The Chosen One

2 À flor da pele


Notas iniciais
Desculpem pela demora, desculpem mesmo. Problemas e mais problemas "/

POV Justin

No começo da noite, eu deixei Alethia dormindo em seu quarto, ela ainda queimava de febre e vez ou outra mencionava a tal fúria em seu sonho.

Meus tios chegaram a casa no começo da noite e não se surpreenderam ao me ver sentado no sofá.

- Oi Justin, cadê a Alethia? – Minha tia perguntou sorrindo pra mim.

No final das contas, eu fiquei com a função de contar sobre a tal fúria.

- Uma fúria? – Tio Percy repetiu pela terceira vez totalmente incrédulo.

- Sim. – Eu afirmei pela terceira vez – Eu disse que ela deveria estar imaginando, mas ela jura que é verdade e que a coisa queria Matá-la.

- Mas vocês são só humanos e nenhum de vocês nunca deus sinais que pudesse ver através da névoa. – Tia Annabeth comentou. – Vou ver como ela está.

Então minha tia deixou a sala rapidamente, subindo as escadas de dois em dois degraus. Me despedi do meu tio, mas não voltei pra casa.

Tinha uma coisa, em tudo o que havia acontecido na escola, que me deixara internamente realmente intrigado: Quem pulara a janela? Porque nenhum corpo foi encontrado, nem pessoas acidentadas. Pelo menos era o que Peter havia me dito.

Não pude ficar muito tempo na escola, pois o zelador logo me mandou ir embora, rabugento como sempre.

Eu voltei pra casa devagar. Não foi pro querer, mas eu me deixei pensar em tudo aquilo e mesmo depois de horas, quando eu já estava em minha cama, não consegui achar uma resposta plausível para a situação.

Resolvi deixar de lado e tentar dormir, teria treino pesado de futebol pela manhã e precisava estar bem.

Na manhã seguinte, pensei em passar na casa da Alethia para levá-la para passear, mas La já não estava em casa.

POV Alethia

Aquela manhã eu acordei com um calafrio forte que fez meu corpo todo estremecer. Eu tive consciência que durante todo o meu sonho eu revivi a cena com a fúria. Foi um acontecido extremamente rápido, mas ainda assim me assustou bastante.

Logo que levantei da cama meu celular tocou, era Kimberly:

- Ale, eu gostaria que você viesse fazer o breakfast aqui em casa hoje. Tenho uma coisa pra contar pra você e para as meninas! – A voz da Kimmy transbordava euforia e alegria.

- Que aconteceu Kimmy?

- Vem.

- Ok.

Enquanto eu tomava banho, me perguntei o que teria acontecido a Kimmy. Provavelmente algo relacionado ao Peter.

Eles estavam juntos há tanto tempo quanto eu e Justin. Eles ficavam lindos juntos, a felicidade deles era totalmente visível, era incrível. Incrível porque logo no começo do namoro, Kimmy me confessou que não amava Peter, só era bom ficar com ele, mas há poucas semanas ela me disse que estava totalmente apaixonada por ele, que o amava verdadeiramente porque eles haviam construído aquele amor.

“É legal ver que se pode construir o amor e não apenas esperar que ele nasça dentro de você.” Foram as palavras dela.

Em meia hora eu estava me esgueirando silenciosamente pra fora de casa, eu ouvi meus pais na cozinha e pegando um fragmento da conversa, eu os ouvi comentando sobre a fúria. Justin provavelmente contou pra eles. Respirei fundo e quando já estava pronta para fechar a porta à minhas costas eu gritei:

- Bom dia mãe, bom dia pai. Vou tomar café na Kimmy, depois eu volto!

Bati a porta e corri em direção ao meu novo carro, um Kia Cerato vermelho, pois como eu imaginava, meu pai correu atrás de mim. Sorri inocentemente enquanto tirava o carro da garagem e depois sequer olhei o retrovisor.

Quando eu cheguei à casa da Kimberly, Diana, Carlie, Stephane, Jeniffer, Hayley, Lauren, Micaelly e Nichole já estavam lá, todas sentadas em uma mesa no jardim. Elas tentavam arrancar alguma coisa de Kimberly, mas ela tinha um sorriso travesso nos lábios enquanto negava alguma coisa com acenos de cabeça.

-Qual o motivo da reunião tão cedo, Kimberly Alexandra Devonne? – Eu perguntei me juntando à elas na única cadeira vazia à mesa.

- Finalmente ela vai abrir a boca! – Nichole disse animada.

Todas nós rimos.

- Sobre o que é a novidade? – Diana questionou encarando Kimberly, a curiosidade queimando em seus olhos.

Eu sorri.

Kimberly respirou fundo e eu senti o nervosismo que emanava dela.

- Bom, é sobre mim e o Peter...

- Quem não sabia disso, Kimmy? – Carlie comentou.

Nós voltamos a rir.

- Deixa eu adivinhar: Ele vai te levar pra fazer compras em Paris no próximo fim de semana? – Stephane disse imitando um sotaque francês.

Kimberly riu.

- Bom, nós teremos que fazer bastante compras a partir de agora, mas...

- Bastante compras porque? – Hayley interrompeu.

- É... – Kimberly tentou continuar e eu vi Lauren abrir a boca para interrompê-la.

- Hey! – eu disse levantando um pouco a voz. – Deixem a Kimmy terminar de falar, eu estou realmente curiosa pra saber do que se trata!

Todas riram novamente.

- Ok. – Kimberly inspirou e expirou algumas vezes. Enquanto ela fazia isso, eu me servi do suco de laranja que estava em cima da mesa e tinha acabado de levar ocopo à boca quando Kimberly voltou a falar – Eu estou grávida.

Tamanha foi minha surpresa que eu cuspi o suco no gramado.

Eu vi todas as outras se levantarem aos gritos e abraçarem Kimberly, era impossível distinguir todas aquelas vozes gritando. Eu me mantive sentada, respirando superficialmente enquanto procurava os olhos de Kimberly no meio das meninas.

Não sei exatamente porque fiquei tão estarrecida.

Na verdade eu sei. Nunca esperei que Kimberly pudesse ficar grávida aos 17 anos, nunca imaginei que ela e Peter poderiam ser tão descuidados assim. Não deixava de ser uma coisa completamente maravilhosa e fantástica, mas caramba, ainda era chocante pra mim.

Quando fiquei consciente da minha boca entreaberta, eu a fechei e expirei.

Há alguns meses atrás, Kimberly e eu tivemos uma conversa sobre gravidez na adolescência porque de todas as Cheerleaders, nós éramos as únicas que namoravam e na nossa visão, éramos as únicas que corriam mais riscos de engravidar, ainda mais porque eu sabia que ela já havia transando com o Peter sem camisinha diversas vezes e eu já tinha feito o mesmo com Justin, incontáveis vezes também.

Não que eu achasse que só porque estávamos namorando que aquilo era certo, muito pelo contrário, depois daquele meu primeiro susto, eu só fiquei com mais peso na consciência.

- Alethia? – Diana chamou, tirando-me do meu transe.

- Hm?

- Você ouviu o que a Kimmy disse? – Stephane perguntou.

Todos os olhares estavam voltados pra mim agora.

Eu pisquei algumas vezes e sorri.

- Ouvi sim! Wow, parabéns Kimmy. – Eu disse a puxando pra um abraço.

- Obrigada. – ela sussurrou em meu ouvido.

As conversas que se iniciaram a seguir não me interessaram tanto. Eu estava longe dali. Anos à frente. Imaginando Kimberly com a criança nos braços nos dizendo que não poderia sair conosco porque tinha que cuidar do filho e da casa para quando Peter chegasse. Logo a visão mudou e agora era eu com uma criança nos braços. Eu podia ver os olhos de Justin no bebê, exceto pela inocência eles eram exatamente como os de Justin bem como os cabelos escuros naquele.Meu coração acelerou e eu me obriguei a sair daquela cena.

- Kimmy o que vocês vão fazer agora? – Eu perguntei interrompendo a conversa sobre os nomes do bebê.

- Como assim?

- O que vocês vão fazer pra sustentar o bebê, vão morar juntos, o que?

- Nós vamos nos casar.

- O quê? – Todas nós fizemos juntas.

- Nós conversamos a noite toda – Ela disse indicando as olheiras – e chegamos à conclusão de que é o melhor.

- Você não acha muito cedo pra casar Kimmy? – Diana perguntou preocupada.

As outras meninas concordaram, todas com expressões assustadas.

- Realmente eu não entendo vocês. – Eu disse. – Ela diz que está grávida e vocês pulam em cima dela rindo e gritando como se fosse totalmente natural ela engravidar aos 17 anos. Agora quando ela diz que vai casar vocês ficam com essas caras aterrorizadas? Caramba, o que é casar quando se tem um filho vindo? Quando ela não quiser mais ficar casada, ela separa e tudo bem, mas e o filho? Quando ela estiver cansada, ela vai matar o filho dela e resolvido?

- Alethia o que você tem? – Hayley perguntou como se questionasse minha sanidade.

- O que eu tenho? A Kimmy está grávida é isso o que eu tenho! – Todas elas olharam aterrorizadas pra mim e eu vi a Kimmy se encolher ligeiramente na cadeira. Eu me levantei. – Melhor eu ir embora, felicidades no casamento e parabéns pelo bebê Kimmy.

Eu disse e dei as costas.

- Ale – Kimmy disse pegando minha mão – Não vai. Eu realmente agradeço sua preocupação comigo, sei que você só quer meu bem e eu lembro de toda a nossa conversa, mas eu já decidi: eu quero isso. Eu vou ficar bem.

- Realmente espero que você fique. Eu sempre vou estar com você, pro que você precisar.

Sem dizer mais nada, Kimberly me abraçou e depois me deixou ir.

Já dentro do meu carro, perguntei-me novamente porque eu havia ficado tão irritada daquele jeito e quando eu abaixei minha cabeça para prender o cinto de segurança, mais uma vez a imagem daquele lindo bebê em meus braços encheu minha cabeça.

Dessa vez eu não sacudi minha cabeça para afastá-lo de meus pensamentos, eu o olhei e vi muito mais do que os olhos de Justin.

E como se uma vida inteira tivesse sido implantada em minha memória, eu vi, de algum outro ponto de vista e com uma velocidade tremenda, os primeiros meses de gravidez, me vi fechando a porta para minhas amigas, meu casamento com Justin, o parto, os dias que seguiram até finalmente estar ali com aquele bebê nos braços.

Um calafrio especialmente forte me tirou do meu transe.

Aquele não era o meu destino, era o de Kimberly e mesmo assim, me doeu. Não sei explicar exatamente o que machucou, mas sim, machucou e eu não pude conter aquela lágrima.