The Captain and The Petal.
64 Sixty-second Chapter. - I held you.
Notas iniciais

Eu segurei você (Bônus).
Base 23 da Hydra, Madrid – Espanha.
A pior coisa do mundo, era partir em missão tendo algo em sua mente. Isso lhe deixava irritado e impossibilitado de focar nas coisas sérias, o que significava que ele poderia ficar confuso e perder algum detalhe na merda da missão.
Maldita hora em que Lyanna foi dizer aquela merda, mesmo estando bêbada.
Havia um fato que lhe perturbava, e era o fato de que DeLavega agora sabia que ele gostava dela, e isso tinha lhe tirado do sério, coisa que não devia acontecer.
Ele fora o Soldado Invernal, puta que pariu! Ele fora o punho da Hydra, um espião focado e letal, que jamais se desviava do alvo, e agora ele parecia a versão pobre do agente que um dia ele foi.
O que em parte, era excelente, mas por outra, era terrível.
Porque se ele continuasse descuidado assim, ele acabaria matando a si mesmo e a Stevie. E ele jamais se perdoaria se algo ruim acontecesse com seu amigo porque ele estava com a cabeça no mundo da lua.
Um palavrão em romeno escapou de sua boca quando ele tropeçou num armário velho, cheio de arquivos inúteis da Hydra. Ainda bem que ele não fez muito barulho.
Agachou-se para empilhá-los outra vez, quase caindo sentado ao ver o que estava escrito nas pastas em sua mão.
PROJETO ANJO.
Criado a partir da necessidade de ter melhor controle sob os Ativos da Hydra, o Projeto Anjo contou com trinta e duas cobaias sadias.
O experimento foi feito através da combinação da essência do anjo, com o artefato chamado Joia da Mente, atribuindo à única cobaia sobrevivente uma extensão de seus dons empáticos naturais. O soro criado permitiu ampliar seus poderes em larga escala, criando assim, uma nova mutação capaz de controlar as armas instáveis.
Nome: Monteiro, Analuiza Cristina.
Nascimento: 24 de novembro de 1996.
Nacionalidade: brasileira.
Dados de filiação: Ronaldo Monteiro e Rosália da Silva Monteiro (pais).
Aparência: 1,51 m. Cabelos naturalmente ruivos, olhos verdes. Caucasiana.
Poderes: a paciente possui sensibilidade extrema a qualquer tipo de emoções, podendo apaziguá-las, distingui-las e controlá-las à sua vontade. Vários testes foram feitos nesta cobaia. Ela é a única detentora do gene X, possuindo, assim, total compatibilidade com o núcleo da substância aplicada em seu sangue.
Missões: ações de curta distância sob a supervisão dos governantes de seu país natal.
Situação: em fase de testes.
Anexos: a paciente possuía uma conexão forte com o Ativo. Sua mente precisou ser reiniciada para fins de aperfeiçoar os processos da ampliação dos seus poderes. Todos os dejetos de seu coito com o Soldado Invernal precisaram ser removidos.
Ela foi extraída de sua base-matriz pela Pétala Amaldiçoada e encontra-se fora do radar.
O coração de Bucky iria sair pela boca, ele tinha certeza disso. Ele olhava para a foto da mulher/menina à sua frente, e não conseguia parar de pensar que ela era o mesmo ser que o infernizava dentro do Complexo.
Não havia possibilidade de existir outra pessoa exatamente igual a ela em lugar nenhum!
Sua mente voltou para o dia em que Lya lhe disse que DeLavega foi obrigada a trocar de nome para poder passar pela alfândega de seu país e se refugiar com os Vingadores nos Estados Unidos, pois a SHIELD não possui legislação no Brasil. Ela foi adotada por seus amigos para poder abandonar sua terra natal.
Seu coração disparou fortemente quando ele começou a reler a ficha dela, não acreditando no que os seus olhos estavam vendo.
De repente, algo desbloqueou-se em sua mente, então, ele estava de volta ao passado. Seis anos antes da merda explodir no ventilador.
Os médicos haviam empurrado-o covardemente para dentro de uma cela, como sempre. Naquele dia em especifico, ele estava absurdamente tão entediado com o que eles estavam fazendo no laboratório, que ele não se importou de ficar isolado.
A base em que ele estava tinha um cheirinho gostoso de maresia, coisa que lhe deixou um pouco mais calmo, se é que ele poderia ser capaz de se sentir assim.
Ele não gostava dessa sensação.
Na verdade, ele não queria sentir isso, parecia meio culpado, mas ele simplesmente não podia evitar, era como se tivesse uma força estranha puxando-o para se acalmar, se aconchegar e relaxar.
Tal sentimento não se demorou muito. Logo, um grito estridente o fez pular para fora da cama num movimento fluido e uniforme.
Ele aguçou os ouvidos, buscando pelo som dos eletrodos, da cadeira, mas tudo o que ele ouviu foram os burburinhos das conversas dos cientistas da base, que falavam uma língua esquisita que se assemelhava ao espanhol, mas que não era exatamente espanhol, o que lhe confundia, e por baixo disso, houve uma voz feminina, algo que lhe assustou e lhe deixou maravilhado ao mesmo tempo, pois o timbre dela lhe trazia algo relacionado à paz.
— SOCORRO! — seu coração pesou ao ouvi-la gritar.
Rapidamente, a porta de seu quarto voou para fora das dobradiças. Seu corpo ordenou-o a marchar em direção à voz, como um homem sedento por água no deserto.
Ele podia dizer que estava sedento pela voz inebriante da moça.
Seus olhos espreitaram através do vidro, para depois se arregalarem.
A mulher cujos cientistas da Hydra estavam usando como cobaia era um pouco mais baixa que o homem mais baixo na sala, com cabelos alaranjados meio desbotados. O tamanho deles era similar aos de Lya.
Uma fúria nebulosa se apossou de si. Imaginando que aqueles seres terríveis estivessem perturbando sua irmã outra vez, ele fez explodir as portas da sala, que voaram cada uma para uma direção oposta, quebrando alguns maquinários no processo.
Os homens pararam imediatamente o que estavam fazendo, com os olhos arregalados para ele, que caminhava diretamente para o mais alto deles, um homem de cabelos profundamente castanhos e olhos esverdeados.
Sua mão de metal segurou o pulso deste homem, torcendo-o até que ele pudesse ouvir o estalo do osso quebrando. O ser covarde gritou de dor e largou a agulha, meio milímetro da pele da senhorita, que hiperventilava ao seu lado.
O Soldado arregalou os olhos ao perceber que a fonte da sua calmaria era ela, a garota. Era ela quem exalava toda aquela luz, como um anjo.
Seus olhos verdes se arregalaram para ele, que não vacilou nem um pouco, mesmo após o alívio e a decepção de não ser Lya ali. Ele queria vê-la. Já fazia muito tempo...
Mas ele não podia porque ela estava no gelo, não era?
Sua mente era um carrossel confuso agora, colapsando enquanto ele permanecia encarando-a fixamente.
Uma vez que a moça se moveu para trás, ele finalmente despertou.
Pegou-a em seus braços, quase não tendo resistência alguma. Então, carregou-a para longe dos cientistas perplexos, que haviam se reunido em torno do homem com o punho quebrado.
Ele carregou a mulher que tremia em seus braços até um alojamento seguro, enfim colocando-a numa cama de aparência confortável. Ele queria passar-lhe a mesma sensação de segurança ao seu redor, como havia feito com Lya e com Hanna.
A moça se afastou dele, encostando-se na cabeceira, puxando seu corpo pequenino para perto de si, protegendo-se de um inimigo que não existia ali naquele contexto.
— Eu posso sentir a sua confusão. Mas não consigo identificar se você vai ou não me machucar. — ela disse em sua língua estranha. Sua voz era simplesmente tão hipnotizante...
— Eu não entendo porra nenhuma do que você fala. — ele disse em romeno, tentando parecer mais doce possível.
Acabou que ele só fez a moça se encolher ainda mais, foi então que uma ideia tocou sua mente, algo raro, pois ideias próprias não faziam parte da natureza dele.
— Eu não vou te machucar. — disse em inglês, a língua mais falada no mundo nos dias atuais. — Você me entende?
Ela assentiu suavemente, abrindo-se um pouco mais.
— Eu sei quem você é. — a garota disse suavemente, levantando-se alguns centímetros, para depois se ajoelhar na cama, e então quase tocar seu rosto. — Você deveria estar morto. Isso não pode ser real.
Bem, é isso o que Lya me diz.
Ele não lhe deu uma resposta, mas parece que o pequeno anjo não precisava de uma.
— Você é James Barnes. — ela disse depois de um tempo. — Você é o melhor amigo de Steve Rogers.
Steve... Steve... Stevie?!
Algo em sua mente se encaixou, então ele vislumbrou-se caindo de um trem em movimento, enquanto um homem loiro estendia a mão para ele. Este homem usava roupas coloridas e ele não conseguia enxergar os contornos de seu rosto, como em seus pesadelos.
Então, esse homem transformou-se num garoto raquítico e franzino, no rapaz que apanhava nas ruas e que não sabia a hora certa de parar. Aquilo perfurou o coração de James, ele nunca sentiu-se tão sozinho quanto estava agora.
Ele sentiu algo pesado envolvê-lo, formando um domo quente e aconchegante ao seu redor. Isso estava partindo dela, da moça bonita que o encarava. Ela possuía poderes esquisitos, mas esses poderes estavam buscando consolá-lo pela dor de sua perda.
Você é James Barnes.
Há quanto tempo ele não ouvia esse nome?
*
Sem sombra de dúvidas, ele poderia ter morrido agora, que saberia que teria direito ao céu. Ele simplesmente não conseguia acreditar no que seus olhos podiam ver.
Ela emanava uma luz tão radiante, que era impossível não se sentir ofuscado pela beleza dela. Ele também não a merecia, é claro, mas mesmo assim, lá estava ele, esticado na única cama dentro daquela cela, apreciando a visão do corpo desnudo do seu Anjo.
Ela sorriu travessamente para ele, sentando em seu estomago vestido.
— Viu algo que gosta aqui, James? — perguntou-lhe insolentemente, correndo seus dedos pequenos pelo seu torso.
— Você não tem ideia, boneca. — sussurrou, sentando-se para poder tocar seu rosto, suavizando sua expressão. — Eu não quero machucá-la...
Ela colocou seu dedo indicador em seus lábios.
— Não fale mais nada, apenas sinta.
Fechando os olhos, ele permitiu que ela entrasse em sua mente de forma uniforme, fazendo-o sentir todo o desejo que ela sentia por ele, desejo e amor. Ele nunca teve ninguém que o amasse sem ser como um irmão. Ele nunca teve o direito de se sentir amado.
Era tudo tão intenso...
Ela o beijou, sentindo tudo o que ele mandava para ela também.
Seus corpos se emaranharam, e ele não soube dizer como e quando ele perdeu todas as roupas de seu corpo, mas tudo o que conseguia se lembrar era do calor dela sob ele, de como era aconchegante estar dentro dela, arrancando todos aqueles sons bonitos de seus lábios rosados.
— Eu segurei suas asas. — ele disse em romeno, rindo baixinho com a expressão confusa que ela tinha. — Acho que vou ter que ensiná-la mais coisas. — tocou seu belo rosto, colocando uma mecha alaranjada de seu cabelo para trás da orelha. — Eu segurei suas asas, meu anjo.
Ela sorriu, tocando seu rosto.
— E eu segurei o seu coração. — murmurou envergonhada, fazendo-o sorrir, um sorriso que pertencia somente a ela.
*
— Você deve fugir. — ele disse para seu Anjo, tocando seu rosto macio.
— Eu não irei deixá-lo aqui sozinho! — ela teimou. Por que todas as garotas em sua vida tinham que ser tão teimosas? — Eles irão machucá-lo se você me ajudar a fugir, e eu não posso permitir que isso aconteça!
Um sorriso sincero atravessou a face de Bucky, que mergulhou seus narizes para sentir o seu cheiro, antes que seus lábios reivindicassem os dela. Ele poderia capturar seu gosto para sempre sua mente, marcada em sua alma.
— Você tem outra pessoa com quem se preocupar, Anya. — murmurou carinhosamente, tocando seu ventre levemente inchado. Havia uma criança sua ali dentro e ele não iria permitir que ele sofresse nas mãos da Hydra. Ele não podia permitir que aqueles nojentos fizessem um bebê inocente de boneco de testes.— Vocês dois precisam sair daqui.
Ela chorou baixinho.
— Eu não posso sem você, James! — sussurrou.
Ele limpou suas lágrimas.
— É claro que pode, meu amor. — disse-lhe firmemente, segurando seu rosto, sem se importar que a arma a tocava. Ela também não se importava. Nunca se importou. — E você vai. Você vai embora daqui, eu vou tirá-la. Você vai para outro país. Vai viver a sua vida, vai criar o nosso bebê, e, por favor, não me contrarie. É melhor para todos. Eu farei qualquer coisa para protegê-los.
Ela finalmente cedeu, assentindo.
— Eu sentirei sua falta. — murmurou.
Ele apertou um beijo em sua testa.
— E eu sentirei a sua, como uma planta necessita de sol para poder crescer. Você é o meu sol, Anya.
Ele poderia ter gritado, se conseguisse.
Apenas o fato dele ter tido sua Anya ao seu redor durante praticamente seis meses lhe perturbava, porque ele poderia tê-la para si bem antes, mas não sabia. Ele não sabia, porque a maldita Hydra a tirou dele. Limpou sua memória de tê-la conhecido, de tê-la amado.
Caralho, ele sempre soube que tinha alguma coisa de errado com a moça que Steve lhe apresentou. Ele sempre soube que ela não lhe era estranha, mas nunca havia chegado ao cerne da questão.
Um riso bobo escapou de seus lábios.
Seus amigos salvaram a mulher da sua vida.
Aquilo era tão surreal.
Então, uma folha solta escapou do relatório de Anya. Era uma ficha médica.
Um grito rouco e baixinho escapuliu de seus lábios quando ele leu o papel.
Levantou-se rapidamente, guardando o file num dos bolsos enormes de seu traje, então ele se pôs a andar à procura de Stevie, que há essa hora, provavelmente já havia encontrado o que eles realmente estavam procurando por aqui.
Encontrou-o rumando para a sala em que ele havia ancorado, com os olhos arregalados.
— Aconteceu alguma coisa, Buck? — perguntou-lhe.
O moreno não respondeu verbalmente, dolorido demais para formular alguma pergunta.
Seu amigo assentiu e caminhou com ele de volta para o quinjet.
Durante todo o trajeto, ele não parava de pensar em Anya, em seu relatório, e no exame de conclusão que tinha em sua ficha. Seu coração parecia que iria atrofiar. Ele precisava por um fim à sua angústia.
Pelo menos, ela está segura no Complexo, sua mente se condicionou a pensar.
A ciência de saber que o seu Anjo estava bem, que ela estava segura ao lado de suas irmãzinhas psicopatas e que logo, logo estaria de volta aos seus braços, custasse o tempo que custasse... Isso era algo extremamente reconfortante para alguém como ele.
Ele não soube controlar muito bem o seu corpo quando a viu. Ele sabia que iria ser assim, ele sabia que deveria esperar, sondar o terreno, porque ela não se lembrava mais dele, porque a Hydra havia limpado sua mente, mas não, ele não fez isso.
Seu corpo agiu no automático quando ele a pegou nos braços. O grito de pânico dela foi o que mais doeu, mas ele só precisava de um tempo, ele só precisava ter certeza de que ela era a sua Anya, o seu Anjo. Só isso.
Trancou-a na sala, longe dos olhos inquisidores de seus amigos, que gritavam para ele soltá-la, mas ele não queria soltá-la. Ele a tinha de volta e não a largaria nunca mais.
Ele também não iria fazer mal nenhum a ela. Ele jamais seria capaz disso. Nem mesmo o Soldado. Ela tinha os dois absolutamente enrolados em seu dedo mindinho, tendo o direito de fazer o que quisesse com ambos, e ambos queriam ser usados por ela outra vez.
— Por que eu posso senti-lo? — ele não lhe respondeu, apenas admirando sua beleza, era tudo o que ele precisava.
Ela também não perguntou mais nada, mas também estava bastante perturbada, o que era algo que ele não queria. E ela também não o tocou, o que lhe deixou ainda mais angustiado.
Então, Lya apareceu na sala e mandou-a embora.
Parte dele queria bater nela por ter feito isso, mas sua parte mais sensata lhe disse que era melhor assim. Essa parte permitiu-se enrolar seu corpo nela, fazendo-a de urso de pelúcia.
Anya precisava de tempo para saber quem ela era de verdade.
Ele aceitou a escuridão de bom-grado, sabendo que estava mais perto do que nunca de tê-la outra vez consigo.
*
Mary não estava bem.
No momento em que Barnes andou em linha reta para ela naquela pista, no momento em que ela literalmente sentiu o véu que a separava do núcleo dele se romper, ela soube que havia algo de estranho na jogada, mas não que era algo tão estranho quanto a descoberta que ela fez.
Ele nutria sentimentos fortes por ela.
Não era ódio, ou raiva, ou qualquer coisa negativa.
Não.
Ele sentia amor, desejo – um desejo bastante carnal, pois as imagens que ela viu trovejando em sua mente eram as mais sujas possíveis, mas todas elas endeusando-a, o que a deixou bastante encabulada (e olhe que para conseguir essa proeza era algo muito difícil) –, carinho, ternura, tristeza por algo perdido.
Quando ela saiu daquela sala, aterrissando violentamente contra os braços de Wanda e de Steve, ela não tinha mais chão.
Ficou agonizando pela sala de estar, até que ela tivesse a certeza de que Barnes havia sido colocado num lugar seguro. Ela esperou até que todos estivessem mais calmos, então rumou para a enfermaria, adormecendo Hanna para que ela não viesse importuná-la depois.
Caminhou até a cama onde o moreno dormia. Ele parecia sereno, mas seu corpo se debulhava em angústia.
Ela não conseguia entender o porquê de conseguir lê-lo agora.
Sentada numa cadeira alta que fora puxada especificamente para que ela pudesse vê-lo mais de perto, Marnie estendeu a mão direita para tocar a testa do supersoldado, agitando-a para que seus poderes sondassem as memórias sentimentais dele.
Um soluço escapuliu de seus lábios quando ela se viu nestas memórias.
Ela era praticamente um feto em suas memórias. Seus cabelos estavam maiores, roçando no osso do quadril. Sua pele era mais sardenta e ela estava de volta à base da Marinha, o seu pior carma.
Seu irmão e mais três cientistas estavam fazendo testes nela, que gritava desesperadamente por socorro, mesmo sabendo que ninguém iria ouvi-la.
Contudo, neste dia, alguém ouviu.
A porra do Soldado Invernal estava ali.
Ela o conhecia de algum lugar. Ela o reconheceu de suas revistas em quadrinhos.
Caralho, James Barnes não deveria estar morto?
No entanto, lá estava ele, em toda a sua fúria, o Ativo do qual seu irmão mais velho tinha tagarelado tanto, o homem que ela deveria controlar quando tudo estivesse feito, quando não houvesse mais nada para ela defender nas terras tupiniquins, ele tinha seu punho fodástico de metal quebrando o pulso do cachorro com quem ela dividia o sangue e a genética.
Marnie sentiu-se encantada por aquele estranho. Ele fora o herói dos seus sonhos quando ela era mais nova, uma das razões pela qual ela havia decidido seguir a carreira militar.
Ele a levou para longe das pessoas que lhe machucavam e cuidou dela.
Lentamente, ela viu essa relação ser construída.
Aos olhos de uma pessoa de fora do seu contexto, aquilo tinha tudo para ser um roteiro de filme pornô barato.
Porque ela era uma novinha – ela tinha dezessete anos naquela época –, e ele já tinha os seus mais de noventa anos nas costas, seu relacionamento consistia basicamente nele “encarcerando-a para a sua própria proteção”, quase beirando uma síndrome de Estolcomo. Era tudo muito errado aos olhos de quem não sabia a história deles.
James podia sim, ter quase cem anos, mas ele estava preso no corpo de um homem com mais ou menos uns vinte e sete anos de idade, um homem tão interrompido quanto ela, a única diferença era que ele estava nessa vida há mais tempo.
Ela viu seu amor por ele ser construído de toque em toque, entrelaçando-se como liga de vibranium. Não havia como negar que eles fariam qualquer coisa um pelo outro, como ele abrir mão de sua liberdade para salvar a vida dela e a do filho deles.
Oh, se apenas ele soubesse...
Seu coração estava em chamas com o bloqueio em sua memória se esvaindo. Ela não podia acreditar que tinha James ao seu lado outra vez, algo que ela jamais imaginaria poder ser possível, porque ela imaginava que terminaria os seus dias presa naquela cela moribunda, até que a Hydra resolvesse decidir qual seria o seu propósito para eles.
Levantou-se rapidamente e beijou a testa dele, então correu de volta à sala, onde sua amiga conversava animadamente com Nat.
Marnie apertou-a de lado, chorando compulsivamente.
— Obrigada. — murmurou mais emocionada do que ela queria.
Lya olhou para ela com os olhos arregalados.
— Aconteceu alguma coisa? Você está bem? Precisa de algo? — ela estava preocupada com o a cena que James havia feito, mas não havia nada com que se preocupar.
— Não, está tudo bem, de verdade. — soltou um suspiro. Controlar-se era bem mais difícil do que controlar outras pessoas. — E não se preocupe com Barnes, ele não fez nada comigo, apenas... ele foi apenas um pouco estranho, mas ele não planejava me machucar.
Ele me ama, sua mente concluiu, então ela saiu da sala, deixando todo mundo com um ponto de interrogação no meio da cara.
*
Ela tirou praticamente uma semana de folga, porque ela tinha esse direito.
Discutiu com Fury as possíveis chances que Projeto Anjo tinha de ser reativado pela Hydra nesse meio tempo, ele lhe prometeu que iria conseguir alguma coisa sobre isso, então ela finalmente pôde colocar as ideias no lugar.
Sumiu para o seu lugar preferido dentro do Complexo, onde ninguém poderia encontrá-la e isso era a coisa mais foda que ela podia fazer ali dentro: sumir como um fantasma, desligar as emoções das outras pessoas para que eles não a encontrassem...
O que porra ela fez nesse meio-tempo?
Bem, meditação sempre foi algo que lhe ajudou a colocar seus próprios sentimentos em ordem, uma maneira de se conectar apenas com ela mesma, uma chance para ela ser egoísta apenas uma vez na vida.
Alguém invadiu o seu espaço pessoal.
Ela não se importou com isso.
Inevitavelmente, ele sempre lhe achava...
— Você sabe quem sou eu? — era meio besta que ela ficasse envergonhada com ele falando português uma vez que ela havia o xingado e até os seus cachorros de nomes feios? Sim, era.
— Alô, alô graças a Deus. Inês Brasil, é você querida? — perguntou-lhe insolentemente, rindo baixinho para os sentimentos confusos que o moreno emanava. — Foi mal, eu tive que fazer essa piada. Eu sei quem você é James. Eu segurei o seu coração, lembra?
O coração dela bateu fortemente contra as costelas quando ele veio até si, fazendo-a levantar-se, apenas para que suas costas encontrassem a superfície fria da caixa d’água do Complexo, quando o supersoldado beijou-a intensamente.
Um gemido inevitavelmente escapuliu de seus lábios.
Dá um tempo, mano. Ela estava sentindo toda a luxúria dela e a dele ao mesmo tempo! Não haveria uma garota no mundo capaz de aguentar isso!
— Eu queria ir devagar, eu realmente queria... — James sussurrou de maneira quente contra o vão do seu pescoço, fazendo sua pele se arrepiar. — Eu queria amá-la propriamente...
— Vai na fé, cowboy. — ela disse arrastando as unhas por sua nuca, pegando um punhado de seus cabelos longos e ridiculamente macios em suas mãos relativamente pequenas contra o corpo dele. — Eu estou na seca por seis anos, acho que teremos mais tempo para irmos devagar.
Com um sorriso, a blusa de frio que ela usava fora praticamente rasgada de seu corpo. James começou a explorar cada pedaço de sua pele exposta, como se ele estivesse contando cada sarda que ela tinha, o que só aumentou a piscina vergonhosa entre suas pernas.
Ele mordeu uma de suas mamas através do sutiã, fazendo-a soltar um guincho alto, tomando cuidado para que a sua luxúria não atraísse outras pessoas para o seu esconderijo, como ela disse, controlar-se era mais difícil do que controlar os outros.
Era noite, pelo amor de Jeová! Quem iria ser o doido de perambular pelo Complexo podendo se enrolar em sua cama e aproveitar o início do inverno, enquanto ela aproveitava o seu inverno?
Suas mãos também passaram a explorar o corpo alheio, enviando-o choques de tesão com os seus poderes, fazendo-o gemer e se desfazer sem ao menos ela ter chegado ao seu colega.
Ela foi colocada para baixo, para que sua calça pudesse sair de seu corpo.
Seu pijama de bichinhos foi jogado para um canto “x” e ela só estava de calcinha agora. Uma calcinha bem da safada, que fez o sorriso de James aumentar enquanto ele beijava sua pele, deitando-a no chão acarpetado do esconderijo.
— Você sabia que eu viria. — ele murmurou contra a sua pele, puxando o tecido para baixo.
— Não é só a sua irmãzinha que pode ver o futuro. — ela respondeu-lhe divertidamente. — Eu sabia que você não conseguiria resistir a este corpinho, você não conseguia nem quando estávamos desmemoriados. Eu sou foda, querido. Admita.
Ele riu baixinho, beijando suas cicatrizes permanentes, provindas da lipoaspiração forçada que ela havia recebido aos dezessete anos. Aquilo foi a coisa mais traumática da sua vida, pois Marnie era a pessoa que mais estava de boas com o seu corpo, até que a Hydra... bem, eles disseram que ela era uma caçamba de lixo e que seu corpo original não condizia com os padrões.
Ela passou a acreditar nisso...
— Pare, Anya. — ele sussurrou, tocando seu rosto gentilmente. Ela havia esquecido da conexão que eles possuíam. Quase que telepática. E olha que ela nem era uma telepata! — Você é perfeita exatamente do jeito que é. E eu a amaria de qualquer forma, sempre.
Ela ia rebater, mas a boca dele mergulhou em sua piscina de líquidos, então ela não pôde fazer mais nada senão gritar, arqueando as costas, roçando violentamente os quadris de encontro com sua língua. Sua força foi tanta, que ele havia sido obrigado a empurrá-la para baixo com sua mão de metal, que provocava uma faísca diferente por causa da diferença de temperatura.
— Oh James! — ela gemeu alto quando um dos dedos de metal dele começou a literalmente vibrar dentro de si. Aquilo era demais. — Eu vou...
Então, o mundo ao seu redor explodiu-se em várias cores.
Em seis anos, ela nunca gozou tão forte.
Filho da puta.
Ele riu, beijando sua virilha cabeluda, que ela não teve tempo de fazer nada. Pelo menos ela era ruiva, o que lhe dava a desculpa de ser amostrada – e meio preguiçosa – o quanto quisesse, porque ficava bonitinho ter seus pelos ali. Não que outras não fossem...
Sim, julguem ela.
— Eu senti tanto a sua falta. — James sussurrou contra seu corpo, olhando-a com aqueles olhos azuis que mais pareciam o mar após uma tempestade. Merda, ele tinha que ser preso por ser tão seduzente. — Eu não posso esperar mais.
Mary sorriu, esticando sua mão para tocar o rosto dele, colocando seus cabelos para trás.
— Então faça um frango assado comigo. — puxou-o para si, beijando-o com fome, ajudando-o a se alinhar com sua entrada.
Ela apertou suas unhas em suas costas quando ele quebrou a resistência de suas paredes, que não haviam tido visitas de ninguém por muito, muito tempo.
James riu, colando suas testas.
— Acho que eu não deveria saber desses detalhes. — murmurou divertidamente. — Eu já tive minha cota de bizarrices para o mês inteiro.
Ela riu, acariciando seus ombros, sentindo a diferença de temperatura entre eles.
— Saia da minha cabeça, então. — balançou as sobrancelhas.
— Impossível. — rindo outra vez, o moreno esperou um tempo para que ela se acostumasse outra vez com o seu tamanho.
Quando estava pronta, Marnie ergueu seus quadris, encontrando-se com os do supersoldado, fazendo-o xingar alguma coisa em romeno, o que só aumentava o calor, porque não existia coisa mais quente do que James Buchanan Barnes xingando em romeno.
Suas mãos foram estrategicamente colocadas de cada lado de sua cabeça, fazendo-a apreciar sua forma muito bem construída esticando-se, encolhendo-se, movendo-se hipnotizantemente, enquanto seus quadris iam para frente e para trás, lentos como uma porra.
Irritada com a lentidão, ela escorregou suas mãos pelo corpo do mais alto, puxando-o com tudo para cima dela auxiliando-o a ir mais rápido.
— Sabe... — ela disparou ofegantemente. — Não é que Angianova estava certa? Sua bunda é gostosa de apertar.
Ele resmungou alguma coisa, então riu.
— Vocês são completamente pervertidas. — declarou.
— Bem, você não pode dizer isso, estando com o seu pintinho dentro de mim! — reclamou. — Mexa-se Barnes, ou eu encontrarei alguém que se mexa.
Rosnando como um predador, seu braço de carne escorregou para seu quadril, ajudando-a a alavancar mais.
Ainda bem que ninguém visitava esse andar de madrugada, senão eles ficariam assombrados com os gemidos dos dois, que mais pareciam dois coelhos no cio, mordendo, tocando, passando emoções através de seu vínculo...
Quando a liberação veio, eles passaram alguns segundos, acalmando-se, esperando a onda passar.
— Eu ainda não consigo acreditar que você está aqui comigo. — James murmurou, tocando seu rosto, ao mesmo tempo em que trocava de posição. — Eu não quero acordar se isso for um sonho.
Ela sorriu, estendendo a mão para traçar o contorno de seus bonitos olhos.
— Não é um sonho. — murmurou de volta. — Eu não estou indo à lugar nenhum. — seu semblante ficou triste, então ela se encolheu contra o corpo quente embaixo dela. — Eu queria que ele estivesse aqui conosco...
James acalentou seu choro, beijando seus cabelos.
— Está tudo bem, querida. Ele está num lugar melhor agora. — disse-lhe, tentando confortá-la.
Marnie assentiu.
— É tão difícil pensar que ele não teria sobrevivido, de qualquer forma. — sussurrou, permitindo-se quebrar um pouquinho.
Ele beijou sua testa.
— Eu sei, Anjo. — murmurou acariciando sua pele. — Não há nada no mundo que eu possa lhe dizer que irá curar o seu coração ferido, mas há algo que eu posso dizer: eles jamais farão dele um boneco de testes. Eles jamais farão dele uma arma.
— Está é a única coisa boa. — ela lhe deu um sorriso triste, tocando seu belo rosto. — Eu segurei seu coração.
— E eu as suas asas. — então ele beijou-a mais uma vez.
*
Quando sua pequena finalmente dormiu, após abusar dele por mais algumas seções, ele desceu as escadas, encontrando uma Lya absurdamente sonolenta no sofá da sala de estar, assistindo a alguma coisa na TV. Romanoff estava fazendo alguma coisa na cozinha, uma vez que ela ainda não estava autorizada a mexer com facas. Ou qualquer coisa que pudesse matá-la.
Bucky sentou-se ao seu lado e beijou os seus cabelos. Ela sorriu e se aconchegou contra o seu peito.
— Obrigado. — ele murmurou emocionadamente, fazendo-a franzir o cenho e olhar para ele como se ele fosse louco.
— Cacete, o que está acontecendo com os meus amigos?! — exclamou. — Primeiro, Mary vem DO NADA, me abraça e me agradece, e agora você. O que há de errado com vocês?
Ele deu de ombros, fingindo displicência.
— Eu não sei quanto à DeLavega, mas eu só queria te fazer sorrir. — disse-lhe galantemente, fazendo-a abraçá-lo.
— Eca Buckie! Você está fedendo a suor! — ela fez uma careta, afastando-se dele, após ter enfiado o nariz em sua camisa. — O que você andou fazendo pelo Complexo, mocinho...? — estreitou os olhos.
Ele tentou não engolir em seco. Ou corar.
Ele não era Steven. Ele não era tão besta para fazer uma coisa dessas.
A resposta “fornicando como coelhos com sua amiga doida” não lhe parecia uma boa, uma vez que ele e Anya concordaram em se manterem secretos, até que tudo do mundinho dos dois estivesse em seu devido lugar, então, ele apenas deu de ombros.
— Nada de interessante, apenas correndo. — sorriu-lhe.
Então, Anya surgiu cambaleando na cozinha, com um sorriso débil para eles.
— Marnie, que bicho te mordeu? — Lya perguntou, assustada.
— Alguém invadiu o Complexo? Você foi atacada? Teve algum problema no seu ninho? — Romanoff disparou, pegando um facão da gaveta, fazendo todo mundo arregalar os olhos.
— Calma, povo! — a pequena praticamente gritou. — Eu já disse que vocês são muito dramáticas? Não aconteceu nada! Eu só estou com muito sono, só isso. A noite foi meio estranha, mas bem boa.
As outras duas não perceberam a piscadela que ela lhe deu ao adentrar a cozinha.
Um sorriso escapou de seus lábios.
Ele não poderia acreditar em sua sorte.
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