The Captain and The Petal.

83 Eighty-first Chapter. - Countdown and chicken legs.


Notas iniciais
Ois! VOLTEEEI! Não tenho muita coisa a dizer, a não ser que as minhas aulas voltam amanhã e que vai ficar difícil postar com a mesma frequência que eu tinha no início da estória, mas não se preocupem, as atualizações virão, ainda mais agora que me bateu inspiração :)) Capítulo enorme, mas muito engraçado (ou pelo menos eu achei XD) Boa leitura!

Contagem regressiva e pernas de frango.

— Precisamos conversar. — Lynna disse, segurando a mão de Mary, quando as meninas começaram a se distrair com os preparativos para a sua festa.

Ela engoliu em seco, assentindo.

— Eu sei sobre o que você vai falar e...

— Por favor. — a mais velha a cortou. — Permita-me falar sobre isso, ou eu tenho certeza de que vou explodir!

A outra suspirou, assentindo outra vez.

— Certo, vamos para o telhado, sim?

E com isso, as duas caminharam lado a lado, sumindo no elevador.

O “telhado” era o melhor esconderijo de todos, depois da varanda do terceiro andar – mas esta já havia ficado manjada, porque todo mundo sabia que ela se escondia lá de vez em quando.

Mary caminhou com ela até o conjunto de almofadas, fazendo sinal para que ambas pudessem se sentar.

A mais velha tomou a respiração três vezes, antes de falar.

— Eu sei o que você vai dizer, mas eu só quero te falar que eu sinto muito. — ela abriu os olhos, encarando a mais nova, que segurou sua mão, assentindo. — Se eu não tivesse te prendido lá...

— Ei, eu escolhi te salvar, não escolhi? — ela arqueou a sobrancelha. — Eu sabia dos riscos, e mesmo assim, eu fiz. — suspirou. — Está é a minha natureza, Lya. Quando eles me criaram, eu deveria fazer exatamente isso, lembra? O Projeto Anjo foi feito para controlar vocês dois. — a Pétala e o Soldado, sua mente havia preenchido a lacuna do que ela não havia dito em voz alta. — De alguma forma, a Pétala sabia disso, por isso eu já era um alvo dela. Igor Priekov confirmou isso em seu interrogatório... — ela ficou um pouco reticente ao falar do albino, causando um estremecimento dentro do peito dela, como se ela pudesse sentir algo aproximado à tristeza que Marnie estava sentindo. — Quero que saiba que eu jamais te culpei, e que se eu realmente tivesse morrido naquele lugar, eu estaria feliz porque salvei a vida de uma amiga, que não merecia passar por mais sofrimento em sua vida.

Sua mão apertou a dela, enquanto Lynna lutava contra as lágrimas.

— Eu não acredito que você estava prestes a desistir da sua vida, da sua felicidade... por mim. — murmurou, com a voz embargada.

— Certas pessoas vale a pena correr o risco. — a anã sorriu, apertando sua mão. — E eu sei que no meu lugar, você faria a mesma coisa. Porque esta é a nossa natureza.

Ela assentiu, não precisando mostrá-la, para que a outra soubesse que estava falando a verdade.

— O que te fez voltar? — perguntou-lhe, movendo-se para se sentar mais confortavelmente.

— Esta foi a mesma pergunta que Wanda fez quando começamos a treinar com as minhas asas. — Marnie brincou, sorrindo amplamente. — Acontece que eu não sei responder essa pergunta até hoje. Tudo o que eu me lembro foi que a escuridão me cobriu, então, no fim do túnel, havia uma luz roxa, e um pensamento que não deixava a minha mente: “você pode consertá-la”. Daí, essa luz me engoliu, e quando eu me dei conta, eu estava em cima da Pétala, tentando te trazer de volta, mas você havia se “trancado” lá dentro e não havia nada que eu pudesse fazer. Então, a filha da puta evaporou.

Lynna ofegou.

— Eu me lembro que eu senti algo me puxando de volta, mas jamais imaginaria que era você! — disparou. — Quando a Pétala voltou para os guardas da Hydra, eu estava com tanta raiva dela, porque eu achava que ela tinha te matado. Na verdade, todo mundo achava o mesmo. Pela primeira vez, eu lutei contra ela, e tive a posse total do meu corpo. Eu tentei fugir, mas não consegui. E talvez tivesse que ter sido assim... de alguma forma, você me ajudou a vencê-la.

A ruiva anã sorriu, apertando a mão dela.

— Isso é tão bom de ouvir! — disse-lhe contentemente. — Por mais que meu desejo fosse de ir atrás deles para tentar fazê-la voltar, eu fico feliz que você conseguiu lutar contra ela, que assumiu o controle... nenhum dos outros hospedeiros desta coisa conseguiram antes. Isso prova o quão forte você é. — a mais velha sorriu, então ela soltou uma praga em russo, ao sentir seu pulso direito latejar, fazendo-a ranger os dentes com a dor. — Você está bem?

Lynna negou, segurando sua mão.

— É estranho. — murmurou em resposta. — Minha marca nunca dói. A menos que eu tenha sonhado com a minha mãe, o que é ainda mais estranho.

— Posso tocá-la? — ela assentiu, então Mary pôs sua mão direita em cima do “machucado”, fechando os olhos. Ao mesmo tempo, uma espécie de chama roxa cintilou ao redor dela, cobrindo-as em questão de segundos. — Você já sentiu alguma coisa estranha como essa antes? Eu digo... sem estar relacionada à sua mãe? — ela abriu os olhos, mas a chama não abaixou.

— Eu não sei dizer... eu só sei que tive um sonho com ela, quando o meu pulso acorda mutilado no outro dia. Já cheguei a pensar que eu posso ter me arranhado à noite, mas o padrão não é o mesmo... — respondeu-lhe, observando sua mão quase tocar a ferida dela. Os olhos de Mary tremiam um pouco. Ela nunca tinha a visto fazer isso antes, talvez seus poderes estivessem mais fortes depois do acidente... — O que você está fazendo? — franziu o cenho, vendo-a puxar uma energia azul de sua marca de nascimento, fazendo-a arregalar os olhos e quase dar um pulo para trás.

— Você sente algo estranho quando eu faço isso? — a anã perguntou, aumentando o fio azul que saía de dentro dela.

Lynna tentou se concentrar, focando em controlar seus sentimentos confusos.

— Eu posso senti-la dentro, mas não soa como um beliscão, como todos dizem que sentem. Eu sinto algo me puxando para você. — respondeu-lhe. — Por que a pergunta?

— Só você possui essa marca? — ela só está respondendo a sua pergunta com outras perguntas?! C A C E T E!

— Não. Minha avó também tinha. E minha mãe. — bufou em resposta. — Agora, você poderia responder a minha pergunta?!

Marnie bufou também, levantando um dedo indicador num gesto de “espera”, enquanto ela estudava o filete azul com o cenho franzido, assustando-a.

— Eu acho que você é como eu. — respondeu-lhe, por fim. — Ou pelo menos, uma parte de você é...

— Louca e irritante? — a mais velha brincou, chiando ao sentir sua amiga estreitar os olhos para ela, irritada. Tipo, literalmente sentindo. — Espera! Você está me dizendo que acha que eu sou uma espécie de empata?

Mary assentiu.

— Você disse que sua avó tinha essa marca de nascença, e sua mãe também... talvez seja um daqueles dons que passam de geração a geração. — ela movimentou sua mão, manipulando o fio azul, fazendo-a sentir-se estranha. — Alguma vez em sua vida, você já sentiu como se alguma espécie de emoção atravessando o seu corpo, mas ela não pertencia a você?

Lynna gelou, arregalando os olhos.

— Algumas vezes... sim. — respondeu, sentindo um calafrio na espinha, lembrando-se de todas as vezes que a Hydra obrigou-a a ver Bucky sendo torturado. Era como se ela estivesse sentindo a dor dele, por causa do laço que os dois dividiam...

— Esse não é o maior dos sintomas, mas a energia que você emana pode ser sim uma energia empática. Isso faz um pouco de sentido, no modo como você se conectou com James e Hanna, através da dor. — ela começou a raciocinar, achando que estava ficando doida por concordar na sandice de Mary. — Por mais que literalmente seja uma coisa terrível de presenciar, você deve ter se sentido drenada ao ver seus irmãos sendo torturados, eu estou certa?

— Sim. — sua voz tremeu. — Mas eu sequer imaginava que poderia ser isso...

A mais nova assentiu.

— Você passou muitos anos sob o controle da Hydra. Em algum momento, eles podem ter descoberto o seu talento, percebido que isso só os prejudicaria e então resolveram escondê-lo, para que isso não afetasse os planos deles... — disse-lhe, ainda manipulando seu fio azul. — Eu acho que certos sintomas podem ser facilmente escondidos, como quando eu era pequena. Às vezes eu me achava estranha por poder sentir meus pais com raiva quando eles brigavam. Não me passava pela cabeça de que aquilo era real, eu achava que poderia ser fruto de algum trauma... eu não imaginava que tinha poderes, até que certo dia consegui interromper uma briga dentro de um ônibus. Foi então que eu comecei a desconfiar... daí, meu irmão confirmou tudo...

— Sinto muito pelo que aconteceu... descobri-se mutante não é algo fácil, ainda mais quando você não convive ao redor de pessoas que verdadeiramente te entendam... — Lynna tocou sua mão. — Eu conheci seu irmão na Hydra, quando Priekov me levou para aquele laboratório na Amazônia. Ele deveria injetar algo em mim, mas eu revidei, quebrei as ampolas e fui trancafiada. O resto você sabe o que aconteceu... — riu amarelamente.

— Acredite em mim, eu sei sobre isso. Ele me contou. — Marnie disse, com um sorriso sem humor.

— Vocês o capturaram? — a mais velha ficou boquiaberta. — Deve ter sido difícil para você... eu realmente não queria que...

— Está tudo bem, Lya. Pare de se culpar! — a voz da mais nova era extremamente séria. — Nós faríamos qualquer coisa para ter as duas de volta, e uma vez que Hanna já estava conosco, nós moveríamos mundos e fundos para te achar. E foi o que fizemos. Capturar o meu irmão foi de grande ajuda. Nós impedimos Priekov de injetar em seu sangue algo que poderia te matar, assim como descobrimos a rota para onde ele a havia levado, algo que encobria os nossos sistemas mais sofisticados. Tudo acabou bem.

Ela suspirou.

— E se não tivesse dado certo? — arqueou a sobrancelha.

— Não pense nisso, por favor. — Marnie pediu, apertando sua mão. As chamas finalmente começaram a ceder. — Vamos focar no futuro, nas coisas boas que estão por vir! Já passou, ficou lá atrás.

— Você tem razão. — ela murmurou, colocando o cabelo para trás da orelha. — Contudo... — a pequena estreitou os olhos. — Não, não é sobre a Pétala, é sobre o que você disse... sobre os meus “novos poderes”. Você disse que tem algo a ver com uma “herança de família”... mas eu nunca... não dá para entender, sabe? Minha avó e minha mãe eram mutantes?

Mary demorou alguns segundos, tentando encontrar uma resposta.

— Possivelmente sim. Eu nunca vi um caso como esses, mas eu li muita coisa sobre o assunto quando vocês me trouxeram para a SHIELD. — ela começou, sentando-se mais próxima dela. — É genético, você tem que ter algum grau de parentesco, geralmente em linha reta, que possua genes mutantes. Ou pode ser que eu esteja maluca. Eu posso ser enfermeira, mas eu não entendo muito bem do assunto “mutante”.

As duas riram.

— Então, faz sentido que minha mãe e minha avó tenham sido empatas? — a anã assentiu. Lynna mordeu o lábio, refletindo suas palavras. — Talvez, esse tenha sido o motivo pelo qual meu avô abandonou a casa. Porque ele descobriu os poderes da minha avó.

— Realmente, faz sentido. — Marnie concordou.

— Ela sempre me disse que ele havia partido porque arranjou outra pessoa... mas agora... — suspirou. — Ainda teremos que pedir algum tipo de exame a Bruce, não é mesmo?

— Sim, nós devemos. — a mais nova se levantou, estendendo a mão para puxá-la para cima. — Quanto mais cedo diagnosticarmos isso, mais cedo começaremos a ter uma rotina de treinamento, pois segundo seu próprio noivo “todos os poderes devem ser encorajados pelo bem do time”.

Ela riu, levantando-se também.

— Erm... — pigarreou. — Agora que você falou, eu finalmente posso tocar no assunto... perdoe-me a minha curiosidade, mas... há mais de um mutante na sua família?

Lynna viu o exato momento em que os ombros de Mary desabaram e o local se encheu um pouco com a sua melancolia. Ela voltou a se sentar, mas desta vez num pufe.

— Acho que você não sabe das novidades bombásticas, não é? — talvez ela tenha tido uma resposta negativa com a sua cara de confusão, por isso continuou. — Quando nós trouxemos meu irmão para o Helicarrier, ele me contou o verdadeiro motivo de ele ter feito o que fez. — agora que ela tinha uma noção de sua “herança de família”, Lynna realmente podia dizer que sentia uma conexão com uma pessoa através da dor, porque agora, era como se a dor que Mary estava sentindo fizesse parte de si, porque ela não estava sentindo aquele peso no peito como se viesse de suas próprias emoções. — Ele disse que fez tudo aquilo comigo para me ver sofrer, da mesma forma como a minha... como a mãe dele havia sofrido...

— A mãe dele? Mas vocês são irmãos! Vocês têm a mesma mãe! — disparou, confusa, sentando-se ao seu lado.

— Na verdade não. — ela engoliu em seco, vendo os olhos de sua amiga lacrimejarem. — Ele me disse que eu sou fruto de uma traição. Que meu pai foi um capanga da Hydra, e que traiu a mãe dele com uma cientista. — seus olhos se arregalaram, enquanto um nó se formava na boca de seu estômago. Imediatamente, ela apertou a mão de sua amiga, sentindo-a cravar um pouco as unhas em sua pele. — Ela é casada... a minha mãe. O marido dela queria me matar, por isso meu pai me trouxe de volta para a sua casa. — lágrimas escorreram pelo rosto arredondado dela, fazendo seu coração se apertar. — Quando... quando a esposa do meu pai descobriu sobre a traição, sobre mim, e sobre o possível perigo que ele estava correndo, ela perdeu o segundo bebê deles. — Lynna cobriu a boca com a mão direita, em choque. — Ele nasceu morto, e isso pesou tudo... — imediatamente, ela abraçou Mary fortemente.

— Você não precisa continuar. — murmurou contra os cabelos dela. — Eu não deveria ter perguntado...

— Está tudo bem, Lya. Eu confio em você. — ela murmurou de volta. — Além do mais, Roberto contou a todos em alto e bom som, então não é um grande segredo... — ela soluçou, tentando recuperar o fôlego. — Ele matou meu filho por vingança, por causa da mãe dele... é tudo tão confuso para mim... e sabe o que é pior? É que aquele canalha que queria acabar com você é meu irmão.

O ar sumiu de seus pulmões, como se ela tivesse levado um soco.

— Como...?

— Roberto disse que o nome dela era Milla Dubrov. A minha mãe. — Marnie respondeu. — E que ela era uma cientista... ontem à noite, eu fui entregar um papel para ele assinar, e infelizmente dei de cara com o Priekov pai, e por favor, não diga a Steve que eu te disse isso, mas ele foi mantido aqui, por causa do que ele sabe... — seu maxilar travou. — Porém, este não é o ponto. O ponto é que ele me reconheceu como sendo a filha bastarda de sua esposa. Ele disse que eu me parecia com ela, Lya, e pelo que eu li das fichas que James levantou na internet, Milla também possui poderes mutantes...

— Eu sinto muito, querida. — ela afagou seu ombro, beijando sua cabeça.

— Todo esse tempo, eu achava que tudo estava certo na minha vida, mas parece que não! — a pequena se lamentou, soluçando alto.

Lynna segurou seu rosto firmemente.

— Você tem a gente agora. — disse-lhe, fazendo-a sorrir. — E eu posso dizer todo mundo te aceita do jeito que você é, independente da família que você tem. Vamos trabalhar isso juntas se você quiser.

— Você não... não está com raiva de mim? Ou relutante comigo, tipo como se eu pudesse a qualquer momento te apunhalar nas costas por causa da minha família? — a anã arqueou a sobrancelha, afastando-se do seu aperto.

— Por que eu estaria? — Lynna franziu as sobrancelhas. — Marnie, só cego não vê o quanto você está abalada! Desta história toda você foi uma das vítimas! Eu jamais pensaria o contrário! Eu te adotei, lembra? — abraçou-a outra vez, beijando sua cabeça. — Eu vi como você estava ruim. Assim como todos nós, pessoas cruéis te machucaram. Não há como você ter sido corrompida pela ruindade que eles têm.

— James me disse que eu fui salva por um anjo. — Marnie murmurou. — Rosália, a mãe do meu irmão. Ela mudou o meu nome para que Priekov não me encontrasse. Meu nome verdadeiro é realmente Mary Elizabeth. Lembra o que eu disse quando “inventamos” o meu “nome falso”?

Ela assentiu.

— Você disse que queria colocar Mary Elizabeth porque leu em uma carta que seu pai tinha e gostou do nome. — respondeu-lhe.

A ruiva anã assentiu.

— Eu acredito que era uma carta de Milla... — murmurou. — Priekov o matou, e agora eu sei que eu perdi tudo.

— Não. Você não perdeu tudo. — a mais velha segurou seus ombros, olhando no fundo de seus olhos. — Você ainda tem a mulher que te adotou. A sua mãe. Porque mãe é quem cria, e ela te criou, te deu amor. Ela poderia ter te jogado num canto, mas ela decidiu criar você, e nos deu essa pessoa incrível para ser da nossa família. E tem as suas irmãs!

— Que não são de sangue. — ela disse com um sorriso triste.

— Mas são suas irmãs. — disse-lhe convictamente. — E pelo que você nos conta delas, elas te amam, e te amariam independente de tudo. — ela viu dentro dos olhos da pequena o desespero dela. — Você está com medo de reencontrá-las, não é?

— Se você tivesse alguém totalmente inocente sobre o seu passado, você também teria? — a voz dela cortou o seu coração.

— Sim. — respondeu sinceramente, sem ao menos pensar. — Eu teria.

Marnie soluçou, tentando controlar as lágrimas.

— Eu tenho medo de elas me rejeitarem. — disse tristemente, limpando o rosto.

— Bem, você só saberá disso se tentar. — sendo mais velha, era esperado que ela lhe desse conselhos, então Lynna tinha que realmente colocar a alma nisso. Hanna costumava dizer que era boa em dar conselhos. A anã abriu a boca para protestar, mas ela imediatamente a cortou. — Eu estarei com você se precisar. Mas eu não posso permitir que você se torture como está fazendo agora. Tudo no passado, lembra? Para realmente pôr tudo lá, você precisa entrar em acordo com ele.

Mary mordeu a unha do dedão direito.

— Tudo bem, você está certa. — ela bufou. — Eu vou tentar entrar em contato com a minha mãe.

A mais velha sorriu.

— Você vai ver que isso só vai te fazer bem. — disse-lhe, fazendo-a sorrir também.

— Eu acho que sim. — ela voltou a falar, colocando uma mecha de seu cabelo para trás da orelha. — Obrigada, eu acho que estava precisando disso.

— Então quer dizer que você ouve ela, mas não me ouve? Onde está o amor? — Bucky surgiu do nada, fazendo-as pular. Ele encostou-se numa das barras, sorrindo de lado para as duas.

— Você nunca ouviu falar numa palavra chamada PRIVACIDADE? — Lynna disparou, cruzando os braços.

Ele arqueou a sobrancelha.

— Você esta falando de privacidade comigo, quando a senhorita invadiu o nosso “ninho de amor”? — perguntou-lhe, sarcasticamente.

— Não fala “ninho de amor”, é estranho. — Marnie fez uma careta. — E é claro que eu o ouvi, eu só...

— Precisava de uma terapeuta que odeia a própria terapeuta? — ele franziu o cenho, então sorriu, esquivando-se do seu tapa. — Tá bom, tá bom! Às vezes você acerta!

A ruiva mais velha cruzou os braços, fazendo bico.

— Ignorando o enxerido, nós estamos bem? — perguntou à Mary, que sorriu, dando uma tapa na mão que Bucky esticou para ela.

— Sim, nós estamos. — ela respondeu.

— E nós iremos conhecer a sua mãe? — Lynna viu o jeito que os olhos de sua amiga cintilaram, fazendo-a sorrir.

— Sim. — respondeu convicta. — Vocês me convenceram. Eu irei entrar em contato com ela. — os dois pularam para abraçá-la, assustando-a. — Se eu não for morta por um supersoldado desmemoriado e uma deusa doida.

— Eu só não te bato porque estou com preguiça. — a mais velha resmungou.

Eles riram, então Mary se separou dos dois.

— Precisamos ir. — parece que Bucky entendeu o que ela estava querendo dizer, pois ele praticamente arrastou-a para fora do telhado, a coisa mais estranha do mundo.

— O que é que está rolando por aqui? Por que não podemos ficar no telhado? — perguntou-lhes, fazendo o casal franzir o cenho.

— Não é o telhado, ow. — Bucky resmungou, virando o rosto dela para a cena de Hanna quase enfiando a panela de pressão na cabeça de Thor. — Era isso.

Do fundo de sua mente, Lynna buscou por paciência, porque aqueles dois nasceram para testá-la.

— O que está acontecendo por aqui?! — perguntou, cruzando os braços.

Han parou o que estava fazendo, arregalando os olhos, enquanto Sam e Pietro se levantavam de trás do balcão de mármore.

— EU VOU ARRANCAR O COURO DELE! — a pequena gritou, apontando a panela de pressão para o loiro asgardiano, que tinha uma expressão sarcástica na cara.

— Com isso? — desdenhou, cruzando os braços. Essa peste estava literalmente pedindo para morrer, não estava? Porque não era possível que ele estivesse desafiando Hanna em sua plena fúria... — Deveria ter pego a faca, não?

— Boa ideia! — Hanna sorriu de maneira psicopata. — Eu irei pegá-la.

— Não vai pegar faca coisa nenhuma! — a mais velha disse, mas foi Marnie que travou as gavetas com sua “magia” roxa, fazendo-a fechar a cara. — O que está acontecendo por aqui, e porquê Sam e Pietro estão com medo até da própria sombra?

— ELE ESTÁ SENTADO NO MEU BANQUINHO! — a morena gritou, fazendo bico.

— DE NOVO ESTA MERDA DE BANCO?! — Lynna gritou de volta, marchando até o balcão, utilizando toda a sua força (natural e sobrenatural) para arrancar seu primo dali. — Thor Odinson, quantas vezes eu vou ter que desenhar? Não. Senta. Na porra. Do. Banquinho. De. Hanna! — sibilou para ele, que também fez bico.

— Mas não tem o nome dela aqui! — ele reclamou.

Ela bufou, fechando os olhos com força.

— Eu não acredito que eu acabo de acordar e tenho que lidar com duas crianças insuportáveis, e um plus! Elas dividem o meu sangue! — resmungou, tentando controlar sua raiva. Eles não mereciam. — Eu acho bom os dois se comportarem, porque eu voltei e não estou com paciência alguma, ou seja, vou trancá-los dentro da porcaria da sala de cinema até se acertarem!

Ela teve a aprovação de Pietro e Sam, que começaram a balançar as cabeças como lagartixas.

— Tem certeza de que você quer colocá-los na sala de cinema? — Marnie perguntou divertidamente, brincando com uma colher de pau. — Nossos ouvidos não aguentariam...

Lynna estava prestes a perguntar o porquê da expressão dela ser tão brincalhona, quando Loki adentrou a cozinha, como se estivesse no timing perfeito para isso.

— Olá pessoas. — ele saudou, ignorando a confusão no balcão, indo até a geladeira, de onde retirou uma garrafa verde-turquesa.

— Loki, você se importaria se eu matasse o seu irmão? — Hanna perguntou, fazendo com que ela virasse o rosto imediatamente para a sua pessoa.

— Hanna Nuri! — repreendeu-a, mas a pequena nem ligou.

— Não. — o moreno respondeu, bebendo do conteúdo da garrafa. — O trono estaria livre para mim, de qualquer forma... então eu arriscaria dizer que eu me casaria com você se isso acontecesse.

Han fez uma careta.

— Me recuso.

Loki riu, estranhamente desviando seu olhar do de Lynna, que estranhou a sua atitude.

— Erm... Thor, querido irmão... se eu fosse você, o que graças aos deuses eu não sou, eu teria mais amor ao meu segundo martelinho ao entrar numa briga com Hanna. Ou você não pensa na pobre coitada da sua namorada? Ela vai perder toda a diversão... — estranhamente, Bucky fez um barulho característico de quem está tentando duramente segurar o riso, mas a revelação bombástica do moreno de olhos verdes fora o suficiente para pôr a sua estranheza de lado.

— Thor, você tem uma namorada? — o loiro engasgou com a sua pergunta, arregalando os olhos.

— Eu? Não! Eu não! — respondeu gaguejando.

— Tem sim. — Mary colocou lenha na fogueira, também fazendo Hanna arregalar os olhos, segundo a sua visão de canto de olho.

— Você está até vermelhinho! — Lynna apontou para a bochecha do loiro, que rosou bastante, encolhendo-se, desmanchando a postura de “eu sou o fodendo deus do trovão”. Cara, fosse quem fosse essa pessoa misteriosa, ela tinha um grande poder sobre ele...

— Está bem! — Thor resmungou, bufando logo em seguida. — Eu realmente tenho alguém, está satisfeita?

Antes que ela pudesse responder ao primo, Hanna meteu a panela de pressão na cabeça dele. A forca foi tanta, que ela pôde ouvir o eco do pensamento de arrependimento do loiro, figurativamente falando.

— Loiro desgraçado! — a pequena rosnou em sua língua materna, carregando a panela de pressão pelo corredor.

A dupla de medrosos que era Sam e Pietro se abraçou em um formato de escudo, com medo de que ela voltasse para jogar a panela de volta, mas isso não aconteceu.

— Em minha defesa, eu só queria dizer que estou cansado de correr atrás dela, e ela não me dar nenhuma chance! — toda a desconfiança que Lynna tinha sobre os dois foi pela janela quando Thor disse isso. Seu coração se apertou por ele. — Por isso eu resolvi fazer o que Lady Mary me disse: mostrá-la o que perdeu.

Ela se sentiu um pouco para baixo com a fala dele.

— Poxa! Queria eu ter um loiro maravilhoso desses correndo atrás de mim. — brincou, na tentativa de colocá-lo para cima. Sam soltou um “quem me dera” e ganhou um beliscão de Pietro, que fez bico.

— Espero que esteja falando sobre mim, senhorita. — Steve surgiu do nada, segurando um buquê de violetas, fazendo-a rir.

— Não exatamente, mas serve. — disse-lhe dando um beijo demorado na bochecha, fazendo os invejosos (aka Loki, Mary, Bucky, Sam e Pietro) fingirem ânsia de vomito. — São para mim? — apontou para o buquê, fazendo-o mostrar-lhe um sorriso lindo.

— Sim, como adivinhou? — seus amigos reviraram os olhos, mas ela os ignorou. — E então... vamos?

Ela balançou a sobrancelha.

— Vamos. Eu só preciso pegar a cesta. — imediatamente, a ruiva mais velha caminhou para a geladeira, abriu sua caixa organizadora e retirou os elementos de seu piquenique improvisado em sua sala de estar, onde uma lareira (elétrica) aconchegante os esperava.

— Pera aí, você vai embora? — Sam fez bico. — E se Hanna voltar, quem é que vai domar a fera?

— Bucky pode fazer isso. Ele é mais forte do que eu. — Lynna respondeu.

— Mas você é uma fodendo deusa, e ele me odeia! — o Falcão pediu, em pânico.

— Eu sou invisível para você? — Marnie arqueou a sobrancelha.

— Não, mas Hanna te odeia, e vai matar todos nós! — ele entrou em pânico.

— Sam, não viaja. Hanna não odeia a Mary, e o Bucky pode até implicar com você, mas ele sabe, que seja lá o que aquela criaturinha esteja aprontando, ele irá impedi-la, não é mesmo Buck? — Steve falou, arqueando a sobrancelha para o moreno de olhos azuis, que bufou.

— É. — respondeu simplesmente, sentando na porra do banco da discórdia.

— Bom, sendo assim... — sua fala é interrompida pela entrada de Natasha e Wanda na cozinha.

— Nat, Wan, suas lindas e gostosas! Vocês vão ficar conosco, não vão? — Sam disparou, abraçando-as. As meninas arregalaram os olhos para ele, e com razão. — Hanna meteu uma panelada na cabeça de Thor e agora todo mundo tem mais medo dela do que do Hulk, que se possível for, apanharia dela se piscasse errado.

— Eu peguei o bonde andando... — Nat franziu o cenho, separando-se de Sam. — Por que Hanna bateu em Thor?

— Porque ela estava com ciúmes de mim. — o próprio respondeu, fazendo todo mundo olhar para ele, que tinha um olhar convencido no rosto.

— Ignorem ele, o coitado levou uma panelada na cabeça e está maluco de pedra. — Pietro se pronunciou, caminhando até onde Loki saqueava algo suspeito, aquela formiga...

— Bem, podemos dizer que loucura vem de sangue. — Natasha estava prestes a apanhar na cara...

— Vamos Steven, antes que eu enfie uma panelada em alguém. — Lynna disse, estreitando os olhos para a Viúva, que piscou, “inocentemente”. — Se comportem, e cuidado com a Hanna, ela pode vir assombrar vocês à noite.

— STEVE, FAZ ELA PARAR! — Sam gritou, fazendo-a gargalhar sinistramente, afastando-se no corredor.

*

— Eu fiquei muito mal por ele... — ela disse, encostada no assento do sofá, enquanto observava as chamas falsas da lareira crepitarem.

— Thor? — Steve arqueou a sobrancelha, mergulhando um pedaço de pão no requeijão.

Lynna assentiu.

— Ele parecia tão pra baixo com o fato de não ter sido correspondido pela Han, aquela cabeça dura... — olhou para o loiro, que contemplava o horizonte, pensativamente. — Se bem que eu também não posso culpá-la, ela tem seus motivos...

— Você já parou para pensar que isso tudo pode ser fachada? — o olhar em seu rosto lhe intrigou. — Você mesmo disse que a Hanna foi treinada incansavelmente para ser uma espiã como vocês, por mais que ela jamais tenha tido contato com a Sala Vermelha... e Thor, bem, ele pode mentir consideravelmente bem quando ele precisa...

— Eu gosto do seu ponto de vista, desenvolva-o. — ela sentou-se numa posição que demonstrava interesse.

— Bem... — Steve pigarreou. — Desde que eles chegaram que os dois andam bem estranhos, eu pude notar... — ele suspirou, devolvendo o resto do pão para o prato. — Eu achava que depois do que aconteceu, eles iriam ficar bem, sabe? Pelo menos se tornariam amigos, mas parece que tudo piorou... você não acha suspeito?

Ela franziu o cenho.

— Pelo que eu vi, sim, eu acho muito suspeito. — concordou, ajustando sua postura.

— E outra, parece que Mary e Bucky sabem de alguma coisa. Tipo: ninguém mente para ela, e tudo o que ela sabe, ele sabe, por causa da ligação dos dois, o que torna tudo ainda mais estranho. — o loiro disse, embarcando na sua loucura. Uma loucura que fazia bastante sentido. — Temos que ficar de olho nela. Ontem quando você trouxe Hanna para a sala, eles pareciam estar rindo de algo interno... e ela ficou brava.

— E Loki também está no meio, é claro! — Lynna disparou, batendo nos joelhos para provar o seu ponto, lembrando-se das almofadadas que Han havia dado nele. — Eu acho que seria melhor começar por ele... porque ele me parece melhor de manipular...?

Steve encarou-a como se ela estivesse dizendo uma sandice.

— Você realmente deseja manipular o deus da mentira?

— Ok. — ela bufou. — Foi precipitado, mas dos três, ele parece ser o mais disposto a esclarecer as coisas...? Naquela hora, lá na cozinha, ele quis me contar algo, quando começou a brincar sobre o irmão proteger o martelinho dele e tals. Ele admitiu que tinha alguém.

— Que não é a senhorita Foster. — o loiro apontou, fazendo a franzir o cenho, em confusão. — Durante a época em que você estava na Hydra, eu a encontrei na central, ela estava estudando alguma coisa com o doutor Selvig. Os dois se viram e não rolou aquele “fogo”, sabe?

Ela assentiu, colocando uma mecha de seu cabelo para trás da orelha.

— Como você sabe reconhecer esse “fogo”, senhorito? — arqueou a sobrancelha, divertidamente.

Ele riu.

— Bem, ele não olhou para ela da mesma forma que eu acho que olharia para você. — respondeu dando de ombros, fazendo-a rir também. — E, pelo que eu conheço dos nossos amigos estranhos, pareceu que Hanna estava insegura com a presença dela, o que pode não dar em nada, mas é quase uma prova.

— Eu tive uma ideia! — a ruiva pulou no lugar, assustando seu noivo. — E se nós criássemos uma armadilha?!

— Você realmente vai conseguir lidar com a fúria de Hanna se ela descobrir os seus planos? — ele perguntou, enfiando o último pedaço de seu pão na boca.

— Ela não precisa descobrir, gênio. — deu-lhe um sorriso largo. — Vou fazer de um jeito que só eu e você saberemos, à prova de falhas. E com isso, a mentirinha acaba. Topa? — levantou a mão para ele, que apertou-a logo em seguida.

— Topo. — ele sorriu. — Parceira. — ela gargalhou, então soltou um gritinho quando seu corpo foi rapidamente centralizado contra o carpete. — Agora que nós já resolvemos o assunto Hanna... — seu nariz mergulhou no ponto sensível em seu pescoço, fazendo-a estremecer. — Que tal nós começarmos a recuperar o tempo perdido...?

Ela riu, enganchando as pernas nas costas das coxas dele.

— Eu acho uma boa ideia. — murmurou, acariciando suas costas com as mãos cheias.

Os dois iniciaram um beijo lento, que gradativamente foi se tornando mais sufocante, então, antes que se dessem conta, ambos estavam se esfregando como se estivessem no cio.

Ela não saberia dizer quem foi o primeiro a perder as roupas, mas em questão de segundos, havia uma pilha de trapos próximos à lareira.

Suas mãos exploravam os planos duros do peito de seu noivo, como se estivessem reconhecendo o terreno outra vez, depois de tanto tempo. Seus cabelos caíam ao redor do rosto dele, fazendo uma sombra perfeita para que ela pudesse ver seus bonitos olhos escurecendo diante de sua figura, enquanto seus quadris rodeavam sua carne exposta, apenas sentindo sua espessura contra o calor dela.

O loiro tomou um longo suspiro, apertando seu quadril com um pouco mais de força, girando os polegares, causando calafrios em sua pele.

— Pare de me provocar. — ele sussurrou, subindo sua mão pelo corpo dela, parando abaixo da curva de sua mama, traçando a linha irregular de suas cicatrizes.

Ela arqueou a sobrancelha, movimentando-se lentamente, sentindo seu membro endurecido pulsar contra seu botão intumescido.

— Por que eu deveria? — atiçou, inclinando-se para chegar até seu ouvido. — Me de razões, senhor.

Ele gemeu, fechando os olhos.

— Já faz tanto tempo... — sussurrou suplicantemente. — Eu senti sua falta, querida... não me torture! — ela lambe os lábios, inclinando-se para acabar com o problema, sem notar o sorriso maroto que o loiro tinha nos lábios. Um gritinho escapuliu dela quando seu corpo foi facilmente removido de cima da virilha dele. — Nana nina não, senhorita. — seus olhos se reviraram ao sentir a boca quente dele brincar com a parte interna de suas coxas, quase chegando lá. — Vamos acabar com isso do meu jeito.

Ela gritou, cravando os dedos nos cabelos dele ao sentir seus pelos faciais arranharem seu núcleo do melhor jeito. Suas bochechas coraram ao se lembrar que o seu eu bêbado havia desejado que o loiro fizesse exatamente isso com ela.

Seu eu bêbado às vezes era a criatura mais sensata.

— Droga, baby. — resmungou, sentindo o movimento de sua língua acariciando sua Ophelia.

Sentindo apenas a intensidade de seu olhar, Lynna focou no sentimento que crescia na boca de seu estômago, foi quando ela sentiu. Era como se algo tivesse se aberto dentro dela. Sentimentos intrusos adentraram seu corpo, intensificando seu prazer.

Ela veio com um grunhido alto, sentindo-se drenada como se tivesse corrido três quilômetros debaixo do sol quente.

Isso foi muito dramático?

— Anna... por que eu senti como se você estivesse adentrado a minha mente da mesma forma que Mary e Wanda conseguem fazer? — Steve perguntou-lhe ofegantemente, quando ela deslizou para longe de seu rosto.

Ela tentou tomar fôlego, tendo seus sentidos completamente alterados.

— Eu... — ela resfolegou, tragando o ar com dificuldade. — Eu acho que possuo poderes semelhantes aos delas. — ele franziu o cenho, sentando-se encostado no sofá. — Herança de família. — mostrou-lhe a lua crescente em seu pulso direito. — Acho que desbloqueou quando a Pétala foi retirada de mim.

Ele tocou sua marca, fazendo-a estremecer com a sensibilidade.

— Interessante... — ela riu um pouco com o modo como ele avaliava a sua lua.

— Eu ainda não tenho controle nenhum sobre isso, Mary e eu decidimos fazer um exame avaliativo com Bruce. — murmurou, afastando-se de seu toque para traçar o pelo molhado da barba do loiro. — Eu não sabia que tinha esguichado... — riu baixinho. — Pena que um efeito desses acontece só uma vez...

— Bem... — ele arrastou a ponta do nariz pela pele sensível de seu ombro, fazendo-a estremecer. — Isso é discutível... a não ser que a senhorita esteja duvidando da minha capacidade. — ele mordeu a junção de seu pescoço para provar o seu ponto, arrancando dela um gemido arrastado.

Sem mais palavras, os dois se enroscaram no carpete.

Mordidas, arranhões, beijos molhados... a atmosfera da sala esquentou mais do que o necessário, mas eles não estavam ligando, apenas curtindo os momentos que lhes foram roubados.

Quando os dois finalmente se conectaram foi algo estranho, mas um estranho bom. Parecia que ela havia se tornado bem mais sensível a tudo. Cada toque, cada suspiro, cada investida que os dois faziam, era como se eles pudessem tocar a sua alma.

Era extremamente estranho, mas ao mesmo tempo tão bom.

— Eu preciso urgentemente investigar isso. — ela balbuciou quando suas respirações se acalmaram. — É tão fácil sair do controle, que é difícil de explicar.

O loiro resmungou em concordância, retirando os cabelos que estavam grudados em suas costas.

— Então quer dizer que a partir de agora eu também não vou poder esconder nada de você? — ele brincou, esquivando-se de um tapa que ela estava prestes a dar nele. — Eu estou brincando! — eles riram, então ela finalmente abriu os olhos, para encarar sua bonita expressão de divertimento. — Eu estou feliz que você esteja bem, e que agora esteja se redescobrindo. — ela sorriu, esfregando a cabeça no peito dele como um gato, porque ela estava com preguiça de responder, mas ele entendia o seu gesto. — É bom finalmente conhecê-la por inteiro.

Seus olhos lacrimejaram, fazendo-a beijá-lo na bochecha, carinhosamente.

— E você acha que vai gostar da versão inteira de mim? — mordeu o lábio, insegura.

Ele sorriu, acariciando seu rosto com o nó dos dedos.

— Querida, eu sempre irei amá-la, não importa quantas versões você tenha. Irei amar todas elas. — murmurou, olhando para ela com os olhos brilhantes.

Foi estranho, mas mesmo que bem sutilmente, ela pôde sentir um puxão dentro de si, como se afirmasse o que o loiro havia acabado de dizer.

— Vamos fugir? — ela começou, arrastando o dedo por sua pele. — A gente lida com o fogo depois...

Ele riu, ajustando-a contra seu corpo.

— É uma boa ideia, mas...

— Mas... — ela arqueou a sobrancelha.

— Eu adoraria vê-la no vestido que você escolheu. — sua voz fez seus pelos se arrepiarem. — Adoraria poder dançar com você a nossa primeira valsa, levá-la para uma viagem à praia, poder ser apenas um anônimo ao seu lado...

Seu lábio tremeu.

— Cacete, como eu fui arranjar um cara tão bom em discursos? — brincou, fazendo-o rir. Do nada, ele ficou sério, colocou-os de lado e a fez ficar do seu tamanho. — O que foi, amor?

— Me perdoe. — ele sussurrou, fazendo seu coração se acelerar. — Eu não estava lá para impedir que algo de ruim lhe acontecesse. Eu prometi que machucaria a mim mesmo antes de permitir que alguém pudesse te ferir, e aconteceu totalmente o oposto.

Ela segurou seu rosto firmemente com as duas mãos.

— Pare. — devolveu, acariciando sua pele com os polegares. — Não diga isso! Você lutou muito, ok? Mas lutar contra algo dentro de mim era impossível até para a minha pessoa. Ela fez eu me sentir fraca, e isso foi o que mais pesou. — aproximou seu rosto do dele. — Mesmo quando não havia nada o que você pudesse fazer, você me ajudou. Às vezes de maneira indireta, mas me ajudou tanto. — seus lábios estavam próximos agora, ela podia sentir suas respirações se misturando. — Você esteve lá quando eu mais precisei, porque um sempre corre para o outro. Por favor, não se culpe. Realmente não havia nada a ser feito. Eles iriam atacar, e de alguma forma, eu sabia disso.

Ele roçou seus lábios.

— Você tentou me avisar e eu a ignorei. — Deus, por que tão teimoso?!

— Stevie, não havia nada que você pudesse fazer. Nem mesmo eu, que às vezes tenho vislumbres de um possível futuro, sabia que eles iriam atacar com as minhas palavras! Eu sequer sabia que tinha palavras de comando, até que eles as recitaram! — disse num só fôlego. — Não se torture desse jeito. Vamos colocar um ponto final nisso, sim? Tudo acabou bem, e agora temos que seguir em frente! Estamos prestes a começar uma vida nova juntos, nós precisamos deixar tudo de ruim no passado, ok?

— Okay. — ele murmurou, roçando seu nariz no dela. — Ma violette. Vamos deixar tudo no passado.

Finalmente seus lábios se encostaram outra vez, fazendo-a puxá-lo para si.

Eles estavam drenados demais para levar isto a outro nível, então apenas ficaram ali, brincando levemente um com outro até que a tempestade fora de época os embalasse ao sono.

*

Ela passou o começo do dia enfurnada com as meninas, enquanto os meninos estavam ajudando o pessoal que Tony contratou para montar a decoração da cerimônia, uma vez que eles estavam correndo contra o tempo.

Parecia que ela tinha “acordado” há meses, e não há mais ou menos quatro dias atrás. Seu cérebro já tinha se situado bastante, ainda mais agora que ela havia acabado de sair de uma longa reunião com Fury e Maria.

Ela respondeu incansavelmente as perguntas deles, tentando, da melhor forma possível, preencher as lacunas deixadas em suas memórias, pois segundo Bruce, seu cérebro podia parecer saudável, mas ele fora bastante danificado. Alguns danos jamais poderiam ser revertidos.

Lynna vai ter que lidar com isso. Mas que importava era que ela não havia se esquecido completamente das pessoas ao seu redor. O resto poderia esperar.

E por falar no cientista tímido, ele retirou duas amostras de seu sangue para confirmar a suspeita de Mary. Era suposto que ela pudesse pegar o resultado na próxima semana, então a anã poderia conversar com Wanda para elas duas iniciarem sua rotina de treinamento com o seu provável novo dom.

No fim da tarde, ela se arrastou de volta à sala de estar, onde se jogou no colo de Hanna no sofá, que assistia entretidamente a porcaria da série favorita da ruiva anã. O episódio que passava na tela era bem intrigante, ainda mais quando ela o achava familiar demais.

— Eu sinto que já assisti essa porcaria antes. — resmungou, arrumando-se no colo da coreana, que começou a mexer em seu cabelo.

— Nunca! — Mary rebateu com a boca cheia de M&Ms.

Lynna estreitou os olhos.

— Mary Elizabeth, eu posso não ter a mente mais lúcida do mundo, mas eu ainda me lembro de certos fatos do tempo em que eu estava desmemoriada! — resmungou. — Eu me lembro de ter assistido essa porcaria antes.

A pequena ruiva fez bico.

— Você gostou! — cruzou os braços.

— Bem, eu não estava no meu juízo perfeito! — a mais velha se defendeu. — Caso não saiba, eu bati com a cabeça na parede. — ela ia dizer mais alguma coisa, contudo, a imagem de um Bucky coberto de neve a fez franzir o cenho. Ele caminhou pela sala, sem ter a iniciativa de se sacudir, então, a criatura deitou-se em cima dela, com a cabeça em cima de seu peito. — Ei, mocinho! Você não pode fazer isso, vai esmagar os meus pobres irmãos gêmeos siameses!

Ele grunhiu algo ininteligível, antes de virar a cara para ela.

— Pelo menos são almofadas naturais. — o filho de uma mãe argumentou, voltando a descansar sua cabeça em seu corpo.

— Vocês dois já pararam para pensar que eu sou só uma garota magricela, sem a imortalidade de uma deidade e sem a força de um supersoldado? — Hanna protestou, tentando sair de debaixo dela. — Bucky! O garoto deve ficar por baixo! Não funciona assim! — o moreno bufou, mas levantou-se e deitou-se contra o sofá espaçoso, fazendo com que elas corressem para se aninhar a ele, como nos velhos tempos. — Ei! Por que eu fiquei com o braço de metal?

— Porque eu nasci primeiro e sou mais bonita. — Lynna respondeu, apertando Bucky como se ele fosse um ursinho de pelúcia.

— Mentira! Eu sou a mais bonita! — Han brigou, também apertando o moreno para si.

— Vocês duas poderiam parar de fazer guerrinha com o meu corpo?! — ele resmungou, abraçando as duas.

— Mas foi ela quem começou! — Hanna apontou para si.

— Mentira, foi você que começou! — a mais velha resmungou, apontando com o queixo para a pequena.

— Fiquem quietas! As duas! Ou eu vou me levantar e largá-las sozinhas! — Bucky resmungou, fechando os olhos. Ela e Han permaneceram quietas por alguns minutos, até começarem a disputar pelo edredom que Mary havia enrolado nos três. — Vão parar ou eu vou ter que me estressar?!

— Se você sair eu enfio um soco no seu saco. — Hanna resmungou, enfiando o nariz na axila do moreno. — Puta que pariu, Buckie você está cheirando igual a bunda do Loki.

— EI, EU OUVI ISSO! — seu primo protestou, sabe-se Deus de onde.

— FODA-SE! — a pequena gritou de volta, escondendo o rosto no peito de Bucky.

— Hanna, meu anjo, eu estou tentando tirar uma soneca, você poderia, por favor, calar a boquinha? — o moreno de olhos azuis perguntou, estreitando os olhos para ela.

— É Hanna, o velho precisa tirar uma sonequinha, senão ele não fica saudável. — seus olhos se voltaram para a mais velha, que apenas sorriu para ele e enfiou a cabeça em seu peito, sem vontade de dormir, mas querendo se aconchegar. — Dá para ir mais para o canto? Eu estou caindo do sofá...

Revirando os olhos, Bucky empurrou-se mais para o canto, então acionou o modo sofá-cama, deixando-os confortáveis.

— Lya... — Hanna lhe cutucou depois de um tempo de silêncio. — Você acha que eu ficaria bonita de silicone?

Lynna franziu o cenho, encarando a pequena.

— Han, você não precisa de silicone, seus peitos são bonitos. — respondeu-lhe, voltando a sua posição inicial.

— Mas é que eu queria peitos grandes, sabe, para poder balançar, e tals... — ela argumentou.

— Bem, peitos grandes só dão dor de cabeça. — a mais velha resmungou. — E nas costas.

— Você sabia que Bucky tem peitos grandes que dá para colocar num sutiã? — a pequena perguntou travessamente, fazendo-a rir. — Ele tem as tetas vesgas.

Elas gargalharam.

— Steve também tem tetas vesgas. — Lynna observou, apoiando o queixo no peito de Buck.

— Os mamilos de Tony são super separados, quase nos sovacos. — Han apontou, rindo baixinho.

— Isso é uma calúnia! — ela ouviu o Homem de Ferro gritar da cozinha. — Eu vou processar vocês duas por isso.

— Mas é a verdade! — a mais velha se defendeu. — Você já se olhou no espelho? Seus mamilos são quase no sovaco!

— Pelo menos eles são lindos! — ele rebateu.

— Eu não disse que eles eram feios! — Han resmungou. — Ah, Bruce e Mary não tem tetas vesgas, mas Wanda e Pietro têm. Sam tem os mamilos caídos, e os mamilos de Nat são rosa.

— Eu juro que não precisava saber dessa informação! — Sam gritou, entrando na cozinha.

— Ei, desde quando você me viu pelada, seu cotoco? — Natasha perguntou, jogando-se ao lado de Mary.

— Eu te espiei tomar banho pelo buraco que tem no chão do terceiro andar, que dá para a academia. Tem um buraco para o vestiário feminino, e um para o vestiário masculino. Na primeira vez que eu passei ali, eu vi Loki nu, e foi a pior visão que eu tive na vida. — Hanna confessou.

— Cala a boca, peste! — Tony gritou com os olhos arregalados.

— Espera aí, senhor Stark. Quer dizer que o senhor tem nos espionado no banho? — Nat perguntou, provavelmente olhando semicerradamente para ele, mas Lynna não podia ver porque ela estava com muita preguiça de se virar.

— Eu não. Eu juro! — ele declarou. — É só que eu sabia da anomalia, mas ainda não tive tempo de consertar e esperava que ninguém descobrisse.

— Tarde de mais. — Hanna falou. — Continuando... quem falta?

— Thor? — Lynna franziu o cenho, rindo ao ver a cara da pequena se fechar. — Os mamilos dele são os únicos que são centralizados. — ela ajustou sua postura antes de continuar. — Não, espera, eles são vesgos mesmo... — as duas riram como idiotas. — Quem mais...? Ah! Fury também tem os mamilos vesgos.

— Desde quando você viu o Fury sem camisa? — Han olhou espantada para ela.

— Eu nunca vi, mas uma vez ele apareceu numa reunião com uma camisa apertada, aí deu para ver... — ela respondeu.

— Vocês ainda estão falando?! — Bucky resmungou, abrindo os olhos. — Parem de falar sobre peitos!

— Mas é a minha parte favorita do corpo! — a mais velha protestou.

— Eu pensei que fosse a bunda. — Nat alfinetou.

— Na verdade, a bunda nada mais é do que um par de peitos sem mamilos. — respondeu-a.

— Já chega! A próxima que der um “pio” será jogada para fora do sofá! — o moreno de olhos azuis rosnou, fazendo-as arregalar os olhos por causa do tom de voz dele.

Hanna olhou para Lynna, que tinha o lábio inferior preso entre os dentes, segurando-se para não rir.

— Piu. — as duas disseram em uníssono, arrancando um grunhido dele.

— Suas crianças insuportáveis! — ele resmungou, levantando-se. — Como é que vocês duas não conseguem calar a matraca?

Elas sorriram angelicalmente, deitando-se lado a lado na almofada.

— Peito é um negócio que rende muito assunto. — Hanna respondeu.

— Vocês têm um parafuso a menos. — ele grunhiu, sentando-se do outro lado do sofá, colocando uma almofada em sua cara.

— Olá meninas! — Wanda adentrou a sala ao lado de Visão, que carregava um carrinho. — Vocês já esqueceram que nós precisamos começar a testar os estilos de maquiagem para o casamento?!

Seus olhos brilharam, então ela olhou para seu irmão chato.

— Buckie... você deixa eu te maquiar? — perguntou-lhe.

— Não. — o safado respondeu.

— Por favorzinho! — ela pediu, usando uma de suas vinhas para retirar a almofada de sua cara, fazendo com que ele olhasse para sua expressão de cachorro que caiu do caminhão de mudança. — Por favorzinho, Buckie...

— Não. — ele resmungou. — Você tem o seu noivo. Arruíne a cara dele.

Ela fez bico, intensificando sua expressão tida como fofinha.

— Mas eu queria maquiar você... — piscou repetidamente, batendo as pontas dos dedos indicadores. — Deixa, vai?

— Não. — ele fechou os olhos, cruzando os braços na frente do rosto.

— Eu não vou desistir tão fácil! — ela rosnou, levantando-se para ir até o carrinho que Visão trazia consigo, começando a catar bases na cor de defunto de Barnes.

— Eu vou procurar Stivinho, já que você vai roubar a minha modelo. — Mary pulou do sofá.

— Sam e Pietro serão as minhas modelos. — Wanda declarou.

— Eu vou maquiar Tony! — Hanna disse, correndo até o carrinho.

— Bem, só me restou Thor e Loki. — Nat deu de ombros.

— Você não irá macular a minha face, Viúva Negra. — seu primo moreno respondeu, fazendo sua amiga revirar os olhos.

— Corta o drama, princesa. Não vai doer nada, eu prometo. — ela disse, piscando. — Thor, querido, sente-se naquele banco rosa...

— Se ele sentar lá, vai ser a última vez que esse indivíduo tem bunda! — Hanna rosnou, carregando uma pilha de maquiagens para o balcão. — Toma, eu e você vamos dividir. — disse para Nat, que saltitou até seu primo, que encarava tudo de maneira desconfiada. — Você quer trocar? — ela perguntou de última hora.

— Quero. — Nat sorriu, catando algo de cima do balcão.

— PELO AMOR DE JEOVÁ, NÃO! — Loki gritou.

— Tarde de mais! — Hanna sorriu sadicamente, puxando os cabelos do pobre loiro asgardiano para que ele colocasse a cabeça para trás, então ela começou a passar hidratante facial na cara dele.

Dando de ombros, Lynna levantou-se com uma nécessaire na mão, caminhando até o sofá, ao mesmo tempo em que Mary e Steve apareciam na sala.

— James Barnes! Pare de criancice e tire esses braços da frente do seu rosto! — a pequena disse, fazendo Steve sentar-se numa cadeira da mesa. Ele olhou indignadamente para ela, que arqueou a sobrancelha.

Bufando dramaticamente, Bucky sentou-se à sua frente, de má vontade.

Os próximos minutos foram uma confusão tremenda, com protestos incansáveis de Bucky e Loki, que pareciam ter sido separados no nascimento. Ela nunca tinha visto aquelas criaturas reclamarem tanto.

Uma hora e meia depois, todos estavam prontos.

— Por que vocês não testaram isso em seus respectivos rostos? — Tony rangeu os dentes, voltado para a pia. Nat estava fazendo um puta suspense com o look dele.

— Porque é mais divertido usar vocês, que são muitos. — Hanna respondeu. — Pronto. Apresento a vocês as minhas princesas.

Thor e Loki viraram, e ao contrário que ela imaginava, eles realmente usavam algo fofo.

— Cara, eu jurava que Hanna iria riscar algo na cara dos dois, mas não. — Wanda ficou boquiaberta.

— Por que eu iria arruinar a preciosíssima maquiagem com essas duas pestes? Jamais! — Han se defendeu, então pigarreou. — Look 1: neutro e suave. — ela apontou para o rosto do mais velho, que tinha seu olho azul acentuado com uma sombra brilhosa. A pequena fez a maquiagem dele no mesmo estilo que costumava fazer a dela, replicando também o delineador apontando para baixo. — Look 2: neutro gala. — agora ela apontou para o moreno, que tinha uma cara amarrada. — Loki, eu juro por Deus, se você continuar com essa cara de cu eu vou te bater. — ele revirou os olhos e abriu um sorriso forçado, mostrando uma versão mais glamorosa da maquiagem feita em seu irmão.

— As duas estão tão lindas! — Lynna comentou, avaliando-as de perto. — Eu gosto mais desta aqui. — apontou para o loiro, que piscou repetidamente, fazendo graça. — Mas como a cerimônia vai acontecer de tardezinha, quase noite, eu tenho que escolher algo mais aceso, não é mesmo?

Han deu de ombros.

— O que você escolher vai ficar lindo. — disse-lhe sorrindo.

Ela sorriu também, então passou para Wanda.

— Bem, a minha proposta é mais inspirada nos gurus de beleza. — Sam e Pietro fazendo-a arregalar os olhos para a expressão nojenta que o Falcão tinha. Ele estava M A R A V I L H O S O com o batom vermelho. — Pena que eu não tinha uma base que se igualasse no tom de pele de Sam, ele ficou muito diva.

— Cara, minhas pernas estão tremendo só de ver essa preciosidade de batom vermelho. — Mary disparou, fazendo-as rir.

— Sam, meu filho, você nos fez questionar nossas opções sexuais. — Nat pôs lenha na fogueira.

— Parem! — seu amigo debochou, escondendo o rosto com um leque que ele retirou do éter. — Vocês vão me fazer corar, e eu sou uma moça comprometida.

Os olhos dele foram cobertos com um pigmento brilhoso, complementando seu olhar com longos cílios falsos.

— Por que estranhamente eu quero te ver usando isso? — Hanna perguntou do seu lado, avaliando o trabalho que Wanda havia feito com o irmão e o cunhado.

Voltando-se para Pietro, ele desfilava uma maquiagem digna das gurus de beleza, com direito a iluminador cegante e tudo.

Ela ainda estava em dúvida, mas havia ficado balançada pelo look dele.

— Não sei... — voltou-se para Bucky, que tinha uma cara de desgosto, por causa das camadas “pegajosas” em sua face. Ele era um ingrato, porque ela havia arrasado no trabalho com a pele dele.

— Ai gente, alguém já disse que Bucky daria uma menina maravilhosa? — Han saltitou até ele, que enviou um olhar de Soldado Invernal para ela. — Por que essa cara, princesa?

Ele disse algo em japonês para ela, que apenas revirou os olhos e limpou um resquício pálido de base da barba dele, resmungando algo que ela entendeu como “dramático”.

— Eu gostei da sua proposta. — Nat se aproximou da cara do mal-humorado, abandonando Tony com a cara para a geladeira. — Achei o batom vermelho bem ousado.

— Ah, eu não estava pensando em usar batom vermelho, foi que me bateu a inspiração, sabe? James parece uma mocinha dos anos quarenta. — Lynna respondeu, beliscando a bochecha do moreno de olhos azuis, que parecia estar renegando suas escolhas de vida.

— Awn! — Marnie contornou a cadeira onde Steve estava sentado e aproximou-se de seu irmão. — Agora eu já posso levantar a bandeira com orgulho?

— Isso pinica. — ele fez bico. — Tem três quilos de pó debaixo dos meus olhos. Eu quero espirrar!

Lynna revirou os olhos, bufando.

— Mas que bebê chorão! — resmungou. — Eu prometo que vou tirar, seu mala.

— Agora... — a mais nova das garotas saltitou de volta ao seu lugar. — Contemplem a minha mais primorosa obra de arte. — ela arrumou uma peruca loira na cabeça do seu noivo, então o fez virar-se, arrancando um suspiro de si.

— Eu quero essa. — disse avaliando a maquiagem dele, que acentuava seus belos olhos. Parece até que ela estava se apaixonando de novo por aquela criatura.

— AH, se era para ser assim... NATASHA ROMANOFF QUE DESGRAÇA VOCÊ FEZ COM A MINHA CARA?! — Tony berrou, virando-se para o resto do time. Ela jurou que tentou não rir, mas a merda que Nat havia feito de propósito nele foi impagável.

— Misericórdia! Abriram-se as portas do inferno! — depois que Hanna disse isso ninguém mais segurou o riso.

A criatura tinha um tom muito berrante de azul nos olhos, seu blush parecia duas chineladas e ele tinha batom vermelho borrado em sua boca. Natasha foi muito cruel com o pobre coitado.

— Desculpinha. — ela respondeu, “inocentemente”. — Foi inevitável.

Ele bufou, cruzando os braços.

— Eu não acredito nisso! — resmungou, fazendo bico.

Nesse instante, Pepper apareceu na cozinha, quase derrubando seu tablet no chão ao se deparar com os meninos maquiados.

— Como isso aqui se tornou um episódio de Rupaul e ninguém me chamou? — ela arqueou a sobrancelha, se engasgando ao olhar para o noivo. — Tony, o que aconteceu com você?!

— A Viúva Negra. — ele disse com uma voz amargurada. — Ela é muito cruel.

Nat sorriu angelicalmente.

— Olá pessoas... — o pequeno Peter Parker adentrou o cômodo, arregalando os olhos para os meninos. — Está tudo bem por aqui?

— Cara, ficou faltando o Pete. — Mary fez bicou, descansando os antebraços na cabeça de Bucky. — Por que você não chegou aqui mais cedo, querido?

Ele franziu o cenho.

— Graças a Deus eu tinha trabalho extra para fazer. — ela mostrou a língua para ele.

— Bem, você não perdeu nada. — Lynna sorriu, fazendo-o sorrir também. — Estávamos testando alguns estilos de maquiagem para o meu casamento.

Ele assentiu.

— Hanna me contou. — disse-lhe. — Fico feliz que a senhorita tenha recuperado a memória.

— Senhorita? — ela arqueou a sobrancelha, puxando-o para um abraço. — Você se machucou? Ela machucou você?

Ele negou, sorrindo.

— Eu estou bem. — disse-lhe com segurança. — Quem me machucou foi ela. — apontou para Hanna, que revirou os olhos. — Ela distribuiu convites para todo mundo e rasgou o meu.

— Hanna! — a mais velha a repreendeu.

— Eu não gosto de aranhas! — a pequena chiou, mas sorriu. — E eu não rasguei o seu, bebê chorão. Foi um convite que Mary errou a letra, mas foi engraçado ver o seu rostinho triste.

— Não liga para ela, essa criatura adora torturar pessoas. — Marnie disse. — Então... Pete, o que você acha dos nossos meninos?

O moreno encarou todo mundo, arregalando os olhos para Tony.

— Não sei como opinar. — deu de ombros. — Na verdade, eu precisava resolver alguns assuntos com o senhor Stark.

— O senhor Stark não está, deixe seu recado e pare de olhar para a minha cara! — dramático como sempre, seu amigo cobriu o rosto. — Onde está a droga do demaquilante?

Nat sorriu lascivamente.

— Acabou. — disse-lhe.

— Natasha, para de ser cruel com a pobre alma. — Lynna saiu em sua defesa, cutucando sua maleta para pegar o pacote de lenços. — Toma. — estendeu-lhe a mão. — Não usa tudo, porque só tem esse.

Ele revirou os olhos e começou a retirar as camadas de maquiagem do rosto.

— Nunca mais eu confio em nenhuma de vocês. — apontou para elas. — Vamos Peter, não deixe essas garotas corrompê-lo como elas fizeram com esses pobres coitados.

Os dois já iam saindo, quando Lynna lembrou.

— Hey, Tones, eu preciso da chave da sala de segurança. Há algo que eu queria estudar nas câmeras. — Hanna acabou de arregalar os olhos?

Ele voltou-se, arrancando a chave do bolso.

— Cuidado. — advertiu-a, jogando o molho.

E com isso eles saíram.

— Bem... — Pepper pigarreou, rindo da cara do moreno. — Eu só vim pegá-lo, mas voltarei aqui mais tarde para resolvermos aquele assunto. — as meninas sorriram em cumplicidade, fazendo a mais velha revirar os olhos. — Acabei de falar com Mia, ela não tem nada de bom a mostrar.

Han fez uma careta maliciosa.

— Nem eu, querida, nem eu. — sorriu amplamente. — Então, agora que já decidimos a maquiagem, e já traumatizamos o pobre Tony, que tal comermos alguma coisa?

— Eu posso tirar isso aqui? — Bucky levantou-se desesperadamente, quase derrubando Mary, que foi amparada por Steve. — Desculpa amor. — ele deu um beijinho em seu cabelo.

— Eu não desculpava. — Han colocou lenha na fogueira, limpando a pele de Loki. — Pronto, não me enche mais o saco.

Ele ia saindo da sala, quando se lembrou de algo, aparentemente. Voltou-se para si com um sorriso.

— Lyanna, querida. Acho que me esqueci de lhe falar. — disse-lhe. — Depois de amanhã estamos indo à Nova Asgard, e eu queria levá-la para conhecer o nosso lugar. Não é exatamente como a antiga, mas é o seu lugar de origem. E eu tenho um presente para você. — ela sorriu. — Você pode levar a Barbie Patriota se quiser.

Steve bufou, apoiando o queixo em seu na cabeça dela.

Uma ideia louca se apossou de seu corpo.

— Hanna. — a pequena levantou a cabeça do trabalho de remoção da maquiagem de seu primo, como se ela tivesse cometido um ato criminoso. — Você quer ir com a gente?

Ela arregalou os olhos, tremendo milimetricamente.

— Ei, você tem direito a apenas um acompanhante! — Thor protestou. — Ela não vai!

— Olha que eu vou enfiar esse pano no seu olho e acabo de te cegar! — a pequena rosnou, apontando o lenço umedecido como se fosse uma arma. — Eu não iria aceitar, mas agora eu vou, só para implicar.

O loiro revirou os olhos, retirando sozinho o batom.

— Ser irritante. — ela sorriu amplamente e jogou os lenços sujos na cara dele.

— Bem... já que só podemos trazer um acompanhante, Hanna será a minha. — Lynna quase gritou com a piscadela sutil que seu primo havia lhe dado. Se ela pudesse beijá-lo, ela o faria, porque agora ele havia acabado de “confirmar” as suas suspeitas, ela só precisava ter a prova final.

— Loki, de que lado você está?! — Thor perguntou, indignado.

— Do meu. — o outro saiu andando.

— Ok... quem quer guacamole? — Wanda perguntou, abrindo a geladeira.

— Eu! — Mary praticamente gritou, abandonando Bucky para retirar a maquiagem dele sozinho. — Faz semanas que eu estava sonhando com isso! Sem pimenta, por favor.

— Mas o negócio só presta com pimenta! — Sam protestou, ajudando a castanha a cortar os condimentos.

— Mas eu sou alérgica. — a baixinha argumentou.

— Então não come! — ele disse, com a mesma cara nojenta de antes.

— Mas eu quero comer! — ela rebateu.

— Então eu vou socar pimenta! — Sam provocou, esquivando-se do jato d’água.

— Vocês querem parar de brigar? — Lynna arqueou a sobrancelha, recolhendo o lixo da bancada, para que Wanda tivesse mais espaço para cozinhar. — Ou eu vou ter que amarrar os dois como eu planejo fazer com Hanna e Thor?

— Você tem certeza de que quer amarrar os dois? Tipo, fogo e eletricidade não devem ser algo legal de misturar junto. — o Falcão perguntou, picotando algumas cebolas.

— Não se preocupe, eu ainda tenho aquelas pulseiras que repelem poderes, então eu posso fazer tudo o que eu quiser. — sorriu angelicalmente. — Mas é sério Sam, a criatura já é vermelha, ela vai ficar ainda mais se comer pimenta. Foi um defeito de fábrica.

— Eu vou ser obrigada a te bater, Lyanna, você não vai gostar. — Marnie resmungou.

— Mas gente, eu acabei de te defender! — disse-lhe, horrorizada.

— Bem, você faz carinho e dá um tapa. — Pietro observou, correndo para sentar-se ao seu lado, consequentemente sentando-se no banco de Hanna.

A dita cuja apenas contornou o balcão e sentou-se ao lado de Mary, sendo seguida por Steve, que ficou no banco azul do seu lado esquerdo e Bucky ficou na cabeceira.

— Ignorando o que você disse, mocinho... Hanna, Pietro está sentado no seu banquinho. Você não vai brigar com ele ou a sua birra é seletiva? — Lynna arqueou a sobrancelha, vendo o sorriso vitorioso que Mary deu para a sua tigela vazia.

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— Sim, é seletiva. — a pequena respondeu, comendo uma tortilha seca. — Eu não vou com a cara dele e nunca escondi isso. — deu de ombros. — Mas se você quer que eu arranque Piet do banco, eu arranco.

— Não. Eu estou confortável aqui. — o platinado disse, estendendo a tigela para sua irmã, que revirou os olhos, mas colocou a primeira porção para ele.

E esse foi o seu jantar.

Eles ainda brincaram um pouco e infernizaram o juízo de Hanna, que estava impaciente com alguma coisa.

No fim do dia, Lynna já tinha o plano perfeito para desmascarar a mentira dela.

*

Dois dias depois...

— Já está na hora? — ela resmungou, esticando-se na cama, ainda com os olhos fechados, aproveitando a preguicinha da manhã para se esticar, apertando o loiro em seus braços.

Ele riu.

— Sim, já está na hora. — respondeu-lhe, afagando seus cabelos.

— Eu estou com tanto sono... — ela se espreguiçou, correndo a mão pelo rosto do mais alto, franzindo o cenho por não encontrar nada ali. Abriu os olhos, vendo Steve sorrir para ela com o rosto liso. — Sai da minha cama.

— O quê? — ele franziu o cenho.

— Você se livrou dela! — resmungou, cruzando os braços. — Por que você cometeu uma atrocidade dessas?! Eu pensei que eu tivesse quebrado todas as suas giletes!

Ele riu.

— Eu comprei outra. — balançou a sobrancelha. — Eu sei que você preferia a barba, mas algo me diz que eu não deveria parecer um nômade em nossas fotos.

Ela fez uma careta.

— Mas ainda faltam alguns dias... — fez bico, ampliando a risada dele.

— Juro que não sei explicar, apenas me veio essa intuição. — ele franziu o cenho.

— Fica esperto, mocinho o negócio de intuição do futuro é meu. — eles riram. — Pode parecer estranho, mas algo me diz que você vai precisar do disfarce nômade no futuro. — sentou-se. — Vou criar coragem para tomar banho.

E com isso, pulou da cama, deixando o loiro extremamente confuso para trás.

Meia hora depois, ela estava pronta e arrastava sua mala pequena até a porta, encontrando Hanna com um moletom três vezes maior do que ela, arrastando uma caixa cheia de guloseimas.

— Você sabe que nós só iremos passar dois dias lá, certo? — Steve franziu o cenho para ela, que parou no meio do caminho.

— Eu estou em fase de crescimento. — ela deu de ombros.

— Han, quem era o defunto? — Lynna apontou o queixo para o moletom.

Ela franziu o cenho, então sorriu.

— Eu peguei na pilha de roupa limpa da lavanderia, seja de quem for, é meu agora. — respondeu-lhe. — Vamos? A princesa loira está com um cotoco. Parece que ele quer esquentar os lençóis dele logo.

A criatura passou na frente, dando tempo dos dois se entreolharem. Ambos deram de ombros e o loiro capturou a mala de sua mão, carregando também a caixa de Han, que enlaçou seu braço e as duas caminharam até a pista, onde a dupla dinâmica os esperava em frente ao quinjet de número 4.

— Ei, esse moletom é meu! — tava demorando para a briga começar!

— É meu! — Hanna se defendeu, erguendo o queixo. Estranhamente, a pequena se agarrava, a uma garrafinha de metal. — Eu achei, serviu, roubei. Ninguém mandou deixar dando sopa.

Ele abriu a boca para argumentar, mas a mais velha levantou a mão.

— Eu arranjo outro para você, mas por favorzinho, não discutam! — abriu um sorriso pedinte, fazendo-o revirar o olho.

— Ok. — resmungou. — Mas se ela começar a provocar...

— Você vai ficar quietinho, porque me ama e não quer levar um cascudo meu, não é? — brincou com o cordão do capuz dele.

— Vocês a mimam demais, esse é o problema. — ele resmungou, arrastando-se para dentro ao seu lado.

Sem mais nada a dizer, os dois adentraram a aeronave, que se fechou, logo levantando voo.

— Não sei se confio em Loki nos conduzindo. — Steve sussurrou contra seus cabelos, discretamente espiando-o. — Ele me odeia.

— Ele não te odeia. — ela sussurrou de volta, brincando com o cordão do capuz dele, enrolando-o em seu dedo. — Ele só está tomando seu tempo para vir ao redor. Ninguém está muito seguro sobre os eventos do passado, e ele parece verdadeiramente arrependido, eu posso ver isso. Tudo é uma questão de espera agora, se vocês estiverem dispostos a isso.

Ele assentiu.

— Tudo bem. — foi sua única resposta. — Hey, Han? — a pequena levantou os olhos do Starkpad que ela usava, apenas para franzir o cenho. — Você se importaria se eu roubasse um desses cookies?

Ela negou.

— Desde que não divida com certas pessoas... — deu de ombros.

— Hanna... — Lynna repreendeu. — Pare de birra, ou eu mesma te jogarei para fora. E o senhor não fique de risadinha, senão vão os dois!

— Pelo menos eu consigo voar. — Thor deu de ombros, virando a cabeça para provocar.

— Não vai conseguir voar se eu prender isso no seu braço. — mostrou-lhe a pulseira prateada. — Agora, fiquem quietinhos, ou amanhã estaremos enterrando dois corpos.

Assim, a viagem se seguiu quase calma.

O que lhe assustou foi a chuva que eles pegaram. A aeronave deu algumas balançadas violentas, fazendo com que Hanna se abraçasse a ela durante o resto do caminho, que graças aos céus ocorreu tudo bem.

A mesma mulher que veio com os meninos na nave espacial esquisita se aproximou com guarda-chuvas presos em seu braço esquerdo.

— Você sempre adivinha o tempo, não é? — ela perguntou ao seu primo mais velho, que COROU, pegando um dos guarda-chuvas.

— Desta vez a culpa não foi minha, eu juro. — entregou-lhe o objeto.

Imediatamente, Lynna o armou e colocou em Hanna, que puxou-a consigo, ainda com medo.

— É bom vê-la outra vez, alteza. — a mulher sorriu, fazendo-a sorrir também, em cumprimento. — Hanna.

Han sorriu, acenando.

— Ela me deu roupas quando eu estive aqui. — a pequena sussurrou para si. — E fez a minha comida.

Só por causa disso, a mais velha já tinha gostado da asgardiana.

— Então essa é a famosa Brunnhilde? — perguntou para a irmã, que assentiu.

— Sim. Ela é uma Valquíria. Uma guerreira fodona. — Han falou, gesticulando. — Desculpa Steve. — ao seu lado, o loiro revirou os olhos. — Ela tem espada e um cavalo alado! Você tem que ver, ele é lindo!

— Ok, vou anotar isso. — brincou.

Alguém pigarreou, atraindo a sua atenção.

Loki parecia estranhamente nervoso, limpando as mãos em seu suéter.

— Você poderia vir comigo por um minuto? — perguntou-lhe inseguramente. Ela assentiu, entregando o guarda-chuva a Han e indo para o dele.

— Claro. — sorriu. — É alguma coisa grave?

Ele negou, caminhando ao seu lado, dando a visão de uma bela série de casinhas que mais pareciam de boneca, onde pessoas andavam de um lado para o outro, carregando mantimentos, indiferentes à chuva.

As ondas batiam ritmadamente na praia, mostrando uma bela paisagem.

O moreno guiou-a para um barracão enorme. Ela não entendia muito sobre a mitologia nórdica – o que é uma desgraça para alguém nascido dentro desse “universo” –, mas aquele lugar era onde eles reuniam o conselho, não era?

— Aqui estão os tesouros mais preciosos de Asgard. — Loki voltou a falar, deixando o guarda-chuva ao lado da porta. — Ou pelo menos os poucos que eu consegui salvar antes de tudo ser destruído por Surtur. — ela assentiu, caminhando com ele até uma porta, que deu numa escada, que os levou para uma espécie de sala secreta. Seu primo tremeu, chacoalhando o molho de chaves. Quando ela estava prestes a perguntar se ele estava bem, o mesmo tomou um suspiro profundo. — Eu nunca mostrei isso a ninguém, nem mesmo a Thor. Ele imagina que eu tranquei o Tesseract aqui, mas... — encarou-a, melancolicamente. — Scar não tinha o direito de ter feito o que fez, por isso eu achei que deveria trazê-la.

— Trazê-la...? — seu coração disparou, fazendo-a tremer.

— Quando sua mãe morreu, seu pai não teve coragem de dar uma cerimônia funerária a ela, permiti-la percorrer seu caminho até Valhalla... — ele respondeu. — Ela foi colocada numa redoma de vidro, e escondida na Sala de Tesouros do meu pai. Eu sei disso porque eu o ajudei. E quando Asgard estava prestes a ser destruída, algo me disse que eu precisava fazer alguma coisa certa na vida. E graças aos deuses eu ouvi essa voz, porque eu a reencontrei, e agora você pode ver a sua mãe, nem que seja para se despedir dela.

Lynna o abraçou, chorando contra o tecido de seu casaco.

— Obrigada. — sussurrou.

— Não, você não tem que me agradecer por nada. — disse-lhe firmemente. — Eu errei, e agora estou reparando o meu erro. Porque é o certo a se fazer.

Ela sorriu.

— Você está seguindo o caminho certo desta vez. — apertou seu ombro. — Isso é bom.

Ele sorriu também.

— Está pronta? — arqueou a sobrancelha.

Com o bolo em sua garganta, ela só pôde assentir.

A porta foi aberta.

Assim que a placa de madeira deslizou para o lado, ela vislumbrou a caixa de vidro, onde uma mulher vestida elegantemente estava. A sua mãe.

Lynna engoliu em seco e começou a andar até lá, incerta se poderia caminhar ou não, mas foi. Porque ela precisava vê-la de perto, já que ela tinha a oportunidade. Sua vida pós Hydra era tudo sobre aproveitar as oportunidades.

Mesmo com os olhos embaçados, ela conseguiu ver o seu rosto sereno, conservado magicamente, talvez.

— Mama. — sussurrou na língua delas, observando as ondas avermelhadas de seu cabelo encobrirem o vestido que ela usava, o mesmo vestido que ela sempre via em seus sonhos. — Eu queria que você estivesse aqui. Literalmente aqui. Queria que você me visse casar com a pessoa que eu amo. — tocou mais acima, encobrindo a sua testa. — Mas eu entendo que o destino não quis assim. E está tudo bem. Você me deu a sua mãe em troca, e ela foi a mulher que mudou a minha vida. Acho que eu teria desistido de tudo se não fosse por ela. Obrigada.

Ela contemplou o rosto dela por um tempo, vendo o modo como sua coroa estava impecavelmente no lugar. Seu pai adornou a caixa com pétalas de rosa, que estranhamente ainda estavam vivas.

— Ele a amou, você sabe. — Loki a assustou um pouco ao caminhar até onde ela estava. — Do jeito dele, mas o fez. — ele encostou-se à caixa, permitindo-a descansar a cabeça em seu ombro.

— E onde ele está agora? — Lynna sussurrou, traçando um padrão invisível no vidro.

— Eu imagino que ele ainda esteja preso no exílio, o que é estranho. Hela também estava presa e se libertou quando o meu pai morreu... — ele suspirou. — Eu só espero que seu pai não esteja envolvido em algo tenebroso.

Ela assentiu.

— Bem, ele teve tempo suficiente para se casar, não é? — amargurou. — Isso não fere o exílio?

Ele riu suavemente.

— Não exatamente. — respondeu-lhe. — Porque essa foi uma das punições que meu pai deu a ele: casar-se com a mulher que lhe foi prometida. — ela franziu o cenho. — Muitos, muitos anos antes de você nascer, ele teve um filho com uma ama do palácio. Eles não chegaram a se casar, mas ele criou o menino, treinou-o e fez dele seu sucessor.

— E o que aconteceu com o meu irmão? Porque até onde eu sei, vocês me disseram que eu sou a herdeira dele...

— O garoto foi morto em batalha, defendendo Asgard de uma ameaça que eu não me lembro com certeza agora. Ele ficou arrasado, porque um rei precisa de uma linhagem, e sua primeira esposa não podia ter filhos. Então, meu pai arranjou um casamento para ele, com uma duquesa menor, cujos pais juraram veementemente que ela era capaz de gerar herdeiros. — a ruiva assentiu, voltando seu olhar para o corpo de sua mãe, cutucando o vidro. — Nesta mesma época, ele veio à Midgard, na tentativa de reencontrar o Tesseract. Meu pai sempre imaginou que ele estava inseguro aqui, e pediu que seu pai o trouxesse de volta. Foi quando ele conheceu sua mãe. Ela estava no lugar errado, e na hora errada. O modo como ela enfrentou os homens que tentavam tirar vantagem dela o surpreendeu. Scar sempre achava que os humanos eram fracos, inúteis... — encarou-a também, cutucando seu dedo. — Ela o fez mudar de ideia. Quando ele voltou, a trouxe consigo. E a senhora que meu pai escolheu ficou de lado. Como castigo, meu pai o obrigou a se casar com ela assim que você foi embora, para saudar a dívida, pela vergonha que ele fez a família dela passar.

— Essa mulher deve me odiar. — observou, afastando-se um pouco do caixão de vidro.

— Quando ela souber que você está viva? Com certeza. Ainda mais quando descobrir que a filha dela não tem mais direito do que você. — Loki disse seriamente. — Mas não vamos pensar nisso agora. Eu tenho um presente de casamento para você. — ela encarou-o com curiosidade. — Esta coroa pertenceu à sua mãe, no curto tempo em que ela passou conosco. — ele abriu uma caixa que ela não sabia que ele estava escondendo. A peça era ricamente decorada. Ela era de ouro, com um padrão de flores, tendo uma espécie de diamante no centro de cada uma delas. — Espero que você sinta que tem um pedaço dela consigo. Eu posso não gostar da Barbie Patriota, mas infelizmente você o ama, e eu quero que você seja feliz.

Ela o puxou para um abraço esmagador de ossos.

— Você é uma pessoa tão incrível! — sussurrou para ele. — Eu não consigo imaginar você sendo o monstro que todos dizem.

Ele abaixou a cabeça, envergonhado.

— Eu era cego. Fui enfeitiçado pelo poder, e agora eu posso ver isso. Eu me arrependo tanto. — ela olhou no fundo de seus olhos e realmente enxergou a verdade que a maioria dos seus amigos não queria ver. Ela não tirava a razão deles, mas seu coração pesava por aquela criatura. — Acho que perder meu lar me fez enxergar isso. Minha inveja me cegou.

Ela tocou sua mão, apertando-a.

— Que bom que você conseguiu enxergar isso. — disse-lhe. — E que finalmente todos poderão enxergá-lo como eu o faço: Como uma pessoa boa e carinhosa.

Ele sorriu.

— Você é a única.

— Não fale assim. Thor também enxerga isso, eu sei que sim. Ele colocaria a mão no fogo por você, nunca se engane. — ele sorriu, assentindo com o seu comentário. — Loki... você acha que ele e Hanna têm alguma coisa?

Seu primo fechou a caixa, franzindo o cenho.

— Não é meu lugar respondê-la. — ela quis bater na cara dele com a sua resposta. — Eu sei que você é inteligente e vai conseguir descobrir o que quer que tenha de descobrir. — piscou. Lynna assentiu, por mais que estivesse irritada. — Você está pronta para ir?

Ela engasgou.

— Você vai dar uma cerimônia a ela? — perguntou, amedrontada. — Eu já a vi, já tive meu contato com ela...

— Lya, ela é a sua mãe. Eu não decido nada aqui. Se você quiser mantê-la, ela irá será tratada com toda a majestade que lhe cabe. E se você quiser dar-lhe um funeral digno, nós o faremos. — ele respondeu-a sinceramente.

Era isso o que ela queria? Dar a sua mãe um funeral digno?

Ela seria enterrada em Ivenorra, como sua família fora antes dela...

Seu lábio tremeu.

— Eu não consigo. Não consigo deixá-la ir. — murmurou, quebrando.

— Então, eu prometo que ninguém incomodará o seu descanso. — Loki afirmou, limpando suas lágrimas.

— Obrigada. Você me deu o maior dos presentes quando resolveu trazê-la à Terra. — disse-lhe, beijando a palma de sua mão. — Será que eu podia... eu podia trazer Steve aqui?

Ele riu baixinho.

— É claro que sim. — respondeu.

— Você terá que contar a Thor também. Em breve ele vai ser oficialmente o rei, não é? — o mais velho revirou os olhos. — Ele não vai te matar por isso, bebê chorão. Eu não vou deixar.

E com isso, os dois subiram, caminhando até uma cabana amarela, onde Steve e Hanna estavam sentados no sofá, comendo algumas das suas guloseimas, enquanto jogavam videogame na televisão.

Cara, a aura de vila nórdica ficou ainda melhor com a modernidade terrestre que eles adotaram...

— Vocês demoraram! — Han resmungou com a boca cheia. — Eu estava começando a achar que vocês estavam fazendo outras coisas.

Lynna revirou os olhos.

— Você só pensa merda. — resmungou de volta. — Loki apenas quis me mostrar algo muito importante para mim. — sorriu-lhes. — Ele me deu um presente. — mostrou-lhes sua coroa, fazendo-os arregalar os olhos. — Mas eu darei mais detalhes depois. Steve, eu preciso que venha comigo.

Ele se levantou, franzindo o cenho.

— Aconteceu alguma coisa de errado? — perguntou preocupadamente.

— Não. — ela sorriu. — Eu só quero que venha comigo. É importante para mim.

Ele sorriu, assentindo e indo pegar seus chinelos.

— E você vai me deixar sozinha com essa coisa? — Han perguntou, apontando para Loki. — Você sabe que ele ainda não pagou os seus doces, não é?

— Eu sei, mas o que ele me deu hoje compensou. — ele sorriu convencidamente para a pequena, que revirou os olhos.

— Ok, vou anotar no meu bloquinho que você é facilmente comprada com joias. — Hanna falou. — Stevie, você deveria fazer isso também.

Ele negou com a cabeça.

— Vamos? — perguntou-lhe. Ela assentiu e eles saíram, literalmente deixando Hanna e Loki de lado, mas era por uma boa causa. — Você tem certeza de que vai encarar essa chuva sem nada?

— Eu estou tão animada, que não posso esperar. — respondeu-lhe, balançando o molho de chaves. Eles caminharam até o galpão, passaram pelas mesas, mas o loiro ficou paralisado pela pintura da família real no fundo. Ela sorriu, aproximando-se dele. — Este é Odin, o pai de Thor e Loki. — mostrou-lhe o velho homem com um tapa-olho como o de seu primo, só que o dele era dourado. — Esta é Frigga, a mãe deles. — mostrou-lhe a mulher loira ao lado dele. — Você já conhece esses dois pestinhas. — apontou para as crianças, fazendo-o rir. — E este é o meu pai. — mostrou-lhe o homem de cabelos castanhos e olhos esverdeados. — Minha avó costumava me dizer que eu herdei os cabelos dele, mas a natureza não quis assim.

Riu um pouco, observando seu pai.

— Eu simplesmente não consigo imaginá-la com os cabelos escuros. — Steve murmurou. — Para mim, é como se você tivesse nascido assim. Combina com a sua aura.

Ela sorriu, então respirou fundo.

— Eu aprecio seu elogio, mas precisamos andar mais um pouquinho. Não foi isso o que eu queria te mostrar. — ele assentiu. Os dois voltaram a caminhar. Ela levou-o pela mesma porta, desceu as mesmas escadas e chegou até a sala onde o caixão de sua mãe estava. — Steve... o que quer que você irá ver aqui, eu queria que você tivesse uma mente aberta.

Ele observou sua expressão nervosa e se aproximou, segurando seu rosto entre suas mãos.

— O que está acontecendo, Anna? — perguntou-lhe, procurando por algum sinal de alerta.

Ela sorriu.

— É a minha mãe. Loki trouxe a urna dela para cá, para que ela não fosse destruída como Asgard foi. — respondeu, olhando no fundo dos olhos dele, procurando algum tipo de julgamento. Ela respirou aliviadamente quando não encontrou nenhum.

— Querida, isso é algo importante para você. E eu jamais a julgaria por isso. — ele acariciou seu rosto com o polegar. — Você pelo menos está tendo a oportunidade de se despedir da sua mãe. Eu jamais tive a oportunidade de sequer ver o rosto do meu pai. Ele morreu antes de eu nascer, na guerra.

Ela franziu o cenho, também tocando seu rosto.

— Sinto muito. — murmurou.

Ele sorriu.

— Está tudo bem. — disse-lhe. — Mamãe costumava dizer que eu sou a cópia dele. Ela não tinha fotos, mas sempre procurou criar uma imagem dele para que eu pudesse ter de recordação. — ela sorriu. — Você pode abrir a porta, amor.

Assentindo, ela caminhou para o lado, colocando a chave na fechadura e girando-a para o lado esquerdo. A placa de madeira deslizou outra vez, dando-lhes a visão da urna de vidro, onde a rainha Aleksanna fora guardada em seu sono.

Ainda insegura, Lynna arrastou-se pela sala, contemplando o semblante de sua mãe, vendo Steve aproximar-se de si. Ele colocou as mãos nos bolsos da calça, observando sua sogra.

— Ela era bonita. — ele disse, voltando seu olhar para si. — E jovem.

— Ela tinha dezesseis ou dezessete anos. — ela murmurou.

— Estava claro na pintura, mas agora... é impossível não notar a semelhança das duas. — disse-lhe, fazendo-a sorrir.

— Eu queria tanto que ela estivesse aqui. Não dessa forma... — Lynna murmurou, escondendo-se em seus braços.

— Infelizmente ela não está, mas se estivesse, eu lhe diria o quanto sou grato por me dar esse ser tão maravilhoso que você é. — o loiro murmurou, fazendo-a corar. — Ela estaria orgulhosa de ver a mulher que você se tornou.

Ela enfiou a cabeça em seu peito.

— Para, eu vou chorar. — ele riu baixinho, beijando sua cabeça.

Alguns minutos silenciosos se passaram, até que o loiro pudesse voltar a falar.

— Querida... você não me pediu para ter uma mente aberta pelo fato de que seu pai conservou o corpo de sua mãe, não foi? — ela levantou a cabeça para encará-lo, seus olhos brilhavam carinhosamente, algo só dela. — Você não está pensando em prosseguir os ritos funerais de praxe, não é isso?

— Como você pode me conhecer tão bem desse jeito? — franziu o cenho.

Ele sorriu.

— Você pode até tentar, mas também não consegue mentir para mim. — piscou.

— Pera aí... — ela abriu a boca para protestar.

— Eu não bebi o chá naquele dia, apenas encenei que estava tonto. — o traidorzinho disse, daquele jeito maroto que somente ela tinha o direito de ver.

— Mas eu usei meu gás em você!

Ele riu.

— Eu sou um supersoldado, querida. Você pode até ter ficado mais forte, mas isso não quer dizer que eu também não construí imunidade contra seus poderes. — ela só não ia bater nele, por causa da autoridade ali dentro. E porque ele beijou carinhosamente a sua testa. — Eu não vou julgá-la, querida. Você já passou por muitas coisas ruins e merece ser feliz. Se tê-la aqui te faz feliz, eu também estou feliz.

Ela o apertou contra si, beijando carinhosamente seu peito.

— Obrigada. — murmurou.

— Não por isso.

Eles passaram mais alguns minutos lá, observando com riqueza de detalhes, a mulher que a vida não lhe permitiu conhecer.

Quando saíram, os dois se sentiam ainda mais conectados.

Hanna conversava com Brunnhilde no sofá.

Depois que ela lhes apresentou, as três foram conhecer a vila, abandonando teve ao lado de Thor. Eles podiam ter o momento deles de garotos.

Em todos os lugares que elas passavam, as pessoas mais antigas pareciam conhecê-la, e isso lhe aqueceu o coração. Algumas delas – que segundo Brunnhilde – trabalhavam no palácio na época em que seus pais se casaram, e lhe elogiavam, e lhe contavam o quanto ela era doce com os criados.

Em certos momentos, Lynna começou a desconfiar que a maior parte da algazarra não era apenas para ela, e sim para Hanna. Uma das garotas mais jovens quase chamou-a de ‘maj’, o que é quase majestade, não é? Ou ela estava apenas sendo paranoica?

Bem, isso provavelmente jamais seria respondido, porque talvez apenas fosse o fato de que todo mundo trava bem a pequena, porque ela já havia estado aqui antes...

Contudo, ela tinha que admitir que se sentiu incomodada com um olhar de escárnio que Han recebeu de uma das mais jovens. Lhe deu uma vontade louca de ir até a dita cuja para perguntar-lhe o que estava rolando, mas resolveu deixar isso quieto.

À noite, eles comeram o ensopado de peixe que a Valquíria fez, que estava maravilhoso. A todo o momento, ela encarava Hanna com um olhar de censura, o que lhe deixou intrigada.

Ao terminarem o jantar, Steve, Lynna e Han foram devidamente instalados numa cabaninha fofinha. A pequena insistiu que não queria ficar sozinha numa cabana por causa da chuva, o que não arrancou mais protestos. Ela dormia no quarto ao lado, e lhes obrigou a não fazer tanto barulho.

Quando o clima ficou mais aconchegante e o sono bateu, ela se enrolou em uma colcha peluda e se enroscou como uma bolinha, enquanto o loiro estava usando o banheiro. Então, ele entra no quarto como uma criança excitada.

— O que foi? — ela se assustou sentando-se na cama.

— Hanna saiu de casa. — disse-lhe. — Eu acabei de ouvir a porta da frente destravar, e a menos que haja algum ladrão por aqui... ela deu uma escapadela.

Lynna pulou para fora, acompanhando seu noivo pela penumbra da sala, sendo ousada ao abrir a porta, vislumbrando a criaturinha fugitiva adentrar a cabana amarela, enrolada em seu cobertor de nuvem.

— Aquela é a cabana de Brunnhilde, não é? — perguntou ao loiro.

— Eu acho que sim. Você acha que a nossa suspeita foi por Terra? — ele sussurrou com o queixo apoiado em seu ombro.

— Eu espero que não. Acho que só iremos saber sobre isso amanhã. — sussurrou de volta. — Vamos dormir, eu estou cansada de tantas aventuras.

Sorrindo, ele carregou-a no colo até a cama, onde dormiram sendo embalados pela chuva mais uma vez.

*

Na manhã seguinte, Hanna havia voltado de sua investida noturna, e parecia mais cansada que o normal, e andando de maneira esquisita quando ela se acordou para tomar café da manhã com os dois, uma característica quase normal, se não fosse o chupão que ela parcamente escondeu com o moletom roubado. Ele parecia ter uma cor mais profunda hoje ou era impressão dela?

— Loki foi preguiçoso o suficiente para me mandar uma mensagem de texto dizendo que era para irmos à cabana amarela hoje. Eles têm alguma coisa em mente. — Han falou com a voz arrastada.

— Certo. — Lynna respondeu, bebericando seu chocolate quente. — Han, de quem é a cabana amarela mesmo?

— Dos seus primos chatos. — ela respondeu num tom de voz que quase a fez acreditar em sua mentira.

Neste momento, a ruiva desejava ter a mesma conexão que Marnie tinha com Bucky, só assim ela poderia comemorar isso com Steve, que tinha um sorriso de gato que pegou o pássaro em sua cara.

— Ah! — ela franziu o cenho, tentando fazer sua mentira verídica também. — Eu pensei que era de Brunnhilde.

— Não, a dela é a vermelha. — a pequena disse, indiferentemente.

Assentindo, as duas voltaram a comer.

Em questão de minutos, os três estavam partindo para a cabana amarela, onde as duas criaturas estavam jogando videogame, ao lado de um ser feito de pedra, e uma espécie de inseto roxinho.

— Oh, eles chegaram! — Thor exclamou, acenando. — Estes são Korg e Miek. — o ser de pedra e o inseto acenaram. — Pessoal, esta é minha prima, a garota de quem eu falei. — Lynna acenou para eles, sorrindo. — E este é o noivo dela, Steve.

— Ah, eu conheço ele! — o tal Korg falou. — É o Barbie Patriota, não é mesmo Loki?

O moreno sorriu amarelamente.

— Nossa, eu não acredito que já sou famoso por aqui. — seu noivo ironizou, sentando-se ao lado de Thor, capturando um dos controles.

— Bem, não é minha culpa que você gera muito assunto. — seu primo deu de ombros, afastando-se para que ela se sentasse entre ele e Miek. Hanna ficou sobrando.

— Então... — a pequena começou, observando o quadro enorme com os restos mortais de Mjolnir. — Vocês nos chamaram aqui para ficar jogando?

— Estamos esperando Brunnhilde chegar para irmos às cachoeiras, mas você pode ir sozinha, porque não foi convidada. — Thor respondeu, fazendo Han estreitar os olhos para ele.

— Oh não! — Korg lamentou. — Por que está tratando a milady Hanna desta forma?

— Porque ele é um idiota! — a pequena respondeu, sentando-se no braço do sofá. — E eu vou ficar. — deu língua para ele.

— Vocês dois poderiam parar de brigar? — Lynna resmungou, observando Loki roubar Thor no jogo. O outro loiro sequer estava prestando atenção nisso. — Loki, para.

Ele olhou para ela, com os olhos arregalados.

— Mas eu não estou fazendo absolutamente nada! — disse, inocentemente.

— Sei... — ela estreitou os olhos, então se levantou para pegar um copo de água, porque aquelas criaturas não se importariam, não é?

De onde estava, ela viu a porta de um dos quartos aberta. O martelo cravado nas runas da placa de madeira foi gritante o suficiente.

Parte dela queria entrar lá, mas o que ela viu foi bem mais interessante.

Um edredom de nuvens escapulia para fora da cama.

Hum... martelo na porta, o edredom de Hanna na cama... esses dois só podem estar juntos, não é possível!

Observou-os na sala, através do balcão que separava os cômodos. Os dois podiam aparentar ser indiferentes um ao outro, mas não, no fundo aquelas criaturinhas estavam se escondendo.

Ela já tinha várias “confirmações”, agora só faltava a prova.

Mas como iria descobrir isso?

*

A sua viagem de volta às origens foi tão legal! Eles acabaram se estendendo um pouco mais, por causa da reunião que Thor iria ter com o conselho, e como todo mundo tinha que voltar junto, eles não estavam reclamando.

Assim que o quinteto pôs os pés na pista de pouso, Tony os esperava com os braços cruzados e o olhar de alguém que estava prestes a dar um sermão completamente exagerado.

— Então quer dizer que quatro dos meus melhores Vingadores somem DO NADA e não encontram um pingo de internet para avisar que vão demorar?! — como ela havia previsto, lá estava o drama.

— Anthony, menos, bem menos, quase nada. — Hanna começou. — Estava chovendo, a princesa tinha uma reunião, e o poste de internet caiu. Então, nós, seus quatro melhores, não tivemos como avisar.

— Princesa?! — ai meu saco!

— E a nossa querida Lyanna pegou um resfriado, do nada. — Han voltou a falar, ignorando o loiro mais alto. — Eu preciso avaliá-la, então sai da minha frente, por favorzinho?

Tony avaliou seu perfil derrotado, de todos os seus passeios na chuva. Seu rosto estava caído, seu nariz estava vermelho e com corrimento.

— Misericórdia! Eu não sabia que deuses pegavam resfriado. — “carinhosamente”, Lynna mandou um dedo do meio para a sua ironia.

— Você se esqueceu que a minha mãe era humana? — resmungou com a voz entupida. — Para de rir, sua hiena! — choramingou. — Eu vou passar o vírus para tu!

— Steve, olha ela! — o moreno de olhos castanhos disse, esquivando-se dela.

— Você começou. — seu noivo saiu em sua defesa. — Vamos Anna, antes que você realmente o contamine.

Ela fez um gesto de “estou de olho em você” para o amigo, que apenas acenou.

Han guiou-os até o seu laboratório, pedindo a Steve para abrir a grossa porta de metal, então começou a saltitar até os limites de vidro, acenando para ela sentar.

— É só uma virose. — disse-lhe sorridentemente. — Vou receitar algumas vitaminas, ok? — ela assentiu. — Eu poderia pegá-las agora, mas é que eu não me lembro onde está, então, para poupar o seu tempo, você pode vir aqui amanhã ok? — Han olhou para Steve, que parecia confuso. — Remédios convencionais não funcionam conosco, por causa do veneno, eles se tornam inúteis. — ele assentiu. — Eu tenho uma injeção aqui comigo, eu sei que você não gosta de agulhas, mas será obrigada.

Sem dizer mais nada, Lynna permitiu que a pequena preparasse seu braço direito para receber a agulhada.

Durou apenas alguns segundos, logo ela já estava livre.

— Mais alguma recomendação, doutora? — arqueou a sobrancelha, fazendo-a rir.

— Vitamina c é essencial. Acho que eu ainda tenho algumas laranjas na minha caixa, você pode pegá-las. As vitaminas que eu vou te mandar também podem ajudar, e repouso. Mas vocês estão liberados para... — ela fez uma carinha maliciosa, fazendo-os revirar os olhos. — Eu tô falando sério, ajuda a descongestionar o nariz.

— Ok, doutora, a paciente está liberada? — o loiro arqueou a sobrancelha, negando com a cabeça para a carinha da criatura.

— Sim. — respondeu-lhe. — E não se esquece, Lya, você tem que voltar aqui para pegar os remédios.

— Ok. — Lynna assentiu, se arrastando até Steve para a saída. — Eu juro que jamais enfrentarei chuva sem proteção. — fez bico. — Eu não estou sentindo o cheiro de nada, e isso é tão horrível.

— Vem. — ele riu baixinho, pegando-a no colo. — Eu vou fazer uma canja para você, e depois um banho quente.

Ela se aninhou em seu pescoço, sentindo seu calorzinho corporal.

— Eu te amo. — murmurou.

— Você só está dizendo isso para se aproveitar de mim, mocinha. — ele disparou divertidamente. — Mas eu também a amo, é por isso que vou ajudá-la a atravessar o ranho.

— Seu mala. — ela resmungou. — Eu estava tentando ser romântica! — sua mão estapeou-o no ombro quando ele riu de sua voz fanha.

Ainda rindo, eles se aproximaram da cozinha, onde boa parte do time fazia vários nadas em frente à TV. Pelo menos eles não estavam assistindo o lixo que Mary chamava de série. Aquela pestinha conseguia manipular todo mundo para assistir o que ela queria.

— Own, meu bebê está doente? — Bucky zoou com a sua cara, fazendo-a mostrar a língua para ele quando Steve colocou-a sentada no sofá. — Agora você realmente parece ter dez anos outra vez.

Ela riu baixinho.

— Bem, pelo menos agora eu posso te matar com uma faca de verdade. — piscou “angelicalmente”.

— E aí? Como foi a viagem? — Marnie perguntou, espreguiçando-se ao seu lado. Sorte da maldita que ela tinha imunidade, senão ela iria ficar doente também.

— Foi boa. Eu conheci um cara chamado Miek, que é um alienígena parecido com um inseto e Korg, que é feito de pedras. E uma Valquíria. A última delas. Ela tem um cavalo alado! — falou empolgadamente, mesmo que fanhosa.

— Ai gente, eu quero adotar a Lyanna doente. — Natasha apertou as suas bochechas. — Tem coisa mais fofinha do que ela com ranho?

A mais velha fez bico.

— Vocês são praticantes de bullying. — resmungou. — Hey Clint! — acenou para o Gavião Arqueiro, que arregalou os olhos para Nat, como se fizesse uma pergunta silenciosa a ela. — Eu recuperei a memória, seu besta. — sorriu-lhe. — Oh! Você trouxe a pequena Lya! — seu coração se encheu ao ver a pequena nos braços dele. Pequena não, uma gigante! Ela estava enorme!

— É... eu vim aqui para trazê-la em uma consulta de rotina com Hanna, mas ela está ocupada no laboratório, ou pelo menos foi o que SEXTA-FEIRA disse. — o castanho falou, franzindo o cenho em confusão. — Por que ninguém me disse nada...?

— Era para fazer surpresa. — Natasha respondeu. — E pode tirando seu cavalinho da chuva, bença. Você está com muco e pode passar bactérias para a pobre criança.

Lynna fez bico.

— O que é uma pena.

— Bem, ninguém mandou a senhorita ir brincar na chuva. — Steve argumentou, colocando uma bandeja à sua frente. — Eu avisei.

Ela estreitou os olhos para ele, mas não fez nada, apenas tomou a canja, que estava morna.

— Uh, Clint. Eu vou terminar de tomar a sopa e vou dar uma passadinha no laboratório de Han, então eu a aviso que você está aqui. — disse para o amigo, que assentiu, sentando-se ao lado de Bucky no sofá.

Este passou a brincar com os pezinhos de sua afilhada, criando a cena mais fofa do mundo. Estranhamente, ela sentiu um puxão dentro de si quando Mary olhou para o esposo. Era como se ela estivesse sentindo a angústia da anã.

Algo de errado não estava certo.

Mas ela esta resfriada e com preguiça de pensar nisso.

Estranhamente, suas entranhas estão lhe dizendo para ir atrás de Hanna. Por quê? Ela não sabe, mas de vez em quando suas intuições estavam certas.

Levantou-se, ainda bastante chumbada, mas um pouco melhor graças à injeção que recebeu. Caminhou até a pia e limpou a boca.

— Estou indo no laboratório. — avisou para o universo, talvez.

— Tem certeza? — Mary arqueou a sobrancelha. — Hanna está ocupada lá dentro...

Franzindo o cenho, Lynna fez um gesto de descaso.

— Ela está ocupada procurando os meus remédios. Estou indo lá para ajudá-la, aí a pequena Lya pode ser consultada. — tagarelou, caminhando para a saída. — Querido, você pode pegar as laranjas da caixa dela? — voltou-se para o loiro. — Se não tiver eu encomendo alguma coisa para a SEXTA-FEIRA.

E com isso, ela saiu, sem ver o olhar divertido que Bucky e Marnie haviam trocado.

Distraidamente, a ruiva caminhou até o segundo andar, pegando o elevador, é claro. Ela não estava com disposição para subir escada. Bateu três vezes na porta, não ouvindo nada graças ao isolamento acústico.

— Hanna? — falou alto, mas não obteve resposta. — Hanna?! — nada. — Cacete, ruim vai ser se essa pestinha ficou distraída com os fones de ouvido... — resmungou, tentando girar a maçaneta.

Um sorriso se apossou de sua face quando ela viu que a pesada porta estava destrancada. Abriu-a, virou-se para fechar, e então, voltou-se para a repartição de vidro, quase enfartando com a visão que teve.

Meu Deus, eu estou ficando louca?

Seus dois olhinhos captavam a cena mais esquisita que ela já tinha visto na vida.

E olha que ela já tinha visto muita coisa em seus 57... 58 anos (?), mas ver Hanna e seu primo mais velho nus e enroscados um no outro – detalhe, eles estavam numa posição esquisita, que provavelmente não existia no kama sutra, com as perninhas de frango de Han jogadas contra o ombro de Thor, só que de um muito jeito esquisito – em cima do balcão de atendimento dela foi outro nível.

Quando o choque inicial passou, Lynna arrastou-se na ponta dos pés para a porta, abrindo-a.

Pra quê?!

Em toda a sua vida, ela nunca tinha ouvido sua irmãzinha gemer além das vezes em que ela estava machucada ou fazendo birra, mas aquilo, bicha, foi como se tivesse baixado o espírito de uma atriz de filme adulto nela.

— Muito bonito, Hanna Nuri e Thor Odinson. — os dois soltaram um grito de susto, arregalando os olhos para o sorriso de merda que ela tinha na cara. — Vocês quase conseguiram me enganar direitinho, seus pilantras. — ela bateu palmas. — Cara, o Oscar está perdendo esse talento raro.

— O que você quer aqui? — Han perguntou, vermelha como um pimentão, mas ainda sim agressiva como sempre.

— Eu vim te ajudar, mas vejo que você já tem muita ajuda, né? — sorriu-lhes ironicamente. — Clint está aqui com a pequena Lya. Ele veio para uma consulta de rotina. E a senhora estava ocupada brincando de médico com o bebê grande. — olhou ao redor, limpando sua vista da depravação alheia, então viu a cestinha com seu nome em cima do armário. — Vejo que pelo menos você procurou meus remédios. Obrigadinha.

— Se era só isso, você poderia se retirar? — Thor arqueou a sobrancelha, defendendo sua amada. — Estamos no meio de algo aqui...

Lynna gargalhou alto, daquelas risadas de doer a barriga, enquanto os pombinhos encaravam-na com cara de cu.

— Ok, ok. Eu vou embora. — disse-lhes. — Mas você tem que voltar às suas consultas, mocinha. Nada de fondue no horário de trabalho. — Hanna mostrou-lhe o dedo do meio. Ignorando isso, a ruiva soltou um suspiro. — Eu estou tão bem comigo mesma... vocês não estão bem vocês mesmos? — pegou a cestinha e saiu.

— FECHA A PORTA! — o casalzinho gritou.

— Fechem vocês, seus folgados. — ela disse, sorrindo cruelmente. — Sabe, o negócio fica bom quando bate a saudade.

E com isso ela saiu saltitante, mas fechou a porta de metal, porque ela tinha consciência ainda.

Quando chegou à sala, aproveitou que Clint, Natasha e a bebê Lya tinham saído e soltou um gritinho histérico, fazendo uma dancinha tosca.

Mary abriu um sorriso entendedor, então, Bucky também entrou na sua onda.

— Steve, nossas suspeitas foram completamente confirmadas. — pulou, gargalhando.

— E como você confirmou isso? — o loiro perguntou, ajustando sua posição o sofá.

— Eu encontrei as criaturas fazendo fondue. — respondeu.

— Cara, por que essas coisas bizarras te atraem? — Bucky perguntou, fazendo uma careta.

— Bem, eu não posso evitar... — gargalhou, mas se arrependeu quando o ranho atacou. — Merda. — resmungou, limpando o nariz com a manga do casaco. — Buck... ainda bem que você não viu, porquê foi muito bizarro, tipo, as canelinhas de frango para cima...

Eles gargalharam, mas pararam de rir quando Nat e Clint apareceram atrás, para eles não desconfiarem e acabar com a farra dos quatro. Marnie pigarreou.

— Eu juro que queria te contar, mas é que seria tão mais engraçado se você descobrisse... — a anã falou, quicando no sofá, porque eles eram crianças da quinta série e estavam excitadas para fofocar. — Aí nós passamos a dar dicas sutis. — Lynna franziu o cenho com o “nós”, mas sua pergunta foi logo respondida. — Loki, ela descobriu. Da pior forma.

— Por favor, diga que você não os descobriu ouvindo eles... — seu primo apareceu na sala, com um coque fofo e seu costumeiro suéter verde combinando com a calça de moletom e suas pantufas de coelho.

— Meu querido, eu vi os dois. — ele fez uma careta, estremecendo. — Desde quando...?

— Ucrânia. — Loki respondeu. — Quando os dois chegaram à Nova Asgard, eu estava apavorado que ela iria me matar. — ele apontou para Mary, que sorriu “angelicalmente”. — E também estava apavorado achando que Hanna iria matar o tapado do meu irmão... tamanha foi a minha surpresa, quando estava me preparando para dormir e ouvi barulhos estranhos. Eu achava que Hanna estava assassinando meu irmão, mas não, eles estavam...

— Fala, entra para a família! — Marnie quicou outra vez no sofá.

— Fondue. — o moreno de olhos esverdeados resmungou. — Eles estavam fazendo fondue.

— Ok, ok. Vocês já pararam de fazer suruba falando mal de mim? — Hanna apareceu na sala, e ninguém conseguiu segurar o riso.

— Eu não tenho maturidade para isso. — Lynna disse, pendurando-se no sofá.

— Nossa, eu estou me esgoelando de rir. — Hanna disse, amargamente.

— Perninhas de frango! — a mais velha gargalhou.

— Eu ouvi bem? Quem tem perninhas de frango? — Tony chegou na sala, fazendo-a gargalhar intensamente, batendo no braço de Mary.

Seu rosto estava vermelho, e ela começou a se descontrolar quando viu Thor aparecer no corredor, com as roupas molhadas.

— Eu não tenho idade para essas coisas, cara. — limpou as lágrimas. — Agora eu sei o que eu fiz naquele dia, mano, eu tô no chão.

Mary gargalhou.

— Erm, Clint, vamos? — Hanna pigarreou, com as bochechas vermelhas e as sobrancelhas espremidas de raiva. — Lyanna, eu acho que você está bem até de mais, não acha?

— Eu vi algo que me curou, maninha. — sorriu-lhe, sentando-se no encosto do sofá.

— Eu tenho que pegar a cadeirinha não é? — Clint perguntou a Han, equilibrando a pequena loirinha em seus braços.

— Ah não precisa. — Han sorriu. — Estamos indo para o laboratório de Bruce, ele tem mais estrutura.

— E por que você está indo para o laboratório de Bruce, Hanna? — cara, Loki sabia ser tão cruel quanto ela e Mary, que estavam se segurando para não denunciar o casalzinho.

— Porque o meu laboratório está sujo. — ela respondeu com tanta naturalidade, que se Lynna não tivesse visto a cena, imaginaria que a criatura estava falando a verdade. — Eu não consegui limpar completamente.

— Pela quantidade de sujeira que eu vi lá, iria ser difícil mesmo. — a ruiva mais velha ironizou, arrancando uma olhadela de raiva da pequena, que soube muito bem mascarar isso com a sua carinha fofa. Que vaquinha! — Ele é muito grande para limpar, não é? — Marnie, Bucky, Loki e até mesmo Steve tiveram que rebolar para não rirem. — Eu sempre achei que fosse, não que eu tenha visto por completo, mas pelo jeito que você me descreveu, parece ser enorme. — ela viu seu irmão beliscar a própria perna. — Quase não te cabe, né? O seu laboratório.

— É Han, o seu laboratório e bem grande mesmo. — oh, se Natasha soubesse sobre qual laboratório ela estava falando...

— O sonho de consumo de várias médicas por aí... — disse-lhe sorridentemente.

— Ok, qual o seu interesse com o meu laboratório? É meu. — Hanna cruzou os braços. — E me cabe sim.

— Eu vi. — Lynna disse-lhe, sorrindo lascivamente. — Você mesma me contou.

— Vamos Clint, antes que eu arranque a cabeça da minha irmãzinha. — a pequena resmungou, pegando na mão do Gavião Arqueiro.

— Nossa, Han... por que essa frustração toda? Nós somos da mesma família, e eu só estava querendo elogiar o seu laboratório. — ela grunhiu e saiu da cozinha. — Que foi gente?

Seus amigos a olhavam, desconfiados.

— Eu não me importo de apanhar, mas você é doida. — Tony respondeu, indo catar alguma coisa na geladeira.

— Thor, você acha que eu sou doida? — o bobão, que não havia percebido que ela estava falando dele, levantou a cabeça, franzindo o cenho. — Seja sincero.

— Talvez sim. — ele deu de ombros. — Mas não tão doida, e sim cruel.

— Te amo. — soprou um beijinho, então sentou-se no sofá, ofegando. — Acho que estou fraca de tanto rir.

— O que é um sinal para a senhorita começar a descansar. — Steve deitou-a numa almofada quentinha. — Vou buscar o remédio.

Ela sorriu, observando o movimento de sua bunda redondinha caminhar até o balcão, pegar um dos remédios e um copo com água.

— Lynna... o que aconteceu para você estar rindo tanto e implicando mais que o normal com a Hanna? — Natasha perguntou, fazendo-a engasgar-se um pouco.

— Nada não. — disse, tossindo para disfarçar a vontade rir. — Foi só algo que eu vi.

Por cima da cabeça de Nat, seu primo querido estreitou os olhos para ela.

— Uh, Pepper acabou de me mandar uma mensagem. — Marnie tossiu. — Ela quer nos encontrar para decidirmos alguns detalhes importantes. Vocês duas vêm? Cadê Wanda... deixa para lá, ela também está ocupada.

Lynna riu, levantando-se com a ajuda de Steve.

— Vamos... — ela ia falar, mas viu algo suspeito nas costas da criatura loira que não tinha medo de morrer por estar sentado na merda do banquinho rosa. — Thor, você tem um arranhão terrível nas suas costas. — disse, puxando seu casaco pra enxergá-lo melhor. — Puta que pariu, meu filho. Tome um banho.

Ele encarou-a enfezado.

— A culpa de eu estar sujo foi sua! — resmungou baixinho.

Gargalhando, ela enlaçou seu braço no de Nat, que logo, logo também descobriria sobre eles, porque a mesma estava intrigada, e isso era um péssimo sinal para aquelas duas criaturas.

— Vocês vão demorar? — Steve perguntou, fazendo-a olhá-lo por cima do ombro.

— Eu acho que não. Prometo que volto a tempo de um banho quente. — mandou beijinho e sumiu junto com as meninas pelo corredor.

O casamento estava cada vez mais próximo, aumentando a sua ansiedade. Ela estava gostando de se envolver nos preparativos.

E agora, ela sentia que nada poderia impedi-la de ser feliz.

Notas finais
Finalmente nossa heroína descobriu a mentira deslavada de Thor e Hanna. Eu estava ansiosíssima para escrever essa cena, de todo o meu coração, tanto que eu chorei de rir. Espero que tenham gostado :)) Um cheiro.