Notas iniciais
"A pesquisa prosseguiu até que em um dia o cubo se tornou brilhoso, era um brilho muito forte."

Anos atrás em uma de suas pesquisas, Thomas Faccini estudava radiações em rochas e pequenos fragmentos de asteroides encontrados na região montanhosa do Himalaia. Eram encontrados muitos tipos de materiais para sua pesquisa, mas nada que realmente valesse ou que fariam muita diferença, mas ele continuava as estudar e procurar.

Do material coletado o que era de maior significância e onde Faccini focava sua pesquisa eram em fragmentos de asteroides do tipo C, também chamados de asteroides carbonáceos. São tipos de asteroides mais comuns dentre todos. Estima-se que 75% dos asteroides são do tipo C, eles tem uma composição química parecida com a do Sol e da nébula solar primitiva, excetuando que estes não contêm hidrogênio, hélio e outros voláteis. Não eram fragmentos grandes, já que os asteroides não tinham contato direto com a Terra, mas eram fragmentos deixados por asteroides que passavam próximo ao planeta. Os fragmentos emitiam um baixo grau de radiação infravermelha, o que era relativamente normal, pois asteroides deste tipo absorvem bastante radiação solar devido à presença de água retida na sua estrutura.

Em um dos dias que Faccini resolveu sair para coletar mais material, avistou ao longe um clarão, não sabia o que era e também estava muito longe para saber.

- Não é um lugar habitado, o que será que foi aquilo? – se perguntava Faccini.

O lugar do clarão era um pouco distante e entre as montanhas, Faccini sabia que não era um lugar habitado e que também era um lugar de difícil acesso, isso o fazia crer que o clarão poderia ser algo que contribuiria para sua pesquisa e não era um fato que poderia ser ignorado. Mas naquele dia já estava um pouco tarde, era inverno – faz muito frio nessa região durante o inverno – e se fosse até lá àquela hora, era provável que já fosse noite quando voltasse. Sem dúvida todos estes detalhes tornariam o caminho até o local muito perigoso, então Faccini decidiu que iria ignorar por enquanto e quando amanhecesse, iria até o local.

Naquela noite, Faccini estava inquieto quanto ao clarão que tinha visto, ele queria saber o que era – curiosidade estava dentre as características do Dr. Faccini – e ele estava decidido a ir investigar a área quando amanhecesse. Ele não conseguia dormir e de repente sentia saudade de sua família. Faccini era viúvo — sua esposa havia morrido no parto de seu único filho — morava com sua mãe e filho. Ele era um pouco ausente, já que vivia em viagens com suas pesquisas e naquele momento Faccini sentiu que isto deveria ser diferente. De alguma forma ele queria ser mais presente, participar mais do crescimento do seu filho que até então passava a maior parte do tempo sozinho em casa com a avó.

- A partir de agora passarei mais tempo na minha cidade, conduzirei meus estudos no meu centro de pesquisas e serei mais presente com a minha família. Meu filho deve sentir falta de me ter por perto. – decidiu-se.

Faccini não teve pai, ele se lembrou do quão um pai fez falta em sua infância e ele não queria que seu filho sentisse o mesmo. E ali, ele havia decidido que após aquela viagem não seria mais da forma que era e que não viajaria tanto, e se o fizesse, levaria sua mãe e seu filho com ele.

Quando amanheceu, Faccini estava lá pronto para partir até onde tinha visto o clarão. Levava consigo alguns equipamentos de segurança, alguns de primeiro socorros e equipamentos de proteção e medição de radiação. Ele era experiente, já tinha explorado lugares perigosos em suas viagens e sabia como lidar com aquele tipo de situação. Então prosseguiu para o local.

O lugar era no meio das montanhas, o caminho era difícil, cheio de rochas lisas e o vento forte só dificultava o prosseguimento do doutor. Durante o trajeto que demorou algumas horas , parou por diversas vezes para descansar, beber água e comer, até que chegou ao local.

- Deve ser por aqui, tenho certeza.

O medidor de radiação indicava um nível maior de radiação na área.

- De onde veio aquele brilho? Não vejo nada e ninguém por aqui. Não vejo sinais de explosão ou colisão. Nada que pudesse ter causado aquele brilho. – perguntava-se Faccini.

Continuou caminhando pelo local examinando minuciosamente a área em busca de encontrar o que causou o que ele tinha visto.
Faccini procurou por cerca de duas horas e ainda não havia achado nada, exceto por mais um fragmento de asteroide, mas não era aquilo que tinha causado o brilho, certamente. Ele não desistia e continuava procurando até que se deparou com um pedaço de um objeto que nunca havia visto antes, não era uma pedra e nem um fragmento de asteroide. Estava no meio da neve e indicava níveis de radiação, ele não fazia ideia do que era aquela rocha. Guardou e decidiu levar para o laboratório para estudar aquilo e voltou a procurar o que poderia ter causado o brilho que havia visto. Faccini não imaginou que aquilo que tinha encontrado fosse o que causou o brilho e por conta disto, continuou procurando por lá.

Faltavam algumas horas para escurecer e Faccini tinha que voltar para a base de sua pesquisa, aparentemente ele não tinha encontrado o que causou aquele brilho, e isso de certa forma havia o deixado decepcionado, mas ele sabia dos riscos que correria se ficasse ali por mais tempo, então voltou.

- Pelo menos encontrei este material estranho para estudar, então até que vir até aqui não foi totalmente perca de tempo. – comentava Faccini para si mesmo enquanto olhava para a rocha estranha que havia coletado.

Nos dias seguintes, Faccini voltou mais algumas vezes ao local, para tentar encontrar algo que houvesse causado o brilho, mas nada encontrava. Após isso passou mais alguns dias observando as áreas próximas para ver se avistava o brilho mais uma vez, mas nada. Não voltou a ver aquilo e com isso decidiu focar-se no estudo do material coletado.

- Bom, não sei o que possa ter sido aquele brilho, mas parece que não o verei novamente. Vou estudar o material que coletei, mas já passei muito tempo aqui, vou voltar para casa e estudarei isso no meu centro de pesquisas.

Ele havia decidido então voltar para sua família e conduzir a sua pesquisa em seu centro de pesquisas. Sendo assim, removeu sua base de pesquisa nas montanhas, e voltou para sua cidade com tudo que tinha recolhido e tudo que já havia concluído de seus estudos no local.
Já no seu centro de pesquisas, deixou a rocha estranha dentro de um cubo transparente que isolava a radiação. Ele estava se precavendo dos riscos de ficar muito exposto a radiação que aquilo emitia.

Passou meses pesquisando aquilo até concluir que era um estranho tipo de fragmento de estrela, mas essa era diferente das outras e isso o deixava ainda mais cheio de dúvidas, o nível de radiação também aumentava e isso fazia com que ele evitasse cada vez mais tira-la do cubo sem os devidos cuidados. A pesquisa prosseguiu até que em um dia o cubo se tornou brilhoso, era um brilho muito forte.

Notas finais
Opinem e Comentem.