The Blue River Camp
2 A Coroação
Notas iniciais
Matthew
“Well I'm looking and you kept staring
Your thoughts bearing up with mine
And when you're so pretty and I'm so shy
You probably didn't give me the eye but I'm sure you did” — Seven, Arctic Monkey
O som do rio se misturava com os passos meus e dos meus colegas de equipe. Depois de uma garota entrar toda molhada no refeitório e diretora começar a gritar com ela, o diretor de atividades nos dividiu em quatro grupos e nos mandou subir para onde seria o local de encontro do nosso time.
Eu fui designado para fazer parte da monarquia. Sinceramente não sei o que um rei poderia fazer nesse acampamento, talvez cobrar impostos e você pagaria com comida, mas a comida era de graça, então não faria sentido ter um rei ou uma rainha. De qualquer forma eles seriam escolhidos. Como, eu não sabia, porque se fosse por votação seríamos uma democracia, consequentemente não conseguia imaginar uma forma de escolha.
As pessoas começaram a parar quando chegamos a uma clareira. No centro dela se encontravam dois pilares, os dois tinham uma coroa em cima, só que uma era para o rei e outra era para a rainha. Eu parei a uns 5 metros dos pilares com alguns amigos que eu já conhecia do acampamento passado.
Um barulho começou no meio do mato no fim da clareira, assustando algumas garotas que estavam distraídas conversando. O diretor de atividades, que o pessoal chamava de Tony, saiu de lá. Ele estava vestido num cover, se eu posso chamar assim, de padre. Então ele se posicionou no centro da clareira, entre os dois pilares, e começou a bater palma.
— Bem vindos à Monarquia. — Ele começou quando todos ficaram em silêncio. — Eu estou fervendo nesse traje, então vou tentar ser o mais rápido e simples possível. Eu vou escolher quem vai ser o rei e a rainha. Não importa quem for escolhido, não há como renunciar a esse cargo. Os poderes do rei vão ser controlados pelas leis do acampamento, sendo assim, o rei ou rainha não pode sair por aí anunciando uma orgia no quarto ou fumando maconha pelo acampamento. — Ele fez uma pausa para tomar ar e continuou. — Eles vão ter alguns direitos especiais como, por exemplo, poder furar a fila dos seus súditos, além de ter papel higiênico dupla folha, mas os súditos poderão fazer revoltas se quiserem, mas tem que haver algum motivo bom, por exemplo, se o rei pedir favores sexuais em troco da sua dose diária de bacon no jantar. Sem mais delongas, os comandantes serão... — Então ele ficou em silêncio por um tempo. O rádio do acamapamento havia começado a funcionar, prenchendo o lugar com um rock que eu não conseguia identificar.
— Você não vai falar quem é logo? — Uma garota morena com os olhos de cor esverdeados falou. — É que eu estou com calor e quero trocar essa roupa. — Ela terminou de falar e então seus olhos encontraram os meus. Até aquele momento eu não acreditava em amor à primeira vista, mas o que eu senti com certeza era amor. Depois de uns três segundos ela desviou o olhar.
— Calma, mocinha. — Tony respondeu como se alguém tivesse xingado a mãe dele. — Continuando. Deixa eu pensar. — Ele ficou alguns segundos em silêncio com a mão na testa, e então apontou para o caminho que nos levara à clareira. — Você. Loirinha.
Todos olhamos para trás, mas não consegui ver para quem ele apontava.
—... Vamos, não seja tímida. Rainhas não devem ser tímidas.
As pessoas no fundo da multidão, percebendo que estavam na frente, deram licença à garota, e me pareceu idiota que eu não a tivesse notado antes. Era difícil não notá-la, com suas ondas louras perfeitas e os olhos acizentados marcantes. Era o tipo de garota que, se nada desse certo na vida, poderia fazer cosplay de princesa da Disney em festas infantis. Seu rosto enrubesceu completamente quando ela percebeu que os olhares estavam nela. Um garoto parado atrás dela a empurrou para frente, e alguns outros o imitaram.
— Está bem! — sua voz era doce, do tipo que é fisicamente incapacitada de gritar. — Eu vou sozinha! Está bem! Obrigada pelo apoio. Estou indo.
Ela caminhou rapidamente até Tony, suas sapatilhas faziam um barulho leve no chão. O diretor tirou a caroa para a rainha, a garota chegou mais perto dele e se abaixou, sem dizer nenhuma palavra. Então o silêncio reinou no lugar por alguns instantes, até que um garoto começou a bater palmas e o resto do grupo o acompanhou.
— Então, rainha, qual é o seu nome? — Tony perguntou quando as palmas cessaram.
— Cather. — Ela respondeu, com sua voz doce de princesa que domina animais na floresta e os faz realizar todo o trabalho doméstico enquanto ela assiste algum programa de culinária.
— Então, essa é a rainha de vocês. — O diretor disse com o tom da voz mais animado do que deveria, desencadeando mais palmas. — Agora o rei, vai ser… — Ele continuou. — Você. — Ele disse apontando para mim, então com uma reação automática eu fui caminhando para ficar ao lado do padre diretor. Ajoelhei-me e senti a coroa em minha cabeça, ela não pesava muito já que era feita de plástico. Aquelas que você compra nas lojas de um dólar. Quando levantei uma salva de palmas preencheu a clareira. Então estava tudo decidido. Tony começou a falar sobre a responsabilidade que o rei e a rainha teriam durante as atividades e na vida do acampamento, mas eu estava destraído olhando para o rosto perfeitamente simétrico da garota que havia roubado meu coração, não havia mais chances de escapar desse labirinto de emoções, meu coração era dela mesmo não a conhecendo. Agora eu tinha de saber o que ela sentia por mim.
Eu senti Tony me cutucando, então virei meu rosto para ele. Sua expressão era de estar esperando por uma resposta, logicamente cheguei à conclusão de que ele havia perguntado algo.
— Você pode repetir o que você falou, por favor? — Eu pedi ao padre que estava na minha frente.
— O que eu estava dizendo, caro adolecente perdido em seus pensamentos, é que você tem que dar uma ordem para os seus súditos. — Ele respondeu. Percebi uma gota de suor descendo pelo seu rosto anguloso, seus olhos castahos estavam com olheiras e cansados.
— Estão todos libertos, porra. Podem fazer tudo o que estiver em suas mentes, mas depois arquem com as consequências. — Eu gritei e minha voz ecoou do outro lado da montanha. — Apenas um recado: Sexo com proteção.
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