The Bus Stop Girl
5 Promessa
— Ficou sabendo da novata? — ouvi um sussurro por trás do meu ombro direito.
Mais uma vez, Armie estava com o queixo sobre meu ombro, fazendo apenas-Deus-sabe-lá-o-que. Seus olhos brilhavam em curiosidade pela minha resposta. Eu já sabia dela, mas pelo modo como ele havia me perguntado, não seria legal elogiá-la.
— Que novata? — sussurrei de volta, sem mover muito o rosto para o lado para encará-lo de volta.
Eu já sabia dela. E infelizmente, não poderia dizer nada bom sobre a garota ou muito provavelmente eu seria crucificado por todos.
— Sei lá, cara. Pandora falou que ela era totalmente estranha e... você sabe, igual a última que chegou e não aguentou.
— O que mais ela falou?
— Ela e a Zoe disseram que a garota não era nem um pouco feminina, os cabelos dela estavam bem bagunçados e quando foram falar com ela, só receberam respostas secas com um sorriso cínico no rosto, acredita? Quem no mundo faz isso?
Mentirosas.
A novata era linda. E eu estava profundamente apaixonado por ela no exato momento em que entrou na sala. Era verdade que seu cabelo estava meio bagunçado, mas provavelmente era por causa do vento que havia pego na ida para a escola. Era eu o único a achar que aquilo havia dado um charme natural, o que era raro ver na escola? Pelo visto sim. Ele era longo e negro, e brilhava à medida em que ela movia a cabeça, chegando ao fim com cachos na altura da cintura. Todavia, ela não tinha um corpo que chegaria a ser desejável. As curvas eram bem poucas e de mínimo destaque, mas o olhar dela foi o que mais me encantou.
Grandes olhos castanhos, eu pude ver a confusão e o medo dela no olhar. Talvez a pressão havia sido demais logo no começo por Pandora e Zoe. Entretanto, os mesmos globos em seu rosto brilhavam em esperança, talvez de fazer novos amigos ou claro, sentar ao meu lado.
Quem não iria querer sentar ou falar com um garoto como eu, não?
— Armie, até que ela é bonitinha. — virei para trás um tempo depois de vê-la entrar na sala de aula, encarando Armie que parecia querer dormir de tédio enquanto a aula não começava.
— Bonitinha? Você é cego? Ela nem se arruma pra vir pra escola, é baixinha e parece mais reta que uma tábua de passar roupa. Na boa, vou trazer minhas roupas pra passar em cima dela. — ri baixo, meneando a cabeça negativamente.
— Vamos fazer uma aposta então, só pra brincar com ela. Quem pegar a novata primeiro fará o outro de escravo por uma semana.
Ergui o mindinho para cima, esperando que o dele se cruzasse com o meu. Armie mostrou um sorriso medonho, e concordou sem mais delongas.
Eu tinha uma semana pra colocar mais uma na minha lista. Em todo o caso, ela parecia ser um pouco mais difícil do que as outras haviam sido, e eu não podia negar ter sentido algo ao vê-la pela primeira vez, sentada em um ponto de ônibus, aguardando-o como se fosse mais uma obrigação do que por vontade própria. Não poderia discordar da vontade estampada no rosto de voltar pra casa, eu mesmo não estava nem um pouco animado para vir à escola.
Ouvi o sinal gritar em minha mente, me fazendo acordar rapidamente dos pensamentos. Virei o corpo para frente e tirei os cadernos da mochila.
Eu tinha sete dias a partir daquele momento.
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