The Black Rose
1 Jardineiro?
Notas iniciais
Espero que gostem!
Mais um dia!
Mais um longo, entediante e cansativo dia que estava prestes a começar e é claro que como de costume, eu estava atrasada mais uma vez. Arrumei tudo as pressas, saindo de meu quarto com vários cadernos nas mãos tentando ajeitar-me enquanto corria pelos corredores vazios e silenciosos do colégio até meu destino, que deveria ter sido alcançado meia hora mais cedo. Um pouco mais organizada, bati duas vezes naquela grande e velha porta logo abrindo a mesma e deparando-me com uma cara de poucos amigos, não só de meu professor, como da maioria dos alunos. Após pedir licença e olhar por toda a sala, avistei apenas uma cadeira vazia, perto da janela para onde ficava a vista do jardim lateral. Não era um mau lugar, apesar de não ser de minha preferência sentar ali... Está sempre tão... Vulnerável. Aquela enorme janela sem cortinas permitia que uma luz ofuscante de uma manhã de primavera invadisse todo o local e iluminasse aquelas belas flores no jardim, fato que fazia com que eu mal prestasse atenção naquela péssima aula de química que após muito tempo, finalmente chegou ao fim. – Asriel... Asriel! – Dizia uma voz em um tom um tanto elevado. Não reconheci de imediato, não queria reconhecer, estava muito ocupada observando as belas orquídeas bem tratadas das quais não havia reparado anteriormente. – Asriel Moore, a senhorita está me ouvindo? – Insistiu a voz, fazendo com que eu me virasse para ver quem insistia em atrapalhar-me, e como esperado, era apenas Caroline fazendo estardalhaço mais uma vez. – O que foi dessa vez Carol? – Perguntei completamente sem interesse, não estava nem um pouco disposta a ouvir os “babados” que ela sempre arranjava para me contar. – Você não vai acreditar! Sabe o Sr. Fonks? – Começava ela com entusiasmo, uma conversa que para mim, era mais entediante que ver mosquitos esfregando as patas. – Pois então, ele aposentou-se e parece que teremos um novo empregado. E quando eu digo novo, é novo mesmo! Parece que deve ter uns 20 anos, por ai e... – Continuava ela, porém logo sendo interrompida por mim. Como ela sabe a idade dele? Que o Sr. Fonks, o jardineiro, demitiu-se? Isso me cheirava a mais uma das idiotices de Caroline da qual dessa vez, realmente não quero ser envolvida, já que passei um mês fazendo trabalhos e mais trabalhos por conta da anterior. – Como você sabe sobre ele? Andou invadindo os arquivos da biblioteca novamente Carol? – Perguntei em um tom repreensivo. É impossível que ela nunca aprenda a maldita lição que consiste em: Não invadir o sistema, não burlar as regras, não paquerar os empregados, não tirar a autoridade de um professor, não arranjar brigas, etc. – É... Só um pouquinho... – Ela colocava uma de suas mãos no cabelo, para disfarçar a vergonha e a frase que estava praticamente fosforescente em sua testa: “Eu fiz merda, eu sei. E quero que entre nessa comigo.” – Foi só uma vez... Ou duas. Deixe de ser chata As! – Ela continuava enquanto percebia, de certo modo, o quão assassino estava o olhar que eu a mandava. Porém, suspiro, cessando a insistência dela. – E então? Conte-me tudo. – Perguntei enquanto finalmente voltava minha atenção para ela que parecia uma criança que teve a autorização dos pais para comprar um sorvete colosso. – Em cada mínimo detalhe. – Completei, notando que era apenas essa pequena e idiota frase que ela estava esperando para que pudesse soltar tudo que já formigava na ponta da língua. – Bom, ontem eu estava passando pelos corredores, e ouvi uma das meninas do 1º grau conversando sobre a demissão do Sr. Fonks e sua subistituição. Como fiquei... Hm... Muito preocupada com o jardim, decidi ouvir o resto da história: O Filho lindo dele irá substituí-lo! Alexander Black! Bom, então como soube o nome dele decidi ir pesquisar só para conferir a informação, sabe? E advinha? Tinha uma foto do galã! As, imagine: Alto, cabelos negros, olhos azuis, pele bronzeada... Aimeudeus tudo de bom. É uma pena que ele seja apenas o jardineiro... – Não vejo problema em ser jardineiro. Se ele gosta de plantas, deixe-o trabalhar com plantas. – Comentei sem dar muita atenção, apoiando meu cotovelo sobre a mesa enquanto minha mão pousava em meu rosto. Realmente, apesar de tanto tempo de amizade ainda não sei o que diabos Caroline faz da vida: Suas notas são medianas, não lê se quer um livro infantil e passa a maior parte do tempo fazendo as unhas, arrumando o cabelo ou fuxicando a vida alheia. Assim que todos os alunos se retiraram da sala com suas mochilas e demais pertences, indo como de costume direto para o dormitório, começo a arrumar meu material enquanto Caroline me apressa a porta. – Vamos logo! Nunca vi gente mais lerda que você As! – Dizia ela em um tom zombeteiro do qual eu apenas ignorei. – Pode ir na frente. Eu já estou indo. – Tudo bem, e não se atrase. Sabe como a Sra. Parkson fica quando há o atraso de alguns segundos para o jantar. Aquela mulher é um monstro! – Sim, sim. Eu sei, já vou. – Completei, vendo-a sair da sala enquanto eu voltava a encarar o belo jardim sem sequer tocar em meus materiais. Era hipnotizante a imagem daquelas belas rosas, as orquídeas, gardênias, Iris, lírios e sem contar as tulipas e várias outras que preenchiam aquele local quase mágico. Continuei a observar o jardim, perdendo por completo a noção do tempo enquanto via o vento soprar levemente as várias pétalas coloridas para o outro lado até meus olhos se fixarem em uma bela silhueta masculina entre os bem cuidados e desenhados arbustos, ele estava agachado e bem escondido, não pude ver muita coisa já que foquei apenas em uma de suas mãos segurando uma bela rosa alaranjada entre seus dedos, cintilando a luz avermelhada do fim da tarde.
– Senhorita Moore? – Chamava uma voz rígida que fez com que eu acordasse de meu “transe”, virando-me bruscamente para encarar quem me chamava. Era a Sra. Parkson com sua tão conhecida cara de: “chupei limãozinho de manhã.” – O que faz aqui? Por acaso não sabe mais olhar as horas em um relógio? – Ela continuava, apontando para o grande relógio pendurado um pouco acima da grande lousa de giz. – Está atrasada para a cerimônia que aconteceria antes do jantar. Ou será que esqueceu? – Perdão Sra. Parkson! Irei me aprontar agora mesmo. – Respondi em um tom submisso e cabeça baixa retirando-me da sala. Aquela mulher, de fato, é um monstro! – Ah... E não se esqueça de meu trabalho contendo cinco páginas sobre ética. – Disse ela fazendo com que eu parasse em frente à porta. – Perdão Sra. Parkson, mas de que trabalho estamos falando? Não passou nada em aula para entregar. – O trabalho como punição de seu atraso de exatos dois minutos! Sai da sala, seguindo para o corredor onde estavam os dormitórios, divididos entre duas pessoas, no caso, Eu e Caroline. Ao entrar, joguei a bolsa sobre minha cama e tomei um banho rápido, coisa que não é de meu feitio, penteei o cabelo, ajustei um pouco as roupas e desci o mais rápido que pude tudo em exatos 4 minutos. Abri a porta do salão de jantar sorrateiramente e adentrando o local, sendo percebida por apenas uma ou duas pessoas e sentando-me ao lado de Caroline, que me observava quase como se dissesse: “Eu não disse para vir logo? Lerda!” Coisa que eu ignorei e dei apenas um breve relatório. – Acho que vi... Seu incrível jardineiro.
Notas finais
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Obrigado e até o próximo. *-*
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