The Captain and The Petal.
82 Eightieth Chapter. - Life goes on.
Notas iniciais

Vida que segue.
— Loki... — ela apertou os olhos com força. — É melhor você correr...
Após ela dizer isso, o maldito jogou o resto do SEU salgadinho no chão, correndo na velocidade da luz.
Ainda um pouco endurecida de ter caído no gelo, Lynna teve dificuldade de correr atrás dele, o que era humilhante. Ela não imaginava que aquela peste teria tanto fôlego, mas aí estamos.
— Merda, eu me arrependo tanto. — resmungou, segurando-se na parede, foi quando ela o avistou descendo as escadas. Com um sorriso diabólico na cara, ela fez crescer uma barreira vermelha, impedindo-o de ultrapassar o caminho. — Parece que o jogo virou, não é mesmo?
Pousou à sua frente.
— ISSO AÍ RASGA A CARA DESSE AÍ TAMBÉM! — Hanna gritou, debruçando-se no parapeito.
— Lyanna, calma eu posso explicar... — Loki levantou a mão em frente ao seu rosto, tentando se defender.
— Eu estou ansiosa para ouvir suas explicações. — ela disse sarcasticamente, brandindo um bastão vermelho. — Comece!
— Foi Mary Elizabeth! Ela me deu a sua senha! — ele gritou, apontando para Marnie, que tinha metade de seu corpo escondido nas costas de Steve.
— EU SÓ FIZ ISSO PARA VOCÊ IMPEDIR THOR DE IR ATRAS DE HANNA E COMETER UMA LOUCURA! — ela gritou de volta, mostrando a cara de pastel.
— E VOCÊ DÁ A MINHA SENHA?! — Lynna berrou, irada.
— EU ACHEI QUE FOSSE A MINHA, MAS ACABOU QUE EU ME ENGANEI! — a ruiva anã rebateu.
— MENTIRA! — Loki colocou as mãos na cintura.
— MAS EU TE AVISEI QUE ERA O COFRE DELA, E VOCÊ NÃO PAROU DE ROUBAR AS COISAS! — cara, ela não queria um irmão baderneiro como Thor. Ele acabou de foder com a raça do moreno, talvez ele estivesse aprendido isso com Hanna, que é uma péssima influência...
— Não importa, de qualquer forma. — a mais velha respirou fundo, levantando o bastão. — Você roubou e merece a sua sentença. — então, ela começou a bater nele, fazendo-o choramingar. — VOCÊ. COMEU. OS. MEUS. DOCINHOS!
— DESCULPA! DESCULPA! — ele gritou, tentando se esquivar.
— Você vai comprar tudo de novo, do mesmo jeitinho! — ela gritou, tacando o bastão no chão.
— Mas eu não sei comprar coisas assim! — ele argumentou.
— F O D A – S E! — ela fez birra. — Eu quero tudo de novo, senão vou arrancar uma tira de couro das suas costas! — então ela correu para cima, fazendo bico ao se jogar no sofá. — E agora, o que eu vou comer?
— Já experimentou comer comida de verdade? — Bucky arqueou a sobrancelha, escondendo o corpo de Mary atrás dele.
Ela ampliou o bico, “chorando” dramaticamente ao ver Steve.
— Eu sou tão desafortunada... — seu irmão revirou os olhos. — Eu fui encarcerada, e tudo o que eu queria era comer um doce. Agora eu não tenho nada...
Alguém jogou um saco de marshmallow na sua cara, fazendo-a pular de susto.
— Para depois você não dizer que eu sou ruim. — Loki resmungou, mancando, de alguma forma.
— Você comeu meus doces! — ela resmungou de volta, enfiando a cabeça no pescoço de Steve quando ele se sentou ao seu lado. — Eu sou só uma criança, seu sem coração!
Ele revirou os olhos.
— Eu vou comprar aquela merda de volta! — cruzou os braços.
— Não faz mais do que a sua obrigação! — ela disparou.
— Mas eu só vou fazer quando aquela criatura me ajudar, porque foi por culpa dela que eu me ferrei! — ele apontou para Mary, que acenou.
— Ei, eu posso ter te mostrado a droga, mas quem escolheu o vicio foi você. — ela cruzou os braços.
Contrariado, seu primo afundou num pufe, resmungando alguma coisa em nórdico, para depois ser derrubado no chão quando Hanna saiu correndo e se jogou em cima dela, separando-a de Steve.
— Ai Hanna! Tira a mão do meu peito, tá doendo! — resmungou, afastando-se um pouco da pequena.
— Steven! Pare de morder o peito da minha irmãzinha, seu monstro! Ela é sensível! — seus olhos se arregalaram com a fala dela. — Marnie teve que ir passear no bosque por culpa de vocês dois.
A partir desse ponto, ambos não se importavam mais com os comentários daquela criatura, então não se importaram de corar também.
— Eu não mordo ninguém, Nuri! Eu sou um anjo! — seu noivo piscou fofamente, mandando um beijo no ar para ela, que fez uma careta.
— HANNA NURI! — eles se assustaram com o grito de Thor, mas logo prenderam o riso ao perceber que ele descobriu sobre as tatuagens dele. — O QUE VOCÊ FEZ NAS MINHAS COSTAS?!
Ela escondeu-se em baixo de seu cabelo.
— Não fui eu! — tentou parcamente se defender. Fazendo-o estreitar os olhos. — Calminha... estresse faz mal, dá rugas...
— Fique longe do meu corpo! — ele fez birra.
Han inclinou a cabecinha sorrindo descaradamente.
— Impossível. — piscou, então se enfiou entre ela e Steve. — Que tal assistirmos alguma coisa de Natal?
— Hanna, o Natal já passou. — seu noivo argumentou.
— Mas está tão Bucky lá fora! — ela resmungou, encolhendo-se como uma bolinha nervosa ao seu lado. — Eu queria algo para me esquentar.
Eles franziram o cenho.
— Ei! Para de me chamar de inverno, sua nanica encrenqueira! — o moreno grunhiu, zapeando alguma coisa na TV. — Você não tem que estar no seu laboratório não?
— Não! — ela cruzou os braços. — Eu tenho que... — de repente, um trovão rasgou o céu, anunciando uma tempestade. — FILHO DE UMA PUTA! Eu já entendi que não deveria ter riscado as suas costas, você realmente precisa me matar do coração?
— Não fui eu! — Thor protestou da cozinha.
— Hey Han. Eu acho que você não contou ao meu eu desmemoriado como você escapou do covil da Hydra na Ucrânia. — Lynna voltou-se para ela, que afundou entre os dois, corando.
— Então... — ela pigarreou, torcendo o nariz fofamente. — O seu primo apareceu na base, explodiu a parede e me tirou de lá num quinjet.
— Loki, isso foi tão fofo da sua parte! Obrigada por salvar a minha pequena. — ela agitou, brincando com sua amiga.
— Não foi o rebelde sem causa. — Han respondeu.
— Ah, não? — ela arregalou os olhos, dramaticamente chocada. — Então quem foi?
Ela se encolheu, apontando para o loiro alto, que empilhava alguns sanduiches em seu prato. O mesmo abriu um sorriso filho da mãe, inclinando a cabeça para ela.
— E ela ainda escreve coisas absurdas nas minhas costas! — ele protestou, franzindo o cenho e se sentando no banquinho dela.
— Ninguém mandou você dormir sem camisa na sala! — Han gritou de volta, fazendo bico. — E sai do meu banquinho!
— Por que eu não posso sentar no banquinho rosa? — ele arqueou a sobrancelha.
— Porque é meu, e eu não deixei você sentar lá! — Lynna olhou para Steve e ambos negaram com a cabeça.
— Vocês dois podem parar de brigar?! — resmungou, cruzando os braços. — Parecem duas crianças!
— Mas perto desse energúmeno, eu sou um bebê! — Han protestou. — Ele tem mais de mil e quinhentos anos!
— Eu não quero saber! Vocês dois estão cansando a minha beleza! — a ruiva mais velha brigou.
E com isso, eles passaram a assistir alguma coisa, uma vez que o horário do jantar já havia passado. Steve colocou uma pilha de mini sanduiches para ela e Hanna beliscarem, enrolando-as num edredom.
— Erm... Lya, agora que você recuperou sua memória... — ela levantou a cabeça para Bucky, comendo lentamente o seu sanduiche. — Quem é Ophelia?
É O QUÊ?!
Como é que Ophelia foi parar no mundo desconhecido?
Ela se engasgou com o pedaço de pão, fazendo com que Hanna batesse em suas costas para ajudá-la.
— Como assim?! — disparou, procurando o olhar de Steve, que estava tão engasgado quanto ela.
— É que você falou sobre ela quando estava bêbada. — ele respondeu-lhe, cutucando a alface do sanduiche dele. — Eu fiquei curioso, porque você disse que ela queria que Steve a beijasse.
— EU NÃO FALEI ISSO! — revoltou-se, lutando para não corar. Os dois supersoldados sorriram amarelamente. — Como ninguém me impediu de falar bosta?!
— Porque ninguém te controla quando vocês bebem! — Bucky franziu o cenho. — Mas então... quem é esta Ophelia, e porque ela pode beijar Stevie?
Lynna quis rir, porque, tecnicamente, Ophelia não beija ninguém, mas...
— É uma amiga minha. — respondeu-lhe, cruzando os braços.
— Como nós nunca vimos essa sua amiga? — ela não sabia que mentira iria inventar para esta pergunta.
COMO É QUE ESSE RETARDADO IRIA VER OPHELIA, SE A BENDITA ESTAVA ESCONDIDA EM SUAS CALÇAS?!
Tecnicamente, ele já a viu, em tese...
— Porque ela é uma boneca de simulação online, seu retardado curioso! — mentiu, arqueando a sobrancelha para enfatizar a mentira. — E você nunca irá vê-la porque eu me esqueci a senha, agora, dá para parar de falar sobre a Ophelia?!
Ele assentiu, então riu baixinho.
— Vocês perguntaram qual era o fetiche uma da outra. — disse-lhe, ainda rindo.
— AH, QUAL É? DE QUEM FOI ESSA IDEIA?! — Hanna gritou, levantando-se. Seus olhos estavam arregalados como pires.
— Que foi Hanna...? não é como se você tivesse algo para esconder... — Marnie provocou, piscando angelicalmente.
— O que foi que eu disse?! — ela insistiu, estranhamente desesperada.
— Quem sou eu para te responder uma pergunta dessas... — Bucky brincou, sorrindo amplamente. — Meu bebê.
— Meu bebê vai ser a minha mão rodando na sua cara, agora responda o que eu respondi! — Han rosnou, apontando um sanduiche para o moreno de olhos azuis.
Ele jogou a cabeça para trás, rindo.
— Você disse que queria provar cobertura de chocolate com chantilly e morangos. — respondeu-lhe, fazendo Han franzir o cenho.
— Só isso? — perguntou, decepcionada.
Então, Bucky abriu o maior sorriso filha da puta que ela já tinha visto na vida.
— Lambendo do peito de Th...
— Ok, cala a boca, eu não quero ouvir mais! — Lynna franziu o cenho para o olhar de cumplicidade que ela e seu irmão trocaram.
— Galera... tem algo aqui que eu deveria saber? — arqueou a sobrancelha.
— Não! — Hanna disparou, enfiando um pedaço grande de pão na boca para não falar nada. — Nadinha, sua enxerida! — disse com a boca cheia.
Então saiu da sala, praticamente correndo.
Estranho...
— Steve, você sabe alguma coisa sobre Hanna? — voltou-se para seu noivo, que digitava algo em seu tablet.
Ele franziu o cenho.
— Não. — respondeu-lhe, encolhendo os ombros. — Só sei que de uns tempos para cá ela está estranha.
Lynna ficou séria.
— Steven, Hanna sempre foi estranha. — piscou para ele, voltando a comer. — Eu não acredito que você sabe dos podres de Hanna, mas eu não. — resmungou para Bucky, que franziu o cenho, como se não soubesse do que ela estava falando. Geralmente, ele não sabia, mas sai intuição lhe dizia que tinha algo que ele não estava contando...
— Agora pronto! — o moreno resmungou de volta. — Ei! Eu ainda não te disse que você achava que nós éramos namorados quando você perdeu a memória!
Ela arregalou os olhos, olhando espantada para ele, quase ignorando o fato de que ele CLARAMENTE estava desconversando.
— Como eu consegui realizar essa proeza?! — disparou, curiosa.
Ele fechou os olhos, gargalhando.
— No dia em que você acordou no Helicarrier, eu tentei mandar um gatilho, uma daquelas frases que nós trocávamos quando estávamos sozinhos, sabe? — ela assentiu, fazendo sinal para ele prosseguir. — Só que você parecia estar bastante traumatizada, o que lhe custou muito a encaixar as memórias que você tinha de mim, automaticamente fazendo-a achar que nós éramos namorados.
Ela escondeu seu rosto em suas palmas.
— Essa é a prova de que eu só penso merda. — resmungou.
Ele riu, assim como as outras criaturas espalhadas no sofá.
— Você me encontrou aqui, enquanto Anya e eu estávamos distraídos... eu achava que você estava na sala de cinema, ou coisa parecida, então você entrou e começou a gritar comigo, dizendo que eu te traí. — ela soltou um gemido envergonhado, franzindo o cenho. — Você me bateu e tudo mais...
— Sério? — ele assentiu. — Mas também... quem mandou você me abandonar por ela?! — apontou para Mary, que tinha as pernas em cima das de Bucky. — Existia coisa melhor.
— Ah o recalque... — a ruiva anã suspirou, fingidamente se abanando. — Supera amor, supera.
Ela riu, negando com a cabeça.
— Mas você conseguiu desfazer o mal-entendido, não foi? — arqueou a sobrancelha.
Ele soltou um suspiro, então sorriu de lado.
— Claro que sim, Lyanna Stefanya! — resmungou, fazendo-a estapeá-lo.
— NÃO ME CHAMA DESSE NOME! — gritou, puxando o cabelo dele.
— Ai, sua histérica! — Bucky se encolheu, afastando-se dela.
— Não me chama de Stefanya! — resmungou, cruzando os braços.
— Ei, quem é Stefanya? — Tony perguntou, adentrando a cozinha com um tablet enorme.
— Ninguém. — Lynna rebateu, fazendo bico.
Nesta hora, Natasha adentrou o recinto outra vez, saltitantemente, com uma Hanna emburrada ao seu lado.
— Ela. — apontou para si, que olhou feio para a Viúva. — Vocês nunca se perguntaram o porquê do nome do meio dela ser um “S” mudo?
— Caramba. — isso foi tudo o que o inteligentíssimo Homem de Ferro tinha a dizer sobre a sua desgraça. — Eu achava que o “S” era de Scardaughter, ou essas coisas que os nórdicos fazem...
Ela negou.
— Minha avó odiava meu pai o suficiente para não querer o nome dele vinculado ao meu. Disso eu me lembro. — respondeu-lhe, descruzando os braços para capturar outro sanduiche. Já era o seu oitavo, mas ela era uma garota em fase de crescimento, ela podia. — Então ela achou que Stefanya seria um belíssimo nome do meio.
— Mas é um nome bonito! — Hanna protestou. — O nome da minha mãe também era “Stefanya”, só que com “ph”.
— Eu sei disso Han, mas não combina comigo! — Lynna resmungou.
— Bem, eu irei me lembrar dele quando estiver celebrando a cerimônia de vocês. — Tony divagou, perambulando como um fantasma pela cozinha. — Lyanna Stefanya, aceita Steven...
— Eu seria presa se espancasse o mestre de cerimônias no dia do meu casamento? — perguntou por alto.
— Acho melhor não. — Hanna respondeu. — Dizem que não faz bem bater em merda.
— Eu ouvi isso, mocinha! — Tony disparou da geladeira. — Saiba que quem é nunca quer ser só.
Ela mostrou o dedo do meio para ele.
— Hey Thor, você poderia dividir esse sorvete comigo? — Han perguntou, inclinando a cabeça, mandando aquele olhar que não deixava saída para ninguém.
— Na... — ele ia começar a falar, mas ela aprofundou o olhar de cachorrinho perdido, piscando para ele, que revirou os olhos. — Eu não deveria lhe dar nada, você é má comigo! — resmungou, empurrando a tigela de sorvete de chocolate com pedaços de chocolate branco.
— Eu também quero! — Lynna pulou do sofá, correndo para pegar uma colher.
— Mas era meu! — seu primo protestou, fazendo bico.
— Foi triste. — ela resmungou, batendo na colher de Han para obter mais sorvete que ela.
— Você não pode roubar, sua peste! — a pequena empurrou-a para o lado. — E sai do meu banquinho! — esperneou.
— O que porra tem nesta merda de banco que ninguém pode sentar?! — a mais velha perguntou com raiva.
— Porque eu não quero que o peido de ninguém infete o banquinho que eu pintei! — resmungou, empurrando-a.
— Vaca.
— Piranha.
— Galinha.
— Vaca. — Hanna resmungou, se segurando para não rir da estupidez dela. — Estou feliz que você esteja de volta.
Ela sorriu também, melecando o nariz dela.
— É... — apertou as bochechinhas da pequena para compensar a sua cara de raiva. — Eu também.
Elas se abraçaram de lado e recomeçaram a comer o sorvete com a cabeça grudada uma na da outra.
*
— Eu vou estourar. — resmungou, enquanto Steve procurava uma posição legal para eles ficarem.
— Bem, a senhorita comeu o suficiente para um batalhão. — ele riu baixinho, roçando o nariz em seu cabelo.
— Eu não tenho culpa, eu estava faminta! Meu ‘eu’ desmemoriado não conseguiu aproveitar as boas coisas da vida além de checar a sua bunda durante os treinos. — Lynna murmurou, enfiando a cabeça no peito do loiro.
Ele riu alto.
— Bem, você não era muito boa em disfarçar. — brincou, apertando-a contra si. — Ainda bem que nós fingíamos que não percebíamos os seus olhares. — ela arqueou a sobrancelha para ele, que tinha um sorriso travesso em seu rosto. — Você disse às meninas que seu fetiche era sentar na minha cara enquanto eu estava no aparelho de supino.
Seus olhos se arregalaram.
— Misericórdia! — murmurou, empalidecendo. — Acho que eu realmente deveria me manter longe das bebidas, minha tendência a pagar mico aumenta quando elas estão por perto!
Ele riu outra vez, estendendo a mão para tocar seu rosto.
— Não foi tão ruim. — murmurou de volta.
— Bem, em certa parte foi. — ela resmungou. — Eu fui lá e abri a minha boca grande sobre nós dois, chocando todo mundo e blá, blá, blá... mas eu realmente não estava errada. — balançou sugestivamente suas sobrancelhas para ele. — Aqueles sons que você faz são realmente sensuais, você já parou para pensar nisso?
Ele corou levemente, fazendo-a beliscar suas bochechas.
— Eu não costumo pensar em coisas sexuais quando estou treinando, Anna! — resmungou.
Ela abriu um sorrisinho malicioso.
— Bem, agora vai ser impossível não pensar nisso durante o treino, principalmente no supino. — piscou.
— Feiticeira. — ele disse em francês, roçando seu nariz no dela. — “Stevie... Ophelia quer que a beije!”. Eu quase engasguei naquela hora. Você parece ter um talento nato para me envergonhar da melhor forma.
A péssima imitação de sua voz, e o teor da frase fizeram-na esconder sua cabeça no vão do pescoço do loiro, praticamente estando em cima dele agora.
— Bem, ela realmente quer, então a vergonha valeu a pena. — ela falou insolentemente.
Os olhos dele se aqueceram.
— Tudo o que a dona dela tem que fazer é pedir. — ela corou diante de seu olhar tão intenso.
— Por mais que eu fosse adorar a ideia, realmente estou cheia demais para fazer qualquer coisa além de me aconchegar com você aqui. — murmurou manhosamente, inclinando-se para cheirar seu pescoço quentinho. — Eu cortei os cabelos de Rachel Priekov. — comunicou-o, porque aquilo era algo extremamente importante. — Foi ela quem mandou Rollins cortar o meu.
O loiro riu baixinho, encarando-a.
— Como você soube disso? — perguntou-lhe, traçando padrões aleatórios em seu braço.
— Ela me contou, aquela vaca. — Lynna resmungou, fungando com raiva. — Então quando eu... — fechou os olhos com força, estremecendo só de lembrar. — Quando eu tomei o controle do meu corpo de volta após achar que a Pétala matou Marnie, eu me vinguei dela, enquanto tentava fugir do navio que me levava para o Brasil. Eu não consegui sair, mas o pessoal da Hydra ficou com medo de mim e da minha espada.
— Que espada? — Steve franziu o cenho, fazendo-a abrir um sorriso animado.
— Esta. — com um aceno de sua mão, a espada vermelha apareceu, cintilando ameaçadoramente no ar.
O loiro ofegou, afastando-se um pouco para visualizar melhor a arma.
— Uau! — exclamou, esticando a mão para tocar no cabo. — Não me admira que eles tiveram medo de você.
Ela riu.
— Verdade. — a espada sumiu, deixando apenas os dois se encarando através da luz de cabeceira. — Depois de eu ter me revoltado por causa do luto, eu consegui prender a Pétala aqui. — apontou para a sua cabeça, fazendo seu noivo apertar sua mão, orgulhosamente. — Eu imaginei que a prisão dela era feita de vibranium, contrastando com a redoma de vidro em que ela me colocou. — tomou um suspiro, arrastando sua mão para tocar o rosto dele. — Eu podia ver tudo o que ela via, mas jamais podia fazer algo contra ela, porque eu me achava fraca.
— Você não é fraca! Nunca foi! — ele se sentou, trazendo-a consigo, fazendo-a encará-lo nos olhos. — Na verdade, você é a pessoa mais forte que eu conheço. Ninguém teria passado pelo que você passou, e sairia disso tudo com a mente que você tem hoje, com o seu caráter. Ninguém teria.
Ela sorriu, apertando sua mão.
— Eu sei disso agora. — murmurou, encostando sua testa na dele. — Obrigada por me lembrar.
Ele roçou seu nariz no dela.
— Bem, eu só falo a verdade. — murmurou de volta. — Como Mary havia dito, você é fude... fu... o quê mesmo?
Ela gargalhou.
— Fuderosa. — respondeu-lhe, fazendo-o franzir o cenho em confusão. — É algum tipo de gíria dela. — deu de ombros. — Falando nela... como foi que ela sobreviveu? Eu vi o choque, eu ouvi o estalo.
Ele suspirou, baixando os olhos.
— Eu também vi isso. Vi o corpo dela, e senti seu pescoço quebrado. — ela franziu o cenho, sentindo os olhos arderem. — Mas então, os olhos dela piscaram. Foi a coisa mais esquisita que eu já tinha visto na vida. Do nada, ela nos empurrou para longe com seus poderes, e começou a flutuar no ar. Tinham crescido asas em suas costas... foi estranho, um milagre.
— E se não fosse? — ela engoliu em seco. — Eu não teria como olhar para Bucky depois disso. Quando a Pétala desarmou, foi porque eu desarmei. Eu estava disposta a deixá-lo me matar.
Steve engasgou, capturando seu rosto com suas mãos.
— Ele jamais faria isso. — disse-lhe. Ela abriu a boca para protestar, mas ele colocou seu polegar sob seus lábios. — Por mais que ele estivesse em tremenda dor, ele jamais te mataria, porque só ele entende o que você estava passando, e no fundo eu sei que você sabe disso.
Ela tremeu um pouco antes de assentir.
— Eu preciso conversar com eles amanhã. — murmurou, descansando o rosto em sua palma. — Por mais que todos digam que não foi minha culpa, eu preciso esclarecer tudo.
O loiro sorriu, assentido.
— Tudo bem. — declarou, acariciando seu rosto. — Tudo bem, se isso te fizer bem.
Ela também sorriu, inclinando-se para o seu toque.
— Vai fazer sim. — assegurou-o. — Vai tirar um peso do meu coração.
Ele assentiu.
— Então faremos isso juntos amanhã. — murmurou. — Agora a senhorita precisa descansar.
Ela fez bico.
— Mas eu dormi muito hoje. — tentou argumentar.
Ele arqueou a sobrancelha.
— Independente de ter dormido, a senhora passou por muito estresse, precisa descansar completamente, senão seu corpo pode ter alguns problemas. — disse-lhe como seu noivo preocupado, soando também como seu superior. Ela suspirou. — Amanhã será um longo dia e agora, nós teremos o tempo inteiro para juntar tudo.
— Ok. — concordou, enfiando-se em seus braços. — Steve... — murmurou depois de um longo período de silêncio. Ela imaginava que ele estava dormindo, então ele soltou um resmungo em resposta. — Como... como você me encontrou? — levantou a cabeça para ele, piscando suavemente ao seu olhar curioso. — Eu não consigo me lembrar disso.
Ele suspirou.
— Você quer mesmo saber a verdade? — apesar de seu coração ter sido sacudido da maneira errada, ela assentiu, porque a curiosidade falava mais alto. Ele soltou outro suspiro, como se estivesse tomando coragem. — Após aquele dia em que a Pétala tentou me matar devido a um descuido meu, Mary nos levou a perceber que era isso o que ela queria: desestabilizar-nos emocionalmente, para que sempre falhássemos. — ela assentiu, voltando-se para encará-lo propriamente. — Para que nós não conseguíssemos te recuperar. Então, ela teve a ideia de colocarmos um rastreador em você, como aqueles patches que Nat nos obrigou a usar. Tony se disponibilizou a fazer algo que fosse indetectável, tanto para a Pétala, quanto para Hydra.
— Eu descobri sobre o patch. — Lynna murmurou, cutucando a nuca. — Eles não foram tão discretos.
Ele riu baixinho, acariciando seu nariz na testa dela.
— Eu sei disso. — murmurou de volta. — Você mandou uma mensagem para nós, não sei como, mas mandou. Estávamos à caminho da base errada. Você descreveu o local e nós a encontramos. Você estava presa no que era para ser um museu em plena Amazônia. — parece que ele ia dizer mais coisas sobre isso antes de ir direto aos finalmentes. — Prendemos Igor Priekov. — seu coração se aliviou com isso, esquecendo a intuição duvidosa que ela teve sobre seu comportamento reticente. — Mas infelizmente eu não cheguei a tempo de te proteger do outro. — o maxilar dele travou, então seus olhos se afastaram dos dela. — Quando eu cheguei ao quarto onde você fora mantida, Ergor Priekov estava lá ele tentou...
Ela engoliu em seco.
— Ele conseguiu? — Deus, por favor, não!
— Não. — ela suspirou aliviada. — Você quebrou a mão dele com as suas coxas. Isso facilitou-a de também quebrar o nariz dele com a boca. — isso a fez levantar o queixo em orgulho. — Com raiva, ele jogou-a com força contra a parede e você cortou a cabeça. — o ar escapou de seus pulmões, fazendo-a sentar-se outra vez. — Quando eu entrei, ele estava prestes a consumar o ato, eu o tirei de cima de você, e me desesperei por vê-la sangrando. — ele sentou-se também, encostando a testa na dela. — Mary veio até nós e me disse que poderia ser uma concussão, o que era uma condição bastante grave, uma vez que Bruce nos contou sobre os efeitos colaterais da máquina de extração.
— Vocês criaram uma máquina apenas para extrair a Pétala de mim? — perguntou, emocionada.
Ele sorriu, deslizando os nós dos dedos pela pele de seu rosto.
— É claro que sim. — murmurou. — Faríamos o possível para te salvar daquele monstro.
Seu lábio tremeu, então ela sentiu algo quente escorrer pelo seu rosto, transbordando seu coração.
— Obrigada. — disse num sussurro mínimo.
— Não por isso. — ele beijou sua testa. — Me perdoe. Eu deveria ter ido diretamente para você. Se eu não tivesse demorado tanto... — fechou os olhos. — A culpa foi minha.
Ela estendeu a mão para tocá-lo.
— Não, não foi. — disse firmemente. — Era uma tragédia anunciada. Eu sabia o que ele queria, era inevitável. Ainda bem que nada aconteceu.
O loiro olhou para baixo, ainda culpado.
— Aquele maldito arrancou suas roupas, e estava prestes a ter o seu caminho com você, mas agora ele jamais fará isso com mais ninguém. — olhou para ela, com um certo brilho de prazer nos olhos. — Hanna se certificou disso.
Seus olhos se arregalaram, fazendo-a se afastar um pouco dele.
— Han decapitou o cidadão dele? — murmurou, num misto de susto e admiração.
Ele riu baixinho.
— Ela queria matá-lo. Confesso que eu também queria, mas o desgraçado sabe coisas sobre a Hydra. Nós simplesmente não podemos perder a chance de acabar com aqueles ratos. — deu de ombros. — Hanna assustou todo mundo, tanto que nós sempre ficamos incertos de deixar facas ao redor dela.
Ela riu também, dissolvendo o mento tenso.
— Então a memória de Bucky me carregando por aí pelada é verdade? — arqueou a sobrancelha, fazendo-o rir outra vez.
— Sim, ele caminhou com você até o Helicarrier. — respondeu-a, com os olhos mais suaves. — Então eu tive que levá-la comigo até a sala de cirurgia, porque você não poderia dormir. O procedimento tinha que ser feito com você acordada, por conta dos efeitos colaterais, contudo, devido à lesão, tudo poderia acontecer.
— E no momento mais importante, eu dormi. — ela refletiu, fazendo-o assentir.
— Sim, você dormiu. — ele confirmou verbalmente. — Antes de fechar os olhos, você me disse que era necessário... que nós iríamos nos encontrar outra vez, e que se você não dormisse, o sofrimento seria maior... — suspirou. — Agora eu sei que isso é verdade. Eu sei que se você tivesse acordado sabendo de tudo, daria um jeito de acabar com a dor que você estava sentido, sem que nós pudéssemos fazer nada sobre. — ele segurou seu rosto nas palmas das mãos. — Bruce disse que você foi quem bloqueou sua própria memória. Que no fim de tudo, a concussão não causou nada dentro do seu cérebro.
— O que confirma que eu sou muito foda. — brincou, balançando as sobrancelhas e fazendo-o rir. — Agora, de verdade, eu não me lembro de nada disso, e talvez jamais vá me lembrar, mas talvez eu saiba o porquê de ter feito isso com a minha própria mente. — suspirou, tentando passar a emoção que ela estava sentindo para o loiro à sua frente, estranhando o puxão que sentiu dentro de si. — Para não machucá-lo. — ele piscou, surpreso. — Eu desisti na última hora. Quando entrei no lago. Eu tentei voltar, mas não deu. Tudo o que eu pensava era que não iria mais te ver, que não iria poder tocá-lo outra vez, e isso doeu. Porque te ver ferido me machuca também.
Ele a beijou, segurando seu rosto de maneira tão delicada, como se ela fosse se desintegrar a qualquer momento.
— Eu te amo tanto. — murmurou, com os olhos nublados pelas lágrimas não caídas. — E me cortava o coração vê-la com dor, sabendo que eu não podia ajudá-la.
Ela mordeu o lábio, acariciando seu rosto.
— Eu estou bem agora. — respondeu, dando leves selinhos em seus lábios rosados. — E eu vou ficar. Mesmo que você não queira que eu fique.
Ele bufou, em descaso.
— Isso nunca irá acontecer. — foi firme, fazendo-a sentir outro puxão em seu corpo. Por um momento, foi como se ela pudesse sentir a afirmação que ele estava lhe passando, o que foi algo completamente estranho. — Pode ter fé nisso.
Ela sorriu, tocando-o.
— Acredite, eu tenho. — murmurou, um pouco incomodada com os puxões que sentia, eles ficaram um pouco mais fortes.
O que estava acontecendo com ela?
Felizmente, Steve não percebeu isso.
— Escolha uma data... — ele pediu, com aqueles azuis bebês brilhando cintilantemente para ela, não lhe deixando nenhuma escolha.
Acontece que ela também não queria ter nenhuma escolha.
— Por mim, poderíamos nos casar amanhã. — brincou, fazendo-o rir. — Mas como eu sei que teríamos nossas peles arrancadas de nossos corpos...
— Tudo está pronto, você só precisa me dizer a data. — o loiro murmurou, roçando seus narizes. — Então nos certificaremos de que a noiva não será roubada a até lá.
Ela riu.
— Que tal daqui a três semanas? — mordeu o lábio. — Nós teríamos tempo suficiente para montar tudo e enviar os convites para os nossos amigos.
Ele assentiu.
— Perfeito. — murmurou. — Agora, teremos que mantê-la presa de algum jeito.
Lynna arqueou a sobrancelha, divertidamente.
— Pensando em me acorrentar, Capitão? — brincou. — Sua mente é tão podre quanto à de Hanna... — eles riram, então, estranhamente, uma tempestade se iniciou, com direito a trovões e tudo mais. — Por falar naquela criaturinha... como será que ela vai dormir esta noite? Ela tem medo de tempestades.
O loiro franziu o cenho, então soltou uma gargalhada aquecida.
— Ela com certeza vai importunar Bucky. — respondeu-lhe. — Ela tem feito isso desde que chegou da Hydra. Uma vez eu fui chamá-lo para nossa corrida matinal e ela estava enfiada nos lençóis com Marnie. Eu só imagino a cena...
Ela riu também, mentalizando uma Hanna enrolada em um de seus edredons, importunando seu irmão com aquela carinha de cachorrinho que caiu da mudança.
— Bem, agora que eu voltei, talvez ela possa vir para cá. — deu de ombros. — Mas voltando ao nosso assunto... marque a data, eu mal posso esperar para tê-lo para mim de todas as formas possíveis.
Ele beijou sua testa, assentindo depois disso.
— Tudo bem. — respondeu-lhe. — Mas antes... — inclinou-se para o criado-mudo. — Isto pertence a você. — ele escorregou o anel que um dia fora de sua sogra em seu dedo anelar esquerdo. — A Pétala me entregou junto com um chumaço do seu cabelo, ensanguentado, tudo para me fazer acreditar que ela tinha te matado.
Seu rosto endureceu.
— Aquela puta. — resmungou. — Às vezes eu só queria socar a cara dela...
— Já não importa mais agora. — ele segurou sua mão, escorregando o polegar em sua palma. — Ela está há milhas longe daqui. A SHIELD está tentando enviá-la de volta para o lugar de onde ela veio, de uma forma que ela não consiga mais voltar.
Ela assentiu, então arregalou os olhos.
— Meu colar! — praticamente gritou em um sussurro. — Eu costumava guardá-lo num buraco escondido no uniforme da Hydra...
Ele riu, estendendo a delicada peça de vibranium em seus dedos.
— Revistamos a base. — respondeu à sua pergunta silenciosa. — Bucky encontrou-o desmontando o equipamento.
Ela fez bico.
— Ele destruiu o meu uniforme? — perguntou-lhe, emburrada. — Eu gostava dele! Dava uma valorizada na bandeja aqui. — apontou para o busto, balançando as sobrancelhas. — Devo dizer que aquele albino desgraçado tinha um certo bom gosto.
Steve arqueou a sobrancelha.
— Eu não acredito que você disse isso. — riu, ao passo que ela simplesmente deu de ombros, permitindo que ele colocasse o colar de lua de volta em seu pescoço.
— Bem, eu só falo a verdade. — brincou, então seu rosto se tornou tragicamente sério. — Precisamos marcar uma reunião com Fury antes do casamento. Ele precisa saber o que Priekov me disse sobre os planos da Hydra.
O loiro piscou, estranhamente agitado.
— E o que ele te disse? — perguntou-lhe, ansioso. Estranho...
— Ele quer um exército mutante, Steve. — Lynna respondeu, encarando-o com gravidade. — Eu não sei como ele queria fazer isso acontecer, mas ele precisava do meu sangue, ou alguma coisa do tipo. Ele não desenvolveu muito bem a explicação, acho que estava esperando pelo soro que o irmão de Mary estava prestes a colocar em mim...
Ele engoliu em seco.
— Adiantarei isso amanhã. — prometeu. — Agora, realmente precisamos dormir.
Ela assentiu, permitindo que ele a deitasse mais uma vez naquela noite.
— Você está com sono? — perguntou-o travessamente, depois de um longo período de silêncio.
— Posso saber o porquê da pergunta? — ela viu sua perfeita sobrancelha dourada se erguer, fazendo-a correr dois de seus dedos (o indicador e o médio) até sua garganta, arranhando levemente seu pomo de adão, porque ela sabia que esse era um de seus pontos fracos.
— É que a minha barriga esvaziou, então eu gostaria de provar outro aperitivo. — respondeu-lhe, sentando em cima de suas coxas.
Ele jogou a cabeça para trás, rindo.
— Bem... — suspirou ao sentir seus dedos um pouco gelados em contato com sua pele “naturalmente” quente de supersoldado. — Eu não estou indo a lugar nenhum.
E com isso, ele ergueu os braços para apoiá-los na cabeceira, submissamente.
Um sorriso iluminou seu rosto, fazendo-a pular de cima dele, com uma ideia na cabeça.
— Então... — ajoelhou-se em frente à cômoda, digitando a senha da gaveta de brinquedos. — Acho que está na hora de usarmos um garoto mau hoje...
— Ah não! — o loiro atrás de si protestou ao ver o anel peniano roxo que ela tinha em mãos. — Esse não!
Ela virou-se para a cama, com o cenho franzido, descontente.
— Mas esse vibra! — fez biquinho. — E eu tenho isso... — mostrou-lhe o botão azul escuro. — Vai estimulá-lo tão bem...
Ele mordeu o lábio inferior, observando o mini vibrador em sua mão direita, suas bochechas coraram lindamente.
— Tudo bem. — cedeu, voltando à sua posição natural. — Mas depois será a minha vez de brincar!
Ela riu.
— Tudo para o meu melhor garoto. — murmurou voltando para a cama, ajoelhando-se confortavelmente ao seu lado, tamborilando seus dedos no cós de sua calça de dormir. — Vamos começar?
*
Ela tinha se esquecido completamente da merda do papel, agora, fora obrigada a fazer todo o caminho desde o escritório de Steve até a ala prisional, para ter que voltar a olhar na cara de seu irmão desprezível, porque ela precisava da assinatura dele para algo.
Seu punho encontrou o metal da cela dele, acordando-o de seu sono.
Ele estava horrível.
Um de seus olhos ainda estava meio roxo das pancadas que ele havia recebido de James, seus cabelos estavam desgrenhados e ele realmente não combinava com uma barba.
— Você parece o matusalém em pessoa. — disse-lhe com um certo asco, por mais que se sentisse mal por ele. Ela não devia, mas ninguém podia controlar seu coração. Nem mesmo ela podia.
— Veio aqui tripudiar em cima de mim? — ele arqueou a sobrancelha, sentando-se na cama. — Já não basta o que a aberração do seu marido fez comigo?
Ela ergueu o queixo.
— Eu não vou dizer que você não mereceu isso, porque nós dois sabemos que você mereceu. A única razão para você ainda ter sangue correndo em suas veias sou eu. — foi prazeroso sentir a vergonha emanando dele. Isso lhe deu uma certa sensação de poder.
— O que é isso? — ele apontou o queixo para o papel.
— Eu preciso que você assine isso para mim. — ele arqueou a sobrancelha, em deboche.
— E porque eu devia fazer isso?
Mary abriu um sorriso prepotente, clicando a caneta.
— Porque eu sei que ainda há algum grau de humanidade em você. Este papel garante a segurança da nossa mãe e das nossas irmãs onde quer que elas estejam. Assinando este contrato, você estará assegurando que a Hydra jamais coloque as mãos nelas, levando em conta tudo o que você contou à SHIELD. — respondeu-lhe, forçando-se para parecer imponente o suficiente para que ele não percebesse que esta máscara era frágil demais. Falar sobre sua mãe e suas irmãs ainda doía, levando em conta o que ele havia revelado naquele interrogatório. — Se você realmente as ama, assine.
Ele bufou, levantando-se.
— Vamos comentar o fato de que se elas não morreram quando você fugiu, é porque elas já tinham a proteção da sua preciosa SHIELD? — debochou, sentando-se na cadeira em frente ao vidro.
— Sua assinatura não é exatamente para isso, uma vez que a sua inutilidade fez você e a Hydra acreditarem que elas sempre estiveram sob o seu domínio. Não. O papel é um chute na bunda de Rachel Priekov e dos outros dois comandantes que restaram, você está abandonando-os. — sorriu-lhe amplamente, vendo seu rosto desmanchar.
— Você é louca?! Isso é suicídio! Ninguém dá um pé na bunda da Hydra e fica vivo para contar história! — ele gritou, fazendo-a revirar os olhos. — Eles virão atrás da minha mãe!
Marnie bufou.
— Pare de chorar, seu bebê grande! — ralhou. — Este documento é a barreira que falta para garantir que eles não irão atrás delas quando souberem que você ainda está vivo e cedendo informações para nós. Agora... assine!
Uma pequena parte do vidro se abriu para que ela deslizasse o papel e a caneta, tomando cuidado para não permiti-lo tocá-la.
— Você sabe que eu posso discordar de tudo isso e rasgar essa porcaria, não sabe? — ele arqueou a sobrancelha provocativamente.
— Mas você não vai. — a ruiva disse superiormente. — E mesmo que o faça, eu tenho várias copias dele. Vivemos no século vinte e um, Roberto, dê um tempo.
Ele assinou em silêncio, passando o papel de volta pelo mesmo buraco, que se fechou assim que os objetos passaram para as suas mãos, graças a SEXTA-FEIRA e sua atenciosa meticulosidade.
— Você sabe que ela vai ficar arrasada quando descobrir que mais um dos filhos dela morreu, não sabe? — o moreno voltou a falar, fazendo-a travar no meio da virada para sair dali.
Seu maxilar travou.
— Tivesse pensado nisso antes de fazer merda. — disse-lhe acidamente.
— Bem, o pai também era da Hydra. Eu só estava dando continuidade ao negócio da família. — sorriu-lhe cinicamente.
Ela grunhiu, voltando-se completamente para ele.
— Você não fez isso pelo pai, você fez isso para suprir os seu ódio egoísta que tinha por mim. — apontou o dedo para ele. — E você só estará em paz consigo mesmo após admitir isso. — ele engoliu em seco, mas não desfez a máscara de indiferença que ele usava. — Como você desceu baixo, não? Matando todos aqueles inocentes, quando seu alvo era eu? — riu sem humor. — Quando te trouxemos para cá você me perguntou o que faríamos contigo. Bem, eu vou te dizer o que vai acontecer com a sua pessoa de hoje em diante: você vai apodrecer numa cela, pelo resto de sua vida. — caminhou para ele, segurando uma das barras de ferro. — Essa pode ser a vingança mais idiota na sua cabeça, mas não na minha. Porque enquanto você respirar, saiba que o remorso e a culpa que você sente hoje por ter ajudado a Hydra a matar aquelas pessoas... a matar o meu bebê, você vai carregar isso consigo, pois é como a vida funciona. Seus fantasmas jamais irão te abandonar. E sabe o que é ainda pior? — ele arqueou a sobrancelha em resposta à sua pergunta. — Você vai morrer sabendo que feriu o coração da garotinha que te amava, que te chamava de herói e que beijava o chão que você pisava. — um sorriso cruel atravessou seu rosto ao ver o brilho sarcástico de seus olhos cederem. Ela não se culpou pelo que estava dizendo, mesmo sentindo as vibrações que emanavam dele. — Você era o meu príncipe encantado, Roberto. E nenhuma vingança no mundo vai te fazer pagar pela dor que eu sofri por ter tido meu mundo arruinado pela pessoa que deveria me proteger de todo o mal. Espero que seus anos na prisão te façam enxergar o quanto a sua inveja te danificou. Você é exatamente igual aos monstros para quem você trabalhava. Parabéns.
Ele ficou quieto, encarando-a com algo parecido com dor em seus olhos castanho-escuros.
Ela já estava partindo, quando se lembrou do que estava ansiando contá-lo desde que Steve, Maria e Mia haviam redigido o documento em suas mãos.
— Você tirou tudo de mim, e agora eu estou tirando tudo de você. — voltou a falar, brandindo o papel. — Rosália é somente minha mãe e Daphne e Stephânia são somente minhas irmãs. Pode parecer besteira agora, mas você vai sentir isso no futuro. Quando mais precisar de sua família, ela terá virado as costas para ti. E só então, você perceberá tudo aquilo que eu te disse.
E com isso, ela realmente partiu, deixando-o para trás com seus pensamentos.
— Milla? — alguém a assustou quando ela se moveu para fora. Ela não havia percebido que os outros presos estavam agitados. — Milla, YA znayu eto ty.
Mary franziu o cenho para Ergor Priekov, que parecia uma pessoa sem teto – coitados, era uma ofensa para eles, parecer com um monstro daqueles –, com sua aparência também deteriorada pelo punho de um supersoldado. Ele ainda usava a bolsa de xixi que o doutor da SHIELD havia colocando nele após Hanna ter cortado seu pênis fora.
— Desculpe-me, mas eu não sou essa Milla. — respondeu-lhe com o nariz empinado, pronta para picar a mula dali.
Um sorriso medonho se apossou das faces daquele sujeito, fazendo sua cabeça girar com as vibrações que ele emanava.
— Mary Elizabeth. — como aquela desgraça sabia o seu nome?! Em nenhum momento ninguém deixou-a interrogá-lo, ele não tinha contato com o mundo exterior, então como é que ele sabia quem ela era? — Eu não sabia que O Anjo era a filha bastarda da minha mulher... eu deveria ter percebido isso antes do seu maldito capitão me bater. — seu cérebro nublou em confusão. Seu lado racional lhe dizia para não ouvir as palavras daquele estuprador, mas seus pés continuavam plantados no mármore do corredor. — Você é extremamente igual a ela, diferente de seus irmãos. A confirmação de que seu sangue não é meu.
— Vá dormir, velho. — ela disse gravemente, travando o maxilar. — Você está tempo demais sob a influência de drogas.
Ele riu, para depois arquear a sobrancelha.
— Você pode até achar que eu estou maluco... — seu sotaque russo se aprofundou. Mary deu dois passos para trás quando ele se aproximou ainda mais da grade. — Mas eu posso me lembrar muito bem da vergonha que passei, quando descobri que minha mulher emprenhou de um soldado. Um mero soldado! Eu vi você nascer. Eu estava lá no dia em que seu maldito pai, Ricardo Monteiro, levou-a embora. A desgraçada da Milla chorou por meses, com seu peito vazando leite, o leite cujo ela alimentaria sua maldita criança. — ela quis chorar ali mesmo, porque não havia um grama de mentira em suas palavras. Ela podia ver o rosto de uma mulher com quase os mesmos traços dela, chorando numa cama ensanguentada, enquanto seu bebê choroso (ela) era carregado para longe por uma versão bastante jovem de seu pai. — Eu passei meses, procurando por uma menina ruiva com o nome de Mary Elizabeth, o nome que sua mãe havia lhe dado antes de você ser arrancada de seus braços. Eu queria lavar a minha honra com sangue. — o sorriso sádico voltou à face dele, fazendo-a estremecer. — Mas eu não poderia matá-la. Sua mãe me fez prometer isso, e eu sou um idiota, não posso negar nada a ela. Sou até capaz de adivinhar a reação dela ao descobrir que sua a fedelha foi usada pela Hydra e poluída pelo Ativo... — ele riu, mas ela não achou um pingo de graça. — Que mundo pequeno, não acha? Milla não a queria dentro da Hydra, e aqui estamos... o filho mais velho do soldado que ela amou, cujo eu enfiei uma bala em sua testa, desgraçou a vida da própria irmã por culpa dela. — ele lambeu seus lábios nojentos, fazendo-a recuar com asco. — Você nasceu marcada, Mary Elizabeth. Acho que não dá para escapar disso. Como vocês jovens dizem, o carma é uma vadia. E pode acreditar que você mereceu sofrer...
— Vá se foder, seu filho da puta. — ela rosnou, caminhando para longe dele, sob o som de sua risada asquerosa.
Ela passou como um furacão pela sala, ignorando os cenhos franzidos de Nat, Tony e Bruce, que ainda estavam reunidos na cozinha, enquanto o resto do povo estava fazendo fondue em seus respectivos lares, exceto Loki, este era estranho e ela desconhecia se ele tinha algum caso ou não. O filho da mãe tinha um talento raro em esconder certas coisas dela.
— Anya, você está bem? — James perguntou assim que ela bateu a porta em suas costas.
— O que você sabe sobre Milla Priekov? — perguntou-lhe de volta, direta e clara.
Ele franziu o cenho, parecendo tão confuso quanto se sentia. Pigarreou, encarando-a com seus olhos azuis nublados.
— Qual o motivo de seu súbito interesse nessa mulher? — disparou, ainda completamente confuso. Ela não o culpava, apesar de estar extremamente ansiosa sobre o assunto.
— James, esse não é um jogo de “responda seu parceiro com perguntas”! — Mary resmungou, frustrada, caminhando até o sofá, jogando-se à frente do moreno, de maneira tensa. — Por favor, me responda isso, sim? É uma questão de vida ou morte!
Ele engasgou, pulando de sua posição relaxada para uma completamente inclinada às suas palavras seguintes, que nunca vieram. Percebendo que ele tinha que reiniciar o diálogo, porque ela estava um pouco lerda para fazê-lo, seu soldado tomou um suspiro, passando nervosamente as mãos pelos longos cabelos antes de começar.
— Tudo o que eu sei é que ela era uma grande cientista em seu tempo de serviço. Ela é filha de um dos comandantes mais antigos da Hydra, Arthur Dubrov, um dos braços direitos de Zola. — sua cabeça lentamente assentiu, absorvendo as palavras dele. — Assim como com Rachel, eu a treinei em sua tenra idade. Ela era boa no que fazia, mas não nascera para ser uma guerreira. Casou-se com Priekov muito cedo, para manter o status de sua família na organização. Claramente, ele não era o homem para ela, mas isso não é da minha conta. — ele coçou a barba, avaliando sua reação nervosa, preocupado com o que ela ainda estava escondendo dele. — Dubrov quase morreu dando à luz ao albino desprezível. Anos depois, nasceu Rachel, mas antes dela, a cientista ainda teve alguns abortos. Tudo o que eu sei é o que contavam pelos corredores. Dizem que ela traiu Priekov com um agente comum de campo e ele ficou furioso, esse foi o maior motivo para ela ter sumido de repente...
Marnie começou a chorar, percebendo que os relatos batiam.
— James, eu sei quem foi o agente. — sua voz saiu embargada. — Ele era o meu pai.
A respiração dele ficou presa na garganta.
— Você não está dizendo que...
— Milla Priekov é minha mãe biológica. — ela afirmou, tremendo um pouco. — O maldito albino e a cadela da sua amante, aqueles que queriam destruir a sua irmã... eles são os meus irmãos.
— Como... como você sabe disso? — ele perguntou, ajoelhando-se à sua frente, tomando suas mãos nas dele, fazendo-a suspirar com o contraste de temperatura das duas.
— Eu tive um diálogo com Ergor Priekov quando estava voltando da cela de Roberto. Eu havia me esquecido de fazê-lo assinar o aquele documento, então aproveitei que os outros presos estariam dormindo e fui lá. — respondeu-lhe, abaixando os olhos para a junção de seus dedos por um minuto. — O urso polar me chamou pelo nome da esposa dele, e me falou o meu nome. Não o nome que está em minha ficha da Hydra. Não. Ele me chamou de Mary Elizabeth, o nome que a minha mãe havia me dado antes que meu pai me levasse para longe, para os braços de sua esposa traída, abandonando a minha genitora para trás.
— Anya... — James começou, esfregando sua perna como se tentasse acalmá-la. — Você deve saber que não dá para acreditar em tudo o que Priekov diz. Há uma razão para nenhum de nós termos deixado-a interrogá-lo, mesmo com seus poderes. Ele quase conseguiu manipular Wanda, que é uma das criaturas mais poderosas que eu conheço.
Ela mordeu o lábio.
— Eu vi tudo, Jay. — disse-lhe num fio de voz. — Eu me conectei com o ódio dele e vi tudo. Eu vi a minha mãe chorando, enquanto a versão mais jovem de meu pai me carregava em seus braços, o exato bebê que preenche a maioria dos álbuns na minha casa. — soluçou, permitindo-se chorar descontroladamente, porque ela sabia que seria amparada pelo moreno de olhos azuis ajoelhado aos seus pés. — Agora eu sei de tudo. Rosália mudou o meu nome para me proteger. Ela me chamou de Analuiza para que Priekov não viesse me matar, como ele fez com o meu pai. — ela tentou limpar o ranho, falhando miseravelmente, enquanto se sentia sufocada pelo choro. — O que ela fez não tem preço. Ela adotou a filha bastarda de seu marido traidor, alimentou-a com o leite do filho que eu matei, me criou como sendo dela, para que eu não fosse jogada de um lado para o outro dentro daquela maldita organização ou pior, fosse violentada pelo meu maldito padrasto, obcecado por todas as mulheres que fossem, em qualquer aspecto, similares à Pétala.
— Oh, meu amor... — James sussurrou, puxando-a para seus braços, permitindo-a chorar em seu ombro.
— Por quê...? O que eu fiz para merecer uma vida tão fodida quanto essa?! — choramingou, abraçando o moreno com suas pernas. — Eu quase não tive coisas boas nesse mundo, e quando as tive, o destino tratou logo de tirá-las de mim!
— Não diga isso! — seu marido sussurrou. — Você tem a mim, os nossos amigos... nós nos reencontramos quando a esperança parecia ter sido perdida, e sua mãe ainda está viva, suas irmãs estão bem...
— Mas elas jamais irão querer me ver outra vez, amor! Ainda mais agora que o irmão mais velho delas, o herói da família está morto. — grunhiu de dor, sentindo sua cabeça girar quando o mais alto levantou-a carregando-a para a cama. — Talvez Priekov esteja certo. Eu fui fruto de uma desonestidade, eu desestruturei uma família inocente. Talvez eu realmente tenha merecido sofrer do jeito que sofri...
O moreno soltou um grunhido de raiva, quase um rosnado de animal, se isso fosse possível para seres humanos/supersoldados.
— Nunca. Jamais, repita uma tolice como essa! — disse-lhe num tom baixo, com a voz gravemente severa, diferente daquele tom de “paizão” que ele usava com Hanna quando ela passava dos limites. Ele estava com raiva, mas não era necessariamente com raiva dela, e sim com raiva de Priekov, por ter lhe dito aquilo de supetão, e com raiva das palavras dela para si mesma. — Você não pode ser culpada pelos erros de outra pessoa! — segurou gentilmente seu queixo, embalando seu rosto com as duas mãos, obrigando-a a encará-lo nos olhos. — Anya, por mais que você ame, ou tenha amado o seu pai, foi ele quem errou. Ele traiu sua esposa com uma mulher casada, e sua mãe, se Milla Priekov realmente for sua mãe biológica, ela também errou por trair seu marido. Você não pediu para ser colocada neste mundo, muito menos pediu para nascer nesta família desestruturada. Tudo o que aconteceu foi fruto de uma consequência de atos de pessoas covardes, hipócritas, e sem empatia alguma. E nada, nada do que você tenha feito em sua vida, justifica o que você passou nas mãos da Hydra por causa do egoísmo e da inveja do seu irmão. Nada justifica o fato de que ele conscientemente assassinou o nosso filho, outro inocente, por vingança de algo que você sequer teve culpa. Anjo, não machuque a si mesma pensando nisso. Você não é um fardo, ou um aborto, ou alguém que não merece amor por culpa da crueldade dos outros. Com o seu carisma, a sua personalidade, e o seu caráter, você conquistou coisas muito grandes, assim como uma família que literalmente mataria para te proteger, e tudo isso foi graças a uma mulher forte que te enxergou da mesma forma que eu te enxergo. Porque convenhamos... — ele fez uma pausa, apenas para massagear suas bochechas com os polegares. — Ela poderia muito bem ter tido a mesma reação que a de Priekov e ter mandado seu pai enviá-la para um orfanato assim que ele chegou em sua casa com você nos braços. Mas não, ela não viu em você o fruto de uma traição, e sim como um inocente arrancado dos braços da mulher que te pariu, e que precisava de um lar, de um guia para não ceder às desgraças do mundo. Ela te adotou não por pena, mas por amor, porque assim como eu, ela pode ter se apaixonado pela luz que você emana, assim como a sua mãe biológica fez quando você nasceu. Por isso, nunca acredite em ninguém que disser que você não tem nada de especial, porque é uma grande e terrível mentira. Você pode confirmar tudo o que eu lhe dizendo, se conversar com ela.
Mary fungou, sentindo as lágrimas escorrerem, através da intensidade da verdade nas palavras de James. A descarga fora tamanha, que ela sentia-se corada dos pés à cabeça, sem ao menos ter feito nenhum exercício. Ela não sabia lidar muito bem com elogios, ainda mais vindos do moreno lindo à sua frente.
— Eu... eu... — balbuciou, escondendo o rosto na curva do pescoço dele, sentindo seu cheiro, mesmo que fracamente, devido ao ranho que entupia seu nariz. — Eu sinto que não te mereço.
Ele esfregou suas costas, pacientemente esperando-a se acalmar.
— Já eu penso totalmente o contrário. — murmurou após alguns segundos, ainda esfregando sua palma de metal em sua espinha, fazendo-a se arrepiar por baixo do vestido grosso de inverno. — Eu é que não sou digno de você, mas de todas as pessoas do mundo, você escolheu estar comigo, e como seu companheiro, estou aqui para ajudá-la a atravessar as dificuldades. Na alegria e na tristeza.
Marnie soluçou, apertando-se contra ele.
— Minha mãe vai me odiar quando descobrir o que eu fiz, James! — murmurou, dolorida.
— Shii. — ele sussurrou, pacientemente esperando-a se acalmar, enquanto sussurrava coisas em romeno. — Você não teve culpa, a Hydra te controlava. Eles te obrigavam a fazer o que você fez, para proteger a vida delas.
— Mas mesmo assim, as minhas mãos induziram a morte de pessoas inocentes. Os meus poderes influenciaram e manipularam pessoas! Não foi a Hydra quem se encontrou às escondidas como uma garota de programa, fui eu! — lamentou, chorando contra a camisa dele, que ainda sussurrava palavras de apoio em sua língua favorita. — Fui eu!
— Tem razão. — ele a encarou, colocando-a deitada no meio dos lençóis. — Foi você, do mesmo jeito que também fui eu quem matou aquelas pessoas todas, mas se tem uma coisa que eu aprendi naquelas sessões de terapia consideradas idiotas, é que eu não tive escolha, eles não me deram direito a ter uma. Passei mais de setenta anos da minha vida sendo descongelado, eletrocutado e abusado, me transformaram numa concha do homem que eu costumava ser, do homem que eu jamais voltarei a ser, colocaram uma arma em minha mão e apontaram a direção para qual eu deveria atirar. Nada disso foi minha escolha, por mais que o sangue de todas aquelas vítimas esteja em minhas mãos. — mostrou-lhe os membros, fazendo-a enxergar o que ele via. Como ele se via. — É difícil conciliar isso, eu sei. Nenhum de nós estará cem por cento de bem com isso, mas você não pode viver eternamente se culpando. É errado, e está te matando. E eu odeio vê-la assim.
Ela engoliu em seco, aninhando seu corpo ao dele, assentindo suavemente.
— Só eu sei o quanto eu sou difícil. — murmurou, colocando uma mecha de seu cabelo para trás da orelha. — Obrigada por ser paciente comigo.
Ele sorriu, roçando seu nariz no dela.
— Você cuida dos sentimentos de todo mundo e se esquece de cuidar dos seus. Alguém tem que se preocupar com você, querida. — murmurou de volta, acariciando seu rosto molhado.
— Acho que é o mal de ter nascido assim. — resmungou, sentindo-se um pouco mais leve. — Eu também acho que você está certo, eu preciso de ajuda. Talvez lidar com toda essa massa de sentimentos, ainda mais agora que meus poderes se tornaram mais fortes, está sendo muito pesado para mim. Eu preciso aprender a desacelerar mais.
Ele abriu aquele sorriso doce que fazia suas pernas tremerem e seu coração vibrar.
— Bem, o primeiro passo você já deu. — disse orgulhosamente. — Agora é preciso se reconciliar com o seu passado.
Ela bufou.
— Esta parte é bem mais difícil. — murmurou, soprando sua franja para fora de seus olhos. Ela estava incerta se a deixava crescer, ou se aparava. — Eu prometo que tentarei entrar em contato com a minha mãe adotiva. Mas antes disso, eu quero pesquisar mais sobre Milla. Eu quero ver uma foto dela, quero ver seu rosto nitidamente, e não através de uma lembrança...
Seu marido assentiu, segurando sua mão com firmeza.
— Eu prometo que irei estar ao seu lado, sempre. — sussurrou, beijando sua testa.
Ela sorriu, permitindo-se beijá-lo por alguns segundos.
— Obrigada. — sussurrou de volta. — Eu te amo.
— Eu também te amo.
E com isso, eles tiraram suas respectivas roupas, deitando-se de conchinha embaixo dos edredons grossos e felpudos. Eles não iriam fazer amor hoje, não havia clima para isso, apesar da atmosfera no Complexo estar esbanjando excitação para o seu vínculo com o time. Nem sempre ela seguia o bonde.
Os dois passaram um longo período de silêncio, apenas um acariciando as mãos do outro, até que Mary voltou a chorar, mas quase não tinha nada a ver com a conversa que eles tiveram anteriormente. Ela ergueu algumas barreiras em volta de seu vínculo com James, para que ele não sofresse com as palavras que ela iria dizer em seguida, mergulhando em seu subconsciente danificado.
— Eu sinto tanto James. — murmurou, fungando, enquanto ele enfiava o queixo no vão de seu pescoço, acalentando-a com carinhos em suas mãos. — Eu sinto muito, de verdade...
— Hey... — ele sussurrou, esfregando o nariz na pele nua de seu ombro. — O que há de errado?
— Eu acho que eu não quero mais ter filhos. — como era de se esperar, sua fala o fez travar os músculos. — Mas isso não tem nada a ver com você. O problema sou eu. Eu não quero ser obrigada a vê-los matar meu pequeno outra vez. Eu não aguentaria. Tenho pesadelos todas as noites, sempre a mesma coisa... — ela chorou, virando-se na cama para enfiar a cabeça nos pelos do peito do moreno, que acariciou carinhosamente suas costas. — Me perdoa por ser tão fodida.
Ele beijou sua cabeça, sussurrando coisas em línguas que ela não conhecia.
— Está tudo bem, meu amor. — respondeu-lhe com a voz tranquila, não emanando a decepção que ela estava esperando sentir. — Eu entendo perfeitamente o seu medo. Mas quero que saiba que ninguém jamais irá lhe ferir enquanto eu estiver vivo. Nunca mais. — suspirou, afastando seu cabelo de seu rosto, prendendo-o num coque frouxo, o mesmo que ele fazia em seu próprio cabelo. — Contudo, eu respeitarei sua decisão, porque eu te amo.
Ela fungou, olhando para cima, para seus belos olhos azuis, que brilhavam um pouco no escuro, graças aos seus dotes de supersoldado.
— Obrigada por me entender. — murmurou, enfiando o nariz em seu peito.
— Você não precisa me agradecer por isso, boneca. — ele murmurou de volta, afastando sua franja da testa para poder beijá-la. — Eu faria qualquer coisa para fazê-la feliz, independente do que seja.
— Até mesmo roubar um banco? — apesar da dor, ela conseguiu brincar com ele, que riu.
— Provavelmente sim. — respondeu-lhe, puxando-a ainda mais para seu corpo, fazendo-a sentir todas as suas curvas contra ela. Todas. — Mas não hoje, eu estou com sono.
Ela riu baixinho, aninhando-se em seus braços.
Ambos trocaram um suave “boa noite”, sendo embalados pela estranha tempestade “criada” por Thor e Hanna, aqueles coelhos no cio.
*
— Toc, toc. — Han murmurou, sorrindo amarelamente para o loiro, que estava parado na janela de seu quarto, encarando a paisagem da noite escura. — Ois.
Thor levantou os olhos para ela, franzindo o cenho para seus passos lentos pelo cômodo, como se ela estivesse fugindo de uma bronca. E na verdade, ela estava. Talvez sua brincadeirinha tenha ido longe demais, afinal de contas...
— Você sabe que eu não estou bravo, não sabe? — ele arqueou uma sobrancelha dourada, encarando-a divertidamente desta vez, fazendo com que um peso saísse de seu corpo.
— Na verdade, eu meio que não sabia o que esperar. — ela deu de ombros, envolvendo seus braços em sua cintura estreita e perturbadoramente bem esculpida, enfiando sua cabeça literalmente nas costelas dele, uma vez que nem ao seu peito ela chegava, de tão pequena que era. — Acho que desenhar nas suas costas foi um pouco... demais. Mas tínhamos que manter isso real, então...
Ele riu, negando com a cabeça.
— Devo dizer que é excitante esconder um segredo. — murmurou contra seus cabelos, o que para ele deve ser um puta rolê para ficar na sua altura.
— Eu acho que já podemos contar para eles, não acha? — Han levantou a cabeça, encarando seu olho azul como o céu do meio-dia.
Ele franziu o cenho um pouco, ponderando suas palavras.
— De fato, você está certa. — respondeu-lhe, assentindo. — Mas... exatamente agora? A memória de Lyanna acabou de voltar, tudo está uma bagunça... pelo que conheço de nossos amigos, eles são desesperados demais, se contarmos agora, posso imaginar que a reação deles será totalmente exagerada...
— Quer saber? — ela afastou-se, sorrindo para ele. — Vamos manter isso quieto, até o casamento, talvez? Eu acho que adoraria vê-los enfartar quando o convite chegar.
Ele fechou os olhos, rindo.
— Até lá, seremos desmascarados. — brincou.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Ela riu, batendo em seu ombro.
— Pessimista! — resmungou.
— Mas eu só estou falando a verdade! — ele se defendeu, esquivando-se do seu tapa que nunca veio.
— Tá, tá. — ela revirou os olhos, cruzando os braços. — Senta lá na cama, eu vou limpar a bagunça.
Obedientemente, o loiro sentou-se em posição de índio na cama, enquanto ela vasculhava em seu pequeno laboratório caseiro a substância para retirar a tinta do piloto de suas costas.
— A propósito... — Thor recomeçou quando ela voltou ao quarto. — O que diabos é Thorki?
Hanna gargalhou, molhando um chumaço de algodão no removedor.
— O seu nome e o de Loki misturados. — respondeu-lhe, fazendo-o virar o rosto para encará-la com o cenho franzido. — Romanticamente. Faz muito sucesso na internet, se quer saber...
— O quê?! Como alguém pode achar que eu e o meu irmão fazemos um bom par? — ele perguntou, parcialmente indignado.
— Erm... isso é porque você nunca percebeu o quão gays vocês parecem juntos, não é mesmo? — Han arqueou a sobrancelha, passando o algodão nas costas do mais alto, removendo o primeiro desenho de pinto de suas costas. — Não que isso seja um defeito, é claro. Mas eu acho que a história que vocês dividem também é um cenário fantasioso para este tipo de coisa...
— Como brigarmos infinitamente? — às vezes sua lerdeza era muito fofa.
— Rivalidade entre irmãos. — ele voltou a encará-la, fazendo-a dar de ombros. — É um fato que a galerinha ama um romance proibido. Está na natureza de algumas pessoas...
— Você acha que... alguém já escreveu alguma história picante sobre Loki e eu?
Ela gargalhou, esfregando mais algumas “tatuagens”, antes de respondê-lo.
— Sim. Seus fãs escrevem sobre isso o tempo todo. Sobre quase todos os tipos de assunto... não que eu tenha lido algum... ou visto mais do que uma ou duas referências... — tagarelou.
— Você já viu, não foi? — ela engasgou sob seu olhar travesso.
— Sim. — ela abriu o sorrisinho amarelo. — E não vou negar que é fofinho, por mais que eu não queira dividi-lo com seu irmão. Pelo menos não romanticamente falando.
Ele riu.
— Você não precisará fazer isso. — afirmou.
— Espero. — Han brincou, traçando a lã pelo comprimento de suas costas injustamente musculosas. — Uh... por quanto tempo você ficará fora...? — ela parou de esfregar o algodão, para que ele a encarasse. — Eu sei que você terá que voltar à NA esta semana... só queria me preparar, sabe?
Ele assentiu, esfregando gentilmente seus dedos em seu ombro esquerdo.
— Não será muito. — respondeu-lhe. — Preciso voltar para verificar assuntos comuns com Brunnhilde e o conselho. E Loki está insistindo comigo para levar Lyanna conosco. Ele disse algo sobre mostrá-la suas origens, ou um presente... eu não tenho certeza. Ele está mais tagarela esses dias.
— Por falar no seu irmão... ele quebrou algum osso? — o loiro franziu o cenho para ela, em repreensão. — Que foi? Eu só estou curiosa! Ele levou vários golpes...
— Não, ele não quebrou nada, mas acho que teve sua dignidade ferida. — respondeu-lhe por fim, quando ela terminou de esfregar o líquido frio em sua pele desonestamente bronzeada. A chuva fina começou a engrossar um pouco, fazendo um barulho aconchegante, mas algo não tão aconchegante sobre isso é que o quarto foi ficando muito frio. — Que tal tomarmos um banho quente?
Uma coisa que Hanna aprendeu a amar no loiro à sua frente, era o modo como ele podia adivinhar como ela estava se sentindo a partir da intensidade de seus toques em sua pele. Agora, ela estava apertando seu ombro com uma certa pressão, e pelo tremor em seu corpo, isso indicava frio.
Ou seria o fato de que suas mãos se tornavam estranhamente muito geladas...? Nunca se sabe.
— Só aceito se tiver bolhas. — ela sorriu, afastando-se dele para que o mesmo pudesse levantar.
— Uh... posso te fazer uma pergunta? — Han encarou seu bonito olho, franzindo o cenho para o mais alto.
— Levanto em conta que você já me fez uma pergunta... sim, eu deixo você me fazer outra.
O loiro revirou seu olho, então caminhou gingando seus quadris até a banheira, abrindo a torneira para o lado quente.
— Por que ninguém pode sentar naquele banco rosa? — ele arqueou a sobrancelha, fazendo-a rir.
— Na verdade, não tem nada de errado. — respondeu-lhe sinceramente, apertando suas bochechas quando ele fez uma careta indignada para ela. — Eu só tenho ciúmes do meu banquinho. Demorou quase três horas para ficar pronto!
— Mas é apenas algo pintado! — ele tentou argumentar.
— Não é “apenas algo pintado”, foi um processo árduo para chegar até a cor! Foi preciso muita decisão e... — o sorriso travesso de Han cedeu ao olhar intenso do loiro, que não havia comprado a sua desculpa. — Eu sou um pouquinho ciumenta com as minhas coisas.
— Um pouquinho? — ele arqueou a sobrancelha, fazendo-a sorrir.
— Ok, ok! Eu sou uma pessoa com níveis sérios de ciúmes, satisfeito? — ela cruzou os braços, fazendo bico.
— Sim. — seu bico foi desfeito com os lábios dele, fazendo-a esticar o pescoço para prolongar o carinho. — Você fica mais bonita quando admite seus defeitos.
Ela fez um gesto de descaso, desabotoando seu vestido.
— Besteira. — resmungou, dobrando o tecido e colocando-o dentro do cesto de roupas. Não era sempre que ela fazia isso tudo certinho. Hanna era um ser de fases, e constantemente ela tinha muita preguiça, o que resultava nela bagunçando seu apartamento, para depois procrastinar a limpá-lo. A presença de Thor ali só deixava tudo ainda mais bagunçado, mas era algo que ela estranhamente gostava. Ela viu um raio rasgar o céu, para depois escutar o barulho do trovão. — Qual é?! — arqueou a sobrancelha para o loiro atrás de si, que estava com um sorriso travesso no bonito rosto.
— Eu pensei que você estivesse bem com um barulho de fundo. — Ele brincou, fazendo-a rir.
— Eu não sou contra. — ela respondeu, caminhando até a borda da banheira, esperando que o loiro se despisse e adentrasse a água primeiro. — Mas você me assustou, senhor.
Ele riu baixinho, acomodando-a em seu peito, para depois iniciar seu próprio ritual de lavar os cabelos dela, despejando um pouco de shampoo de rosas e esfregar cuidadosamente em sua cabeça. Hanna deveria admitir que gostava de ser mimada pelo príncipe/rei enorme atrás de si. Era quase como se aquelas histórias que ela lia tivessem se tornado realidade para ela.
Os dois demoraram mais ou menos meia hora, realmente tomando banho.
O clima estava frio, e isso além de ressecar sua pele, fazia-a tremer mais do que o normal. Ela odiava o inverno, era a pior época do ano para alguém traumatizada com a neve.
Hanna podia sentir com clareza sua pele se arrepiar ao lembrar-se do grito que sua amiga deu na manhã passada... o modo urgente como ela anunciou que sua irmã planejava tirar sua própria vida no lago congelado fez seu coração se apertar e seu estômago gelar na hora.
Ela não contou para ninguém – nem mesmo para Thor – que o acidente de Lya no lago mexeu consigo mais do que deveria.
Han puxou os grossos edredons e se cobriu, virando seu corpo para abraçar o peito do mais alto, que envolveu seus braços enormes ao redor dela, mantendo-a aquecida e com um sentimento de proteção.
Permitindo-se fechar os olhos após longas horas privadas de sono, ela caiu rapidamente nos braços da inconsciência.
Os gritos do homem malvado continuaram a ecoar pelas paredes de metal do laboratório, dizendo-lhe que aquele desgraçado não havia derretido imediatamente como os outros.
Mais dois homens surgiram em seu campo de visão, fazendo-a recuar para o canto da parede, tentando se defender. Aquela era a primeira vez que eles haviam acordado-a sem a outra Pétala, o que lhe dava duas linhas de pensamento:
A primeira, era que eles queriam testá-la mais aprofundadamente, explorando suas técnicas como da outra vez;
E a segunda, era que ela já não era mais eficiente devido às suas inúmeras falhas, então eles estavam ali para matá-la.
— Acalme-se, Pyra. — um dos homens disse, estendendo a mão em falsa rendição. — Nós viemos aqui para ajudá-la.
— Eu não quero a sua ajuda! — ela gritou, com as mãos pegando fogo.
Os dois se entreolharam e trocaram algumas palavras em alguma língua que ela não conhecia, então avançaram mais dois passos, parando exatamente à sua frente.
— Ouça: nós não queremos ser obrigados a machucá-la... — outro agente falou. — Mas como você não nos dá escolha...
Hanna gritou, tendo seu corpo completamente incendiado agora.
Os dois homens utilizaram uma espécie de pinça para puxá-la até eles, prendendo-a numa redoma resistente a altas temperaturas, aumentando ainda mais o calor insuportável que ela sentia.
Eles arrastaram-na até um laboratório maior, repleto de cilindros grandes com pessoas flutuando em uma substância azul-anil.
Um cientista de grossos cabelos vermelhos apareceu para ela, segurando uma agulha enorme em sua mão direita, com um sorriso sádico à sua espera.
Ela tentou sair da redoma, mas era impossível penetrar a superfície dela apenas com o seu calor corporal uma vez que ela estava cada vez mais perdendo a sua energia.
— Não se preocupe, bonequinha. — o cientista disse. — Será apenas uma mordida de formiga, mas felizmente, está não é para você. — ela ergueu o queixo, desafiando-o. Isso apenas o fez sorrir ainda mais cinicamente. — Pelo que ou ouvi, você andou sendo uma menina má, não foi...? Tentando fugir da base... — ele fez um barulho de negação, estalando a língua no céu da boca. — Qual será o castigo da vez...?
Ele acenou para os agentes, que a carregaram até um dos tanques borbulhantes de tenebrys sakura. A fumaça instantaneamente embaçou a redoma, deixando-a ainda mais ansiosa sobre o que estava por vir. Suas chamas já haviam começado a abaixar, deixando espaços aleatórios em sua pele, como se ela estivesse ficando sem combustível, o que era realmente uma verdade.
O “chão” da prisão foi aberto, fazendo com que seu corpo caísse de uma vez só dentro do líquido viscoso, que consumiu-a por inteiro, dolorosamente dando-lhe mais força para queimar, arrancando outro grito dela.
— Isso é perfeito! — cientista ruivo gritou, agitando as mãos para a sua desgraça. — Agora, cavalheiros, levem-na para a mangueira.
Literalmente, o tanque onde ela estava começou a derramar tenebrys sakura dentro de uma espécie de “travessa” de metal, onde seu corpo foi jogado como se ela fosse um pedaço de carne totalmente descartável.
Um dos agentes pegou-a pela pinça e jogou-a dentro de uma câmara fria. Hanna tentou seu melhor para manter-se em foco, enquanto literalmente chorava fogo, não sabendo onde encontrar sua voz para implorar pateticamente ao homem sádico que parasse de torturá-la, que ela já havia aprendido a lição nas duas primeiras chicotadas que havia levado...
A água fria entrou em contato com seu corpo, fazendo-a chiar alto com a dor.
Parecia que mil adagas perfuravam sua pele, enquanto as gotas d’água apagavam o fogo de seu corpo. Alguns espaços em sua epiderme começaram a se abrir, jorrando sangue.
— Pare, por favor! — ela pediu num fio de voz.
— Parar?! — o homem zombou. — Minha querida, está apenas começando!
E com isso, a água parou de correr. As portas da cabine se fecharam, e os jatos de fogo comum foram ligados, dando-lhe um minuto para “descansar”, antes que seu corpo voltasse a se incendiar outra vez, fazendo-a estremecer pelo esforço.
Os jatos pararam, preparando-a para algo bem pior.
A divisão entre o teto da cabine e o outro tanque foi aberta, fazendo com que o recipiente enorme despejasse uma pesada quantidade de gelo sólido misturado com neve.
Diferente da água, aquilo queimou sua pele, apagando-a instantaneamente.
Hanna tentou quebrar o vidro da cabine para escapar da tortura, mas ela simplesmente não conseguia. Estava fraca demais, ferida demais...
No fim do corredor, agora também envolto na arma imaculadamente branca, estava Lya, com as mãos sujas de sangue, caminhando com os membros arroxeados pela neve, carregando uma faca enorme.
Han tentou pedir ajuda a ela, mas um monstro de gelo surgiu à sua frente, tomando-a em seus braços doentiamente frios.
— Ainda assustada, bonequinha? — o monstro tinha a voz do cientista ruivo. — Não se preocupe... — ele quebrou o pescoço de sua irmãzinha, jogando-a no chão como se ela não fosse nada. — Para onde eu e você iremos, não haverá muitas coisas das qual você deverá se apegar, promessa.
A visão dos olhos doentios dele foi sumindo conforme a neve foi formando uma avalanche, enterrando-a mais e mais no frio.
Não importava o quanto ela se desesperasse para sair dali, a neve continuava caindo e caindo, não lhe dando espaço para respirar, queimando sua pele como a brasa quente faria com seres humanos comuns.
Hanna?, a voz de alguém veio de cima das camadas de neve. Hanna, amor, você deve acordar agora!
Ela não conseguiu responder à pessoa, ainda tentando sair de debaixo, agoniada com o que o frio excessivo estava fazendo com seu corpo frágil.
Então, em meio à toda esta confusão de neve, gelo e o corpo de sua irmã jogado em seu próprio sangue, ela pôde sentir mãos quentes envolvê-la carinhosamente.
Meu amor, acorde, por favor!
Han abriu os olhos, pulando como um gato para longe dos toques de Thor, que se assustou com a sua reação, mas ficou quieto, avaliando-a de à distância, até que ela começou a tremer, esfregando seus braços, cobertos com o casaco mais felpudo e quentinho que ela tinha.
— Eles... ela... — a pequena balbuciou, enfiando-se no abraço do loiro, que passou a esfregar seu corpo, em busca de aumentar a sua temperatura corporal, que estava preocupantemente fria. — Dói tanto!
— Foi apenas um sonho, querida. — ele murmurou, beijando seus cabelos. — Nada disso é real. Você está segura, eles jamais irão machucá-la outra vez!
Ela respirou fundo, afastando-se para encarar firmemente seu olho azul, e o buraco que a irmã dele havia deixado em seu lado direito. Han estendeu a mão para tocar o seu rosto, sentindo a textura de sua pele, enquanto repetia para si mesma que estava tudo bem, que tudo não havia passado de um sonho.
Ela encostou sua testa na dele, imitando seu padrão de respiração, na tentativa de acalmar as batidas de seu órgão vital.
— Parecia tão real... a neve... — ela sussurrou, estremecendo. Seu lábio tremia de frio, por mais que o loiro estivesse tentando seu melhor para acalmá-la. Levantou os olhos, encarando-o com súplica. — Por favor, me esquenta.
Ele desceu beijos por seu rosto, parando na gola do casaco, para depois encará-la com seriedade.
— Querida, não é uma boa ideia. Sua mente está confusa, é melhor esperarmos um tempo... — murmurou, acariciando seu rosto na tentativa de fazê-la mudar de ideia.
— Por favor. — sua mãozinha tocou a dele, levando-a até sua cintura, por baixo do suéter grosso. — Me esquente.
Demorou alguns segundos para que ele finalmente concordasse com ela, desfazendo-se da peça quente em corpo, apenas para aquecer sua pele com a boca.
— Tem certeza que quer continuar? — ele perguntou, deitando-a delicadamente na cama.
— Sim. — Han murmurou, estendendo a mão para tocá-lo. — Eu preciso disso. Não tenha medo, eu não sou feita de porcelana. Eu aguento.
*
Ela voltou saltitantemente do laboratório, arrancando algumas expressões confusas de seus amigos.
— Posso saber o motivo da sua estranha alegria? — Nat arqueou a sobrancelha, levantando os olhos de seu joguinho de celular.
— Cara, eu não posso ficar feliz do nada? — Lynna perguntou, sorrindo amplamente, enquanto saltitava até a sua caixa dentro da geladeira. — Loki, amor, eu espero que você e Marnie estejam vendo os meus doces na internet, e não coisas picantes!
— Por que eu veria coisas picantes com essa coisa? — seu primo perguntou, cruzando os braços para a tela do notebook que ele estava dividindo com a ruiva anã.
— Nunca se sabe. A mente de vocês não é tão limpinha assim... — ela sorriu, arrancando protestos dos dois, ao mesmo tempo em que os demais encaravam-na com a mesma expressão confusa. — Ok, ok! Vocês estão curiosos! — revirou os olhos, então sorriu. — Eu acabei de vir do laboratório da doutora Cho.
— Era só isso? — Bucky perguntou, negando com a cabeça. — Vocês são tão exageradas...
Ela bufou.
— Mas você nem me deixou falar, seu energúmeno! — resmungou, antes de saltitar até a mesa. — Eu estava dizendo que acabei de falar com Helen, e ela me disse que eu não tenho silicone.
— Eu acho que você bateu com a cabeça forte demais, tadinha. — Natasha debochou, tendo a concordância de Sam e Wanda, que estavam jogando na televisão.
— Eu não bati com a cabeça em lugar nenhum! — todo mundo olhou para a cara dela como se ela fosse louca. — Ok, cuzões, eu já entendi! — revirou os olhos. — O que eu estou tentando dizer é que meus peitos são cem por cento naturais.
Bucky engasgou.
— Na frente da minha salada?! — resmungou, cruzando os braços, enquanto comia alguma gororoba para o almoço.
— Mas eu não tive culpa! Foi a curiosidade de vocês! — Lynna deu de ombros, esticando-se na cadeira.
— Ata. — Marnie arqueou a sobrancelha. — E como é que vocês duas chegaram a esta conclusão?
— Helen e eu estávamos discutindo sobre piercings, e eu disse a ela que tinha intenção de por piercing no mamilo, mas tinha medo, por causa do silicone. — Bucky arregalou os olhos, resmungando algumas pragas sobre ela falar de assuntos impróprios à mesa, então levantou seu rabo velho e rabugento para lavar o prato na pia. — Aí ela me disse que eu não tinha nada. — abriu um sorriso largo, pulando animadamente na cadeira. — Que a Hydra pode ter tirado quando eu cresci.
— Isso se chama puberdade. — por que Barnes tinha que ser um estraga prazeres?
— Cara, essa foi de longe a conversa mais bizarra que nós já tivemos! — Sam disparou. — Ei! Era minha vez!
— Você não se mexeu, eu roubei. — Wanda reclamou, avançando com seu carrinho rosa.
— É isso o que você chama de amor? — ele revidou, dramaticamente colocando a mão no peito.
— Vocês sabem que estão jogando isso errado, não sabem? — a mais velha perguntou, observando-os. Sam olhou para ela com um “cala a boca”, fazendo-a rir. — E não, essa não foi a conversa mais bizarra que já tivemos, ou vocês já se esqueceram do dia que nós comparamos o tamanho do nosso cocô?
— Eca! — seu irmãozinho resmungou, sentando-se atrás de Mary, vendo o que ela e Loki estavam fazendo.
— Mas sério, eu tive até medo de Hanna. — sua amiga levantou os olhos do notebook. — Ela pode ser pequena, mas eu nunca vi alguém ter um cocô tão grande!
Elas riram como duas idiotas, então, Lynna viu a chuva começar a engrossar, com direito a raios e trovões. O vento ricocheteava na floresta que cercava o Complexo. Ela não estava muito certa se era época para uma tempestade dessa magnitude. Não era para estar nevando?
— Por falar em Hanna... eu acho que vou atrás dela. — declarou, levantando-se.
— O QUÊ?! — o grito de Marnie assustou a todos, que encararam-na como se ela tivesse alguns probleminhas mentais.
Na verdade, ela tinha, mas todo mundo tinha medo de falar em voz alta...
— Por que o espanto? — a mais velha arqueou uma sobrancelha alaranjada. — Hanna pode parecer durona, mas ela tem medo da própria sombra, principalmente de trovões. Eu preciso encontrá-la, antes que ela comece a pirar.
E com isso ela saiu, mas não sem antes perceber um olhar suspeito que ela, Bucky e Loki trocaram.
Coisa mais estranha...
Dando de ombros, ela passou pelo corredor, ignorando as presenças de Steve e Tony, que apenas franziram o cenho para sua corrida.
Chegando ao apartamento de Hanna, ela se assustou por não podê-lo abrir com a sua própria identificação biométrica, como sempre fazia. Talvez a pequena tenha mudado isso por causa da Pétala.
Tentando não se sentir mais culpada do que ela já estava, respirou fundo, pensando numa outra saída.
— SEXTA-FEIRA, você poderia abrir a porta do apartamento de Hanna para mim? — perguntou, encarando o teto por alguma razão.
— O apartamento da doutora Nuri foi trancado por ela mesma há oito horas atrás. Tenho ordens expressas para não permitir a entrada de ninguém sem o aval dela. — a IA respondeu-lhe, fazendo seu cenho se franzir.
Ela bufou, contrariada.
— Hanna? — Lynna não iria desistir tão fácil. Ela não iria deixar Hanna se afogar em seu próprio medo, como ela rotineiramente fazia. — Hanna, eu sei que você está ai! Abra a porta, ou eu irei arrombar!
— JÁ ESTOU INDO! NÃO ARROMBA! — ela se assustou com o grito desesperado de sua pequena. — EU SÓ ESTOU VESTINDO A ROUPA!
Ela esperou alguns minutos, até que Han aparecesse na porta, com os cabelos desgrenhados e tão pálida, que parecia ter visto um fantasma.
Discretamente, a mais velha tentou ter algum vislumbre de seu quarto, mas infelizmente a porta estava fechada.
— Aconteceu alguma coisa, Han? — perguntou-lhe com uma voz tranquila, repreendendo em si mesma o desejo de invadir o apartamento à procura do que fez sua pequena ter tanto medo.
Ela arregalou os olhos, então negou com a cabeça.
— Nada! Não aconteceu nada, na verdade. — abriu-lhe um sorriso tenso. — O que você está fazendo aqui, Lya?
— Eu vim porque você tem medo de tempestade, e queria que você ficasse perto de mim, porque eu sei o que você faz quando essas coisas acontecem... — respondeu-lhe, vendo a expressão dela se suavizar.
Ela assentiu.
— Ok. — murmurou, para então ampliar estranhamente o tom de voz. — Eu irei trancar o apartamento por fora.
E com isso, as duas partiram pelo corredor.
Constantemente, Lynna olhou para trás, meio que esperando por algo, mas não vendo nada...?
O comportamento de Hanna ficou bem estranho, e ela caminhava como se algo a incomodasse, o que a deixou à flor da pele.
Será que tinha alguém no apartamento dela? Alguém da Hydra?
Ela tentou formular essa pergunta um par de vezes durante o curto trajeto até a sala de estar, mas simplesmente não conseguia. Seu coração doía, com medo de que sua pequena estivesse sendo ameaçada por alguém.
Ela mataria essa pessoa sem dó se descobrisse algo.
Assim que ambas chegaram à sala, a expressão assustada de Hanna tornou-se furiosa, ao mesmo tempo em que Bucky rachava de rir, caindo para trás com a sua risada fofinha.
Estranhamente, Mary e Loki começaram a rir também, deixando Han ainda mais furiosa.
— Eu juro que eu não esperava por isso. — seu primo disse, ainda gargalhando, enquanto as duas hienas digitavam alguma coisa no computador. — Esse momento entrará para a posteridade! — Hanna saiu do seu lado, apenas para pegar uma almofada e começar a bater violentamente no moreno, que não tinha nada a ver com a raiva dela.
Primeiramente, por que Hanna estava com raiva?
— CALADO! — ela gritou.
— Eu não estou fazendo nada com você, criatura perturbada! — Loki gritou, sendo defendido por Marnie, que ainda rindo, separou Han dele, fazendo Lynna estreitar os olhos para os três.
— Hanna... o que você estava fazendo lá em cima? — essa pergunta atraiu a atenção de todos na sala, fazendo Han arregalar os olhos, como se eles fossem saltar para fora.
— Nada! — ela disparou. — Eles só estão rindo do meu cabelo!
Ela estava fazendo algo de errado lá dentro, não estava?
Fosse o que fosse, a ruiva mais velha não comprou a sua desculpa. Não como os outros haviam comprado.
— Toma. — Mary esticou o braço que estava dentro de sua nécessaire. — Penteia esse ninho de rato.
— Ninho de rato tem a tua cara. — Hanna resmungou, chutando as pernas de Sam para sentar-se no meio dele e de Wanda. — Eu quero jogar também! — fez biquinho.
— Hanna, você realmente está bem? — Nat perguntou quando Lynna sentou-se ao seu lado. — Você parece estar andando estranho...
A pequena escondeu a cabeça entre os cabelos.
— Eu estou bem. Só estava dormindo quando Lya bateu à minha porta. — ela parecia perturbada demais para estar dormindo... — Obrigada por me acordar. — seu sorrisinho quase a fez mudar de ideia sobre alguém estar manipulando-a. — Provavelmente eu surtaria de medo.
A mais velha sorriu.
— Não precisa agradecer, querida. — disse-lhe. — Eu faria qualquer coisa para mantê-la confortável...
Sua fala foi morrendo ao ver Bruce e Thor adentrarem a sala. Este último estava encharcado e com uma cara de poucos amigos. Mas o mais estranho não foi isso, e sim o enorme chupão que ele tinha em seu pescoço.
Por dois segundos, seu olhar cruzou com o de Mary, que parecia estar prestes a espirrar, ou a rir.
Então, ela voltou seu olhar para Hanna, que jogava “distraidamente”.
Seu cenho franziu. Sua mente fervilhava milhares de perguntas, mas ela não iria se precipitar nos julgamentos. Não sem antes investigar.
E havia mais coisas à mesa do que um possível caso entre Bruce e seu primo. Não, eles não estavam juntos. O pensamento era completamente idiota.
Mas Hanna...
Havia alguém no apartamento dela, isso era um fato.
Mary sabia disso, ninguém podia mentir para ela...
Até o final do dia, sua curiosidade iria vencê-la e ela iria implorar à sua amiga para contar o que porra está acontecendo com sua irmãzinha, ou ela não se chamava Lyanna Angianova.
— Bingo! — por falar na criatura... a ruiva anã começou a dar pulinhos. — Seus doces já foram encomendados, agora você já pode sorrir.
— Eu só irei sorrir quando eles estiverem aqui! — Lynna resmungou, cruzando os braços, mas ainda avaliando Hanna pelo canto do olho.
— Bem, já que estamos todas aqui... — Nat se espreguiçou. — Que tal irmos ao porão?
— Você planeja me matar lá? — ela arqueou a sobrancelha, encarando a Viúva, que abriu um sorriso enigmático.
— Você só saberá se vier. — filha da puta, ela sabia que incitar a sua curiosidade era um caminho sem volta!
— Ok. — ela bufou. — Hanna, levanta essa bunda do sofá!
— Eu não quero ir! — a pequena fez birra.
— Eu não te dei escolha! — Lynna reclamou, puxando-a pelo sovaco.
Bucky gritou algo para ela em japonês, fazendo-a mandar-lhe o dedo do meio.
Cara, por que ela não prestou mais atenção nas lições de japonês?! Ela saberia do segredo de Hanna há essa hora!
As cinco caminharam até o elevador, então Nat pediu a SEXTA-FEIRA para levarem-nas até o porão, que era uma mistura impressionante de artefatos relacionados aos Vingadores, algumas sucatas interessantes de Tony, e as decorações empacotadas que ela e as meninas haviam encomendado para o seu casamento.
— Steve nos contou que você escolheu a data da cerimônia para daqui a três semanas, para termos tempo de armar tudo... — a Viúva falou, aproximando-se de um armário, ao mesmo tempo em que Wanda tirava uma caixa de lá com seus poderes. — Nós queríamos te mostrar isso. — era a caixa do seu vestido. — Chegou aqui um dia depois do... você sabe.
Ela engoliu em seco, tocando o tecido esvoaçante.
— Nós o conservamos o melhor que nós pudemos. — Wan disse, fazendo-a encará-la. — Mas entenderemos se você quiser experimentar outro...
Lynna negou.
— Eu gostei dele. E está em perfeito estado. — sorriu para as meninas. — Vocês são as melhores!
E com isso, ela abraçou-as.
— Tudo pronto, agora só precisaremos combinar a despedida de solteira. — Marnie disse, balançando as sobrancelhas.
— Tem que ser só as meninas, e em Las Vegas! — Han disparou, fazendo-as franzir o cenho para ela. — Que foi? Eu gosto de cassinos! E ninguém merece viajar com os meninos.
— Ok. — a mais velha disse por fim, olhando de um lado para o outro, na tentativa de encará-las por igual. — Preparem tudo, e eu estarei lá.
— Você sabe que vai se arrepender disso, não sabe? — Nat arqueou a sobrancelha, fechando a caixa para guardar o vestido de volta no armário.
— Sei, mas se for para pagar mico, que seja com as minhas amigas. — sorriu-lhes. — Porque eu sei que não irei passar vergonha sozinha.
Elas riram.
— Bem, você sabe que sempre terá nossa companhia por perto, para o que precisar. — a Viúva devolveu.
E era verdade, Lynna sabia disso. Se precisasse, ela as teria sempre. E isso era algo tão precioso, que nem mesmo a Hydra poderia desmanchar. Nunca.
Tudo estava bem, tudo estava de volta aos seus eixos. Ela finalmente sentia que podia ter paz.
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