The Captain and The Petal.
71 Sixty-ninth Chapter. - Modern Fairytale.
Notas iniciais

Conto de fadas moderno.
— Mas... você pretende fazer strip para o seu parceiro (a)? — Nat questionou Marnie, que encarou-a com um sorriso, assentindo. — Você pode me jurar que não está fazendo isso para alguém que acabou de conhecer? Sabe... pessoas podem ser cruéis, e isso pode dar muito errado...
— Não se preocupe, Nat. Eu juro que estou fazendo isso para uma pessoa especial, e eu também estou pedindo isso para mim, porque eu quero me sentir sensual. Eu quero aumentar um pouco a minha autoestima, e adoraria aprender com as melhores. — disse-lhes sorridentemente. Havia um brilho sonhador em seu olhar que fez seu coração derreter.
Era estranho que esses dois idiotas parecessem tão apaixonados, levando em conta que fazia pouco tempo que eles estavam juntos? Sim, era. Mas ao mesmo tempo parecia tanto que os dois foram feitos um para o outro...
— Ok, então. — a ruiva de olhos verdes sorriu. — Mas se essa pessoa te fizer qualquer mal, pode me avisar.
Ela sorriu.
— Tudo bem. — assegurou.
— Ok... — Lynna esfregou a mão com um sorriso malicioso na cara. — Que tal começarmos agora? — um sorriso se iluminou no rosto de suas amigas. — Eu já sei até qual a técnica que irei te ensinar...
— Angianova... você sabe de algo que a gente não sabe? — Wanda estreitou os olhos, avaliando sua figura.
Como uma mentirosa razoável que ela conseguia ser ao redor de suas amigas psiônicas, a ruiva mais velha deu-lhe um sorriso sarcástico, para depois piscar.
— Não. — respondeu suavemente. — Por que perguntas? — Wan estreitou ainda mais os olhos, tentando ler sua expressão, mas relaxou ao perceber que ela “não estava mentindo”.
— Hm. — a castanha resmungou. — Por um segundo, pareceu que você sabia de algo. — então cruzou os braços.
— Como, se Mary esconde até a cor da calcinha que ela esta usando?! — Lynna rebateu.
— Ei, se vocês queriam saber a cor da minha calcinha era só perguntar. Ela é azul. — a nanica disse. — Agora, você vai me ensinar ou não?
— Vou. — a ruiva mais velha respondeu sorridentemente.
*
Mary terminou de abotoar suas luvas, para depois se concentrar em fechar suas botas. Seus cabelos foram amarrados num rabo de cavalo alto. Quando terminou, ela se olhou no espelho, avaliando seu traje magenta.
James bateu na porta, atraindo seu olhar para cima. Seus dois globos azuis brilharam em excitação.
— Não se afobe, mocinho. — ela disse-lhe, voltando-se para sua figura enorme. — Eu não sei se nós teremos tempo para fazer o que temos em mente. — rodeou seus braços no pescoço dele, permitindo-lhe ter acesso a ela também. — Eu não quero lhe dar esperanças.
Ele riu, mergulhando seu nariz para lhe dar um beijinho de esquimó.
— Acredite em mim, desde que eu a conheci, eu tenho esperanças. — murmurou, capturando seus lábios num beijo doce. — Agora vamos, antes que Steve buzine em nossas orelhas por um possível atraso...
— Pervertido. — ela resmungou de brincadeira, caminhando ao seu lado. — Então... você está pronto para isso? Porque não tem mais volta. Uma vez selado, eu te mato se você voltar atrás.
— Eu estou, senhorita Monteiro. — disse-lhe divertidamente. — E quanto à senhorita?
Ela abriu um sorriso cintilante.
— Meu amor, eu nasci pronta. — respondeu-lhe, derretendo quando ele beijou sua testa.
— Então vamos.
*
De uns tempos para cá, Lynna já havia se acostumado com os dois coelhos hipócritas que coexistiam ao seu lado. E agora, que ambos saíram em missão JUNTOS, para o total estranhamento de todos que ainda não sabem que eles estão namorando, o Complexo virou um breu.
— Bucky está agindo tão estranho ultimamente... — Steve observou, enquanto traçava padrões aleatórios na palma de sua mão, entediadamente. Eles já haviam se esquecido do filme há muito tempo, e agora, estavam conversando asneiras.
— Steve, desde quando Barnes foi normal? — ela rebateu, virando-se para encará-lo.
O loiro riu.
— Eu sei, eu sei. — murmurou. — É só que eu acho que ele está ainda mais esquisito que o normal.
Ela suspirou.
— Bem, eu só acho que o velho deve estar feliz que tem alguém agora. — sorriu.
— Eu sei. E isso é bom. Eles dois parecem bem felizes, e eu estou feliz por eles. — ele subiu a ponta de seus dedos pelo seu braço. — Só que... você não acha estranho que os dois pareçam tão imediatamente conectados, ainda mais depois do que aconteceu naquele dia, quando nós voltamos da missão e Buck literalmente jogou Marnie em seus ombros e trancou-se numa sala com ela? — os dois refletiram por alguns segundos, antes do loiro voltar a falar. — E se eles já tivessem se conhecido antes? Antes de termos resgatado Mary daquela base?
Ela mordeu o lábio.
— Mas Steve, o Brasil e a Rússia são lugares extremamente distantes um do outro. Ambos tiveram vidas completamente diferentes, como é que eles poderiam ter se conhecido antes? É muita coincidência... — murmurou. — Se bem que... se você for colocar numa balança a história de vida dos dois... Mary foi feita de cobaia pelas pessoas de deveriam proteger seu país, para atingir seus objetivos sujos de dominação. Bucky se tornou cruelmente a arma de uma organização nazista que tortura inocentes para fazer o que eles chamam de “sacrifício pela paz mundial”... e se a Hydra...?
— Tudo está na mesa nos dias de hoje. — o loiro murmurou.
Ela assentiu.
— Contudo, nós só podemos especular. — deu de ombros. — Não saberemos até eles voltarem... — seus olhos se estreitaram. — Porque eu acho que teremos uma surpresa em breve...?
Ele deu de ombros.
— Eu não sei de nada. Eu não vejo o futuro. — brincou, deitando-se de bruços, enquanto ainda olhava para ela, que começou a bagunçar seus cabelos longos.
— Você acha que agora que eu tenho os documentos regularizados, o governo irá nos permitir adotar uma criança? — murmurou depois de um tempo de silêncio, ainda acariciando seus cabelos macios.
Ele tomou um suspiro fundo.
— Eu não sei, mas tenho esperanças de que sim. — respondeu-lhe sinceramente, fazendo-a sorrir para ele.
— No entanto... se o governo ainda nos negar... você seria avesso à ideia de termos uma barriga de aluguel? — perguntou, observando a reação do loiro.
Ele apoiou-se em seu braço esquerdo, para encará-la melhor.
— Você seria avessa a essa ideia, considerando tudo? — rebateu suavemente, varrendo seus olhos pela sua expressão.
— Se for para realizar o sonho de ter alguém para amar incondicionalmente, proteger do mundo, e colocar num potinho? Não, eu não seria avessa a essa ideia. — respondeu-lhe.
Ele sorriu, tocando seu rosto.
— Nós ainda temos tempo. Podemos conversar sobre isso em outra hora. — disse-lhe. — Certo? Eu não quero que você tome uma decisão precipitada e se arrependa depois. Porque sobre esse assunto, ainda há muitas variáveis positivas e negativas a se considerar.
Ela assentiu, inclinando-se para sua palma quente.
— Certo. — sorriu. — Falta um mês e três semanas. — murmurou sonhadoramente.
Ele riu baixinho.
— Parece mais uma eternidade. — resmungou.
Ela riu também.
— Sim, totalmente! — exclamou. — E minhas amigas loucas ainda dizem que está muito em cima!
— Bem, eles são muito dramáticos. — ele deu de ombros, fazendo-a rir, então, o loiro encarou-a seriamente, intensamente. — Eu te amo, princesse, e quero ter filhos com você, mas sinto que nós devemos esperar o nosso próprio tempo. Um dia isso irá acontecer, eu prometo.
Seu coração derreteu.
— Obrigada. — ela murmurou.
— Pelo quê? — perguntou-lhe carinhosamente. — Não há nada para agradecer. Eu faria tudo o que fosse preciso para fazê-la sorrir.
Ela se aconchegou ainda mais nele.
— Obrigada por me mostrar que eu ainda mereço algo de bom e puro. — respondeu-lhe com a voz embargada.
Ele sentou-se na cama.
— Você merece, princesse. Você merece isso e muito mais. — murmurou, segurando seu rosto, enquanto puxava-a para si.
— Eu te amo. — ela sussurrou.
Ele riu baixinho.
— Eu sei. — piscou. — Ai! — resmungou rindo, quando ela o beliscou nas costelas, em seu ponto fraco. — Para, para! — pediu, rindo desesperadamente quando ela se aproveitou para fazer cócegas nele, impiedosamente.
— Eu já mencionei que ficarei rica vendendo seu ponto fraco para seus inimigos? — brincou, atacando-o com suas mãos pequenas.
— Eu pensei que você tivesse dito que me amava! — brincou de volta, indignado.
Ela pulou em cima dele, fazendo-o fingir que estava perdendo o ar.
— E eu faço! — disse-lhe. — Mas eu também gosto de te atormentar.
Ele negou com a cabeça.
— Você será a minha morte. — disse dramaticamente, invertendo suas posições, mandando-lhe um sorriso malicioso. — Mas acho que posso lidar com isso.
— É melhor você provar, garoto. — ela provocou, puxando-o para si com as pernas.
*
Ela, Han, Wanda e Nat esperavam por Mary na pista de pouso.
Esta última saiu saltitante do quinjet, como se não tivesse ido a uma missão com uma pessoa que ela “odeia”, o que foi completamente estranho. Lynna também não deixou passar o brilho esquisito que ela trazia no olhar.
— Oi crianças, esperando por mim? — perguntou-lhes sorridentemente.
— Sim, estávamos esperando você para irmos à boutique. — Nat respondeu-lhe com os braços cruzados. — Raio de sol.
Ela abriu um sorriso amplo, que chegou rápido demais para seus olhos.
O que tá acontecendo com essa doida?
— Ah, sim! — ela sorriu amplamente. — Vamos, eu estou pronta.
— Happy dirige, por favor. — Wanda atropelou, segurando no braço de Hanna, enquanto saltitava.
— Eu dirijo bem, sabia? — a mais velha resmungou indignada.
— Nós sabemos, é por isso que a gente não quer que você dirija. — Hanna rebateu.
— Porque queremos proteger a mestra da direção! — Nat finalizou, adentrando o carro. — And nossas vidas.
— Vocês não prestam. — Lynna resmungou, fazendo-as sorrirem “angelicalmente”.
— EU ESPERO QUE VOCÊ NÃO JOGUE MINHAS COISAS NO LIXO, BARNES! — Mary gritou, colocando a cabeça para fora da janela, assustando o pobre motorista de Tony. Ele já deve ter passado por cada coisa bizarra... — OBRIGADA, ANJINHO. VOCÊ MERECE UM DORITOS, MAS NÃO ABUSA, ELE JÁ TEM NOIVA!
Então, o veículo finalmente deslizou para fora da propriedade.
Ela estava extremamente nervosa. Aquela seria a primeira prova do seu vestido de casamento, e ela não tinha nenhuma noção do modelo que queria exatamente, com tantos tipos de vestidos flutuando em sua mente...
Elas chegaram até a boutique indicada por Pepper, onde a própria as esperava na entrada. Ela havia dito que a dona do local era uma pessoa extremamente profissional, e que ela não sairia fazendo alarde para a mídia sobre seu casamento, o que era reconfortante.
A última coisa que ela queria era ser bombardeada com manchetes tendenciosas.
— Bom dia, senhoritas! — a mulher asiática ao lado de Pep falou sorridentemente, fazendo-as sorrirem automaticamente. Outra coisa que ela havia gostado: a evidente simpatia da mulher lhe deixou mais calma. — Sejam bem-vindas, eu sou Liza, a dona da boutique. — elas sorriram ainda mais, cumprimentando-a. — Agora... deixem-me perguntar... quem é a noiva? — suas amigas instantaneamente apontaram para si, fazendo-a corar um pouco, por estar sendo demasiadamente o centro das atenções. A mulher correu simpaticamente o olhar por sua figura, antes de dizer sorridentemente: — Venham comigo.
Suas amigas seguiram a dona da loja pelo hall de entrada, que era maravilhosamente aconchegante, com sua decoração requintada, mas ao mesmo tempo confortável.
Ela se aproximou de uma sala repleta de vestidos de todas as cores, tamanhos e formas, sorrindo para o seu grupo.
— Vocês podem se espalhar e ver o que gostam. — ela voltou a falar. — Eu e a noiva teremos uma pequena conversa. Nós nos veremos depois. — animadamente, suas amigas fizeram o que a mulher disse, e começaram a perambular pelos vestidos. — Então, minha querida, você tem alguma preferência, algum tipo de vestido em mente? — perguntou quando elas ficaram sozinhas.
Momentaneamente, Lynna fechou os olhos, tentando pescar na memória alguma coisa, mas nada veio.
Ela corou.
— Não... — disse reticentemente, como se esperasse que a mulher fosse repreendê-la.
— Está tudo bem, querida. — ela lhe sorriu, e isso lhe passou mais segurança. Ou talvez tenha sido apenas Mary que sentiu sua angústia... — Eu sei o quão confuso tudo isso deve estar sendo para você. Ter que lidar com listas de convidados, decoração, festa, tudo... — Lynna teve que concordar com ela. Seu espírito estava sendo drenado aos poucos por causa disso. Ela esperava que tudo valesse a pena no final... — Está tudo bem. — sorriu outra vez, para passar segurança. — Vamos começar pelo básico, sim? — ela assentiu. — Onde será o seu casamento?
Ela suspirou, soltando um sorriso.
— Nós iremos nos casar nos jardins do Complexo. — disse-lhe sorridentemente.
Liza assentiu.
— Um casamento num jardim... — refletiu, movendo-se pela sala, observando alguns vestidos na arara. — O que significa uma decoração florida?
— Sim. — ela respondeu, sorrindo ao lembrar-se das flores que ela havia escolhido para a decoração. — Eu gosto de flores.
— Flores delicadas? — ela assentiu, fazendo a mulher sorrir. — Me diga... qual a imagem que você quer passar com a sua escolha de vestido? Como você quer se sentir usando ele?
A ruiva parou para refletir, cutucando nervosamente seu joelho.
— Algo como uma deusa da primavera? — brincou.
— Exatamente! — a mulher exclamou.
— Eu estava brincando! — ela deu uma risada, para depois controlá-la em um sorriso curto.
— Então, qual é a sua vontade? — pressionou sutilmente.
Ela refletiu, suspirando.
— Pela primeira vez em muitos anos, eu quero parecer uma princesa de verdade. — respondeu sinceramente, feliz por ter tirado esse peso de seus ombros.
A mulher abriu um sorriso amplo que dizia “é isso aí, garota!”, o que a fez sorrir também, com o coração quase saindo pela boca.
— Ok, então. Nós vamos achar um vestido para você. — disse por fim.
Em mais ou menos uma hora de conversa, ela fora gentilmente arrastada pela loja – que fora inteiramente fechada só para ela – até um provador, onde os vestidos que suas amigas escolheram, e os vestidos que a mulher escolheu estavam.
Lynna vestiu primeiro o vestido que Wanda havia escolhido.
Ele era lindo de morrer, com renda, brilhos e tule. Contudo, elas concordaram que ele maravilhoso, mas não para ela.
E isso aconteceu com os próximos oito que ela havia provado.
Só Mary poderia entender o seu desespero, enquanto tentava lhe passar boas energias com seus poderes.
Já desacreditada pelas tentativas que não foram satisfatórias, ela vestiu o penúltimo deles.
Ele era levemente cheio, com rendas bordadas à mão – segundo Liza –, que pareciam flutuar em seu corpo quando ela se mexia. O brilho levemente perolado dele trouxe um ar místico para o conjunto da obra.
— Voilà! — elas saíram do provador, com Lynna morrendo para segurar a saia do vestido. — Uma deusa da primavera saindo.
Quando ela viu o olhar chocado no rosto de suas amigas, ela achou que mais uma tentativa havia dado errado, então, Pepper foi a primeira a abrir um sorriso largo.
— Você está linda! — ela disse com a voz emocionada.
As meninas concordaram com ela.
Assim que seus pés descalços tocaram o couro do pufe acolchoado e ela levantou a cabeça, sua respiração ficou presa na garganta. Seus olhos se arregalaram e ela não sabia se sorria ou se chorava.
Ela estava realmente linda.
Ela se sentia linda!
O vestido aderiu-se a ela como uma segunda pele. A renda parecia flutuar em seu corpo, descendo até a saia, se dispersando sutilmente na barra. Ele não possuía mangas longas ou restrições que lhe incomodassem, tinha todos os elementos que ela havia secretamente imaginado para si. E o decote em “V” não havia ficado esquisito para o tamanho de seu busto.
Ela já podia se imaginar caminhando pelo corredor de delicadas flores, até o amor de sua vida, iniciando um novo capítulo em sua trajetória, um capítulo que ela estava ansiosa para iniciar.
— É esse. — disse alto o suficiente para que todas pudessem ouvi-la.
Liza sorriu.
— Eu devo trazer o véu? — perguntou-lhe.
Lynna assentiu.
Imediatamente, a dona da loja flutuou pelo lugar à procura de um véu adequado para o seu vestido. Ela pediu-lhe para fechar os olhos, assim como suas amigas. Elas o fizeram. De repente, ela sentiu algo suave sob sua pele, assim como em seu rosto. Liza deu-lhe uma tapinha suave no ombro.
Sem precisar de outra deixa, a ruiva mais velha abriu os olhos, engasgando-se ao ver-se usando um véu.
— Ele pode ser usado todo para trás. — a senhora disse. — Mas eu quis mostrá-la esta opção, para saber se está do seu gosto. — ela não podia fazer nada além de assentir. — Então, o que vocês acham?
— Eu estou sem palavras. — Mary murmurou, emocionada por culpa de suas emoções.
Isso soou confuso?
— Eu estou no mesmo degrau que Marnie. — Wanda respondeu.
— Eu também. — Han concordou.
— Você nasceu para usar este vestido. — Natasha disse com lágrimas nos olhos.
Pepper concordou, acenando com a cabeça.
— Então é este. — disse confiantemente para a dona da loja.
*
— Ah, eu estou apaixonada por aquele vestido! — Marnie comentou, caminhando com a cabeça encostada no ombro de Hanna, que era a única amiga que ela podia alcançar assim.
— Eu também. — Lynna murmurou, sorrindo sonhadoramente. — Eu já estava desacreditada depois daquele tomara-que-caia...
— Ainda bem que tudo deu certo no final. — Nat esfregou as mãos. — Agora... que tal nos prepararmos para a seção de cinema?
Mary franziu os lábios.
— Não vai dar. — disse-lhes, encolhendo os ombros em sinal de desculpas. — Eu tenho um jantar para ir mais tarde.
— COMO ASSIM?! — Hanna, sendo escandalosa do jeito que ela era, gritou no ouvido da ruiva anã. — Você está vendo alguém? Por que não me contou? Quem é essa criatura? É o carinha da recepção? É a Maureen da enfermaria da SHIELD? São os dois? Eu sempre soube que você tinha umas tendências a ser meio bi e ser poliamor...
— Hanna, respira! — Marnie pediu, adentrando a sala de estar. — Eu estou vendo alguém sim. Já faz um tempo agora... e não, esse alguém não é o chernoboy da recepção, ou Maureen, porque ela já é casada. — ela suspirou. — É alguém muito especial.
— Eu ouvi bem? Mary está namorando? — Tony se pronunciou, retirando seus óculos da indiferença.
— Não, eu não estou. — Lynna olhou para ela com o cenho franzido. Ué... — Na verdade, eu sou casada.
Sam cuspiu o chá que ele estava tomando, ao passo que a boca de todo mundo se arreganhou enquanto ela e Steve gritavam ‘O QUÊ?’ em uníssono, porque eles sabiam a verdade.
— Ok, ok. Você já chocou todo mundo. Quando é que podemos te dar o seu biscoito? — Nat disparou, revirando os olhos.
— Eu estou falando a verdade, bebê. — a nanica disse com um sorriso amplo. — Não é mesmo, James?
Cabeças viraram para Bucky, que tinha os olhos arregalados com a quantidade de globos oculares em cima dele.
— Ok, já chega mocinha! — Tony exclamou. — Você não vai me enlouquecer!
— Na verdade, Stark. Ela está certa. — a voz de Bucky a fez arregalar os olhos. Ela não esperava levar uma pancada dessas cedo, cedo! — Nós nos casamos.
Sam abriu a boca, mas parou quando Marnie levantou o braço.
— Samuel, se você pronunciar a palavra Chernobyl eu vou fazer você engolir essa porra dessa caneca. — ela disse estreitando os olhos.
Ele engoliu em seco.
— Mas gente, eu só ia perguntar quem foi que deu drogas para vocês dois! — levantou a mão em sinal de rendição.
— Barnes, DeLavega... vocês podem me explicar isso?! — Lynna pediu, olhando de um para o outro.
Eles tiveram a decência de ficarem envergonhados.
— Sim, eu posso. — Marnie respondeu, suspirando. — Mas já vou logo adiantando, é uma história longa... — ela olhou para Bucky, que sorriu para ela, assentindo. — Mas eu quero que vocês a ouçam, porque eu quero compartilhar minha alegria com vocês...
— Então é mesmo verdade? — Nat disparou.
— Sim. Lya está de prova. — apontou para ela, que arregalou os olhos, mas assentiu, fazendo todo mundo olhar para si com os olhos estreitos. — Ela invadiu o nosso quarto e esperou até que nós adentrássemos lá, só para saber se estávamos juntos ou não.
— Pera aí... — Sam disse, parecendo incrédulo. — Ela viu vocês dois... — ela e Bucky assentiram. — Exótico.
— SEXTA-FEIRA... — Tony chamou. — Lembre-se de trancar todas as minhas dependências ao menor sinal de calor da Lady Tóxica, pelo amor de Deus!
Seus amigos prenderam a respiração quando ela jogou uma almofada na cara dele.
— Eu só fiz isso porque o barulho desses dois coelhos estava insuportável. — todo mundo arregalou os olhos. — Parece que o jogo virou, não é mesmo?
— Gente, eu não sabia que estava criando um zoológico aqui dentro! — Stark, sendo um merda, comentou. — Desde quando?
Os dois suspiraram.
— De um a dois meses. — Bucky respondeu.
— COMO ASSIM?! — a maioria dos seus amigos gritaram. — Putz vocês são bons em se esconder. — Nat resmungou, brincando com as pontas das almofadas.
— Mas parecia ser bem fácil de se identificar! — Lynna rebateu, cruzando os braços. — Geralmente Barnes acabava arranhado pelas unhas dessa selvagem, e de vez em quando ela aparecia com sangue nas unhas!
— OH MEU DEUS, O MUNDO ESTÁ ACABANDO! — Natasha arregalou os olhos. — Mary, você corou?!
A nanica fechou a cara.
— Fica quietinha, fica! — rosnou.
— Nossa Senhora! — Tony murmurou. — E eu que tinha medo da Lady Tóxica... perto dessa criatura, ela é quase um anjo. — Mary mostrou-lhe o dedo do meio. — Coisa feia, mocinha. Se bem que... a minha mocinha já não é mais mocinha... o que significa que... Barnes, você vai se ver comigo, seu tratante! Como assim vocês dois podem ter se casado sem ao menos nos avisar?!
— É. — Nat atiçou, batendo o pé. — Hanna, me passa a faca. Hoje me deu vontade de comer carne de supersoldado.
Bucky arregalou levemente os olhos.
— Vocês não vão fazer nada, seus bobos! — Mary cruzou os braços.
— Ei, espera aí?! — a Viúva arregalou os olhos. — Era por isso que você queria aprender aquilo?!
Mary corou outra vez.
Cara, essa conversa estava ficando boa.
— Por que você acha que eu escolhi aquele truque? — Lynna atiçou.
— Vocês calem a boca! — a nanica resmungou. — Isso ainda não aconteceu!
— Como não? — sua amiga pressionou-a.
— Eu já disse para ficar quietinha. — a outra chiou. — Uh, ok... vocês realmente devem estar confusos. Porque num minuto, James e eu nos odiávamos, e no outro, nós estamos casados. Mas eu posso explicar. — ela relaxou-se completamente, convidando todo mundo a se sentar. — De verdade, eu sinto muito não ter lhes contado tudo antes. Eu nem planejava que essa pessoa exótica soubesse. — resmungou, apontando para ela, que havia se sentado ao lado de Steve, apertando-se contra ele. — Porque eu tinha medo de que tudo ia dar errado. E vocês irão entender quando eu contar tudo, eu espero...
— Eu vou logo adiantando que esta história não é um mar de rosas. — Buck se pronunciou, contornando a cozinha para sentar-se ao lado de Marnie, olhando para seus amigos com os olhos estreitos. Ele era tão fofinho quando estava com ciúmes. — E que se ela se sentir desconfortável por culpa de vocês, eu a levarei embora, e vocês nunca saberão o final.
Tony levantou as mãos em sinal de rendição.
— Estamos do seu lado, Floquinho. — disse-lhe.
— É. — Hanna comentou. — E eu juro que só vi a Marnie pelada uma vez.
Ela franziu o cenho.
— Mas isso não tem nada a ver. Nós tomamos banho no mesmo banheiro... — rebateu.
Han balançou as sobrancelhas.
— Mas eu nunca disse que eu não cobiçava... — brincou.
— Pervertida. — Bucky resmungou.
— Ok. — Nat pigarreou. — Nós estamos prontos. Conte-nos sua história...
A pequena tomou um suspiro, assentindo.
— Bem, a maioria de vocês não deve saber, mas... eu não nasci Mary Elizabeth DeLavega. — começou.
— Você é trans? — Sam a interrompeu, fazendo-a rir baixinho.
— Não Sam, eu não sou trans. — respondeu-lhe carinhosamente. — Na verdade, eu nasci Analuiza Cristina Monteiro. — colocou uma mecha de seu cabelo para trás da orelha. — Eu vim de uma região pobre no Brasil. E tudo o que eu queria era dar uma vida melhor para a minha mãe, que havia ficado meio “desfalcada” depois que o meu pai morreu... — ela fez uma pausa, como se estivesse tentando se lembrar de tudo. — As coisas começaram a melhorar quando o meu irmão se formou na faculdade de Química e foi trabalhar no Rio de Janeiro. Ele era o herói da família, sabia? — ela fungou suavemente, fazendo seu coração se acelerar. Lynna não gostava de ver suas amigas tristes. — Eu queria ser uma heroína assim como ele... assim como Steve... — riu baixinho. — Cara, eu era a maior fã do Cap. Eu li todos os quadrinhos, assisti todos os filmes. O meu sonho era ser igualzinha a ele! Ok, não tão igual, mas ainda sim, eu queria salvar pessoas como ele... — Marnie encostou a cabeça no ombro de Bucky por alguns segundos, antes de voltar a falar. — Mamãe havia me dito que se eu quisesse ser como o Capitão América, eu tinha que me tornar um militar primeiro, porque ele também fora um militar antes de tudo... e aquele se tornou o meu maior sonho: passar minha juventude estudando para ingressar nas forças armadas... — ela olhou para cima, depois tomou outro suspiro. — Contudo, há seis anos atrás, para ingressar nas forças armadas do meu país, as mulheres precisavam necessariamente entrar pela Escola de Saúde. Porque eles ainda viviam na idade da pedra, e achavam que tudo o que uma mulher podia fazer era remendar o fiofó rasgado de um macho.
— Isso é horrível. — Nat resmungou.
— Não é?! — a nanica concordou animadamente. — Eles vivem na Idade da Pedra Lascada! — bateu no joelho. — Mas voltando... como naquela época eu estava ansiosa para ser militar, eu fiz um curso técnico de enfermagem na cidade onde eu morava... era um daqueles programas que o governo estadual fazia, sabe? A união do ensino médio com o técnico. E quando você terminava o colegial, já podia ingressar no mercado de trabalho... — suspirou. — Eu terminei meus estudos com quinze anos. Porque minha mãe era muito amiga da diretora do colégio onde eu estudava, e falou com ela para que ela pudesse me avançar nas classes. Eu me adaptei, e ela concordou que eu tinha potencial... — deu de ombros. — Aquilo soava muito foda na época... então, eu só precisava escolher para qual força armada eu deveria servir. E eu escolhi a Marinha.
— Você nunca nos disse o porquê... — Lynna murmurou suavemente.
Marnie sorriu.
— Cara, quando você é criança, e vê aqueles uniformes que eles usam... da uma sensação foda, sabe? Eu sei que aqui nos Estados a Marinha de vocês usa azul, por isso o azul-marinho... dã... — eles riram com ela. — Mas lá não. Lá eles usam branco. Sabe o quão precioso era isso? Era um orgulho vestir o branco, a cor da paz. Era muito incrível usar aquele quepe de marinheiro, junto com aqueles sapatos incrivelmente lustrosos... Entre as garotas, a Marinha era a mais disputada. Havia um glamour esquisito em usar o uniforme pela primeira vez. E minha mãe nunca tinha sorrido tanto, quanto no dia em que eu a encontrei na base do Rio de Janeiro, durante a minha formatura do Curso Preparatório... — ela limpou as lágrimas dos cantos dos olhos. — E eu só queria que ela ficasse feliz... — Buck abraçou-a de lado, acariciando seu braço com a mão de metal. Eles simplesmente pareciam se encaixar tanto... — Naquele dia, eu não sabia que seria a última vez que eu iria vê-la... — ela olhou para o chão, tremendo um pouco. Lynna quase abriu a boca para perguntar se ela queria continuar, e que estaria tudo bem se ela não quisesse, mas Marnie respirou fundo e voltou a falar. — Os oficiais usaram uma desculpa fácil para dizer que os novos Cabos tinham muito trabalho pela frente, cuidando dos refugiados argentinos que necessitavam de nós. Naquela época, uma crise havia se instalado na Argentina e isso havia afetado o Brasil também, que meio que “comprou” a briga deles, por isso eles começaram a treinar os recrutas mais cedo. Eu era uma autoridade, sabia? Os soldados tinham raiva de mim. — riu. — Nenhuma piada será aceita. — seus amigos riram também. — No mais, tudo parecia bem... até que...
— Até que a merda explodisse no elevador... — Hanna murmurou. — Acho que todos nós já vivemos um pouco desses dias...
Sua amiga assentiu.
— De repente, as coisas começaram a ficar estranhas. Muitas meninas da minha unidade haviam sumido sem explicação. Na época, eu me lembro que eu havia achado que elas poderiam ter sido transferidas. Só quem foi militar sabe que ficar numa cidade só é bem difícil, ainda mais estando “em guerra”. — Steve concordou com ela, assim como Sam e Rhodes. — Contudo, eu fui uma burra de dezesseis anos, que jamais tinha conhecido o verdadeiro mal do mundo.
— Eu não imaginei que seu país aceitava recrutas tão jovens... — Rhodes comentou com o cenho franzido.
— Eles disseram que a “guerra” os obrigou a tirar os jovens de casa... — ela deu de ombros. — Mas na verdade, eles estavam atraindo os jovens. Porque depois do senso que fizeram, as autoridades militares descobriram que existiam mutantes naturalmente brasileiros na faixa dos quinze aos dezoito anos. E o país, que estava perdendo a “corrida” da inovação e da revolução industrial, havia se interessado por esse fato. Seria a primeira vez em anos que eles iriam poder se igualar ao temido Estados Unidos e os incríveis mutantes do Instituto Xavier. — ela engoliu em seco. — E para quê eles haveriam de querer mutantes em suas forças armadas? Vocês devem estar se perguntando... bem, a verdade é que eu não sei ao certo, mas tem algo a ver com a Amazônia e o que existe dentro dela. Aquele lugar mal foi explorado pelo homem! Eu sei disso, porque quando eles me escolheram, eu fui obrigada a utilizar meus poderes para comprar partes substanciais da floresta.
— Isso é possível? — Tony perguntou, assustado.
— Como você acha que o Brasil está prestes a se tornar uma potência mundial? — ela arqueou a sobrancelha. — Eles compraram a Amazônia quase inteira para eles, eles se aproveitaram do recurso misterioso que eu sei que há nela para crescerem, e tudo isso com a ajuda de um inimigo em comum...
— A Hydra. — Lynna amargou, sentindo seu coração ficar pequeno.
— Sim, eles foram idiotas o suficiente para fazerem um pacto com o coisa ruim. — Marnie lamentou. — O que eles não sabiam, era que o preço a pagar é extremamente caro para quem vende sua alma... — fungou. — No dia em que tudo mudou em minha vida... no dia em que eu me decepcionei com a pessoa que eu mais idolatrava no mundo mais que o Cap... eu vi do que o ser humano era capaz para ter poder. — ela apertou os olhos com força. — Eles mataram um pelotão inteiro, tudo isso para descobrir apenas um mutante entre eles. Eu. — todo mundo arregalou os olhos. — A Hydra não fez de mim um mutante, eu já era. E sabe quem sabia disso?
— Seu irmão... — Lynna murmurou horrorizada, fazendo Mary assentir veementemente.
— O próprio. Sangue do meu sangue, saído da mesma vagina. — ela disse aquelas palavras com veneno. — Ele sabia que eu era uma empata. Foi por isso que ele foi contratado para trabalhar naquela base. Pela sua descoberta com o meu sangue! E ele nem era militar! Eu deveria ter desconfiado disso desde o princípio... — riu sem humor. — Enquanto eu ouvia os gritos aterrorizados dos meus colegas de classe, colegas de base... eu pesava que alguém iria aparecer para me salvar, mas acontece que ninguém veio. Tudo o que eu me lembro é de ter sido jogada numa cadeira que parecia aquela que a Hydra normalmente utilizava para apagar a mente do Soldado. Eles injetaram alguma coisa em minhas veias e o “milagre” aconteceu. Eu não morri. Porque eu sou a porcaria de um mutante... — fungou, encarando seus amigos, que pareciam horrorizados o suficiente para matar que fez isso com a anã deles. — Eles me disseram que eu era uma empata. Alguém que podia ler sentimentos alheios. Eles também me disseram que não era exatamente o que queriam, mas era exatamente o que precisavam. Então, eu fui levada a uma sala de testes, e adivinha quem estava lá? Sim, o meu irmão. Roberto Monteiro, o cara que era um herói para sua estimada mãe... — riu sem humor outra vez. — Ele me tratou como se jamais tivéssemos nos visto. Eu gritei para ele me tirar dali, para me levar de volta para a nossa mãe, e sabe o que ele fez? Ele utilizou isso contra mim. Ele me disse que se eu não fizesse o que o governo queria, eles iriam matar a mãe e as nossas irmãzinhas. Elas eram praticamente bebês na época.
— Que monstro! — Wanda rosnou, segurando na mão de Pietro. — Esse ser ainda é vivo?
A pequena assentiu.
— Infelizmente. — respondeu. — Mas isso não é nem a ponta do iceberg. — deu-lhes um sorriso sarcástico. — O pior ainda estava por vir. E ele veio no nome que deveria ser minha salvação, mas tudo acontece para foder os outros, não é? — ela deu de ombros para a sua pergunta retórica. — Um cientista com fala estranha me “apresentou” à mais preciosa criação dele: o Projeto Anjo.
— Oh meu Deus! Você é O Anjo?! — Hanna disparou, com os olhos arregalados. — Na base onde eu estava, ainda nos anos noventa, todo mundo falava sobre um projeto assim...
Mary se encolheu um pouco.
— Acho que sim... eu sou esse tal de Anjo que a Hydra havia criado... — respondeu-lhe. — No começo, eles estavam apenas “testando as águas”, enviando-me em “missões” curtas, obrigando-me a seduzir presidentes pedófilos e misóginos para comprar seus territórios... eles estavam me preparando para receber uma carga maior. A de controlar os ativos deles. — seus olhos nunca se arregalaram tanto. — Acho que não é segredo para nenhum de nós que Lya era resistente ao soro da Pétala, que eles congelaram Hanna porque não conseguiram controlar seu fogo, que senhor, é muito forte. — Han lhe mostrou o dedo do meio. Aí tem. — E que eles não poderiam fritar o cérebro de James para sempre. Uma hora, ele iria colapsar e ele poderia enlouquecer, ou pior, morrer. Não. Eles não podiam deixar que a situação saísse do controle. Por isso o Projeto Anjo surgiu. — ela afundou-se ao lado de Buck, que apertou-a contra si. — Para poder controlar seres tão teimosos, eu precisava ser mais do que uma simples empata. Meus poderes eram tão limitados, que eu só conseguia expressá-los através do contato. Eles queriam expandi-los para que eu pudesse externar isso sem precisar tocar ninguém. Porque imagina se eles me obrigassem a tentar acalmar o Soldado Invernal em plena fúria? — todo mundo estremeceu, até mesmo seu irmão, que quase retirou seu braço de metal de perto dela, mas a mesma segurou sua mão com força. — Não rolaria com toque, né? — todos concordaram. — Para ampliar meus poderes, eles utilizaram uma dose experimental de algo chamado “essência do anjo”, que é o que eu deduzo ser uma planta amazônica, por isso a compra do território... — ela bateu em sua têmpora com seu dedo indicador, como se dissesse “sacou?”. — Em questão de dias, eu já podia me sentir mais forte, mais poderosa. E é aí que James entra na história. Com os meus poderes expandidos, eles ousaram experimentar o nosso primeiro contato. Ver como James reagiria a mim, criar uma conexão entre a gente... — ela riu zombeteiramente. — Mal sabiam eles, que nossa conexão seria bem maior que o esperado... — eles se entreolharam e ela teve que olhar para o loiro com uma expressão de “eu não te falei?”. Ele simplesmente encolheu os ombros para isso. — De alguma forma, meus poderes o atraíram, no exato momento em que meu irmão estava testando alguma coisa em mim. Ele invadiu a sala, tentando me salvar, achando que ele estaria salvando a você, Lya. — Lynna arregalou os olhos, vendo seu irmãozinho corar. — E esse foi o começo de tudo para nós dois. Como a Hydra havia desejado, nós criamos um vínculo. Era tudo o que eles precisavam para que eu pudesse controlá-lo, fazê-lo obedecer apenas a mim, seguindo o padrão de emoções que ele sentia quando as Palavras Chave eram ditas. Contudo... eles não esperavam que nós tivéssemos nos apaixonado... — ela brincou com seus dedos. — O problema de eles terem expandido os meus poderes, é que não havia segredos para mim. Eu vi tudo pelo que James havia passado, quem ele fora antes da Hydra desgraçar sua vida... e não havia como eu não me apaixonar... — eles eram apenas tão fofos... — E o nosso amor se tornou um problema para a organização. Porque se eu estivesse extremamente ligada a ele, isso significava que o Soldado também estaria. E com ambos “em minhas mãos”, eu poderia usar isso contra a Hydra. E tudo piorou ainda mais quando... — foi nesse ponto, que a vozinha dela finalmente falhou. — Quando nós... ele... Oh meu Deus... ele era tão pequeno...
— Não! — a voz de Lynna falhou quando ela deduziu sobre o que Marnie estava falando. — Não pode ser...?
— Eu iria ajudá-la a fugir quando descobrimos sobre o bebê. — exatamente agora, após a fala de Bucky, não havia um “ser humano” naquela sala que não estivesse chorando, ou prestes a chorar. — Ele não podia ser um boneco de testes deles.
Mary fungou.
— James conseguiu encontrar a saída da base, nós estávamos quase na fronteira, quando o meu irmão nos achou e nos trouxe de volta. — murmurou com a voz embargada. Ela nunca havia visto Marnie tão debilitada assim, mas ela tinha licença para isso. — Lá eles nos separaram e limparam a mente dele na minha frente. — sua mãozinha apertou a mão de metal do supersoldado moreno. — E me obrigaram a vê-lo partir, sem sequer me reconhecer. E eu já não podia mais acessar o seu cerne para fazê-lo ao menos saber quem eu era... — ela soluçou, quebrando. E aquilo foi a coisa mais dolorosa que a mais velha viu na vida. — Eles descobriram sobre o bebê e disseram que eu iria tê-lo. Eles disseram que a minha insubordinação iria servir para alguma coisa. Que eu lhes daria um bebê mutante, com o uma versão estabilizada do soro dentro dele... — a pequena enfiou a cabeça no peito de Buck, livremente chorando. — Mas o meu filho não chorou quando ele nasceu. Ele sequer reagiu aos estímulos que os médicos da base o submeteram... ele era tão roxinho... — não, não, não! Uma pessoa não deveria ter sofrido tanto em tão pouco tempo de vida! — Eles o decapitaram quando perceberam que o anjinho não respirava mais... e me trancaram numa sala vazia, para que eu aprendesse a lição. Contudo, os cientistas foram obrigados a apagar a minha mente, porque com a minha raiva, eu fiz os médicos envolvidos no parto se suicidarem. Quando isso chegou até o meu irmão, eles resolveram “neutralizar a ameaça” antes que alguma merda acontecesse com o pica de ouro deles. — fez aspas, sarcasticamente, com veneno em cada fibra de seu ser. — No dia em que nós nos encontramos naquele baile, nenhum imbecil da Hydra BR tinha noção do que eu podia fazer, uma vez que meus poderes haviam sido expandidos. Eu não sei o que eu mereci para ter ganho a confiança de vocês dois... — ela e Steve sorriram carinhosamente para a pequena. — Talvez tivesse sido o destino. Ele quis que vocês confiassem em mim, me tirassem daquele lugar maldito e me trouxessem para cá, ao mesmo tempo em que um certo soldado teimoso havia conseguido escapar das amarras que o prendiam. Vocês dois me trouxeram de volta ao meu passado, à parte boa dele. E eu serei eternamente grata por isso.
— Você sabe que faríamos tudo de novo, não sabe? — a mais velha perguntou-lhe suavemente. — Nós odiamos injustiça, Marnie. Não importa em que país nós estejamos.
Ela sorriu, apesar das lágrimas que escorriam de seus olhinhos verdes.
— Eu tive sorte que vocês gostam de “coletar” vagabundos. — brincou. — Mais uma vez, eu sinto muito por não ter contado antes. Mas eu simplesmente não podia me arriscar. Tendo a história de vida que eu tive, meu medo era que se eu abrisse a minha boca, alguém brotaria de Nárnia para tirar minha felicidade de mim outra vez... então eu disse a mim mesma que iria revelar tudo quando nós estivéssemos estáveis. E na cabeça de uma criatura saída dos anos 30/40, estabilidade significa casamento. E eu não poderia me casar com James se ele não tivesse seus documentos...
— Por isso você achou interessante fazer amizade com uma advogada? — Hanna fez bico.
— Para de fingir, Nuri! — Mary sorriu amplamente. — Ela foi a nossa testemunha. — todo mundo olhou chocado para ela, que se encolheu. — Porque eu a ameacei. Nós nos casamos ontem, num lugarzinho em Las Vegas. Eu sei que não é muito, mas nós não precisamos de tanto assim... — sorriu para o supersoldado, que segurou-a contra seu corpo. — Eu também sei que vocês provavelmente não têm nada a ver com o que eu vivi, mas eu só queria que vocês me conhecessem intimamente, como eu conheço cada um aqui, e porque as coisas que eu sei podem ser de grande ajuda para a humanidade daqui a alguns anos. Eu sei, isso soa prepotente, mas a ameaça é real. A união da Hydra, do governo BR e dessa tal de “essência do anjo” é choque de monstro. Nada bom pode sair de lá... o que vocês estão fazendo...?
A pequena arregalou os olhos quando não pôde prever o que estava chegando.
Seus amigos apertaram-na em um abraço coletivo, cada um tentando pegar um pedaço dela.
— Eu quero que saiba que nós te amamos, e que faremos qualquer coisa para proteger você. — Tony foi o porta-voz, fazendo Mary tremelicar suas pálpebras, surpresa pela atitude dele. — Obrigado por ter compartilhado sua vida conosco. Você não é obrigada, mas mesmo assim o fez. E agora que nós sabemos sobre o seu passado, pode crer que jamais permitiremos que as pessoas que te fizeram mal cheguem até você. Porque você é da família. Os dois são, na verdade. A minha família, e nós, acho que posso dizer com propriedade, estamos felizes que os dois conseguiram ter seu caminho de volta para os braços um do outro.
A pequena soluçou.
— Anthony, para! Você vai quebrar o balanço da Terra fazendo uma merda dessas, cara! — brincou. — Obrigada gente.
A resposta deles foi apertá-la ainda mais.
— Não por isso. — Nat murmurou. Ela também parecia ter chorado. Do jeito dela, mas chorou. Porque ela se importava, e Lynna sabia o quão apegada àquele ser irritante ela era.
— Uh, e isso não os faz se livrarem de uma festa! — ela ouviu Bucky gemer. — Haverá toda a pompa e circunstância! Nosso Floquinho e a nossa Lady Inverno merecem isso e... ai, sua maluca!
— Você não pode usa as minhas armas contra mim, Stark! Ou eu vou contar para você sabe quem o que você fez nos arquivos da SHIELD dela! — Mary resmungou.
— Eu tenho uma dúvida... — Pietro se pronunciou, afrontosamente descendo sua mãozinha mais para baixo da cintura da pequena, fazendo Bucky estreitar os olhos para ele. — Nós devemos te chamar de Mary, ou de Analuiza?
A ruiva anã riu baixinho.
— De Mary, por favor! — respondeu. — Analuiza está morta. Eu já não sou mais aquela garota há muito tempo. E Mary DeLavega/Barnes é fofinho. Eu escolhi esse sobrenome por causa do Zorro...
— Ninguém percebeu. — Tony ironizou, ganhando um revirar de olhos.
— OK, já chega! — um Bucky Barnes resmungou, enfezado. — Tirem suas patas da minha esposa, ou eu vou fazê-los tirar.
Rapidamente, os mais medrosos se saíram.
— Você é um chuchu quando está com ciúmes, Barnes. — Nat apertou as bochechas do moreno de olhos azuis, que recuou para longe de seu toque. — Mas eu deveria dizer que você tem que abrir o olho, certas pessoas podem tentar furá-lo...
Sorriu, então saiu para a ilha da cozinha.
Com toda a sua cara de pau, Lynna estapeou o ombro de carne do moreno, beliscando-o logo em seguida.
— Ai, sua maluca! Por que você fez isso?! — ele gritou.
— Porque você escolheu a Nuri Minhoca ao invés de mim. — ela rebateu.
— Eu não tenho culpa de ser a melhor, fofinha. — Han jogou seu cabelo para trás.
— Correção: Mary tem ela nas mãos por alguma merda que Hanna fez. — Wanda disparou, fazendo a mais velha mandar positivos para ela.
Hanna apenas fez um gesto de descaso.
— Eu apenas estava na hora certa e no lugar certo. Eles me chamaram, e lá estava eu, assinando os papéis dos meus pombinhos. E também porque se fosse você, você iria contar para Steve. E todo mundo sabe que o lado sombrio do Capitão América, além dele ser um falador sujo, é que ele é fofoqueiro que só a porra... — a pequena morena fez um coração com as mãos. — Só para deixar claro, eles passaram vocês na corrida. — disse para ela e Steve, que deram de ombros.
— EI! — seu noivo protestou.
— Nós não ligamos. — ela respondeu pelo loiro, fazendo um gesto para ele ignorar Nuri. — Porque estamos felizes que nossos amigos estão felizes.
— Obrigado (a). — os dois disseram em uníssono.
— Não precisa agradecer. — Lynna insistiu. — Eu quero que saiba que não permitiremos que nada de ruim aconteça aos dois, porque é isso que uma família faz, e vocês são membros dela. Os protegeremos até a morte.
Bucky beijou sua testa carinhosamente.
— Espero que não chegue até isso, Cupidon. — ele murmurou, sussurrando a última palavra em romeno.
Ela riu baixinho.
— E eu também. — murmurou de volta. — E Mary... — ela tentou mentalizar uma língua que a nanica soubesse, mas que Barnes não. Algo quase impossível... — Mate o velho com categoria. — disse arrasando em libras, o que deixou seu amigo confuso, mas sua amiga vermelha como um pimentão.
Ela tinha que se acostumar com essa Mary que cora. Ela meio que gostava desse novo ‘eu’ dela, porque agora ela parecia alguém ainda mais humana, ainda mais forte, apesar de tudo o que sofreu...
“Obrigada” ela sibilou.
“É para isso que serve a família”, ela sibilou de volta. “Que você seja muito feliz, você merece”.
E aquilo era um fato.
Aqueles dois mereciam a felicidade, e se dependesse dela, ninguém iria perturbá-los enquanto ela estivesse viva.
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