The Black Velvet Series
2 Conto: OITO HORAS
Notas iniciais
SINOPSE: Nem mesmo a doença rara do filho podia ter preparado Helena Dyer para o fim de tudo.
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Julien passou mal durante a partida de futebol na escola. Helena levou um susto ao ser informada pela professora que o garoto desmaiou e não conseguiram acordá-lo. Foi levado ao hospital. A mulher, nos seus 34 anos, solteira, largou Sr. Clint sentado na cadeira diante à mesa dela, pediu que a outra gerente cuidasse do problema bancário dele, pois ela tinha um problema muito maior para se preocupar. Seu filho mais novo.
Não sabia dirigir, portanto pegou um Uber. Roeu as unhas de preocupação durante o caminho que parecia eterno. Ligou para seu filho mais velho, avisando que provavelmente não estaria em casa quando ele terminasse o período escolar e que ele poderia pedir uma pizza e usar o cartão de crédito de emergência. O garoto não reclamou do outro lado da linha.
Finalmente chegou ao hospital. Perguntou por Julien Dyer. A professora veio ao seu encontro e explicou o ocorrido.
— Eu quero ver o meu filho....
— Ele ainda não acordou, Sra. Dyer. — informa a enfermeira.
— Me leve até ele! O que ele tem? Vocês não conseguiram resolver o problema ainda??? O que tem de errado com esse lixo de hospital!? — ela se exalta.
— Calma, Sra. Dyer — replica a enfermeira
— CALMA NADA! ONDE ESTÁ MEU MENINO?? — ela diz batendo com a mão na madeira da mesa da recepção.
— Por aqui. A sra. precisa se acalmar. Já tomamos todos os procedimentos médicos e o Doutor Collins já pediu uma tomografia, estamos esperando os resultados — explica a mulher tentando convercer a mãe desesperada que tudo estava sob controle.
Helena entra no quarto branco. Seu menino se entra pálido, deitado e de olhos fechados, com um soro fisiológico que pinga pelo tubo conectado ao braço direito do garoto.
—Julien? Jules? É a mamãe, meu amor. Eu estou aqui, está tudo bem. Julien? — ela diz enquanto afasta o cabelo de seu filho da testa.
— O Doutor Collins está a caminho. — diz a enfermeira para a mulher que parece nem ouvi-la.
O Dr. Collins entra no quarto segurando o envelope com o resultado dos exames.
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Síndrome de Kleine-Levin.
Esse foi o resultado final depois de dois longos anos tentando entender o que eram aqueles episódios sem sentido que o garoto tinha.
Dois anos de puro sangue, suor e lágrimas. Não tinha plano de saúde. Precisou hipotecar a casa. Continuou no seu emprego no Barclays Bank como assistente administrativa durante o dia e de noite conseguiu uma vaga como caixa noturno em um dos Walmarts que funcionavam 24 horas em Nova Ioque. Precisou mandar muitos currículos, na sua carta de motivação sempre colocava a história do filho. Ela precisava de renda, era uma mulher esforçada, forte e motivada. Iria fazer “das tripas coração” para ajudar o seu filho a melhorar.
Na entrevista do segundo emprego, Catherine Muller, responsável pelo setor de recursos humanos, podia sentir o desespero de Helena, e também a garra que ela tinha. Além disto, as duas eram mães e somente uma mãe pode entender o que é ter um criança doente dependendo de seus cuidados.
Catherine pediu para a filha dela fazer uma “vaquinha online” para ajudar Helena com as contas do hospital.
Helena não sabia como agradecer aquela santa mulher que estendeu a mão para ela.
O pai dos meninos, Michael, jamais ajudou com dinheiro, ele mesmo estava afundado em dívidas. Mas ele se dispunha a cuidar do irmão mais velho enquanto Helena fazia sua jornada dupla.
Os dois eram muito novos quando Darryl nasceu. Ela tinha 18 anos e ele 19. Thomas não aguentou a resposabilidade. No final, Michael já não conseguia mais se comunicar e nem se conectar com a esposa. Depois de 5 anos, resolveram seguir por caminhos diferentes. Dois anos se passaram e depois de um deslize, Helena estava grávida. Nove meses depois, nasce Julien.
Helena mantinha um carderno de anotações que descrevia cada episódio que seu menino vivenciava. Por fim, aprendeu que Julien sofria de um raro distúrbio neurológico que poderia variar de 3 há 10 dias, de 1 há 2 vezes por mês nos quais o garoto chegava a dormir até 20 horas por dias, acordando somente para ir ao banheiro. E nas horas em que o garoto estava deseperto, ficava letárgico, apático. Como se o seu filho estivesse ainda esperando para ser acordado.
Julien já não podia mais frequentar a escola com normalidade, quem tutoriava o menino durante os períodos entre os episódios era a filha de Catharine, Bonnie Muller, que tinha a mesma idade de Darryl.
As duas mulheres se tornaram ótimas amigas e muito companheiras. Algo que Helena jamais havia experimentado anteriormente na vida dela.
Uma noite, Helena chegou do segundo emprego para se deparar com Darryl e Bonnie aos beijos na varanda, enquanto Julien assistia TV na sala.
Não conseguiu ficar brava com as crianças.
Deitou-se em sua cama e chorou.
Seus filhos estavam crescendo muito rápido e ela não estava vendo. Darryl já estava com 18 anos e Julien com 10 anos. Sentia dó dos seus meninos, e uma quantidade imensurável de culpa. O mais novo havia passado os últimos 2 anos praticamente dentro do hospital, fazendo exames, tendo cada milímitro do seu corpo violado por equipamentos e remédios que não faziam efeito até que descobrissem o que havia de errado com seu organismo. O mais velho decidiu que não iria ir para uma faculdade para poder trabalhar e ajudar a mãe.
Bobagens, ele ia estudar sim, não importava como. Estava decidido.
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O tratamente com Lítio parecia estar fazendo efeito. O garoto não tinha nenhum episódio nos últimos 2 meses. Talvez muito cedo para dizer, mas ele estava respondendo bem ao medicamento.
Finalmente, Helena viu a concretização de toda a esperança que ela tinha. Todo o seu esforço estaria sendo recompensado.
No terceiro mês de tratamento, Julien teve um episódio, porém durou apenas dois dias. Dois dias infernais para Helena.
Não conseguiu ir trabalhar em nenhum desses dias. Catherine cobriu para ela e no banco, as pessoas pareciam entender a situação em que Helena se encontrava. Ela não faltaria se não fosse por uma boa causa. Nunca havia faltado, ou ligado doente em seus 10 anos na empresa. Iria ser promovida, se não fosse pela doença do filho.
~*~*~*~* ~
No quarto e quinto mês de tratamento, Julien já parecia levar uma vida normal. Helena gostaria que o ele pudesse voltar a escola e seguir com a vida dele como todas as crianças da idade do garoto, e sua antiga escola pareceu concordar. Fizeram um exame especial para ele para poder verificar qual seria o melhor nível escolar para encaixá-lo. Julien ficaria um ano atrasado, pois as aulas de Bonnie não eram profissionais, mas também permitiram o menino a acompanhar o restante da turma escolhida.
Helena aprendeu que a rara síndrome também desaparecia após o paciente completar 30 anos. Haviam relatos e essa era sua esperança, seu filho iria ficar bem.
Setímo mês de tratamento.
Helena vai até a farmácia para a visita mensal. O funcionário já a conhece. Eles até trocam amenidades. A TV está ligada atrás do balcão para distrair os clientes na fila.
De repente, a familiar voz de Fredricka Whitfield interrompe a programação da CNN World Sport para fazer um terrível anúncio. Ela enuncia: “Nasa informa que meteoro, viajando a 195 milhas por segundo, irá atingir a Terra em oito horas. Esse meteoro tem o poder de destruição 78 vezes maior que o da Bomba de Hiroshima. Queridos ouvintes, isso é um adeus. Deus salve nossas almas.”
Oito horas.
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O caos se instalou.
A notícia era verdadeira. Tudo o que Helena conhecia, iria acabar.
O ONU anunciou estado de calamidade.
Foi dito que haviam construído abrigos subterrâneos, mas Helena sabia que somente os ricos poderiam ter acesso a eles.
O ingresso custava bilhões e a localização dos abrigos e dos aviões que os levarias até os abrigos eram secretas e só se abririam na compra online do bilhete.
“Com certeza eles sabiam disso com muita antecendência, mas não anunciaram antes para evitar essa desordem mundial total mesmo”. Ela pensa consigo mesma.
Não pensou duas vezes. Era uma mulher esperta. Na calculadora do celular, fez algumas contas. Pulou para atrás do balção da farmácia, ameaçando o funcionário com a bolsa. Este nem teve chance de resistir, estava atordoado com a notícia e com a proporção da desordem e anarquia que os clientes fizeram dentro do estabelecimento.
—CADÊ O ESTOQUE DE LÍTIO??? — ela perguntou feroz
Ele apontou para ela e saiu correndo, deixando a loja tomada pelas pessoas fora de controle.
Ela sabia que precisaria em média de 250 caixas que forneceriam 30 pílulas diárias cada uma fazendo com que as 7.400 doses que Julien precisaria até seus 30 anos fossem levadas com ele para o abrigo.
Sim, Julien iria para o abrigo. Darryl, Bonnie e Catherine iriam também. Ela não iria deixar que todos morressem por falta de dinheiro.
Tirou as pílulas das embalagens e enfiou em sacos plásticos para facilitar o transporte.
Foi a pé para casa. Correu as 3 milhas, sem parar, no meio da correria.
Darryl estava grudado no celular, tentando falar com a mãe.
Ela entra em casa como um furação para abraçá-lo e tentar confortá-lo.
—Meu filho, pega o seu irmão e vem comigo. — ela ordena
—Mas mãe....
—RÁPIDO! — ela corta-o ríspida — Coloque essas pílulas na sua mochila e me segue.
Helena então liga para Catherine.
—Onde você está? — pergunta Helena.
—Estou escondida no banheiro. Helena, a população ficou doida! Estão levando todos os produtos! Você acha que essa história é verdadeira? — pergunta Catherine soltando o choro.
—Sim. O caos está por toda a cidade. Tenta sair daí e me encontra nas portas dos fundos. Onde está a Bonnie? — ela pergunta
—Eu não sei, não consigo falar com ela. Helena, me ajude....
—Darryl???? — entra Bonnie na casa totalmente sem ar
—Bonnie está aqui, estamos indo ao seu encontro. — Helena desliga. — Vamos buscar sua mãe no Walmart.
—Eu posso dirigir o carro dela já que você não dirige, Helena — diz a garota, já correndo para buscar as chaves do carro.
—Não! Não adianta, as ruas estão todas interditadas. Não vamos conseguir passar. Nós vamos correr, não carreguem peso. VAMOS!!!
O Walmart não ficava longe, 1 milha e meia.
Seis horas.
A sombra do meteoro já podia ser vista encobrindo o Sol.
Os vidros da loja estavam quebrados, algum doido tentava levar uma televisão de plasma. Eles deram a volta para encontrar as portas do fundo arrombadas.
Helena liga para Catherine novamente.
—Estamos aqui! Onde você está?? — pergunta ela procurando sinal da amiga.
—Na escadaria — responde Catherine sem ar.
Um minuto depois ela aparece vestindo o sapato de salto e casaco social de sempre.
—Tira essa porcaria, você não vai conseguir correr com isso! — ela ordena
—Correr? — pergunta Catherine.
—Sim, não temos tempo. Joga isso fora, você não vai precisar.
Catherine arremessa os sapatos e tira o casaco para seguir a amiga.
—Ok, vamos dar aos mãos, não quero perder ninguém pelo caminho. Darryl, me ajuda a carregar seu irmão. — ela comanda.
Darryl monta Julien em suas costas e se põe a correr pelas ruas de Nova Iorque. O garoto dorme tranquilamente.
—Aonde estamos indo, mãe? — pergunta Darryl
—Ao banco.
Quatro horas.
Meio eclipse já aterrorizava a Terra com escuridão.
O banco se encontra mergulhado de pessoas querendo retirar seu dinheiro, não há polícia e os civis renderam os seguranças roubando suas armas e rendendo os atendentes.
—Fiquem aqui fora. Fiquem juntos. Se eu não retornar em uma hora, eu quero que vocês comprem o bilhete de vocês, eu quero que vocês vão juntos até o avião e eu quero que vocês fiquem juntos no abrigo. Eu preciso que vocês me promentam isso — ela ordena.
—Mãe, a gente não vai te deixar aqui — diz Darryl encarando-a muito sério.
—Promete, meu filho. — ela suplica
—Ok...pro-prometo — ela gagueja
—Catherine, aqui estão meus dados bancários, anote-os. — diz Helena
—Mulher, o que você vai fazer? — pergunta Catherine abobalhada.
—Salvar nossas vidas. — ela responde.
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Helena entra no banco com as mãos para cima. Um dos clientes a reconhece e aponta a arma para ela.
—EU QUERO MEU DINHEIRO, SRA. DYER!!! ESSE BANCO DE MERDA BLOQUEOU QUALQUER TRANSAÇÃO ONLINE!!!! — grita o Sr. Clint.
—Sim, Sr. Clint. Foi para isso que eu vim até aqui. — diz ela misteriosa
O Sr. Clint segue com a arma apontada para Helena até a mesa dela
—QUEM SE APROXIMAR, LEVA CHUMBO! — ele ameaça.
Helena desbloqueia as redes e seu cartão de funcionária lhe dá acesso as contas bancárias. Ela procura por seu cliente mais rico.
—O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO?? QUEM É SENHOR WONG??? QUER LEVAR BALA??? — ele diz enquanto balança a arma para cima e para baixo.
—Sr. Clint, o ingresso custa bilhões, o Sr realmente acha que na sua conta tem esse valor? Eu vou conseguir um bilhete para o Sr. e para mim também. — ela diz sem retirar os olhos da tela.
O Sr. Clint, entende que o roubo é mesmo a melhor saída, mas ele não pode perder o domínio sobre ela.
—FAÇA ISSO RÁPIDO, OU SEU BILHETE NÃO VAI TER VALIDADE SE VOCÊ MORRER ANTES!!!! — ele continua gritando.
—Sim, Sr. Clint. — ela responde apática.
Tranferência concluída.
—Pode conferir. — ela aponta para a tela do computador.
Quando o homem se abaixa para verificar os dados, ela o acerta no nariz com o teclado fazendo-o perder o equilíbrio. Ela consegue atordoá-lo e desarmá-lo tomando a arma para si.
—Se afaste!!! — ela ordena.
Ela sai apontando a arma para quem tenta se aproximar dela. Um homem tenta dominá-la, mas ela atira na perna dele, mostrando que não teria medo nenhum de usar o objeto para se defender.
O Sr. Clint finalmente consegue levantar do chão, mas quando vai conferir sua conta, ela está zerada.
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Três horas.
— Você está armada, Helena? — pergunta Catherine.
—COMPRA OS INGRESSOS! — diz a outra ignorando a pergunta
Catherine então consegue comprar os bilhetes. A localização do avião é secreta. Catherine recebe uma chamada no celular.
—Alô?
—Sra, Dyer? — a voz de um homem ecoa.
Catherine passa o aparelho para a amiga
—Sim — responde Helena
—Sra. Dyer. A senhora adiquiriu 3 ingressos para o abrigo subterrâneo. Necessito que a senhora confirme os dados da conta e sua identidade.
Helena faz os processos burocráticos.
—Estamos acessando a localização do seu aparelho para saber qual o abrigo mais próximo. New York Harbor. Por favor, aguarde o transpote aéreo. Não podemos nos aproximar por risco de tomada do helicóptero. Lançaremos uma escada. Siga as instruções na tela, o lugar é mais remoto. Nos encontraremos em uma hora. Se a Sra. não estiver presente, seu bilhete será cancelado. Compreende? — o homem pergunta
—No Harbor? Não faz sentido! Essa ligação é uma brincadeira? — ela pergunta com raiva
—O abrigo é sub-aquático. Compreende os termos? — ele pergunta ríspido
—Sim. — ela desliga — Precisamos estar no subúrbio em 1 hora.
—Como? — pergunta Bonnie
—Do mesmo jeito que chegamos até aqui. — diz ela olhando as instruções no celular e já se pondo a correr.
—Espera, espera!!! — grita Bonnie — E aquele caminhão alí abandonado?? — diz a menina apontando para o veículo com um sorriso no rosto.
—O mundo acabando e você querendo ser o Mad Max! — diz Darryl incrédulo
—Vamos! — ordena Helena.
Mas o caminhão não estava abandonado, um rapaz tenta levá-lo. Entretanto, Helena está armada.
—SAIA DO VEÍCULO!!!! — ela comanda
—Dona, não faça isso, eu só quero sobreviver! Me leve com a senhora! — ele suplica
—Helena, leva o moço também, não tem problema — diz Catherine tentando intervir pela vida do desconhecido.
—Cath, a localização é secreta, não podemos arriscar perdermos os nossos lugares para um estranho. — ela responde secamente.
Catherine entende a situação.
—SAIA JÁ DO VEÍCULO OU VOCÊ VAI SAIR SEM VIDA! — ela ameaça
—Moça, por favor! — ele implora entre lágrimas
Helena atira para o alto
—AGORA!!!
O rapaz sai.
—Então atira logo. Me poupa disso. — ele ajoelha na estrada.
—Helena do céu, não faz isso. — Catherine segura o braço da amiga num sinal de desespero
—Eu não vou atirar, Cath.
Bonnie faz ligação direta no caminhão que tem os motores ativados. Passariam por cima de qualquer obstáculo. Quando a garota dá a partida, o rapaz pula na frente do veículo, acabando com sua própria vida, antes do fim inevitável.
Bonnie grita e perde o controle. Darryl assume o controle, imediatamente.
—Onde você aprendeu a dirigir? — pergunta Helena incrédula e chocada com o último acontecimento.
—A Bonnie me ensinou — ele diz sem tirar os olhos da estrada.
A garota trêmula chora nos braços da mãe.
—Eu matei um pessoa — diz ela entre soluços.
—Não, minha filha, você fez um favor a ele. Não chore, meu amor. — diz a mulher.
Eles passam entre os carros abandonados, retirando-os do caminho a força. Em algum momento a placa do caminhão é arrancada. Mas eles não vão precisar disso de qualquer maneira.
Uma hora.
A destruição é iminente. A escuridão toma conta de tudo. Alguns trechos não tem mais nem luz elétrica.
Eles chegam no local instruído.
—Onde eles estão? — pergunta Bonnie
Não estavam atrasados. Helena tinha certeza. As ruas do surbúrbio estavam desertas. As pessoas provavelmente teriam fugido, ou ficado com a família para aproveitar seus ultimos momentos juntos.
Três minutos silenciosos se passaram quando eles avistaram uma luz que se aproximava deles. Algumas cabeças curiosas saíram para ver o que se passava.
Uma escada de metal dobrável foi jogada a eles.
—Filho pega o celular da mamãe e a identidade e vai. — diz ela dando os objetos para o garoto.
Eles se abraçam apertado. Ela beija o menino adormecido grudado nas costas do irmão. Cuida dele. Não pode esquecer o remédio. Um por dia, todos os dias!
—Mãe, porque você está me dizendo isso? — pergunta ele chorando
—Sobe meu amor — ela diz
—Te vejo lá em cima? — ele insiste
—Sim
Alguns indivíduos começaram a se aproximar, ainda na esperança de salvar a vida deles.
Helena atirou na direção dos que chegavam muito perto.
—Cath? — pergunta Helena.
—Sim? — responde a outra
—Mesmo com todo o dinheiro que consegui, só pude comprar três ingressos. — ela dizia enquanto mirava numa mulher que chegou perigosamente próximo deles.
Catherine entende a situação.
As crianças sobem a escada que é puxada de volta.
—Darryl está em apuros com a namorada que ele escolheu — diz ela chorando, mas rindo da própria piada.
As duas se abraçam. Alguém toma a arma de Helena, mas ela não precisa mais dela.
Um corpo cai do lado das amigas que não se soltam.
O impacto foi absurdamente forte, mas ela iria resistir até o fim. Pois Helena era forte. Tão forte que iria suportar até o fim do mundo.
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