The Dark
1 Capítulo 1
Notas iniciais
“A escuridão a Terra tomará
O herdeiro do elmo a ele se aliará”
Acordei atordoada com essas palavras rodando em minha mente. Mais uma vez eu havia sonhado com Nico DiAngelo, meu amigo, sendo sugado pela escuridão enquanto essas palavras ecoavam em alto e bom som. Eu vinha tendo esse mesmo sonho há vários dias.
Me levantei e me arrumei para ir ao aeroporto. Hoje era meu último dia de uma longa e ótima viagem ao Brasil, minha terra natal. Há anos moro em Long Island junto com meus irmãos e primos em um lugar para pessoas, assim como eu, metade humanas metade deuses, chamado Camp Half Blood. Após anos vivendo lá, longe de minha família mortal, retornei para passar um ano junto a eles. A parte boa é que eu os revi, o que me deixou feliz já que eu realmente os amo, mesmo sabendo que a mulher que eu chamo de mãe não me deu a luz e que o garoto ao qual chamo de irmão não possui em suas veias o mesmo sangue que corre pelas minhas, mas mesmo assim, foi com eles que passei toda minha infância e sou grata por tudo que me fizeram mesmo sabendo que eu era filha de outra mulher, ou melhor, de uma deusa. Mas e a parte ruim? Bem... Foi a escola. Olhe, não me entendam mal. Eu sou filha da grande deusa Atena, deusa da sabedoria e da estratégia em batalhas, e eu realmente gosto de ler e estudar, mas quando os assuntos dos quais são referidos são interessantes, não quando se trata da história do Brasil ou da geografia da Ásia.
Me arrumei e me preparei para ir embora: adaga na cintura e uma besta na mochila. Eu sempre amei muito arco e flechas e sou realmente sou boa nisso, mas como é uma arma muito grande, não posso ficar andando com ela por aí, então me contento com a besta.
Minha viajem até o acampamento foi tranqüila. Encontrei apenas um monstro pelo caminho: um cão infernal que me aguardava no aeroporto. Depois de ter cuidado do cão, peguei o avião, agradecendo aos deuses por não ser filha de Poseidon, e, após o pouso do avião, rumei para a Colina Meio Sangue.
Cheguei no acampamento cansada, então fui diretamente para o chalé 6. O chalé estava quase vazio, a maioria dos meus irmãos estava treinando, já que estávamos no meio da tarde. As únicas pessoas que estavam lá eram minha irmã favorita, Annabeth, e minha melhor amiga, Megan, uma filha de Hades. Quando elas me viram, correram até mim para me darem abraços e essas coisinhas clichês de boas vindas.
– Oi, gente! — Falei meio sufocada pelo abraço coletivo – Eu sei que vocês me amam e tal, mas se continuarem me apertando desse jeito eu vou acabar morrendo por falta de ar.
– Ah, desculpe kk – Disse Megan me soltando, assim como Annabeth.
– Bem melhor – Disse rindo – Mas, como vocês sabiam que eu estava chegando? – Perguntei arqueando as sobrancelhas.
– Rachel nos avisou! – Respondeu Annabeth.
– Ah, ótimo! – Revirei os olhos – Rachel... – Falei debochando. Por que não poderíamos ter outro oráculo?
– Qual seu problema com ela, Jenn? Ela é até legal – Disse Annabeth.
– Ah é? Esqueceu que ela beijou seu namorado? – Perguntei arqueando as sobrancelhas.
– Isso já faz tempo, já não importa mais – Respondeu Annabeth.
– Verdade. E nós sabemos muito bem o motivo de você não gostar dela e isso se chama ciúmes – Disse Megan.
– Ciúmes? Haha. Até parece – Disse revirando os olhos novamente.
– Sim, ciúmes. E não revire os olhos.- Disse Annabeth.
– Nós sabemos muito bem que você morre de ciúmes, por ela ser amiga do Nico. – Completou Megan.
– Como se eu tivesse ciúmes deles dois – Passei por elas, revirando os olhos dramaticamente, e coloquei minhas coisas ao lado do beliche e deitei em minha cama, fechando os olhos.
– Tá de brincadeira que você vai dormir agora? – Alguém perguntou. Pela voz, percebi que era Percy.
- Percy! – Exclamei e corri para seu abraço – Quanto tempo, mano! – Percy passou a ser meu melhor amigo desde do dia em que pisei nesse acampamento. Ele me acolheu como uma irmã e desde então nossa amizade só aumentou e fala serio, quem não gostaria de ter o grande Percy Jackson como cunhado e melhor amigo?
- Pois é – Ele me respondeu com os braços ainda em volta de mim – Senti sua falta.
- Eu sei que sim – Eu respondi e nós dois rimos. Apertei-o mais e quando o soltei pude ver algo em seus olhos. Felicidade? Alívio? Não saberia responder.
- Então quer dizer que você vai estar contra mim na caça a bandeira de amanhã?
- Não sei. Estamos? – Perguntei para Annabeth.
- Pois é. Ficamos em times separados de novo – Ela me respondeu.
- Que pena! – Exclamei – Pronto para perder, novamente, para o chalé de Atena, Percy?
- Me responda você, Jenn. Pronta para perder para o chalé de Poseidon? – Ele em questionou.
- De jeito nenhum – Respondi provocando – E o chalé de Hades, Megan? Está de que lado?
- Do de Atena, é claro. Eu e a Annabeth fizemos uma parceria para o verão todo. – Respondeu Megan.
- Ótimo! Então o Percy não tem chances mesmo – Falei lançando um sorriso para ele.
- Até parece! Vem, vamos comer. Está na hora do almoço e você deve estar com fome da viajem – Disse Percy para mim e agarrou a mão de Annabeth e saiu do chalé. Eu e Megan os seguimos.
Fomos para o refeitório e teve toda aquela coisa de jogar comida ao fogo e tals. O resto do dia passou em um piscar de olhos. Treinamos e passei na Casa Grande para ver o Quíron e avisá-lo que cheguei bem de viajem. Depois do jantar eu não via a hora de deitar na cama e quando fiz isso dormi instantaneamente. Acho que estava tão cansada por conta da viajem, do treino e do fuso horário que não tive nenhum sonho, nem mesmo aquele que vinha me atormentando a dias, talvez semanas, não sabia ao certo quando eles tinham começado.
Acordei, tomei café da manhã com o meu chalé e fui para mais uma sessão de treinos. Após o almoço, os chalés tiveram a tarde de folga para poderem se reunir com seus parceiros e traçar estratégias e se prepararem. A estratégia ficou por conta do chalé de Atena, como sempre, afinal, éramos os melhores nisso. Junto com nosso chalé, a equipe era formada pelos chalés de Hades, Apolo, Hermes e Afrodite, e a outra equipe era formada pelo restante dos chalés.
- Chalé de Apolo, eu quero que alguns de vocês subam em árvores e tentem parar o máximo de pessoas que puderem. O restante do chalé que não souber subir em árvores, fiquem no chão e formem uma linha de defesa – Annabeth ia dando as instruções que nós havíamos planejado um pouco antes de dormirmos – Chalé de Afrodite, quero que vocês fiquem um pouco atrás do chalé de Apolo e tentem parar os que passarem por eles. Chalé de Hermes, uma parte de vocês ficará junto comigo e alguns dos campistas de Atena escondidos junto à bandeira, mas como vocês são rápidos, quero que 5 campistas do chalé de vocês, junto com 5 de Atena vão atrás da bandeira. Eles tem Percy e Finnick, que são os mais fortes do time deles – Finnick era o único filho de Zeus no acampamento – e aposto que eles vão mandar Percy vir para o ataque, já que no nosso lado tem mais quantidade de água, e vão deixar Finnick na defesa, por isso Megan vai para o ataque para tentar passar por Finnick ou pelo menos distraí-lo enquanto os outros procuram a bandeira. Jennifer ficará aqui para impedir Percy...
- Desculpe, — Disse uma garota do chalé de Afrodite, interrompendo Annabeth – Acho que temos um bom plano até aqui, mas não acho que deixar apenas a Jennifer para parar o Percy seja uma boa opção, quero dizer, ela é uma filha de Atena e ele de Poseidon, e se ele realmente estiver perto da água ela não tem chance.
- Ela consegue – defendeu-me Megan – Quero dizer, não seria a primeira vez que Jennifer enfrenta o Percy e ela já venceu ele algumas vezes.
- Não dentro d’água – Retrucou a garota.
- É por isso que a Jennifer ficará mais a frente, para poder impedi-lo antes que ele chegue na água. Ela não precisará imobiliza-lo nem nada do tipo, só precisará atrasa-lo tempo suficiente para os nossos campistas irem até o outro lado, pegarem a bandeira e voltarem.
- E você acha que pode atrasa-lo? – A garota do chalé de Afrodite perguntou para mim.
- Bem, eu conheço bem os movimentos dele e se ele estiver longe da água, acho que tenho bastante chance, então, sim, acho que consigo atrasa-lo por tempo suficiente. – Respondi.
- Então tudo bem.
- Mas se vocês tem alguma dúvida de que ela consegue para-lo – Continuou Annabeth – Eu posso colocar alguns campistas de Hermes mais atrás, até alguns de Apolo, se preferirem, mas acho que esses posicionamentos estão bons.
- É, acho que nossa irmã dá conta – Disse um campista do meu chalé, dando um sorriso para mim.
- Eu concordo. Já vi a Jennifer lutando, até mesmo contra Percy – Começou um campista de Apolo – Ela é incrível, tanto com uma espada quanto com um arco, parece até filha de Apolo haha.
- Todos concordam, então? – Perguntou Annabeth. Todos concordaram – Ótimo! Então acho que podemos continuar. Os campistas que irão atrás da bandeira serão divididos em três. Três vão para o lado direito, três para o esquerdo e a Megan e os outros dois vão pelo meio, que é onde acho que Finnick estará. Graças as deuses o chalé de Ares é bem previsível em relação à caça a bandeira. Bem, é isso. Alguma dúvida? – Todos disseram que não. – Ótimo! Então vamos nos arrumar.
Todos colocaram as armaduras, pegaram as armas e os elmos e partimos em direção ao refeitório, onde Quíron e Dionísio falavam algumas coisas antes do jogo. Eu havia pego apenas a armadura, o elmo e um escudo, minha espada era meu anel. Eu o ganhei em minha primeira missão da minha mãe, uma das poucas vezes que a vi. Para transforma-lo em espada era simples, era só tira-lo e joga-lo para cima e imediatamente deixava de ser um anel e transformava-se em uma espada de quase um metro.
Depois de Quíron e o Sr. D falarem as mesmas coisas de sempre, partimos rumo aos bosques e a caça a bandeira começou. Eu fui direto para o lado esquerdo, onde eu e Annabeth deduzimos que Percy estaria. Subi em uma árvore e esperei, com minha espada em sua forma normal. Quando Percy passou correndo com a Contracorrente desembainhada, eu pulei da árvore, caindo em cima dele, o que o fez cair.
- Ai! – Ele gritou – O que você está fazendo, criatura? Sabia que quebrar a coluna do adversário é proibido nos jogos?
- Ah, eu sei. – Respondi rindo, sentada em cima de suas costas – E é por isso que eu não quebrei sua coluna.
- Sai de cima de mim.
- Hum... Acho que não estou muito afim não.
- E o que vai fazer? Segurar-me aqui até o jogo acabar?
- Pensando bem, seria chato, não? Eu realmente preciso de uma luta de verdade depois de tanto tempo fora. – Dizendo isso, levantei e fiquei em pé ao seu lado – Vamos, levante, o jogo não vai durar o dia todo. Pelo menos é o que eu espero, ainda não consegui botar o papo em dia com a Annie e com a Meg.
- Então foi você que mandaram para me parar, éh? Hum... Pensei que as filhas de Atena eram boas de estratégia – Disse ele provocando enquanto pegava a espada e se levantava.
- Bem, acho que dou conta do recado – Respondi com um sorriso provocador.
- Isso que vamos ver. Pronta para perder a sua bandeira para mim?
- Você não vai chegar perto dessa bandeira, querido. Não hoje.
Ele sorriu e atacou, mas eu desviei o golpe tão facilmente que soltei uma risada.
- Serio? Isso é tudo que você tem? E você ainda achando que eu não conseguia te parar...
- Só estou começando. – Disse ele e atacou de novo e, novamente, desviei o golpe.
- Ok! Vamos parar com essa briguinha de criança que já está ficando muito chata – Falei e ataquei, mas ele desviou. Eu já estava preparada para isso e ataquei novamente, ele desviou e contra atacou e eu desviei.
Ficamos assim durante um tempo, ele atacando, eu desviando, eu atacando de volta e ele desviando. Pelo menos até aqui o plano estava funcionando, eu estava atrasando-o, só mais alguns minutos e teríamos ganhado a caça à bandeira, pelo menos, era o que eu esperava. Mas algo deu errado, fui lenta demais em um dos ataques de Percy e ele acertou minha barriga que começou a escorrer muito sangue. Coloquei a mão por cima da barriga e me desconcentrei um pouco. Estava doendo bastante e ao que parecia, estava bem fundo. Percy atacou de novo e acertou minha perna, o que me fez cambalear. A luta já estava quase ganha para Percy quando eu tive uma idéia. Deixei-me cair e enquanto caia observei que o céu estava escuro, já era de noite. Enrolei-me no chão com a mão na barriga e com uma careta de dor. Percy é bom demais para deixar sua melhor amiga sangrando no chão só para ganhar um jogo, pensei. E está escuro, hora das corujas saírem. Se Percy pode falar com cavalos, porque eu não poderia falar com as corujas? Ora, elas são o animal sagrado de minha mãe.
Como esperado, ele ficou super preocupada e veio até mim.
- Jenn? Está tudo bem?
- A-acho que o corte foi muito fundo – Respondi fingindo choro.
- Ai meus deuses, está sangrando muito.
Concentrei-me nas corujas que havia por perto. Chamei-as e pedi ajuda. Aos poucos vi olhinhos piscando para mim na escuridão. Dezenas de olhos. Um segundo depois elas estavam em cima de Percy, ele saiu de perto de mim e começou a tentar afastar as corujas. Enfiei a mão no bolso e meus dedos logo encontraram um pedaço de ambrosia, comi-o e logo me senti melhor. Levantei e fui para cima de Percy.
Ele estava distraído por conta das corujas, então eu ataquei e acertei seu braço que segurava a espada, fazendo com que contracorrente caísse de sua mão, depois acertei sua perna e ele cambaleou para trás e tropeçou em alguma coisa, fazendo com que caísse. Peguei sua espada e pedi para que as corujas se afastassem. Cheguei perto dele com um sorriso e percebi que havia picadas de coruja em seu rosto e que sua blusa estava rasgada.
- É, acho que dei conta do recado, não? – Provoquei.
- C-como você fez isso? Você estava no chão, machucada e chorando de dor – Ele parecia surpreso.
- Percy, – Abaixei-me do seu lado – pensei que você já tivesse aprendido que não se pode confiar em uma filha de Atena quando ela está contra você em uma luta. Sempre seremos mais espertas e sempre temos um plano B, um C e um plano para cada letra do alfabeto. – Disse sorrindo.
- Então você me enganou? – Perguntou ele. Era uma pergunta retórica, para quis responder.
- É claro. Acho que não tem nada contra isso nas regras, tem? E ah, acho que você precisa cuidar desse braço e dessa perna, estão sangrando a beça.
- É, eu sei – Observou ele – Acho que você acertou em cheio, hein? Agora me dê minha espada, acho que ainda posso vencer você nesse estado.
- Acho que não – Sorri ameaçadoramente – e também não há mais necessidade. Não há como você chegar até a bandeira. – Dito isso, ouvi vários passos se aproximando e uma gritaria ao longe. Levantei, saquei a espada e me virei para onde vinha o som.
Megan, Annabeth, mais dois garotos de Hermes e um de Atena apareceram por trás de algumas árvores com uma bandeira vermelha com uma cabeça de javali, a bandeira do chalé de Ares, nas mãos.
- Achei que você gostaria de saber que ganhamos e que não precisa mais distrair o Percy – Disse Megan sorrindo.
- Ótimo! Ah, Annie, acho que você vai ter que cuidar do seu namorado – Disse rindo.
- O que é isso? – Exclamou ela chegando perto dele e ajudando-o a se levantar – Picadas?
- É, sua irmã invocou umas corujas loucas que me atacaram – Respondeu ele.
- O que? – Perguntou Annabeth surpresa – Como?
- Depois eu explico melhor – Disse balançando os ombros – Vem, vamos sair desse lugar – Entreguei um pedaço que restava da ambrosia para o Percy e ajudei-o a andar até a enfermaria. Depois disso, tomei um banho e fui para meu chalé.
Dormi e novamente tive o sonho que me atormentava quase todas as noites.
Fale com o autor