The Captain and The Petal.

38 Thirty-sixth Chapter. - The young centenary.


Notas iniciais
Ois! Esse é possivelmente um capítulo meio confuso, porque temos dois POV's diferentes, mas eu espero ter conseguido separá-los direitinho. Agora vamos à surpresa de aniversário do nosso vovô favorito! Boa leitura!

O jovem centenário.

Foram as forças desconhecidas do universo, que a fizeram acordar antes do Sr. Eu Sou Madrugador. Isso é algo extremamente raro de se acontecer. Talvez tenha sido a sua animação para o dia de hoje. Ela estava com um comichão para que os dois chegassem logo à cabana, mas para tudo tinha seu tempo.

Lynna sequer tomou banho, apenas correu para a cozinha. Ninguém havia acordado ainda e ela não parou para ver que horas eram, apenas fez tudo o que tinha que fazer e correu de volta para o quarto, encontrando o loiro centenário com a boca aberta, babando em seu travesseiro.

Ela sorriu amavelmente, aproximando-se da cama, escondendo os objetos do seu lado, para depois se jogar nos lençóis, caindo em cima do torso de Steve, que fez um som abafado, tentando recuperar o fôlego. Ele abriu os olhos um segundo depois.

— Oi. — disse com a voz ainda embargada de sono.

— Oi, querido. — ela o saudou suavemente, esticando sua mão para acariciar seu rosto. — Dormiu bem?

Ele bufou uma risada.

— Até a senhorita me acordar com um ataque do coração? Sim. — sussurrou, brincando.

Ela fez uma careta para ele, enfiando o nariz em seu pescoço quentinho.

— Feliz aniversário. — murmurou dando leves beijinhos contra sua pele. — Não é todo dia que um mocinho faz cem anos. — ela balançou as sobrancelhas para ele, vendo-o franzir o nariz e rir baixinho.

— Eu sabia que isso voltaria para morder a minha bunda. — murmurou de volta, sentando-se encostado na cabeceira. — O que temos para hoje?

Lynna também sentou-se, jogando os cabelos para trás das costas.

— Bem, eu tenho muitas coisas planejadas para nós hoje. Coisas que não envolvem apenas honrar a bandeira. — mais uma vez ela balançou as sobrancelhas sugestivamente para o loiro. — Que tal começarmos pelas mais fáceis? Eu planejei um café da manhã especial para nós. Podemos nos divertir antes do time acordar... — sorriu mansamente por fim, acariciando a pele de seu braço.

— Acho que gosto disso. — ele sussurrou, levantando sua mão para traçar os padrões da manga de seu pijama fofo. — De fazer coisas que não envolvem honrar o manto com você. É bem mais divertido.

Um sorriso triunfante se apossou de suas feições, dando-lhe um olhar provavelmente assustador.

— Sim! — a ruiva gritou, pulando da cama, apertando a tela para pausar a gravação. — Eu disse que ficaria milionária! — mostrou-lhe o dispositivo, fazendo-o arregalar os olhos.

— Você não fez isso! — pediu, arrastando-se para a beira da cama.

Ela arqueou a sobrancelha, apertando o play, então a voz dele preencheu o ambiente.

“Acho que gosto disso. De fazer coisas que não envolvem honrar o manto com você. É bem mais divertido”.

Ele pulou da cama, alcançando-a, fazendo-a soltar um gritinho quando suas mãos envolveram sua cintura, tentando capturar o celular.

— Apague isso! — seu tom era totalmente de brincadeira. — O que as mídias pensarão de mim, se ouvirem isso?!

— O quê, eu não sei. A única coisa que sei é que serei milionária vendendo as suas intimidades. — piscou para o loiro, então, deslizou a mão para trás, pegando um pouco do glacê gelado com a ponta do dedo, para depois sujar seu nariz numa mistura borrada de vermelho e branco.

— Ei! — ele protestou, afastando-se de si, facilitando-a esconder seu celular no meio das almofadas da poltrona.

Ela riu.

Droga.

Mesmo com o nariz sujo, os cabelos bagunçados, a cara amassada e os olhos remelados, Steve ainda conseguia parecer com uma pintura.

— Vamos, meu boy idoso, faça seu pedido. — ela aproximou-se dele, com uma torta de chocolate com cobertura no formato de seu escudo. Havia uma vela com o número 100 acesa, bem no meio.

— Eu não quero nem imaginar como você conseguiu comprar uma dessas. — apontou para a vela.

Lynna jogou a cabeça para trás, lembrando-se da aventura que tinha sido.

— A moça da loja pensou que eu estava comprando coisas para o meu avô. — disse vendo o rosto dele ficar sério, como se ele tivesse ficado ofendido, mas logo ele sorriu, arqueando a sobrancelha.

— Como assim? Nenhuma garota tem um namorado com cem anos?

Ela gargalhou.

— Bem, nem todas têm a chance de conhecer um centenário tão sexy quanto você, querido. — piscou. — Agora, faça um pedido, antes que caia cera no seu bolo.

*

Desde pequeno, Steve sempre se sentiu nervoso sobre seu aniversário.

Ele sempre fora uma criança doente, os médicos sempre desacreditavam sua mãe sobre o quão longe ele chegaria. Cada 4 de julho para ele era mais como uma contagem regressiva, do que a celebração de sua vida.

Mesmo depois do soro, com toda essa coisa de Capitão América, ele ainda não se sentia confortável com a algazarra em cima dele. Porque naquela época, durante a sua turnê como a estrela do governo, parecia que todos queriam um pedaço dele, queriam que ele fosse alguém que ele não era e isso era ruim. Muito ruim. Ele nunca havia se sentido tão perdido em toda sua vida.

Até finalmente ele reencontrou seu amigo, e começou a verdadeiramente fazer algo pela guerra. E seu aniversário passou a fazer mais sentido para ele, pareceu um pouco mais com uma celebração.

Então Bucky caiu do trem, e ele caiu no gelo.

Após ser descongelado, Steve imaginou que jamais poderia sentir algo relacionado à felicidade outra vez. Ele havia perdido literalmente tudo.

Seus amigos do Comando Selvagem estavam mortos, Peggy já não lembrava mais dele, a guerra havia acabado, não havia mais nada para ele lutar por. Ele estava sozinho no mundo.

Até que Loki, e sua insana vontade de dominar a Terra, o colocou no radar de Fury outra vez, e logo vieram os Vingadores. Então ele teve a chance de ter outras pessoas para chamar de família. Uma família bem complexa, ele deveria dizer. O começo da amizade deles não foi algo muito glorioso. Eles eram todos divergentes, mas de alguma forma, conseguiram encontrar sua harmonia.

Contudo, ele ainda não parecia feliz. Seu coração ainda não havia encontrado o sossego para a sua angústia.

Foi quando ela apareceu.

Ele jamais havia imaginado que poderia gostar romanticamente de outra pessoa além de Peggy.

Quão redondamente enganado ele estava...

Na noite em que Nat ofegantemente os contou sobre uma amiga sua, que havia treinado consigo na Sala Vermelha, e que precisava de asilo porque a Hydra queria usá-la para fins nefastos, ele jamais imaginaria que a Viúva Negra lhe apresentaria o amor de sua vida.

Ele levou muito tempo e muita teimosia para entender que o puxão no umbigo que sentiu quando suas mãos se tocaram naquele dia foi o que instalou a conexão entre eles.

Se fechasse os olhos, o loiro podia lembrar exatamente o que sentiu quando a viu pela primeira vez.

Ele ouviu o som de um coração disparado, antes mesmo que as portas do elevador se abrissem.

O loiro estava sentado no sofá, inicialmente observando Tony andar para lá e para cá com uma caneca fumegante de café, aguardando a chegada das duas agentes soviéticas.

Pelo que sabia do amigo, ele estava se coçando para saber como a garota se parecia.

A parceira do Soldado Invernal. Isso teve um peso entre eles.

Ele deveria admitir que também estava curioso para conhecer a dama.

Pelo que Natasha disse, ela sofrera muito nas mãos da Hydra, e que ela não era nada parecida com o que eles sabiam sobre a temida Pétala Amaldiçoada.

Ela fora sequestrada quando era apenas uma criança, teve sua infância roubada e fora transformada numa assassina fria. Ele não conseguiria mensurar o quão forte achava ela deveria ser, por ter passado por tudo isso e ainda estar viva. Talvez se isso tivesse acontecido com ele, ele não seria capaz de continuar.

O elevador fez seu barulho típico de quando as portas de metal começa a deslizar para abrir.

— Bom dia, garotos. — a voz de Nat o fez levantar a cabeça, apenas para engasgar (graças a Deus) sutilmente, quando seus olhos se voltaram diretamente para a mulher ao seu lado.

Ela era mais alta que Natasha, mesmo que ambas estivessem usando saltos. Seus cabelos eram tão longos, que roçavam o osso do quadril. Era uma bela cascata de fogo, que a envolvia como uma cortina, de aparência muito sedosa, contrastando com sua pele pálida e cremosa, mas em sintonia perfeita com seus olhos castanhos, que pareciam estar queimando lentamente.

Espera...

De onde saiu isso?

Porque seu coração, de repente, havia começado a bater mais forte contra seu peito?

— Bom dia, Romanoff. — Tony a saudou. Da posição em que estava, Steve viu o amigo inspecionar a ruiva mais alta, e isso a deixou incomodada. Ele podia ver pela forma com que os olhos dela varreram a figura do Homem de Ferro. — Vejo que trouxe visitas.

O loiro ouviu-a soltar um ofego sutil, enquanto mudava sua posição. Fora um movimento milimétrico, que seus olhos bem treinados de soldado captaram.

— Esta é Lyanna Angianova. — Natasha finalmente trouxe a sua atenção para ela, que era para ter sido seu movimento inicial. Ele não queria intimidar a convidada. — Ela é uma... amiga minha. A garota de quem eu falei. — a garota estava visivelmente desconfortável. Parecia que ela queria estar em qualquer lugar, menos ali. — Ela precisa de abrigo e a Torre é o lugar mais seguro para ela.

Ele não sabia dizer, mas uma necessidade estranha de proteger a moça se apossou de si. Uma intuição muito persistente.

Então, Tony aconteceu.

— Você é a tal Pétala Amaldiçoada? — sinceramente, Steve sentiu vontade de se afundar num buraco ao ouvir o que o amigo disse à senhorita. Estava CLARO que ela estava desconfortável por ser quem ela era, e ela estava insegura que eles iriam mandá-la embora na primeira oportunidade.

Ele nunca quis tanto socar Tony como agora.

A moça arregalou os belos olhos. Ele ouviu o ruído alto que o coração dela fez e aquilo o deixou aflito.

— Tony! — finalmente ele havia encontrado sua voz para repreender a insanidade de Stark. — Isso não é jeito de tratar as visitas! — ele achou que não teria pernas para poder chegar até onde a senhorita Angianova estava. De verdade. Suas pernas pareciam gelatina. Isso não poderia ser normal. — Sinto muito, senhorita. Ele às vezes não tem filtro. Sou Steve Rogers. Seja bem-vinda a Torre dos Vingadores.

Ele esperava que seu pedido de desculpas fosse convincente o suficiente. Que ela não correndo saísse dali por causa disso.

Ela o encarou com os olhos semicerrados, inclinando sutilmente a cabeça para o lado.

Ele esperava que ela não o tomasse como inimigo.

A Hydra alterou sua mente e ele era um inimigo importante para eles.

Ele realmente esperava que os dois não tivessem animosidades.

Estendeu-lhe a mão, num ato cordial. Isso fez com que a moça o encarasse com os olhos mais suaves. – pelo menos isso, pensou.

Ela era tão bonita. Ele podia ver isso de perto. As sutis sardas alaranjadas levemente espalhadas por seu rosto lhe davam um olhar tão angelical...

Então suas peles se tocaram. Ele sentiu como se não soubesse mais como respirar. Tudo o que podia sentir era o cheiro de frutas vermelhas misturado com flor de cerejeira, e aquilo o atingiu de várias maneiras diferentes.

O loiro esperava que apenas ele tivesse ouvido o guincho que ela soltou ao tocá-lo. Ele sabia que se lembraria daquele som para sempre. Foi como se isso tivesse feito seu mundo ficar ainda mais colorido que antes, como se o filtro de sujeira tivesse embaçado sua vida seus noventa e seis anos inteiros tivesse sido finalmente removido.

De verdade, Steve implorava ao universo que seu aperto de mão não tivesse durado muito tempo. Caso contrário, ele seria muito castigado pela língua aguçada de seus amigos.

— Obrigada, senhor. — sua voz era tão melodiosa, tão bela. Ela possuía um sotaque russo forte, mas fazia a língua ríspida parecer uma canção quando falava.

Eles soltaram suas mãos.

— Desculpe-me os modos. — a voz de Tony o trouxe de volta à realidade. — Seja bem-vinda, senhorita Angianova.

Seu rosto pálido ficou graciosamente avermelhado quando ela tirou os olhos de si para encarar o moreno. Ele podia sentir seu coração disparado ecoando em seus ouvidos. Seu fluxo sanguíneo estava à mil. Ele talvez não conseguisse formular nenhuma frase agora.

— Obrigada, senhor Stark. — com certeza deveria haver uma razão lógica para ele estar tão hipnotizado por sua voz, não havia?

Quando Nat passou a apresentar o time, tudo o que ele podia fazer era se concentrar em não encarar a moça e deixá-la ainda mais desconfortável do que ela já estava.

— Lynna ficará conosco por algum tempo. — ele parecia estar bem distraído em seus pensamentos, pois estremeceu de susto quando a Viúva voltou a falar. — Agora, se não se importam, eu vou mostrá-la o seu quarto.

Ele só foi notar que estava olhando fixamente para o mesmo ponto, quando Tony pigarreou.

— Então... — sua fala era muito afetada, e ele quis enterrar sua cabeça num buraco ao ouvir isso. — Parece que nossa convidada mexeu nas estruturas do nosso Capicolé, não é mesmo?

A sala de estar explodiu em gargalhadas, então Thor soltou a pérola.

— É. Irmão Steven parece demonstrar desejo carnal por ela.

Bem, depois disso, ele realmente queria ser engolido pelo chão.

Ele gargalhou sozinho no banheiro, enquanto terminava de se arrumar para o dia, que tinha cara de ser cheio.

Pela primeira vez, Steve não sabia o que esperar sobre sua rotina. Ele estava tentando se permitir relaxar e deixar o seu dia nas mãos fabulosas de sua namorada, que lhe assegurou que iria tinha várias coisas preparadas para ele hoje.

E por falar nela...

— Posso saber do que você está rindo? — sua Anna colocou a cabeça para dentro do banheiro. Ela tinha sua sobrancelha arqueada e seus belos lábios retorcidos para o lado direito, acompanhando o movimento de sua têmpora.

Ele respirou fundo, sentindo suas bochechas esquentarem, enquanto pensava numa forma menos constrangedora de lhe dar essa resposta.

Bufou quando se deu conta de que não havia como não ser constrangedor.

— Estava me lembrando do dia em que nos conhecemos. — ele começou num murmúrio, mas sabia que ela estaria ouvindo por conta do eco do banheiro. — Eu não parava de olhar para você e os garotos perceberam isso. Eles tiraram o meu couro.

Ela riu baixinho e corou também. Ela era tão linda quando corava.

— Eu posso dizer o mesmo. — assegurou. — E Nat percebeu isso. — ela suspirou, olhando para o teto, como se estivesse se lembrando disso agora mesmo. Seu quadril fora encostado na moldura da porta, fazendo-o ter o vislumbre de sua renda vermelha, causando um calor intencional em seu corpo. — Oh meu Deus! Ela me irritou tanto com isso!

Ele riu.

— Isso é porque você não viu a vergonha que Tony e seu primo me fizeram passar. — resmungou sombriamente.

— E o que eles fizeram? — ela foi se aproximando dele, com aqueles movimentos que ele sabia que não havia saída para a sua alma.

— Você realmente quer saber? — ele conseguiu encontrar sua voz no segundo em que ela arrastou sua mãozinha pela extensão de seu peito, fazendo-o arquejar e ofegar como se estivesse tendo uma crise de asma.

— Não. — ela disse lascivamente, aproximando-se de si. — Eu quero fazer aquelas coisas extras com você. — a mão dela escorregou até sua virilha, onde ela raspou suas unhas, fazendo-o soltar um gemido estrangulado. — Agora.

Eles estavam prestes a encostar os lábios, quando alguém bateu à porta.

— Vamos logo, seus coelhos! — Natasha gritou do outro lado. — Vocês têm a noite inteira para fornicar.

Lynna apertou os olhos, numa expressão raivosa.

— Eu odeio essa palavra. Eu odeio essa garota. — sussurrou com seu sotaque forte.

— Precisamos ir, antes que a garota de seu ódio nos perturbe ainda mais. — sussurrou de volta, balançando-se para sair de seu aperto.

Ele enrolou a toalha em seu quadril e seguiu para o quarto, para vestir sua roupa separada pelo ser provocante que circulava pelo quarto à procura de suas próprias roupas.

— Se você continuar me olhando assim, nós nunca sairemos daqui, krasivyy. — ela sussurrou, amarrando seus cabelos num nó. E tinha essa palavra. Ele não sabia o que significava, mas podia dizer que mexia muito consigo. — Vamos, ou como você disse, Nat vai comer nossas bundas. E isso dói.

Ele riu, revirando os olhos para as suas piadinhas maliciosas.

— Vamos, minha dor na bunda. — brincou, abraçando-a de lado após a mesma ter aberto a porta.

— Ei! — ela fingiu estar ofendida. A pequena deu três passos até ficar na sua frente e ficou na ponta dos pés para poder alcançar seus ombros. — E então... pronto para seu dia de centenário?

*

Estar entre amigos era uma coisa incrível.

Durante o dia inteiro, eles não pararam de provocá-lo sobre sua idade, ou as com coisas idiotas que geralmente eles faziam, só que hoje fora três pior.

Nada com que ele já não estivesse acostumado, não é mesmo?

À noite, por volta das 6:30, havia uma peça de smoking de veludo azul escuro para ele em cima da cama, com a frase “vista-me” escrita num papel grosso. Ele sorriu e fez o que a nota pediu.

Estava ajustando a gravata preta, quando alguém bateu à porta.

— Entre. — sua voz saiu com mais expectativa do que ele esperava.

Sam colocou a cabeça para dentro, então Steve encolheu os ombros.

— Ué, ficou decepcionado em me ver? — o amigo brincou, sacudindo as sobrancelhas, fazendo-o revirar os olhos. — Awn, vocês são tão inseparáveis!

Nisso ele tinha que concordar com o amigo. Ele não conseguia passar dois minutos sem estar preocupado com o que a sua namorada estava fazendo.

Ele imaginava que era porque todas as vezes que ela estava sozinha, Anna costumava afundar em suas divagações sobre seus poderes. Saber que pode ter visões do futuro foi um golpe muito injusto do destino para alguém que passou por muitos traumas como ela.

De uns tempos para cá, ele vinha percebendo o quanto ela se esforçava para não dormir, pois quando embarcava no mundo dos sonhos, ela não sabia se estava tendo pesadelos, ou prevendo o que ia acontecer.

Ele desejava que pudesse poupá-la de toda a dor, mas infelizmente isso não era possível.

— Olha lá. — Sam voltou a falar. — Eu apenas a mencionei você já está assim, como um bobo apaixonado. Vamos lá, Cap. A festa não pode começar sem o aniversariante.

Bufando para a provocação do amigo, o loiro se pôs a andar.

A sala de TV estava completamente escura, ele teve que piscar algumas vezes para conseguir enxergar as figuras delineadas ali, antes que a luz das velas fosse acesa de uma vez só.

Um coro de parabéns se seguiu, fazendo-o ficar envergonhado e sem saber o que fazer com as mãos.

Por fim, ele fechou os olhos e tentou assoprar o máximo de velas que conseguiu de uma vez só, uma vez que havia literalmente cem delas em cima de um bolo redondo, nas cores da bandeira e com estrelinhas brancas de pasta americana espalhadas pelo topo.

Em seu pedido, ele pedia coragem ao universo, para fazer à sua namorada, pedido mais difícil que ele faria em toda a sua vida.

Como se fosse um tique nervoso, sua mão esquerda escorregou para o bolso da calça, onde ele sempre guardava o objeto consigo, desde o dia em que havia recuperado-o do acervo no museu.

— Aê!!! — Tony comemorou, batendo palmas. — Agora já virou um mocinho. — finalizou, bagunçando o topete que ele havia levado horas para aperfeiçoar.

— Tony! — repreendeu o amigo.

O moreno deu de ombros, erguendo seu copo de uísque para ele.

— Vamos para a queima de fogos! — a voz de Nat interrompeu a picuinha que os dois iriam armar ali.

A Viúva o rebocou para fora da casa, antes que ele pudesse ter um pedaço de seu próprio bolo.

— Mas... ainda não comi nada! — ele tentou argumentar.

— Vai ter a noite inteira para isso. — a amiga disse num tom insinuoso que o fez ficar vermelho dos pés à cabeça.

Sem ter direito algum de escolha, Steve apenas se deixou levar, empoleirando-se na varanda para ver o espetáculo pirotécnico feito pelas famílias que moravam ao redor da propriedade. Era distante o suficiente para ele não se sentir aflito com o barulho. Ele carrega esse medo consigo desde criança, sendo obrigado a colocar algodão nos ouvidos para não se assustar e causar uma crise de asma.

Uma mão quente subiu por suas costas, fazendo-o se assustar um pouco, então ele olhou para baixo, vendo Anna sorrir sugestivamente para ele, com um pedaço de bolo nas mãos.

— Que tal nós os deixarmos curtirem a festa sozinhos, hein? — sussurrou contra o tecido de seu terno, apenas para que ele ouvisse. — Estão tão distraídos que jamais notariam que fugimos...

Ele engoliu em seco.

— Esse é o seu presente para mim, me livrar dos meus amigos? — brincou.

Ela riu.

— Não, dorogoy, meu presente está apenas começando. — piscou. — Agora venha, antes que eles percebam. — ela o puxou pela mão, de volta para dentro, mas não subiu as escadas, como ele imaginava, o que piorou a sensação de borboletas flutuando em seu estômago. A ruiva o levou para fora, pela mesma trilha que eles fizeram até o píer, onde um barco a remo os esperava. — Sente-se. — voltou a falar. Steve a obedeceu, sentando-se no meio de uma das madeiras. — Agora, não se assuste. — sua voz vinha detrás de si. — Você precisará ser vendado para não estragar a surpresa, ok?

— Ok... eu acho. — o loiro sussurrou.

O prato com bolo foi colocado em cima de seu colo, para depois ele ter sua gravata afrouxada. Em questão de segundos, ele estava devidamente vendado, o que o fez lembrar de quando eles brincaram com textura e sensações, na semana em que eles quebraram a primeira cama do apartamento deles.

Isso o fez ficar incomodado nas calças.

Demorou alguns minutos até que ela adentrasse a embarcação, então ele sentiu-se deslizar pelas águas.

O trajeto durou cerca de cinco minutos.

Ele ouviu os ruídos da mata e o farfalhar do vestido que Lynna usava arrastar a grama para ancorar o barquinho.

Ela tocou seu antebraço, fazendo um movimento que ele entendeu estar induzindo-o a se levantar.

O loiro utilizou sua audição aprimorada para se guiar pelo caminho, evitando o esforço da mulher pequena que o puxava para si. O prato com o bolo ainda estava intacto em suas mãos.

Houve um barulho de fechadura, para depois ele ser arrastado para cima, subindo alguns degraus de madeira até que ele finalmente pudesse sentir o aroma suave de ervas naturais que emanava no ambiente.

— Onde estou? — perguntou pra a namorada, finalmente encontrando sua voz.

Ele ouviu o seu riso suave e melodioso.

— No nosso ninho de amor até domingo. — ela murmurou, para depois puxar o nó da sua venda. — Então, é do seu agrado?

O queixo dele caiu.

Ele estava dentro de uma cabana, cuja sala e cozinha eram divididas apenas por uma bancada, com bancos altos ao redor dela. O conjunto de sofás era um tanto quanto antigo em comparação com o visual moderno do local.

Havia um tapete felpudo em frente à lareira que jamais seria usada nessa época do ano.

O lugar era tão aconchegante. Aquilo aqueceu seu coração e levou lágrimas aos seus olhos.

— Eu estava incerta do que dar a você de presente de aniversário. Você não é muito apegado às coisas materiais... — Anna voltou a falar, circulando pela sala. — Então, eu pensei... em todos esses anos segurando o manto, até mesmo quando você estava inconsciente antes de despertar do gelo... você jamais teve um tempo para apenas pensar em si mesmo. Sempre se colocando como o escudo que protege o mundo... — ela suspirou, encarando-o com aqueles olhos que ele tanto amava, que agora brilhavam determinadamente. — Você não pode carregar esse fardo sozinho, Steve.

— Esse é o meu dever. — ele disse automaticamente, como deveria ser. — Foi para isso que eu fui criado.

Ela bufou, irritada, mas sorriu.

Às vezes, isso significava que ele estava em apuros, mas não hoje. Hoje os olhos dela não mudaram para um brilho assassino que fazia qualquer um tremer na base. Hoje havia amor e carinho na expressão dela, e aquilo fez seu coração acelerar e as mãos suarem, como se ele tivesse voltado a ter dezesseis anos e estivesse prestes a convidar a garota mais bonita da escola para ser seu par no baile.

Se fosse na sua época, ele tinha a plena certeza de que sua princesse seria a garota que ninguém poderia tirar o olho. Na verdade, ela o é. Ele percebe isso cada vez que ela anda pelo Complexo, a quantidade de olhares aguçados que os agentes em treinamento lhe dá o faz fulminá-los sempre que isso acontece.

Principalmente quando ela está no tatame. Não há nada mais bonito do que sua garota letal no tatame.

E mesmo assim, se ele voltasse a ser aquele garoto franzino e doente, ele sabia que ela o olharia duas vezes, porque por muitas vezes, ela havia lhe provado que amava pelo seu cerne, e não apenas pelo seu corpo.

— É por isso que eu te trouxe aqui. — ela aproximou-se de si, capturando o prato de suas mãos, colocando-o em cima da mesinha do abajur. — Nesses quatro dias, seremos apenas eu e você. Ao passar daquela porta, estamos nos despindo de nossas obrigações. Nesta bolha, você não é o Cap e eu não sou a Pétala. Seremos apenas Steven e Lyanna. Neste final de semana, nós estaremos nus de tudo isso. — um sorriso sincero atravessou seu rosto, para depois tomar um rumo humorado. — Na verdade, estaremos literalmente nus, já que eu não trouxe nenhuma peça de roupa além da que estamos usando para cá. — piscou.

Ele riu emocionadamente, olhando para a ruiva à sua frente como se ela estivesse segurando a lua para iluminá-lo.

Céus, eu quero me casar com essa mulher!

Rapidamente cortou a distância entre os dois, abraçando-a pela cintura, então levantou-a para que ela ficasse na sua altura, colando seus lábios.

— Eu te amo. — ele sussurrou contra a pele dela, colando suas testas, encarando os olhos chocolate que brilhavam para si.

— Eu sei, bobinho. — piscou. — Eu sou irresistível.

Ele riu e a beijou de novo, desta vez ainda mais intensamente.

Abruptamente, ela se afastou, fazendo-o perseguir seu gosto.

— Ainda não. — sussurrou rouca. — Eu tenho mais coisas para você. E garotos que sabem esperar ganham boas recompensas.

Sim, oh céus!

Ele queria ser bom.

Ele queria ser muito bom.

*

Ela o fez comer o pedaço de bolo para o jantar. Estava uma delícia. Ele amava o bolo de baunilha com recheio de geleia de frutas vermelhas que ela fazia, com todo o seu ser.

Mas ele simplesmente não conseguia se concentrar na iguaria.

Não quando ela o olhava com aquele olhar misterioso, enrolando as pontas do cabelo ondulado nos dedos e fingindo não estar nem aí para o que estava fazendo.

Acaso ela não sabia o poder que tinha sobre ele?

Droga, ele sabia que não demoraria muito para jogar o banco do outro lado e pular a bancada até ela.

Anna sabia disso, e era exatamente por isso que ela estava o provocando.

— Vejo que meu garoto acabou... — ela se levantou, contornando a mesa para pegar o prato. Ela fez isso enquanto se debruçava em suas costas, fazendo-o sentir seu peito amassar contra o tecido de seu terno. — Pronto para a sua recompensa, agora? — ele assentiu, por saber que não conseguiria encontrar as palavras. — Me espere na cama.

Ele fez o que lhe fora mandado, rumando para a porta entreaberta do quarto, onde ele encontrou a cama perfumada com um aroma sensual. Havia pétalas de rosa espalhadas pelos lençóis. Ele deitou-se no meio deles, decidindo cruzar as mãos em cima de sua barriga para tentar controlar sua ansiedade.

As luzes se apagaram e ele ouviu o barulho de seus saltos ecoarem pelo assoalho, antes que a introdução da música começasse a tocar.

Ela usava um casaco de couro preto, que foi tirado no momento em que seus olhos se cruzaram.

Anna andou até o banco ao pé da cama, acariciando sua forma com as mãos enluvadas de veludo preto, adornadas por pedras brilhantes.

Quão grande foi a sua surpresa... quando a melodia foi iniciada, seu coração praticamente parou ao descobrir que a voz não pertencia à Beyoncé.

— Eu só quero te mostrar o quanto sou grata a você. — era a voz dela. E aquilo lhe deu diferentes reações, ainda mais intensas do que o movimento que seu corpo fazia. — Quero te mostrar o quanto me dedico a você. — ela correu as mãos pela lateral do seio direito, inclinando-se para o lado, jogando seus cabelos. — Quero te mostrar o quanto vou sempre ser verdadeira. — repetiu o gesto, agora para o lado esquerdo. — Quero te mostrar o quanto você deixa sua garota se sentindo bem. — sua voz sussurrada, com seu sotaque modelando a letra seria a sua morte. — Quero te mostrar o quanto, o quanto você entendeu. Quero te mostrar o quanto eu valorizo o que você diz. Você não só é fiel, é também paciente comigo, querido. Quero te mostrar o quanto eu realmente me preocupo com seu coração. Quero te mostrar o quanto eu odeio quando estamos separados. — seu torso se voltou para ele, e ela tinha aquele olhar em seu rosto, o olhar que o faria desarmar e fazer qualquer coisa que ela queria. Ela mordeu os lábios e se levantou, correndo as mãos pelas costas. Ele ouviu o ruído que o zíper fez quando suas mãos pequenas o puxaram. — Te mostrar, mostrar, mostrar, até que você faça tudo comigo. Quero manter isso pra sempre do jeito que é. Para você nunca poder dizer como costumava ser. — de costas para si, suas mãos desceram lentamente por suas costas, abrindo caminho para expor sua lingerie preta, cheia de renda e detalhes intricados, que o fez prender.

“Amar você é só o que eu penso

E eu não posso deixar de pensar nisso dia e noite

Eu quero fazer esse corpo dançar

Senta e assista

Hoje à noite eu vou dançar para você

Hoje à noite eu vou dançar para você

Hoje à noite eu vou colocar meu corpo no seu corpo

Garoto, eu gosto quando você me assiste

Hoje à noite vai acontecer”

Ela rastejou pela cama, até que estivesse pairando em cima dele. Seus olhos observaram o movimento de seu corpo, mantendo suas mãos para si, mesmo que ela não tivesse lhe dado a ordem, o loiro apenas apreciou o show, provavelmente encarando-a com a mesma admiração de quando ela havia jogado aquela maldita saia na cara dele quarto anos atrás.

Sentando-se em seu colo, Anna circulou seus braços ao redor de seu pescoço, movendo-se no ritmo da música, enquanto cantava em seu ouvido.

Ele tinha certeza de que esses seriam seus últimos momentos de seus cem anos, pois cairia morto em questão de segundos.

“Eu vou dançar no meu amor, dançar, dançar no meu amor

Me enrolar em você amor, me enrolar em você amor

Querido, me deixa colocar meu corpo no seu corpo

Prometo não contar a ninguém

Porque está prestes a acontecer”

— O que foi, amor? — ela sussurrou, acariciando seu rosto. Ele se inclinou ao seu toque. — Você não gostou do presente?

Algo clicou nele.

Suas mãos foram para a pele macia exposta entre o início da cinta-liga e a barra do sutiã, para depois impulsionar seu corpo, colocando-a seguramente contra a cama.

— Sua perca é que ainda está muito longe da meia-noite. — ele sussurrou com os lábios marcando rastros de vermelhidão em sua pele sardenta, feliz em ver seus pelos translúcidos se levantarem.

— E quem disse que eu preciso esperar até meia-noite para fazer o que eu quero? — provocou-lhe, arranhando suas costas por cima do terno. — Um bom espião tem sempre uma carta na manga, krasivyy.

Notas finais
E aê, boy? Parece que eles vão tocar fogo nessa casa ( ͡°( ͡° ͜ʖ( ͡° ͜ʖ ͡°)ʖ ͡°) ͡°) Até quarta!