Notas iniciais
Obrigada a todos que comentaram no ultimo capitulo. *-*
Esse capitulo é especial, porque tive ajuda da minha irmã. Então aproveitem.

Já era noite quando chegou a Anvard, as muralhas que cercavam a entrada do reino estavam tomada por arqueiros, e era visíveis a tensão entre eles, rostos inexpressíveis, sempre atentos para o que viesse. Ainda em sua forma animal, Morgan foi em direção a entrada do palácio, até que topou com uma face conhecida.

Cordial, como sempre com o arco que ganhara de seu pai em mãos, branco feito neve, sempre tinha a aparência de alguém que tinha brigado com o pente, e havia perdido, na maior parte do tempo era extremamente irritante, sempre fazendo piadas e deixando todos ao seu redor com raiva ou sem graça, mas era um grande amigo e um excelente arqueiro. Quando avistou Morgan deu um sorriso torto.

- Olá felina. – disse quando ela chegou perto.

- O que faz aqui? Não deveria estar ao lado de Orion? – perguntou um tanto ofegante.

- Sim. – falou olhando para os dois lados parecendo incomodado com algo. – Morgan, poderia voltar a ser humana? Precisamos tratar de assuntos importantes.

Ela o fitou por alguns segundos, e rapidamente mudou de forma, intrigada com o tom sério, do amigo sempre brincalhão.

- Obrigada. – o sorriso logo sumiu. – As coisas não estão nada bem, o rei me enviou para lhe entregar um recado. – respirou fundo. – Ele não vai te ouvir.

- Como? – perguntou.

- Ele sabia que você viria aqui quando descobrisse o que Tirian causou.

- Ora Cordial, você mais do que ninguém sabe o quanto eu preciso falar com ele. – ela o olhou séria. Como assim Orion não iria recebe-la?

- Sei, mas nada do que falar irá fazê-lo mudar de ideia. Faça isso por mim, não vá até ele, eu lhe imploro.

Morgan andava de um lado para o outro impaciente, pensando em diversas formas de invadir o palácio e obrigá-lo a ouvi-la.

– Tudo bem. – disse passando a mão no cabelo e respirando fundo procurando ar.

- Obrigada. – disse aliviado. Ele lhe deu um sorriso encantador. – Mas, não é porque ele não te quer aqui, que eu e minha família não te queremos. Está visivelmente exausta, passa a noite aqui e amanhã poderemos pensar em alguma forma de resolver essa confusão, que não envolva um embate com o rei.

Já que não tinha alternativa, aceitou a proposta, até por que fazia algum tempo que não visitava a família de Cordial. Mas iria esperar ele dormir para ir ao encontro do rei, e aproveitaria a chance de ir falar com Orion, ele iria ouvi-lá, querendo ou não.

- Callum esta em casa? – perguntou a jovem ao seu amigo
— Aquele chato? — disse Cordial, surpreso com a pergunta
— Por que você sempre fala assim do seu irmão? – disse Morgan achando graça
— Justamente por que ele é meu irmão. Ou você acha que ele me trata com a mesma gentileza que utiliza com você. E não, ele passará o dia todo ocupado, sem hora para voltar. – disse Cordial com um sorriso misterioso

Os dois foram caminhando até a casa de Cordial, apesar de noite o lugar estava apinhado de pessoas, as crianças brincavam, os velhos tocavam cantigas antigas, as casas simples, sem muito exagero, as pessoas estavam felizes. Aquele clima em nada lembrava a tensão presente nos arqueiros da muralha, aquele clima de amor e carinho das pessoas em volta, fez Morgan esquecer por um momento todos os problemas que estavam acontecendo, isso era um dos motivos para que impedisse que a guerra, essas pessoas, tanto quanto os narnianos, não mereciam isso.

Depois de jantar com a família, e ficar um bom tempo conversando com a família de Cordial, Morgan finalmente foi dormir, porém, não conseguiu se livrar do amigo, ele ficou em seu encalço o tempo todo, ele sabia que no momento em que não estivesse mais de olho nela, ela sairia para falar com o rei.

Já era manhã quando Cordial finalmente adormeceu na sala, passou a noite toda de olho em Morgan, que por sua vez fingia que tinha adormecido, só esperando o momento certo para sair. Convidá-la para dormir em sua casa não parecia tão boa idéia agora “é isso que dá tentar ajudar uma amiga”, foi o que ficou pensando a noite toda.

Ela ficou observando ele por mais alguns minutos até ter certeza de que estava mesmo dormindo, um ronco (o que mais parecia um porco gritando) confirmou o que duvidava. Levantou devagar tentando não fazer barulho, andava na ponta dos pés até a saída, mas ao abrir a porta um som estridente invadiu o lugar que estava quieto, fazendo com que Cordial acordasse com um pulo assustado com o barulho.

- Se afaste da porta. – falou. – Não faça isso.

Cordial pulou em sua direção tentando agarrar seu braço, o que fora uma tentativa em vão, pois Morgan havia se transformado em uma leoa, e saiu em disparada, enquanto Cordial vinha em seu encalço, esbarrando em tudo pela frente e gritando para que voltasse, mas ele sabia que ela não voltaria, alguns passos depois sua voz foi ficando distante.

Morgan correu até a sala do trono, e chegando lá, voltou a sua forma humama, parou em frente ao portão com a bandeira de Arquelândia gravada na porta, um desenho de dois arqueiros em cada lado enfeitavam-na, se tratava da sala de um nobre, a sala de Orion. respirou fundo, os guardas nada fizeram para impedi-lá de entrar, mas o olhar dirigido a ela, não foi nada amigável, deixando isso de lado, empurrou as portas o lugar.

Orion esta sentado em seu trono, parecia que já a esperava, dispensou as pessoas presente ali, e os dois ficaram sozinhos na sala.

- Sabia que ele não conseguiria impedi-la de vir até mim. – com a mão na cabeça a olhava sério, seu olhar era frio e causava um certo desconforto.

Orion é muito parecido com seu pai, conseguiu manter a paz em seu reino, mas, exceto por uma coisa diferia muito dele, levava tudo para o lado pessoal, as palavras tinham que ser bem escolhidas em uma discussão, caso contrario, daria inicio a uma guerra. Então ela teria que escolher bem suas palavras se quisesse dar um fim a isso e não piorar a situação.

- Orion eu vim aqui... — disse Morgan

- Sei bem o que veio fazer aqui. – disse interrompendo-a. – Tenho más notícias, nada do que disser ira me fazer mudar de ideia.

- Olhe, Tirian...

- Não se cansa? – perguntou interrompendo-a de novo. – De sempre ficar concertando o erro dos outros?

- Não, eu não me canso. — disse. – Por isso estou aqui, para impedir que cometa um erro.

- Erro foi o seu rei me acusar de algo que eu seria incapaz de fazer. – apontava para si. – Erro foi ele me ameaçar, ele procurou por guerra e encontrou.

- Siga os passos do seu pai.

- Estou seguindo.

- Não. – disse. – Seu pai era um rei sábio, você não está sendo.

- Como ousa falar assim comigo? – gritou, levantando.

O lugar ficou no mais extremo silencio, péssima escolha de palavras, nada mais adiantaria falar com Orion, esse é um lado do rei que ela nunca gostaria de ter visto. De repente, um som estridente veio das portas.

- NÃO, NÃO MORGAN, NÃO. – Cordial entrou na sala gritando, quebrando o silencio.

- Já que gosta tanto de ajudar aos outros, me ajude saindo daqui. – disse Orion apontando para saída.

Cordial observava tudo sem entender nada enquanto Morgan saía da sala correndo.

- Meu rei. – disse o jovem reverenciando-o e saindo em a direção a Morgan.

Morgan saiu de lá decida, Orion poderia não querer lhe dar razão, mas ela arranjaria um jeito de conseguir a atenção de todos, só precisava... De repente, alguém coloca a mão em seu ombro, ela se vira e da de cara com seu amigo, então vira o rosto de novo, não queria encará-lo agora.

- Eu não quero dizer. – disse Cordial tentando assumir uma posição séria, mais não conseguindo. – Mas preciso dizer, eu te avisei.

Morgan nem respondeu a provcação, de repente se lembrou de que precisava encontra Callum.

- Onde está Callum? – de repente Morgan mudou de assunto.

- O que? – perguntou confuso. – Está na biblioteca, por quê? Peraí, não Morgan, você não vai envolver meu irmão nisso, ele tem uma posição privilegiada, mas se se meter nessa confusão, e ficar contra as posições de Orion, nossa família pode perder tudo.

- Cordial, você parece ansioso pela guerra? É isso mesmo? Você não acha certo lutar, lutar para que essas pessoas, inclusive sua família, possam viver em paz, nós sabemos o quanto cabeça dura eles são, precisamos que eles percebam o erro que estão comentendo.

Deixou ele ali e foi em direção a biblioteca. Já que Orion não quis ouvi-la e Tirian não acreditou no que havia dito, iria procurar outras pessoas que eles ouviriam.

Quando chegou ao lugar não demorou muito par encontrar Callum, e como sempre estava com a cara nos livros.

Ela seguiu até a mesa onde ele se encontrava, silenciosamente, ele nem percebeu quando chegou.

- Já percebeu que toda vez que eu encontro você, você esta com um livro nas mãos? — disse Morgan sorrindo.

Sobressaltado ele olhou para cima, abrindo um sorriso gigante.

- Toda vez que você me encontra eu estou trabalhando. Precisamos mudar isso. — disse ele.

- Preciso de sua ajuda. -o sorriso de Morgan murchou um pouco. — Não queria te meter nisso, não quero comprometer seu trabalho. — disse ela desviando o olhar.

- Morgan, senta aqui. Você sabe que pode contar comigo para o que for preciso, eu não sou um guerreiro como meu irmão, mas ajudarei no que for preciso.

Morgan sentiu um grande alivio, Callum era centrado e responsável, sempre tinha um conselho sábio para dar, diferente dela e de Cordial, ele sempre agia com parcimonia, e nunca tomava decisões preciptadas.

- Minutos antes de você chegar aqui, vieram me informar de que você tinha ido ao encontro do rei, sabia que meu irmão não conseguiria demovê-la da ideia de conversar com ele, então como foi?

- Callum, você o conhece melhor do que eu, como voce acha que foi? — disse ela enquanto bisbilhotava no que ele estava trabalhando.

Deu um suspiro profundo e disse: — Imagino que ele não entendeu nenhum dos seus argumentos. Morgan, você melhor do que ninguém para me contar o que esta acontecendo.

Depois disso Morgan contou toda a história para Callum, desde o sumiço do seu pai, até quando soube da nóticia sobre a morte de Alastair, e como foi desgastante tentar convencer Tirian de que, aquela prova, que apontava para Arquelandia, havia sido falsificada, e de que os únicos capazes disso seria os calormanos. Callum ouviu tudo com atenção sem interrompe-la nenhum vez.

Depois de terminar toda a história, Callum ficou pensantivo. E depois do que pareceu uma eternidade disse: — Morgan, como exatamente você pretende resolver toda essa questão.

Então Morgan começou a falar novamente: — É exatamente por isso que estou aqui, preciso encontrar a trompa da rainha Susana, precisamos da ajuda dos Penvisie. Você por um acaso não sabe onde posso encontrá-la.

- O seu plano é só isso? — Disse Callum meio carracundo.

- Você tem outro melhor? — Perguntou Morgan, que não entendeu por que de repente ele ficou estranho.

- Não é isso, Morgan, a última vez que a trompa foi vista, foi antes dos Calormanos atacarem o reino, depois disso ninguém mais soube dela, provavelmente ela esta lá.

Morgan de repente assumiu uma expressão pensativa, que assustou muito Callum. Assim que entendeu o que ela pretendia ele disse:

- Você não esta pensando nisso que eu acho que você esta pensando, não é?

As palavras dele a tiraram dos seus pensamentos. — E o que você esta pensando?

- Que você não seria imprudente de invadir a Calormânia, que ao que tudo indica são responsáveis por toda essa bagunça. — Disse Callum.

- Mas Callum, é nossa única chance. — disse ela com os olhos brilhando de emoção. — Por favor, não me faça tomar decisões em que eu não possa contar com o seu apoio, por favor preciso que você entenda.

Callum não gostou nem um pouco da idéia, ainda mais de que ela pretendia fazer tudo aquilo sozinha.

- Se você vai, eu vou também. — disse ele tomando uma decisão.

- Nâo! Eu preciso que você fique aqui, e tente manter o rei sob controle. — dise Morgan com a voz mais alta.

- E como você acha que eu manterei o rei sob controle? — disse Callum alarmado com o rumo da conversa.

- Callum, eu sou imortal lembra, eu não sou uma simples garota, eu posso dar conta disso. Preciso que você me ajude, por favor. — ela suplicou.

- Está bem, está bem, mais pelo menos vá com Cordial, apesar de tudo ele é um valente guerreiro. — Disse Callum sobre o irmão.

Morgan ficou séria. — Eu não preciso que Cordial vá comigo.

- Ir aonde? – ele chegou de mansinho, e surpreendeu os dois.

- A lugar nenhum – disse ela.

- Irmão, preciso que você acompanhe Morgan, nessa missão suicida que ela esta empreendendo. — disse Callum olhando de relance para Morgan.

- Qual é plano? — disse ele já animado.

- Nenhum. Você não vai. — disse Morgan que já esta se levantando.

- Ir para onde? — ele perguntou intrigado.

Callum contou sobre sua conversa com Morgan, como ela pretendia por um fim nessa briga.

- Então estou indo para Calormânia. – ele falava sorridente. – Nunca pensei que poria meus pés lá.

- Você não vai. — Disse ela.

- Morgan. — Disse Callum, que estava observando o embate entre os dois. — Eu sei que você é uma pessoa muito especial, habilidosa e inteligente, mas não posso aceitar a ideia de te mandar sozinha, nessa busca insana, sem alguém para te apoiar. E já que você não quer, que eu vá, então terá que levá-lo.

- Humpf. Não posso mais confiar nele. Ele ficou contra mim, e não me ajudou a falar com o rei. — Morgan disse com um tom magoado.

- Você acha que eu quero que a guerra acontecendo, quem esta magoado sou eu. Quero que você entenda que eu, apesar do que possa parecer, tenho responsabiliadades, tenho um rei a quem responder, eu teria ajudado, se ele não tivesse falado nada, caramba. — Cordial também estava magoado com a atitude dela.

- Vocês dois parecem duas crianças. Vocês vão juntos, e ponto final. — Callum falou encerrando o assunto.

- Vocês dois vão preparar o que precisam, me encontrem aqui quando já tiveram terminado.

Meio relutante, Morgan saiu da sala ao lado de Cordial, e os dois foram pegar tudo que fosse necessário.

- Por que vamos fazer isso? — perguntou Cordial. — Você não acha muito arriscado?

- Escute, Orion e Tirian não querem dar ouvidos a ninguém, só aos seus egos, então, esta por nossa conta, daremos um fim nessa história de guerra pedindo ajuda aos antigos reis de Narnia. Ela ainda não sabia como faria para chegar até a trompa, ter Cordial ao seu lado até que tinah suas vantangens,primeira; era um excelente arqueiro, segunda; era excelente em fazer planos, terceira; apesar de ser extremamente irritante, sempre estava ao seu lado.

- Podemos dar um jeito nisso. – disse Cordial com as mãos na cintura.

- Sim podemos. – Morgan revirou os olhos lembrando que precisava fazer mais uma coisa antes de deixar Arquelandia, coisa que ela não queria fazer. – Mas antes de irmos, temos que falar com Callum.

Foram ao encontro de Callum, que estava a espera deles, com mais alguns suplementos, e mapas, que auxiliariam em sua jornada. Depois de se despedirem formalmente, Callum puxou Morgan para o lado e disse:

- Acha mesmo que essa é a melhor decisão.

- Sei que você esta preocupado, mas não temos escolha, com o sumiço do meu pai, os únicos capazes de desfazer isso são eles.

De repente, Callum puxou ela, e deu um forte abraço, a deixando completamente surpresa.

- Tome cuidado.

Ele a soltou, ela ficou completamente vermelha e sem fala, murmurou um "pode deixar comigo" e se voltou para Cordial, que estava com um sorriso muito engraçado.

E então os dois partiram.

E lá estavam no final da floresta, a sua frente, o grande deserto que dividia Arquelândia e Calormânia.

- É melhor cruzarmos o deserto a noite, estamos cansados e precisamos dormir um pouco.

- Por que estamos sussurrando?” perguntou Cordial.

- Não sei. – disse ela o olhando seriamente.

- Você tem razão. – disse ele olhando para o imenso deserto. – Que Aslam nos proteja.

Notas finais
Gostaram do Callum e do Cordial?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.