The Bus Stop Girl

9 O... segundo passo?


Quando começamos a verdadeira conversa, percebi que Caitlin virava os olhos de vez em quando na direção de Armie, e eu não poderia reclamar, afinal, ele havia feito um ótimo progresso. Percebi algo nela que era um pouco difícil de decidir se eu considerava como defeito ou qualidade:

Ela.

Falava.

Demais.

Qualquer assunto que eu iniciava, Caitlin sabia desenrolar, falando loucuras, criando teorias, inventando piadas e protestando como se dependesse daquilo pra se manter viva. De fato, ela era comunicativa. Mas exageradamente comunicativa. Em primeiro lugar, durante o intervalo fomos para atrás da escola e conversamos sobre diversos tipos de flores e como elas deveriam ser plantadas. Caitlin entendia tudo de flores e ervas, o que me fez desconfiar de certas ações que ela poderia fazer quando não havia ninguém por perto. Depois, nos sentamos novamente lado a lado na sala de aula e fizemos piada dos professores através de desenhos e mensagens em papéis. Deixando bem claro que isso era ideia dela, porque temia ser pega caso falasse, já que ela só sabia falar gritando. A garota desenhava bem, eu era um desastre. Descobri nesse meio tempo de conversas e risos que eu não estava apaixonado por Caitlin Hayes. Ela era cheia de qualidades, mas sobrepunham-se os defeitos e a impossibilidade de eu ficar com ela. Caitlin era odiada, eu era amado. Caitlin não tinha amigo algum, eu era rodeado de pessoas. Caitlin não era a garota mais linda do mundo, e eu precisava de alguém do meu nível.

— Fergus, por que você não come aqui comigo e com o Armie? Ele me disse que você era amigo dele, e eu também sou! Podemos comer juntos, como em As Vantagens de Ser Invisível . O que acha?

Ela me surpreendeu. E eu queria aceitar, queria ver como Armie estava indo, já que decidimos não nos falar até que essa primeira semana acabasse, junto com o desafio de ficar com Caitlin. Porém, caso me vissem com a garota mais odiada em tão pouco tempo eu estaria ferrado. Neguei com a cabeça no exato momento em que ela me perguntou aquilo.

— Eu poderia aceitar, mas preciso ajudar minha irmã... Ela tem alguns problemas e não pode andar, então eu sempre ajudo ela nos almoços, que é quando minha mãe está fora. — menti. Menti feio.

Ela ficou boquiaberta por uns segundos, assentindo logo depois disso.

— Entendo. Bem, então nos vemos logo após o almoço.

Assim que terminou de falar, Caitlin se levantou e saiu da sala. Se eu iria me arrepender de tudo isso mais tarde? Mas é claro que sim.