The Black Velvet Series
3 Conto: ENCANTADAS
Notas iniciais
SINÓPSE: Prue sabe que o único destino das bruxas, é queimar.
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Um ano e oito meses depois do fim do mundo e não ficou mais fácil aceitar a destruíção.
As mulheres ainda se lembravam do tamanho impacto que o meteoro que devastou a Terra fez ao colidir com o planeta. Se lembravam da sensação desesperadora do medo, do vazio, do nada, de não existir mais.
Lee Sunmi e o covil das bruxas sobreviveram graças ao poder de domicação da mente de Prudence Halliwell, uma das três bruxas da Irmandade Suprema. As três irmãs que comandavam as bruxas em tempos de guerra e do caos.
Prudence, como a mais velha das bruxas, vista como uma líder e soberana absoluta, conseguiu manipular os homens mais ricos para dar passagem direta para um dos abrigos subterrâneos para suas pupilas.
Aquelas oito horas de terror, testaram o poder do clã, a união e a sororidade entre seus membros.
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Descobrir que era bruxa não foi fácil para Sunmi. Crescida num lar cristão, acabou sendo rejeitada pela família, colocada por eles em uma casa de loucos. A filha do demônio recebia visitas regulares do padre. Visitas que não eram de cunho religioso.
Uma noite, não aguentou. O episódio violento viralizou na mídia: “Garota põe fogo em Instituição de Saúde Mental. Não houve sobreviventes”.
Porém, as Supremas a ouviram-na. Pam Halliwell a trouxe de volta a vida. De volta das chamas. Resgataram-na da morte e de si mesma. Passaram a ensinar a garota, junto com as outras meninas que precisavam aprender a controlar o seus poderes.
Eram 3 jovens bruxas guiadas pelas 3 irmãs Supremas. Com Sunmi, eram 7. O número perfeito, segundo Pitágoras. O número de cores do arco íris. O número que iria definir o futuro da humanidade.
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As Supremas
Pam Halliwell acordava gritando todas as noites. Ouvir as vozes de 7 bilhões de mortos era demais até para uma pessoa poderosa como a bela bruxa.
Todas as vidas que se findaram sem ter tempo para se despedir, ou aceitar a morte iminente, ainda ecoavam sussurros amargurados em sua mente. Esses fantasmas não conseguiam achar a paz, nem seu caminho para o outro mundo.
Alguns espectros eram tão fortes que conseguiam se fazer visíveis para a bruxa.
A que mais lhe chamava a atenção era uma mulher que sempre a fitava, sem proferir palavras ou sequer emanar nenhum som. O contrário de seu olhar que era penetrante, ela queria muito algo. Não parecia ameaçadora, mas determinada a conseguir o que quer que fosse que seu coração almejava.
Ninguém mais podia ver esses espíritos, somente Pam. Uma das razões do porque ela era uma Suprema. Sua conecção com o mundo espiritual a colocava nesta posição de muito poder, porém de muita responsabilidade e angústia.
Prudence podia manipular os pensamentos das pessoas e mover os objetos conforme sua vontande. Era uma líder nata. Forte e íntegra. Faria qualquer coisa pelas irmãs e pela comunidade bruxa que estava quase em extinção.
Primrose, a mais nova das irmãs, tinha o poder de se projetar astralmente e se teletransportar. A primeira habilidade usada por ela para ir até a superfície do mundo pós apocalíptico, em busca de sobreviventes, mas nunca achou ninguém, nenhum ser vivo. Nunca viu nem mesmo uma barata. Prudence proibiu-a de se teletransportar até a superfície. Não sabiam como a queda do meteoro havia influenciado na estrutura do Planeta, do ar, do Sol...estavam na completa escuridão debaixo da terra.
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As Elementais
O fogo ardia dentro de Sunmi Kim. Esse era o seu poder. Controlar as chamas, entrar em combustão. Descobriu que podia fazer tudo arder quando tinha 16 anos. Não foi intenção queimar o vizinho vivo que xingava e puxava a menina pelo braço quando ela foi roubar algumas laranjas do jardim pessoal do mesmo. Taxada como bruxa, má, insana e perigosa, foi jogada numa casa de saúde mental até descobrirem o que poderiam fazer para se livrar do problema que ela se tornou.
Linda Foster, a mais nova das pupílas, tinha descoberto muito recentemente seu poder de controlar o ar quando o meteóro caiu e destruíu tudo o que se conhecia. Era uma menina negra pequena e muito calada. Preferia passar o tempo lendo livros (quando esses ainda existiam) do que conversando com qualquer outra pessoa. Talvez por isso, Pam passava a maior parte do dia ao lado dela, como se a garota trouxesse algum alívio para os bilhões de chamados dos mortos.
Como todas as obras já escritas pelo homem haviam sido destruídas, Linda passou a escrever suas próprias histórias e também a transcrever feitiços, poções e encatamentos, sob tutela de Pam, para um livro de aspecto rústico que elas fizeram com mágica.
Se Linda era silenciosa demais, Norma Lee era o seu total oposto. Era a mais velha. Ela sentia falta da terra, de poder controlar sua força e magnificencia. Ela gostaria muito de poder andar descalça sentindo o solo tocar sua pele, pois era de lá que vinha sua mágica.
Ele cultivava um pequenino cacto em seu quarto, conversava com ele todo dia quando ninguém mais aguentava ouvir o que ela tinha a dizer.
Mesmo debaixo da superfície com absolutamente nada de interessante acontecendo, a garota impressionantemente, ainda tinha voz para debater qualquer assunto.
Porém era bom ver que alguém ainda mantinha o alto astral dentro daquele abrigo revoltante.
E para fechar o ciclo, tinhamos Amanda Jane, mas as meninas as chamavam de Nessie. A primeira a ser resgatada pelas Supremas andando sem rumo as margens do rio Thames no Reino Unido, depois de inúmeros boatos de que havia uma criatura que controlava as águas do rio fazendo com que fenômenos esquisitos fossem presenceados na região. Dai veio seu apelido carinho. Monstro do Lago Ness, Nessie.
A garota descobriu que podia controlar as águas antes mesmo de atingir a puberdade. Estar submersa sempre a acalmava e trazia tranquilidade a sua mente.
As Supremas a tiraram do seu país de origem e levaram-na para Nova York para poderem ensiná-la a controlar seus poderes. Nessie sempre pensava se seus pais e seu irmão haviam sobrevivido ao Apocalipse.
Sua família nunca a rejeitou. Pelo contrário. Apoiaram a sua ida aos Estados Unidos, pois sabiam que ela estaria sob os cuidados de mãos capacitadas que poderiam ajudá-la. Ela sempre ia visita-los quando possível.
Porém agora, os banhos nos riachos com seus pais a irmão amado, não eram mais parte de sua rotina. Talvez nunca mais fossem. E Nessie sabia disso.
As garotas passaram longos períodos tentando controlar o seus poderes individuais, esforçando-se para aprender de onde eles vinham e como poderiam dominar cada aspecto dele.
Quando o fim chegou e elas não tinham mais os recursos anteriores, ficou um pouco mais complicado praticar qualquer atividade que fosse.
Primrose, sugeriu a Prue que as meninas pudessem ir a superfície atravez de projeção astral proporcionada por ela mesma, para poderem exercitar seus poderes. Tentaram algumas vezes, sem sucesso. Então passaram a treinar juntas, a entender como os 4 elementos funcionavam juntos e o que poderosas elas eram se trabalhassem em equipe. Talvez pudessem até ter parado o meteóro se soubessem a capacidade da união delas.
Prue viu esse progresso. E sorriu. Finalmente uma luz de esperança ascendeu novamente em seu olhar.
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Prue carregava um peso consigo mesma. Como líder, ela deveria tomar conta de todas e prover para elas também, mas o estoque de comida estava acabando. A água era reciclada com a ajuda de Nessie, mas o ser humano não sobrevive sem os nutrientes fornecidos pela alimentação.
Iriam morrer se não achassem a solução e iriam passar fome muito logo. Mesmo racionando a ração diária, os estoques sempre abaixavam. Havia dias que as Supremas preferiam jejuar para poder adicionar um dia na contagem regressiva.
Não sabiam a localização de nenhum outro abrigo e mandar Prim a caça de um através do teletransporte sem saber onde ela estava indo era muito arriscado.
Passaram ilesas pelo fim do mundo, mas iam sofrer de fome debaixo dele. Por serem bruxas e terem vida extremente longa, não iriam morrer tão cedo, portanto iriam agoniar por mais tempo também. Sobreviver a catástrofe mundial foi uma vitória, mas apenas sobreviver não era o bastante. Viver com constante dúvidas, incertezas e tormentos, não era viver.
Prue sabia disso e também tinha ciência que precisaria solucionar a situação pelo bem de todas.
Reconhecia que a resposta estava nas meninas. Na união dos elementos. Mas ainda não tinha certeza de como usar esse poder.
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Helena Dyer vagava entre os mundos. Sua amiga Catherine Muller conseguiu fazer a passagem tranquilamente, estava em paz. Mas Helena não. Achou melhor assim, não sabia como Cath poderia reagir a notícia de que sua filha, Bonnie, poderia ter poderes sobrenaturais, conhecendo como a outra era uma mulher religiosa e convicta em sua fé.
Bonnie vivia se isolando dentro do abrigo, mesmo com seu namorado, Darryl Dyer, filho mais velho de Helena, ela mantinha distância. Afinal a culpa de ter deixado o garoto cego, foi dela. Ou pelo menos era assim como a garota julgava.
Darryl não culpava a menina, ela não tinha controle sob seus poderes estranhos, na verdade ele achava fascinante, mas ficava muito frustrado por ser deixado de lado. Chegou a achar que a sua deficiência havia feito a menina perder o interesse. Portanto brigavam bastante. Ela preferia estar só do que causar outro acidente.
Para evitar mais brigas, o garoto passou a ficar bastante com seu irmão mais novo. O garoto que sofria com a Síndrome de Kleine-Levin que podia fazer com que o pequeno dormisse por dias seguidos sem ter controle sob seu sono, apresentou apenas 3 episódios deste que o meteóro destruiu a Terra. O remédio contrabandeado pela mãe e dado ao mais velho antes do fim, trazia ótimos resultados no tratamento. Ele precisaria tomar o remédio até ter 30 anos, a mãe sabia disso e averiguou tudo antes de comprar, ou no caso, roubar a passagem de seus filhos e de Bonnie.
No abrigo debaixo do que era o rio Hudson, também moravam um casal de milionários gays, uma mãe e filha que viviam brigando entre si, Darryl e o irmão mais novo dele, Julien, Bonnie e ninguém mais ninguém menos que Jon Bon Jovi.
O cantor vivia interpretando músicas antigas para entreter as pessoas com quem ele foi obrigado a morar junto. Porém, era um cara normalmente tranquilo.
Havia um sistema de segurança muito rígido em todos os abrigos. Com guardas e seguranças, mas sem armas de fogo, era muito perigoso armar pessoas que poderiam ter quadros psicológicos comprometidos e/ou instáveis. E tinham também um regente geral, responsável por entregar relatórios diários a ONU que agora era a responsável pelo comando mundial.
Prue era a única regente que conseguia burlar esse sistema fazendo o governo achar que ninguém conseguiu entrar no abrigo antes da hora da colisão.
O regente do abrigo Hudson era Greta Woods, uma mulher de um pouco mais de idade e extremamente severa. Mas foi graças a essa rigidez que o grupo conseguiu passar bem durante o 1 ano e 8 meses em que estavam debaixo do solo.
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Helena sempre visitava os filhos. Mesmo eles não podendo ver a mãe, ela se sentia mais próxima quando os via crescer. Ficou orgulhosa de Darryl vendo como ele cuidava religiosamente do irmão. Sabia que o filho era forte como ela. Sabia que o garoto, mesmo perdendo a visão, poderia aguentar o peso que lhe foi forçado sob os ombros. Isso partiu o coração que já não batia da mulher, mas não podia culpar Bonnie.
Quando não estava com os garotos, não podia controlar o impulso de ir até a presença de uma mulher muito peculiar. Pam Halliwell era a única pessoa no mundo dos vivos que podia vê-la. A única que podia ver como ela estava desesperada para salvar os filhos da fome, pois esse era um problema recorrente. Os estoques estavam limitados há dois anos, era o planejado pela ONU. Acharam que com esse período de tempo, poderiam ter restaurado o poder humano sobre o planeta. Doce engano.
Pam Halliwell tentava ao máximo evitar as vozes, então Helena fazia diferente, ficava calada fitando intensamente a mulher que ela descobriu ser uma bruxa. Uma bruxa real, não aquelas de contos de fada, que voavam em vassouras. E Pam realmente a notou.
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Julien dormia há 12 dias, o episódio mais longo que ele já havia tido. No décimo quinto dia, Helena não aguentou. Precisou ir diretamente pedir ajuda a bruxa.
— Socorro. — disse entre as lágrimas.
Pam caiu da cama, tamanho foi o susto que levou. Ficou olhando boquiaberta a aparição que chorava ajoelhada de cabeça baixa do lado esquerdo do colchão.
—Por favor, me ajuda! — disse o fantasma levantando a face e revelando o brilho da água salgada que corria de seus olhos em sua bochechas.
A bruxa não sabia que os mortos ainda podiam derramar lágrimas.
—Qual o seu nome? — pergunta Pam incerta se tentava pegar na mão do espectro ou não.
—Meu nome é Helena Dyer, meu filho Julien que está num abrigo não muito longe daqui sofre de uma doença rara. Será que você pode curá-lo? Por favor! Eu não tenho com quem mais contar, você é a única que pode me ver e ouvir. — responde Helena
—Seu filho? Tem um abrigo perto daqui? — diz Pam, surpresa.
—Sim, no rio Hudson. É onde meus dois meninos estão. Por favor! — suplica Helena
Ela então conta a história de Julien e de como assaltou o banco em que trabalhava para conseguir as passagens para o abrigo. Ao fim do relato, Pam também chorava emocionada.
—Sinto muito pelos seus filhos — diz ela tentando pegar nas mãos da outra, sem sucesso. — Sinto muito pelo seu filho ter ficado cego e sinto que seu filho mais novo não seja capaz de acordar. Mas eu preciso perguntar sobre essa menina. Bonnie. Você viu a hora que aconteceu? Me parece um evento muito particular.
—Se você realmente sentem muito, por favor, ajude-os — diz Helena
—Helena, eu sinto muito, mas não sei como ajudar. Creio que se eu falar com Prue, ela saberá o que fazer. Por favor, responda a minha pergunta. — replica Pam.
— Eu não vi o acidente, mas escutei trechos de brigas entre Darryl e ela. Pelo o que entendi, ela fez algo e uma luz cegou-o — diz Helna
—Creio que preciso reunir minhas irmãs. — conclui Pam — você tem meu consentimento para ir junto.
Helena acena com a cabeça.
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—Você tem absoluta certeza disso? — Pergunta Prue
—Sim, ela está aqui do meu lado para confirmar. — responde Pam.
—Pam, só você pode vê-la — interrompe Primrose — mas acreditamos em você.
Prue entra num silencio mortal por alguns minutos.
—Essa menina, pode ser o sexto elemento que procuramos. — diz a mais velha. — Vamos resgatá-la.
—RESGATÁ-LOS! — grita Helena sem poder ser ouvida pelas outras duas.
—Err...e os garotos também, precisamos ajudar o mais novo. — Completa Pam.
—Sim, os garotos também. — diz Prue.
—Mas como vamos fazer isso? — pergunta Primrose
As duas outras encaram a mais nova
—Ah sim, claro. Diz ela. — revirando os olhos — Saibam que é bom esse seu fantasma estar falando a verdade, se eu for parar dentro do rio e me afogar, eu juro que volto para te atormentar até o fim de seus dias, Pam — diz ela um pouco irritada.
—Pode confiar — diz Pam trocando olhares com a mulher espectro parada ao seu lado.
—Tranquem as portas, não quero que ninguém nos atrapalhe enquando Primrose está no plano astral. Assim que tiver certeza, se teletransporte para o abrigo e traga as crianças aqui.
Pam se senta no sofá cinzento e seu fantasma senta ao lado.
—Não podemos interferir — diz Pam para Helena que acena concordando.
Primrose puxa a irmã do lado e sussurra.
—Prue, se trouxermos mais três pessoas para cá, serão três bocas a mais para alimentar. E a ONU vai com certeza notar a falta deles.
—Se essa menina for quem procuramos, isso não será o nosso maior problema. Pode de fato, ser a solução. E o que a ONU pode fazer? Eles não podem tirar os traseiros deles de dentro do abrigo em que estão de qualquer maneira — responde a irmã no mesmo tom de voz baixo.
Primrose se prepara para orbitar entre os planos. Ela senta no chão em posição de lótus fechando os olhos e se concentra na localização em que quer chegar. Seu transe começa.
A bruxa se encontra num abrigo muito parecido com o que o ela mesma habitava. Começou a subir as escadas da sala até o segundo andar onde ficavam os dormitórios.
Abriu a porta do primeiro. Bon Jovi tocava qualquer coisa em seu violão. Gostaria de ter ficado, mas tinha assuntos mais urgentes para tomar contar.
Seguiu para o segundo quarto. Bingo, um garotinho dormia profundamente ao lado de outro garoto. Provavelmente os filhos de Helena.
Passou para o terceiro quarto. Vazio.
Foi então para o quarto cômodo. Viu uma menina sentada em sua cama com as penas cruzadas e com o olhar vazio. Percebeu que seus tornozelos estavam acorrentados a cama. Sentiu sua energia, tão parecida com a dela mesma. Essa era Bonnie, uma bruxa.
—É ELA! — Primrose grita ao abrir os olhos abruptamente.
Helena e Pam levantam do sofá rapidamente.
—Ela viu meus filhos? O mais velho tem uma pinta em cima do lado esquerdo do lábio superior e o mais novo tem uma cicatriz no queixo. — diz Helena sem tomar ar entre as palavras.
Pam transmite o recado.
—Sim, são eles. — diz Primose. — E a menina? Cabelos castanhos e olhos verdes?
—É a Bonnie. — confirma Helena e Pam relata a afirmação.
—Traga-os aqui, Prim. — comanda Prue.
—Ok, mas prefiro ficar sozinha para poder me concentrar melhor. — ela diz
As outras duas seguidas por Helena saem da sala e ficam tomando conta da porta.
Primrose sabe o que precisa fazer. Nesta hora, libera todo o seu poder.
Resolve começar pelo garotinho que dorme. Ela se materializa ao lado da cama e muito rapidamente, põe os braço em volta dele e teletrasnporta-o para a sala em que primeiro começou sua viajem. O garoto não acorda.
Ao chegar no quarto onde os meninos dormiam vê o mais velho já acordado, tateando o outro lado da cama e chamando pelo irmão. Ela sabe que ele não pode vê-la então tenta conversar com ele.
—Darryl? — ela diz em tom amigável
—Quem é você? Cadê meu irmão? — ele diz deseperado
—Eu sou uma amiga, sua mãe Helena me mandou para ajudá-lo. — ela diz
—Minha mãe? A mamãe está viva? — ele pergunta esperançoso.
—Rápido, não temos tempo. — ela diz já pegando nas mãos do menino.
—Eu não posso ir sem a Bonnie. — ele diz preocupado.
—Ela vem também.
E somem no ar.
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—Acho que realmente perdi a sanidade — diz Bonnie para a aparição que entra sem permissão em seu quarto.
—Meu nome é Primrose. Eu vim para te ajudar. — diz a bruxa tomando passos em direção a garota.
—Não chegue perto de mim! É perigoso! — diz a menina colocando a cabeça entre as mãos tentando segurar o que quer que fosse que queria sair de dentro dela.
—Não precisa ter medo de mim!- diz Primrose
—É você que precisa ter de mim — responde Bonnie que retira as mãos da cabeça ao reparar que a luz branquíssima emana de suas palmas.
—Bonnie, não tenha medo de seus poderes. A mesma magia que corre em suas veias, está em mim também. Me dê sua mão, vai ficar tudo bem! — diz ela estendendo sua prórpria mão para a menina.
A garota tenta evitar o contato físico, mas Primrose não tem tempo para tentar acalmar a garota ee numa jogada perigosa se agarra aos ombros da menina que tenta em vão se desvencilhar. E somem no ar.
As duas caem pesado no tapete da sala do primeiro abrigo. Bonnie, sem controle nenhum, emana um luz extremamante clara de seu corpo. Primrose fica abraçada a garota tentando acalmá-la, as duas estiradas no chão.
—Está tudo bem, você está segura agora. — diz ela afagando os cabelos da menina enquanto cerra seus prórpios olhos para se proteger da luz.
Bonnie se acalma um pouco e consegue reganhar domínio sob sua ações. A luz começa a ficar menos intensa. Até que para de brilhar.
As duas ficam deitadas por mais alguns minutos quando a porta é aberta violentamente.
—Conseguiu? — pergunta Pam afobada com Helena em sua nuca.
A fantasma afirma que aqueles são de fato os filhos dela. Helena tenta em vão acariciar as faces dos meninos.
—Onde está minha mãe? — pergunta Darryl ansioso.
—Olha, Darryl...sua mãe não pode estar aqui fisicamente — diz Pam — mas ela está aqui e me diz que está muito orgulhosa de você.
—Pare de me falar essas coisas, eu não acredito nesta baboseira de medium. — ele responde entre raiva e desapontamento.
—Ok, mas foi essa baboseira que te tirou de lá. — conclui Pam
Ele fica sem saber como responder.
—Sua mãe diz que te ama e que está muito orgulhosa de você. — Pam transmite a mensagem.
Primrose e Bonnie se levantam do chão.
—Nós somos bruxas, assim como você — diz Prim. -Porquê você se acorrentou na cama? Você pediu para alguém fazer isso?
—Foi a Sra Woods. — diz a menina.
—Quem é essa? — pergunta Pam
—É a mulher que administra nosso abrigo. — responde Bonnie
—Prue? — Prim procura o conselho da mais velha.
—O governo sabe que você é especial. Eles vão caçá-la se puderem, pois você representa uma ameaça para a “sociedade” como conhecemos hoje. — diz Prue com calma, mas sabendo do peso de suas palavras. — Não podemos mais ficarmos passivos a isso tudo. Pam, chame as elementais aqui, vamos agir. Agora.
—O que ela está fazendo? E meu filho? — protesta Helena
—Isso é mais importante, se conseguirmos ter sucesso, você mesma poderá cuidar do seu pequeno Julien.
As quatro bruxas descem até a sala segundos após a convocação.
—Darryl, Pam vai levá-lo até meu dormitório, você pode ficar lá com seu irmão até isso terminar. Volte logo. — comanda Prue.
—Quem são eles? — pergunta Sunmi.
—Amigos. — ela responde de forma simples cortando o assunto. — Minhas meninas, lembram do círculo do poder, faremos isso agora, cada uma fica em pé em uma ponta do pentagrama que traçarei no chão. Bonnie, não temos tempo para treiná-la. Mas juntando os cinco elementos controlamos uma força muito poderosa, um poder que não deveríamos mexer com, vamos controlar o tempo. Vamos voltar ao dia do Apocalipse e destruir o meteóro antes que ele chegue até nós. Precisamos dizer todas juntas essas palavras
“Ouça estas palavras, ouça a rima
Preste atenção à espera em minha mente
Mande-me de volta para onde eu vou encontrar
O que eu desejo no tempo e no lugar”
As meninas muito confusas memorisavam as palavras. Pam volta para a sala.
As três irmãs se colocaram de mãos dadas num pequeno círculo no centro do pentagrama desenhado no chão da sala.
—Como vamos destruir o meteóro, Prue? — pergunta Pam baixinho para a irmã que aperta mais sua mão num sinal para fazer silêncio e se concentrar na tarefa.
As oito vozes começaram a ecoar na sala. Cada vez mais forte, cada vez mais poderosas e ameaçadoras.
Helena, num canto da sala vê as oito mulheres desaparecerem bem em frente aos seus olhos.
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As bruxas tentam correr contra a multidão em direção ao New York Square, segurando as mãos umas das outras. Prue está a frente quanto mais para o centro da cidade elas caminhavam, menos pessoas estavam ao redor, todos tentando fugir da morte.
O céu já se encontrava escuro devido ao eclipse solar causado pela sombra do meteóro.
Prue traça novamente o pentagrama com mágica e as meninas se colocam em sua posições.
— Eu preciso da força de vocês, não posso fazer isso sozinha. — ela diz
— O que você vai fazer? — Pergunta Primrose.
— Eu vou usar meu poder para destruir o meteóro. — diz Prue, muito calma.
— Você vai acabar se sacrificando! Esse é o plano? Não, Prue. Não faremos isso! — Protesta Pam
— Vocês duas estão prontas para assumir o comando. Não há necessidade de fazer uma cena. Faremos isso por nossas meninas. — ela diz.
As irmãs se abraçam. As outras garotas choram em silêncio numa mistura de medo e tristeza.
—Começamos
As bruxas liberam seus poderes, todas de olhos fechado s. Luz, fogo, terra, água e ar brincam livremente em volta do pentagrama. As duas Supremas mais novas tem suas mãos nos ombros da mais velha que se concentra.
Prue começa a levitar no ar, sendo 200 metros acima do chão. O meteóro já está na extratosfera da Terra. A bruxa extende suas mãos em sua direção. Seria muito para ela, se suas irmãs e comunidade não estivessem com ela.
A bela mulher libera todo o seu poder, iria transformar o meteóro em pó. Ela treme, entra em combustão, assim como o meteóro em sua frente, entranto em sintonia com ele.
As mulheres abaixo dela não ousam abrir os olhos, mas a Terra começa a tremer. Elas se mantém firme no mesmo lugar. Confiam em Prue até o final.
Prue então consegue dividir o meteóro em pedaços menores, mas esses ainda poderiam ser letais para muitos inocentes. Ela então continua a liberar o seu poder. Seus átomos corporais já estão sobrecarregados, mas se mantém conectados aos pedaços do objeto astral. Ela pode se sentir evanescer, juntamente com as moléculas do meteóro. Prue grita. Ambos se desintegram no ar.
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Helena volta para casa depois de um dia cheio no banco. Um dia ia acabar dando com o computador na cabeça de um cliente chato.
Quando chegou em casa, encontrou Catherine chorando em sua varanda.
—O que houve Cath? — ela diz abraçando a amiga.
—É Bonnie, ela tem agido estranho ultimamente. Duas mulheres vieram até em casa hoje mais cedo. Bonnie disse que precisava ir com elas para melhorar, mas que voltaria para me ver. Aparentemente essas mulheres tem uma escola para pessoa especiais. — responde Catherine — eu sinto que posso confiar nelas, mas não queria minha filha longe de mim.
—Oh, Cath, sinto muito, mas Bonnie ia ter que ir para uma faculdade de qualquer maneira. Ela ainda é sua filha, ainda te ama. — diz Helena — Quando ela vai?
—Acabou de ir-se — diz Cath apertando o abraço
—Oh, tão repentino, o ano letivo não começa só daqui a três meses? — pergunta Helena.
—As irmãs me passaram grande tranquilidade. Eu mencionei que eram irmãs? — diz Catherine abobalhada.
—Não — diz Helena entre risos. — Vem sua raposa velha, vamos entrar e tomar um chá.
—Olha, a missão mais difícil agora é contar para o Darryl. Bonnie nem teve a dignidade de se despedir. Sinto muito, Helena. — diz Catherine
—Eles são jovens, e são fortes. Vão ficar bem. É com você que eu estou preocupada. Já que sua casa está vazia agora, não quer se mudar para cá? — diz Helena dando a mão para a amiga levantar.
—Uai Helena, quero. Mas vão achar que temos outro tipo de relacionamento, o que a minha Igreja vai pensar? — diz Catherine claramente preocupada
—Quem se importa Cath, você continua sendo uma boa cristã mesmo se vir morar no meu covil do mal — diz Helena rindo ironicamente.
As entram fechando a porta para o mundo.
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