Notas iniciais
Depois de dois anos pensando em postar essa fanfic, cá estou eu finalmente postado. Espero que gostem, e não se esquecem de comentar e me falarem o que acharam.
Tenham uma boa leitura.

Com passos ligeiros a leoa cruzava a fronteira de Arquelândia indo em direção a Nárnia, em volta nada se ouvia, as árvores estavam calmas e os pássaros não cantavam. Estava indo a Nárnia informar o rei, que era um grande amigo, sobre o sumiço de Aslam.
Próxima a fronteira de Arquelândia havia uma aglomeração, o que a fez parar em um ato repentino. Um tanto ofegante se dirigiu até lá. Murmuravam entre si sobre um assassinato, todos pareciam estar em choque. Chegou perto de um fauno que estava passos afastado. Os seus olhos estavam cheios d'agua, ela não queria ser indelicada, mas precisava saber o que acorrera, perguntou-lhe o motivo para tanta comoção, o que veio a descobrir foi chocante, ele a informou que o narniano Alaster, mensageiro do rei, e também seu amigo, havia sido assassinado pelos arquelandeses.
Espantou-se com as palavras do fauno, chegou a ficar desorientada por alguns segundos, isso não podia ser verdade, olhou mais uma vez para ele e seu semblante era de pura tristeza, isso não era nada bom.
Apressou-se e correu o mais rápido que conseguia em direção a Nárnia, não podia simplesmente ficar parada ali sem saber o que estava acontecendo entre os reinos amigos. Morgan sabia que Arquelândia seria incapaz de cometer tal atrocidade.
Por mais rápido que fosse era impossível não ouvir os sussurros das árvores, que há pouco estavam tão silenciosas, escutou inúmeras murmúrios sobre Nárnia e Arquelândia entrarem em guerra. Queria chegar logo em seu destino, para que o rei a deixasse a par da situação, seria verdade o que as árvores sussurravam?

Ao saber da morte de Alaster, Orion, rei de Arquelândia, por cortesia visita Nárnia para prestar suas condolências ao rei, com sua comitiva chega a Cair Parável no meio da tarde. Encontra o rei de luto, com uma expressão muito triste, ao vê-lo o rei de Nárnia assume uma expressão diferente, que aos olhos dos outros parece de raiva, Orion percebe que além de tristeza há outra coisa no olhar dos narnianos, algo que se assemelha muito ao que vê no olhar do rei.
Tirian propõe que eles se encaminhem para a antiga sala dos quatro tronos, acompanhado de seu leal arqueiro Cordial, Orion acompanha o rei de Nárnia, que é seguido de perto pelos seus melhores guardas, no mais absoluto silêncio.
— O que tem para tratar comigo? — perguntou Tirian, que caminhava até seu trono. Sentou-se nele e pois se a encarar Orion.
— Vim prestar minhas condolências, prezado amigo. — disse Orion, fazendo uma pequena reverência a ele.
— Como pode? — Tirian tentava se manter calmo. — Como tem a audácia de vir até aqui e prestar falsas condolências?
— O — o que? — perguntou confuso.
O rei narniano respirou fundo e estendeu a mão para um de seus guardas, que o entregou uma flecha, estava manchada de sangue e tinha a bandeira de Arquelândia nela.
— O que isso significa? — ele estava começando a entender o que Tirian estava insinuando.
— Olhe para essa flecha e me diga que não sabe do que estou falando.
— Está me acusando de algo? — A flecha que Tirian segurava era idêntica a de sua guarda, sim, mas ele seria incapaz disso, de ordenar um ato tão vil, Tirian deveria saber.
— É claro que estou. — Falou sorrindo com ironia. — Diga-me como não acusar?
— Eu, ou qualquer um de meu povo não seriamos capazes de matar um amigo, o que ganharíamos com isso? — A paciência de Orion, já havia esgotado. Não gostava de ser acusado por coisas que não havia feito.
— Como posso saber? — perguntou Tirian, ainda em tom de ironia. — Diga me você.
— Irei embora agora antes que suas palavras tolas lhe tragam sérios problemas, meu jovem. — Se virou indo em direção da porta, mas parou quando ouviu as palavras do rei narniano.
— Vá, fuja. — se levantou aumentando a voz. — Deveria mandar matá-lo.
Ainda de costas perguntou.
— Está me ameaçando?
— Considere isso um aviso.
Orion se virou para encará-lo, com um olhar desafiador.
— Não banque o tolo, sabe que eu seria incapaz de matar um narniano.
— O único tolo aqui é você Orion, ficar se fazendo de inocente, quando na verdade é culpado.
— Está procurando guerra? — Orion deu um passo a frente. — Cuidado, você pode encontrar.
— Meu rei. — Cordial colocou a mão em seu ombro. — Vamos.
— Pode sair agora, mas isso não ficará assim. — Provocou-o mais uma vez.
— Irei considerar isso como um sim. — disse antes de sair da sala.
— Tome cuidado Tirian. — disse Cordial antes de se retirar.

Morgan levou um dia para chegar em Cair Parável, imediatamente se direcionou para a antiga sala dos quatro tronos. Atravessou um grande corredor, a porta se encontrava no final, apesar das grandes extensões de terra que percorreu toda sua vida, aquele corredor parecia o maior de todos, adentrou o lugar e encontrou Tirian sentado no trono, com semblante triste, parecia perdido em pensamentos, nem ao menos percebeu que estava ali.
— Minhas sinceras condolências meu rei. — falou o tirando dos pensamentos, ele olhou-a e lhe deu um sorriso fraco.
— Obrigada minha cara, fico feliz em vê-la. — respirou fundo e continuou a falar. — Tomarei decisões para que isso não fique impune.
— Não tome decisões precipitadas. — aconselhou a jovem.
— Decisões precipitadas? — encarou-a furioso, sem dar tempo para ela responder, prosseguiu. — Não vou tomar decisões precipitadas, afinal sou o rei. Não duvide de minha capacidade. — Toda raiva que ele não havia liberado enquanto conversava com Orion, havia acabado de explodir ali com apenas uma fala de Morgan.
— Olhe, Tirian, não duvido de suas capacidades como rei, primeiro analise os fatos, acha mesmo que Arquelândia, que Orion, seu amigo, matou Alaster? — ele era sempre calmo e compreensivo, vê-lo assim a assustou.
— E como não acreditar? — a olhou com raiva. — A flecha que cravaram em seu coração, diz tudo. — caminhou até uma pequena mesa que se encontrava ali perto e mostrou a Morgan para que ela mesma pudesse ver. — Quer melhor prova que essa?
Morgan nada falou, apenas encarou a flecha. Tirian a deixou cair em suas pés e direcionou-se até uma grande janela que contemplava a vista de toda Cair Parável, respirou fundo varias vezes e se virou, no lugar da leoa havia uma jovem, cabelos negros e olhos extremamente azuis, suas vestes poderiam ser comparadas com a de um guerreiro narniano, tão bela quanto á imaginação pode imaginar. Ele a encarava encantado, não conseguia pensar em nada para falar, lembrou-se das antigas histórias que ouvira quando era criança, "...por Aslam tentar a proteger ao máximo, nem todos sabiam de sua existência, é conhecida como a filha do grande...", lembrou disso, pois ela sempre esteve ao lado de Aslam.
— Olhe, Tirian sei que a dor de sua perda é grande, mas isso não me parece com algo que Arquelândia faria, mas sim com os métodos de um certo reino que há tempos tenta dominar tanto Nárnia, quanto Arquelândia.
E assim o encanto se foi e ele voltou com a mesmo hostilidade de antes.
— Calormânia não é culpada, Arquelândia sim, e afinal não foi a flecha da Calormânia que matou meu amigo. — esbravejou.
— A madeira com que essa flecha foi feita só é encontrada em regiões próximas a Calormânia. — respirou fundo. — Ouça-me, não comece uma guerra com o reino errado.
— Está do lado deles? — perguntou indignado. — Está contra seu povo? Veja, se irei me preocupar de que região veio a madeira que confeccionou essa flecha, no fim, essa flecha representa seu reino, e esse é Arquelândia. — falou gritando.
— Você não é o único com problemas, há meses venho procurando meu pai e quando finalmente decido vir a Nárnia para lhe pedir ajuda, encontro dois reinos antes tão amigos em pé de guerra. — falava tentando se manter calma, pela primeira vez Tirian se mostrou impulsivo, estava colocando seu reino em perigo, muitas vidas seriam perdidas se tal batalha acontecesse.
— Eles começaram, eles que arquem com as consequências.
— Estou tentando te mostrar a verdade meu rei, sabe que o povo de Arquelândia seria incapaz disso.
— Os tempos mudaram. — disse Tirian voltando a olhar pela janela.
— Sim, mudaram. — falou Morgan enquanto se retirava. — Mas não a esse ponto.
Talvez pudesse estar errada em relação a Calormânia, mas certeza de que Arquelândia não tinha nada a ver com isso, ela tinha, só precisava mostrar isso a Tirian. Como? Nem ela mesma sabia, pedir ajuda a um amigo talvez fosse a solução. Cordial, entre todos que ela poderia recorrer, foi o primeiro que lhe veio a cabeça, ela o conhecia desde de seu nascimento, sabia que ele a ajudaria, só não sabia se Orion o deixaria ajuda-la. Tirian havia dito que ele havia estado em Nárnia, falou sobre a discussão que tiveram e da guerra que ele comprará com isso, tinha que impedir que a guerra ocorresse, quem sabe Orion a ouvisse e desse um fim nisso.

Partiu rumo a Arquelândia, não poderia perder mais nenhum minuto, "Aslam tinha que sumir justo agora" pensou, teria que parar sua busca por seu pai e impedir essa guerra.

Notas finais
Vejo vocês no próximo capitulo.