The Chosen One
1 Uma Fúria no banheiro
- Capítulo um –
POV Alethia
Desde o show de talentos da escola, onde o Justin me pediu em namoro se passaram um ano.
Nós estávamos melhor que nunca. Juntos, inseparáveis. Minha mãe e minha tia nos achavam o casal mais lindo que elas já viram e, sempre que podia, tiravam fotos nossas e colocavam no novo mural da sala da tia Angie. Meu pai parou de atormentar o Justin depois de duas semanas ou pouco mais, meu tio só nos dizia que não queria netos tão cedo e que era bom ver que nós realmente nos amávamos. A Bonnie continuou na escola, cursou o terceiro grau conosco, mas nem sequer nos dirigiu a palavra o ano inteiro. Melhor dizendo, ela não dirigiu a palavra a ninguém. Era estranho ver o quanto ela mudou, não se arrumava, maquiagem era pouca, tinha dias que ia pra escola de cara lavada, suas roupas largas e sempre básicas, nem seus cabelos brilhavam mais. Em vários momentos ao longo do ano escolar eu vi dor nos olhos dela, me perguntei se aquilo tudo era porque eu e Justin estávamos juntos. Foram raras as vezes que nossos olhos se encontraram, mas aconteceram e ela sempre desviava rapidamente. Os garotos que sempre mexeram com ela, passaram a importuná-la e por várias vezes eu pedi que parassem. Se fosse mesmo por Justin, eu sabia a dor dela, eu não posso dizer que não sentia pena dela. Justin nem seque se importava quando eu a mencionava. Justin. Ele era capitão do time de futebol agora, ganhou o campeonato estadual contra outras sete escolas. Eu estive lá como líder de torcida em todos os jogos e ele disse que só marcava gols porque eu estava ali. Ele se tornara sério, não muito... Decidiu que faria faculdade no próximo semestre e eu estava feliz por ele. Só não digeri ainda a idéia de ter que não poderei vê-lo todos os dias.
Hoje era o último dia de aula. Último dia da nossa vida escolar. Eu já estava acordada há pelo menos uma hora olhando Justin adormecido ao meu lado. Não era sempre, mas ele dormia na minha casa. Nem todas essas vezes nós transavamos, ainda gostávamos de compartilhar pipoca e assistir filmes até altas horas.
Certo que eu já havia combinado de continuar vendo todas as minhas amigas depois que a escola acabasse, mas isso não impediu de acordar triste. Afinal, a maior parte da sua vida você passa na escola, querendo ou não.
Tomei um banho quente antes de acordar Justin.
Quando descemos pra tomar café-da-manhã, encontramos meus pais saindo às pressas.
- Aonde vocês vão? – Perguntei enquanto meu pai pregava um beijo em minha testa.
- Olimpo. – Minha mãe murmurou repetindo o gesto do meu pai em mim e em Justin.
— Tomara que esteja tudo bem. – Eu murmurei enquanto me sentava à mesa.
- Está sim. – Justin disse se sentando ao meu lado.
Ele me serviu de suco de laranja e me olhou com um sorriso discreto nos lábios.
- Que foi? – Perguntei deixando de levar o copo à boca.
- Como você pode ser tão perfeita? – Ele murmurou.
Eu senti minhas bochechas queimarem um pouco. Não que eu já não tivesse acostumada, mas eu nunca sabia quando ele faria esse tipo de pergunta. Ele era bem inconstante nesse quesito.
- Eu rebato essa pergunta pra você. – Eu disse.
E nós trocamos um beijo calmo com direito a mordidinhas.
Quando chegamos à escola, o estacionamento estava cheio, carros com o porta- malas aberto pro som do carro ser ampliado, várias músicas diferentes, conversas altas. Até quem não era do 3º grau estava ali se despedindo.
Justin, que não tinha perdido nem uma partícula do seu humor, ligou o rádio no mais alto possível, a música era “Off The Wall” do Michael Jackson.
- …So tonight gotta leave that nine to five upon the shelf and just enjoy yourself.
Groove, let the madness in the music get to you, life ain\'t so bad at all if you live it off the wal. – Ele cantou arriscando alguns passos como os do cantor.
Eu não era a única a rir histericamente quando Peter e Dean se juntaram ao meu namorado na coreografia, divertindo a todos ali.
Kimberly e Diana se postaram ao meu lado, elas riam tanto quanto eu, e eu podia ver que Kimberly só tinha olhos pro namorado, sempre fora assim desde o começo de seu relacionamento com Peter. Diana dizia que eles conseguiam ser mais melosos que eu e Justin.
O sinal tocou pouco antes de a música acabar, a confusão pra entrar na escola foi pouca. Aos alunos do 3º grau foi pedido que se dirigissem ao refeitório onde tinha uma pequena comemoração pra nós.
Justin, apesar de estar segurando minha mão, dançava ao som de “Set it on Fire” da Leighton Meester que tocava no celular do Dean, que nós sabíamos que começara a nutrir uma paixão doentia pela atriz depois de assistir “Gossip Girl” comigo mês passado.
O refeitório não estava preparado pra uma festa, apenas as caixas se som haviam sido ligadas.
Em torno de meia hora depois, eu decidi ir ao banheiro pra ver o estado em que se encontrava meu cabelo. Eu não era a única a ter tudo aquela idéia.
- Oi Bonnie. – Eu disse timidamente.
- Oi. – Ela murmurou abaixando a cabeça e guardando o gloss no bolso da jeans.
Ela estava prestes a sair do banheiro quando eu segurei seu braço.
- Que aconteceu com você? – Eu perguntei.
- Porque isso te interessa?
- Eu notei a diferença em você.
- Provavelmente foi a única no mundo.
Eu soltei o braço dela e ela me olhou.
- Não é fácil saber que eu estava no topo do mundo e agora estou no fundo do poço. Eu fui a única a nadar contra a corrente e paguei caro por isso. Não perdi tudo o que eu sempre quis como perdi o Justin. Pros outros parece que você e ele é a coisa mais certa do mundo, mas não é. Particularmente eu não acho. Te acho mimada, fresca e egoísta. Você teve e ia ter ele pra você o resto da sua vida, porque sabe, ele nunca parou de pensar em você. Não foram raras as vezes que ele te chamou enquanto dormia nos meus braços. Você sempre esteve e sempre iria estar com ele. E eu? Eu virei migalhas, o resto. Ele nem deve se lembrar ou se importar comigo, mas eu penso nele sempre. Minha única razão pra ser feliz você tirou. Você se fez de vítima, de injustiçada,mas você não era... Se você pelo menos tivesse ouvido o que ele tinha pra te dizer, eu estaria com ele agora, vocês estariam bem, seriam só primos, como deveria ser e nós, provavelmente seríamos amigas, as rainhas desse lugar. Você não é a heroína, Alethia. Você nunca foi.
Sem sequer olhar pra trás, ela deixou o banheiro. Eu me sentia confusa, não sabia que tinha feito tão mal a ela, não imaginava que tamanho era o rancor dela sobre mim. Afrodite me disse que ela estaria apaixonada pelo Miguel...
Eu saí do banheiro e a encontrei na mesa mais afastada, me sentei ao seu lado atraindo alguns olhares.
- Mas e o Miguel?
- Quem te contou?
- Afrodite.
- Não que seja da sua conta, mas nós terminamos. Quer dizer, nem começamos. Ele tentou me matar no primeiro encontro aí eu caí fora.
- Sinto muito.
- Não sinta. Não preciso da sua pena.
Bonnie saiu da mesa e do refeitório me deixando no fundo, com um forte sentimento de culpa.
Passei as mãos pelos cabelos e senti que havia deixado minha presilha no banheiro, voltei pra buscar e de novo, não era a única no banheiro. Era uma garota de cabelos e olhos negros, pele muito alva, roupas de gótica. Nunca a tinha visto na escola,apensar dela aparentar minha idade.
-Oi. – eu disse.
A garota sorriu e passou por mim e trancou a porta do banheiro. Aquela atitude me fez franzir o cenho.
- E aí Alethia, como foi sua vida até agora?
Eu olhei confusa pra garota enquanto ela se aproximava de mim.
- Foi boa...
- Que bom, porque ela está no fim.
- Quê? – eu guinchei enquanto ela deu mais um passo pra perto.
- Você será a que foi deixada pra trás. Isso se sua jornada começar.
A garota colocou seu braço na parede atrás de mime por um momento, eu pude jurar que ela iria me beijar, mas ela não o fez. No momento seguinte, pra minha total surpresa, sua pele já não era translúcida, era cinza e de aspecto quebradiço, ela tinha asas de morcego e cabelos de serpente.
Tentei gritar quando vi uma Fúria à minha frente, mas som nenhum saiu da minha garganta. O desespero me tomou e eu cheguei a pensar “pronto, já posso acordar agora”, mas aquilo não era um sonho. Meu coração batia tão rápido que eu cheguei a pensar que ele parara.
Foi quando o hálito quente e fétido do bicho me alcançou que eu conseguir voltar a pensar.
“Por favor. Que alguém ou alguma coisa tire isso de perto de mim!” – Eu pedi mentalmente fechando meus olhos.
Foi aí que eu ouvi uma explosão e pude sentir o jato forte e contínuo de água vir de encontro ao meu rosto. Ouvi o grito fundo e cortante da Fúria, ouvi um vidro quebrar e depois o silêncio. Achei que era seguro abrir meus olhos. O banheiro estava inundado e destruído, o vidro da janela já não estava mais lá e apesar de tudo, eu continuava seca, a não ser por minha testa molhada de suor.
Do lado de fora, pessoas começaram a me chamar, mas eu não saí do banheiro, ainda não conseguia acreditar no que eu tinha visto, eu tremia mais que nunca e meu coração fazia tanto barulho que eu não conseguia pensar.
Ouvi alguém forçando a porta, me escondi atrás da porta aberta do último Box.
- A janela foi quebrada! – Alguém gritou. – Ela pulou!
- Não! Alethia! – O grito de Justin foi superior ao dos outros e logo eu podia ouvir pessoas correndo escada abaixo atrás do meu suposto corpo.
Eu saí do banheiro e encontrei um Justin assustado na porta do refeitório.
Ele gritou meu nome e veio ao meu encontro.
- Alethia, que aconteceu? Você está queimando!
- Uma Fúria... Uma Fúria... No banheiro!
- Quê? Fúria?
- É aquele bicho tentou me matar Justin!
Justin me abraçou e me carregou até o carro dele, murmurando pra mim ficar calma.
- Calma como? Eu devo estar parecendo uma maluca dizendo que eu vi uma coisa nós supostamente não deveríamos ver! MAS EU VI!
- Tá, calma. Vamos voltar pra casa aí você conta tudo isso pros seus pais.
- Você está achando que eu sou louca? – eu perguntei chorosa.
- Não! Claro que não! É só que você está queimando de febre e...
- E você acha que estou tendo alucinações não é?
- Bem... É.
- Viu? Você acha que eu to ficando louca!
- Le-lê, calma. Tá tudo bem. E você não está ficando louca.
Durante o caminho pra minha casa, nós não trocamos uma palavra. O único som eram dos meus soluços incansáveis.
Não tinha ninguém em casa. Justin me levou pro quarto e me deixou voltar a chorar em seu ombro.
Notas finais
Desenhos são da Burge-bug's
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