The Curse of Salem

2 Cap. 2 - Primeira Noite


– Nunca mais eu quero saber disso, estamos entendidos? – disse uma voz feminina vindo das sombras da sala de jantar, enquanto duas figuras estavam de cabeça baixa e com os rostos expostos pela luz das velas que estavam na mesa.

Havia um grupo em Salem que ninguém além dos envolvidos parecia saber da existência: a máfia. O grupo sabia onde atacar em quem atacar, sendo responsável pelo extermínio de duas outras vilas, muito distantes uma da outra e mais ainda de Salem. Também era capaz de incriminar qualquer pessoa pelos seus assassinatos, já que um de seus integrantes era mestre em forjar tanto documentos quanto causa da morte, enquanto outro é capaz de “limpar” todas as informações da vítima, deixando-a como um indigente.

Eles e os outros obedecem aos comandos da Madrinha, uma mulher que enterrou três maridos e o seu tio por terem descoberto e tentado impedir os planos da máfia. Nunca hesita quando o assunto é exterminar qualquer um que não seja a favor do grupo, mesmo que ele esteja dentro. Abaixo dela, com quase o mesmo poder, está o conselheiro, o braço direito da madrinha, aquele que planeja todo o plano baseado nos dados que o conspirador recolheu.

– Quando vai ser o próximo assassinato? — disse um dos membros, que deu um passo para frente e revelou seu rosto cheio de cicatrizes e olhos azuis penetrantes, além de ser tão sanguinário quanto a própria madrinha – minhas mãos estão sedentas por sangue quente escorrendo...

– Continue agindo assim e nós realmente faremos com que essa cidade possui um serial killer. – disse a madrinha, com um sorriso no rosto e seus olhos castanho-claros “brilhando” nas sombras – Não tenho um alvo em mente, porém não podemos matar o xerife ainda, vamos deixá-lo aproveitar seus últimos dias investigando. O que tem em mente, meu querido consigliere?

– Bem, minha senhora, — começou a falar enquanto analizava alguns papéis que tinha nas mãos – Acredito que a morte de Dione Lauck afetaria muito o xerife por causa de seu cargo, porém a doutora é muito importante para a cidade... – ele ficou em silêncio por alguns segundos, sendo analisado por toda a máfia, e depois deu seu parecer – Atacaremos a doutora. O que acha, madrinha?

A madrinha bebeu um pouco do whisky que havia em seu copo em cima da mesa, acariciou o gato em seu colo, ajeitou o anel em seu indicador esquerdo e, quando ia dar sua opinião...

***

O som de uma explosão pôde ser ouvido de toda Salem, pessoas abriram as janelas de suas casas e viram ao longe: uma das casas próximas à praça estava em chamas. O povo saiu de suas casas com baldes de água e começaram a lutar contra o fogo, sem chance visível de vitória. As chamas apenas abaixaram quando não havia mais nada para se queimar, o que levou todo o restante da noite. Quando era seguro de entrar nos escombros, o xerife e a investigadora se aproximaram e viram um corpo, que logo foi revelado: era Gladyr Feix, a veterana de guerra que praticamente fundou a cidade junto com o prefeito. Ali estava ela, incinerada, identificável apenas porque havia morrido com sua espingarda em mãos.

De longe, a madrinha estava enrolada em seu roupão observando tudo com um ódio no olhar e os punhos cerrados de raiva. O conselheiro sabia o que isso significava, e não era nada bom.

– Minha senhora, — sussurrou ele no ouvido da dama – você realmente acha que...?

– Eu não acho, eu tenho certeza... – disse ela por fim, dando meia volta e voltando para sua casa com passos rápidos enquanto sussurrava para si mesma.

Enquanto o tumulto cessava, uma figura olhava a máfia se retirando do local, então ela acendia um cigarro, dava um belo trago e depois dava meia volta, sumindo nas sombras entre as residências.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.