Notas iniciais
Nada importava, apenas seus próprios interesses.

O despertador tocava loucamente sem ninguém para desliga-lo, até que James então acordou e percebeu que era hora de se arrumar para a aula. No chão uma caixa preta, um cubo transparente e um pedaço de rocha nunca visto antes por ele. James apenas olhava para os objetos, sem dizer, nem pensar nada. Naquele momento ele percebeu que não havia sido apenas um sonho, embora também não tivesse ideia do que acontecera, mas não parecia nada diferente, seu quarto estava intacto e dentro do cubo – agora aberto – um pedaço de rocha.

– James! O café está na mesa, não vá se atrasar! – gritava sua mãe da cozinha.

– Já estou descendo. – respondeu.

– Estava tão cansado assim? Dormi e nem percebi. Preciso começar a repousar mais. E [...]. Essa pedra [...]. Não brilha mais, o que será que era? –resmungava sozinho.

Juntou os objetos da forma que havia encontrado, fechando o cubo transparente e o guardando dentro da caixa preta. Colocou dentro de um baú, onde guardava suas coisas antigas. James não queria esconde-lo, apenas deixou lá para que pudesse analisar e decidir melhor o que era aquilo e o porquê de ter parado de brilhar. Ele achava que poderia ser algum tipo de luz de emergência, mas era pequena para isso e também não parecia ter uma bateria ou algo do tipo. Aquilo não se parecia com nada que ele tivesse visto antes. Não demorou muito – enquanto se arrumava – para achar que era bobagem se preocupar com aquilo, era apenas um objeto qualquer, assim como suas imaginações incríveis que lhe ocorriam ao ler suas histórias em quadrinhos.

– Bobagem. Deve ser alguma brincadeira daquele pessoal da escola. – voltou a resmungar.

Desta forma, pegou sua bolsa, desceu para a cozinha, tomou seu café da manhã, se despediu de sua mãe e partiu para o colégio. Em um primeiro momento nem havia se lembrado de que Anna o tinha inscrito no teste para o time de futebol, mas também não demorou muito para se lembrar.

– Aquela droga de teste! Já tinha esquecido. Eu nem deveria comparecer. – pensou.

Embora não quisesse ir, para ele era difícil contrariar a Anna, talvez por ela ser uma mulher e ele não querer parecer grosseiro. Mas também sabia que não tinha a mínima chance de passar no teste e que ainda iria passar vergonha e chamar a atenção negativamente. E isso tomou conta dos seus pensamentos durante toda a aula. Sua distração era tanta a ponto de ele não ter visto Anna lhe dar bom dia e lembra-lo do teste, mas de alguma forma ele sabia disso.

– Anna... – chamou-a timidamente.

– Sim, James. – respondeu a garota.

– É que você falou comigo e eu estava um pouco distraído. Desculpe.

– Tudo bem, James. Não se preocupe.

Aquilo realmente tinha sido estranho. James pela primeira vez dirigiu a voz para Anna – sempre ela que começava os assuntos – e aquilo havia sido diferente, o suficiente para Anna sorrir.

Não demorou muito para que a professora chamasse a atenção de todos para passar os exercícios referentes à aula. Todos se aquietaram e iniciaram a tarefa. Pouco tempo depois, James havia acabado. Algo que nunca havia acontecido, ele entregou o dever antes de todos, fato que chamou a atenção da classe. Logo depois foi a vez de Anna, que diferente de James, não causava surpresa em ninguém, pois era a melhor aluna da classe. Os dois encontraram-se fora da sala.

– Eu pensei que você não havia prestado atenção na aula, mas parece que eu estava errada. – sorria Anna.

– Estava fácil, parece que a professora aliviou desta vez. – respondeu James. Estava sem graça pelo acontecimento inédito.

– Será que estava mesmo, James?

– Acho que sim, nem tive problemas pra fazer.

– Era matéria apenas da aula de hoje, você havia dito que estava distraído. – explicou Anna.

– Não sei explicar, mas era tranquila essa matéria. – disse James segurando um sorriso envergonhado.

– Sei. – riu Anna – Você deveria se arrumar para o teste do time de futebol.

–Não sei se devo...

– Você vai sim, vai dar tudo certo. – Interrompeu Anna.

James não discutiu, apenas foi para o vestiário se preparar para o teste. Não demorou muito para que estivesse pronto e após isso se dirigiu para o campo. Lá sentou com Anna e esperou pelo inicio.
Quando o Treinador Kurt chegou, com aquela aparência ranzinza, já tratou logo de passar as orientações para o teste. Seria um jogo com campo reduzido com dois times de sete jogadores. O treinador olharia a atividade e os que se destacassem seriam chamados pelo treinador. Os garotos que já estavam no time ficaram atrás do treinador para ver quem seria escolhido para ser seu novo companheiro.

James, nitidamente nervoso, ouvia as orientações do treinador e mal conseguia se ater ao que era falado. E desta forma, o teste começou. Todo aquele nervosismo de James sumiu e ele começou buscando aparecer, sempre se posicionando bem dentro do campo. Era como se ele soubesse o que fazer, era como se ele fizesse de forma involuntária ou inconsciente. De alguma forma, James era o melhor ali e estava no lugar certo, ele definitivamente sabia o que fazer com a bola. Todos estavam impressionados.

O treinador Kurt encerrou a atividade 45 minutos depois. E assim que assinalou o fim, James foi cercado pelos garotos do time. Todos o elogiando, perguntavam por que ele nunca havia jogado nas aulas de educação física, ou nos encontros de classe que eram partidas disputadas entre as classes nos fins de semana. James apenas sorria. Estava feliz, pois havia algo que ele era digno de elogios. Tudo aquilo era novo para ele.

O treinador Kurt anunciou James como o escolhido, o que até então, pela euforia de todos, não era nenhuma surpresa. As garotas que assistiam e torciam pelo time do colégio, começaram a gritar o nome dele. James estava tão eufórico que esqueceu completamente de Anna e se juntou a um grupo de jogadores que foram de encontro com as garotas da torcida e lá ficou até o entardecer. Anna já havia ido embora e James sequer percebido. Ele também não estava preocupado, afinal naquele momento, era reconhecido por todos.

Ao chegar em casa com uma alegria incontida, James se depara com Katerine chorando, sua alegria era demais para isso, então resolveu ignorar. Ouviu Kate- sua mãe- comentar com seu pai Richard, o motivo de Katerine estar triste. A avó de Allan havia morrido e era o ente mais próximo de Allan da qual ela tinha contato. Mas James não se importava com eles, não conseguia se importar, ele tinha seus motivos para estar feliz e apenas isso importava.

Notas finais
Não esqueçam de opinar e comentar. ;)