The Boy Next Door
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Now, enjoy!
Depois de almoçar, eu e Finn subimos para o meu quarto. Ele porque queria usar o computador e eu porque tinha que ligar para Kurt. Eu havia prometido que daria notícias quando voltasse pra casa. Imaginei que naquele momento ele já devia estar maluco, porque ele viu que eu havia chegado em casa há muito tempo e não tinha ligado pra ele.
Ninguém atendeu quando liguei para a casa dele. Resolvi então ligar para o celular. Um pouco antes do tempo de espera terminar ele atendeu.
“Quem é?”. Ele estava com uma voz cansada. Parecia que tinha acabado de acordar. Ops. Mas só lamento. Ele teria que acordar e ouvir toda a minha narração do meu encontro com Finn. Sim, Finn estava ao meu lado, mas não tinha problema ele ouvir.
“Olha no identificador de chamadas, besta.”, falei, irritada. Eu queria muito falar com Kurt, independente do seu estado de saúde. Ele ficou doente por pura vontade própria.
“Não preciso. Com essa delicadeza toda só pode ser você.”, ele retrucou.
“Ouch.”, disse Finn, da minha escrivaninha, já que a chamada estava no viva voz. Se eu estava constrangida com esse fato? Nem um pouco.
“Cala a boca!”, sussurrei, com toda a força que eu pude. Só não joguei algo pesado nele porque poderia estragar meu computador. Droga de Finn e sua localização!
Ele apenas riu e voltou a se concentrar no que quer que estava fazendo. Kurt estava em silêncio do outro lado da linha. Das duas, uma: ou ele tinha caído no sono ou estava ouvindo cada ruído atentamente.
“Kurt.”, chamei.
Ouvi em resposta algo como “Esperacalmaacordeirelaxajálevantei.”. Revirei os olhos.
“Enfim, Kurt. Você não quer saber como foi?”, perguntei.
“Como foi o que?”. Ele disse tudo provavelmente sem nem abrir a boca, já que eu demorei alguns segundos para entender.
“Ora, o que! O meu encontro com Finn!”, gritei. Finn virou para trás para me lançar um sorriso encantador, que eu não pude deixar de responder.
“Ah. Agora não.”, disse Kurt, desinteressado.
Finn soltou uma gargalhada. Olhei para ele morta de raiva (ele nem percebeu, já que estava de costas pra mim, mas quem se importa). “Não foi você que ficou dois meses me torrando a paciência narrando milhões de suposições sobre como seria meu primeiro encontro com Finn?”
“É. Mas aquele foi Kurt. Quem está falando é Alguém Que Não Se Interessa. E ele deseja dormir.”, falou ele, desligando na minha cara.
Fiquei alguns segundos com o telefone na orelha encarando o nada boquiaberta. Como ele ousa desligar na minha cara sendo que ele mesmo que pediu para eu ligar pra ele? Tosco. Kurt era um tosco. Um tosco muito tosco.
“Obrigado pelo apoio, Finn.”, falei, matando-o de diversas formas dentro da minha mente. “Não teria conseguido sem você.”. Me joguei para a trás na minha cama, cruzando os braços e encarando o teto.
“Não fica assim. Kurt só estava cansado.”, Finn disse, sem nem tirar os olhos do computador.
“Quanto amor.”, sussurrei.
Com isso, Finn se levantou e veio se deitar ao meu lado, passando os braços em volta de mim. “O que você quer que eu faça, amor?”, sussurrou delicadamente na minha orelha enquanto enrolava alguns fios do meu cabelo. “Que eu te abrace? Beije? Compre chocolate? Vá bater no Kurt? Ou pior: jogar algum creme dele pela janela? Qualquer coisa por você.”
Eu deixei um sorriso escapar. “Tudo isso, com exceção da parte de bater no Kurt.”
Ele me virou, fazendo-me ficar de frente para ele. Finn apertou ainda mais os braços em volta de mim, transformando aquelas carícias em um abraço de verdade. Depois de alguns segundos afrouxou o abraço e me olhou intensamente nos olhos. “Um item cumprido.”. Colocou a mão delicadamente sobre o meu queixo enquanto me beijava. “Dois.”. Eu sorri. “Lamento que o chocolate eu só vou poder comprar amanhã e o creme eu só vou poder atirar pela janela quando chegar em casa... o que não vai ser tão cedo.”, disse ele, com um sorriso travesso.
. . . . .
“Rach, relaxa. Ela não vai te matar.”, disse Brittany, enquanto eu esperava Finn em frente a escola. Ela estava esperando Santana chegar para poderem ir embora para casa juntas.
“Nunca se sabe.”, falei, nervosa. Queria que Finn estivesse ali. Ele com certeza me protegeria dos xingamentos maldosos que Santana atiraria em mim. Mas ele havia me dito mais cedo que havia esquecido o celular em casa, então ele não veria as vinte e duas mensagens de resgate que eu mandei desde que soube que teria que ficar frente a frente com Santana.
“Ela não vai te fazer mal. Eu não vou deixar.”, disse Brittany, me abraçando. “Olha! Seu unicórnio tá vindo!”, ela falou, depois de me soltar. “Kurt!”, gritou ela, acenando.
Kurt, como sempre estava com uma roupa incrível. Naquele dia ele estava com óculos escuros pretos enormes, assim como o cabelo todo para cima. Quando viu nós duas, sorriu e veio em nossa em direção.
“Boa tarde, garotas.”, disse ele, quando parou do nosso lado. Kurt tinha seu próprio carro, mas resolveu ficar com a gente até irmos embora. Eu até ofereceria carona para ele, mas eu queria ter meu momento com Finn na hora do almoço e Kurt estragaria meus planos. “Você quer carona pra casa, Britt?”, disse Kurt. Brittany não tinha carro e ficava difícil para os pais virem buscá-la na escola.
“Não precisa. A San já tá vindo pra gente ir embora juntas.”, ela falou, sorridente e empolgada.
Kurt olhou preocupado para mim. Ele sabia que Santana estava com raiva de mim e que se ela me encontrasse fora da sala de aula daria confusão. Ele me lançou uma piscadela. Estaria ali para me apoiar. Kurt era o melhor.
“Por falar nela...”, disse Kurt. Virei para trás e percebi que Santana estava se aproximando.
Comecei a rezar mentalmente. Eu não queria ter que confrontar Santana fisicamente. Eu não era e nunca seria boa em lutar. Rumores diziam que Santana saia vitoriosa de todos os confrontos que tinha.
“Hey, Britt.”, disse ela, beijando a bochecha da namorada. “Lady Gay. Hobbit.”, ela falou, se referindo a mim e Kurt. “Não estava esperando ter que ver a cara feia de vocês aqui.”. Ela lançou um sorriso antipático tanto para mim quanto para Kurt.
Eu e ele estávamos parados, imóveis, temendo reagir. Todos sabiam que independente de como você revidasse, Santana sempre revidaria melhor; eu principalmente sabia disso, já que éramos bastante próximas. “San, não seja grossa.”, pediu Brittany. “São nossos amigos, se lembra?”
“Yeah. Porcelina, sim. Mas a Man Hands… Não estou lembrada de ter uma amizade com ela.”, ela falou, com suas palavras afiadas, fingindo estar pensativa.
Ouch.
“Santana, que tal deixar de ser tão delicada?”, falou Kurt, com a voz bastante grave.
“Não se meta na briga que não é sua, garota.”
O olhar de Kurt perdeu o foco por um segundo, mas ele continuou. “Não é minha, mas envolve a minha melhor amiga, então eu tenho todo o direito de interferir.”
“Só porque essa briga envolve sua melhor amiga e seu irmão não significa que você tem o direito de interferir.”
“Isso tem a ver com Finn também? Agora é que eu posso interferir, babaca.”
Santana riu, sem humor. “Sabe, Hummel, é aí que você se engana. Isso envolve relacionamentos, algo que você não entende.”
A cor do rosto de Kurt se esvaiu. Ele me olhou para mim com a expressão indecifrável. “Rach, eu vou para casa. Me liga quando chegar.”. E saiu para o estacionamento.
“Muito melhor agora.”, falou Santana, se aproximando de mim. “Vamos resolver nossas pendências, RuPaul. Eu não gostei muito do que você falou na aula ontem.”
Eu continuei parada, não ousando trocar olhares com ela. Olhei para Brittany, mas ela também estava sem reação. Eu não podia culpá-la. Brittany era pura inocência. Ela não se meteria em nenhuma briga.
“Hey, guys.”, disse uma voz atrás de mim.
Graças a Deus Finn existe na minha vida. Ele passou os braços pelos meus ombros, me trazendo para mais perto e dando um beijo no topo da minha cabeça. “O que está acontecendo?”, perguntou ele, vendo o olhar de ódio nos olhos de Santana e o jeito como eu estava encolhida.
“Eu estava tendo um papo realista com a sua namorada.”, ela falou, sem deixar de me encarar.
“Amor, tá tudo bem?”, sussurrou ele na minha orelha, numa altura que Santana não pudesse ouvir.
Eu liberei um quase inaudível “não”. Ele olhou em volta, como se estivesse checando se haviam pessoas por perto. “Vou ser bem direito, Santana. Eu não gosto do jeito que você trata a minha namorada. Deixa ela super mal achando que fez algo de errado, quando a única culpada nessa história toda é você.”. Ele apertou os braços, me envolvendo num aperto mais forte, me levando em direção ao estacionamento.
“Então é isso? Fugindo do confronto, Berry? Sabe, um dia seu namorado não vai estar aqui pra te resgatar!”, gritou Santana, quando estávamos a uma certa distância.
Finn se virou para trás e lançou o dedo do meio para ela. Pude ouvir uma gargalhada em resposta.
Quando chegamos a sua picape, ele abriu a porta para mim, como sempre. Mas, antes de me soltar, ele levantou meu rosto, obrigando-me a olhá-lo. “Eu sempre vou te resgatar, ok? Em todas as situações eu vou te ajudar de todas as formas possíveis e impossíveis.”
Eu assenti. Finn podia deixar de ser tão perfeito de vez em quando. Um dia isso me mataria, porque eu ficaria muito tempo sem respirar. “Eu te amo.”
Ele me beijou delicadamente em resposta. Alguns sentimentos nem sempre eram expressos com palavras. Depois de alguns segundos ele me soltou e me ajudou a sentar no banco do carona, me deixando de frente para ele, de modo que ele conseguisse deixar os braços em volta da minha cintura.
“Pra onde você quer ir hoje?”, ele perguntou, fazendo círculos na lateral do meu corpo.
“Podemos ir comprar meu chocolate?”, perguntei.
Finn riu, do jeito lindo que só ele sabia rir. “O que você quiser, amor.”. Ele subiu no degrau da porta, de um jeito que conseguiu deixar o rosto a altura do meu para me dar um rápido selinho. Ele desceu e deu a volta no carro, como se nada tivesse acontecido. Eu estava sentada, sem ar, como sempre.
Ele ligou o motor e saiu do estacionamento da escola.
. . . . .
Enquanto estava dentro do carro, resolvi que tinha que achar uma forma de me desculpar com Santana antes que ocorresse uma discussão ainda pior. Só que eu não conseguia ter nenhuma ideia. Resolvi pedir ajuda a Kurt, depois, é claro, de ter uma conversa séria com ele sobre algo que Santana disse.
Em certo momento, Finn parou em frente a um estabelecimento. Era uma padaria.
“Amor, no supermercado é mais barato.”, eu falei, hesitante.
“E quem disse que eu vou comprar um chocolate qualquer? Esqueceu que isso é um encontro? A gente não vai para um supermercado.”, ele disse, desligando o motor e apertando meu nariz e depois descendo do carro.
Abri a minha porta e também desci. Finn, é claro, já estava ali com a mão em minha direção. Me agarrei a ela e fui andando para dentro do local. Do lado de fora o clima estava agradável, mas do lado de dentro estava um frio desgraçado. Fiquei mais perto de Finn em busca de calor. Péssimo dia para ter ido de short para a escola.
Ele foi me guiando até o balcão onde haviam os doces. Quando chegamos mais perto, percebi que aquela parte era toda de doces com chocolate. “Pode escolher qualquer coisa.”, ele disse.
“Sério?!”, perguntei, realizada. Eu amava todos os doces que estavam ali.
Ele sorriu. “Sim. Mas o que quer que você pegue, pega dois. Eu também vou querer.”
“O-ok.”, falei, feliz. Tinha pudim, rocambole, quindim, casadinho, croissants recheados, bolos, brownies, brigadeiro e... “Cupcake. Eu quero esse cupcake enorme.”, falei para a atendente, apontando para o enorme volume de açúcar à minha frente. A massa era de chocolate, com uma enorme cobertura também de chocolate, com granulados coloridos por cima.
“Dois?”, ela perguntou.
“Sim.”, Finn respondeu.
“Não.”, eu falei. Finn me olhou confuso. “Só um. E pra viagem.”
A moça assentiu, tirou o cupcake e foi embalar.
“Amor, eu falei que era pra comprar dois. Por que você pediu um?”, Finn perguntou, passando os braços pela minha cintura.
“Era muito caro. E ele é enorme, dá pra gente dividir. É mais fofo.”, falei, dando um beijo no nariz dele.
No mesmo momento a atendente voltou com a embalagem. “Paguem no caixa.”
“Obrigada.”, eu falei, sorridente.
A moça sorriu em resposta. Eu e Finn fomos para o caixa, que ficava do outro lado da padaria. Só tinha uma pessoa na nossa frente, então não demorou muito para voltarmos para o carro.
“A gente não vai comer no carro?”, perguntei, quando ele ligou o motor.
“Sim, mas não aqui.”, ele respondeu, enquanto manobrava.
Ele me levou para um parque longe da cidade e fomos comer nosso cupcake na parte de trás da caminhonete, a que era aberta. Foi um dos melhores momentos da minha vida. Obviamente, o tempo passou voando e já tínhamos que voltar para casa.
Chegando em casa, comi o mais rápido que pude e falei para os meus pais que eu iria passar a tarde estudando com Finn e Kurt, quando na verdade eu só queria falar com Kurt.
Toquei a campainha da casa dos Hudson-Hummel, e foi Finn que atendeu a porta. “Oi, amor.”, eu falei, lhe dando um beijo rápido e entrando na casa dele.
“Oi.”, ele respondeu, fechando a porta. “Não estava esperando ver você aqui.”, ele disse.
“Eu vim falar com Kurt.”, falei, já subindo as escadas. “Ele tá no quarto dele?”
“Hm… Acho que sim.”, disse Finn, transtornado. “Eu não vou ganhar nem um pouco de atenção?”, ele perguntou, com a voz arrasada.
“Claro que sim. Depois que eu terminar meus assuntos com Kurt te encontro no teu quarto.”, falei, lançando uma piscadela e sumindo no andar de cima.
Todas as portas estavam abertas, com exceção da de Kurt. Eu parei em frente a mesma e bati levemente, pedindo permissão para entrar.
“Pode entrar.”, disse Kurt, do lado de dentro.
Escancarei a porta e vi que ele estava deitado no chão vendo televisão e com o celular na mão. Ele estava assistindo “Enchanted” e digitando algo no iPhone.
“Hey, Kurt.”, falei, fechando a porta e indo me deitar ao seu lado. “Mandando mensagem pra quem?”
“Para Blaine.”, disse ele, com uma expressão apaixonada no rosto.
“Quem é Blaaaaaaaine?”, perguntei, interessada. Até aquele momento, Kurt não havia me dito que ele era homossexual. É claro que eu já havia percebido, assim como todo mundo, mas ele nunca havia mencionado nada a respeito (a não ser um interesse muito grande no tanquinho de Taylor Lautner).
“Meu futuro marido.”, disse ele, orgulhoso. “Eu conheci ele no auditório da escola dele, vendo-o fazer uma apresentação maravilhosa de ‘Raise Your Glass’ para arrecadação de fundos para o clube do coral da escola particular onde estuda. No fim do número fui comentar sobre o cabelo dele e ele também elogiou o meu. Depois, boom! Ele pediu meu número! Conversa vem, conversa vai, a gente tá marcando de se encontrar de novo!”
“Minha nossa, Kurt! Como é que algo tão importante assim acontece e você não me fala?! Vocês se conheceram há quanto tempo?”
“Ontem à tarde. Um tempo depois de você me ligar, eu resolvi sair pra tomar um ar e afastar o sono e cansaço. Estava a toa pela cidade quando vi um anúncio de uma apresentação que teria na Dalton Academy do clube do coral de lá. Lembrei que era uma escola toda de meninos, então não pensei duas vezes antes de ir. Acabei descobrindo o menino da minha vida. Eu passei o dia todo tendo fantasias com ele, Rachel. Ele é um sonho.”, ele falou, sorrindo e fechando os olhos.
Eu soltei um grito de empolgação. “Kurt, isso é perfeito! Vamos poder sair num encontro duplo! Eu com Finn e você com Blaine! Vai ser um máximo!”
Kurt riu, sendo contagiado pela minha felicidade.
“Bom, garoto apaixonado, eu vou indo... Mas me deixe atualizada sobre esse romance, ok? Não quero perder nenhum detalhe.”, falei, sorrindo. Me levantei e saí do quarto, deixando Kurt corando com as mensagens de seu amor.
Logo depois de fechar a porta fui surpreendida por Finn, que estava parado do lado de fora. “Terminou?”, ele perguntou.
Eu sorri, puxando-o pela camiseta em direção ao quarto dele.
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