The Bus
4 Amy
Notas iniciais
Capitulo IV — Amy.
Acordei ás 2 da manhã com uma ligação de James que soluçava mais do que falava sobre Sophie e o acidente. Fiquei pasma com a notícia. Sem me preocupar com o que meu pai diria, acordei o motorista e pedi para que ele me levasse o mais rápido possível à casa de James. No caminho, só conseguia pensar em como ele parecia ser muito maior que o de costume, falava para o motorista ir o mais rápido possível, precisava dar apoio a James e a Sophie.
Cheguei na casa de James e vi que ele não estava lá. Pensei que ele estivesse no hospital, então fui logo para lá. Por estar cansada do dia anterior, acabei pegando no sono me lembrando do parque e do ocorrido com aqueles garotos. Por mais que eu tenha dito ao James que ia protegê-lo, eu sabia que não fazia isso, um medo muito grande me impedia, mas ele sempre dizia "obrigado Amy, você me salvou", me fazendo acreditar que eu era a heroína. Ao chegar no hospital, pedi ao motorista que voltasse para casa, pois sai com tanta pressa que não havia levado nenhum objeto pessoal, nem o pijama eu havia tirado.
– Com licença, em que quarto eu encontro Sophie Mustang? — Perguntei a atendente que não parecia feliz por estar ali.
– Estamos fora do horário de visita, e só é permitido visita fora do horário apenas para parentes — Ela respondeu de forma vaga, sem tirar os olhos do computador.
– Mas eu sou parente dela, eu sou...uma prima. — ela levantou seu olhar para me analisar.
– Boa tentativa loirinha, mas o irmão dela já disse que ele é o único parente próximo — ela respondeu.
– Prima de consideração, eu na verdade sou... noiva do irmão dela! — disse me lembrando da cena que James havia feito no parque, e ao lembrar de "Minha Amy" senti meu coração pulsar mais forte — Agora pode me dizer aonde eu acho meu noivo?
Consegui convencer a atendente a me indicar o quarto, com uma má vontade, mas eu não estava ligando para isso. Quando cheguei no quarto, pude ver uma enfermeira saindo, não vi seu rosto, mas isso não importava, sabia que eles precisavam de mim. Entrei no quarto e meus olhos se encheram de tantas lágrimas que embaçavam meus óculos. Sophie estava deitada em uma maca, ligada a uma série de aparelhos e com machucados em várias partes visíveis de seu corpo, e James estava sentado na frente da cama com uma expressão vazia. Seus olhos estavam tão negros quanto o normal, até que ele me viu. Se levantou, me abraçando. Pude sentir seu corpo tremer. Tentei apertar ele contra meu corpo para que parasse de tremer, mas não adiantou, seu corpo continuava tremendo. Eu queria chorar, porém tinha que ser forte, como ele estava tentando ser. Por mais que estivesse doendo em mim, eu tinha que dar apoio e fazer com que ele se sentisse seguro, isso estaria sendo mais difícil para ele do que para mim.
– Amy... não precisava ter vindo agora — Ele disse — Sabe que seu pai não vai gostar nem um pouco disso. — ele disse em meio de lágrimas.
– Eu me entendo com ele depois — respondi secando meus olhos e depois os dele — Como ela está?
– Mal... os médicos falaram que ela tem uns ossos quebrados e chegou a bater a cabeça, mas graças a deus não teve um traumatismo craniano, mas tem um porém, eles não sabem se ela vai acordar... — ele chorou novamente.
– E o Jake? — James se sentou perto de Sophie, abaixando a cabeça, balançando negativamente e eu soube o que ele quis dizer
– Os pais dele já, saíram daqui tem pouco tempo — James falava sem olhar para mim e segurando a mão de Sophie — ela não vai gostar de saber disso quando acordar...
– James, eu... — não sabia o que falar, eu também estava em estado de choque.
– Senhor Mustang — fui cortada por uma jovem doutora na qual não prestei muita atenção, mas ela olhou diretamente para mim com olhos verdes penetrantes — eu sinto muito, mas terá que se retirar mocinha.
– Não... Tudo bem Doutora Eller, ela é minha melhor amiga — ele se levantou em meu auxílio — é da família.
– Estranho... na recepção falaram que ela era sua noiva — Disse a doutora.
– Noiva? — James olhou para mim e eu me senti corar.
– Eu tive que inventar uma desculpa para que aquela atendente me deixasse entrar... eu tinha que ver a Sophie.
Mesmo com tudo o que aconteceu James foi capaz de dar um leve sorriso, mas eu tive que sair da sala e deixar o hospital com uma ligação do meu pai, fui forçada a voltar para casa deixando James e Sophie sozinhos, mas prometi voltar de manhã bem cedo.Não conseguia dormir, meus pensamentos estavam a mil, o acontecimento com Jake e Sophie, meu pai, o jeito que James havia sorrido ao contar que tinha dito que era sua noiva, o jeito que ele tinha me defendido daqueles caras... as coisas estavam acontecendo muito rápido.Pela manhã, quando estava pronta para partir, fui impedida pelas empregadas, que diziam que meu pai não queria que eu me envolve-se com essa gente. Essa foi a gota D'Água. Fui atrás dele a passos fortes, sabendo exatamente aonde estaria, no corredor, que parecia um filme panorâmico da minha vida. Agora ele iria ver, eu iria vencer o medo de enfrentar meu pai.
– Papai... — chamei ao vê-lo admirar minhas fotos — Precisamos conversar.
– Amelia querida, o que te traz aqui tão cedo? — Ele veio até mim para me abraçar, mas eu o afastei.
– Por que não posso sair? — Disse firmemente.
– Ora Amelia, isso de novo. — Ele respondia com a maior calma do mundo — Simplesmente não quero que se envolva com essa gente.
– Essa gente... Papai, eles são meus amigos.
– Você terá amigos melhores, amigos que eu aprovo.
– Ou seja, amigos que o seu dinheiro compra — Disse levantando a voz — O Senhor não pode me prender aqui, prometi voltar aquele hospital, eles precisam de mim!
– Muito pelo contrário minha pequena Amelia... Eu posso e vou trancá-la aqui se for preciso — Ele levantou o tom da voz por um instante, mas logo falou mais baixo — o acidente da irmã de James foi algo trágico, mas isso é problema da família dele e não da nossa.
– Mas eles são a minha família e não vocês! — Vi a expressão de meu pai mudar e podia jurar que havia escutado passos vindo do outro lado do corredor.
– Amelia, como pode dizer isso? Você tem tudo o que quiser aqui eu e sua mãe amamos você.
– Mas eu não — O sangue fervente fazia meus ouvidos zunirem — eu amo James e Sophie.
Quando terminei de dizer aquilo, virei meu rosto sentindo uma dor na bochecha, meu pai havia me batido com tanta força, que cai no chão. Virei o rosto para ele, e vi Gladys entre nós dois falando algo que eu não ouvia direito, por ainda estar meio tonta. Senti Gladys me levar para o quarto, onde algum tempo depois meu pai veio gritando que eu jamais sairia daquela casa. Eu iria fugir, era a única solução. De madrugada com a ajuda de Gladys, que entendia minha situação, sai da casa sem que ninguém me visse, telefonei para o hospital para saber se James estaria lá, mas ele havia ido para casa, então resolvi ir para lá primeiro.Chegando na casa, encontrei a porta da frente entreaberta, então entrei sem me preocupar. Lá dentro, parecia que um tornado havia passado naquela casa, pois os objetos estavam todos no chão, e alguns aparentemente foram jogados contra a parede. Chamei por James,mas ele não havia respondido, procurei por ele pela casa até que o encontrei no seu quarto abaixado contra a parede em posição fetal.
– James o que houve aqui? — disse indo até ele e me abaixando de frente a ele.
– É a Sophie Amy — seus olhos pareciam que iriam se explodir de tantas lágrimas guardadas — os médicos não sabem quando ela vai acordar ou... — ele fez uma pausa — se ela vai...
A Sophie poderia não acordar? Um mar de lágrimas veio em meus olhos, mas eu precisava ser forte por ele. Eu o abracei forte, lhe dizia que tudo iria ficar bem, e que eu estava ali para tudo o que ele precisasse. James ficou parado por muitos segundos antes de botar tudo pra fora. Ele chorava muito, nunca havia visto ele assim. Ele me abraçava de volta tão forte que achei que fosse quebrar ali mesmo. Pensei que ele precisava de um copo de água. Tentei levantar nós dois, mas pisei em algo que nos fez cair sobre a cama, com James em cima de mim. Seus olhos castanhos estavam meio avermelhados devido as lágrimas. Ao ver que ele olhava diretamente para os meus, fiquei corada. Senti um calor percorrer meu corpo, minha mente começou a ficar em branco, e eu não conseguia pensar em mais nada a não ser beijá-lo. E assim eu fiz. Ele correspondeu alguns segundos depois, começou a passar as mãos pelo meu corpo me tirando suspiros que eu nunca havia experimentado. Aquele momento realmente tinha chegado, o momento que eu mais esperava desde que comecei a me apaixonar por James. Não conseguia acreditar. A cada toque, a cada beijo, a cada suspiro, só me fazia ficar mais apaixonada por ele.Já de madrugada, me vi em volta dos braços de James, me lembrando do que havíamos feito, me levantei, me vesti e o olhei, eu precisava fazer isso.Dormindo, querendo nunca deixá-lo, e ao me lembrar que teria, senti lágrimas escorrerem pelo meu rosto.
– Adeus James,eu te amo. — disse com um sussurro, deixando-lhe um beijo na testa, sai pela porta.
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