A população estava agitada. A palavra “culpada” era a que mais podia se ouvir. Alguns poucos diziam “inocente”, enquanto ainda havia aqueles que nada diziam. Na praça central, uma forca estava preparada, e nela, uma jovem estava com a corda em seu pescoço. Nicola Andreatto era seu nome, moradora de Salem há poucos anos e acusada da morte de um vigia. Ela seria linchada naquele momento se não fosse por Vladimir Teixeira, um homem de meia idade de muito poder ali.

- Parem com essa idiotice! – disse ele, passando pelo povo e chegando no centro da praça, fazendo a cidade ficar em silêncio – Mas que maluquice é essa?

- Essa mentirosa matou o vigia! Foi a última que esteve com ele! – disse um residente.

- Enforquem a vadia!

Novamente o povo se manifestou, sendo calado pelo som de um tiro saído do revólver de Vladimir.

- Gostaria de saber quem tem essa informação, e eu gostaria de saber AGORA.

Na mesma hora, duas outras figuras saíram da multidão: era Pelasco Lorenzoni com seu braço enfaixado e Silas Hamed, um dos auxiliades do senhor Teixeira.

- Nicola não estava com o vigia – disse Lorenzoni – Ela estava em minha casa. Meu braço começou com suas dores novamente e, como ela sabe um pouco de medicina, preferi não incomodar o médico.

- Isso é verdade Silas? – questionou Vladimir, com um olhar sério.

- Sim senhor, ela visitou Pelasco e uma outra pessoa visitou o meu colega. Não consegui ver seu rosto, mas acredito que... – Silas hesitou – acredito que o serial killer esteja na cidade novamente.

O povo ficou assustado. Um serial killer? Naquela tranquila cidade? É algo se fazer qualquer um tremer de medo, ainda mais no pobre Denis Mallman, que possui graus elevados de nictofobia. Vladimir retirou a corda do pescoço de Nicola e avisou que ninguém saísse de casa à noite para a sua própria segurança.

- Obrigado por me defender – disse Nicola, com um sorriso leve no rosto.

- Não agradeça a mim, agradeça ao seu amigo – disse Teixeira por fim, virando as costas para a garota e voltando para sua casa, pois o sino da cidade havia começado a tocar, indicando o toque de recolher.

Pouco a pouco, os moradores daquela cidade iam entrando em suas residências, acreditando que ali estariam seguros de todos os perigos do mundo e que o vigia morreu porque ele trabalhava à noite, cuidando da cidade. Porém, por mais que eles ignorem, a maldição de Salem continua rondando suas mentes: as coisas só acontecem quando o sol vai embora.