The Captain and The Petal.
80 Seventy-eighth Chapter. - So close but so far.
Notas iniciais

Tão perto, mas tão longe.
Uma semana havia se passado desde que eles haviam comemorado o Natal, completando três semanas que ela havia chegado ao Complexo.
Lynna podia dizer com convicção que havia conseguido estabelecer uma rotina naquele lugar.
Ela era obrigada a se levantar às cinco, engolia um pouco do mingau duvidoso de Loki e ia para uma quadra enorme, onde os dois treinavam suas habilidades mágicas, a tempo dos dois supersoldados passarem correndo pela pista enorme que contornava a propriedade. Eles davam umas seis voltas em menos de vinte minutos, ela tomava café na cozinha, e depois sumia em seu quarto.
De onde estava, dava para ver o modo como eles se movimentavam – os supersoldados centenários –, tendo um foco exagerado no supersoldado loiro, que usava roupas mais apertadas que o necessário. De vez em quando, ela se perguntava o que aconteceria se as roupas dele se rasgassem...
— Ai! — resmungou quando caiu de cara no chão. — Loki, nós estamos treinando minhas habilidades em magia, não artes marciais!
Ele arqueou a sobrancelha, estendendo-lhe o final do cetro alaranjado que ele utilizava para ajudá-la em seu treino. Ela segurou-o para se levantar.
— Se a senhorita tivesse foco, não teria caído. — ele disse insolentemente. — Perdeu alguma coisa na pista de corrida?
Seu rosto pegou fogo e ela bufou.
— Não é da sua conta. — resmungou, limpando a sujeira de suas calças de ioga.
— Até onde eu sei... os dois estão solteiros, e como dizem as criaturas midgardianas, você poderia muito bem investir o seu tempo em convidá-lo para sair. — seu primo disse, arrastando o cetro pelo carpete emborrachado do centro de treinamento.
— Do que você está falando? — Lynna arqueou a sobrancelha para ele, confusa.
— Estou talando do modo como você avalia o Capitão. — quê?! — Eu não o vejo com ninguém... você poderia investir nele se quisesse.
Ela engasgou-se com a própria saliva, tossindo dramaticamente, até que ganhou uma tapa cheia em suas costas, para ajudá-la a desentalar.
— Eu... eu não... — soltou um bufo alto. — Eu não sabia que estava sendo tão óbvia...
O moreno riu baixinho.
— Você tem olhado para ele desde o dia em que chegou. — estranhamente, isso ecoou dentro dela como um mantra, uma espécie de gatilho...
— Bem, para uma ex-espiã russa, eu estou muito ruim em esconder minhas emoções. — rangeu os dentes, preparando uma barra vermelha que surgiu a partir de uma pérola.
— Vai tomar meu conselho? — Loki perguntou, erguendo seu cetro para a “luta”.
— Quê? Não! — ela bradou, para depois voltar seu olhar para a pista de corrida, onde os dois soldados gigantescos voltavam a cruzar seu caminho, arregalando os olhos quando o loiro a encarou, diminuindo o ritmo de sua corrida para admirá-la. — Além do mais ele tem namorada sim!
— E quem seria essa doida? — o moreno disparou, criando uma replica perfeita de si mesmo para disputar contra ela, que deveria reconhecer qual dos dois era o verdadeiro utilizando seus próprios poderes.
— Mary. — Lynna disparou, assustando-se quando a figura com quem ela lutava se dissipou.
— Como? — ele arregalou os olhos, inclinando a cabeça para ela como se ela tivesse dito que a Terra era plana.
— Eu vejo o modo como ela o toca. — disse com um pouquinho de amargura. — Ela vive elogiando-o, e... e eu vi ele saindo do quarto dela de madrugada, quando fui preparar alguns lanches na cozinha comunitária com aquele presunto delicioso que Tony tinha comprado para a ceia de Natal.
Loki ficou olhando perplexamente para ela, mas não falou nada, apenas pigarreou e fez com que seu cetro desaparecesse.
— Ok... — sacudiu a cabeça. — Que tal voltarmos ao exercício de ontem?
— Aquele que você me fez coisas aleatórias? — ela franziu o cenho, sumindo com seu bastão também.
— Sim. — ele respondeu, caminhando até si. — Só que desta vez, sem a pérola. Quero ver todo o seu potencial mágico.
— Mas... — a ruiva tentou argumentar, sendo cortada pelo moreno, que tinha um semblante sério.
— Num campo de batalha, nem sempre você terá sua preciosa pérola nas mãos. O inimigo é astuto, ele pode vir de qualquer lugar do universo. — tocou a sua palma estendida, criando uma ilusão perfeita de uma criatura horrenda. — Acredite querida, há coisas bem piores do que a Hydra lá fora, e saber se defender delas é essencial. Como uma princesa asgardiana, seu dever é possuir habilidades bem desenvolvidas.
Ela soltou algumas pragas em russo quando ele fez aquela coisa com suas mãos outra vez, deixando-as quentes.
Lynna tentou limpar sua mente, focando apenas no que ela queria fazer.
Com suas palmas para cima, ela repetiu os mesmos gestos que Loki e Wanda lhe ensinaram, aquele malabarismo hipnotizante com os dedos, jamais se repreendendo por criar realmente qualquer coisa.
Das pontas de seus dedos, a energia vermelho-sangue fluiu de maneira perfeita, criando uma corrente complexa, que logo foi transformada numa boneca vermelha. Ela era completamente inanimada, mas em sua ilusão, ela podia caminhar por entre ela e seu primo, que lhe deu um sorriso orgulhoso.
— Viu, você não precisa da maldita pérola. — ele voltou a falar, cruzando os braços e lhe dando uma expressão de ‘eu sei de tudo’.
Ela mostrou-lhe o dedo do meio, fazendo-o ficar carrancudo.
— Terminamos por hoje? — perguntou cansada, dissipando a boneca. — Estamos aqui desde bem cedo!
O mais velho suspirou, vendo a hora em seu relógio bolso.
— Sim, sua preguiçosa. Nos já terminamos. — resmungou, estalando os dedos para retornar a sala à sua luz normal.
— Eu não sou preguiçosa! — ela se defendeu. — Eu só sou seletiva com as coisas que merecem o meu precioso tempo!
E com isso, saiu do local, caminhando com cuidado pela pista, para não ser atropelada outra vez por um supersoldado, mas parece que eles já haviam acabado seu exercício.
Já passavam das 08:00, seu estômago roncava por mais comida.
Chegando à cozinha, o grupo natural das quatro vingadoras estava reunido na bancada, elas faziam waffles enquanto fofocavam baixinho. Lynna se sentiu um pouco acanhada de invadir a privacidade delas, principalmente quando a doutora Nuri – que realmente a odiava – estava ali também.
Em silêncio, ela caminhou para a geladeira, roubou um pouco de presunto e queijo, reunindo-os em sanduiches, retirou uma garrafa de suco de uva da sua caixa personalizada e saiu sem dizer nada, sentando-se sozinha perto de uma das varandas daquele andar que dava para o pequeno canteiro de violetas, a coisa mais linda naquela propriedade.
Se ela tivesse ido para o terceiro andar, com certeza daria para vê-lo melhor, mas ela gostava daquele cantinho, pois ela podia amargurar coisas acumuladas.
Picotou o sanduiche, mastigando-o pedacinho por pedacinho, enquanto tentava não chorar.
Ela não gostava de conversar com as meninas – que eram extremamente legais – quando Hanna Nuri estava por perto, porque aquela mulher a odiava, e todas as vezes em que elas estavam no mesmo ambiente, a outra dava um jeito de se desculpar e sair, como se ela tivesse uma doença contagiosa que a incomodava.
Ela também nunca tratou de si, sempre foi a doutora Cho, sendo que a especialidade dela não era a mesma de Nuri, que era clínica geral.
Por que aquela mulher não gostava dela, e por que isso lhe machucava tanto?
— Ei... você está bem? — a voz de Steve lhe atingiu. Ela não percebeu que ele estava no mesmo corredor, até que o mesmo estivesse sentado à sua frente, encarando-a com o semblante preocupado.
Ela engoliu o bolo que se formava em sua garganta, antes de encará-lo propriamente.
— Sim, eu estou bem. — murmurou, colocando outro pedaço de sanduiche na boca para não ter que respondê-lo de imediato.
— Bem, se me permite dizer, você não parece estar falando a verdade. — ela arqueou a sobrancelha para ele, cruzando os braços. — Eu sei que não é o que você quer ouvir, mas é o que eu estou vendo. Você está tendo problemas para se relacionar? Há algo que te deixa incomodada?
A ruiva tomou fôlego, soltando-se para tomar um gole de suco, antes de falar.
— Acho que não quero ficar aqui no Complexo. — murmurou quase que inaudivelmente, fazendo-o soltar o suspiro de surpresa. — Eu não me sinto bem aqui.
— Como assim?! — por que ele parecia estar desesperado? — Alguém te tratou mal? Quem foi essa pessoa?
— Não é isso. — ela se endireitou para falar, afastando o prato de seu colo. — É só que... o Complexo não é a minha casa. Eu odeio ter que ser um encosto na vida de alguém, e tenho certeza de que vocês não precisam de outra pessoa desmemoriada para cuidar. Acho que... acho que seria melhor eu ir embora. Ir para Nova Asgard. Ela é o pedaço da minha terra natal aqui fora. Eu estaria com o meu povo, voltando às minhas raízes... em breve meu pai estará de volta, então me levará para Skylar e vocês não terão que se preocupar comigo...
Ela saiu correndo de lá, para que o loiro não a visse chorar, entrando na primeira porta que viu pela frente, enrolando-se numa bolinha.
Oh mama, por que o destino teve que fazer uma coisa dessas comigo?
*
Steve passou três minutos perplexo, acocorado em frente ao prato mal comido que Anna havia deixado para trás. Em sua mente, as palavras dela sobre sair do Complexo e ir morar em Nova Asgard não paravam de lhe atormentar.
Eu não me sinto bem aqui. O Complexo não é a minha casa. Eu odeio ter que ser um encosto na vida de alguém, Acho que... acho que seria melhor eu ir embora. Vocês não terão que se preocupar comigo...
Ele fechou os olhos com força, levantando-se, para depois catar os restos de comida e os levar de volta à cozinha, onde Hanna estava sentada sozinha no balcão, com a cabeça baixa enquanto suas lágrimas escorriam para seu prato de mingau.
— A culpa é toda minha. — murmurou tristemente. — Ela quer ir embora e é tudo culpa minha! — olhou para ele com os olhos vermelhos. — Eu só me afastei dela para não fazê-la sofrer, e está acontecendo exatamente o oposto.
O loiro soltou um suspiro, sem saber o que responder para sua amiga, estando no meio de um cabo de guerra, onde ele sabia que as duas estavam sofrendo igualmente.
Anna pela “rejeição” de Han, e a outra, por não conseguir lidar com o fato de que sua história com sua única irmã pode ter sido apagada para sempre.
Ele tocou a mão dela, acariciando-a com o polegar.
— Eu preciso conversar com ela, não é? — a pequena voltou a falar, colocando uma mecha de seu cabelo para trás da orelha.
— Eu jamais te forçaria a fazer algo que você não consegue fazer. — Steve respondeu, sentando-se ao seu lado na bancada.
— Esta merda está afetando nós duas. — ela ergueu o queixo, enxugando as lágrimas. — Eu preciso falar com ela antes que tudo vá por água abaixo. — tocou seu rosto, sorrindo minimamente. — Vou fazer isso porque alguém me ensinou que devemos fazer o que é certo, por mais que difícil que seja.
Ele lhe deu um sorriso orgulhoso e beijou sua testa.
— Parece que pelo menos um dos meus alunos me ouve. — resmungou.
— Eles te ouvem, idiota. Só gostam de te provocar. — ela brincou, levantando-se do banco.
— Então quer dizer que partimos de um momento fofo, para você me xingando logo cedo da manhã?! — resmungou, cruzando os braços. — E eu que pensava que você tinha mudado.
Hanna pendeu a cabeça para o lado, rindo.
— Erro seu. — e com isso, partiu porta afora, fazendo-o negar com a cabeça.
*
Quando Lynna entrou em seu apartamento, assustou-se ao ver a mulher que estava lhe evitando sentada no braço do sofá. Ela mordia a pelinha do lábio inferior num gesto de nervosismo.
— Olha, se Steve pediu para que você viesse falar comigo eu só queria dizer que...
— Ele não me mandou aqui. — ela a cortou, levantando-se do móvel. — Eu quis vir aqui.
A ruiva assentiu, cruzando os braços.
— Por que você me odeia? — ela simplesmente não conseguiu controlar a língua.
A doutora Nuri arregalou os olhos, dando um passo para trás, enquanto corava.
— Eu não te odeio. — respondeu-lhe. — Na verdade, eu jamais te odiei.
A outra pigarreou, surpresa com a resposta.
— Então o que foi que eu te fiz para você sumir do cômodo sempre que eu chego? Por que você não quer me atender no seu consultório? E por que você não olha nos meus olhos quando eu te dou bom dia no corredor? — disparou, assustando-se quando a pequena mulher começou a soluçar na sua frente.
— Eu sinto muito, Lya. — a mais alta empertigou-se. Ninguém nunca havia lhe chamado assim, somente o... o Soldado? Ele já a chamou assim, não foi? Em algum lugar da sua mente, ela imaginava isso. — Eu não queria fazer você se sentir culpada, mas eu não sou como Bucky, eu não posso fingir que não... olha, você e eu estamos ligadas. Você salvou a minha vida quando eu mais precisei, e me dói tanto saber que você não se lembra disso. — ela soluçou, apertando seus bracinhos ao redor de seu corpo, como se estivesse com frio, e isso incomodou o seu coração. — Eu sei que é pedir demais de você, por causa do que você passou, mas eu tinha que te dar uma explicação, fazer você entender que eu não te odeio, eu não sei se isso ajuda... eu estraguei tudo!
Então ela correu para fora, fazendo-a correr atrás dela, contudo, isso lhe deu uma dor de cabeça miserável.
Os gritos da menina lhe acordaram.
Mais uma pobre coitada que a Hydra iria explorar até a morte...
Infelizmente, esta estava durando mais do que as outras, o que era ainda mais perturbador.
Lynna encolheu-se num canto, cobrindo as orelhas para não ouvir, mas o som vazou pela abertura de seus dedos. Os gritos dela lhe perturbavam mais do que os das outras, e ela odiava isso, porque sabia que não poderia lutar contra eles para salvá-la.
— Leve-a para o tanque! — um dos soldados gritou.
— Qual deles? — havia mais tanques?!
— O de fogo! — o outro respondeu. — Esta vadiazinha petulante vai queimar como o inferno!
De repente, ela olhou para cima, trancando seu olhar com o da menina. A desta vez era asiática. Muito pequena, e muito jovem, provavelmente em seus quinze/dezesseis anos. Ela parecia bastante com a doutora Stephânia, aquela que consertou seu dedo quebrado, dizendo que seu veneno poderia lhe curar.
Os olhinhos dela lhe gritavam por socorro, ela sentiu-se estranha, como se aquela menina fosse importante para ela no futuro, como se tivesse algo que as ligasse...
Vendo o sofrimento daquela pobre criança, ela sentiu que deveria fazer algo, mas o quê?
O Soldado estava no gelo, ele não seria de muita ajuda.
Um dos homens agarrou a menina pelo pescoço e ela não soube dizer o que sentiu, mas uma raiva estranha se apossou de seu corpo, como se ela temesse ver aquela pequena sendo decapitada.
Um grito de ódio escapou de seus lábios, fazendo com que uma energia vermelho-sangue explodisse a redoma de vidro onde ela estava, assustando os homens que seguravam a menina.
— Para trás, Pétala. — um deles tentou afugentá-la, mas ele precisaria mais do que uma voz irritada para fazer isso.
— Solte. A. Menina. — disse-lhes ameaçadoramente, encarando-os daquele jeito psicopata que sempre os assustavam. — Ou eu vou fazê-los soltar.
A garota tremeu, arregalando os olhos.
Quando os homens apenas riram, a energia vermelha envolveu-os, poupando a pequena, que gritou alto ao ter o sangue deles derramado sobre o corpo frágil dela, quando seus novos poderes explodiram os corpos daqueles miseráveis.
— Não fique com medo, pequena. — ela pediu, ajoelhando-se onde ela havia sido jogada, tocando-a lentamente, não querendo fazê-la ter medo de si. — Eles não irão machucá-la outra vez.
— Eu... não... falo... russo... — a pequena balbuciou em inglês.
— Tudo bem. — ela respondeu-a, tocando seu rostinho ensanguentado. — Eles não vão mais feri-la, pequena. Eu não vou deixar.
Ela jogou-se em seus braços, chorando.
— Eles... eles me fizeram queimar! Eu não queria isso. Eles atiraram na minha mama, eles... ela morreu! — seu coração se apertou com a declaração dela, abraçando-a com vontade. — Eu não quero voltar para lá. Eles vão me machucar de novo. Eu quero voltar para Seul...
Apesar do sangue, Lynna beijou os cabelos daquela criaturinha, permitindo que ela chorasse contra seu corpo.
— Sinto muito, pequenina. Eu não posso mudar o que aconteceu com sua mãe, mas eu posso protegê-la. — enquanto ela falava, um grupo de soldados irrompeu o laboratório, com armas em punho. — Enquanto estiver ao meu lado, ninguém irá te machucar, malen'kaya nimfa.
— Largue a cobaia, Pétala. — um dos comandantes disse, fazendo-a levantar-se rapidamente, colocando-se como uma barreira entre a pequena e os homens maus.
— Afastem-se. — alertou-os, feliz que a sua energia vermelha não havia lhe abandonado. Sua avó estava com ela também. — Afastem-se dela, ou eu irei fazê-los se afastar. — eles não mostraram sinal de que iriam parar, então uma lança vermelha foi atirada, atravessando o pescoço do primeiro indivíduo com uma metralhadora, matando-o na hora. — EU DISSE PARA SE AFASTAR!
— Ela é mais poderosa que o Soldado! — um dos homens gritou, fazendo com que o comandante entre eles arregalasse os olhos.
— Pétala, afaste-se da cobaia, ou você será punida. — o homem caminhou até ela, sacando o caderno rosa do bolso do paletó.
Uma risada de escárnio escapou de seus lábios.
— Eu quero ver você tentar. — desafiou-o.
O minuto seguinte foi confuso.
Os soldados atiraram contra elas, mas nenhuma das balas lhe atingiu, por causa do escudo vermelho em volta das duas. Seus olhos formigavam, ela sentia como se pudesse explodir, mas era de um jeito bom.
Com um grito, várias lâminas brotaram do nada, atingindo a todos os homens presentes, criando um rio vermelho. Explodir fez bem ao seu corpo, tornou-a praticamente impenetrável.
Atrás de si, a garota cambaleou, soluçando.
— Você está com medo de mim? — perguntou-lhe assustada, encarando-a com os olhos baixos.
— Não. — a menina riu, limpando o sangue. — De todo o sofrimento que eu passei, esta foi a melhor coisa que aconteceu em toda a minha vida. — ela riu também, limpando o sangue do rostinho dela. — Me diga... eu vou poder fazer coisas como essa?
Lynna olhou carinhosamente para a menina, resolvendo adotá-la para si.
— Não. — o semblante dela caiu um pouco. — Muito pelo contrário. Você irá queimá-los. Eto budet tvoya sud'ba, malen'kaya koroleva.
— HANNA! — seu grito rasgando seco a sua garganta, forçando seus poderes a saírem de seu corpo, formando uma bonita nuvem vermelha à sua volta. A pequena parou de correr, no fim da linha, voltando-se para si quando ela gritou. — Eto budet tvoya sud'ba, malen'kaya koroleva.
Sua irmãzinha soluçou, cobrindo a boca para não assustar ninguém.
— Você lembrou! — ela disparou, voltando seu corpo completamente para si. — Você lembrou de mim!
Seus braços se abriram, fazendo-a correr contra ela, apertando-a em seus bracinhos de graveto. Como ela pôde ter se esquecido dela? Da sua pequena? Da criaturinha que iluminou seus dias frios? Da garota cujo ela ensinou a se defender?
— Eu sempre me lembraria de você. — murmurou contra os cabelinhos dela. — Você é o meu bebê.
— Mas você...? — ela se separou, seus olhos se arregalaram.
— Só você. — respondeu-lhe entristecidamente. — Eu não sei o que aconteceu comigo, mas seja o que for, está melhorando.
— Vai melhorar. — Hanna assegurou-lhe, apertando seus ombros. — Eu sinto muito, eu não devia ter me afastado. Eu não queria ter feito você passar por isso. Me desculpa. — ela sorriu, tocando o rostinho dela. — Por favor, não vai embora. Não me deixa aqui. Eu preciso de você. O time precisa de você também, assim como...
— Assim como...? — ela pressionou-a, arqueando a sobrancelha, foi quando Steve adentrou o corredor.
— Meninas, vocês estão bem? Eu ouvi gritos... — ele perguntou preocupadamente, alisando suas madeixas alongadas.
— Sim. Agora sai daqui, enxerido. — Hanna resmungou, apertando-a contra seu corpinho.
— Hanna! — Lynna arregalou os olhos para ela. — Olha os modos!
Ela fez biquinho.
— Não. — resmungou outra vez. — Ele é um loiro enxerido.
A mais velha deu-lhe um sorriso amarelo, olhando para a pequena como se dissesse ‘cara, ele é o líder do time, se comporta!’.
— Sinto muito, Steve. Ela não tem filtro. — disse tentando amenizar a besteira que aquela criatura estava fazendo.
Ele riu baixinho, negando com a cabeça.
— Acredite em mim, eu já estou acostumado com o humor dela. — seu sorriso lhe deixou um pouco estranha. Agora que ela se lembrava de Hanna, era como se sua mente começasse a disparar à procura de algum sinal, de algo que lhe dissesse que também ela o conhecia... — Fico feliz que vocês tenham se entendido.
Por que havia algo triste em seus olhos bonitos?
— Sim. — Hanna abriu um sorriso amplo, para depois fechar a cara. — Agora eu vou levar a minha irmã comigo. E roubar os doces que Loki anda roubando...
Lynna franziu o cenho.
— Loki anda roubando doces? — momentaneamente, Han e Steve se entreolharam, deixando-a um pouco desconfiada.
— Muito, mas isso não vem ao caso agora. — a morena declarou. — Tchau Steve, diz pro Loki que ele se cuide, o cerco está se fechando.
E com isso, ela arrastou-a até o seu apartamento, no intuito de assistirem alguma coisa no sofá repleto de edredons que ela tem.
*
Provavelmente, ela dormiu enquanto elas assistiam o terceiro filme.
Bem, assistir é uma palavra muito forte, elas conversaram enquanto um filme rolava na televisão, foi isso.
As duas falaram sobre bastante coisa, incluindo coisas sobre o tempo que elas passaram na Hydra. Atendendo aos seus pedidos, Han não mencionou muito sobre o Soldado, uma vez que ela ainda não entendia muita coisa do que sua mente relacionava a ele.
Lentamente, arrastou-se para fora do aperto da pequena, lembrando-se de enrolá-la em seus cobertores fofinhos. Ela tinha medo do frio, por conta das enumeras torturas que a Hydra lhe submeteu.
Com um beijo em sua testa, Lynna saiu do apartamento, dando de cara com uma cena assustadora na sala de estar:
O desgraçado do Soldado Invernal dando um beijo desentupidor de pia em Mary.
— MAS QUE PORRA É ESSA?! — disparou, assustando-os.
— Do que você está falando? — o traste cínico balbuciou, com a boca manchada de batom.
— DO QUE EU ESTOU FALANDO? EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ ESTÁ ME PERGUNTANDO ISSO, SEU FILHO DA PUTA! — gritou, avançando para os dois. — VOCÊ ME DÁ SINAIS DE QUE QUER “REVIVER O QUE NÓS TIVEMOS NO PASSADO”, MAS ANDA ME TRAINDO NA FRENTE DE TODO MUNDO!
— Lyanna, você bateu com a cabeça muito forte! — ele disparou, tendo a decência de limpar sua boca. — Eu e Anya somos casados!
O estalo veio forte quando sua mão direita chocou-se com a lateral do rosto do moreno, fazendo com que ele virasse a face para o lado, em choque.
— Não ouse dizer que eu fiquei louca! — rosnou, então olhou para Mary, ou Anya, ela não sabia o nome daquela criatura agora! — Eu esperava mais de você.
Então ela saiu voada da sala, com o Soldado gritando pragas em romeno para ela, tendo a coragem de segui-la.
— Volte aqui! Nós precisamos conversar! — ele bradou, mas ela o ignorou, subindo um lance de escadas sabe-se lá para onde.
— Eu não tenho absolutamente nada para conversar com você, seu traidor cínico de uma figa! — rosnou de volta, tentando fechar a porta na cara dele, que segurou-a com sua mão de metal. Maldita seja ela!
— Lyanna, volta aqui! — ele exigiu, mas ela o ignorou. — LYANNA STEFANYA ANGIANOVA, PARE DE AGIR COMO UMA CRIANÇA QUE PERDEU O DOCE E OLHE PARA MIM, AGORA!
— Não me chame de Stefanya! — ela arregalou os olhos para ele, fazendo-o arquear a sobrancelha em desafio. Como é que essa praga sabia de seu horroroso nome do meio?! — O que você quer de mim? Hm?! Não me diga que pode explicar o seu ato de pôr chifres no seu melhor amigo e em mim, porque eu sei muito bem o que eu vi!
Ele colocou as mãos na cintura, encarando-a como se não acreditasse no que ela havia dito.
— Eu e você NUNCA namoramos, sua doida! — disparou.
— NÃO ME CHAME DE DOIDA! — sim, ela desceu vários degraus apenas para estapeá-lo.
— Ok, ok. — suspirou, tentando sair da trajetória de sua tapa. — Deixe-me explicá-la: sobre o nosso tempo na Hydra, você só se lembra das partes ruins, de como eles me forçaram a segurá-la durante as torturas, de eu ter impedido você de fugir e tal. Mas eu nunca quis isso. Nunca quis te machucar... — seus olhos baixaram, tristes. — Antes de você perder completamente a memória, eu te salvei da base na Sibéria, mas eles te reencontraram. Assim como Hanna, eu e você estamos ligados pela dor, como IRMÃOS, e não como namorados.
— Verdade? — murmurou, ofegando quando ele assentiu. — Eu não consigo relacionar essa memória agora...
Ele sorriu docemente pela primeira vez, e ela acreditou nele.
— Tudo bem, leve seu tempo. — murmurou de volta.
— Mas e quanto à Mary? Hm? Ela está traindo Steve! — Lynna subiu dois degraus para ficar do tamanho dele, que revirou os olhos. — Eu vi a forma como os dois trocam carinhos e tals. Ela está com ele e você traiu o seu próprio amigo, Soldado!
— Primeiro de tudo: não me chame de Soldado, meu nome é Bucky. Segundo: Mary e Steve jamais foram um casal na vida deles! — ela abriu a boca para protestar, mas ele a calou com um olhar de pai severo, que estranhamente a fez ficar quieta. — Terceiro: ela é uma empata, é da natureza dela ser um pouco carinhosa demais com as pessoas, ela nasceu assim.
A ruiva mordeu o lábio, ponderando as palavras dele.
— Então... quer dizer que Mary e Steve não são um casal? — perguntou envergonhada.
— Não. Eles não são. — o Soldado... o ser humano confirmou, sorrindo provocativamente.
— Uh... — ela tentou não parecer feliz demais com a notícia... — E nós também não somos um casal? — o moreno negou. — Graças a Deus! Só de pensar em ter que te beijar me dá ânsia de vomito.
— Ei! Também não precisa esculachar! Eu posso não ser o cara que você está afim, mas eu ainda tenho minha beleza e o meu ego, ok? — ele disparou fazendo-a rir. — Não ria de mim, sua pequena irritante!
— Eu sei. — murmurou. — Você não é feio, mas eu não me sinto conectada o suficiente com você para beijá-lo.
Ele revirou os olhos, praguejando outra vez.
— Satisfeita? — arqueou a sobrancelha. — Agora você já pode ir atrás daquele idiota.
Seu rosto pegou fogo.
— Eu não sei do que você está falando. — desconversou, mordendo o lábio para não rir de sua cara de raiva.
— Vocês já terminaram de discutir a relação de vocês? — ela ouviu a voz de Mary do fim do corredor. — A galera está vindo e eu adoraria que os dois fingissem que são civilizados.
Lynna cruzou os braços.
— Eu sou civilizada. — respondeu a ofensa. — Agora saia da minha frente, Barnes, eu preciso comer.
Ele revirou os olhos e saiu caminhando pesadamente atrás dela, que rachou de rir assim que chegou à cozinha, fazendo os dois envolvidos na “treta” começarem a rir também, deixando todo mundo com um ponto de interrogação no meio da cara.
— O que está acontecendo aqui? — Tony perguntou, colocando umas garrafas pet contendo um líquido verde em cima do balcão. — Tire o olho, Lady de Inverno, a senhora não vai colocar suas mãos escorregadias em minha bebida!
Mary cruzou os braços, jogando-se no sofá.
— Eu nem pensei nisso! — disse-lhe com um sorriso no rosto. — Ei, já que você não está mais com raiva de mim por ter “traído” Stevie, que tal nós irmos numa noite das garotas? Hanna deve ter te contado sobre isso, não?
Escondendo o quanto sua cara foi ao chão e voltou com a primeira insinuação daquela criatura, a ruiva mais velha negou.
— Hanna e eu coversamos sobre bastante coisa, mas ela não me falou nada sobre a “noite das garotas”. — disse-lhe também jogando-se no sofá, observando-a ligar a TV.
— Hanna é uma imprestável. — ela disparou, fazendo Lynna arregalar os olhos ao ver a pequena adentrar o ambiente, coçando os olhinhos de maneira fofa.
— Imprestável é você, sua vagabunda saturada! — a criaturinha revidou. — Thor, retire essa sua bunda enormemente grande do meu assento e pare de cutucar essa faca, ou eu irei cutucar seu orifício anal com ela.
Imediatamente, a mais velha olhou para trás, arregalando os olhos para os modos agressivos da criatura que deveria ser a mais fofa de todas.
— Cuidado! Ela acordou cuspindo fogo! — cara, seu primo era meio doido de cutucar a onça com vara curta, não era?
— Você vai ver o fogo quando eu acabar de queimar esse seu aplique da 25 de março, seu palhaço! — ela resmungou, tentando empurrar o enorme corpo do loiro para fora do assento rosa. — Sai daqui!
— Vá procurar outro assento, sua encrenqueira! Eu cheguei aqui primeiro! — ele protestou, endurecendo o seu corpo.
— Mas todo mundo sabe que o banquinho rosa é meu! Fui eu que pintei! — ela gritou, empurrando-o, tentando beliscá-lo. — STEVIE! — Han jogou a cabeça para trás, berrando. — STEVIE, SOCORRO!
— Mas que arruaça está acontecendo aqui?! — o loiro americano adentrou a cozinha, arregalando os olhos para a cena bizarra de Hanna tentando empurrar Thor para fora do assento rosa, sendo que ela jamais conseguiria.
— Seu amiguinho não quer sair do meu lugar, e eu estou com fome! — a pequena gritou, dramaticamente fazendo bico.
— Hanna... — Steve pronunciou de maneira cansada. — É só procurar outro banco...
— Esses machos escrotos não me entendem! — como é que uma criatura pode mudar tanto da água para o vinho? Mary olhou para ela balançando as sobrancelhas, então ela sussurrou “aqueles dias chegaram”. Sua boca abriu-se num “ah”, entendendo a situação. Ela realmente parecia um pouco desconfortável hoje. — Tem três Soldados Invernais viciados em Corote comendo o meu lindo útero, enquanto uma passista de samba está chutando a minha cabecinha, tudo o que eu quero é chocolate, pizza, e o MEU LUGAR!
O loiro mais velho arreganhou um sorriso convencido em seu rosto de pastel que estava prestes a ser derretido. Ate rimou! Ou não...
— Não. — foi tudo o que ele disse, antes que Hanna desse um grito de raiva, espancando ele, que sequer sentiu uma grama de dor.
— Ok, não vai sair? Beleza! — com um sorriso psicopata, a pequena capturou uma faca enorme, indo até o fogão, onde Loki displicentemente assava uma linguiça, alheio (ou propositalmente ignorando) à briga. — Eu vou fazer com a sua, a mesma coisa que seu irmãozinho fez com essa daqui.
Ela nunca viu seu primo levantar-se tão rapidamente em toda a sua vida. Ela não entendeu muito bem isso. Hanna só estava com a linguiça assada na ponta de uma faca...
Sorrindo vitoriosamente, a criatura assustadora sentou-se no banquinho rosa, ajustando-se até ficar confortável, ganhando umas pragas em nórdico do loiro que se jogou ao seu lado no sofá, comendo suas nozes com certa irritação. Lynna esticou a mão para roubar a comida da tigela dele, que a olhou indignadamente.
Alguma coisa rola entre esses dois, não é? Thor e Hanna?
— Já acabou? — Bucky aproximou-se dela, sentando-se no banquinho que ficava à sua frente, fazendo-a negar. — O que você quer? E não vale dizer que quer mutilar o pobre coitado do Thor, pare de implicar com ele, sua encrenqueira!
Hanna fez bico.
— Eu quero chocolate. — disse manhosamente, enfiando sua cabeça em seus braços. — Minha barriga dói!
Rapidamente, o moreno capturou algumas barras de chocolate de dentro da caixa da pequena, encheu um copo d’água, deu alguns comprimidos para ela tomar, pegou-a no colo e se sentou no sofá com ela, fazendo o loiro ao seu lado encarar a cena com uma expressão perplexa.
— Qual é?! Ela armou uma cena para me tirar do meu conforto e nem vai ficar lá?! — disparou como uma criança birrenta, cruzando os braços.
— Sente sua raba lá para você ver o que acontece! — Han resmungou de volta, mastigando seu chocolate.
Dentre mais pragas em nórdico, a tarde transcorreu positivamente bem, com tudo em sua vida voltando aos eixos.
*
De noite, Mary adentrou o recinto vermelha como um pimentão. Pela sua aura, ela estava com raiva de alguma coisa. Ela resmungava algo em sua língua materna, assustando Hanna, que dormia como um “anjo”, depois de ter discutido com seu primo até mesmo sobre os filmes que todos estariam assistindo.
— Marnie, dá para calar a boca, eu estou tentando dormir! — ela resmungou, prolongando algumas silabas como ela faria quando estivesse manhosa, falando coreano.
— Fica quieta, Hanna! Eu estou tentando absorver o meu ódio, enquanto eu tento não afundar a cara daquela rapariga dentro da fonte do Complexo! — a outra disparou, cruzando os braços.
— Você fala da Mai... — Nat começou, franzindo o cenho, mas foi cortada por um grunhido da mais nova.
— Não pronuncia o nome daquela argh! — Marnie se jogou de cara no sofá. — Será que James é tão cego que não consegue ver que aquela coisa quer o corpo dele nu e ele está caindo na conversa dela?!
— Bem, Bucky só finge que sabe de alguma coisa, mas no fundo ele é tão tapado quanto os outros. — Hanna colocou lenha na fogueira, fazendo a ruiva anã (como quase todo mundo obrigou-a a chamar Mary para irritá-la) levantar a cabeça, apoiando-a numa das almofadas. — Você quer que eu te empreste o meu canivete?
Ela arregalou os olhos, sentando-se.
— Han, eu posso estar puta com aquele idiota, mas eu ainda não quero me desfazer do parque de diversões tão cedo! — resmungou, cruzando os braços. — Eu só queria encontrar uma saída para não ter que bater outra vez na cara daquela fulana, senão Steve vai me colocar de “castigo” permanentemente!
Ah! Elas estavam falando da embaixadora da SHIELD na Turquia, a tal de Maise... Maisya...? Ela não se importava.
Dava para entender o porquê de sua amiga estar brava com Bucky. Desde que ela chegou, não parava de cercá-lo, passar a mão em seu corpo e o idiota não fazia nada para impedi-la, o que com certeza lhe faria dormir na casinha do cachorro. Pelo que ela se lembrava, Mary tinha quase batido na cara dela quando as duas se falaram pela primeira vez.
— Quer saber? — num impulso corajoso, Lynna se levantou do sofá, limpando a poeira inexistente de seu conjunto de moletom quentinho. — Você não vai ficar jogada aí resmungando sobre Barnes. Nós iremos sair, para aquela noite das garotas. Vamos tomar banho, ficar cheirosas e vamos vestir vestidos de couro que Natalia irá nos fornecer. — Romanoff arqueou a sobrancelha para ela, cruzando os braços.
— Eu vou roubar a bebida potente. — Han também pulou do sofá, esquecendo a dor de suas cólicas. — Vai ser bom me vingar daquela Barbie Alienígena...
— Eu vou fazer a maquiagem de todas! — Wanda bateu palminhas, animada.
— Eu, vou roubar aquelas garrafas de vodka russa que eu vi na dispensa. — a mais velha declarou, jogando seu cabelo para trás.
— Então, eu irei roubar os Corotes de Tony para deixar tudo ainda melhor. — Marnie sorriu maliciosamente. — Essa noite promete.
— É. — Nat disse levantando-se também. — Tipo vários níveis de cirrose. Ainda bem que nós somos praticamente todas mutantes.
*
Algumas horas depois...
Já passava de meia-noite, Bucky estava prestes a se “transformar” no Soldado Invernal devido ao sumiço repentino das meninas, quando seu telefone vibrou em seu bolso.
Steve quase gemeu de alívio ao ver o nome de Wanda piscando na tela.
— Eu acho que minha calcinha caiu! — ele arregalou os olhos com o grito de Hanna. — Foi aquela biscate ali da esquina! Ela levou minha calcinha!
— Steve! Se estiver ouvindo isso, vem buscar essas loucas, elas fizeram uma mistura exótica de bebidas e estão praticamente tocando fogo na boate! — Wan gritou, tentando se sobressair ao barulho das caixas de som. — Estamos no mesmo lugar daquele dia, vem logo!
— Você só pode estar de brincadeira! — Bucky rangeu os dentes, largando o fuzil que ele havia pego para ir “resgatar” a sua esposa.
Dando de ombros, ele rebocou Thor, Sam, Pietro e o buldogue salivante para a minivan, dirigindo-se à mesma boate onde as meninas foram dançar no período em que Anna estava para baixo após sua tentativa de suicídio.
Quando eles adentraram o local, Wanda os esperava na porta, cruzando os braços para tentar se proteger do frio, tentando se cobrir naquele vestido minúsculo.
— Por que sempre que as cinco saem para beber, uma sempre acaba meio lúcida e ferra com a vida das outras? — Sam disparou, retirando sua jaqueta para entregar à cunhada, que rangeu os dentes.
— Acredite em mim, eu bebi, mas aí Mary e Natasha passaram a dançar em cima da mesa, então eu achei que pelo menos uma precisava ficar “acordada” para impedir que alguma merda aconteça, tipo um dos caras parrudos tentando apalpá-las... — a castanha resmungou. Sua voz parecia mesmo arrastada, apesar de ela estar lúcida.
— Isso não está acontecendo... — Bucky resmungou, caminhando para dentro. — SANTA MÃE DE DEUS!
Todos os meninos correram para ver a cena que ele estava vendo.
Steve engasgou, arregalando os olhos para o trenzinho formado por Anna, Mary e Natasha. As três iam lentamente até o chão, dividindo um poste de luz. A ruiva anã usava uma faixa escrito SOLTEIRA, enquanto cinco caras que não tinham medo de morrer jogavam notas de três espécies de moeda em seus pés.
Abaixo delas, Hanna catava tudo e colocava dentro do decote de seu vestido.
Ele precisou da ajuda do loiro asgardiano para segurar seu amigo no lugar e impedi-lo de sair socando os homens para longe da criatura dançando no meio da mesa.
A música da boate foi trocada para um... como era o nome mesmo...? Ah, um “funk proibido”, fazendo as três gritarem alto.
Imediatamente, as três viraram de costas, “quebrando” seus quadris no ritmo da música. Era estranho que elas, apesar de estarem bastante bêbadas, ainda possuíam coordenação motora para não caírem de seus saltos enormes.
Tomando um suspiro, Steve resolveu se aproximar primeiro, espantando os caras com seu olhar severo natural, arrancando algumas pragas deles, mas conseguindo fazer isso sem o tumulto que Bucky queria.
— Ela quer sentar, quer jogar a bunda pro ar, deixa ela vacilar, com as amiga quer zoar. Ela quer sentar, quer jogar a bunda pro ar, deixa ela vacilar, com as amiga quer zoar. Ela quer sentar DEVAGAAAAAR, PROVOCAAAAAAR, EMBRAZAAAR! — Marnie gritou a letra da música, enquanto tremia o bumbum, assustando-o. — Oi Stevie! Que bom que se juntou à festa! — ela estava extremamente vermelha devido à bebida, fedendo à mistura louca que elas fizeram. — E você ainda trouxe esse arrombado!
Ela fulminou-o com os olhos, arrumando a faixa de “SOLTEIRA” em seu ombro direito.
— Qual é, Anya?! — seu amigo pediu, aproximando-se da mesa, estendendo o braço de metal para tocá-la. — Vamos para casa, querida. Você já bebeu demais por hoje...
Ela deu um cascudo na cabeça dele, tão forte que o fez se encolher. Steve mordeu o lábio inferior para não rir da desgraça alheia.
— Eu não vou embora! Você me traiu! — ela fez um bico.
— Agora foi que deu! — o moreno rangeu os dentes, usando a frieza do metal para diminuir a vermelhidão em sua testa. — Até você?! O que aconteceu com essas garotas para achar que eu estou traindo alguém?!
— Você deixou aquela turca peituda passar a mão em você, seu cínico! — Marnie disparou com a voz arrastada, tropeçando nas palavras. — E não me diga que não foi, eu vi ela fazendo isso e ela queria seu corpo nu suado com mel, coisa que só eu posso ter!
Seu amigo revirou os olhos, tocando os pés dela.
— Não foi bem assim! — tentou argumentar, mas levou outro cascudo.
— Não tente me mentir para mim, eu sou não mentira, seu mentiroso! — quê?! — Stevie, você me leva no seu ombro?
Rindo baixinho, ele se aproximou dela, ajudando-a a deitar sua barriga em seu ombro direito, enquanto Bucky enrolava uma manta para cobrir o traseiro dela.
— Uhul! Eu também quero carona! — Anna disse, jogando-se em seu ombro esquerdo, fazendo Bucky revirar os olhos e enrolá-la numa manta também. — Finalmente eu vou poder pegar nessa bunda! — descaradamente, ela apalpou a bochecha esquerda de seu traseiro, fazendo-o ofegar baixinho, pulando no lugar quando ele sentiu outra mão pequena em sua bochecha direita. — Sai, Mary! É só minha!
Ele arregalou os olhos, pulando para tentar fazer as duas lhe soltarem.
— Meninas, se comportem! — resmungou, enquanto via Bucky carregar uma Nat sorridente em seu ombro de carne, depois de tê-la enrolado também. — Vamos Hanna!
— Não! — ela bradou, agarrando a mesa para não ser carregada por Thor.
— Lady Hanna, devolva o dinheiro da moça! — o loiro bradou, tentando arrancar o maço de dólares que ela segurava.
— Me solta, eu ganhei uma aposta justa! — a pequena gritou, socando o braço esquerdo do deus com um copo de metal. — O dinheiro é meu! — resmungando, ele soltou a mão dela, permitindo que Han pulasse em suas costas. Antes de saírem, a criaturinha mostrou o maço para a mulher loira com o batom borrado, sorrindo triunfantemente, enquanto mandava um dedo do meio para ela. — Se fudeu, otária!
Mordendo o lábio para não gargalhar alto, Steve caminhou para fora, com Mary e Anna brigando para ver quem iria tocar em sua bunda. Uma estava tentando imobilizar a outra com seus poderes.
— Stevie! Diga a essa saturada pervertida que eu sou a dona da sua bunda! — sua pequena rangeu os dentes.
— Mas eu quero me vingar de James! Você não a dividiria comigo só um pouquinho? — Marnie perguntou, tentando adulá-la.
— Tá bom. — ele sentiu a mão das duas na mesma bochecha, saltando de susto.
— Vocês duas podem parar de me apalpar no meio da rua?! — o loiro resmungou alto, sacudindo-se para tentar se afastar do aperto delas.
— Ops. — Bucky zombou abrindo a porta da minivan, onde Sam, Pietro e Wanda os esperavam com os olhos arregalados. — O carma é uma vadia.
Filho da mãe, Steve estreitou os olhos para o sorriso angelical dele.
Hanna pulou para o chão, utilizando a bunda de Anna como suporte, enquanto Thor entrou na van, para poder acomodar Natasha melhor, quando Bucky colocou-a gentilmente no chão. Ela esticou os braços para a pequena, que enfiou-se no banco de trás, jogando os pés no busto da Viúva, que sorriu e começou a desatar a fivela de seus sapatos.
Mary praticamente arrancou uma tira de couro de suas costas quanto foi “arrancada” de seus ombros. Ela chutou Bucky, até que ele conseguiu enrolá-la como um bebê em sua manta, fazendo um sinal para que Steve pudesse entrar no banco do meio, com Anna enrolada nele como um filhote de coala.
Sam fechou a porta e correu para se sentar no banco do motorista, assustando as meninas com o arranque do motor.
— Samuel, se eu morrer, eu volto para te infernizar e te matar do coração! — Hanna gritou, fazendo Nat parar o que ela estava fazendo para olhar para ele com raiva.
— Desculpa, senhorita histérica! — ele gritou de volta. — Mary está tentando me dedar psicologicamente!
A ruiva anã riu, piscando maliciosamente para o retrovisor.
— Anya, deixe Wilson em paz! — Bucky resmungou, tirando os sapatos dela, depois que a mesma o feriu com eles.
Hoje era o dia de ela ficar agressiva, ao contrário de Hanna, que estava acariciando seus cabelos no encosto, após ele ter escorado suas costas na janela. Essas meninas são tão complexas...
— Não, eu estou te traindo com ele! — ela reclamou com a voz arrastada, fazendo seu amigo revirar os olhos. — Porque você deixou aquela turca safada tocar no seu tanquinho!
Ele ia retrucar, quando Hanna começou a divagar:
— Eu queria lavar minhas roupas sujas no tanquinho de Thor. — detalhe: ela disse isso enquanto embaraçava seus cabelos!
Steve tentou não rir, mas foi difícil quando a cara do loiro atrás dele tinha virado um completo pimentão.
— E quem não quer? — Natasha perguntou, balançando as sobrancelhas para ela.
— Eu não quero. — Anna respondeu, para depois fazer uma careta. — É nojento, e eu já tenho um tanquinho só meu. — disse isso enquanto esfregava seu rosto no peito dele, fazendo-o corar fortemente, enquanto Thor lhe dava um olhar de vingança. — Vocês podem brigar entre si.
Natasha riu.
— Eu não preciso disso! — disparou. — Não quando eu tenho uma máquina de lavar particular!
Ele não entendeu aquela piada interna, mas as meninas sim, uma vez que todas elas se viraram para a Viúva com uma careta maliciosa.
— Nem todas nós temos a sorte de ter o Hulk como amante! — Marnie resmungou, fazendo Bucky arquear a sobrancelha para ela. — Que foi, Barnes? Eu já te disse que eu não sou cega como você é!
Ele soltou uma praga em alguma língua desconhecida.
Do nada, um silêncio suspeito imperou no carro, enquanto Sam chiava por conta do trânsito lento devido à neve que caia na estrada. Ele estava tomando o caminho mais longo até o Complexo?
Que espertinho!
— Você tem um fetiche pelo meu amor, eu te empurro e você logo volta. Não vejo razão em culpá-lo, se eu fosse você, eu também me desejaria uh... — Anna começou a cantar, remexendo-se em sua barriga. Imediatamente, ele capturou sua mão, antes que ela a descesse mais. Ela fez bico, franzindo o cenho, então, afastou-se dele, apenas para subir em seu colo, cutucando Hanna, que cochilava lá atrás. — Hanna, Hanna, Hanna Banana! — a criatura acordou no susto, franzindo o cenho para sua irmã. — Qual é o seu fetiche?
O carro freou com essa.
— Quê? — Han murmurou confusa, então seu cérebro bêbado chacoalhou. — Ah, sim! — ela deu um sorriso débil. — Eu quero comer cobertura de chocolate com chantilly e morangos. — a resposta dela parece ter decepcionado Anna. — Do peito de seu primo quando ele usa aquelas regatas de treino. Ele parece um lanche!
— Hanna, Lya, parem de falar, pelo amor de Deus! Eu quero volta para casa sem ser traumatizado pela mente pervertida de vocês duas! — Bucky gritou.
— Mary! — Anna ignorou o que seu irmão havia dito, descendo de cima dele para cutucar a outra ruiva, que havia se escondido no banco da frente. — Mary! — ela deu um cascudo no pescoço de Bucky quando ele tentou segurar a mão que cutucava a esposa dele. — MAARY!
A anã pulou do lugar, com o rosto inchado e os olhos sonolentos.
— Que é? Eu não tenho mais pinto! — ela disparou, esfregando seu rosto.
— Qual o seu fetiche? — Anna perguntou, curvando-se para o corpo dela, praticamente fazendo-o enfartar ao descobrir que ela não usava calcinha.
Rapidamente, ele jogou a manta sob o corpo dela, para proteger a sua nudez dos olhos curiosos fora da janela.
— Eu quero usar a moto de James de cama, enquanto ele veste aquele traje velho do seu noivo que eu remendei com linha rosa. — a criatura respondeu, dando uma risadinha.
— Então é por isso que você ainda não me devolveu o meu traje?! — Steve disparou, contrariado.
Marnie gargalhou.
— Meu querido, você nunca mais vai ver aquele traje! — ela disse com a voz embargada, dando “tchau” para ele com o pé direito. — Foi triste.
Saltitantemente, Anna voltou para o banco que eles dividiam, sentando-se ao seu lado, com as costas apoiadas em seu peito.
— Você ainda não nos contou o seu, querida. — o loiro ficou feliz por ter conseguido entender o apelido russo que Nat havia dito para sua pequena, mas nada contente com o resto da frase. Essas meninas eram imprevisíveis quando bebiam.
Ela soltou um risinho manhoso, afundando-se em seu peito, enquanto utilizava seus cabelos para esconder o seu rosto.
— Às vezes eu me imagino montando a cara de Stevie quando ele dá aqueles gemidos no aparelho de supino. — se o carro abrisse um portal para outra dimensão, ele entraria lá sem pensar duas vezes. Seu rosto não queimava de vergonha, ele estava derretendo. — Stevie... — ela olhou para ele, virando de cabeça para baixo, sorrindo por causa de seu rosto carmesim de vergonha. — Ophelia quer que você a beije!
SANTA MÃE DE DEUS, ONDE DEVO ENFIAR MINHA CARA AGORA?!
Ele queria não saber quem era Ophelia, mas agora já era tarde demais, ele só podia ficar ainda mais vermelho e olhar severamente para seus amigos, que tinham olhos estreitos para ele.
— IUPIEEE! — Hanna disparou, batendo em sua cabeça como um tambor. — Beija ela, Stevie!
— Hanna, querida, fica quietinha, sim? — ele pediu, retirando as mãozinhas dela de cima de si.
— Vocês são tão caretas. — ela resmungou, mudando-se para colocar o queixo apoiado entre as mãos. — Parece que alguém está feliz. — ela sorriu maliciosamente para ele, que cruzou as pernas. — Eu não falei dele, idiota! — apertou seu nariz. — Olha! — a criatura abriu a janela da minivan. — TIO BANNER, MINHAS CALÇAS CAÍRAM!
— Jesus Cristo! — ele ouviu seu amigo falar.
Imediatamente, Sam desceu da van, abrindo a porta.
Bucky foi o primeiro a descer, seguido de Steve, que ajudou Anna a se equilibrar em seus saltos, enquanto ela arrancava um tufo de seu cabelo da boca, fazendo um coque estranho com eles. Mary veio logo atrás, pulando para sair do carro, com suas pernas imobilizadas, recusando a ajuda do moreno.
Hanna saiu saltitante, deixando seu dinheiro cair.
— Natasha, pega meu dinheiro, mana! Vamos roubar mais bancos?! — ela gritou.
— Misericórdia, o que aconteceu com essas meninas? — Pepper perguntou com os olhos arregalados.
— Oi Pep. — Nat falou, sorrindo enquanto enfiava as notas de dólares de volta no decote de Hanna. — Quer fazer uma aposta?
As duas abriram um sorriso assustador para a loira, que negou imediatamente, caminhando com elas para dentro.
Cambaleantemente, Anna jogou seus sapatos na fonte do Complexo e cruzou o meio do caminho para bater no traseiro de Bucky, que brigava com Mary para poder levá-la para dentro também.
— Deixa ela quieta! — gritou com ele, atraindo sua atenção. — Você é feio.
Dando língua para ele, as duas entraram, fazendo-o dar de ombros para a expressão indignada que seu amigo tinha no rosto.
Quando os dois finalmente chegaram à sala de estar, se assustaram com a cena de Hanna pulando em cima da mesa, enquanto jogava dinheiro em cima de Nat, que dançava funk ao lado de Mary.
— Eu só posso estar sonhando. — Bucky fechou os olhos com força, beliscando a ponte do seu nariz.
— Então, isso só pode ser um delírio coletivo. — Steve afirmou, apertando seu ombro de carne, enquanto varria os olhos pelo local, à procura de Anna. — Onde a outra se meteu...? — seus olhos se arregalaram quando ele sentiu um aroma pungente de álcool. — Te achei! — ela deu um gritinho ao vê-lo, colocando a garrafa de vodka atrás de seu corpo, como se isso fosse enganá-lo. — Vamos, a senhorita já bebeu muito hoje...
— Não, eu não quero parar, eu juro que eu vou beber só mais um golinho! — ela pediu de maneira manhosa, apertando os braços ao lado do busto na tentativa de fazê-lo se distrair com isso. — Por favor, krasivyy.
Ele piscou por alguns segundos, incerto se ela tinha o reconhecido ou não em seu estado de embriaguez.
— Não senhora! Está na hora de dormir. — ele argumentou, puxando a garrafa de suas mãos.
Ela sorriu maliciosamente, empurrando seu corpo para se esfregar ao dele.
— E você irá dormir comigo, papai? — puta merda!
— Vou. — resmungou baixinho, triunfante porque ela havia permitido-o arrastá-la para fora da cozinha.
— Anya, por favor, não quebre o lustre! — ele ouviu Bucky resmungar para Mary, que tinha as mãos apontadas para a peça de cristal, enquanto seus poderes serpenteavam debilmente até ela. A criatura não parou, agarrando o lustre, quase puxando-o numa tacada só, se não fosse pela agilidade de seu amigo, que foi obrigado a colocar um bloqueador de poderes na esposa, para que ela não se machucasse, arrancando um grito frustrado da mesma. — Anya, pare! — ele gritou quando ela pegou uma tigela de vidro de dentro do armário, provavelmente para jogar na cabeça dele. — MARY ELIZABETH BARNES, COLOQUE ESSE POTE PARA BAIXO, AGORA!
— MEU NOME NÃO É MARY! — a ruiva anã gritou, colocando a tigela em cima da mesa para depois apoiar as mãos na cintura. — Meu nome é Nati Natini Savic de Albuquerque Pampic de La Tustuane de Bolda, mais conhecida como Danusa Deise Medly Leona Meiry Cibele de Bolda de Gaparri. A mulher jamais falada. A menina jamais igualada. Conhecidíssima como a noite de Paris. Poderosíssima como a espada de um samurai. Eu sou apertada como uma bacia, eu sou enxuta como uma melancia. Tenho dois filhozinho um zolhudinho e um barrigudinho. Casei com o dono da Parmalat, virei mamífera, só mamo. Pertenço à família imperial brasileira Orleans Bragança. Penetração difícil. — depois disso, ela tomou fôlego. E quando todo mundo achava que ela já tinha terminado, eis que ela joga seu cabelo para trás, com um sorriso. — Não sou a Grazielly do corpo dourado, eu sou a Leona da cor do pecado. Beijos.
— Eu não entendi nada! — Sam disparou, fazendo Bucky estreitar os olhos para ele.
— Meu nome é Nati natini... James, me deixa terminar! — Marnie resmungou quando o moreno pegou-a no colo, levando-a para fora da sala. — Eu quero você, chocolate. — ela saiu de lá estendendo as mãos para Sam, que afundou-se no sofá, assustado.
— É oficial, eu tenho medo das meninas! — seu amigo disse, encarando-o com os olhos arregalados.
— Vamos dormir! — Anna o cutucou, fazendo-o agachar-se para pegá-la. — Hanna, vamos!
— Eu não vou! — ela gritou, enquanto contava suas moedas. — Eu estou rica! Vou comprar a vida dos dor...
Ela dormiu?
Eu hein...
Dando de ombros, ele segurou as pernas de Anna e carregou-a pelo corredor até seu quarto. Ele não queria deixá-la dormir molhada de suor, então sentou-a na bacia do banheiro, para depois ligar a torneira, adicionando seus sais de banho preferidos que ainda estavam na validade, inclusive aquela essência de verbena que ela tanto gostava.
Ele quase morreu do coração quando teve que se inclinar para misturar as essências na água, por causa dos dedinhos intrusos de sua noiva em suas coxas.
— Querida, você deve se concentrar em ficar limpa... — Steve tentou argumentar, voltando-se para Anna, que tinha um enorme sorriso em seu rosto. — Vamos, meu amor, você não pode dormir fedendo!
Ela deu uma tapa em seu ombro, fazendo-o rir baixinho.
— Eu não estou fedendo! — disse-lhe de maneira arrastada, levantando-se da bacia. — Eu cheiro a rosas!
Rosas alcoolizadas, ele deveria salientar.
Com um sorriso em seu rosto, o loiro levantou, ajudando-a a tirar seu vestido de couro, quase ofegando ao perceber que ela não usava nada por baixo dele.
Ok, né?
Balançando a cabeça, ele permitiu que ela segurasse em seus braços para entrar na banheira. Depois, ele foi até o guarda-roupa para pegar-lhe uma toalha limpa, assim como uma muda de roupas para ela, que jogava água para fora.
— Oi. — abriu-lhe um sorriso, enquanto ele lhe estendia o pacote de removedor de maquiagem. — Quer tomar banho?
— Não. — ele se esquivou do jato d’água. — Eu já tomei.
Ela fez bico, mas voltou a sorrir, fazendo-o ficar bobo, mal acreditando que a tinha de volta para si. Se isso fosse um sonho, ele bateria na pessoa que estava tentando acordá-lo.
— O que tem aí para mim? — Anna perguntou-lhe, estendendo a mãozinha para a trouxa de roupas estendida em seu ombro.
— Pijamas quentinhos. — respondeu-lhe carinhosamente, esticando o braço para lhe entregar a toalha. — Você aceita uma xícara de café?
Ela negou, torcendo o cabelo, depois de ter lavado os resquícios de maquiagem.
— Eu só quero dormir. — murmurou, vestindo-se quando ele fechou os olhos. — Você vai dormir comigo?
Oh garoto, ele iria apanhar bonito amanhã, mas nada disso importava quando os olhos castanhos de sua noiva piscaram manhosamente para ele.
Os dois caminharam até a cama, onde ele se jogou de costas, permitindo que ela se esgueirasse por cima dele, abraçando-o como se ele fosse um ursinho de pelúcia, escondendo a cabeça na curva de seu ombro.
— Eu senti muito a sua falta. — seu ‘eu’ embriagado resmungou, enquanto ele jogava um edredom cinza por cima dos dois. — Havia momentos em que eu achava que jamais iria te ver outra vez. — ele não ousou respirar, apenas focado em suas palavras, enquanto fitava o teto com os olhos arregalados. — Eu provavelmente não vou me lembrar disso quando acordar, mas o que importa é o que eu estou sentindo agora. Falta pouco, logo, logo estaremos juntos outra vez.
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