The Captain and The Petal.

81 Seventy-ninth Chapter. - Blood on ice.


Notas iniciais
Ois! Demorei, mas cheguei, com um capítulo enorme! Eu realmente espero que não tenha ficado confuso. Boa leitura! PS: perdoem-me se houver algum erro de português.

Sangue no gelo.

Apesar da neve cair duramente lá fora, o lugar onde ela estava era bastante quente. O sol beijava sua pele delicadamente, fazendo seus cabelos cintilarem os fios dourados escondidos em sua cascata de cobre.

Ela arrumou o tecido leve do vestido verde-água em seu joelho, enquanto esperava por sua mãe, mas não tinha nenhuma apreensão em seu coração, pois sua genitora sempre vinha.

— Você está se aproximando. — a voz dela soou pelo belo jardim de verão. — Eu te disse que seria apenas uma questão de tempo.

Sorriu-lhe, afastando-se um pouco da beirada da fonte para deixa-la sentar ao seu lado.

— Quanto tempo levará? — perguntou-lhe ansiosamente, apertando suas mãos.

Aleksanna sorriu, acariciando sua pele com os polegares.

— Acalme-se, pequena. — murmurou. — Tudo acontece em seu determinado tempo.

Ela bufou.

— Mas está demorando muito! — reclamou, fazendo sua mãe rir.

— Você e sua avó são iguais, sempre impacientes sobre as coisas futuras, sempre tão curiosas. — ela observou, esticando uma de suas mãos para acariciar seus cabelos. — Meu desejo era poder tê-la visto mais uma vez antes de partir. No lugar onde estou, eu não tenho contato com quase ninguém. — seus olhos ficaram tristes.

Mama, onde você está? — perguntou-lhe, aproximando-se ainda mais dela, como se pudesse sentir o calor do corpo dela outra vez, como quando ela era bebê.

— Em breve você saberá. — respondeu-lhe misteriosamente. — Agora você deve acordar, minha filha. Não é seguro para você estar presa nesse mundo.

— Hm? — Ela pulou para fora de sua cama ao mínimo barulho em seu apartamento, assustando-se com a presença de Mike, que tinha a cabecinha em suas pernas, fazendo-a sorrir manhosamente para ele, apesar da dor infernal em sua cabeça. — Oi pequeno, o que você faz aqui?

Ele latiu, levantando-se de sua posição, apenas para deitar-se como uma bolinha ao seu lado.

Ela estava enrolada em um estranho cobertor cinza, que destoava da decoração roxa de seu quarto, enquanto refletia sobre o sonho esquisito que teve, aquele que ela nunca conseguia se lembrar de nada quando acordava.

O filhotinho de golden enfiou a cabecinha no pescoço dela, como se fosse um gesto do qual ele já estava acostumado. Ele fazia isso desde que ela chegou ao Complexo, arranhando desesperadamente sua porta para poder dormir com ela.

A partir da terceira noite seguida, ela começou a imaginar que ele fora seu cachorro antes da Hydra levá-la de volta.

Desde então, ela sempre deixava a portinhola aberta, que parecia ser uma coisa existente em quase todos os apartamentos do Complexo.

De vez em quando, ele e Lya – a cabrita que o filho de uma mãe do Soldado Invernal havia apelidado com o seu nome – adentravam juntos, dormindo enrolados com ela.

Hoje era só Mike, o ciumento.

Todas as vezes em que ele e a cabritinha de pijamas iam dormir com ela, a criaturinha não permitia que o outro animalzinho se deitasse muito perto dela, querendo ter a sua atenção inteiramente para si.

Beijou sua cabecinha, fazendo-o se mexer um pouco, olhando para ela com seus enormes olhos cor de mel.

— Acho que está na hora de levantarmos, não é mesmo garotão? — perguntou para ele, que se levantou imediatamente, ofegando na espera de mais ordens. — Seu dono deve achar que eu quero te roubar para mim!

E ela queria, não iria negar nada. Se Steve piscasse, ela levaria seu cachorro embora para si.

Lutando contra a dor de cabeça, Lynna levantou, lavou as mãos e escovou os dentes, amarrou o cabelo, catou alguns remédios de dor e rumou para a cozinha comunitária, para catar algumas guloseimas em sua caixa personalizada, foi quando ela viu uma trouxinha no sofá.

— Bucky? — franziu o cenho, descobrindo o supersoldado moreno, que deu um salto quando Lya – a cabrita – passou a morder a manga do suéter dele. — O que você está fazendo aqui?

Ele piscou confuso.

— Anya me colocou para fora do apartamento. — respondeu-lhe com a voz enrouquecida pelo sono. — Ela disse que eu lhe traí, bloqueou meu acesso para o apartamento e jogou minhas coisas para fora da portinhola de Lya.

Lynna franziu o cenho, contornando o sofá para sentar-se ao seu lado.

— Ainda é sobre a embaixadora turca? — perguntou-lhe, vendo-o revirar os olhos. — Você sabe que tem que conversar com ela propriamente, e não quando ela está bêbada, não é?

Ele bufou.

— Eu sei. — resmungou. — Mas ela não vai me escutar, é tão teimosa quanto você!

Ela riu, colocando uma mecha de seu cabelo para trás da orelha.

— Que tal você tentar outra vez mais tarde, quando os ânimos dela estiverem mais calmos, hm? Você poderia fazer um piquenique com ela... comprar-lhe a sua comida favorita... — seus olhos se arregalaram quando ele lhe deu um beijo estalado em sua bochecha. — Aonde você vai?

— Comprar coxinhas. — ele respondeu, deixando-a confusa para trás.

Cinco minutos depois, Hanna e Natasha apareceram na cozinha, cada uma com compressas na testa.

— O que foi que aconteceu noite passada? Eu acordei com trinta e cinco mil dólares, três mil reais e oito mil euros em moedas na minha cama. As outras duas moedas eram cédulas, ok? — Han disparou, jogando-se ao seu lado no sofá de L.

— Acredite em mim, eu não quero nem saber o que eu fiz noite passada. — Lynna disse sombriamente. — Eu tenho até medo.

Nat riu, jogando-se à frente dela, com uma xícara de café puro nas mãos.

— Acho que aquela mistura não nos fez bem. — Mary assustou-as com sua voz, fazendo-as encará-la. Ela ainda tinha resquícios de rímel borrado ao redor de seus olhos. — Alguém viu James?

— Ele estava dormindo aqui no sofá quando eu vim para a cozinha. — a mais velha respondeu, saltando do lugar. — Agora que você falou, eu me lembrei o que vim fazer aqui. — dirigiu-se para a geladeira, a tempo de ver a ruiva anã corar.

— Acho que eu deveria falar com ele. — Lynna ouviu-a dizer enquanto se agachava para retirar sua caixa de granola e seu iogurte de coco da caixa organizadora.

— Bem, acho que você vai ter que esperar um pouco. — fez uma careta. — Eu disse para ele tentar te comprar com a sua comida favorita e ele saiu correndo dizendo que iria comprar uma tal de “coxinhas”.

Os olhos da anã se arregalaram, então ela abriu um sorriso enorme.

— Ok, então eu vou esperar. — sentou-se no lugar que ela ocupava anteriormente, antes de se jogar nas almofadas onde Bucky estava dormindo.

A mais velha deu de ombros e despejou a granola numa tigela.

— Olá meninas. — ela estava prestes a derramar o iogurte, quando olhou para cima, vendo Steve aparecer na sala sem camisa, com uma toalha pendurada em seus ombros, derretendo de suor. Santo Lorde, era inverno! Como uma pessoa podia aparecer assim enquanto uma nevasca caía lá fora?! — Vocês estão bem?

— Eu estou. — Hanna olhou por cima do ombro, sorrindo maliciosamente para ele. — E agora não estou mais com frio, pois a visão do seu tanquinho me fez aquecer.

Ele franziu as sobrancelhas para ela.

— Acho que você bebeu demais ontem à noite, Han. — disse com uma voz séria que lhe deixou um pouco perturbada. Ela teve que ter certeza de que não iria derramar o iogurte por causa disso. — Fiquem sabendo que eu não vou deixar vocês terem moleza no treino da próxima vez que vocês fizerem isso! — ele estava tentando parecer severo, mas havia um tom de brincadeira em sua voz.

— Dá um tempo, Rogers! Nem todo mundo nasceu ou foi transformado num supersoldado chato. — Marnie resmungou. — Eu queria dar um tiro na cara só seu amiguinho, foi por isso que as meninas me arrastaram.

Ele arqueou a sobrancelha, fazendo-a prender a respiração ao vê-lo passar os limites da bancada até a geladeira, agachando-se para capturar algo em sua caixa organizadora.

Eu não vou olhar para baixo, eu não vou olhar para baixo...

Era inevitável, aquela bunda era magnética.

As três jovens moças sentadas no sofá arquearam a sobrancelha para ela, que mostrou-lhes “delicadamente” o dedo do meio.

— Então... — Steve voltou a falar, colocando os itens que ele pegou da caixa em cima do balcão ao seu lado. — Você irá adorar saber que ela já foi.

Sua amiga soltou um suspiro alto.

— Ainda bem. — respondeu-lhe petulantemente. — Eu não sei quanto tempo eu aguentaria sem dar um murro na cara dela.

Ele levantou a cabeça, espremendo a laranja facilmente em seu copo.

— Hm. — resmungou, voltando ao seu trabalho. — Você está bem? — perguntou para ela, que encarava o bagaço da laranja com os olhos arregalados.

— Sim. — engoliu em seco, levando uma colherada de sua mistura para dentro, mantendo-se silenciosa por bastante tempo. — Por que eu não estaria? — arqueou a sobrancelha, tentando sorrir para esconder o fato de que havia outro lugar escorrendo além do peito do loiro. — Bom dia Thor! — sorriu para a criatura que apareceu na cozinha, completamente arranhado. — Meu Deus! Você foi atacado por um urso?

Ele estreitou os olhos para Hanna, que tinha um sorriso amarelo na cara.

E lá vamos nós...

— Não. — respondeu-lhe, caminhando desajeitadamente até a geladeira. — Alguém me arranhou quando eu tentei tirar o maço de dinheiro da mão dela, porque ela estava prestes a comê-lo...

O sorriso de Hanna se ampliou.

— Foi mal. — respondeu-lhe sem ao menos ter a decência de corar. — Eu posso remendar isso para você. — inclinou a cabecinha para o lado, tentando compensar sua cagada com a sua fofura.

Geralmente funcionava.

— Seria o mínimo. — o loiro asgardiano resmungou, fechando a geladeira.

Ela fez um bico, mas sabia que estava errada, então não falou mais nada.

— Meninas, que tal irmos assistir algum filme na sala de cinema? — Nat perguntou animadamente. — Onde está Wanda? SEXTA-FEIRA, convide-a para a nossa sessão de cinema!

— Imediatamente, senhorita Romanoff. — a IA respondeu.

— Uh... — Lynna pigarreou, finalizando sua tigela de granola. — Por que tem manchas amareladas esquisitas no carpete da sala de cinema, e por que ninguém pode sentar nelas?

Steve literalmente engasgou-se, tossindo compulsivamente, fazendo-a arregalar os olhos.

— Poder até pode... — Natasha disse com um sorriso malicioso na cara. — Nós só não nos sentamos lá porque aquelas manchas são de fluidos humanos. — estranhamente, o loiro americano corou da raiz dos cabelos aos dedos dos pés, fazendo-a ficar desconfiada. Os fluidos eram dele? — Mas posso saber o porquê da pergunta?

Ela olhou para o bonito peito corado do loiro, que ficava ainda mais bonito adornado por aqueles pelos loiro-escuros, então negou com a cabeça.

— Apenas curiosidade. — levantou-se, arrastando o banco de volta para sua posição natural. — Thor, saia do banco de Hanna. — seu primo resmungou algo, mas não se levantou. Ela colocou as coisas no seu canto da pia para lavar depois do almoço. — Ou eu vou fazê-lo sair.

Ele praguejou alto, indo para o outro banco.

— Está tudo bem, Lya. — Han abriu um sorriso. — Ele pode ficar lá hoje.

A mais velha resmungou alto.

— Um dia vocês dois vão acabar me enlouquecendo! — praguejou também, seguindo as meninas para a sala de cinema. — Não sente lá! — ela gritou para suas costas, quando o loiro fez menção de arrastar sua bunda anormalmente grande para o banquinho rosa. — Nunca se sabe quando essa criatura vai mudar de ideia e arrancar seus cabelos por isso.

A pequena sorriu angelicalmente.

— Passa lá para eu te remendar. — gritou também. — E traz a caixinha de primeiros socorros, porque eu não ando com ela, infelizmente.

E com isso, elas planejavam se enfiar em cobertores pelo resto da tarde.

*

— Ai! — Steve se assustou com o grito de Thor quando adentrou a sala de reuniões. Hanna o obrigou a se curvar no colo de Loki para reparar o senhor dano que ela havia feito em suas costas. — Ai! Assim não, droga!

— Bem, ninguém mandou você entrar na trajetória das minhas unhas! — a pequena rosnou, costurando um buraco enorme que havia nas costas do deus do trovão.

Misericórdia!

— Eu estava tentando impedi-la de comer aquela coisa poluída! — ele rosnou de volta, levantando a cabeça para encará-la.

Era só ele que achava que os dois podiam fazer um casal fofo?

Mary encarou com a sobrancelha arqueada, negando sua pergunta.

— Quer? — ofereceu uma das coxinhas que havia numa caixa enorme. Ela estava com as costas apoiadas no peito de Bucky, o que indica que ele a comprou com o lanche. — A briga desses dois vai demorar...

Ele sentou-se aceitando uma iguaria dourada e crocante, deliciando-se enquanto observava Hanna fazer a sutura em mais um dos muitos arranhões profundos do loiro mais alto.

— Você está arrancando a minha pele! — ele gritou.

— Eu estou tentando costurar, seu bebê chorão! — ela gritou de volta.

— Vocês dois podem parar de brigar em cima de mim?! — Loki resmungou. Cruzando os braços.

— Olá, crianças! — Tony apareceu na sala, retirando seus óculos ao ver a cena macabra. — Hanna, você tem certeza de que o Conselho de Medicina te autorizou a clinicar?

Ela levantou a cabeça para ele, xingando-o em coreano. Ele nem sabia que existia palavrões nessa língua!

— Pronto, terminei! — resmungou alguns minutos depois, quando Wanda e Visão adentraram a sala, acompanhados de Pietro e Sam. — Pode voltar ao que estava fazendo, bebê chorão. Você não terá nenhuma cicatriz amanhã!

— Como você pode ter feito tanto dano, se suas unhas estão curtas? — Steve perguntou, franzindo o cenho para as mãos de Han quando ela tirou as luvas.

— Porque eu cortei as unhas dela quando ela dormiu no sofá. — Loki respondeu displicentemente, estalando os dedos das mãos.

— Seu enxerido! — Hanna estreitou os olhos, fazendo-o dar de ombros.

— Bem... — Marnie tomou um suspiro, endireitando sua postura. — Já que a tortura acabou, estamos aqui para discutir uma ideia que Nat teve, mas ela não pode estar aqui, porque ela está enganando a nossa “vítima”.

O cenho de Steve se franziu. O que eles tinham de tão importante que envolvia Anna?

— Que seria...? — Tony fez a pergunta que estava martelando em sua mente.

— Seguindo a premissa do relato que Han nos deu sobre como Lya recuperou a memória que ela tinha das duas, Nat sugeriu “de brincadeira” que poderíamos trancá-los num lugar e ela se lembraria dos dois. — Marnie respondeu apontando para Steve, que aproximou-se mais do tampo da mesa, num movimento ansioso.

— Você poderia explicar isso direito? — perguntou-lhe.

Ela assentiu, engolindo o pedaço de sua coxinha.

— Seguinte: desde que tivemos a confirmação de que Lynna havia perdido a memória, Hanna ficou relutante sobre conviver com ela, pois ela não tinha condições psicológicas, depois de tudo o que sofreu na Hydra para aguentar viver com sua irmã sabendo que ela não se lembrava de nada do que elas enfrentaram juntas, coisa que tem um grande significado para as duas. — ele assentiu, então sua amiga suspirou. — Ontem, algo se rompeu. Ver sua irmãzinha chorar “por sua culpa”... — ela fez aspas expressivas para Han, que cruzou os braços, contrariada. — Sendo que não era culpa dela, mas tudo bem... — suspirou outra vez. — Voltando ao assunto: ver sua irmã chorar mexeu com ela, que foi conversar com a mesma, despertando algo dentro dela, talvez uma espécie de gatilho, o mesmo gatilho que estamos tentando atingir, seja repetindo algumas rotinas com ela, ou revendo os mesmos filmes que ela via conosco, as comidas... qualquer coisa. — ele ainda não estava entendendo o ponto. — Então, baseando-se nisso, Nat “teve a ideia” de colocá-los juntos. Porque a sua presença a deixa confusa de um jeito bom, entende? Se vocês dois fossem deixados para conviver juntos... eu sei que é um tiro no escuro, mas isso poderia desencadear o gatilho necessário para fazer a memória dela voltar, uma vez que vocês dois são “companheiros de alma”. Um sempre vai correr para o outro, e essa coisa legal...

Bucky riu baixinho.

— Como aconteceu de madrugada. — brincou, piscando os olhos para ele, que corou fortemente.

— Uma palavra sobre isso, e todo mundo, exceto Wanda, é claro, vai ser severamente castigado. — ele rosnou, cruzando os braços na altura do peito.

— O que aconteceu de madrugada? — Marnie perguntou com a sobrancelha arqueada.

— A mesma coisa daquela vez. — seu amigo idiota estava testando sua paciência. — Só que pior. — o loiro beliscou a ponte do nariz. — Eu não contarei como foi, mas posso adiantar que foi terrível.

Ele bufou.

— Ok, ok. Já acabou? — o moreno de olhos azuis tinha um sorriso cínico no rosto. — O que Banner tem a dizer sobre isso?

— O mesmo. — Han deu de ombros. — Que temos que encontrar um gatilho que ajude ela a recobrar a memória. Estamos tentando por quase um mês, quem sabe você e seu corpinho sexy não conseguem sem nenhum de nós atrapalhando?

— E para onde vocês iriam? Passariam o dia trancados em seus quartos? — disparou, arqueando a sobrancelha.

— Na verdade... — Loki se intrometeu. — Poderíamos ir todos à Nova Asgard, e Rogers poderia dar-lhe a desculpa de que nós saímos em missão, essas coisas que ele pode inventar na hora...

— Pela primeira vez em toda a minha vida, eu tenho que concordar com Loki, o que não é o que eu desejo, então, alguém poderia repetir o que ele disse só para eu me sentir melhor? — Tony disparou, fazendo Marnie revirar os olhos.

— Não temos tempo para isso, Tones, temos que testar se a nossa gambiarra vai dar certo! E de acordo com os sentimentos que eu venho recebido da senhorita, há grandes possibilidades de conseguirmos o que nós queremos, talvez até mais. — sorriu-lhes.

— Então, quando vocês irão sair? — Steve perguntou, encarando seus amigos e Loki.

— Poderíamos sair no mesmo horário que os supersoldados levantam para correr. — Wanda se pronunciou, brincando com seus poderes. — Uma vez que ela se levanta às cinco da manhã para treinar com Loki no ginásio, então não nos pegaria com a boca na botija.

— Parece-me um bom plano. — Tony voltou a falar. — E nós devemos ficar fora por quanto tempo?

— Um dia parece bom. — todos arquearam a sobrancelha para ele, incrédulos. — Não vamos forçá-la, sim? Podemos testar, apenas testar a teoria de vocês. E se não der certo, tentaremos de outras maneiras.

Segundo o que ouviu de Anna embriagada antes de dormir, ele tinha esperanças de que o plano maluco de seus amigos funcionasse. Ele estava depositando toda a sua fé nisso.

*

Depois dos filmes, ela se arrastou de volta para seu apartamento para tomar um banho, tão cansada e com tanta preguiça, que quase não notou o modo como ela estava arrancando seus moletons confortáveis do corpo, até que tropeçou em algo duro.

Uma matryoshka. Com a figura de uma pessoa extremamente parecida com ela, nua e com as pernas abertas. Ao contrário das bonecas russas tradicionais, esta não era feita de porcelana, mas sim de acrílico. Sua tampa rolou para fora, descobrindo coisas esquisitas dentro dela:

Um modelo em miniatura do escudo de Steve, assim como uma réplica fálica do uniforme dele.

Arregalando os olhos, Lynna subiu sua calça e saiu correndo com o vibrador na mão, chegando à sala onde as quatro garotas estavam reunidas, brandindo o objeto como se ele fosse matá-la.

— Por que eu tenho isso no meu quarto?! — perguntou assustada, levantando o objeto.

Mary, Hanna, Natasha e Wanda arregalaram os olhos, gargalhando logo em seguida.

— Ai. Meu. Deus, eu não estava esperando por isso! — Han disparou, enfiando a cara numa almofada. — Eu acho que vou morrer.

Ela endureceu sua expressão, levantando o objeto como se fosse uma arma.

— Isso aqui é meu? — perguntou-lhes, apontando para a coisa. Nat apertou os olhos, assentindo. — Como?!

Ela ia abrir a boca para explicar, quando Mary fez um sinal de ‘para’.

— Esconde isso, o dono do negócio está virando no corredor! — disse urgentemente, fazendo-a entocá-lo no lugar mais previsível possível, prendendo-o nas pernas da calça. — E aí, meninos! O que vocês fazem por aqui?

— Viemos assistir um filme. — Bucky respondeu, caminhando até o seu lado. — Por quê? Nós não podemos?

— Não era isso... — Hanna brincou com o tecido do sofá, mordendo os lábios para não voltar a rir. — Cara, aquele negócio foi um presente que você ganhou, Lya.

Ela arregalou os olhos, corando profundamente quando o loiro barbudo passou pela mesma, franzindo o cenho para a sua posição estranha, uma vez que ela estava tentando esconder o vibrador de silicone.

— Não pode ser! Quem em sã consciência me daria isso de presente?! — resmungou, fazendo um malabarismo para não derrubar o negócio no chão.

— Você já parou para pensar, que há algo mais por trás disso? — ela franziu o cenho para a fala de Mary. Mais uma vez, aquela criatura estava sendo enigmática como o inferno, deixando-a confusa. — Reflita: por que você teria aquilo em seu quarto? — então, ela piscou.

O que minha memória tem a ver com o vibrador do Capitão América?!

AH!

Arregalou os olhos, olhando das meninas, para os meninos, tendo a desculpa de haver muita gente na sala para que eles desconfiassem do que elas estavam discutindo.

Isso faz bastante sentido!

Um sorriso de entendimento brotou no rosto de sua amiga, que assentiu amigavelmente para ela, provando que seu antigo pensamento estava certo. Ela realmente viveu naquele lugar antes da Hydra lhe levar de volta, antes de ela ter perdido a memória...

— Eu preciso ir! — caminhou de volta, pulando para sair da sala, deixando dois supersoldados confusos para trás.

— O que foi que deu nela? — Steve perguntou, voltando-se para as meninas, que deram de ombros.

— No dia em que você passar a entendê-las, estará perdido, cara. — Bucky respondeu, ligando a TV. — Alguém vai nos acompanhar...?

— Nope. — Hanna levantou-se. — Tchau!

— Tchau. — Nat e Wanda se levantaram, seguindo Hanna até a saída.

— O que deu nessas meninas hoje? — o loiro perguntou, assustado, fazendo Marnie rir.

— Tchau, meninos. — então, ela levantou-se do sofá, com um sorriso enorme no rosto. — Eu diria até amanhã, mas amanhã nós não iremos nos ver, então... — ela acenou para Steve. — Tchau!

Até o fechamento desta edição, Steven Rogers estava curioso demais para parar de franzir as sobrancelhas.

*

Lábios macios foram sentidos de sua panturrilha, subindo por sua perna esquerda, que estava pendurada na cama. Ela se espreguiçou manhosamente, sabendo quem era o dono daquela maciez toda.

Outro corpo abraçou-a por trás, fazendo-a ronronar ao sentir os pelos de sua barba roçando a pele sensível de seu ombro.

— Você demorou. — ela sussurrou, voltando-se para cima sem nenhum esforço, admirando os olhos azuis de seu noivo, esticando a mão direita para acariciar seu bonito rosto. — Pensei que tinha ficado com raiva de mim...

Ele sorriu, aquele sorriso que fazia seu coração acelerar.

— Eu jamais teria raiva de você. — ele sussurrou de volta, esfregando seus narizes. — Eu te disse que iria te esperar, não disse? — apoiou-se em seus cotovelos, tomando cuidado para não depositar seu peso completamente em cima dela. — Um reflete o outro, como a peça que faltava um do outro, como almas gêmeas. Eu esperei setenta anos para rever o seu rosto, como eu não poderia esperar por mais alguns dias?

Ela riu baixinho, apoiando as duas mãos na base de seu pescoço, acariciando seus cabelos longos.

— Um reflete o outro. — repetiu suas palavras, enganchando-se em seu corpo. — Acho que posso me acostumar a isso. — sorriu-lhe, puxando-o para um beijo longo.

Logo eles o aprofundaram, permitindo que suas mãos explorassem seus corpos outra vez, reconhecendo cada pedacinho.

— Eu a amo, nunca duvide disso. — Steve murmurou, puxando seu corpo para que ela se sentasse em seu colo, alisando seu cabelo para o lado, acariciando-os com ternura. — Você é minha musa.

Seus olhos arderam com as palavras dele.

— Eu não sei o que dizer... — sussurrou, traçando o dedo por suas sobrancelhas.

Ele sorriu.

— Não precisa dizer nada. — disse-lhe. — Só sinta.

E com isso, seus lábios voltaram a atacá-la, enquanto suas mãos subiam por suas costas. A regata preta que ela usava foi rasgada ao meio, expondo sua pele para os seus olhos, fazendo-a arfar quando o tecido foi removido de sua frente.

Mais uma vez, seus lábios se tocaram, para depois o loiro fazer sua pele derreter com sua boca exploradora.

Ela se remexeu em seu colo, revirando os olhos quando sua língua envolveu seus mamilos, fazendo-a arranhar sua camisa ao ponto de rasgá-la com suas unhas afiadas.

Caralho! Eu senti falta disso. — resmungou, arrastando as unhas por seu couro cabeludo. — Senti falta de ter o seu corpo no meu. — puxou o tecido da camisa dele para os lados, removendo-a com facilidade. — Teremos tempo para preliminares depois, agora, tudo o que eu quero é que você esteja dentro de mim.

Com um golpe rápido, as roupas dos dois haviam sumido.

Lynna deitou-se na cama, espalhando seus cabelos nos travesseiros, puxando o loiro para si, impacientemente encaixando-o dentro de si, fazendo com que os olhos dos dois se revirassem e ambos gemessem alto.

— Droga. — ele praguejou, encostando sua testa na dela. — Você será minha morte, princesa.

Ela riu, abraçando-o com suas pernas, fazendo com que seus corpos se encostassem ainda mais, acariciando sua pele.

— Então, eu vou fazer com que isso valha a pena. — murmurou, prendendo-o com seus músculos vaginais internos, fazendo-o gemer alto.

Lya... — era estranho que de repente a voz de Steve se tornou a voz de Bucky? — Lya... — as mãos do loiro saíram de trás dela, sacudindo-a, fazendo-a franzir o cenho. — Lya, acorda!

Um grito alto escapuliu dela, ao dar de cara com James Buchanan Barnes, que não tinha amor à própria vida, e agora estava tentando acordá-la daquele sonho maravilhoso.

— O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI, BARNES?! VOCÊ PERDEU A NOÇÃO DO JUÍZO?! — berrou, estapeando seus ombros, fazendo-o levantar seus braços para se defender.

— Eu achei que você estava tendo um pesadelo! — ele disse com os olhos arregalados. — Entrei aqui e você estava se estrebuchando, então eu tive medo que... — seus olhos azuis identificaram o rubor em suas bochechas e ela imediatamente retirou as vistas dele. — Você não estava tendo um pesadelo, estava?

— Acho que estar casado com a Mary te fez um pouco abusado demais. — ela resmungou, cruzando os braços.

O filho de uma mãe gargalhou, jogando-se em sua cama.

— Eu não acredito que acabei de interromper um sonho inapropriado para menores! — brincou, ganhando alguns murros em seu peito duro. — Ai, sua criatura descontrolada! Eu não tenho culpa de não ser o cara que você queria que eu fosse.

— Cale a boca, seu idiota! — ela resmungou, atacando-o até que ele pudesse segurar suas mãos, com um sorriso no rosto. — Não ouse!

— O negócio estava bom? — balançou as sobrancelhas, então ele olhou para algo atrás de sua cabeça, arregalando olhos. — Lya, o que é aquilo?

Ela teve o desprazer de olhar para trás, percebendo que não havia colocado o vibrador de volta na boneca. Arregalando os olhos, levantou-se para colocá-lo atrás das costas.

— NADA! — gritou desesperadamente. — Não é nada!

Ele ficou vermelho.

— Agora tudo faz sentido! — pulou para fora, então sorriu-lhe, indo até a porta. — Você vem jantar? — ela negou. — Então... até mais, maninha.

— Barnes... — ele voltou-se para seus olhos semicerrados. — Uma palavra sobre o que eu escondo nas costas, e você morre, está me ouvindo?

Ele arregalou os olhos, assentindo repetidamente.

— Ok. — e com isso, ele correu para fora.

Respirando fundo, ela colocou o negócio no lugar onde ele pertencia, lacrando-o a tempo de ouvir alguém pigarrear.

— Erm... você está bem? Precisa de alguma coisa? — seu rosto pegou fogo ao ver Steve, tanto por causa de seu sonho, quanto pelo artefato que ela havia guardado na boneca. — Bucky saiu transtornado daqui, então eu pensei...

Ela sorriu, tentando disfarçar sua vergonha.

— Não foi nada... — murmurou, envergonhada. — Ele só achou que eu estava tendo pesadelo...

— E você teve? — droga, ele parecia bastante preocupado...

As palavras que ele havia dito sobre ela ser o reflexo dele, que eles eram almas gêmeas rondaram sua mente, deixando-a mais envergonhada ainda.

— Não, foi só um sonho confuso. — sorriu, tentando passar confiança. — Eu agradeço a preocupação de vocês, de verdade. Mas eu estou ótima.

Ela quase ofegou com o modo como seus bonitos olhos azuis brilharam de alívio.

— Ok. — murmurou, dando-lhe um sorriso que fez suas pernas tremerem. — Isso é bom. Você vem jantar?

Seria meio bizarro se ela recusasse?

Conhecendo Steve até onde ela conhecia, ele se preocuparia à toa, e ela não queria que ele descobrisse sobre o vibrador sem querer, então achou melhor concordar. Isso o tiraria do seu quarto em segurança.

— Tudo bem, só deixe-me trocar de roupa, sim? — apontou para seu conjunto de moletom.

Ele assentiu.

— Eu estarei esperando lá fora.

Cinco minutos depois, os dois desceram para a cozinha comunitária, fazendo-a quase afundar a cara de Barnes no prato de purê dele quando o mesmo começou a rir da cara dela, mas Mary o beliscou antes que ela pudesse fazer algo.

Sentou-se à frente dele, estreitando os olhos para seu sorrisinho cínico.

— Peste. — resmungou para ele, que simplesmente deu de ombros.

O jantar prosseguiu normalmente, com ela evitando os risinhos daquela hiena maldita, enquanto tentava limpar a mente da frustração de ter sido acordada por seu irmãozinho daquele sonho tão perfeito...

Alguém pigarreou.

— Será que a senhorita poderia parar de bater em mim? — Marnie sussurrou, indicando sua cabeça, fazendo-a corar. — Eu sei que você quer da na cara de certas pessoas, mas é que está meio difícil me concentrar com a sua frustração.

Ela também corou, fazendo-a assentir e respirar fundo.

— Foi mal. — murmurou envergonhada.

— De boa. — a anã sorriu-lhe. — Eu prometo que te ajudo a voltar ao sonho.

Ela arregalou os olhos.

— É possível? — disparou-lhe, interessada.

— Sim, é. Eu posso tentar reconectar o que você sentia com essa memória, mas nunca é o mesmo sonho, entende? — Mary respondeu, fazendo-a assentir. — De qualquer forma, você pode ter um pouco da tranquilidade que James te roubou.

Ele revirou os olhos.

Bebê chorão. — resmungou em russo, ganhando uma colherada em sua mão de carne, porque não seria nada efetivo se ela fizesse isso em sua mão de metal. — Hostil. — ela levantou a colher outra vez, então ele envergou-a, abrindo um sorriso convencido.

Com raiva, Lynna jogou o talher da cabeça dele.

— Irritante! — resmungou de volta.

— Minhas crianças poderiam se comportar à mesa? — Hanna disparou, sentando-se ao seu lado, fazendo com que Bucky abrisse um sorriso aterrorizante.

— Hanna, amor da minha vida, você sabia que eu sei qual é o presente do qual vocês estavam falando hoje à tarde? — outra colher armou-se em suas mãos com a fala deste desgraçado.

— Barnes, me dá um bom motivo para eu não perfurar o seu crânio com essa colher. — a mais velha sussurrou ameaçadoramente.

Ele abriu um sorriso cínico.

— Você me ama, e não quer deixar a minha esposa viúva. — respondeu-lhe.

— Ela pode muito bem arranjar outro. — resmungou para ele, apertando a colher na mão.

Ele riu.

— Você já tentou me matar com um talher antes e não funcionou, sua nanica. O que te faz acreditar que você pode fazer isso agora? — arqueou a sobrancelha.

— Oh! Você descobriu aquilo que não deve ser nomeado?! — a mente de Hanna pareceu engatar só agora.

— VOCÊS DOIS PODERIAM PARAR DE FALAR SOBRE AS MINHAS COISAS PESSOAIS?! — Lynna disparou furiosa.

Eles riram.

— Agora eu sei porque vocês riam tanto. — Barnes disse, encolhendo-se com a colherada que ele havia levado. — Tá bom, tá bom! Eu vou parar!

— Ótimo! — ela resmungou, colocando a colher para baixo. — Ninguém merece ter amigos como vocês!

Eles colocaram o queixo apoiado nas mãos e começaram a piscar “angelicalmente”.

— Agora eu estou pensando em tantas piadas sobre aquilo... — Bucky voltou a falar, encolhendo-se quando ela levantou a colher outra vez.

— Cala. A. Boca! — rosnou. — Eu não deveria ter descido!

Eles riram alto, atrapalhando a conversa do resto do time, que preferiu não se enfiar na briga deles, como se isso fosse um fato corriqueiro.

Loki apareceu do seu outro lado com um saco de marshmallows rosa, oferecendo-lhe um bowl com alguns, fazendo-a sorrir, perdendo o olhar aterrorizado que seus amigos deram um ao outro.

— Só para o caso de você se sentir irritada demais com Barnes. — ele sorriu de volta. — Você pode queimá-los e enfiá-los no cabelo dele.

Bucky fez uma careta indignada.

— Obrigada, mas eu prefiro comer, do que desperdiçar comida com merda. — ela disse de vingança.

— Isso, cospe no prato que tu comes! — o moreno de olhos azuis disse de maneira indignada, cruzando os braços.

— Meu querido, eu não como nesse prato nem morta. — ela inclinou a cabeça, encostando-a na de Hanna. — Mas certas pessoas, que não merecem ter seu nome vinculado a você, possuem gostos exóticos.

— Anya, você vai deixar essa criatura do tamanho de coisa nenhuma me insultar?! — ele disparou para a ruiva anã, que parou a garfada de lasanha no meio, olhando para ele com o canto dos olhos.

— Te vira. — ela resmungou, antes de voltar a comer.

— Minha família me abandonou! — ele disse dramaticamente, fazendo ela, Loki e Hanna revirarem os olhos. — Ok, princesa do lixo. Você venceu!

Princesa, princesa...

Uma infinidade de vozes chamando-a por esse nome lhe deixaram tonta, fazendo-a suspirar doloridamente, tentando controlar a pontada de dor em sua cabeça.

— Lynna, você está bem? — Marnie notou seu desconforto, tocando sua mão para tentar passar-lhe um pouco de calma.

— Sim. — mentiu, respirando fundo e colocando essas vozes num canto isolado de sua mente, como a doutora Jones havia lhe dito para fazer quando elas voltassem a lhe atormentar. — Eu estou bem. — sorriu-lhe. — Obrigada.

Ela sorriu de volta.

— Deixem-na em paz! — rosnou para os três em volta dela.

— Mas eu não fiz nada! — Loki disparou, fazendo Marnie revirar os olhos.

— Eu não ligo, só não enche o saco! — resmungou, voltando a comer.

Lynna subiu após a sobremesa, desconfortável por causa dessa dor de cabeça irritante, que custava a querer passar.

Ela tomou um dos comprimidos que Bruce havia lhe dado, aqueles que não perdiam o efeito por causa do seu veneno, retirou as roupas e correu para um banho calmante, dormindo logo em seguida.

*

O sol estava nascendo e eles não pareciam estar com sono. Estavam na mesma posição por pelo menos uns trinta minutos, apenas sentindo a textura da pele um do outro.

Ambas as mentes estavam nubladas.

Pela primeira vez na vida, eles não estavam preocupados com o tempo. Eles não estavam preocupados se haveria outra missão para separá-los. Eles não estavam preocupados se um dos dois iria ou não voltar.

— Eu queria viver eternamente assim. — o loiro sussurrou contra a pele de seu ombro. — Eu nunca me senti tão em paz.

Ela suspirou, correndo os dedos entre seus cabelos molhados.

— Eu também. — sussurrou por fim.

Seus olhos azuis encontraram com os seus. Eles brilhavam numa espécie de penumbra de esperança, desejo e receio. Estranhamente, isso fez o coração de Lynna disparar muito fortemente.

Steve estava prestes a lhe dizer algo, ela podia sentir.

A mão esquerda dele desceu até a sua coxa, num gesto nervoso. Ele abriu a boca e fechou algumas vezes, mas não falou nada.

Ainda mais estranhamente – se é que era possível –, ela sentiu-se um pouco decepcionada, mas sem entender o porquê.

— Eu te amo. — disse por fim. Seus olhos assumiram um brilho tão intenso, que a fez momentaneamente esquecer a “decepção” que estava sentindo. — Muito. — beijou sua testa carinhosamente. — Esse foi o melhor presente que já tive em toda minha vida. Obrigado.

Seus olhos encheram d’água.

— Você merece. — ela sussurrou, segurando seu rosto, acariciando suas bochechas com os polegares ao mesmo tempo. — Sabe disso.

Ele inclinou contra o seu toque.

— O que seria de mim sem você para me guiar? — riu, para depois beijar a palma de sua mão direita.

Então, Lynna deu um pulo para longe dele, finalmente lembrando-se do bendito embrulho que havia esquecido na sala. A melhor parte de toda a sua viagem até aqui, e ela havia esquecido! Agora tudo estaria fora de ordem!

— O que aconteceu? — Steve voltou a falar, assustado com a sua súbita mudança de humor.

Sem saber se conseguiria falar alguma coisa, Lynna apenas fez um gesto de ‘espera’, e saiu correndo para a sala, esbarrando num móvel. Xingou alto, para depois acender as luzes.

— Não vem! Eu estou bem! Fique exatamente onde está! — finalmente gritou, indo até a gaveta onde ela havia escondido o presente. — Eu estou indo.

Fora de contexto, se alguém a espionasse correndo nua pela cabana, achariam que ela era louca.

Quando finalmente voltou, encontrou seu namorado prestes a abrir a porta, com os olhos arregalados como pires.

— O que deu em você? — perguntou assustado, correndo as mãos pelos seus braços, certificando-se de que ela estava bem.

— Eu só... — ofegou pela corrida, mas sorriu. — Eu só fui buscar uma coisa. Um presente.

Então, seu coração deu uma vacilada. Mais uma vez, como no dia em que ela havia encomendado esse bendito presente, sentiu-se um pouco idiota pela sua ideia. E agora não havia como voltar atrás.

Suas bochechas esquentaram.

— Eu tinha encomendado esse presente há mais de um mês. Não era para ser exatamente um presente de aniversário... — Lynna pegou a mão do loiro, puxando-o para a cama. Sentando-se em seus tornozelos, ela mexeu nervosamente no embrulho, insegura sobre sua escolha de objeto, para depois suspirar, decidindo arriscar-se. — Tem uma coisa que eu quero que você saiba. — levantou os olhos para ele, que havia sentado na beira da cama, encarando-a atentamente. — Eu não estou te dando isso por ciúmes ou por despeito. — fechou os olhos, controlando a respiração. — Eu só achei interessante, e queria que carregasse algo meu consigo quando estamos separados. Como o colar que você me deu. — suspirou, voltando a olhá-lo. — Eu jamais tive a intenção de ofender...

Estendeu a mão antes que falasse algo que arruinasse tudo, colocando o embrulho quadrado em sua palma.

Ela esperou ansiosamente por uma reação do loiro, qualquer uma.

Ele abriu a caixa de veludo azul e pegou o objeto redondo de metal.

Seu rosto esquentou ainda mais, o calor subindo em labaredas de seu pescoço para as bochechas, deixando-a com cara de pimentão. Ela estava tão nervosa...

Foi uma péssima ideia.

Ele iria odiar.

O objeto remetia a uma lembrança de seu primeiro amor. Talvez ela tivesse ido longe demais ao tentar produzir outro com tamanha semelhança.

Contudo, a reação de Steve foi completamente oposta à que ela estava esperando.

O loiro abriu a bússola, encontrando a foto que ela havia feito e determinado as dimensões para a pessoa que a confeccionou, para que a mesma pudesse caber no verso da tampa.

Na imagem, ela sorria, segurando o urso azul que ela havia ganhado dele em seu “primeiro encontro oficial”. Seus cabelos haviam sido arrumados num penteado inspirado nos anos quarenta. A foto não era em preto e branco, então dava para ver perfeitamente as cores na estampa do vestido vermelho que ela havia usado para a sessão de fotos, assim como a linha delineada de seu lápis labial – que ela havia borrado sutilmente.

Ele soltou o objeto na cama, para puxá-la para um beijo apaixonado que a deixou sem fôlego.

— Por que está chorando? — ele questionou. Seu semblante estava preocupado.

— Eu achei que tinha estragado tudo. — limpou as lágrimas que ela não sabia que haviam escorrido. — Eu não queria apagar a memória que você tinha da senhorita Carter.

Ele sorriu.

— Eu posso ter tido sentimentos por ela no passado, mas acho que já deixei bem claro que é você quem eu amo, princesse. — sussurrou, passando o polegar em sua bochecha molhada, limpando a gota salgada para fora. — Não há ninguém mais.

Ela inclinou-se para o seu toque.

— Espero. — murmurou, de brincadeira.

Eles riram, para depois se aconchegarem um no outro.

— O que te fez pensar em me dar uma bússola, especificamente? — ele perguntou depois de um tempo, acariciando suas costas.

— Eu sempre o via abrir a bússola que ela lhe deu. — sussurrou. — Eu a vi no museu, num vídeo onde Bucky aparecia. O modo como você ficou envergonhado... sugeriu que a foto dela estava no verso da tampa por uma razão. Na época, antes da festa, eu imaginava que fosse algo que lhe dava sorte... e eu queria que você tivesse algo meu como um amuleto também. — suspirou. — Olha, tem até uma corrente... — levantou o objeto, desatando o nó que impedia-a de se desenrolar. Por fim, encarou-a, ainda envergonhada. — Eu realmente não consigo enumerar os motivos para ter encomendado a bússola, mas ciúmes não é um deles. — encarou-o. — Eu gosto da senhorita Carter.

Ele sorriu, acariciando a mão que segurava firmemente a corrente de prata.

— Ela é linda, Anna. — sussurrou, acariciando sua pele com o polegar. — Seu gesto não poderia ter sido mais bonito. Eu amei a bússola. — beijou sua testa. — Obrigado.

Ela engoliu em seco.

— Você gostou mesmo? — questionou, ainda surpresa por sua reação positiva.

— Porque eu não haveria de gostar? — retrucou, arqueando a sobrancelha. — Já havia passado da hora de eu ter algo só seu. Um amuleto. Algo para sentir a sua presença quando estamos separados. — sua voz ficou baixa, como se eles estivessem contando um segredo que a floresta lá fora não precisava saber. — E se me permite confessar... já faz algum tempo desde que eu deixei de lado a minha antiga bússola. Ela tem um grande valor sentimental para mim, mas não faz mais sentido. Pois apesar de ser o rosto de Peggy em seu verso, não é mais ela que o meu coração enxerga. — ele suspirou, colocando uma mecha de seu cabelo para trás da orelha. — E para falar a verdade, não foi ela que me deu a bússola, fui eu que coloquei a foto dela. O objeto me ajudou um pouco a superar a dor quando me vi sozinho após acordar no mundo moderno, onde todos que eu conhecia haviam partido. — sua mão direita tocou sua bochecha. — Mas eu não estou mais sozinho. Involuntariamente, eu ganhei uma razão pela qual lutar. Uma razão para continuar lutando.

Ela ofegou.

— E essa razão seria eu? — sua voz tremeu de emoção.

Ele sorriu, roçando seus narizes.

— Sem sombra de duvidas. — então a beijou.

Lynna soltou a corrente no meio da cama, abraçando o loiro, retribuindo seu beijo com vontade, carinho, desejo.

Ele puxou-a pela cintura, colocando-lhe em cima das coxas poderosas dele. Ela o encaixou dentro de si, usando seus joelhos para se movimentar de cima para baixo em seu colo, tirando gemidos ofegantes de seus lábios rosados.

Seus beijos se tornaram mais famintos, agressivos. Os movimentos de seus quadris ficaram mais rápidos e apaixonados. Logo eles gemiam alto, com as testas coladas, os pares de olhos se enfrentavam ardentemente, intensificando o prazer que sentiam.

Ambos praticamente berraram quando suas libertações vieram, em uníssono, consumindo-os como uma correnteza de lava.

Sussurraram ‘eu te amo’ até que finalmente desceram de seus altos.

Steve os posicionou no centro da cama, com Lynna deitada confortavelmente em cima de seu braço esticado. Ele colocou uma de suas pernas entre as dela, puxando-a ainda mais para si.

Um sorriso borbulhou em sua bonita face, então ela soube que ele estava prestes a dizer algo atrevido.

— Sabe... eu gostaria de entender o seu critério em gostar da Peggy, mas odiar a Sharon... — arqueou a sobrancelha, para depois balança-las sugestivamente.

Ela suspirou alto, jogando a cabeça para trás.

— Achei que você já tivesse esquecido esse assunto! — resmungou. — Eu nunca fui com a cara daquela loira aguada. — resmungou, enrolando uma mecha de seus cabelos em seus dedos.

— Porque tudo isso? A Sharon é uma boa pessoa... — ele sabia que estava mexendo com fogo?

— Ah é? Então porque você não manda ela fazer seus waffles, seu ingrato?! — rosnou, lutando para se separar dele. — Tire suas mãos cheias de dedos de mim! — ele riu. — Eu tô falando sério!

— Nós vamos realmente brigar por nada? — fez bico.

— Mas, foi você que começou! — ela o imitou.

— Você fica muito fofa quando está com ciúmes. — ele murmurou, abaixando para roçar seus narizes.

— Esta ‘fofa’ aqui está com vontade de te bater agora. — resmungou, cruzando os braços.

Ele riu, porque ele é idiota o suficiente para escapar de uma briga.

— Então me bata. — acariciou a pele sensível de seu pescoço, numa clara tentativa de fazê-la se derreter. Estava funcionando, é claro, mas ela não iria dar o braço a torcer.

— Não me tente... — ela arqueou a sobrancelha, tentando se soltar de seu ataque de polvo.

— Ah, é? — ele repetiu seu gesto.

— É. — ela resmungou. — E eu estou cansada demais para fazer isso. — ele sacudiu as sobrancelhas, fazendo-a finalmente desintegrar seu personagem e rir. — Não foi mérito seu, mocinho.

— Oh, não? — ele deu uma risadinha diabólica, soltando-a de seu aperto, apenas para prendê-la outra vez, embaixo de seu corpo. — E se eu fizer isso, ajuda?

Ele escorregou uma de suas mãos pela lateral de seu corpo, pairando em seu ponto sensível. Foi ali que ele fez a festa.

Lynna tentou. Tentou o seu máximo. Tentou ainda mais que isso.

Mas o filho da mãe sabia os pontos fracos dela, que logo estava se contorcendo por causa das suas cócegas, rindo até que sua barriga doesse.

— Pare. — implorou, entre risos. — Pare, por favor, eu me rendo!

Steve riu, sentando-se em seus calcanhares, encarando-a com os olhos tão leves... ela jamais o tinha visto tão tranquilo.

— Ainda quer me bater? — perguntou-lhe insolentemente.

Ela estreitou os olhos.

— Sem dúvida! — resmungou. — Você tem sorte de que eu não trouxe a minha faca.

Ele gargalhou, jogando a cabeça para trás.

— Você só finge que vai bater em todo mundo, você reconhece isso, não é? — arqueou a sobrancelha. — Você é um rolinho de canela.

Ela fez uma careta séria.

— É claro que não! — protestou.

— É claro que sim. — ele beijou a palma da sua mão. — Vamos, senhorita ranzinza... não há razão para brigarmos!

Riu, sentando-se na cama.

— Ok. — sussurrou por fim.

— Ok. — ele rastejou até ela, encaixando-a em seus braços.

— Você deveria usar seu medalhão agora. — ela sussurrou acariciando o pescoço dele. Com o auxilio de seus poderes, ela capturou-o e ajoelho-se, para atar o cordão, derramando-o em sua pele macia. — Lindo como uma pintura, usando apenas o meu presente... — agitou as sobrancelhas para provocá-lo. E funcionou, logo ele estava corando. — Todo meu.

O loiro riu.

— Sempre fui.

Ela riu também.

— Acho que devemos dormir alguma coisa, não é? Ainda temos o fim de semana inteira para nós. — disse arrastando os dedos pela pele dele.

— Certamente... — ele respondeu atacando a pele de seu ombro.

A ruiva riu.

— Eu disse dormir!

Ele grunhiu.

— Ok, senhorita mandona! Eu já estava indo dormir. — brincou, esticando o braço para fechar a cortina, mergulhando o quarto na penumbra.

Eles caíram emaranhados, aconchegando-se em seus respectivos calores.

Demoraram um tempo acariciando-se na tentativa de adormecerem, até que Lynna quebrou a calmaria dando uma tapa forte no antebraço de Steve, que guinchou mais de susto, que de dor.

— Ela tinha as chaves do seu apartamento! — resmungou alto para a escuridão.

Ela não podia vê-lo, mas sabia que ele havia revirado os olhos.

— Isso é sério, Lyanna?! — ele resmungou de volta. — Eu pensei que você já tivesse esquecido isso! Fazem mais de quatro anos!

Ela grunhiu, estapeando ele, mas era mais como brincadeira.

— Sim, e você é bem grandinho para ter guarda costas! — cruzou os braços.

Ele riu.

— Bem, eu não sabia, então sou completamente inocente! — brincou.

— Mas isso não esconde o fato de que ela provavelmente quer um pedaço de você! — resmungou.

Ele bufou, mas riu outra vez.

— E olha só que ironia... você tem tudo isso. — ela sabia que ele havia balançado as sobrancelhas.

— Está tentando roubar, senhor, meus argumentos para brigar com você são mais estruturados! — disparou.

— Pensei que iríamos dormir. — bocejou. — Que tal continuarmos ou não essa briga mais tarde, hm?

Ela assentiu, enrolando-se em seu corpo.

— Boa noite, amor. — sussurrou.

— Boa tarde. — ele a corrigiu e se encolheu por causa de um tapa. — Ai, eu estou falando sério.

Ela riu.

— Vai dormir!

Ela abriu os olhos lentamente, se situando no local.

Em sua mente, era como se ela estivesse presa naquele universo com Steve, rindo calorosamente naquela bonita cabana.

Um sentimento de nostalgia apossou-se de seu corpo, e tudo o que ela queria era tocá-lo, beijá-lo, sentir como se ele fosse dela. Como se ele algum dia tivesse pertencido a ela.

Aquilo era tudo tão estranho.

Limpou as lágrimas que não sabia que estava liberando, soluçando ao entender, mesmo sem antes consultar seu coração, que aquilo havia sido memória, não havia como negar isso. Ela não queria negar isso.

Arrastou-se para fora da cama, limpando as remelas dos cantos dos olhos, antes de fazer todo o seu processo matinal, estranhando que Sam e Bucky não estavam brigando, como de costume, assim como Loki ainda não havia vindo buscá-la para treinar.

Franzindo o cenho, Lynna escorregou suas pantufas rosa nos pés e caminhou para o elevador, pedindo a SEXTA-FEIRA que a levasse até a cozinha, onde ela planejava capturar algumas coisas compradas na internet para colocá-las em sua caixa organizadora.

Steve estava cozinhando alguma coisa por trás do balcão. Pelas suas roupas, ele não parecia ter ido malhar como de costume. Não que ele precisasse tanto, é claro. Seu corpo era tão...

Para com isso!

Respirando fundo, ela se “anunciou”, não querendo assustá-lo como fez com Bucky. Se sua mente não se enganava, ela quase havia levado um soco de seu braço de metal.

— Oi. — ele foi o primeiro a falar, sorrindo para ela.

Tentando não lembrar a maneira realista de como ele estava nu em seu sonho, Lynna arrastou-se para o balcão.

— Oi. — respondeu-lhe. — Por que esse lugar parece tão vazio? Onde estão os outros.

Ele virou perfeitamente uma panqueca antes de lhe responder.

— A maioria deles saiu em uma missão urgente. Fury os chamou após o jantar. — ela arregalou os olhos, arrastando um dos bancos para sentar, optando por sentar-se num roxinho.

— Mas... se a missão era urgente, eles não precisaram de você? — colocou uma mecha de seu cabelo para trás.

O loiro deu de ombros, imitando o seu gesto com seu cabelo comprido.

— Bem, Nat e eu temos treinado os “novos recrutas” por muito tempo em missões. Não era algo extremamente difícil, então ela decidiu que eu podia ficar. — ele colocou a panqueca que ele estava cozinhando em cima da pilha, antes de desligar o fogo. — Acho que ela deve ter comentado com você que pelo menos uma pessoa deve ficar para garantir a sua segurança, certo? — Lynna assentiu, envergonhada demais para formular uma frase com ele tão perto. — Espero que eu não seja alguém irritante de se lidar...

Lá estava, aquele olhar, aquele maldito olhar triste em seus belos olhos. Isso lhe desestruturava, lhe deixava preocupada. Ela não queria que ele tivesse esse olhar para lhe dar...

Pigarreou.

— É claro que você não é alguém irritante, Steve! — conseguiu engasgar. — Eu adorarei passar o meu tempo na sua presença. Obrigada por se importar comigo.

Ele sorriu, fazendo seu coração se acelerar.

— Não precisa me agradecer, é para isso que servem os amigos.

Amigos.

Ela não queria ser amiga dele...

Sorriu-lhe também, para não desmerecer o seu gesto.

— Uh... só tem nós aqui? — franziu o cenho. — É que costumava ter mais gente acordada a essa hora...

Ele colocou a espátula para baixo, indo até a geladeira para pegar alguma coisa.

— Tony foi resolver algumas coisas fora e nos disse que deveria dormir na Torre Stark, em Manhattan... e Loki e Thor precisaram ir à Nova Asgard. Eles não tiveram tempo de te comunicar, eu acho... — respondeu-lhe, curvando sua bunda redonda para seus olhos indecentes.

— Eles me disseram que não era seguro eu deixar o Complexo agora, pois a Hydra poderia estar na minha cola... — ela resmungou, desviando o olhar quando Steve apareceu com os braços cheios de coisas como frutas, chantilly, xarope de bordo, mel e calda de chocolate.

Ele assentiu.

— Seus primos estão certos. — ela bufou, cruzando os braços. O fato de eles estarem certos não lhe obrigava a aceitar isso.

— Mas... se eu não posso sair daqui por causa da Hydra, então por que Hanna saiu? — arqueou a sobrancelha. — Levando em conta de que nós estamos sozinhos aqui...

Ele repetiu o seu gesto, colocando as mãos naquela cintura estreita...

— Bem, você tem um ponto. — respondeu. — Mas Hanna está com Bucky numa evento de medicina em Dubai. — por mais que ela devesse ficar brava por ter sido deixara para trás, ela não estava, porque ela havia sido deixada para ficar com Steve, o que não era tão ruim... — Aceita panquecas? Eu aposto que quase tudo fica bom após comer uma panqueca.

Ela sorriu.

— Aceito.

E com isso, Steve dividiu a pilha de panquecas ao meio, alinhando os recheios.

Ela colocou algumas frutas vermelhas na sua, após uma camada de chantilly, para depois derramar um pouco da calda de chocolate no topo, comendo tranquilamente, enquanto tentava não olhar para cima, pois se ela olhasse para cima, iria dar de cara com aqueles olhos, e ela não podia fazer isso, pois aqueles olhos lhe faziam lembrar de seu sonho.

O contato de suas peles, a cadência de suas vozes gemendo, a realidade de tudo aquilo...

— Steve... — minha voz não saiu gemida, minha voz não saiu gemida!

Ele levantou a cabeça, encarando-a com um certo brilho em seu olhar.

— Sim? — murmurou, limpando o mel que havia escorrido por sua barba. Estranhamente, aquele filete do líquido escorrendo pelo canto de sua boca lhe deixou um pouco perturbada.

E agora?!

O que ela iria fazer? O que ela iria dizer?!

Seu coração parecia querer sair para fora de seu peito de tão forte que estava batendo. Sua cabeça girava, ela não conseguia encontrar palavras...

— Sinto muito, eu preciso subir. — levantou-se abruptamente, deixando um supersoldado confuso para trás. — Burra, burra, burra! — bateu em sua própria testa quando já estava longe o suficiente. — Você poderia apenas ter tido coragem! — fechando os olhos com força, ela encostou-se na porta de seu apartamento. — SEXTA-FEIRA, você poderia ligar a conexão wifi do meu apartamento?

— Imediatamente, senhorita. — a IA respondeu.

Assentindo para o nada, Lynna sentou-se no sofá, trazendo o tablet que Tony havia lhe dado para o seu colo.

Ela não sabia o que fazer, para ser exata. Conversar com Steve era a saída mais fácil, mas por ela ser uma completa covarde, resolveu pesquisar no Google sobre si mesma, e sobre o loiro.

Uma reportagem lhe chamou a atenção.

AFFAIR REVELADO: NOVO AMOR DO CAPITÃO AMÉRICA É UMA DE SUAS COLEGAS VINGADORAS!

Esta história de amor heroico vai derreter seus corações!

Quando ela estava prestes a clicar, a conexão foi bloqueada.

— Qual é, SEXTA-FEIRA?! — resmungou frustrada, tentando reiniciar várias vezes a página, sem obter êxito algum. — Desfaça isso!

— Este site foi bloqueado pelo Chefe. — ela respondeu. — É necessário um código de acesso para poder continuar.

Lynna grunhiu.

Maldito Tony! Por que ele tinha que interferir na curiosidade dela?!

— E você poderia ao menos me dar alguma dica sobre esse código? — perguntou-lhe esperançosamente.

— Eu até poderia, mas não tenho certeza de que você iria saber o que isso significa. — a criatura respondeu-lhe no auge de seu sarcasmo.

Arqueando a sobrancelha, a ruiva resmungou um palavrão em russo.

— Está me desafiando?! Mande logo esta dica, Sexta!

— Ok. — a outra resmungou também. — A dica é: Mark 157.

Caralho, era melhor eu ter perguntado a Steve!

Como é que ela iria saber o que aquela coisa significava?

Quando Tony chegasse lá, ela iria arrancar os cabelos dele!

Então, do nada, absolutamente do nada, algo lhe veio à mente.

— Lady Tóxica? — perguntou com o cenho franzido, encarando o vazio da sala de estar.

De repente, a página começou a carregar, mostrando-lhe uma sequência de fotos de Steve beijando uma mulher de longos cabelos vermelho-alaranjados em frente a uma máquina de ursinhos.

No final de todas aquelas fotos, era o rosto dela que aparecia ali.

Isso explicava absolutamente tudo!

O olhar triste que ele lhe dava, a maneira como ele a encarava, quando achava que ela não estava prestando atenção... a esperança e a decepção em seu olhar quando ela havia se lembrado de Hanna, apenas de Hanna.

Seu coração se apertou e ela soluçou, cobrindo sua boca para tentar conter o barulho.

Steve era namorado dela antes da Hydra levá-la de volta, antes de ela ter perdido a memória.

Ela era...

Seus olhos se arregalaram e um grito agourento escapuliu de sua garganta ao vê-la. Uma aranha peluda que saía de trás do raque.

— STEVE! — ela berrou, jogando o tablet para um lado e pulando em cima do sofá, enquanto a maldita aranha descia do móvel e caminhava pelo carpete da sala. — STEVE, SOCORRO!

A porta de seu apartamento foi arrombada pelo loiro, fazendo com que ela corresse para a ponta do sofá, pulando em cima dele, que a agarrou, acariciando suas costas para tentar lhe passar o sentimento de segurança.

— Lynna, o que foi? — perguntou-lhe preocupadamente.

— Uma aranha, no carpete! — murmurou, trêmula. — Ela tá no carpete!

Imediatamente, ele caminhou consigo, avistando a aranha peluda, que queria subir em seu sofá.

Um grito escapuliu dela quando Steve pisou na criatura, que caiu esmagada.

— Tudo bem, ela morreu. — ele murmurou contra seus cabelos, ainda acariciando-a para fazê-la se acalmar.

— Eu não fico aqui nem mais um segundo! — resmungou, batendo em seus ombros. — Me leve embora daqui, por favor!

Assentindo, o loiro levou-a até a sala, onde sentou-a num dos sofás.

— Fique aqui, eu irei me livrar dela. — ele disse, fazendo-a assentir.

Alguns minutos se passaram, então ele retornou, vestindo apenas o suéter cinza que ele tinha por baixo de seu casaco de lã.

— Obrigada. — sorriu-lhe quando ele sentou-se à sua frente.

— Não há de quê. — ele sorriu de volta.

Então, um silêncio constrangedor se deu na sala.

— Steve... — ele voltou a encará-la, fazendo-a corar fortemente por ter aquelas duas bolas azuis encarando-a fixadamente. — Eu...

— Eu vi a sua pesquisa. Estava no tablet jogado na sala. — ele corou também, mexendo em suas mãos nervosamente.

— Eu tive um sonho com você. — se fosse possível, ela corou ainda mais. — Agora eu tenho certeza de que foi uma lembrança. — ele a encarou com aquela esperança no olhar. — Por que você não contou para mim que nós nos conhecíamos? Que nos éramos...?

Os olhos dele se encheram de lágrimas, fazendo-a prender a respiração.

— Eu não queria pressioná-la. Eu não queria que você se sentisse culpada por não se lembrar de mim, e... — ela ofegou ao sentir seu toque, era como se ela pudesse conectar ainda mais esse sentimento ao sonho/memória que ela havia tido. — Eu queria que você tivesse o direito de escolha.

Seu coração iria sair pela boca, era isso.

Ela não havia recuperado sua memória – pelo menos não completamente –, infelizmente. Mas podia sentir a familiaridade daquele toque, como se sua mente estivesse sendo condicionada a lembrar dele.

Seus olhos traçaram a expressão calma, porém esperançosa dele, retornando ao sonho, aquele olhar que ele havia lhe dado ao receber a bússola.

— Steve, me beije. — murmurou quase que inaudivelmente.

Demorou alguns segundos até que ele fizesse algum tipo de contato mais profundo.

Uma de suas mãos ergueu-se para tocar seu rosto, acariciando sua pele com seu polegar. Lentamente, suas testas se tocaram, então seus lábios.

Foi como se um choque atravessasse seu peito, trazendo o calor de volta ao seu corpo.

Suas mãos ganharam vida, tocando-o em seu rosto, puxando-o para si.

Num movimento ousado, sua língua acariciou o lábio inferior do loiro, que abriu lentamente sua boca, permitindo-a explorá-la.

Ela não sabia explicar o que sentiu, mas foi como se algo tivesse despertado dentro de si. Seu cérebro já não comandava mais o seu corpo. De repente, ela estava apertando-se contra ele, como se fosse sua boia de salva-vidas em alto mar durante uma tempestade.

Sem sua permissão, suas unhas arranharam o couro cabeludo dele, enquanto suas mãos acariciavam seus cabelos macios. Ela já não poderia lembrar qual era o seu nome, o seu endereço, ou se algum dia houve algo que os separou.

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Quando já não podiam mais respirar direito, se separaram, ofegantes.

— Se eu soubesse... eu juro que teria dito antes. — ele sussurrou com os olhos fechados, arrastando suas mãos pelo tecido acumulado em sua cintura. Ela prendeu o ar em sua garganta quando ele olhou para si, perdendo-se no azul nebuloso. — Nós devemos para agora. Temos tempo suficiente para trabalhar isso...

Lynna ergueu o dedo, calando-o.

— Eu não quero esperar. — sussurrou de volta. — Eu não posso esperar. Me leve.

— Droga. — Steve resmungou, levantando-se do sofá com ela enrolada em seu corpo. — Nós não podemos fazer isso aqui.

Os dois seguiram pelo corredor, até que seu corpo foi depositado num colchão macio.

— Tem certeza? — ele arqueou a sobrancelha, afastando uma mecha de seu cabelo. — Eu não quero pressioná-la.

Ela sorriu, levantando-se para tentar ficar na mesma altura que ele.

— Eu já disse que eu quero seguir em frente. — murmurou, arrastando as palmas por seu rosto. — Eu sei quem você é. — os olhos dele se arregalaram. — Um reflete o outro, como se fossem um só. — capturou seu lábio inferior entre seus dentes. — Estamos inevitavelmente ligados, então pare de besteira e apenas sinta.

E com isso, ele se entregou, permitindo que ela retirasse seu suéter de dentro da calça de moletom, puxando-o para fora de seu corpo, jogando-o no chão. Seus dedos traçaram as linhas de seu abdômen. Mais na tentativa de lembrar-se de seus contornos, do que por desejo.

Ela guiou as mãos grandes do loiro até seus quadris, fazendo-o segurar a base da blusa preta que ela estava usando. Esta foi removida de seu corpo, expondo seu sutiã azul com bolinhas brancas.

Os lábios dele tocaram a pele sensível de seu pescoço, fazendo-a arfar e apertar seus bíceps com certa força.

Sua boca traçou uma linha irregular através de seu ombro e colo, enquanto ele arrastava suas mãos fortes por suas costas, deixando um rastro de fogo por onde elas correram.

O fecho de seu sutiã foi aberto. As alças da peça deslizaram lentamente por seus braços, sendo arrastadas pelos dedos profissionais do mais alto.

Quando a roupa íntima foi jogada no chão, seus olhos reviraram-se em seu crânio ao ter um de seus seixos sensíveis levados à quentura da boca do loiro, que a torturava provocativamente, alimentando as labaredas que subiam por sua barriga.

Seu corpo voltou a ser deitado no colchão, enquanto ele descia seus beijos para suas costelas, sua barriga, e por fim, sua virilha.

A calça que ela usava foi retirada juntamente com as pantufas, que voaram cada uma para lado.

Os lábios do supersoldado se demoraram no elástico de sua calcinha preta, que sequer combinava com o sutiã, mas ele não parecia se importar com isso, removendo a peça com cuidado, fazendo-a corar fortemente por ter sua flor exposta aos seus olhos bonitos.

— Posso? — murmurou contra sua pele, respirando fundo, fazendo-a estremecer.

Ela mordeu os lábios, assentindo, porque sabia que não conseguiria falar nada que fizesse sentido.

Involuntariamente, raios vermelho-sangue coloriram o quarto quando a boca do loiro desceu um pouco mais, acariciando seu botão pulsante com seu calor, mergulhando a língua para coletar o líquido que escapulia de sua flor.

A ruiva segurou os cabelos do loiro, puxando-os na mesma intensidade dos beijos que o supersoldado lhe dava lá em baixo.

Seu mundo girou quando ela recebeu sua liberação, tremendo nos cobertores macios.

— No sonho... — ela balbuciou, tocando seu rosto quando ele levantou-se para encará-la, após ter parcialmente secado os pelos grandes de sua barba. — Eu te dava uma bússola com a minha foto... — corou. — Eu sei que isso cortou totalmente o clima, mas eu precisava saber se isso realmente aconteceu.

Ele sorriu, colocando uma mecha de seu cabelo para trás da orelha.

— Sim. — murmurou. — De fato você me deu uma bússola. — esticou-se perfeitamente para o criado mudo, fazendo-a perceber que ele havia lhe trazido para o seu apartamento. Ele catou alguma coisa de dentro de uma das gavetas. — Esta aqui.

Ver a bússola em seu sonho foi uma coisa. Saber que ela existe... cara, não tinha preço.

— Eu sinto tanto. — sua voz saiu embargada. — Eu queria poder ter me lembrado de você. Eu te fiz sofrer e...

Ele colocou o dedo indicador em seus lábios para calá-la.

— Não diga isso. — sussurrou, limpando suas lágrimas. — Eu preferiria mil vezes conviver com você sem memória, sabendo que está segura e comigo, do que você com memória, mas à mercê da Hydra. — sentou-se na cama, carregando-a consigo. — Você pode achar precipitado agora, mas eu a amo. E esperarei o tempo que for necessário para que possamos encaixar as peças, juntos.

— E se eu nunca conseguir recuperar as minhas memórias? — perguntou-lhe preocupadamente.

— Então, nós poderemos construir um futuro juntos a partir do que nós temos agora, se você me quiser. — murmurou modestamente, corando.

Ela sorriu, tocando seu rosto com carinho.

— Eu sinto que não te mereço. — murmurou de volta, puxando-o para um beijo, não dando espaço para o seu protesto.

Suas mãos escorregaram para o torso dele, massageando seus músculos, que tremiam ao seu toque.

Logo, suas calças foram arrancadas de seu belo corpo, fazendo-a escorregar as palmas pelos globos redondos, puxando-o consigo para baixo, franzindo o cenho ao tentar conter a agonia que sentia entre as pernas ao sentir seu comprimento ereto cutucando-a.

— Você promete que vai ir devagar? — ela perguntou, traçando círculos aleatórios nas sardas dos ombros do mais alto. — Acho que eu me esqueci como se faz isso.

Ele riu baixinho, roçando seus narizes.

— Talvez seja como andar de bicicleta. — murmurou, apoiando uma de suas mãos no travesseiro, ao lado de sua cabeça, enquanto a outra guiava a si mesmo para dentro dela. — Pronta?

Ela assentiu, segurando firme em seus ombros.

É possível alguém ter uma fábrica de fogos de artifício dentro de si? Não? Mas Lynna era anormal, ela tinha.

Conectar-se à sua alma gêmea depois de um longo período de tempo era como mágica. O mundo lá fora não existia. Uma ameaça alienígena poderia pintar na área, eles não ligavam.

Tudo o que importava era a conexão criada entre seus olhos.

Azul no castanho.

“Você é Lyanna Angianova, filha de Aleksanna e Scar. Neta de Amber-Rose. Você nasceu no Palácio Dourado, em Asgard, no dia 30 de junho de 1962, segundo o calendário terrestre gregoriano. Seu melhor amigo é James Buchanan Barnes, meu melhor amigo também. Foi ele quem a libertou das garras da Hydra. Sua cor favorita é roxo, porque um dia, você viu uma flor nessa cor e se apaixonou por ela. Ela te traz de volta ao lar. Você coleciona miniaturas de maquiagem, porque durante toda sua vida, você nunca teve algo só seu, e as miniaturas te fazem parecer a regente de seu próprio mundo. Você ama batatas, principalmente no purê. E lasanha é sua comida favorita. Você toma sorvete de todos os tipos, menos de pistache. E odeia mostarda por cheirar como o chulé de Sam. Você tem duas amigas que também foram salvas da Hydra. Natalia Romanoff e Hanna Nuri. Você as chama de andorinhas, porque elas nasceram para serem livres, mas ambas são leais à família. Você também é a dona do meu coração. E não sabe o quão desolado eu estou ao vê-la sofrer desta forma. Volte para mim, boneca”.

AH! — ela não sabia dizer se seu gemido foi de prazer por ter chegado ao seu ápice, ou pela dor de cabeça que ela teve ao ouvir a voz de Steve dizendo aquelas palavras em sua mente.

Seus olhos entraram em foco outra vez, aproveitando os cuidados pós-coito, enquanto sua mente também tentava focar nas coisas que eram verdadeiras, e nas memórias que ela já tinha.

Mais uma vez, os olhos dela cruzaram-se com os de Steve. O seu Steve, antes que os dois se deitassem um ao lado do outro, adormecendo logo em seguida.

*

O pânico de ter alguém lhe abraçando foi superado quando ela sentiu as cicatrizes irregulares nas pontas de seus dedos. Sendo um pouco mais ousada, ela esticou sua mão para baixo, sentindo a textura de sua pele.

Levantou o lençol, rindo um pouco ao relembrar da cena que ela causou ao acordar ao lado de Steve, agora seu noivo, após ter bebido hidromel asgardiano batizado pelo seu primo...

CARALHO!

Ela lembrou!

Levantou-se o mais cuidadosamente possível, checando todos os cantos do quarto de casal, chorando por conseguir se lembrar de cada detalhe dele, até mesmo do cabideiro que ficava encostado no canto...

Voltou seu olhar para cama, onde o seu supersoldado dormia tranquilamente, após eles terem passado a noite inteira na cama, fazendo fondue, como sua pequena diria...

Estar com ele lhe ajudou a recuperar a memória, como aconteceu com Hanna.

Lynna estendeu a mão para tocá-lo, traçando as linhas suaves de seu rosto, fazendo com que ele estremecesse antes de abrir os olhos.

Tão lindo.

— Oi. — ele sussurrou com a voz rouca. — Você não consegue dormir?

Ela sorriu, ainda tocando seu rosto.

— Não, eu não consigo. — ele se exaltou um pouco, tentando sentar-se. — Mas eu estou bem. Fique calmo.

O loiro assentiu de maneira fofa, despertando seu choro outra vez.

— Ei. — ele sentou-se, limpando suas lágrimas. — Eu já disse que iremos resolver isso, ok? Não precisa se desesperar...

Ela mordeu o lábio, assentindo.

— Não estou chorando por causa disso. — murmurou. — De verdade, não se preocupe. Está tudo bem.

Puxou-o para si, beijando-o, da mesma forma que ela havia sonhado quando estava sendo prisioneira na Hydra.

Se ele ainda não havia entendido que ela recobrou a memória, talvez agora ele soubesse, senão, não importava ainda. Depois eles teriam tempo para conversar, estava tudo bem.

Ela montou suas coxas, encaixando-o dentro de si, precisando sentir o contato de suas peles, senão enlouqueceria.

Era tão bom fazer amor sem ter a bisbilhoteira da Pétala dentro da sua cabeça.

Ela não sabia onde aquela demônia estava, mas não importava. Hoje não. Agora não.

Tudo o que ela queria era ter seu loiro de volta para si, nem que fosse por alguns minutos antes que seus amigos pudessem voltar ao Complexo.

Mais uma vez naquela madrugada, ela dormiu ao lado de Steve, abraçando-o como um urso de pelúcia, com o nariz em seus cabelos macios e cheirosos.

*

Ela se assustou ao ouvir a gargalhada de Pétala, pois por mais que elas dividissem os mesmos olhos, Lynna estava interessada em saber o paradeiro de Hanna, depois que ela praticamente carbonizou seu primo, quando a maldita capturou um dardo.

— Pelo visto, você tem uma obsessão pelo meu pescoço, não é mesmo, Capitão? — seu sangue ferveu ao ouvir a voz daquela puta endereçada ao seu noivo, SEU. A maldita jogou o dardo de volta, mas ele se protegeu a tempo com o escudo.

— Primeiro de tudo, este corpo não é seu. — É ISSO AÍ! — Segundo, minhas obsessões não são da sua conta.

Ela não queria que eles tivessem que chegar a esse ponto, de Steve ser obrigado a lutar com ela como se os dois fossem verdadeiros inimigos. Seu coração doía por ela ser fraca demais para lutar contra a Pétala.

Através do vidro, suas mãozinhas tentaram afetar a vadia, para que ela pudesse toca-lo ao menos uma vez, mas não deu.

De repente, o loiro conseguiu imobilizá-la, prendendo-a contra seu peito. Lynna não gostou muito disso. Ela não queria esse tipo de contato entre os dois.

Suas forças estavam prestes a despertar apenas para dar um chute no saco dele, por mais que “capturar” a Pétala fosse essencial para eles, uma vez que todos estavam tentando recuperá-la. Ela tinha ciúmes, ok? Até do próprio corpo!

— Eu te disse que você não pode parar o progresso. — a desgraçada falou. — Não há nada o que você possa fazer, Cap. Nunca houve. Mas não se preocupe, logo, logo você encontrará sua noivinha no inferno. — de alguma forma, a Pétala conseguiu se soltar de Stevie e subjugá-lo. Quando viu, a filha da puta tinha uma adaga apontada para a garganta dele. — Talvez, um pouco mais rápido do que o esperado.

O quê?!

VOCÊ NÃO VAI MATAR O MEU STEVE!

Como se você tivesse forças para impedir isso, sua idiota!

Lynna poderia não ser forte o suficiente em sua versão de criança, mas ela possuía uma coisa que a Pétala jamais teria.

Amor.

Ela amava muito a pessoa ajoelhada à sua frente, com uma lâmina pronta para cortar seu pescoço, e estava prestes a jogar-se ao fogo, antes que algo ruim lhe acontecesse.

Suas mãozinhas se incendiaram, segurando a Pétala pela primeira vez em sua vida. Isso a fez derrubar a lâmina, o que foi bom, mas deixou-a completamente tonta, por conta de seu físico de criança, mal treinada em seus dotes mágicos.

Ela não conseguiu segurá-la por mais tempo, mas pelo menos salvou a vida de Steve, que era a sua prioridade.

*

Quando a mente de Pétala entrou em colapso, Lynna finalmente achou que poderia ter conseguido obter alguma vantagem sobre a puta com a ajuda de suas amigas.

Tudo se concretizou quando ela literalmente viu Marnie aparecer em sua frente, ou pelo menos o “espírito” dela, vai saber...

“Lya!” ela não sabia explicar a emoção que sentiu ao finalmente poder chegar perto de alguém conhecido. Ela estava carente dos rostos deles, de qualquer um deles. “Eu não acredito que você veio me buscar! Eu sempre soube que você viria me buscar, mas eu não posso ir agora. Ela é muito forte. Me transformou em criança dentro de sua mente, para que eu não pudesse sair, para que eu não tivesse forças contra ela...”

Ela não é poderosa. Você é que é. Todos os poderes vindos da Pétala são seus, é por isso que ela te quer viva, porque ela não é nada sem a sua força, sem os seus poderes. Lute contra ela, lute!”

“De onde arranjarei forças para lutar?! Como eu posso confrontá-la?!”

Estranhamente, Lynna sentiu um puxão em seu pulso direito quando Mary tentou forçar-se para dentro da redoma que a Pétala havia lhe colocado.

“Steve te ama Ele está lá fora, lutando para te salvar. Ele não dorme à noite, e não para de revisar todos os papéis que a Hydra tem para chegar até você” seu coração disparou fortemente. Seu Steve estava lutando por ela. Ele ainda não desistiu dela! “Ele está aqui?” ela ainda não podia acreditar na sua sorte. “Sim” Mary respondeu. “Hanna está à salvo. Está no Complexo, com Thor. Eles são amigos agora. Ele salvou a vida dela” o bebê dela estava bem. Ela jamais poderia colocar em palavras o quão feliz e aliviada estava se sentindo. “Todos nós estamos esperando por você aqui fora, querida. Lute contra a Pétala, você é fuderosa perto desta puta. Lute contra ela. Eu acredito em você”.

Algo dentro dela mudou ao ouvir as palavras de Marnie, era como se ela pudesse sentir o que a outra ruiva estava sentindo, mesmo que momentaneamente.

Isso lhe deixou um pouco mais forte, permitindo-a tocar na mão de sua amiga, ajudando-a a tentar tirá-la dali. Reagindo.

A Pétala tentou prendê-la ali, e tudo o que Lynna colocou na cabeça foi que ela já havia sido submissa por tempo suficiente, agora ela iria voltar, iria se casar e viver feliz, sem aquela puta lhe enchendo o saco.

Contudo, a maldita despertou, quase no meio do caminho para ela sair dali.

“Mary, não me solta!” implorou, mas sua mente já lhe dizia que era um pouco tarde demais. “Ela está despertando, nós não temos muito tempo!” Marnie parecia estar ferida, e Lynna sabia que deveria soltá-la antes que algo ruim acontecesse.

Antes que ela pudesse fazer alguma coisa para protegê-la, a Pétala despertou-se completamente, jogando sua amiga para longe de si.

Um grito agourento escapuliu de sua boca. “MARNIE!”.

A redoma de vidro voltou a encarcerá-la, enquanto a Pétala lhe obrigava a ver o corpo de sua amiga ser jogado contra uma árvore. Ela ouviu o estalo, ela viu o ângulo em que a pequena havia caído.

“NÃO!”.

Ela perdeu todas as suas forças, enrolando-se em uma bolinha.

Sua amiga morreu e a culpa foi inteiramente dela.

Bucky veio para matá-la. Ele estava ali para estrangular a autora do crime, e como uma pessoa justa, Lynna simplesmente desarmou-se de tudo, permitindo que ele acabasse de vez com a sua vida, pelo menos seu sofrimento também acabaria e Steve estaria livre para viver sua vida sem ser incomodado pela merda que habitava o mundo dela.

Ele deixou-a sozinha quando o sol nasceu, talvez para correr, ou alguma coisa do tipo...

Isso era bom, pelo menos ele não teria que testemunhar o seu sofrimento e se culpar por isso. Ele sempre se culpava por alguém que não merece a culpa dele.

Ela era um monstro.

Seu irmão, seu precioso irmão, ele sofreu o inferno nas mãos dos cientistas da Hydra, teve seu filho praticamente assassinado e sua esposa, a única coisa boa que ele tinha dentro de todo o caos, ela a matou.

Ela tirou a alegria das mãos de Bucky.

Ela não merecia viver.

Levantou-se lentamente, caminhando para o guarda-roupa, onde retirou seu vestido branco, vestindo-o por cima de seu corpo nu e pegajoso, banhado de mordidas de amor que ela não merecia, mas esta seria sua última lembrança do amor que viveu em vida.

Penteou seus cabelos e foi para fora.

Mike tentou distraí-la, mas ele não conseguiria. Não desta vez.

Beijou-lhe a cabeça, se despedindo dele.

Agora, ela faria de outra maneira. Lâminas não demorariam muito tempo. Não, ela precisava de algo que a fizesse pagar pelo que ela fez com todo mundo. Com a sua família, aqueles que ela jurou proteger.

Fechou os olhos com força, tentando não pensar em como poderia ter matado Sharon ao jogá-la contra algo que ela já não se lembrava mais, durante a luta. O Peter, o pequeno rapazinho que era inocente demais para esse mundo e ela também quase o matou...

Ajoelhou-se em frente ao canteiro de violetas, feliz por não ter cruzado com Steve, que havia rumado para a cozinha comunitária para fazer algo para os dois poderem comer, talvez na intenção de preservar a sua timidez, afinal de contas, ele ainda imaginava que ela estava desmemoriada...

Ele sempre fora bom demais para si, ela reconhecia isso.

Beijou uma das flores, permitindo que suas lágrimas a banhassem, então caminhou para o lago, não se importando que a frieza da neve estivesse machucando os seus pés.

Toda a dor precisava ser sentida.

Ajoelhou-se no lago congelado pelo inverno, utilizando seus poderes e as dicas de Loki para criar uma pedra sem precisar do auxílio da raiva, ou de sua pérola, então começou a abrir um buraco no gelo.

Ela estava a um passo do meio do caminho, quando um barulho de asas lhe assustou.

— Lya, pare, por favor! — esta voz... não seria...? — Nós podemos fazer isso juntas. Você não é a culpada. A Hydra que é.

— Você está morta, Mary Elizabeth! — resmungou, cavando ainda mais o buraco no gelo grosso. — Pare de me torturar com a sua presença, eu sei que eu te separei do amor da sua vida, eu já entendi que eu sou amaldiçoada!

A pedra voou para longe com a força dos poderes roxos, fazendo-a arfar de susto.

— Querida, olhe para mim. — lentamente, Lynna fez o que a voz de Mary pediu, arregalando os olhos ao vê-la praticamente seminua num inverno de rachar. Seus dedos da mão estavam roxos, ela usava um vestido de alcinha simples, adornado por um par de asas tão roxas quanto seus dedos. — Eu nunca estive tão viva.

— Como...?! — ofegou, afastando-se dois passos para trás.

Sua amiga sorriu.

— Quando a Pétala me jogou contra a árvore, ela criou uma lesão grave que fez com que os meus poderes despertassem. — murmurou. — Os médicos da SHIELD me disseram que eu paralisei por alguns minutos, mas algo me fez voltar. E sabe o que foi? — ela negou, estremecendo ao ter suas lágrimas congeladas em seu rosto. — A descoberta de que eu podia salvar você das garras daquela maldita.

Seu coração disparou alto.

— Mas isso não muda o fato de que você poderia ter morrido por minha causa. — rebateu. — Na verdade, não muda o fato de que isso pode ser uma ilusão da minha mente! — Marnie abriu a boca para falar, mas foi interrompida por outra chegada repentina.

— Anna, amor, não faça isso. — não. Ela não poderia lidar com Steve agora. Ela não saberia o que fazer se olhasse nos olhos dele. — Volte aqui, vamos fazer isso juntos. — ele começou a caminhar no gelo lentamente, aparentemente descalço. — Não me deixe.

Ela grunhiu, irritada.

— VOCÊS NÃO PODEM ENXERGAR QUE EU SOU UM MONSTRO?! — afastou-se deles, ignorando seus olhares desesperados. — A Pétala pode até ter estado no controle do meu corpo quando todas essas atrocidades foram cometidas, mas eu sabia que podia para-la e não o fiz. Eu fui covarde, e a minha covardia me custou tudo o que eu jamais poderia macular. — ela soluçou alto, tremendo ao ver todo mundo reunido à beira do lago. Eles não poderiam chegar onde ela estava porque o gelo poderia quebrar facilmente em algumas partes onde ele estava fino. — Eu machuquei a minha família, e isso é imperdoável. Eu disse que jamais conseguiria conviver com isso.

— Você acha que não funciona assim para o nosso lado? — Steve era teimoso demais para largar o osso, ele continuou avançando, enquanto ela tentava se afastar cada vez mais dele, bloqueando Mary de tentar ultrapassar sua barreira segura. — Você pertence a esta família, e te ver sofrer machuca todo mundo.

Ela riu sarcasticamente.

— Idiotas! — resmungou, mas era da boca para fora. — Vocês estão se livrando de um fardo! — ela bloqueou-o também. — É metafórico, não acha? — sua mão direita apontou para baixo, enquanto a esquerda mantinha os dois longe dela. — Você caiu no gelo para salvar este país, e eu estou tentando fazer a mesma coisa. Mas infelizmente eu não sou tão heroica. — seu lábio tremeu, então finalmente ela revelou o quão desolada estava. — Você merece alguém melhor, Stevie. De verdade, você está livre agora. Seja feliz sem mim.

E com isso, o gelo se abriu embaixo de seus pés.

O que você está fazendo aqui, querida?!, sua avó lhe perguntou assim que seu corpo bateu na água, bloqueando todos os sons que haviam na superfície.

Eu machuquei todo mundo, babushka. Eles estarão melhor sem mim, respondeu-lhe, tentando chorar, mas era impossível.

Ela olhou para si, horrorizada.

Você vai desistir do seu Steve por causa da Pétala?! Não faça isso, querida! Não aja como eu agi! Não mate esse amor, lute por ele! Você ainda tem um grande propósito para esse mundo, não fuja dele! Você é a nossa última esperança!

E com isso, ela desesperadamente tentou voltar à superfície, ao se dar conta da burrada que ela fez.

Sua avó estava certa. Ela tinha que lutar pelo seu amor. Ela tinha que lutar para tê-lo de volta, apesar de não merecer isso. Ele havia lhe dado uma chance, ele havia enfrentado a Hydra para ajudá-la a sair. Seria injusto dar um tiro em seu coração.

Ela era egoísta o suficiente para querê-lo, por mais que não merecesse, só para ter o prazer de ver seu bonito sorriso mais uma vez.

Eu te disse que te levaria comigo, sua vadia, a imagem de Rumlow apareceu para ela, apertando seu pescoço, travando o que restava de seu ar, então, tudo se apagou.

*

— ANNA! — Steve berrou ao ver o corpo dela afundar.

Claramente ela só podia estar confusa com todas as coisas em sua mente. Ela não estava sendo séria, era o que ele imaginava quando Marnie havia gritado que ela estava indo para o lago com a intenção de se matar.

Ele pensava que poderia fazê-la mudar de ideia, mas infelizmente não conseguiu.

Desesperadamente, ele esmurrou o gelo, na tentativa de encontrá-la lá dentro, mas a correnteza havia levado-a.

Bucky e Natasha escorregaram ao seu lado, por serem praticamente os únicos que conseguiram ultrapassar o lago sem afundar, limpando o gelo na sua parte, enquanto Wanda e Mary limpavam o gelo alguns metros acima de onde eles estavam.

— Steve, ela está aqui! — Nat gritou à sua esquerda, tremendo.

Imediatamente, ele e seu melhor amigo passaram a tentar quebrar a grossa camada. Seu sangue borbulhou, devido aos cortes que ele estava levando ao tentar quebrar a peça, mas nada disso importaria se ele pudesse trazer sua amada viva para a superfície.

Ele foi o primeiro a ver seus cabelos flutuando. Puxou-a sem cerimônias para cima, depositando-a na fina camada de neve, imediatamente começando os procedimentos de reanimação.

— Vamos! — resmungou, irritado com a lentidão do processo. Ele abaixou-se para fazer respiração boca a boca nela, tentando forçá-la colocar para fora a água que ela ingeriu. — Anna, colabora! Você não vai morrer! Eu não vou deixar que você morra!

Na terceira tentativa de respiração boca a boca, ela finalmente cuspiu a água, tossindo compulsivamente, enquanto tremia violentamente contra o seu corpo.

Sem esperar por mais nada, ele colocou-a em seus braços e correu para casa, sem se incomodar com a dormência em seus pés descalços.

Ele encontrou Hanna esperando-o em seu quarto. Ela estava vestida com um grosso casaco de lã devido ao frio. Agora ele entendia o porque dessa época do ano ser a sua pior inimiga. Os olhinhos da pequena se arregalaram.

— Não! — balbuciou, chorando ao ver a sua expressão desolada. — Ela está...?

— Ela está viva. — ele respondeu-lhe com a voz embargada. — Ela está viva. — disse para acalmar o seu coração. — Mas sua temperatura está muito baixa. Ela se jogou no lago.

Imediatamente, Han enrolou-a em um monte de cobertores quentinhos que estavam previamente espalhados em sua cama, pedindo para que ele a colocasse no centro, enrolada como uma bolinha.

— Ela vai ficar bem. — sua amiga assegurou-lhe após examiná-la, massageando seus ombros. — Agora, deixe-me ver esses seus hematomas...

— Eles vão sarar em questão de horas. — sua voz saiu estremecida. — Han... — ela encarou-o com os olhos brilhando. — Eu acho que preciso de colo.

Sem questioná-lo, a pequena envolveu seus braços ao redor de seu corpo, permitindo que ele a abraçasse como um polvo, enquanto chorava a descarga emocional de quase ter perdido sua violeta mais uma vez.

Quando ele finalmente se calou, Hanna deu-lhe um medicamento calmante, que ele jurou de pés juntos não fazer efeito em seu sistema de supersoldado, mas fez.

Ela deixou-o sozinho com Anna alguns minutos depois, assegurando-lhe de que tudo ficaria bem, e que eles haviam chegado no momento exato de impedi-la de fazer algo terrível.

Assentindo para ela, Steve passou sabe-se lá quantas horas apenas acariciando o rosto de sua amada, esperando pacientemente para que ela acordasse.

Suas belas avelãs se mostraram a ele por volta das 20:00hrs. Já estava bastante escuro lá fora, devido aos dias serem mais curtos durante o inverno. Assim que o viu, Anna começou a chorar, pulando dos cobertores para abraça-lo, deixando-o aliviado.

— Eu sinto muito, Steve! — ela soluçou em seu peito. — Eu fui fraca, eu estava confusa... eu... me perdoa.

— Ei, calma. Calma. — ele sussurrou, acariciando suas costas. — Não foi sua culpa. Sua mente estava confusa e somou tudo o que você passou, o resultado só podia ser uma explosão.

Ela soluçou outra vez, afastando-se um pouco de si.

— No começo, eu queria me fazer pagar por tudo o que aconteceu. — ele ofegou, tentando argumentar para fazê-la parar de dizer tamanha atrocidade, mas ela o calou com seu indicador em seus lábios. — Mas então, eu lembrei de você, e que estaria te perdendo, que jamais iria ver o seu sorriso outra vez, então eu não quis mais. Eu pensei que já era tarde.

— Oh, meu amor. — ele distribuiu beijos em seus cabelos úmidos. — O que aconteceu não foi sua culpa! Mas agora está tudo bem. A Pétala foi removida de seu corpo, o albino e seu pai estão presos e nunca mais eles voltarão para nos incomodar. — ela respirou fundo, assentindo. — Agora nós podemos seguir em frente, é claro, se você não quiser fazer de mim um viúvo antes mesmo de casar. Você quase me matou do coração! Fique sabendo que em hipótese alguma, eu poderia ser feliz sem você!

Ela corou, escondendo sua cabeça em seu peito.

— Apesar de tudo isso, você ainda quer se casar comigo? — resmungou com a voz um pouco abafada pelo tecido do seu suéter.

— É tudo o que eu mais quero na vida. — murmurou para ela, levantando seu queixo para olhar em seus olhos. — Se você ainda me quiser...

Ela riu baixinho, zombando de suas palavras.

— É claro que eu quero, mas...

— Não me venha com esta história de que não me merece! — ele a cortou, apertando-a contra si, distribuindo mais beijos. — Não faça isso consigo mesma, amor. Não se culpe pelo erro dos outros. Você foi a vítima aqui. Teve seu corpo usado e abusado, para que pessoas cruéis pudessem colocar em prática seus atos cruéis sem sujar as próprias mãos. Eles não merecem o seu choro, muito menos a sua vida.

Ela engoliu em seco, esticando a mão gelada para tocá-lo.

Eu te amo, krasivyy. — murmurou em russo, fazendo seu coração disparar.

Eu te amo mais, princesse. — ele respondeu, acariciando seu nariz no dela. — Agora, venha comigo. Vamos tomar um banho quente.

Carregando-a como uma criança de colo, os dois sumiram no banheiro.

Steve preparou a banheira com tudo o que ela tinha direito.

Por fim, ele ajudou-a a remover seu vestido, reparando nas marcas que ele havia deixado ontem à noite, quando ela descobriu sobre os dois. Seu coração disparou de excitação por tê-la consigo outra vez, com sua memória restaurada.

A partir de hoje, ele faria o possível e o impossível para manter a saúde mental dela estável.

Eles se amaram sob a água quente, e quando suas peles começaram a esfriar, ele levou-a para o quarto, onde vestiu-a com um de seus casacos mais grossos, protegendo seu corpo do frio o máximo que ele conseguia.

Uma vez agasalhados, Anna concordou em descer para a cozinha comunitária para comer alguma coisa, uma vez que ele precisava urgentemente abastecer a deles, depois de ter negligenciado isso por mais de seis meses porque simplesmente era mais fácil abastecer a geladeira de baixo.

Ao chegarem lá, ela soltou-se de sua mão, escorregando para debaixo do cobertor que Bucky estava enrolado, propositalmente empurrando Marnie para o chão, aconchegando-se nele.

— Ei, sua cuzona! — a anã resmungou, esfregando dramaticamente as costas.

— Ele é meu irmão! Eu cheguei primeiro! Agora aguenta! — ela devolveu, então soluçou. — Eu sinto muito, gente eu não queria...

— Pode parar! — Tony foi o primeiro a disparar. — Eu não quero ver você se culpar por causa da Pétala! Aquela maldita é uma coisa muito ruim, ela não merece o seu choro e nós estamos bastante grandinhos para podermos discernir uma da outra. — sua pequena ficou boquiaberta. — E tem mais: mesmo que atentar contra a própria vida não seja a melhor saída para escapar de um problema, nós não iremos julgá-la por ter feito o que fez. Sua mente estava confusa. Graças a Deus Steve e Bucky foram rápidos o suficiente para te tirar de lá.

Ela sorriu para ele franzindo o cenho.

Espera aí... Tony acabou de chamar ‘Bucky’ de Bucky?!

É o sinal do fim dos tempos!

— É o fim dos tempos! — viu? Até Natasha concordava com ele! — Tony, você acabou de chamar Barnes de Bucky?!

O moreno de olhos castanhos bufou, frustrado.

— Eu faço um puta discurso sobre como estamos contentes que a Lady Tóxica recobrou sua memória, enquanto tento tranquilizá-la sobre o quão mal ela deve estar se sentindo, e você só consegue captar isso?! — ele dispara, nervoso.

Anna riu.

— É que vocês estão sempre brigando... é quase uma surpresa saber que os dois estão se entendendo. — respondeu-lhe no lugar da Viúva.

Ele coçou a nuca, envergonhado.

— É que eu devo algumas coisinhas a ele... — murmurou.

— Tipo um boquete? — Hanna disparou, com os olhos arregalados. Ela não estava desenhando coisas obcenas nas costas de Thor, estava? Ele esperava que não.

— Cara, você tem uma mente poluída! — Tony disparou de volta, arregalando os olhos. — Hanna! Thor vai te matar quando ver o que você está fazendo nas costas dele!

— Ninguém mandou ele dormir sem camisa na sala! — ela gritou, cruzando os braços. — Eu juro que fiz a mesma coisa com Bruce quando ele tirou uma soneca no laboratório!

— Foi uma dor na bunda para tirar a tinta do piloto... — seu amigo negou com a cabeça.

Curiosa como era, Anna se arrastou para ver o que sua amiga havia feito, arregalando os olhos para algumas frases e desenhos contidos nas costas do primo dela.

— Cacete Han! — ela resmungou. — Você pegou pesado com esse negócio de Thorki! Você é cruel!

A morena riu, jogando o piloto ao lado da cabeça do loiro, para depois abraçar sua irmã de maneira apertada, estimulando todos a fazerem o mesmo, criando um bolo de pessoas em volta da SUA noiva!

— Gente, vocês vão me esmagar! Eu já entendi que vocês me amam e que estão felizes que eu estou de volta! — Anna resmungou. — Han, tire suas mãozinhas da minha bunda, agora!

A pequena riu, desmanchando o abraço coletivo.

— Cara, eu devo admitir que gostava do seu ‘eu’ desmemoriado, porque ela sabia dividir as coisas. — Sam se pronunciou, sentando-se displicentemente no encosto do sofá. — Mas às vezes me dava um cagaço de você, porque você nunca divide as suas coisas.

Essa indireta era claramente para o desavisado do Loki, que vinha lá no final do corredor, comendo um dos últimos pacotes de guloseima que ele havia roubado de Anna.

Steve não falou nada. Ele queria ver o circo pegando fogo, assim como todo mundo que avisou a ele do problema, mas o infeliz quis ignorar, fiando-se no fato de que ele era o “primo favorito” da sua violeta. Não sabe ele, que ela poderia se tornar violenta— meu pai, que trocadilho horrível – quando alguém mexia nas suas coisas sem a sua permissão.

— A é? — Anna resmungou. — Espero que você tenha aproveitado bastante, pois agora eu estou de volta, e estou com fome de doce. Acho que vou buscar algo para mim. Eu estava salivando por um marshmallow durante a prisão na Hydra...

Todo mundo se olhou com cara de puta merda quando ela correu para o cofre, até mesmo Visão, que geralmente era meio alheio às besteiras deles.

Seus ouvidos quase estouraram com o grito agudo que ela deu, capaz de acordar Thor, que caiu do sofá, atordoado.

— QUEM FOI O FILHO DA PUTA PRESTES A PERDER SEUS ÓRGÃOS QUE OUSOU ME ROUBAR?! — cara, a criatura delinquente ficou em todos os tons de pálido ao chegar à cozinha. — Loki, meu primo amado... por acaso isto em suas mãos é o meu doritos edição limitada do Capitão Destino com a assinatura de Chris Evans ao lado de sua foto em seu glorioso traje vermelho, preto e branco?! — os olhos dela pareciam tão assassinos quanto a sua voz.

O moreno asgardiano verificou a embalagem, arregalando os olhos pela descrição ter batido perfeitamente.

Como ele havia dito, Anna conhecia todas as coisas que ela colocava dentro daquele cofre, de um jeito bem bizarro.

— Sim. — respondeu-lhe num fio de voz.

— Loki... — ela apertou os olhos com força. — É melhor você correr...

Notas finais
Foi mal se alguém sofreu um mini ataque cardíaco, é que desde que eu assisti Riverdale e vi a cena em que a Cheryl tenta se matar na primeira temporada (sorry pelo spoiler), eu sabia que tinha que adaptá-la para a minha estória também. Agora temos a nossa Lya de volta, caralho! Aqui vão alguns links: Lynna no lago (este link não é para ser engraçado, é meramente uma ilustração) - https://66.media.tumblr.com/b9493754d3a9bfb219536b198510bd92/tumblr_pupek7YgyH1thj513o6_r1_500.gif A cara que Lynna fez para Loki (ele tá fudido) - https://66.media.tumblr.com/e04a98417a14cca420f666ce668a7b5f/tumblr_pupek7YgyH1thj513o5_r1_540.jpg Hanna pistola com Thorzinho no cap passado - https://66.media.tumblr.com/57a65b26a5eb9b68ec3fb4207641e6a7/tumblr_pupek7YgyH1thj513o4_r1_250.gif A pele de Loki sendo puxada de seu corpitcho - https://giphy.com/gifs/google--google-pixel-4WF5wLnw5ReddUZzU4 Até o próximo!