The Crow & The Butterfly

1 Hell inside my head


Notas iniciais
Bom, primeiramente eu gostaria de dizer: Olá você que veio aqui. Teve a coragem de vir ler algo que escrevo! haha. Seja muito bem vindo e saiba que agradeço de coração, desde já. Essa é uma história na qual venho trabalhando a anos, e quis aprimora-la antes de postar. Sou aberta a criticas, muitas, por favor, é para vocês que escrevo. Gosto de elogios assim como todo bom escritor e por fim, gostaria de agradecer muito minha amiga, que também escreve aqui, por sinal, foi quem me trouxe, Lissie. Você fez a melhor capa que eu poderia pedir. Me ajudou com toda essa parte, me inspirou e encorajou a voltar. Essa história é para você, meu anjinho da guarda. ♥ Boa leitura.

– Aysha?

Escutei meu nome ser pronunciado. Ia doer, eu sabia que o que ele ia dizer e iria me magoar, mas não tinha jeito, não tinha volta.

– Sim? – respondi baixo, sem olha-lo.

– Não torne isso mais difícil do que já está sendo.

– O que você quer? – perguntei ríspida.

– Ué, você sabe, mas é bom ser formal para não haver enganos, certo?

– Certo.

– Então ótimo, me entregue a aliança.

E então, num piscar de olhos, o anel gordo e brilhante, cor de prata já não estava por entre meus dedos, aquele pedacinho de metal que preenchia meu coração de alegria o estava matando agora, como se fosse ferro em brasa, queimando meu coração e deixando meus pulmões cansados.

Depois daquele dia, eu achei que jamais amaria alguém em toda a minha vida, meu namorado de 3 anos estava me deixando, e a única coisa que eu podia fazer era conter minhas lagrimas patéticas, que tentei enxugar com a manga da blusa.

– Ah não, Aysha! – ouvi ele dizer, enquanto guardava o pedaço inútil de metal no bolso. – Poxa, cadê aquele sorriso lindo que você sempre teve? Ainda somos amigos!

– A-amigos?

Eu estava com raiva, ele havia me trocado por uma outra menina e eu nem sabia o motivo, e o infeliz ainda vinha com esse papo de amizade? Ele tentou me tocar, mas rapidamente bati em sua mão, o afastando e andando alguns passos para trás, esbarrando em minha carteira. Ou melhor, antiga carteira.

– Não vamos ser amigos. – comentei baixinho, pegando minha mochila. – Você não precisa ser cordial comigo, eu não quero sua piedade, eu quero é distancia de você.

Ele não continuou o assunto, deu meu espaço e me deixou sair pela porta da sala. Passar por entre os alunos, mesmo que fosse a ultima vez, matou cada pedacinho que eu deixaria da minha juventude ali. Eu ia me mudar, e que recordação boa eu levaria, se nem o meu namorado tinha aguentado a noticia e me trocado? Todos haviam me trocado, me reposto, e em duas semanas o paraíso se tornou um inferno e eu realmente estava querendo mudar.

No caminho para casa, vi um outdoor tosco, que estava escrito “Recomece sua vida. Viva cada momento intensamente com o novo perfume...”, a primeira parte havia ficado em minha cabeça, e durante todo o trajeto fiquei martelando aquelas palavras. Recomeçar. Eu estava precisando disso, e era isso o que a minha mãe geralmente dizia para mim, que seria um recomeço, agora que ela finalmente havia encontrado alguém com quem dividir o resto da vida, após meu pai ter nos deixado. Tadinha, ela só queria ser amada, não a culpo.

Tentei sorrir, mas ainda era cedo para fazer isso, a dor em meu peito era maior, o medo estava em grandes proporções dentro de mim, eu mal pensava no que iria me acontecer após me mudar, ainda tinha as férias todas para sofrer quieta, com meus fones enterrados nos ouvidos com alguma musica triste e litros de sorvete de morango. O engraçado era que eu sabia que isso iria acontecer e queria superar, mas aqueles sentimentos explosivos que temos quando adolescentes, de agora ou nunca, ainda estava muito vivo em minha corrente sanguínea. Caramba, eu só tinha 17 anos, ia sobreviver, após muito drama, mas iria.

Sem notar, meus pés tinham ido automaticamente para a porta de entrada da minha casa, e deixando os pensamentos de lado, forcei um sorriso, abri a porta e dei de cara com a minha mãe.

– Oi mamãe! – berrei animada, abraçando ela.

Mamãe hesitou, mas logo depois me abraçou também.

– Filha. – comentou amorosa. – arrume-se.

Olhei confusa para minha mãe, mas ela sorriu docemente, enquanto passava os dedos por entre os fios embaraçados do meu cabelo.

– Pensei que você ia querer ir hoje mesmo.

Suspirei.

Na mosca mamãe.

– Certo. Vamos acabar logo com isso.

Minha frase surtiu o efeito indesejado e senti algo pegando delicadamente meu pulso quando passei pela minha mãe. Quando me virei, vi que não dava para esconder mais nada dela. Não agora.

– Aysha.

– Mãe, eu não quero chorar na sua frente. Sim, estou muito chateada com o término do namoro, mas foi melhor assim e por causa disso quero mesmo ir embora o mais rápido possível. – respirei fundo, tentando me livrar da angustia e apertei a mão dela. – É um recomeço, certo?

Ela sorriu e me soltou.

– Sim, um recomeço meu peixinho.

Subi as escadas e abri a porta do meu quarto. Não havia mais nada lá, nem a minha cama para eu correr e me jogar em cima. Eu estava mesmo indo embora. Peguei tudo o que faltava e dei uma ultima olhada para o quarto, fechado todas as lembranças dentro de uma caixinha e a guardando no fundo.

Ela estaria lacrada depois que eu fechasse a porta.

O caminho seria longo, mas minha mãe e Ben prefeririam ir de carro, como sempre, o conforto dos pés no chão, para eles, era melhor do que avião, e eu também não me importava muito em passar três dias em um carro super luxuoso que eles haviam acabado de comprar.

Mamãe havia conhecido Ben na firma que trabalhou quase a vida toda. Ele é um executivo de alto escalão e se apaixonou por ela pela simplicidade e vontade de viver e cuidar de sua filha, no caso, eu.

Sei bem o mal tempo que ela passou tentando cuidar de mim. Não me lembro muito bem do meu pai, apenas das discussões que eles tinham, ele foi embora muito cedo, eu tinha apenas 5 anos e agora, anos depois, minha mãe estava finalmente sorrindo ao lado de um homem, que ainda por cima queria, a qualquer custo, tentar ser meu pai. É, ele estava sendo um bom representante até o momento, havíamos até nos tornado amigos, mas eu já tinha falado para a mamãe que seria difícil olha-lo como pai, mas com toda a sinceridade do mundo, prometi a ela que tentaria, principalmente agora, nesse nosso recomeço.

As arvores iam passando por nós rapidamente, um amontoado após o outro, animais pastando, outros carros passando. Eu estava entediada e nem as musicas estavam mais me ajudando naquele momento. Os dois estavam ali na frente, de mãos dadas e dedos entrelaçados, enquanto comentavam animados os detalhes da casa, e do bairro super novo e chique.

Admito que gosto de conforto e isso Ben nos proporcionava de sobra, mas será que eu poderia me acostumar com isso? Voltei a olhar pela janela quando eles se aproximaram para dar um selinho, era meio irritante ver algo assim agora, no estado em que eu me encontrava. Me concentrei em minha mão e passei o dedo indicador sobre o local que deveria haver uma aliança, a lembrança voltou e minha garganta fechou.

Respirei fundo e ouvi Ben falar todo animado lá da frente.

– Então baixinha, o que acha de comemorarmos em grande estilo quando chegarmos lá?

Dei um meio sorriso e me apoiei no banco dele.

– Pode apostar que sim!

Ele riu alto e mamãe começou a bater em suas costas e eu me afastei novamente, encostando as costas no banco e fechando os olhos, seria melhor dormir um pouco.

Notas finais
Bom, essa foi apenas uma pequena introdução, espero que gostem. Beijinhos e até a próxima!