The Bus Stop Girl

4 O primeiro olhar


Ficar sozinha por muito tempo me faz voltar aos pensamentos negativos. E o local ajudava muito. Seis horas da manhã, um ponto de ônibus vazio, uma rua pouco movimentada. Muito de vez em quando eu ouvia um barulho de carro. Não conseguia ver o sol, os prédios impediam isso. Talvez se eu o visse, a depressão voltaria.

Na verdade, ela nunca se vai, não?

De vez em quando eu sentia um vento penetrar minha pele e trazer-me leves arrepios pelo corpo. Estava frio e nem era inverno ainda, se bem que era até agradável.

Ouvi um barulho e virei o rosto rapidamente para o que era. Pelo amor da força superior que alguém acredita, que seja meu ônibus!, pensei. Infelizmente, não era.

Ele tinha cabelos tão negros quanto o céu durante à noite e olhos verdes. Ou azuis. Azuis-esverdeados. Como um príncipe de estórias românticas ou filmes do tipo. Justamente quem eu queria longe. Eu sei que é errado julgar as pessoas pela aparência, mas sim, ele tinha uma expressão de que nunca valeria a pena. O tipinho popular que só se importa com o próprio nariz.

Foi um olhar só de relance, mas era natural que, ao ver um garoto assim, o coração de uma garota batesse forte e ela grudaria o olhar nas palavras confusas de um livro que não fazia sentido algum. Foi exatamente o que aconteceu. Mas no coração, eu senti um aperto. Que eu me lembre, esse garoto parecia alguém familiar.

Eu conhecia ele, tinha certeza. Mas... de onde?

...

Meus dedos envolveram o livro com força ao entrar no ônibus. Calma, Caitlin! Esse livro não é Destrua O Seu Diário!. Finalmente ele havia chegado.

Como prometido, sorri para o motorista ao entrar, perguntei-lhe o nome e assenti em um sorriso, dando um bom dia logo após isso. Fora um bom começo.

Andei até o fundo do ônibus, bem longe de todos e me sentei no banco ao lado da janela. Eu adorava colocar fones de ouvido e uma música alta enquanto olhava através do vidro. Trazia uma sensação de liberdade, como se eu estivesse em um filme, como se a vida de uma adolescente não tivesse preocupação alguma. E lá estava eu, poetizando em minha mente mais uma vez. Apenas pare com isso.

Era isso que eu precisava fazer ao chegar na escola. Apenas isso.

Certo?

Mais uma vez, errado.