The Dark
2 Capítulo 2
Notas iniciais
O lugar onde eu estava era escuro. Parecia muito com o Mundo Inferior, porém não era uma parte da qual eu me lembrava de ter visitado, era mais sombrio e intimidador.
Nico DiAngelo estava a alguns metros a minha frente, mas não aparentava ter consciência da minha presença. Ele fitava uma caverna a frente, onde, aparentemente, não havia nada, mas da qual saia uma voz.
– Nico DiAngelo! Junte-se a mim, criança – Falou a tal voz em um tom grave e ameaçador.
– Nunca! – Gritou Nico.
– Então prefere ver a garota morrer? – Questionou-o a voz calmamente.
– Se você encostar nela, quem morrerá será você – Rosnou Nico.
– Ora, ora, isso é muita coragem para um pequeno semideus, ou talvez seja apenas tolice. Bem, isso veremos em breve, pena que a garota não estará viva para presenciar esse momento.
– Não! – Nico gritou. Ele desembainhou a espada e deu um passo a frente e, mais uma vez, eu o vi sendo suado pelas sombras, que cantarolavam dois versos do que parecia ser uma profecia.
Acordei no meio da noite e sabia que não conseguiria dormir de novo depois desse sonho. Eu nunca conseguia.
Levantei-me e chamei Annabeth, que dormia na cama de cima do beliche que dividíamos desde que cheguei aqui, um ano após Percy.
– Annie! – Chamei.
– O que foi? – Ela me perguntou sonolenta.
– Tive um sonho. Com Nico. Um sonho que venho tendo a semanas. Precisamos falar com Quíron. – Ela se levantou. Saímos do chalé.
– Acho que devemos chamar Percy e Megan para ir também, acho que eles gostariam de saber. – Sugeriu Annabeth quando fechamos a porta.
– Tudo bem – Concordei – Eu vou chamar Megan e você vai chamar o Percy e nos encontramos aqui fora.
– Okay – Ela respondeu e correu pro chalé 3 e eu, para o chalé 13.
– Meg! – Chamei ela ao entrar.
– Jenn? O que está fazendo aqui? – Ela perguntou sentando na cama e coçando os olhos.
– Já faz um tempo que eu venho sonhando com seu irmão quase todas as noites. Hoje tive o mesmo sonho e decidi que já passou da hora de contar a Quíron e Annabeth achou que você gostaria de ir com a gente.
– Obvio que sim! Mas cadê ela?
– Foi chamar o Percy. Vamos.
Encontrei eles onde nós havíamos marcado e, juntos, corremos para a Casa Grande.
Após duas batidas, a porta se abriu revelando um homem-cavalo com uma expressão muito preocupada nos olhos.
– Quíron! – Exclamei ofegante – Precisamos falar contigo. Urgente!
– Entrem rápido, crianças. – Quíron ordenou. Entramos e nos sentamos.
– Aconteceu algo, Quíron? – Perguntei.
– Nada com que tenha que se preocupar. Por que a pergunta?
– O senhor já estava acordado quando chegamos porque só bati apenas duas vezes antes de você abrir e são quase 4 da manhã.
– Eu... Hã... Estava arrumando umas coisas e não vi o tempo passar.
– Quíron – Se intrometeu Annabeth – Não temos mais 5 anos, sabemos que está acontecendo algo que você não quer nos contar.
– Exato – Concordei.
– Tudo bem. – Quíron começou – Como sabem, semideuses de todo o mundo vem sumindo recentemente...
– Na verdade, eu não sabia de nada – Cortei ele – Acho que esqueceram de me contar esse detalhe quando eu estava com minha família no Brasil.
– Não esquecemos, Jennifer. Mas do que iria adiantar te contar? Você ficaria preocupada e voaria direto para cá sem aproveitar o tempo que tinha com sua família.
– Eu estaria mais segura se soubesse – Retruquei.
– Acho pouco provável. Lá não há quase nenhum monstro porque há poucos semideuses, ou seja, estaria mais segura lá que aqui.
– Mas... – Comecei a debater de novo, mas ele me interrompeu.
– Nada de “mas”, Jennifer. Minha casa, minhas regras. Agora deixe-me terminar de falar – Me calei e escutei o que ele tinha para dizer. – Enfim, recebi uma Mensagem de Íris de Reyna e ela me comunicou que Jason saiu há uma semana para vir ao acampamento meio-sangue, e como ele não chegou aqui, presumimos que ele tenha sido pego como os outros, mas o que me preocupa é que ele é um filho dos três grandes, ele é muito poderoso e foi pego.
Nico também é, pensei, mas acho que acabei falando em voz alta porque Quíron virou os olhos para mim, prestando atenção e fez um gesto para que eu prosseguisse. Engoli em seco e falei.
– Ele também é filho de um dos três grandes e é muito poderoso para sua idade e acho que ele também foi pego.
– Por que acha isso? – Quíron me questionou e eu, contra gosto, contei todos os detalhes do meu sonho. – Eu gostaria de pedir que o senhor me desse uma missão para procurá-lo – Pedi assim que terminei de contar o sonho. Quíron suspirou e virou seus olhos para baixo, quando ele tornou a olhar para mim eu vi que ele estava muito cansado e triste.
– Jennifer, eu não posso mandar você em uma missão de busca atrás dele. É perigoso demais e não sabemos com o que estamos lidando. – Quíron me olhou serio.
– E desde quando não é perigoso? Quantas vezes arriscamos nossas vidas? – Questionei – Essa não seria a primeira vez – Falei baixo, mas alto o suficiente para que me ouvissem.
– Jennifer... – Percy começou com seu tom doce, mas eu o interrompi.
– Não! Quantas vezes você foi em uma missão perigosa, Percy? É isso que fazemos, arriscamos nossas vidas. Agora você vai simplesmente desistir? – A esse ponto eu já estava gritando – Quando você e Annabeth caíram no Tártaro e você pediu para Nico guiar os semideuses do Argo II ele sabia que seria perigoso, mas ele desistiu? Não! Ele não desistiu e eu NÃO. VOU. DESISTIR. DELE. – Falei as últimas palavras pausadamente para ter certeza que eles captaram a ideia. – Mas o que mais me surpreende – Continuei. – é você estar apoiando eles, Megan.
– Não estou. – Ela me respondeu calma. – Não vamos desistir de Nico, mas não acho que é uma boa ideia sair para procurar ele agora. Como Quíron disse, não sabemos com o que estamos lidando.
– Precisamos ir ao Olimpo, – Annabeth continuou a falar de Megan – conversar com os deuses e começar uma pesquisa para descobrir quem anda fazendo isso e como detê-lo.
– E quando vocês pretendem começar a fazer isso? – Gritei – Quando mais da metade do acampamento for sequestrado e os restantes não tiverem mais forças para travar uma batalha? Desculpem, mas eu não vou ficar aqui sentada esperando isso acontecer. Se vocês não agem, alguém tem que agir. – Abri a porta e saí da Casa Grande batendo os pés. De dentro, eu ouvi passos vindo até a porta e depois Quíron dizer “Deixei-a ir, é a escolha dela. Agora não podemos fazer nada.”.
Eu ainda não tinha certeza do que faria, ainda não tinha um plano totalmente formado, mas sabia que tinha que tinha que fazer alguma coisa. Nico já havia me salvado tantas vezes que a ideia de ir para meu chalé e esperar que o pior acontecesse era insuportável.
Andei pelo acampamento sem rumo tentando achar uma solução e quando me dei conta eu estava no píer, olhando para o mar, lugar onde eu havia encontrado Nico pela primeira vez anos atrás quando Nico ainda era um garotinho que jogava mitomagia e esperava o retorno de sua irmã, Bianca, que jamais voltaria de sua primeira missão.
Respirei fundo a brisa suave que me rodeava. Eu adorava aquele lugar, mesmo não sendo filha de Poseidon, era calmo e me ajudava a pensar. E então, eu tive uma ideia. Corri para meu chalé, peguei toda ambrosia e néctar que consegui achar, peguei minha adaga e minha besta, roupas novas e coloquei tudo dentro de uma mochila, joguei-a por cima do ombro e rumei para os estábulos.
Assim que cheguei lá, BlackJack veio ao meu encontro, por sorte, ele realmente gostava de mim.
– O que acha de darmos uma volta para salvar um amigo? – Perguntei acariciando-lhe o focinho. Ele relinchou e eu concluí que aquilo era um sim. – Ótimo!
Montei nele e sobrevoei o pinheiro de Thalia e, logo, estava deixando minha casa, a Colina Meio Sangue, para trás para ir ao encontro do menino que eu, secretamente, amava.
Fale com o autor