainda não sabia o que era e mordi sua orelha. Ele se virou para mim e disse “sério mesmo? E você nunca me contou?” e eu balancei a cabeça, positivamente. Ele puxou minha nuca e me deu um beijo e disse “você é demais, Cabelo de Miojo” ao que eu respondi “e você é incrível, Cabeça de Alga”. Apoiei a minha cabeça na dele e observamos Timothy e Annabeth tomando limonada. Timothy cutucou Annabeth novamente e Percy o repreendeu. Eu ri da situação. Percy costumava fazer a mesma coisa comigo. Dei um beijo na cabeça dele e o meu sonho mudou.

Eu estava na sala do meu apartamento. Minha mãe estava com a cabeça jogada na mesa, chorando. Um homem estava ao lado dela, apenas acariciando a cabeça dela.

Xx: Pattie, me desculpe mesmo! Juro que se eu pudesse fazer alguma coisa, eu faria, mas Zeus não permite isso!

Minha mãe levantou a cabeça.

Mãe: Você poderia, seu idiota! Você não quer! Você é um imbecil! Aposto que já fez isso com muitas outras mulheres.

Xx: Sim, eu já fiz, mas você já está com seis meses! Eu nuca fiquei tanto tempo com uma mulher. Você sabe que com você é muito diferente. Sabe que eu te amo, Pattie! Amo a você e à Raphaella!

Mãe: Ama nada! Você ama a si mesmo e às suas coisas de deus. Se você amasse a mim ou à Raphaella como diz que ama, ficaria, cuidaria dela, e permitiria que ela tivesse uma vida normal.

Xx: Você sabe que como semideusa, ela nunca terá uma vida normal.

Mãe: PODERIA TER, SE VOCÊ ESTIVESSE AQUI PARA PROTEGER A MINHA FILHA! Por que você fez isso comigo, seu imbecil? Minha primeira filha será perseguida por monstros a vida toda porque o idiota do pai dela não estará aqui, cuidando dela. Vá embora.

Xx: Mas, Pattie...

Mãe: VÁ!

O homem se levantou.

Xx: Apenas fique onde eu possa protege-la, ok? Não se mude de Nova York, até eu dizer que deve.

Ele mexeu a mão, e desapareceu, deixando apenas um rastro de névoa. Percebi que a minha mãe falava como eu. Apenas dizendo que meu pai é um idiota. Que estranho. Não que seja ruim eu falar como a minha mãe, mas é estranho. De repente, tudo ficou escuro.


Abri os olhos e vi Percy sentado ao meu lado, me olhando.

Percy: Bom dia, Cabelo de Miojo.

Eu: Oi, Percy. – Eu disse, me sentando. – Imagino que o sol esteja nascendo agora.

Percy: Como sabe?

Eu: Acordo todos os dias ao nascer do sol. Não sei explicar, mas é assim.

Percy: Ah.

Eu: Mas o que você está fazendo aqui?

Percy: Eu não sabia se acreditava que você realmente dormiria aqui, então eu vim conferir.

Eu: E você acordou mais cedo apenas para isso?

Percy: Não, claro que não. Eu apenas acordei, há uns 10 minutos e perdi o sono. Eu me lembrei de que você disse que viria aqui, e vim te ver. Aliás, achei engraçado o jeito como você inspira pelo nariz e faz biquinho quando expira.

Eu: Eu não faço isso.

Percy: Ah, faz sim. – Ele fechou os olhos e imitou o movimento, me fazendo rir.

Eu: Até que você fica bonitinho fazendo isso.

Percy: Fico bonitinho de qualquer jeito.

Eu: Sei.

Fiquei olhando para debaixo da porta onde os primeiros raios solares do dia entravam no chalé.

Percy: É melhor você levar as suas coisas de volta para o seu chalé antes que eles acordem.

E: Claro.

Peguei uma roupa, fui para trás da estátua de Hera e comecei a me trocar. Não parecia muito seguro para não ser vista pelo Percy, mas era o jeito. Quando estava apenas de roupas íntimas, percebi um par de olhos verdes e um sorriso engraçado de quem está se segurando para não rir me olhando por entre as colunas.

Eu: EI! OLHE PARA O OUTRO LADO!

Percy: Desculpe. É que eu achei que seria um desastre você se trocando, queria assistir.

Revirei os olhos.

Quando terminei de me trocar, voltei para o outro lado da estátua e Percy estava segurando a minha mochila.

Percy: Guardei suas coisas.

Eu: Obrigada. Agora, se eu fosse você, voltaria para o chalé de seu Pai, antes que... sei lá, alguém entre aqui ou...

Percy: Ninguém entra aqui. Eu simplesmente tenho que voltar para o chalé do meu Pai. Não há razão.

Eu: Ok. Ah, aliás, eu não me esqueci de que você tem de me levar ao arsenal para escolher uma arma.

Percy: Também não.

Pisquei pra ele e ele saiu do chalé. Eu fiquei olhando a estátua de Hera por mais algum tempinho.

Eu: Você é mãe de meu pai, Lady Hera?

Óbvio, nenhuma resposta. Sai do chalé e voltei para o meu do mesmo jeito que saí. Me arrastando pelas portas dos chalés. Chegando lá, abri a porta no maior silêncio possível e voltei para o meu cantinho. Sem pisar em ninguém ou em nada barulhento. Acho que passaria todas as noites no chalé de Hera. Pelo menos, até ser reclamada. Ou quem sabe, até depois. Foi divertido. Ajeitei o meu saco de dormir de volta no lugar e me sentei lá. Depois de um tempo, alguns meninos foram acordando e ajeitando as coisas, Connor e Travis também acordaram e logo, todos estavam acordados. Deu a hora do café da manhã, e seguimos em direção ao pavilhão.


Camp Half-Blood; Pavilhão do Refeitório; Quarta-feira; 6:57 da manhã;


Quando meu café foi servido, fui até a fogueira e joguei um pedaço de pão lá. O melhor pedaço de pão que eu já havia visto em minha vida. Como ainda não sabia à qual deus eu deveria oferecer, disse apenas uma palavra.

Eu: Pai.

Quando já havia jogado o pão, fui e me sentei com o Percy, como pretendia fazer.

Percy: Já te disse que é proibido.

Eu: Já te disse que não ligo.

Ele deu uma risadinha e nós começamos a comer. Logo, Annabeth, filha de Atena, veio e se sentou conosco.

Annabeth: Liberou?

Percy: Não que eu saiba.

Eu: Não que isso fosse fazer diferença para mim.

Annabeth pareceu satisfeita.

Annabeth: Gostei de você. Não liga para as regras... É bem legal. Eu adoraria poder ser assim. – Ela se virou para Percy – Por que ainda não nos apresentou, Cabeça de Alga?

Eu ri.

Eu: Cabeça de Alga?

Percy: Ela me chama assim desde que meu Pai me reclamou.

Annabeth: É porque ele é mesmo.

E nos duas rimos.

Eu: Raphaella Harmon, indeterminada. Pode me chamar de Rapha – Estendi a mão para ela.

Annabeth: Annabeth Chase, filha de Atena. – Ela apertou a minha mão.

Eu: É, ouvi falar muito de você, Annabeth. Parece ser uma pessoa incrível.

Annabeth: Awn, obrigada. Você é uma fofa.

Eu: Quê isso! Digo, é verdade. Eu sou uma fofa mesmo.

Ela riu.

Eu: Então, soube que você quer ser arquiteta.

Annabeth: Sim, é meu sonho! Eu queria criar um monumento que ficasse erguido por mil anos para todos os povos e gerações futuras verem o meu trabalho.

Eu: É... Parece tão interessante e legal! Eu adoraria ser arquiteta, sabe?

Annabeth: Sério?

Eu: Claro! Pelos mesmos motivos que você! Já pensou ter o seu trabalho admirado por zilhões de gerações futuras? Que máximo!

Annabeth: Não é? E por que não vai ser?

Eu: Porque parece que eu não consigo arquitetar bem nem o meu cabelo, certo, Cabeça de Alga? – Olhei torto para Percy

Percy: Foi um elogio!

Annabeth: O que foi um elogio?

Eu: Nada. Esquece. Meu sonho é criar um monumento que chegue até o Sol! Não sei porquê, mas eu quero chegar no Sol! E eu não vou descansar até estar lá.

Annabeth: Tá aí! Essa é uma ótima ideia. Quando pudermos, vamos planejar juntas um monumento que chegue até o Sol!

Eu: Combinado!
E batemos as mãos. Me lembrei de que o Percy estava lá.

Eu: Fala alguma coisa, Percy.

Percy: Falar o que? Eu não entendo esses papos de arquiteta.

Annabeth: Fala se você apoia a ideia!

Eu: É, sua besta! – E eu dei um tapão na cabeça do Percy.

Annabeth começou a rir feito uma louca e eu também. Um monte de gente olhou para nós.

Eu: Mas, espere, essas pessoas estão olhando para nós porque nós estamos rindo feito loucas ou porque nos estamos fora das nossas mesas?

Annabeth: Algumas pessoas pelo primeiro motivo, outras pelo segundo.

Eu: Cada um tem um motivo variado?

Annabeth: Cada um tem um motivo variado.

Eu: Hum!

Olhei para a mesa de Apolo. Os campistas todos pareciam legais. Não sei porquê, mas eu sentia vontade de chegar perto deles. Queria ficar com eles. Vi alguns deles com instrumentos na mão; Flautas, violões, liras. Ok, senti um desejo enorme de me juntar a eles. De repente, eu não me controlava mais. O impulso me levantou da mesa de Percy e eu andei até a mesa de Apolo.

Eu: Com licença, será que eu poderia tocar com vocês?

Eles se entreolharam, acho que não queriam que eu ficasse com eles. Deve ser porque eu sou uma campista do chalé de Hermes, que se senta com o chalé de Poseidon.

Campista: Claro! – E ele deu um sorriso.

Ele estendeu a mão me oferecendo uma lira, que eu aceitei. Peguei, me sentei, dedilhei um pouco na lira, mas meus dedos se animaram, e começaram a mandar em mim. Eles se passaram na lira, fazendo um som doce, alegre e animado, que criou a impossibilidade de eu não sorrir. Logo eu me animei. Comecei a tocar mesmo. Um dos campistas estava com um sorriso igual ao meu no rosto, e começou a tocar sua flauta. Eu não entendi aquilo. Nunca vi uma lira na minha vida. Quer dizer, de verdade. O campista que estava me acompanhando logo se animou também. Levantou e meio que começou a dançar. Eu me levantei e dancei também. Outros campistas de Apolo também se levantaram e começaram a dançar. Logo, todos estavam tocando e dançando. Tocávamos uma melodia alegre em sol maior. Eu estava adorando aquilo. Pela primeira vez na minha vida, eu estava me sentindo realmente bem. Todos juntos, emitimos um alto “HEY” no ritmo da música. Campistas de outros chalés se levantaram e começaram a dançar conosco. Puxei Annabeth pelo braço e comecei a dançar com ela. Ela hesitou um pouco (na hora em que eu a puxei, como todas as amigas tímidas) mas logo se soltou. Do nada, um campista começou a olhar meio assustado para mim e cutucou outro para ver também. A música e a dança foi se parando aos poucos e logo, todos olhavam para mim. Me perguntei o que estava acontecendo quando uma forte luz invadiu meus olhos. Olhei para cima e vi que havia um holograma no formato do Sol com a letra grega alfa sobre minha cabeça. Alfa é A, no nosso alfabeto. Todos se ajoelharam e Quíron fez um anúncio.

Quíron: Salve Raphaella Harmon, filha de Apolo, deus do oráculo, da música e da poesia, Senhor do Sol.

Notas finais
Espero que tenham gostado, e não se esqueçam de comentar ;D