The Bus Stop Girl

8 O primeiro passo


Minha chance. Minha chance. ERA A MINHA CHANCE!

Eu estava tão animado pelo fato de que poderia falar com ela pela primeira vez, que mal conseguia disfarçar a alegria. De longe eu podia ouvir algumas das garotas reclamando, porque afinal, era eu. Por que não elas foram as escolhidas para desfrutar do prazer da minha companhia? Porque elas não eram Caitlin Hayes, simples.

Disfarçadamente, fui colocando minha carteira e cadeira ao lado da dela, para que começássemos o trabalho. Fiquei impressionado ao notar que ela estava muito nervosa, não nervosa do tipo que jogaria um tijolo em mim, mas nervosa do tipo que estava com medo de falar comigo. Achei até cômico o fato de sem ter feito nada, ela já estar tímida.

— Eu acho que já te vi em algum lugar... — comentei ao me sentar. Caitlin não virou o olhar pra mim desde quando sentei. Fingiu estar distraída com alguns desenhos, os quais eu não prestei muita atenção porque estava ocupado demais vendo ela disfarçar o rubor em suas maçãs do rosto.

— Não me lembro de você. — ela negou com a cabeça, e ao virar o rosto para mim, percebi um sorriso de canto brincando em seus lábios.

Coloquei uma mão sobre o peito, como se eu houvesse levado um tiro ao ouvir ela falar aquilo, e com a mão livre, me segurei na mesa, tombando a cabeça para trás. Ouvi um riso baixo vindo da direção de Caitlin. Eu juro que, naquele momento, eu quase morri. Era uma melodia tão calma, tão suave. Ela não parecia ter forçado a risada, mas que aquilo havia saído tão naturalmente quando a vergonha que ela sentia em 90% do tempo letivo (porque os 10% restantes ela estava com... argh... Armie).

— Sabe, essa escola não tem uma boa fama. Por que resolveu vir pra cá? — coloquei meus braços agora em cima da mesa, virando o rosto para ela, que havia voltado a desenhar.

— Meus amigos disseram que essa escola tinha vínculo com uma universidade de artes, e que seria bem mais fácil entrar em uma se eu estivesse aqui.

— Oh, entendo. Bem, eu não estou com a mínima vontade de fazer esse trabalho agora. Posso te encontrar depois do almoço?

— Mas ela vai...

— Que bom que você aceitou! Vou estar te esperando na arquibancada da quadra de basquete, certo?

Mostrei um sorriso travesso. Ela meneou a cabeça negativamente, mas riu. Logo, sua destra estava estendida na minha direção.

— Eu sou Caitlin Hayes. — apertei a mão dela, como se estivesse fechando negócio.

— Fergus Russell. O prazer é seu.

Quem diabos apertava as mãos hoje em dia para se cumprimentar com menos de 70 anos de idade? Caitlin Hayes.